Viúva Negra

Capítulo 4

- É aqui? – perguntei apontando para uma casinha de madeira no meio do nada.

- É, o Bobby não gosta de vizinhos. – disse Dean indo em direção à porta.

- Não, peraí, o Sam disse que esse Bobby quase atirou nele porque ele foi no banheiro de madrugada, não acha que ele vai querer fazer o mesmo com você se bater aí às 4 da manhã? – eu perguntei ansiosa. É, a viagem foi tão longa que chegamos de madrugada.

- É claro. – respondeu Dean na maior tranqüilidade apertando a campainha que fez um "ding-dong" sinistro.

Demorou um pouco para um homem gordo e barbudo abrir a porta, apontando uma espingarda direto na testa de Dean.

- Bobby! Meu velho amigo. – cumprimentou Dean abrindo os braços sorridente.

- Ah! São vocês – Bobby reconheceu abaixando a arma – o que fazem aqui a essa hora?

- O trabalho nos chama. – disse Sam tocando meu ombro, o que me deu um susto.

- E quem é essa aí? – Bobby perguntou.

- Essa é a Izzy, precisamos dela, presenciou um ataque da Viúva Negra. – apresentou Sam.

- Hum, isso é raro, - comentou Bobby – venham, entrem, eu vou fazer um café.

Entramos naquele "muquifo", não que eu tenha algum preconceito, mas não estava acostumada a entrar em algum lugar que cheirava a rato morto.

Bobby foi preparar o café e depois se sentou em frente à tela do computador. Passaram-se alguns minutos até que ele nos informou:

- Aqui, há vinte e seis anos atrás foi registrado o caso de uma jovem que viu a Viúva Negra seqüestrar sua mãe.

- Beleza, e onde podemos encontrá-la? – perguntou Dean.

- Não podem! Onze anos depois de entrar num hospício ela se matou com uma facada no peito. – Bobby respondeu.

- E como podemos matar a Viúva? – Sam perguntou.

- Eu não sei, a Viúva Negra não é um espírito qualquer, ela não persegue apenas quem a fez mal, mas sim, a todos que a chamam. – Bobby falou se levantando bruscamente, entornando café quente na calça – Merda! Esperem um pouco, eu vou me limpar.

- Fuuuuuu. – bufou Dean – Ô vida desgraçada, e agora o que faremos?

- Pesquisar! – Sam respondeu.

- Vem cá, não tem jeito melhor de pesquisar, não? Como, por exemplo, agarrar um demônio pelo cós da camisa e gritar: "Me diga como matá-la, me diga". – se empolgou Dean, agarrando a camisa do irmão, fingindo que ele era um demônio. Sam afastou as mãos dele com uma cara de "esse é mesmo meu irmão ou meus pais o encontraram por aí?", e se sentou no lugar onde Bobby estava.

- Olha, sabemos que a Viúva Negra veio de Michigan. – começou Sam.

- Mas, de onde exatamente? Não adianta você chegar lá sem saber onde ela costumava morar. – questionou Dean.

- Peraí, Michigan não é o local onde aquela garota viu a mãe ser seqüestrada? – eu disse pela primeira vez desde que chegamos ali – Talvez essa era a casa da Viúva.

- Não, isso não tem nada a ver, a mulher pode simplesmente tê-la chamado. – desacreditou Sam.

- Pelo contrário, - defendeu Bobby aparecendo de repente – a garota alega que ninguém chamou o espírito.

- Como sabe? – perguntou Dean.

- Um amigo trabalhou nesse caso, seu pai devia conhecer. Dylan, o nome dele, grande homem era aquele cara.

- O que aconteceu com ele? – Sam quis saber.

- Raptado, - disse Bobby sombriamente – há seis anos atrás, pelo espírito que ele mais caçou a vida inteira, desde que virou caçador. A Viúva Negra.

Esse assunto me deixou um pouco perturbada. Devo ter ficado branca, pois Sam olhou pra mim assustado e perguntou:

- Você tá bem, Izzy? Aconteceu alguma coisa?

- Esse era o nome do meu pai. Dylan. – respondi ainda tremendo. Sentia muita falta do meu pai. Só ele mesmo para me fazer rir quando eu estava triste.

- Ele morreu? – perguntou Bobby sem a mínima idéia de como aquela pergunta era insensível.

- Eu não sei. – respondi angustiada – Ele desapareceu, há oito anos atrás. Eu tinha viajado junto com a família de uma amiga. Quando voltei, encontrei a polícia na minha casa e minha mãe me disse que meu pai tinha ido trabalhar... E nunca mais voltou.

- Puxa, sinto muito, Izzy. – disse Dean, e eu que já não conseguia mais conter as lágrimas, o abracei com todas as minhas forças tentando não lembrar do passado – Hey, hey, calma, e tenha certeza de que onde quer que seu pai esteja, ele ainda te ama, como sempre te amou. – Dean completou secando meu choro.

- Me desculpem, - eu disse saindo do abraço – é que ele era meu melhor amigo, a gente nunca escondia nada um do outro.

- Báh! Não esquenta, você está entre amigos. – falou Bobby amigavelmente.

- Bobby tem razão, Izzy, não precisa ter vergonha. – disse Sam – Mas enfim, Bobby, temos que ir. Dean e eu nos revezamos no volante, mas mesmo assim não dormimos quase nada.

- Por que não dormem aqui? O hotel mais próximo não é tão perto assim.

- Valeu cara, mas eu fiquei com trauma daquela minha última ida ao banheiro. – disse Sam indo em direção à porta.