Capitulo 03 – Escolhas

Harry olhava a face pálida de Albus. Os traços delicados de criança, os olhos verdes fechados, a respiração calma, regular e quase superficial. Tocava levemente os cabelos negros em um carinho quase desesperado, querendo sentir um pouco do calor do filho, ter a certeza de que ele estava vivo. Olhar para ele e ter a esperança de que ele abrisse os olhos, sorrisse, chamasse por ele e perguntasse o que estava fazendo ali, deitado naquele hospital, e não estudando e brincando com os irmãos, primos e amigos.

Uma lágrima se desprendeu dos olhos verdes de Harry, deslizando pelo seu rosto. Ele não era de chorar, e não queria chorar pelo próprio filho. Nunca. Mas aquela situação o estava desgastando além de seus próprios limites.

Ele era um homem de lutas. Homem de resolver seus próprios problemas. De agir, mesmo que por impulsividade, mesmo que dando tudo errado, mas ele precisava agir e fazer alguma coisa.

Ficar parado ao lado daquela cama esperando que seu filho acordasse milagrosamente não era algo que ele soubesse fazer com facilidade. Muito menos lidar com aquele fantasma de que ele podia não acordar, que, na verdade, era muito mais provável que seu filho, seu bebê, morresse a qualquer momento.

Dizer que ele sentia-se impotente nem começava a definir como Harry Potter se sentia. Nunca, em toda a sua vida, havia lidado com um medo tão grande. Nem sua própria morte o assustou tanto quanto aquela ameaça.

Não sabia por quanto tempo conseguiria vê-lo daquela forma. Nas últimas duas noites, só conseguira dormir depois de cobrir Albus com a capa da invisibilidade, como um consolo final de que, pelo menos naquelas poucas horas, a morte não o alcançaria. Mas aquela também não era a solução, ele sabia.

Queria seu filho sorrindo para ele. Daria sua própria vida para tirar Albus daquela cama. Aquilo já se estendia por seis meses e, se isso significasse que Albus viveria, ele não se importava que se estendesse por mais seis anos ou seis décadas. Ele ficaria para sempre ali, ao lado dele, rezando para que despertasse no próximo minuto.

Mas não era esse o caso.

Naquela manhã mesmo, Albus lhe mostrou que não. Que não havia aquela paz ilusória e insólita em seu sono.

Quando sua respiração saiu do ritmo constante, Harry se levantou, ansioso, pensando que talvez fosse um sinal de que ele estava despertando, alguma melhora, uma reação.

Era um sinal, mas não de melhora. Isso estava claro quando a respiração já agitada se tornou um ruído difícil de sair do peito do garoto, e medibruxos aparataram imediatamente, o empurrando para fora do quarto, de onde ele assistiu atônito às tentativas de ressuscitarem seu filho, de impedir que aquela maldita doença o levasse para sempre no momento em que as poções falhavam.

Harry tremia ouvindo as ordens de ações do medibruxos em torno da cama, e só percebeu que chorava mais desesperadamente que em toda a sua vida quando Ginny o abraçou, chorando e tremendo também, pedindo em uma fala incontrolável que seu filho vivesse, mais um pouco, só mais um pouco.

Eles não estavam prontos para isso. Talvez a idéia da morte, com a qual ele pensava que já tinha familiaridade o suficiente para enfrentar qualquer coisa, o invadisse aos poucos, colocando sua consciência naquelas garras que apertavam seu peito cada vez mais. Mas não tem como um pai se conformar que seu filho vai morrer.

E aquela espera pela morte o estava matando. Ele precisava de algo mais sólido além da ameaça diária. Precisava da esperança de uma cura ou a destruição de toda e qualquer esperança para entender aquela morte.

Ele precisava saber, porque aquilo o estava matando. E ele simplesmente se deixar destruir não ajudaria em nada Albus.

E ele tinha uma promessa de ajuda antiga que podia buscar. E já não tinha mais nada a perder.

o0o

A neve se estendia brilhante por sobre as pedras antigas que calçavam o Beco Diagonal. Passada a agitação das compras de natal, o lugar ficava estranhamente abandonado. Poucas lojas abriam naqueles dias, e os passantes eram escassos e arredios.

Harry andava apressado, observando as figuras envoltas em suas capas quentes que atravessavam as ruas estreitas presas em seu próprio mundo. Nenhuma se parecia com uma cigana. Ninguém soube lhe dizer de ciganos por ali.

Quando ele se aproximou da esquina de Gringotes, porém, lá estava ela. Não bela, dançando em seu vestido vermelho flamejante. Os anos haviam passado para a cigana também, e ela parecia muito mais velha encolhida em um vestido verde desbotado coberto pela capa pesada, sentada nos degraus do banco enquanto fumava um cachimbo.

- Eu estava te esperando, Harry Potter. Venha.

Ela se levantou e ele pôde confirmar que era ela mesma pelo negro dos olhos e dos cabelos. Havia um mistério em seu olhar que, por alguns segundos, o fizeram lembrar-se de Snape. A seguiu.

No fim da rua estava parada a mesma diligência que vira anos atrás. Ela abriu a porta e o indicou para que entrasse na sua frente. Por dentro, o que seria um espaço para no máximo duas pessoas sentadas revelava-se uma casa, com uma pequena cozinha com um balcão para dois, uma sala com poltronas e uma mesa no canto forrada com um tecido escuro e uma bola de cristal em cima, e mais um ambiente ao fundo que ele supôs ser um quarto.

- Estamos sozinhos? – ele perguntou, se lembrando do violeiro do passado e sentindo-se incomodado que mais alguém o visse ali.

- Sim. E não se preocupe, pode contar com toda a minha discrição. Como eu disse, eu quero ajudar porque você já ajudou muito meu povo.

Ele concordou com a cabeça e ela o guiou para a pequena sala, sentando-se de um dos lados da mesa. Ele se acomodou do outro e olhou para a bola de cristal com desconfiança.

- Eu não preciso dela para saber o que está acontecendo. – ela cobriu o globo com um tecido escuro, ganhando toda a atenção do homem – Naquele dia, eu vi não o seu futuro, senhor Potter, mas o do seu filho. Se você quer saber, ele vai morrer em poucos dias naquele hospital.

Harry cobriu o rosto com as mãos em um gesto de desespero.

- Mas eu não o chamaria aqui somente para dizer isso. – ela disse, a voz um pouco mais baixa.

- Você disse que podia ajudar. – ele se recuperou, erguendo a cabeça, tentando ser objetivo.

- Há uma cura. – ela viu os olhos verdes se acenderem em esperança – Não está comigo, mas eu posso te levar até a pessoa que tem esse poder. Porém, eu quis conversar com você antes, senhor Potter, porque conseguir isso não vai ser tão fácil.

- Eu faço qualquer coisa...

- "Qualquer coisa" é algo válido em meu universo, senhor Potter. Tome cuidado com suas palavras. – ela sorriu levemente e o encarou antes de continuar – Eu vou tentar ser mais clara. Eu preciso dessa sua disposição sobre dois pontos que envolvem você conseguir salvar seu filho: como você se portará com a pessoa que tem a cura e o quanto você está disposto a pagar por ela.

- E qual é o problema?

- Se essa cura fosse legal, senhor Potter, o hospital que está cuidando do seu filho já a teria ministrado. Mas lá se salvam vidas. Aqui, nós trocamos vidas.

- Você está querendo me dizer que, para salvar o Albus, alguém vai ter que morrer? – ele perguntou, sombrio.

- Não sei se morrer seria a palavra. A poção de que você precisa é rara, mas acho que não envolve força vital para que seu preço seja uma vida. Mas, certamente, o mestre de poções vai querer algo em troca. Algo mágico, que ele possa usar para seus próprios interesses, o que deve ser tão legal quanto a poção que ele vai te vender.

Ele fitou o tecido que cobria a mesa por algum tempo antes de responder.

- Não importa. O que eu preciso fazer?

- Em primeiro lugar, ao aceitar ir comigo até lá, você estará se comprometendo magicamente a não revelar o lugar para mais ninguém. Você deve tratá-lo com respeito, por mais desprezível que ele pareça como pessoa, pois ele detém um poder que você não tem e do qual precisa.

- Eu entendo bem sobre questões de poder. – ele respondeu, confirmando que aceitava aqueles termos com um gesto de cabeça.

- E eu não vou levá-lo se não estiver disposto a pagar o preço. Não vale a pena.

- E qual é o preço?

- Eu não sei. Ele quem vai determinar isso. Mas será alto, ele sabe que é a vida do filho d'O Salvador que está em jogo. Ele vai pedir algo muito valioso e algo que só você poderia lhe oferecer. Eu preciso que pense se está disposto a realmente abrir mão de qualquer coisa. Qualquer coisa, senhor Potter, por isso.

Ela o viu confirmar, mas ainda não estava segura. Ele não tinha noção da amplitude daquele pedido.

- Por exemplo, senhor Potter, essa informação que eu estou lhe dando. Para qualquer outra pessoa, ela teria um preço. Se você viesse para mim sem eu saber quem você é ou sem estar disposta a abrir mão desse pagamento para você, o meu preço para te levar até esse mestre de poções seria a cor dos seus olhos.

- A cor dos meus olhos? – ele perguntou, assustado e confuso.

- Sim. Um ingrediente precioso para uma poção fortificante, e que pode acrescentar um raro grau de sedução e mistério. É muito difícil encontrar algo com tanto poder. Você poderia ficar cego, claro, ou perder parte de sua identidade nessa negociação, além de ter que enfrentar problemas de reconhecimento com seus amigos e familiares, além de possíveis complicações até mesmo em sua representatividade enquanto O'Salvador. Mas essas são consequências que você teria que pesar antes de firmar o acordo comigo. Elas não me dizem respeito.

Ele ainda a encarava como se a mulher fosse uma ilusão.

- Você entende do que estou falando? Compreende agora o tipo de recompensa que o mestre de poções vai querer? Certamente será algo mais caro para você do que o meu pedido.

- Sim, eu entendo.

- E ainda está disposto a ir?

- Sim, estou. – ele respondeu com firmeza. A lembrança de seu filho agonizando na cama do hospital fixa em sua mente.

- Então vamos.

Ela se levantou e ele a seguiu até uma lareira no fim da sala, onde jogou um pó vermelho, que fez as chamas brilharem em azul metálico. Ela entrou e lhe estendeu a mão, o puxando para junto de seu corpo. Não disse nada, somente giraram até saírem em um lugar que Harry não fazia idéia de onde ficava.

A primeira coisa que Harry percebeu foi que não havia lareira. Estavam os dois parados em meio a um tipo de gruta e aos seus pés havia somente uma marca de fogo, nada mais. Do fundo escuro da caverna, vinha uma fumaça de cheiro doce e forte que fez Harry se sentir enjoado.

- Olá, Cigana. Vejo que trouxe o convidado de que falamos. – a voz surgiu antes do homem, e uma sombra se destacou aos poucos da escuridão.

Ele era baixo e magro, de cabelos e barba castanhos e não muito longos, parecendo que simplesmente não os aparava há tempos. Sua aparência não era agradável. Ele parecia coberto de pó, da cor dos cabelos às vestes surradas e sujas. Fumava e mancava, e estendeu uma mão de unhas longas e grossas para apertar a de Harry.

- É um prazer negociar com Harry Potter. – ele disse olhando no fundo dos olhos verdes de forma quase invasora – Cigana me disse do que precisaria há muito tempo. Eu venho preparando essa poção desde então. Ingredientes difíceis de achar.

Ele tirou um pequeno frasco do bolso interno das vestes e o exibiu na altura dos olhos de Harry, como se quisesse tentá-lo.

- E funciona? - Harry perguntou, impressionado com a firmeza da própria voz.

- Sim, certamente. E creio que você vai ter que simplesmente acreditar em mim neste caso, senhor Potter. Tem muito pouco para que possa testá-la como se deve, e de qualquer forma acho que não temos tempo para testes, não é mesmo? Você precisa dar todo esse conteúdo para o garoto, ele deve acordar em poucas horas, completamente são. E vai permanecer assim por longos anos. Ao menos este mal que o ameaça agora não deve voltar a incomodar, e a poção não tem efeitos colaterais.

Harry estendeu a mão, tentando pegar o vidro.

- Ah! – o homem o tirou de seu alcance, sorrindo com malícia – O pagamento.

- Cigana me falou. O que você quer? – perguntou, mas dessa vez não conseguiu evitar que sua voz tremesse.

- Suas lembranças. – Harry arregalou os olhos e ponderou durante os poucos segundos que o homem lhe deu: não lhe parecia um preço alto. Ele já havia tirado lembranças de outros, e não houvera consequências para eles. Mas o homem precisava completar seu pedido – Quero todas as suas lembranças a partir do momento em que você se tornou um bruxo, a partir dos seus 11 anos de idade. E as quero de forma definitiva.

- De forma definitiva? – Harry perguntou, confuso.

- Sim, senhor Potter. Lembranças são projeções de fatos da vida, assim como desenhos ou fotos são projeções da realidade. Quando se expõe uma lembrança em uma penseira, por exemplo, é como exibir um filme: você não tem o fato, tem somente a representação momentânea de um fato. Eu preciso das suas lembranças para extrair a essência do heroísmo, e heroísmo não é válido se for representativo, senhor Potter. Por isso preciso das suas lembranças concretas e totais.

- Eu vou... perdê-las? Ficar sem memória, como uma amnésia?

- Não sei. Provavelmente. O processo também deve ser irreversível, devo avisar. – o homem comentou, e não havia nenhuma preocupação real em sua voz, pelo contrário, ele parecia saborear aquele momento.

Harry encarou o pequeno vidro em suas mãos. Ali estava a vida de seu filho.

- Eu aceito.

- Ótimo! – o homem sorriu, guardando o frasco em seu bolso novamente e apanhando um pedaço de pergaminho – Então, se não se importa, senhor Potter, deixe uma impressão em sangue aqui. – ele lhe ofereceu o papel e uma pequena lâmina.

Harry leu o conteúdo do contrato mais de uma vez. Estava clara a troca da poção por suas memórias do momento em que completara 11 anos até o presente, de forma irreversível. Havia um ponto que comprometia Harry de não revelar nada sobre o acordo, mas isso estava garantido pela própria ausência de memória sobre sua existência. Em outro ponto o mestre de poções garantia que, se a poção não surtisse o efeito desejado, o acordo seria desfeito, e listava abaixo todas as promessas que o mestre de poções já havia feito sobre a cura de Albus.

Harry utilizou a lâmina para fazer um pequeno corte no dedo e deixou que algumas gotas caíssem sobre o pergaminho, que se enrolou e lacrou automaticamente.

- Está feito. – ele encarou o mestre de poções, que lhe entregou o vidrinho antes de sumir novamente no fundo da caverna.

- Você pode aparatar daqui. – a cigana o informou, sorrindo, antes de também sumir em um estalo, sua voz ecoando no ar pesado da caverna – Foi um prazer revê-lo, senhor Potter.

Harry respirou fundo, segurando com força a poção, antes de sumir e reaparecer na recepção do hospital.

- Boa noite, senhor Potter. – uma enfermeira o cumprimentou, e ele gaguejou sem conseguir responder, o vidrinho queimando entre seus dedos.

Subiu correndo até o quarto do filho. Ele estava sozinho, Ginny devia ter ido para casa para ver como as coisas estavam e descansar um pouco achando que ele estivesse com Albus todo aquele tempo. Logo ela voltaria.

Fechou a porta do quarto e se aproximou da cama. Albus permanecia pálido em seu sono falsamente calmo, como quando o deixou. Com os dedos tremendo, abriu o frasco, derramando seu conteúdo entre os lábios finos do filho com cuidado para não desperdiçar nenhuma gota.

E esperou.

Albus continuava simplesmente respirando. O ritmo do ar entrando e saindo de seu corpo parecia ritmado com o caminhar dos ponteiros do relógio na parede do quarto que ecoava no silêncio e nos ouvidos atentos de Harry. E, de repente, aquele aviso de "em algumas horas" do mestre de poções soava como uma eternidade de espera e incerteza.

O barulho da porta se abrindo fez com que Harry se sobressaltasse, escondendo apressadamente o frasco vazio nas próprias vestes. Ginny lhe deu um sorriso triste e se aproximou, beijando a testa do filho.

- Como ele está?

Harry deu de ombros e se dirigiu à cadeira no canto do quarto, unindo as mãos sobre os joelhos e suspirando pesadamente.

- Harry, nós estamos fazendo o que podemos. Eu sei como você está se sentindo, mas...

- Não, você não faz idéia, Ginny. – ele respondeu com uma rispidez inesperada.

Ela o encarou com estranheza e fechou o cenho.

- Acho que você devia ir para casa, descansar. Eu fico aqui esta noite.

Ele suspirou pesadamente e se levantou a abraçando.

- Me desculpe. – beijou seus cabelos – Eu estou cansado disso tudo.

- Eu sei. – ela ergueu o rosto para depositar um beijo leve sobre seus lábios – Vá para casa, meu amor. Eu te chamo se algo acontecer.

Ele a abraçou mais forte e se sentiu incomodado com aquela confiança. Eles nunca haviam escondido nada um do outro desde que haviam decidido ficarem juntos e, naquele momento, Harry também temia pelo que pudesse acontecer com ele, e Ginny precisaria saber, de alguma forma.

- Ginny, eu estava pensando... Você se lembra, muitos anos atrás, de uma apresentação de ciganos que nós vimos no Beco Diagonal?

Ela se afastou para olhá-lo e pensou por alguns momentos.

- Sim, eu lembro. Por quê?

- Naquele dia, aquela cigana me disse que algo ia acontecer com o Albus. – ele viu os olhos da esposa se arregalarem – Eu não dei importância, ela falou de uma forma meio enigmática, mas agora tudo faz sentido. E ela ofereceu ajuda.

- Você não está pensando em procurar uma cigana para cuidar do Albus, está, Harry? – ela perguntou com visível reprovação na voz.

Ele deu de ombros e se afastou.

- Eu achei que fosse ao menos uma opção. Você sabe...

- Sua vida já não foi complicada o suficiente por causa de profecias, Harry? Você vai seguir mais uma? Se ciganos fossem pessoas dedicadas a ajudar estranhos por aí, eles seriam mais bem vistos, você não acha?

- Eu não gosto de julgar as pessoas dessa forma, Ginny. Eu já recebi ajuda de muita gente inesperada.

- Sim, eu sei, mas é diferente. Eu não gostaria de me comprometer com uma cigana, Harry.

- Mas é a vida do nosso filho!

- Justamente por causa disso! – ela respondeu, séria.

- Ok. – Harry passou as mãos pelos cabelos, nervoso, sem saber como continuar argumentando. Estava cansado demais, ansioso demais, com medo demais. E já estava feito, quando acontecesse, Ginny saberia lidar, não adiantava ficar discutindo agora.

Mas ele não sabia como seria sua própria reação com o que quer que fosse que aconteceria com ele. E, se isso coincidisse com a melhora de Albus, talvez fossem coisas demais para acontecer naquele quarto de hospital.

- Eu preciso descansar, Ginny, você tem razão. Vou para casa, se algo acontecer, me avise, ok?

Ela concordou com a cabeça, vendo o marido sair e fechar a porta.

Harry deixou o hospital e começou a caminhar pela avenida trouxa sem saber realmente o que fazer. Sim, o mais lógico era ir para sua casa, esperar que ficasse com amnésia, que seu filho se curasse e...

Encostou-se a uma parede, sentindo-se tonto. Não havia como prever o que aconteceria. E não havia como prever como ele e as outras pessoas ao seu redor reagiriam àquilo. E a última coisa que queria agora era que relacionassem um fato ao outro. Não precisava daquela culpa quando sequer se lembraria do que fez.

Tudo o que importava é que Albus ficaria bem.

Tentou voltar a andar, mas se sentia fraco. No fim da rua, havia o clarão de um luminoso informando que ali funcionava um hotel. Certamente não um hotel luxuoso e bem frequentado, talvez nem mesmo mágico, mas seria o suficiente para ele naquele momento. Sua dor de cabeça aumentava e ele não se sentia mais confiante nem para aparatar.

Pediu um quarto simples para uma pessoa e rabiscou seu endereço em um pedaço de papel com o nome de Ginny, deixando com o atendente com a orientação de entregar para ele aquele bilhete assim que acordasse.

Subiu para o quarto e caiu na cama sem mesmo acender as luzes, deixando o corpo relaxar sobre o colchão e querendo simplesmente conseguir dormir e acordar com a notícia de que teria seu filho de volta.

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NA: Olá, meus queridos.

Imagino que vocês estejam meio tensos, e agora a fic dá uma pequena guinada, mas espero que gostem XD

Saudade de vocês ._.

Desculpem pelo sumiço, aconteceram muitas coisas, além da viagem que avisei que faria, e algumas delas afetam minha presença aqui: minha rotina mudou completamente, e isso significa que vou escrever mais, porque vou ter mais tempo para isso, mas provavelmente vou postar mais lentamente, porque vou precisar administrar mais meu tempo e vou me dedicar a projetos mais longos, que só posto quando terminar.

Esse é o caso de Asmodeus. Ma memórie sale já está toda escrita, a partir dessa semana eu regularizo as postagens dela de forma frequente, mas vou parar de postar Asmodeus, porque preciso escrever e, agora que Supernatural voltou, esse promete ser um processo mais lento. Agradeço a paciência de quem acompanha a fic e peço que não desistam dela.

Prometo recompensar com novas histórias em breve XD

Estou atualizando meu profile também.

Beijos, xuxuzes.

Até []