Viúva Negra

Capítulo 6

- Vem logo, Dean, parece até uma mulher no banheiro. – reclamou Sam esperando o irmão sair do toillete.

Estávamos passando por uma lanchonete quando Dean nos informou que precisava fazer suas necessidades, também, quem mandou beber três garrafas de cerveja sozinho?

- Cala a boca, seu idiota. – revidou ele saindo do banheiro, ainda fechando o zíper da calça.

Desde de manhã ele não tentou nem conversou sobre o que tinha acontecido mais cedo. Mas, quer saber? Bem lá no fundo eu tava dando graças a Deus. Não que eu não quisesse mais um momento como aquele, porque é claro que eu queria, mas eu queria mais ainda encontrar minha amiga e com certeza eu ia ficar distraída se Dean me beijasse de novo.

Já eram cinco da tarde, parecia cedo, mas pelo pouco que eu havia dormido, estava caindo aos pedaços. Consegui dar uma dormidinha no carro, mas mesmo assim, quando chegamos em Michigan eu estava, definitivamente, um caco.

Sam estacionou o carro em frente a uma mansão antiga, com a pintura descascando, poderia até ser bonita, na época em que Colombo descobriu a Ásia, ou seja, nunca.

- Avenida Birkinson, 721. É aqui. – informou Dean olhando num papel.

- Toma. – disse Sam colocando uma escopeta de cano serrado em minha mão (eu sabia a marca porque meu pai era militar e me ensinava algumas coisas).

- O quê?! Peraí, eu nunca mexi numa arma antes. – falei nervosa, quase deixando a escopeta cair.

- Uuuummm, tem razão, essa é muito pesada pra alguém inexperiente. – analisou ele – Aqui, toma essa pistola.

- Hey, você não me disse como se usa. – gritei sem saber o que fazer, enquanto Sam se afastava.

- Ah, é fácil. Você encaixa o pente aqui em baixo e carrega aqui em cima. – ensinou Dean fazendo o que estava explicando – Aí depois você mira e atira. Não vai sobrar nenhum fantasma pra contar a história.

"Tomara que não tenha fantasmas, tomara que não tenha fantasmas" pensei desesperadamente, mas é claro que numa casa do século V, haveria pelo menos um perturbado.

Sam entrou na frente com a escopeta que estava comigo, depois entrou Dean com uma Browning, e finalmente, entrei atrás dos dois, apontando minha pistolinha pra tudo que é lugar.

Era uma casa estranha, com as paredes enfeitadas com pinturas antigas cheia de teias de aranha. Bem ao estilo de filmes de terror.

- Dean, olha! – sussurrou Sam fazendo "toc, toc" numa parede – Tá oco. Me ajuda aqui, deve ter alguma passagem secreta.

Analisaram por algum tempo até que Dean encontrou uma fresta por entre os tijolos e os afastou, revelando uma imensa escada de madeira quase despencando. Parecia que estávamos descendo há horas, em cada degrau o desespero crescia, estava muito escuro e as únicas coisas que eu conseguia ver eram as sombras de Sam e Dean à minha frente.

Chegamos ao que parecia ser o porão da mansão, com facas de todos os tamanhos e tipos em cima de uma mesa em um canto e correntes sinistras do outro. Após alguns segundos de escuridão, Sam encontrou um interruptor na parede ao lado e acendeu as luzes, tornando inútil o uso de lanternas.

Mas agora que estava claro, vimos que não estávamos sozinhos.

- Arghhhh! – gemeu um homem encapuzado, amarrado em cordas muito apertadas em torno das mãos e dos pés.

Dean se postou à minha frente como proteção enquanto Sam se aproximava do estranho. Com as mãos e os pés desamarrados, o estranho tirou o capuz e olhou para seu salvador, depois fixou os olhos em mim e foi aí que eu percebi que aqueles olhos não me eram estranhos.

O homem tinha uns trinta e oito anos, em seus cabelos castanhos apareciam alguns fios brancos e sua boca agora tinha rugas. Seus braços pareciam fracos e seu olhar um tanto faminto. Vi as pernas dele se levantarem com esforço e caminharem em minha direção. Consegui ver seu rosto, que mesmo depois de tantos anos continuava gracioso e amigável. Vi o rosto... Do meu pai.