Viúva Negra

Capítulo 9

- Você tá dizendo que minha filha, que não é caçadora, que não tem a mínima experiência com assuntos sobrenaturais... Tá dizendo que só ela pode matar a Viúva e salvar as vítimas? – a cara de espanto de Dylan Keaton era a pior de todas, não que os outros não estivessem com a boca chegando ao chão de surpresa. Mas por incrível que pareça, eu não fiquei tão chocada com a notícia. Com ou sem profecia, minha parada com a besta já tinha ido pro lado pessoal e de qualquer jeito, ela seria minha.

- Mas é claro. Você viu os olhos do demônio, não viu? – confirmou Annabelle.

- Si... Sim. – gaguejei a resposta.

- Então ela é a escolhida. Nossa salvação está em suas mãos, Izzy. – disse a vidente.

- Como sabe meu nome?

- Eu sou uma vidente, lembra? Eu vejo coisas. E porque o Bobby me falou pelo telefone também... Mas enfim, eu vim aqui por um motivo em especial, não foi? Onde posso começar minha sessão?

- Ah, sim, claro. Tem uma sala vazia no porão. – convidou Bobby.

Levou alguns minutos até Annabelle preparar sua áurea, incensos, etc., ela desenhou um pentagrama no chão, fez todos sentarem em círculo em volta da figura e acendeu seis velas no meio, uma para cada pessoa.

- Quero que todos dêem as mãos e se concentrem. Esvaziem suas mentes. – dizia ela de olhos fechados, mas cá entre nós, tava difícil esvaziar a mente naquela hora – Eu vejo alguma coisa, mas, tá escuro. Eu não consigo ver direito.

- É alguma coisa sobre a Viúva Negra? – perguntei.

- Eu não sei, o excesso de pensamentos está danificando a visão. Por favor, se concentrem. Esvaziem a mente – pediu Annabelle.

Porra, tá difícil, cacete... Tentava prestar atenção apenas na escuridão, mas não conseguia. Chegava um novo pensamento na minha cabeça toda hora.

- É uma menina. Não dá pra ver o rosto. Ela parece estar perdida. – a vidente disse finalmente.

- E isso é relevante? – perguntou Dean impaciente.

- Se é a energia de vocês que está mostrando essa cena, então sim, é relevante. – ela falou mal-humorada.

- Dá pra saber onde ela está? – Sam quis saber.

- Hotel Slush. A garota está deitada debaixo de uma cobertura no estacionamento.

- Hotel Slush? Nós já ficamos nesse hotel uma vez, lembra Dean? Fica em Michigan. – disse Sam.

- Ah é, aquele que eu achei alguns filmes pornôs debaixo da cama. – lembrou Dean.

- Michigan? A gente acabou de voltar de lá. – falou meu pai.

- Então vamos ter que voltar. – falei me pondo de pé.

- Agora? – perguntou Bobby.

- Claro, se tivermos que agir será nesse momento. Eu tô com você, Izzy. – disse Dean colocando o braço em meu ombro de um jeito galanteador, mas eu já disse, enquanto eu não acabar com aquela filha da puta não vou me concentrar em mais nada. Depois que isso terminar já é outra história.

Vendo que eu não dei muita bola pro abraço dele, Dean se afastou, dando a desculpa de que iria arrumar o estoque de armas para a viagem.

- Esperem! Não dá para matar a Viúva com apenas uma arma. É preciso fazer um ritual. – avisou Annabelle.

- E por que não avisou isso antes? – falou Dean que já estava levando as armas pro carro.

- Porque vocês são apressadinhos demais. Senta aqui, Izzy, eu ainda preciso te ensinar... – começou a mulher.

- Ensina no caminho. – reclamou meu pai levantando Annabelle.

Aliás, não foi só ele que reclamou. Todos quiseram ir, mas todos mesmo, o que acabou me atrasando. Então ficou: Dean no volante, Sam no carona, eu e Annabelle no banco de trás e Bobby e meu pai na caminhonete do Bobby atrás do Impala.

- Você tem que ler todas as palavras corretamente. Qualquer errinho se quer acaba com todo o encanto e você terá que começar de novo, sendo que você não vai ter tempo e começar a maldição de novo. – explicava Annabelle.

- Eu sei, já entendi. – eu dizia nervosa. Graças a Deus chegamos ao hotel Slush, depois de quatro horas de viagem.

- Com licença, moço. – começou Sam, falando com um guarda do estacionamento – Estamos procurando uma garota que estava deitada ali, naquela cobertura – ele disse apontando para a cobertura, agora vazia.

- Bom, há umas meia hora atrás tinha uma loirinha dormindo ali embaixo, eu até perguntei se ela tava com fome. – o guarda respondeu.

- E o senhor sabe pra onde ela foi?

- Não exatamente, mas ela virou aquela esquina, ali à direita.

- Obrigado. – agradeceu Sam voltando para o carro.

- E então... – quis saber Dean que tinha ficado no Impala.

- O cara disse que ela virou aquela esquina. – respondeu o irmão apontando para a primeira esquina.

Ficamos de uma há uma hora e meia procurando aquela garota. Paramos, perguntamos. Nada. Até que...

- Ali! É ela! – gritou Annabelle indicando uma menina loira de costas.

- Tem certeza? – confirmei.

- Claro. A visão estava meio escura, mas e tenho certeza que é ela.

Ok, localizamos a garota, só não podemos deixá-la escapar, por isso, Dean nos deu a idéia de cercá-la para o caso dela conseguir fugir de algum de nós. Tudo discretamente, é claro. Sam e Dean passaram a sua frente, meu pai atravessou a rua para ficar à esquerda, Bobby tomou a posição de trás e eu e Annabelle tentaríamos falar com ela.

- Hey, menina. – chamou Annabelle. A garota não olhou, mas apressou o passo. Apressei o meu também e sem paciência de chamá-la, agarrei seu ombro e a virei em minha direção.

- Ah, meu Deus!

Fim do Capítulo 9