Viúva Negra

Capítulo 2

Três dias se passaram e Louise ainda não tinha sido encontrada. Chorei dia e noite todo esse tempo, principalmente porque ninguém acreditava em mim. Vários policiais me procuravam para tentar tirar alguma informação, mas só conseguiam a história maluca da Viúva Negra (maluca para eles, né?). Conseqüentemente foi posto no relatório que eu estava sofrendo de insanidade temporária devido ao trauma de presenciar o seqüestro da minha melhor amiga.

Os jornais estavam deitando e rolando com a história do seqüestro, ainda mais por eu ter ficado "louca". O país todo acompanhava a tragédia. Éramos citados em missas, casas de família, empresas, etc. Sabe, quando eu era do colegial, sempre queria ser o centro das atenções, mas agora... Faltei todos esses dias de faculdade e não pretendo voltar tão cedo.

Era triste, minha mãe estava distante, minha família estava com medo e meus amigos nem chegavam perto de mim. Essa rotina se alongou pelos próximos 4, 5, 6 dias após o acontecimento.

- Filha? – perguntou minha mãe ansiosa enquanto eu estava no computador pesquisando casos sobre a Viúva Negra.

- Sim? – respondi me desligando um pouco da tela do PC.

- Você tem visitas. – ela disse me guiando até a porta. Olhei desconfiada para minha mãe, ela só falava assim comigo se minha visita fosse mais um policial rabugento, ou funcionários do manicômio, prontos para me levar para o hospício, o que é o mais provável.

Na mosca, meu bem.

Dois homens de terno e gravata estavam parados à porta. Os dois bem parecidos, sendo um mais alto e com cabelos mais longos. O outro era mais baixo e com cabelo mais curto.

- FBI. – o mais baixo disse mostrando o distintivo – Agente Mark Neveu e esse é meu parceiro Jack Bland. Queremos fazer algumas perguntas.

"Ah, que ótimo, mais gente pra me chamar de insana" pensei deprimida. Entramos na sala de jantar, minha mãe foi preparar um café, nos deixando sozinhos.

Já estava até esperando perguntas como: "Você viu o rosto do seqüestrador?" ou "Sua amiga tinha problemas com alguém?". Meu modo automático já estava ligado para esse tipo de pergunta, e quando me perguntavam o que tinha acontecido, eu explicava, mas sem aquela esperança de que alguém acredite em mim.

- O que aconteceu? – perguntou o agente Mark – detalhadamente.

- Pra quê falar mais? – eu perguntei – Já disse tudo que sei para os outros policiais.

- Sim, mas queremos ouvir diretamente da sua boca. – explicou o agente Jack.

Comecei a contar tudo, detalhadamente, como eles pediram. Desde a hora que eu e Lou estávamos escolhendo os filmes, até a hora em que despertei do transe e fiquei batendo no chão. Para minha surpresa, eles não fizeram cara de desconfiados, mas sim, preocupados. Os agentes se entreolharam e o mais alto, chamado Jack, perguntou:

- Mas, antes disso, você ouviu algum barulho estranho nas paredes? Como ratos?

- Não. – respondi desconfiada.

- Nem viu alguma fumaça preta estranha? – questionou o agente Mark.

- Claro que não... hã, o que tá acontecendo? – agora eu estava totalmente desconfiada. Ninguém nunca tinha feito essa pergunta antes – Olha, se não acreditam em mim, sem problema, eu to acostumada, mas por favor não me façam de boba com essas perguntas.

- Não, pelo contrário – disse o agente Jack – acreditamos em você.

- Mas eu não... O que?! – perguntei surpresa. Meus olhos deviam estar brilhando. Agora havia alguma esperança – É... É sério?

- Claro, achamos algumas evidências de que não foi um seqüestro qualquer – informou o agente Mark.

- Que evidências? – perguntei curiosa.

- Assunto do governo. – cortou ele.

- Nossas perguntas acabaram. Não, não, já estamos de saída Sra. Keaton, é melhor deixar pra outra hora. - negou o agente Jack quando minha mãe chegou com café para servir.

Fui levá-los até a porta. Ainda estava surpresa por finalmente alguém acreditar em mim.

- Obrigada. Mesmo. – eu agradeci.

- Nada, é o nosso trabalho – falou o agente Mark abanando o ar.

Fechei a porta e subi as escadas em direção ao meu quarto. Abri meu diário e comecei a escrever meu dia.