Capítulo 10

- Lou?!

- Izzy?!

- Meu Deus, como? Eu vi seu corpo, estava usando as suas roupas, o short que eu te emprestei... – eu disse em meio às lágrimas, abraços e beijos.

- É uma longa história. – ela respondeu feliz.

- Resume.

- Uma garota foi seqüestrada no banheiro de um bar perto de uma praia no Rio de Janeiro. Ela tava de biquíni e como não estava acostumada com o clima dos Estados Unidos, topei trocar de roupa com ela. – Lou explicou.

- Então por que não tá com roupas de baixo? – perguntei, reparando que ela usava uma bermuda jeans e uma camisa vermelha.

- É, antes de fugir eu maloquei as roupas de um cadáver velho lá. – minha amiga respondeu.

- O que tá acontecendo aqui? – perguntou Dean desconfiado.

- Gente, essa é a Louise. Lou, esses são Sam, Dean, Annabelle, Bobby e meu pai. – apresentei.

- Ué, seu pai não tava desaparecido?- ela perguntou.

- É uma longa história. – respondi.

- E sua amiga não tava morta? – Bobby perguntou.

- É outra longa história. Mas agora vamos descansar. Que tal irmos para o hotel? – dei a idéia e todos concordaram.

Chegando lá todas as versões foram explicadas e esclarecidas. Vendo que agora tínhamos Lou para ajudar, Bobby e Annabelle decidiram voltar para Dallas. Meu pai fez um pouco de birra, mas eu o convenci de que seria bom tirar umas férias da Viúva Negra depois de tantos anos, então ele resolver voltar com os dois.

Na manhã seguinte, quando todos estavam prontos para partirem, me lembrei de uma coisa:

- Annabelle, conseguimos achar a Lou, mas ainda não sabemos onde a Viúva Negra pode estar.

Ela pensou um pouco.

- Preciso de outra sessão, mas dessa vez só com a Louise. – disse.

Sem problema, empurramos os móveis e fizemos tudo igual à sessão da casa do Bobby. A única diferença e que em vez de Annabelle nos pedir para dar as mãos e nos concentrar ela nos pediu para sair do quarto e deixá-la sozinha com Louise.

Depois de algum tempo esperando no estacionamento, as duas desceram, comunicando que a Viúva Negra ainda não tinha um lugar fixo para colocar suas vítimas, depois que invadimos sua casa. Mas até que foi bom, pois nos deu tempo de nos preparar.

- Pelo amor de Deus, treine o encantamento, - dizia Annabelle antes de partir – leia esse capítulo do livro mil vezes se for necessário, mas não erre nenhuma palavra do feitiço.

- Eu sei, eu sei.

- É sério, se você errar...

- Vou ter que começar tudo de novo, tá bom. – completei.

- Tchau, Izzy. – despediu-se Bobby.

- Tchau, Bobby. Espero te ver de novo.

- Filha, você tem certeza que não quer que eu fique? – perguntou meu pai.

- Não precisa, é sério, você merece uma folga. – respondi.

- Ok. Juízo, hein. – ele recomendou olhando para mim e em seguida para Dean. Como ele sabe? Fiquei sem fala. Meu pai simplesmente sorriu e entrou no carro, que acelerou segundos depois.

É, agora só sobrou dois casais de aventureiros em busca de encrenca...

A noite chegou rápido e como tínhamos dinheiro apenas para um quarto, os Winchester tiveram que armar dois colchonetes no chão.

- Não, não, por favor, não. Pára, por favor. – eu dizia enquanto a Viúva Negra cortava cada pedaço do meu corpo e bebia o sangue que saia dos machucados.

- Agora não tem mais volta. – dizia uma voz nas paredes.

- NÃOOOO!!!!

- Hey, Izzy, acorda, - falou Dean me balançando – calma, calma, foi só um pesadelo.

Agora eu tinha percebido que era um amigo e que eu podia me acalmar, mas ainda estava assustada.

- Como você consegue? – perguntei.

- O quê?

- Não ter pesadelos.

- Costume. Mas no começo eu até fazia xixi na cama. – ele respondeu rindo. Ficamos alguns segundos sem falar nada, só olhando um para o outro. Droga, a quem eu tava enganando? É claro que eu sentia alguma coisa por esse cara, mas quando eu foco em alguma coisa, não dá pra parar.

- Dean, por que ela não me levou também? – comecei – A Viúva. Por que ela também não me levou se eu fui testemunha?

- Porque não foi você que a chamou. – ele disse acariciando minha mão.

- Só isso?

- Só.

- E por que você e seu irmão me perguntaram se eu tinha ouvido barulhos estranhos ou visto alguma fumaça preta? Isso foi quando eu ainda não sabia quem vocês eram. – expliquei melhor.

- Porque, em algumas ocasiões, o espírito fica te vigiando e acaba fazendo algum barulho, às vezes.

- Hã.

- Mas enfim, é melhor você ir dormir.

- Ok.

- Tchau. – ele disse me dando um beijo no canto da boca e isso me lembrou uma coisa.

- Dean.

- Hum.

- Você contou pro meu pai sobre o que rolou entre a gente?

- Não, por quê?

- É que ele me mandou uma indireta hoje de manhã.

- Bom, as mães não são as únicas com sexto sentido, né?

- Aham... Dean?

- O quê?

- Boa noite.

- Boa noite, meu anjo.