Viúva Negra
Capítulo 5
Eram 8 da manhã, eu estava sentada numa poltrona perto da janela do quarto. Eu, Sam e Dean achamos um motel para tentar descansar antes de ir para Michigan.
Era estranho ver o pessoal lá fora. Despreocupados, quando tudo tava acontecendo comigo. "Como pode?" eu pensava. Sentia raiva dessas pessoas, por estarem felizes com sorvetes e hambúrgueres na mão no mesmo momento em que Lou provavelmente estaria sendo torturada. Eu sabia que não era culpa delas, mas não pude conter esse sentimento.
Decidi sair do quarto, sei lá, para clarear a mente. Me encostei no Chevy Impala dos Winchester e fiquei admirando um lago que tinha ao longe.
- Bonito né? – disse a voz de Dean atrás de mim.
- Hey!Você me assustou. – comentei – É, é muito bonito, sim.
- Meu pai costumava me levar lá quando a gente vinha visitar o Bobby. Eu tinha uns dezesseis anos. – ele falou e isso me fez lembrar de uma coisa.
- Olha, me desculpa. No carro, eu não queria deixar seu irmão constrangido daquele jeito. – completei quando Dean fez cara de desentendido.
- Ah, não esquenta não. Sam não gosta quando falamos do pai. Mas é uma longa história. – ele disse olhando em meus olhos.
- Eu tenho tempo pra longas histórias. – sondei curiosa – Se você quiser contar, é claro, porque se não quiser, eu entendo.
- Não, não, sem problema. – disse Dean – O Sam... Não queria essa vida, tanto é que ele foi embora para a faculdade e me deixou sozinho com o pai. Foi aí que o pai desapareceu e eu tive que pedir ajuda ao Sam. Ele largou os estudos, os amigos e a namorada pra tentar encontrar nosso pai. Não encontramos, então Sam decidiu voltar, mas por coincidência, ou não, a namorada dele foi morta pelo mesmo demônio que matou nossa mãe. Sendo assim, ele resolveu se vingar, pela Jess.
Dean parou de falar, com uma cara pensativa. Ficamos alguns minutos sem dizer nada, então ele continuou:
- Continuamos procurando pelo pai, até que o achamos. Sam tinha tudo pra voltar, mas ele estava decidido a encontrar o amarelão, foi como chamamos o demônio já que descobrimos que ele tinha olhos amarelos, então ele continuou com a gente. Mas eu fui atacado por um demônio e tava prestes a morrer, mas meu pai tava lá, ele salvou minha vida, ele fez um acordo com o demônio que me atacou e trocou a própria alma pela minha. Foi assim que ele morreu.
- Peraí, você foi atacado por um demônio?!
- Bom, não diretamente, mas Azazel, o nome do filho da puta, possuiu um caminhoneiro e ele bateu no nosso carro, todos saíram bem, mas eu fiquei na pior. – explicou o rapaz.
- Hã, mas, pelo que eu entendi, Sam se sente... Culpado? – perguntei em dúvida, quer dizer, não era um raciocínio lógico.
- De certa forma, sim. Mas ñão é apenas por causa disso, ele acha que nunca deu o apoio devido ao pai. – Dean respondeu.
- Mas, eu não entendo. Se John deu a vida por você, não seria você que deveria estar se sentindo culpado? – questionei confusa, quer dizer, isso não era um raciocínio lógico.
- É... É, deveria ser assim, - disse Dean num sorriso triste – mas Sam sempre se sentiu o mais responsável, mesmo eu sendo o mais velho. Ele acha que poderia ter impedido aquele demônio de me atacar. Sem contar que foi ele que trocou os "negócios familiares" pela advocacia, que era o que ele tava cursando na faculdade. Que completo idiota, não é não?
Eu apenas em limitei a rir junto com ele, a única coisa que eu conseguia fazer era olhar em seus, seus lindos olhos. O momento seguinte parecia passar em câmera lenta. Nossos rostos foram se aproximando e quando ficamos a míseros centímetros de distância, Dean colocou sua mão esquerda em minha nuca e a direita em minha cintura, me apertando contra seu peito e fazendo meus braços se entrelaçarem em suas costas.
Quando começamos a sentir o hálito quente um do outro, Dean não agüentou mais a lerdeza de nossos corpos e rapidamente encostou seus doces lábios no meu, quase me fazendo desmaiar.
O beijo dele era magnífico, digno de um cara experiente. Ficava louca toda vez que sentia sua língua abrir caminho pela minha boca e suas mãos acariciarem minha nuca.
Poderíamos ficar assim por horas, mas o barulho de uma porta se abrindo e depois fechando nos fez quebrar o clima.
- O que fazem aqui? – perguntou a voz de Sam do outro lado do estacionamento – Precisam descansar, vamos partir para Michigan depois do almoço.
Dean sorriu maliciosamente para mim, se divertindo com minha expressão envergonhada enquanto secava meus lábios. Ele secou os dele também e mais de uma vez fez nossas mãos encostarem propositalmente uma na outra, enquanto seguíamos Sam em direção ao motel.
Fim do Capítulo 5
