Capítulo 05 – Mentiras
- Senhor Malfoy! – Albus sorria para Draco, tirando-o de seus próprios pensamentos, e o homem se viu obrigado a se aproximar da cama do garoto.
- Como está, Albus? – ele perguntou, tentando amenizar a voz, afastando os cabelos negros do garoto de sua testa.
- Estou bem. – o menino sorria, sincero – Onde está o Scorpius? Minha mãe falou que ele vem sempre me ver.
- Scorpius ainda não sabe que você acordou. Ele está na mansão, a mãe dele... Astoria... faleceu ontem. – a voz do homem embargou nesse ponto, e todos no quarto voltaram a ficar em silêncio.
- Eu soube. – Ginny se aproximou do homem – Sinto muito, Draco. O sepultamento será hoje, não é?
Ele confirmou com a cabeça, sem saber mais nenhum detalhe. Sua esposa estava morta e tudo o que ele não queria era que seu assassino fizesse mais vítimas ali.
- Onde está o Potter, Ginevra? – ele perguntou diretamente, mas baixo, tentando não demonstrar sua preocupação – Ele esteve aqui o tempo todo, agora que Albus acorda, ele some?
- Ele... – ela deu um sorriso nervoso – Ele teve que cuidar de algo urgente do trabalho. Mas eu acho que volta logo.
O loiro ergueu as sobrancelhas vendo a mulher se afastar rapidamente, indo conversar com o irmão. Seu semblante havia se modificado totalmente, ela estava escondendo algo. E isso era preocupante.
- Se os medibruxos permitirem, peça para sua mãe para ver Scorpius hoje, Albus. Ele vai ficar feliz de te ter por perto. – Draco disse sorrindo levemente para o menino – Agora eu preciso ir, mas é bom te ver bem.
Ele deu um beijo suave na testa do garoto e se despediu de todos com um aceno, aparatando do saguão do hospital diretamente para o átrio do Ministério. Seus passos o conduziram rápido para a sala do Ministro, somente avisando a secretária de sua presença por formalidade. Em alguns poucos minutos, Shacklebolt o chamou.
- Bom dia, Draco. Meus pêsames. Não esperava vê-lo hoje.
- Obrigado, ministro. Eu vim somente porque tinha algumas questões pendentes que não podia adiar. A cerimônia deve acontecer hoje à tarde, conto com sua presença.
- Sim, claro. Farei o possível. – o homem assentiu educadamente, convidando o outro a sentar-se em frente ao seu gabinete, mas Draco recusou com um gesto, indicando que seria rápido.
- Eu só gostaria de saber se você sabe onde posso encontrar Harry Potter. O filho dele é muito próximo de Scorpius e eu gostaria de informar à família.
- Acho que no hospital onde Albus está, provavelmente. Harry pediu afastamento da função desde setembro, quando o garoto foi internado. Não tem vindo aqui desde então.
- Ok. Obrigado. Até mais, senhor. – ele o cumprimentou mais uma vez e deixou a sala, voltando a caminhar rápido pelos corredores.
O departamento de aurores estava quase vazio, devido principalmente à época do ano, em que os funcionários se revezavam em plantão. Mas quem ele esperava encontrar estava lá.
Draco se dirigiu a uma das últimas repartições do quartel general de aurores, entrando sem bater no pequeno escritório e jogando automaticamente um feitiço de silêncio ao fechar a porta.
- Não esperava te ver por aqui no dia seguinte à morte da sua esposa. – o homem comentou sem se voltar a encará-lo.
- O que você sabe sobre isso? – Draco sentou-se ao lado do homem, estendendo a mão em cumprimento.
- Sei de um comerciante que foi assassinado no mesmo dia e de quem você tinha comprado algumas coisas no dia anterior.
- Droga! – Draco apoiou a cabeça nas mãos.
- Quer me falar sobre isso? – o auror se voltou para ele pela primeira vez, demonstrando interesse, mas Draco negou com a cabeça, reassumindo sua postura habitual.
- Você pode me dizer onde está Harry Potter?
- No hospital com o filho doente, suponho.
- O filho não está mais doente e ele não está em lugar algum. Você tem como rastreá-lo?
- Não sem um feitiço prévio de rastreamento. E Potter era o chefe, pelo que me lembro, não é como se não fosse perceber se alguém colocasse um desses nele.
- Ele está correndo risco de vida. – Draco falou baixo – Como Astoria estava. Como aquele comerciante estava. Mas na ocasião eu não sabia.
- Malfoy, eu não posso fazer meu trabalho com meias informações. – o homem encarou o loiro, sério, mas o outro ainda o olhava com desconfiança – Vamos, não me olhe assim. Eu já te decepcionei antes? – o outro manteve silêncio – E eu já cuidei de coisas muito maiores para você, você sabe como funciona.
- Ok. – Draco depositou a pequena bolsa sobre a mesa, fazendo o ouro tilintar, mas manteve sua mão sobre ela – Segredo absoluto. É de Potter e Malfoy que estamos falando, Smith. – ele encarou profundamente os olhos do ex-colega da Lufa-lufa. Zacarias Smith surpreendeu ao se tornar auror depois da guerra, mas seu caráter continuava duvidoso, e Draco não errara quando fez dele seu principal informante.
Ele confirmou com a cabeça, sério, e pôde pegar a bolsa de sobre a mesa, guardando-a em seu bolso.
- O remédio que curou Albus é potencialmente ilegal e o St Mungus sequer tem conhecimento de que ele foi ministrado no garoto. Pelo que eu sei, somente um mestre de poções em toda a Europa detinha a poção. Eu estava atrás dele quando Astoria morreu. Você sabe, eu tenho meus recursos para conseguir essas coisas, mas tudo leva a crer que Potter conseguiu primeiro, de alguma forma a que não tive acesso, e o mestre de poções se sentiu ameaçado, dando início aos assassinatos.
- E Potter desapareceu quando o filho apareceu curado. – Smith uniu as pontas, se voltando para consultar alguns papéis e um mapa exposto em cima de sua mesa – Sabia que a cigana estava na cidade até ontem?
- Isso é ruim. – Draco constatou - Mas ela está limpa, não?
- Há alguns anos ela não dá as caras por aqui, tudo indica que sim. Mas é coincidência demais.
- Consegue falar com ela?
- Não, ela não deixa rastro, você sabe. Nenhum deles deixa.
Draco voltou a apoiar a testa nas mãos, sentindo uma dor de cabeça iminente.
- Smith, eu preciso encontrar Potter antes que seja tarde demais.
- Sim, isso é prioridade para qualquer um. – ele disse, rabiscando bilhetes para serem enviados – Assim que tiver qualquer notícia, eu entro em contato com você, Malfoy. Vai descansar e cuidar da sua família.
O loiro assentiu. Não se sentia totalmente seguro simplesmente deixando o caso nas mãos de Smith, mas sabia que Scorpius precisava dele. E precisava se despedir de Astoria.
Não podia fazer mais nada no momento.
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Nevava nos jardins da Mansão Malfoy. Uma pequena multidão se abrigava sob as árvores que, de tão antigas, eram grandes o suficiente para oferecer proteção aos túmulos da família e àqueles que assistiam respeitosamente ao último sepultamento.
O cortejo seguiu silencioso de volta para o conforto da casa, onde uma recepção organizada pela mãe de Astoria os aguardava após as solenidades. Lucius e Narcissa vieram de seu retiro na França, mas Draco sabia que não ficariam por muito tempo, não eram considerados bem vindos no país ainda. Os Weasleys e Potters, convidados naquela manhã, estavam presentes entre os familiares e autoridades que vieram prestar seus sentimentos.
Albus, ainda não totalmente recuperado, havia exigido repouso antes mesmo do enterro, após ficar todo o tempo junto de Scorpius, e agora dormia em um dos quartos de hóspedes. Scorpius, por sua vez, havia se aconchegado no colo do pai quando voltaram à casa, e permanecia em silêncio amuado com a cabeça encostada em seu peito enquanto Draco recebia os cumprimentos.
- Eu preciso ir. – Ginny se aproximou de Draco, informando em voz baixa – Albus ainda precisa de cuidados e vai ser bom finalmente voltar para casa.
Draco confirmou com a cabeça e aproveitou que Scorpius se levantara para se despedir do amigo para puxar Ginny para um lugar mais reservado.
- Você sabe que tem algo errado, Weasley.
A mulher franziu o cenho e tentou se livrar da mão do homem que mantinha seu braço seguro. O nome "Weasley" só demonstrava mais ainda o quanto aquela frase soava ameaçadora.
- Eu não sei do que está falando, Malfoy.
- Não? Então me diz onde o seu marido está. – ele pediu, estreitando os olhos.
- Eu já disse, ele teve que ir...
- Ele não faz mais nada além de cuidar do filho desde que tudo aconteceu. Eu estive no Ministério hoje, ninguém que trabalhe com ele sabe onde ele está. Não existe nenhum caso em que ele esteja envolvido e, mesmo se estivesse, ele não se afastaria da família justo agora.
- E o que você sabe sobre ele, Malfoy? – ela se afastou com um gesto brusco.
- Sei que eu tenho uma dívida com ele, e, se ele está com problemas, eu posso ajudar, mas preciso que você me diga como. – ele tentou amenizar a voz.
Os olhos castanhos da ruiva encararam os seus de forma profunda por um longo tempo. Um tempo de inimizades e traições, ainda. E sua declaração era a mesma que faria se esse tempo não tivesse passado.
- Eu não sei de nada, Malfoy. Cuide dos seus próprios problemas.
Ela se afastou, chamando os filhos e deixando a mansão apressadamente.
- O que vocês estavam falando? – Hermione se aproximou, e sua voz dizia que ela havia apreendido toda a cena.
Draco a olhou, atento, por alguns minutos, analisando se poderia confiar nela ou não. Uma coruja adentrou o salão, deixando uma carta cair em suas mãos, e ele a leu rapidamente, permitindo que ela decidisse por ele.
- O que foi? – Hermione voltou a perguntar, vendo como o rosto do homem se tornava mais sombrio com a leitura.
- Hermione, - ele falou, o nome soando estranho em sua voz, apesar da proximidade velada adquirida nos últimos anos – você sabe onde o Harry está?
- Ginny disse que ele está trabalhando. – ela respondeu, estranhando a pergunta.
- E você acredita nisso? – ele a questionou em um tom descrente, e, ao ver a face da mulher mudar para surpresa e entendimento em seguida, ele não lhe permitiu que interviesse, pois as coisas estavam acontecendo rápido demais para que tivesse tempo de explicar tudo – Por favor, cuide de Scorpius para mim. Eu acho que posso ajudar, mas tenho que ir agora.
Ela concordou com a cabeça, reconhecendo na voz do loiro a mesma urgência sem explicação que ela já ouvira tantas vezes em sua vida na voz de Harry, mas sabendo que ele não aceitaria sua intervenção tão facilmente quanto o moreno aceitava. E ele aparatou imediatamente.
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- O que foi, Smith? – Draco chegou ao departamento desalinhado devido à pressa, evidente também em sua voz.
- Pode não ser nada, Malfoy, mas acho que tenho uma pista sobre o Potter. Só não posso ir investigar sem argumentos, o ministério não considerou algo importante...
- O que é? – o loiro o interrompeu em visível aflição. Qualquer coisa era importante naquele momento.
- Uma manifestação de magia em um bairro trouxa. Dentro de uma casa abandonada há anos, aliás. Nada mágico ocorria ali há muito tempo.
- Mas pode ser qualquer um, droga!
O auror se voltou para encarar o loiro.
- É a casa onde Harry Potter viveu na infância. – ele disse com um sorriso esclarecedor – Aconteceu há umas duas horas, ele ainda deve estar lá.
- Ok. – o loiro memorizou o endereço rapidamente e o deixou, sem dizer mais nada.
Chegando ao átrio com a mesma pressa que havia se dirigido minutos atrás até a sala de Smith, Draco aparatou diretamente para a Rua dos Alfeneiros, número quatro.
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O lugar era decrépito. Draco não conseguiria definir por menos que isso. A rua suja e as casas pobres e claramente trouxas do lugar o causavam um certo asco. O sobrado que encarava não estava melhor do que os outros, ao contrário, parecia que poderia cair aos pedaços a qualquer momento.
Xingou Harry, Potter e todos os outros nomes que já lhe dera durante a sua vida e começou a avançar em meio à neve e à vegetação mal cuidada do que um dia fora um jardim até alcançar a porta. Esta, que já estava em um estado lastimável, despencou de vez de suas dobradiças com o feitiço para afastá-la do seu caminho.
Tudo à volta parecia ter uma camada de pó permanente e Draco teve que se desviar de algumas teias de aranha para atingir o que se parecia com uma sala. Seu olhar caiu um pouco mais à frente, em alguns livros espalhados pelo chão, achando estranho, e seus olhos percorreram o ambiente mais atentamente, mantendo a varinha à mão.
Em um canto não muito distante, encolhido como se estivesse sendo ameaçado, estava um homem magro, o rosto escondido contra os joelhos em um gesto defensivo, mas os cabelos despenteados claramente reconhecíveis.
- Potter?
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NA: VOCÊS SÃO UNS SEM VERGONHA!
Como assim só funciona na pressão? Eu tava toda mimimizenta já, de ninguém gosta da fic, ninguém gosta mais do que eu escrevo, ai, é só pisar um pouco mais duro, chove review!
AMO VOCÊS XD
Sério, muito obrigada. Eu não posso prometer que vou responder tudo em breve porque estou em um momento meio tumultuado, mas quem é meu leitor há tempos sabe que as respostas um dia chegam.
Fiquei muito surpresa com a quantidade de leitores que comentaram sem logar. Isso é... novo. E eu perdi um tempo do meu dia refletindo sobre o que isso significa. Mas, enfim, muito obrigada a vocês também.
E não preciso dizer que espero que vocês não sumam, né? ¬¬"
Beijos e curtam o capítulo!
Até semana que vem!
