9 de fevereiro de 2011 - quarta-feira

Sono...

Não consigo prestar atenção no que estou fazendo, meus movimentos são totalmente automáticos durante toda a pratica matinal. Sue Sylvester grita comigo por causa das minhas olheiras e eu não tenho forças para responder então ela diz que eu sou uma vergonha para a equipe. Não me preocupo. Sei que ela não está falando serio... Graças a Deus o treino acabou mais cedo. Alguma coisa relacionada com Figgins devolvendo uma maquina de fumaça...

Quando estou saindo do campo Rachel está sentando nas arquibancadas. São 8 horas. Sorrio para ela. Ela também parece cansada. "Banho. Me espera?" Pergunto quando passo por ela, recebendo um aceno de cabeça em resposta.

Quinze minutos depois estou de volta. Não tem muitos estudantes por perto e eu ainda tenho quarenta minutos antes que as aulas comecem. Subo os três degraus até o lugar onde minha namorada está sentada lendo alguns papeis. "Oi." Dobro os joelhos e me acomodo ao seu lado, descansando a cabeça em seu ombro.

Ela guarda os papeis em sua pasta e passa os braços ao meu redor me trazendo mais para perto e beijando minha testa. "Bom dia. Dormiu bem?"

Meu nariz esta roçando seu pescoço e eu inspiro profundamente. É o melhor cheiro do mundo. "Dormi pouco. E você?"

"Até que sim. Tive que pular meus exercícios hoje de manha, mas vim a pé para a escola e isso meio que anula a falta do elíptico. Não posso negar que estou cansada, mas acho que é um preço justo a pagar pela noite de ontem."

"É..." Fecho os olhos e tenho certeza que posso pegar no sono. Seus dedos acariciam meu braço e a sensação é muito boa.

"Eu queria poder te beijar agora..." murmura ela.

Levanto um pouco meu rosto e pressiono meus lábios contra a pele exposta de seu pescoço. Ela ri.

"Isso faz cócegas." A beijo mais uma vez e ela ri novamente. Me abraçando com mais força. Não consigo evitar um sorriso. Quando estou com ela a vida parece tão mais fácil... Fecho os olhos e me deixo perder um pouco em seu abraço...

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Rachel's POV

A aula começa em cinco minutos e as pessoas estão começando a nos lançar olhares estranhos. Sei que deveria me mexer, mas simplesmente não consigo. Tenho certeza que Quinn pegou no sono e eu não quero acordá-la. Ela parece tão tranqüila... Sua respiração contra meu pescoço me causa arrepios maravilhosos e tenho a sensação que se fechasse os olhos poderia dormir também.

Nunca perdi nenhuma aula antes. Acho que não faz mal ficar aqui com ela mais um pouco. Literatura não é tão complicado e a Sra. Phillips está tão velha e meio cega... Provavelmente nem vai reparar na nossa falta. É, acho que vou ficar aqui até ela acordar. Penso eu, sentindo minhas pálpebras pesarem. Estou tão cansada. Não costumo dormir tão tarde durante a semana... Vou fechar os olhos só um minutinho.

...

"Rachel?" Uma voz sonolenta murmura em meu ouvido. Abro os olhos um pouquinho

"Humm?" é tudo o que consigo dizer.

Sinto falta da pressão em meu ombro quando Quinn se afasta.

"Acho que a gente dormiu..." fala ela esfregando os olhos como se fosse uma criança de quatro anos. Ela é tão adorável! Sorrio para ela.

"Você dormiu." Respondo sentando melhor. "Acho que devíamos is para a aula agora. São cinco para as nove..."

"São nove e meia Rachel." Diz ela levantando uma sobrancelha e me olhando com divertimento.

Nove e meia? Pisco algumas vezes e pego o celular de sua mão. "mas..." Realmente, o visor agora marca nove e trinta e um. "mas eu só fechei os olhos por um minuto..." cubro meu rosto com as mãos e fico em pé. "eu não queria te acordar, você estava tão bonitinha e..." ela fica um pouco vermelha. "e eu fechei os olhos e..." Ela senta com as pernas cruzadas como índio, sem desgrudar os olhos de mim. "nós realmente perdemos a aula!"

Ela ri e estende o braço em minha direção segurando meu pulso e me fazendo sentar ao seu lado. "Relaxa Berry! É só literatura!" Ela me abraça "E agora temos mais 15 minutos sozinhas." Sussurra ela em meu ouvido.

Olho em volta e realmente, o pátio está totalmente deserto. "Sozinhas?" Sorrio com a ideia.

"Sim, totalmente s..." Não a deixo terminar, meus lábios já estão sobre os dela e eu seguro seu rosto com as duas mãos. Sinto seu sorriso e aprofundo o beijo. Sua boca é tão familiar, mas ao mesmo tempo me desperta tantas coisas novas a cada contato. Me afasto em busca de oxigênio e ela ri, correndo a ponta de seu nariz pela minha mandíbula e plantando um beijinho suave na base do meu pescoço.

"Já disse que estou apaixonada pelo seu beijo?" pergunto me inclinando mais uma vez em sua direção.

"Achei que você estivesse apaixonada por mim..." provoca ela desviando o rosto para o lado.

"Isso também, mas é uma mera conseqüência..." Consigo capturar os seus lábios novamente. O beijo é mais lento dessa vez, mas não menos apaixonado.

"Você vai fazer alguma coisa hoje à tarde?" ela descansa sua testa contra a minha.

"Ficar com você?"

"Quero te apresentar uma pessoa..."

"Humm, posso saber quem?" pergunto, a beijando novamente.

"Minha irmã." Diz ela, um pouco sem fôlego. "Ela descobriu tudo ontem à noite e insistiu em te conhecer antes de ir viajar."

Me afasto e procuro seus olhos. "Ela esta Ok com isso?"

"Sim... Acho que agora que ela sabe vai se mais fácil contar para minha mãe. Annie sempre me ajudou com esse tipo de coisa."

"Quantas vezes você já teve que apresentar uma namorada para sua mãe?" brinco eu.

"Não foi isso que eu quis dizer..." Ela se levanta e me puxa consigo. "Nós nunca tivemos segredos uma com a outra e ela sempre me ajudou com os meus..."

"Então eu sou um segredo?" pergunto levemente ofendida. Caminhamos lentamente em direção ao prédio.

"Para a minha mãe sim. Por enquanto..."

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Estou assistindo ao treino extra das lideres de torcida. É meio que entediante, mas eu gosto do jeito que Quinn sorri para mim todas as vezes que nossos olhares se cruzam. Invento um jogo para passar o tempo. É mais ou menos assim, eu penso em uma líder de torcida aleatória e é minha missão encontrá-la no meio do mar vermelho, preto e branco que cobre o gramado. Devo dizer que falho miseravelmente todas às vezes. A única pessoa que consegue prender minha atenção por mais de 10 segundos nesse momento é Quinn. Ela está sorrindo novamente. Aceno para ela.

Ops... Sue Sylvester esta indo em sua direção. Ela parece estar gritando, mas estou muito longe para ouvir. Ela aponta para mim ameacadoramente. Acho que é melhor arrumar algo melhor para fazer... Pego minha pasta de artes e começo a trabalhar no meu desenho. Nunca vai ficar tão bom quanto o dela, mas eu estou dando o meu melhor. Eu progredi muito dês da nossa aula esse fim de semana.

"Pronta?" nem percebi o tempo passar e quando olho para cima encontro uma Quinn de cabelo solto, jeans e blusa verde.

"Já?"

Ela ri. "O que você está fazendo aí?"

"Tentando melhorar minhas habilidades artísticas e evitando que Sue Sylvester grite com você..." guardo o material e aceito sua mão para me levantar.

"O desenho está ficando ótimo!" Ela beija minha bochecha e entrelaça nossos dedos.

"Em comparação com os outros, qualquer coisa é ótima..." seguimos até o estacionamento e eu percebo que a escola esta quase vazia, exceto por alguns atletas aleatórios. "O que a treinadora falou para você antes?" pergunto entrando no carro.

"Nada, ela disse que a pratica não era nas arquibancadas e me mandou dar dez voltas a mais que o resto da equipe." Ela da de ombros.

"Desculpa..." digo pegando sua mão novamente.

"Não é culpa sua se você é mil vezes mais atraente que Sue Sylvester e aquele mega-fone estúpido..." Ela sorri, mas não liga o carro.

"Nós vamos ficar paradas no estacionamento?" pergunto olhando para ela.

Quinn limpa a garganta e arqueia as sobrancelhas com uma expressão divertida. "Eu preciso da minha mão para ligar o carro..."

Sinto-me corar um pouco. "Oh... Isso faz sentido."

"Faz sim..." Ela leva minha mão aos lábios antes de solta-la e girar a chave.

"Então... Pra onde vamos?" pergunto depois de um momento.

"Shopping."

"Humm..." ligo o radio, mas mudo de ideia e desligo logo em seguida. "Me fala um pouco sobre a sua irmã."

"O que você quer saber?"

"Sei lá... Qualquer coisa... Eu não posso simplesmente conhecê-la sem saber nada sobre ela."

"Acho que o ponto em se conhecer alguém é justamente não saber nada sobre essa pessoa." Ela pisca pra mim.

Reviro os olhos. "Só me fala qualquer coisa..."

"Humm, bom, ela se chama Ann Marie Fabray, mas odeia o nome do meio. Tem 24 anos é psicóloga formada em Columbia..."

"Sua irmã mora em Nova York?" me endireito no acento.

"Sim..."

"Como?"

"Como o que?"

"Você nunca me falou isso antes."

"Não achei que fosse importante..."

"Claro que é! NY é o meu sonho! Acho que posso me dar muito bem com a sua irmã Quinn." Penso nas milhões de coisas que poderia perguntar para ela. Meus olhos devem estar brilhando em excitação agora.

"Fico feliz..." diz ela sem desviar os olhos da estrada.

"O que mais?"

"Bem, ela esta fazendo mestrado em saúde mental e tem uma paixão por tudo o que é diferente." Ela sorri, provavelmente se lembrando de algo. "Sabe aquele homem que sempre anda pelo parque falando sozinho?"

Faço que sim com a cabeça antes de perceber que ela não está olhando para mim. "Sim."

"Eu me lembro de ter 6 anos e estar com meus pais e minha irmã no dia da independência. Ann desapareceu por quase uma hora. Achamos ela sentada em cima de um pedaço de papelão, num canto meio obscuro, ouvindo ele falar sobre pássaros e estrelas cadentes."

Sinto cala frios. Aquele cara é meio assustador.

"Eu sei... é bizarro." Diz ela em resposta ao meu silencio. "Mas é o que ela ama fazer e se ela é capaz de apoiar o meu amor por outra mulher, eu acho que o mínimo que posso fazer é deixar ela ser feliz..."

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Chegamos no shopping e acho que é para cá que todo o McKinley vem depois das aulas. Reconheço muita gente, mas ninguém parece saber quem eu sou e Quinn fica realmente diferente sem o uniforme.

Entramos na sorveteria e sentamos em uma mesa um pouco afastada. Não demora muito até que a segunda loira se junte a nós. Elas são muito parecidas. Sério. O jeito de falar é exatamente o mesmo. Chega a ser assustador. Se isso estivesse acontecendo mês passado eu provavelmente teria surtado perante a possibilidade de tomar sorvete com duas Quinns.

"Olha Rach! Eles têm o substituto vegan!" Diz a minha loira apontando para o cardápio.

"Você é vegan! Que legal!" responde a outra loira. "Meu ex namorado era também. Tentei ser por um tempo, mas não durei muito..."

Sorrio para as duas.

"Não é fácil, mas eu me sinto bem por fazer isso." Chamo a garçonete. "Um sunday vegan por favor."

"Um morango split." Quinn sorri para a mulher e pela segunda vez hoje ela parece ter quatro anos.

"Com sorvete de chocolate." Completa Ann, sorrindo também. "Quer dividir Q?"

"Não" ela chacoalha a cabeça. "você come todos os morangos. E o chocolate."

"Dois então?" pergunta a garçonete.

Quinn concorda com a cabeça. Como ela consegue ser tão meiga? Deposito meu braço no encosto de sua cadeira e me inclino para beijá-la no rosto.

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"Então..." começa Ann levando uma colherada de sorvete à boca. "Você tem muito bom gosto irmãzinha."

"O que isso significa?" Pergunta Quinn aceitando a prova que estou lhe oferecendo. "Nossa Rach!" Ela arregala os olhos. "Esse negocio é realmente bom!"

Não tem como não rir da cara dela. "Eu disse que era..." Lhe ofereço mais um pouco.

"Sua namorada é bem bonitinha..." Continua a outra loira. "E inteligente, e simpática e pelo que você me falou, ela tem uma voz e tanto." Me sinto corar mais e mais a cada palavra.

Quinn afaga meu rosto. "Ela é perfeita..."

"Vocês podem mudar de assunto por favor?"

"Sempre achei que você gostasse da atenção..." minha loira murmura em meu ouvido.

"As pessoas mudam..." digo sorrindo para ela, sabendo o quanto ela mudou muito nos últimos meses.

"Definitivamente." Ann sorri também. "É por isso que sou psicóloga."

Olhamos para ela.

"Quero dizer, você não pode ser psicólogo se não acreditar que as pessoas mudam. Não faz sentido." Ela joga os braços para cima. "Tudo está em constante mudança. Nada é final e definitivo..."

Aperto a mão da minha namorada por sob a mesa. Ela tem razão...

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Falamos sobre Nova York, Broadway, musica, minha família, Beth e muitas outras coisas. A tarde passa bem mais rápido do que eu esperava e quando me dou conta já são seis horas. Meus pais estão me esperando para o jantar...

Estamos em um canto perto da porta esperando pela Ann que encontrou uma amiga e está conversando. Percebo que Quinn esta me olhando.

"O que foi?" Pergunto encontrando seus olhos.

Ela sorri e me abraça, encostando seus lábios no meu ouvido. "Eu te amo sabia?" Sinto seus lábios no meu pescoço e me afasto um pouco para beijá-la direito. Não me importo que estejamos em publico, no shopping, no meio de um monte de estudantes. Provavelmente nenhum deles nos conhece realmente. Ela apóia uma mão nas minhas costas e a outra no meu rosto. Nos afastamos e ficamos sorrindo uma para a outra. Ela é tão linda... É muito fácil se perder no dourado dos olhos dela...

Somos interrompidas por alguém limpando a garganta. Esse alguém é Ann.

"Vamos?"

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N/A: Oh God! Furei com vocês ontem... Peço desculpas, não estava inspirada e não queria escrever algo ruim...

Esse capitulo devia incluir o Karofsy, mas iria ficar extenso de mais então ele vai ficar para amanha. Provavelmente de meio dia, mas não prometo nada. Se ele sair d meio dia, teremos mais um capitulo a noite (dia dos namorados parte I)

Comentários por favor!

Abraços e até amanhã!