N/A: Esse capitulo deveria vir depois do Valentine's Day (o próximo e a principio ante-penultimo), mas acabei pegando o embalo do Karofsy e resolvi encerrar os conflitos antes...

Temos um convidado especial no capitulo de hoje... :)

11 de fevereiro de 2011 – sexta-feira

Quinn's POV

"Independente do que aconteça, nada vai mudar o jeito como me sinto. Entendeu?" Levanto o rosto de Rachel e encontro seus olhos. Ela concorda com a cabeça. Estamos prestes a passar pelas portas do McKinley pela primeira vez como um casal de verdade. Atravessar o estacionamento de mãos dadas já atraiu alguns olhares, mas até agora não houve nenhuma reação exagerada.

Me inclino e deixo meus lábios deslizarem sobre os seus. "Pronta?"

Ela me lança um olhar confiante, endireita a cabeça e entrelaça nossos dedos. Trocamos um sorriso e seguimos em frente.

Não sei exatamente o que estava esperando, mas definitivamente, o que recebemos não chegou nem perto das minhas expectativas. Tinha imaginado grupos de estudantes apontando para nós com horror, pais tirando seus filhos da escola, professores nos tratando com nojo, mas nada disso aconteceu. (Acho que Rachel não tem sido uma boa influencia para mim no quesito criar drama.)

Os estudantes nos observavam em silencio e quando achavam que estávamos distraídas, começavam a cochichar. Recebemos algumas piadas de mau gosto, principalmente dos atletas, mas junto com as piadas também recebemos olhares simpáticos de algumas pessoas. Os professores agiram com indiferença e o Glee Club tentava agir normalmente, nem sempre com sucesso.

O horário do almoço foi particularmente cômico. Quando cheguei ao refeitório, Rachel estava sentada em uma mesa redonda conversando com Mercedes. Junto com elas estavam Mike, Tina e Puck que riam sobre alguma coisa. Rachel sorriu no instante que me viu chegar, me sentei ao seu lado e em questão de segundos suas mãos já estavam em meu pescoço, me puxando para perto e seus lábios estavam nos meus. Demorei um pouco para me recuperar da surpresa antes de retribuir o beijo. As vezes parece que minha namorada perde o filtro, não que eu esteja reclamando, mas esse tipo de beijo nem sempre é bem visto em publico, principalmente por sermos duas meninas...

Afasto-me um pouco e ela se movimenta junto comigo instintivamente, mantendo nossos lábios conectados por um momento a mais. "Oi..." diz ela, encostando sua testa na minha.

"Oi" respondo sorrindo para ela.

Começo a rir quando volto meu olhar para o resto da mesa. Mercedes esta tapando os olhos com uma mão e espiando por uma fresta com um sorriso divertido nos lábios, Tina está totalmente vermelha e boquiaberta, consigo ver comida dentro da sua boca. Os olhos de Mike estão tão arregalados que parecem prestes a saltar das orbitas e Puck... Bem, Puckerman parece prestes a ter um orgasmo.

"Meu Deus! Isso é muito mais do que eu estava esperando!" ele sorri torto e pisca para nós. "Se algum dia vocês..."

"Nem pense em completar essa frase!" diz Lauren, sentando ao seu lado. Por incrível que pareça, ele realmente não fala mais nada e isso me faz rir ainda mais.

"Acho que vocês quebraram meu namorado..." comenta Tina, ainda corada e abanando a mão em frente ao rosto do outro asiático.

Ele concorda com a cabeça, seus olhos ainda estão super abertos. "Elas me pegaram desprevenido..."

"Da próxima vez que a gente for se beijar eu aviso antes, assim você pode fechar os olhos para não se sentir desconfortável." Rachel aperta sua mão por sobre a mesa.

"Acho que é uma boa ideia..." Tina concorda. "Acho que vai demorar um pouco para podermos nos acostumar com... vocês duas... se... err... beijando..."

A mesa fica silenciosa por um momento. Rachel está sorrindo e bebendo uma raspadinha de cereja, minha favorita. A observo por mais alguns segundos antes de resolver quebrar o silencio.

"Mike?" chamo sem tirar os olhos da minha namorada.

"Humm?" questiona ele, com a boca cheia.

"Fecha os olhos."

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"O que vamos fazer agora?" Estamos saído da sala de coral e indo até o estacionamento.

"Eu tenho que levar minha mãe e minha irmã para o aeroporto..." pesco a chave do carro na minha bolsa. "Quer me acompanhar?" Pisco para ela. "Podemos ir jantar depois..."

Recebo um super sorriso em resposta.

"Então vamos logo, o vôo delas é as 7 e 30, mas demora pelo menos uma hora e meia para chegar ao aeroporto se tiver movimento."

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São 7 horas e estamos na zona de embarque.

"Tem certeza que você fica bem sozinha Quinnie?"

"Sim mãe..." Digo pela quinta vez. "Já fiquei sozinha antes..." Queria falar sobre a época em que fui expulsa de casa grávida, mas não me pareceu apropriado. Não foi culpa dela afinal...

"Tchau irmãzinha, até mais Rach!" Ann abana para nós de onde está parada, perto do portal. "Mãe! A gente já devia estar lá dentro agora... Quinn já é bem grandinha, ela sabe se cuidar."

Minha mãe morde o lábio e me da um ultimo abraço. "Qualquer coisa os..."

"...telefones de emergência estão pendurados na geladeira... Eu vou ficar bem mãe."

"Eu vou cuidar bem dela Judy." Rachel engancha seu braço no meu.

"Eu sei que vai querida..." Ela abraça minha namorada. Imagino como seria se ela soubesse a verdade... "Obrigada." A ouço sussurrar.

"Tchau mãe!" Empurro-a de leve em direção a minha irmã.

Acenamos algumas vezes e as vemos desaparecer dentro da passarela que leva ao avião. Rachel desliza sua mão pelo meu braço.

"Para aonde vamos?"

"Tem hora para voltar?"

"Não, dês de que eu avise meus pais com antecedência posso fazer o que bem entender."

Chegamos ao estacionamento.

"Podemos ir para o Shopping jantar e assistir um filme numa das sessões mais tardes. O que você acha?"

"Parece ótimo." Ela fica na ponta dos pés e beija minha bochecha antes de entrar no carro.

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O shopping não fica tão longe e acabamos optando por comer no Bread Styx. Estamos sentadas lado a lado numa das mesas externas da sorveteria. Minha mão desenha padrões em seu joelho enquanto ela me da uma colherada de sobremesa. É como se estivéssemos dentro de uma bolha de felicidade e nada pudesse nos atingir. Ela se inclina e beija o canto da minha boca. Algumas pessoas lançam olhares desaprovadores, mas já superei isso e Rachel também não parece se importar. Quero dizer, a vida é nossa e não deles e nós escolhemos ficar juntas...

Nos levantamos para pagar a conta quando vejo algo, ou melhor, alguém, que faz meu sangue gelar. Há quanto tempo será que ele está ali? O que será que ele viu? Meu cérebro está gritando comigo, me mandando sair dali o mais rápido possível, mas nossos olhos se encontram e eu simplesmente não tenho mais controle sobre meu corpo.

Rachel puxa minha mão e quando eu não me mexo ela se volta para mim.

"Quinn?" Consigo ouvir a preocupação em sua voz. Quero dizer que está tudo bem e ir embora, mas aqueles olhos azuis me mantêm presa, como se estivesse hipnotizada. Rachel aperta a minha mão, tenho certeza que ela entendeu o que está acontecendo.

Ele está se aproximando agora, sua boca se contorce em uma expressão de nojo. Uma mulher o acompanha, mas não a reconheço. A voz dele me atinge como estilhaços de vidro.

"O que você está fazendo com essa coisa?" Seus olhos passeiam entre mim e Rach, parando por um momento em nossas mãos entrelaçadas. Abro a boca para responder, mas as palavras não saem.

"Me desculpa, o que o senhor disse?" pergunta Rachel, sua voz está um pouco mais aguda do que o normal.

"Eu não falei com você. Fiz uma pergunta para a minha filha e eu gostaria que ela respondesse." Diz ele friamente.

Não respondo.

"A gravidez afetou a sua audição Quinn? Eu perguntei o que você pensa que está fazendo com essa coisa."

"Não fale assim dela. Ela tem nome, ela não é uma coisa, ela é minha namorada."

"O que você disse?" ele pergunta abruptamente.

"Ela me faz feliz, ela significa muito mais para mim do que o senhor jamais vai. Você não tem o direito de tratá-la dessa forma." Digo entre os dentes. Encontrar com o meu pai era a ultima coisa que eu precisava.

"Você é uma pecadora suja mesmo não é?" ele altera a voz.

"Que eu saiba, adultério é um pecado tão grande quanto homossexualismo." Aponta Rachel, olhando diretamente para a mulher a nossa frente. Essa deve ser a louca tatuada que fez minha mãe deixá-lo. Tenho que agradecê-la por isso. Ela parece chocada e coloca uma mão no braço do meu pai. "Russel..."

"Não se meta Clarisse," Ele se afasta da mulher e da um passo em direção a minha namorada. "E não me dirija à palavra sua pequena aberração. Eu sei quem você é, eu conheço seus pais. Eles são uma vergonha para a humanidade, você não poderia ser diferente, mas arrastar a minha filha para essa vida de..."

"Eu já disse para não falar assim com ela!" interrompo praticamente gritando.

Meu pai está com o rosto vermelho de raiva. "Eu nem acredito que você seja minha filha! Aonde eu errei?" pergunta ele levantando um punho no ar. "Uma gravidez só dura nove meses, mas isso? Você não é mais minha filha, sua lesbica nojenta!" ele abaixa o braço com violência e acerta o ar entre nós. Ele está tremendo agora. Não preciso olhar em volta para ver que todos estão nos observando.

"Eu sou gay e eu sou sua filha, nada vai mudar isso." Trago Rachel para perto em um abraço. "Eu faria qualquer coisa para esquecer que você é meu pai, mas..."

Ele me interrompe, citando algo que provavelmente vem da bíblia.

"Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticam coisa abominável, serão mortos, o seu sangue cairá sobre eles."

"Com todo o respeito senhor Fabray, mas o senhor pode pegar o Levítico e enfiar no seu..." Coloco minha mão sobre a boca dela antes que ela complete a frase e piore ainda mais a situação.

"Citar a bíblia não vai mudar quem eu sou pai."

"Com homem não se deitarás como se fosse mulher..." Começa ele novamente.

"Nós não precisamos ouvir isso!" Dou um passo para trás. "Eu sou gay. Ela e os pais são gays, critique o quanto quiser, mas isso não vai mudar o fato de que eles são pessoas melhores do que o senhor jamais será." Puxo Rachel comigo. "Vamos embora daqui."

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"Me desculpa por isso..." quebro o silencio dentro do carro, já estamos quase chegando na casa dos Berry e nenhuma de nós se atreveu a falar ainda. Acabamos desistindo da ideia do cinema. Tudo o que eu quero é ir para casa e ficar sozinha...

"Não é culpa sua Quinn." Sua voz soa levemente distante. "Eu não consigo imaginar como é ser criada por um homem assim..."

Mais silencio. Meus dentes estão trincados. Não quero mais pensar sobre isso. Aquele homem não é mais meu pai. Ele morreu para mim no instante em que me expulsou de casa há um ano atrás. Estaciono e saio do carro. Esta garoando agora. Acompanho Rachel até a porta, sentindo as gotículas de água grudarem em minha pele.

Prendo uma mecha de cabeços castanhos úmidos atrás de sua orelha e a beijo profundamente, tentando depositar cada milímetro de sentimento nesse gesto. É lento e desesperado, ela enterra seus dedos em meu cabelo enquanto sua outra mão me trás mais para perto. "Eu te amo Rachel." Uno nossos lábio novamente. "Não se esqueça disso..."

"Quinn..." ela percebe as lagrimas em meu rosto.

"Acho melhor eu ir pra casa..."

"Você não quer dormir aqui? Não sei se é uma boa ideia você ficar sozinha hoje a noite..." Ela segura meu rosto.

"Eu acho que preciso ficar sozinha..."

Ela me abraça, seus lábios encontram meu pescoço.

"Que horas eu posso te pegar amanha?"

"Quando você quiser." Respondo beijando seus cabelos.

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N/A: espero que vocês tenham gostado. Não acho que tenha sido um dos meus melhores, mas tive a ideia para uma futurefic e não consegui me concentrar direito nessa...

Muito obrigada pelos comentários até agora, eles significam muito pra mim...

Comentem por favor!

Até o próximo!