Capítulo 3

Três semanas se passaram, hoje seria meu primeiro dia na faculdade depois do desaparecimento de Louise. Os agentes Mark e Jack foram lá em casa de novo, mas dessa vez só viram o local do crime. Outros policiais vieram também, fazendo as mesmas perguntas, sempre anotando em seus relatórios inúteis, mas uma pergunta me fez pensar um pouco: "Por que eu não fui raptada também?" É claro que foi a Louise quem chamou a Viúva Negra, mas eu estava presente, por que eu também não fui pega?

Entrei no pátio da faculdade sozinha, agora que minha amiga não estava mais comigo. Todos os olhares estavam virados para mim. Os alunos, os professores, todos pensando que eu era pirada, preferindo nem chegar perto da minha pessoa.

Assisti a todas aquelas aulas monótonas, com a cabeça bem longe dali. Pensava em Lou, no que ela estaria sofrendo. Nos depoimentos que eu vi na internet, a Viúva Negra torturava sua vítima por quatro meses antes de estripá-las. Uuummm, estremeci só de pensar nisso, mas tentei manter esse pensamento longe... quer dizer, eram depoimentos de qualquer pessoa, talvez nem fossem verdade.

Finalmente a aula acabou, peguei minha bicicleta que estava perto da quadra e fui pedalando até em casa que fica a 1,5km da escola. Quando entrei na rua principal, vi um carro de polícia em frente à minha porta. Acelerei a pedalada e entrei correndo em casa, já esperando mais alguma tragédia para enfiar na minha cabeça.

- MÃE, MÃE, você tá bem?! – gritei assustada encontrando minha mãe chorando e dois policiais sentados no sofá. No momento em que me viram, os dois se levantaram e um veio em minha direção dizendo:

- Izzy Keaton, temos uma intimação pelo caso Louise Cohn.

Nem pensei duas vezes quando o policial me apareceu com um papel na mão esquerda e algemas na mão direita. Saí voada de casa, só parando para ver a que distância os caras tavam atrás de mim.

Corri uns quatro quarteirões até que um Chevy Impala preto parou na minha frente dando um cavalo de pau, e o carona saiu do carro berrando:

- Izzy, rápido, entra no carro!

Era agora ou nunca. Ou eu era presa ou entrava no carro... Entrei no carro.

- O que fazem aqui?! – perguntei aos agentes Mark e Jack, enquanto Mark acelerava, deixando os outros tiras para trás.

- Viemos salvar você! – disse o agente Mark, e ainda debochou – Então, esse é o seu "obrigado"?

- Mas, Jack, Mark – acho que pela situação eu poderia chamá-los pelo nome – vocês podem ser presos.

- Não somos Jack e Mark! – disse o cara que eu pensava ser o agente Jack – E acredite, se fôssemos presos todas as vezes que disseram que seríamos, bateríamos o recorde mundial.

Parei por um instante, estupefata pela notícia. E se eles fossem terroristas estupradores? Ai, por que eu não escolhi ser presa?

- Então... Quem diabos são vocês?! – perguntei finalmente. Eles se entreolharam indecisos com a opção de contar a verdade ou inventar mais uma mentira. Decidiram a verdade, pois depois de alguns segundos, os dois confirmaram com a cabeça e o "agente Mark" disse:

- Meu nome é Dean Winchester, - ele começou e apontando para o colega, falou – e esse é meu irmão mais novo, Sam Winchester. Pode não acreditar, mas tudo que você ouvia quando criança, coisas como monstros, fantasmas,... São reais, e é nosso trabalho caçá-los.

- O que? Não, pára... Quer dizer que eu tô viajando com dois caçadores para um lugar que só Deus sabe para caçar essa Viúva Negra?!

- Basicamente. Você tem um raciocínio rápido, hein. – disse ele tranqüilamente – Mas, deixa isso pra lá, ainda teremos muito tempo para falar disso, enquanto isso, você me paga um lanchinho?

Sam deu um tapa na cabeça de Dean, mas o que ele falou é importante (não a parte do lanchinho), teremos mesmo muito tempo, era a única opção. Sentiria muita falta da minha mãe e até da minha irmãzinha, mas se eu voltasse seria presa, sem contar que Sam e Dean poderiam ser a única maneira de resgatar Louise.

- Quer sorvete? – ofereceu Sam depois de algum tempo, pegando um pote de sorvete todo derretido.

- Uuummm, não, brigada. – "estranhos".

- Tem certeza? A viagem vai ser longa. – persuadiu Dean. Eu não tinha reparado, mas agora que ele falou, vi que estávamos pegando a estrada.

- Aonde vamos? – eu perguntei.

- Dallas. Temos um amigo lá, o Bobby, caçador também, foi um grande amigo do pai... – Sam parou por um instante, pensando no pai imagino – Talvez ele possa nos ajudar.

- Qual o nome dos seus pais?

- Mary e... John Winchester. – Sam respondeu, sem tirar os olhos do sorvete, ele o estava comendo, mas senti que era só para ter alguma coisa para fazê-lo pensar em outro assunto – Estão mortos.

- Sinto muito – eu disse transparecendo tristeza – eu sei co...

- Ah, então, quando chegarmos, vamos ficar na casa do Bobby ou vamos procurar um hotel? – cortou Dean mudando de assunto. Resolvi não insistir, eu sei muito bem como é perder um pai, desde os onze anos eu vivo só com a minha mãe e minha irmã, e tava na cara que isso afetava mais o Sam do que o Dean.

- Acho melhor um hotel, o Bobby detesta hóspedes, sem contar que ele quase atirou em mim uma vez que eu acordei de madrugada para ir no banheiro. – Sam disse rápido, feliz pela mudança brusca de assunto.

- Ha! – não pude conter o riso, eles eram muito engraçados. Sam e Dean me olharam, quase preocupados com a minha sanidade mental. Desviei meu olhar envergonhada, ainda rindo por dentro.