Capítulo 11

- Aí, Sam. Que você acha dessa? – perguntou Dean apontando para uma revista pornô.

- Estúpido!

- Ô, Dean, dá pra se concentrar? – reclamei – A gente veio aqui para comprar material pro feitiço.

- Aqui. 5kg de sal. – bufou Lou jogando o peso no carrinho.

- Precisamos de mais 5kg. – disse Sam.

- Mais?! – exclamou Lou, mas logo depois foi buscar mais sal.

- Peguei as velas. – falou Sam.

- Peguei a tinta. – comunicou Dean.

- Iiiii, gente, isso tudo vai dar U$126,00 e a gente só tem U$98,00. – conclui.

- Toma. –disse Dean oferecendo U$30,00.

- Onde conseguiu esse dinheiro? – questionou Sam.

- Roubei do padeiro. – ele respondeu.

Depois das compras feitas, pegamos o carro e voltamos para o hotel. Não pretendíamos ficar lá por muito mais tempo, mas se fosse preciso poderíamos sobreviver à base de roubos.

Já tinha se passado duas semanas sem notícias da Viúva, mas eu estava bem confiante, treinava a tarde inteira sem parar.

Trim, trim, trim.

O telefone tocava, e a cada vez que tocava, uma ansiedade se estabelecia. Geralmente era alarme falso, mas dessa vez não.

- O quê?! Não... Ok, ok, já estamos indo para lá. – disse Sam desligando e se virando para minha direção – Ela voltou pra casa.

- Pra mansão?

- É. Preparem as armas. Lou, sabe usar uma arma? – ele perguntou.

- Sei.

- Sabe? – olhei-a abismada.

- Atirei com a arma do meu primo.

- Aquele que tá preso?

- Esse mesmo.

- Browning, pistola, escopeta e duas facas. – falou Dean trazendo as armas.

- Certo. A casa tá aqui. – disse Sam fazendo um desenho no papel – Vamos nos dividir em duplas. Dean, você entra com a Izzy pela frente. Eu vou com a Lou por trás.

- OK.

- Tá.

- Certo.

E fomos para o carro. O percurso do hotel até a casa era de no máximo 10 minutos, então foi dedicado totalmente a treinar mais um pouco enquanto os outros ajeitavam os revólveres.

- Você treina muito... pra quê?! É só ler. – comentou Dean num momento da viagem.

- Mas você já ta acostumado, eu ainda me enrolo com algumas palavras. – respondi.

A mansão ainda estava do mesmo jeito quando chegamos lá. Mesma aura de terror que eu tinha visto da primeira vez.

- É. Chegou a hora. – falei enquanto olhava a imensa frente da mansão.

- Eu sei que você consegue. Não tenha medo, eu estou aqui. Sempre estarei. – disse Dean levantando meu rosto e me fazendo olhar diretamente em seus olhos.

Se fosse outro momento eu até poderia agüentar, mas se fôssemos morrer naquele dia, eu iria pelo menos com uma coisa feita... Agarrei-o pelo cós da camisa e em menos de um segundo nossos lábios se tocaram apressadamente, mas ao mesmo tempo, suavemente, como se não existisse nada nem ninguém à nossa volta. Como se não tivesse nenhum problema para ser resolvido e que o mundo girasse somente ao nosso redor. Apenas curtimos aquele momento como se fosse o último de nossas vidas, porque aquele era, definitivamente, o nosso momento.

- Uau. – falou Dean meio tonto entre risos.

- É... Uau. – eu também tava meio zonza e sorria que nem uma babaca bêbada.

As caras de Sam e Lou eram as mais ridículas possíveis. Eles não sabiam se riam, criticavam, ou deixavam pra lá.

- Ah... éee... acho melhor a gente ir logo. – avisou Sam tirando a dúvida e resolvendo deixar pra lá. Ele foi na frente com uma expressão de "não acredito que presenciei meu irmão trocando saliva com uma amiga minha" e Lou olhava para mim como se dissesse "nossa, que amasso, hein".

Enquanto os dois davam a volta pelo imenso quintal até a parte de trás da casa, eu e Dean fomos pela frente até a porta de entrada. Ele ainda estava surpreso com a minha reação, mas parecia feliz. Eu estava um pouco envergonhada, mas sem um pingo de arrependimento.

Tá bom, agora já chega, porque estávamos finalmente dentro daquela maldita casa. Naquela mesma sala que ainda estava fedendo. Não havia nada ali, nem no porão onde achamos meu pai, muito menos no sótão, que apesar dos outros cadáveres, não tinha nada novo.

- Nada. Parece que a Viúva não tá em casa. – disse Dean quando nos reunimos com Sam e Lou na sala.

- Também não achamos nada suspeito aqui em baixo. – comunicou Sam.

- Melhor. Eu vou pegar a tinta. Lou, vem cá me ajudar. – chamei indo para o carro.

- O QUE FOI AQUILO?! – gritou Lou quase estourando meus tímpanos.

- Shiii, cala a boca.

- Não acredito que você e o Dean estão namorando e nem me contaram.

- É porque não estamos. – falei.

- Então aquilo foi só uma ficada? Izzy, se tivesse sido só isso você não teria dado tanta importância. Fala sério, cara, tu tá a fim dele, não tá? – indagou Lou com aquela esperteza nata para descobrir relacionamentos.

- Não foi só uma ficada, mas... É que já tinha acontecido isso antes, sabe.

- Não brinca! Sua puta!

- Sou não, sou só piranha.

- Haha! Mas, fala sério, eu te conheço há 7 anos, sei muito bem quando você tá apaixonada. – ela falou.

- Tá bom, você venceu... É, eu tô sim. Agora chega, a gente veio buscar a tinta. – respondi me dando por vencida.

- Mas fala. Ele sabe usar a língua? – Lou perguntou.

- Cala a boca. – repreendi enquanto voltávamos para a casa.

- Aqui, toma. – Lou entregou a tinta para Sam que começou a desenhar um pentagrama no chão enquanto Dean acendia as velas na ordem exata em que deviam ser acendidas. Não levou mais de 10 minutos para tudo ficar pronto, a única coisa que precisávamos era a presa.

- Sabe o que a gente ta parecendo? – perguntou Dean depois de meia hora de espera – Um bando de pescadores amadores esperando um peixe morder a isca vazia.

- Beleza, quando a Viúva chegar, você vai ser a isca. – falou Sam de mal-humor.

- Ai, cara, o que essa besta faz de dia? Será que ela trabalha no puteiro da cidade? – falou Lou.

- Não, os puteiros só abrem de noite. – respondi.

- E será que ela vai chegar? Talvez Annabelle estivesse errada ao dizer que ela voltou pra mansão. – questionou Sam, mas sua pergunta logo foi respondida com um barulhão na parte de cima da casa e dois segundos depois, um rosto branco e ensangüentado apareceu no topo na escada.

- Não vão me incomodar outra vez! – falou a Viúva (Nossa, ela fala. Pensei que o gato tinha comida a língua dela) antes de dar o maior salto que eu já vi em toda a minha vida em nossa direção. Com a maioria dos vilões são burros, ela caiu direitinho na armadilha, ficando presa no pentagrama. Peguei o livro de feitiços, olhei diretamente nos olhos da Viúva, que poderiam até dar pena a algum desavisado.

- Sinta o gosto da morte. ATUMIZERA LOD VASON! YUWME POREWA SATE! BRUOKLI! AYANE! TIPOLE! MIKEDU AZARA! Queime. No fogo. Do INFERNO.

- HAAAAAAAAAA. – gritava a Viúva enquanto queimava inteiramente de dentro para fora, se contorcendo de dor, que naquela hora era completamente bem-vinda.

O fogo começou a se espalhar rapidamente por todo lugar, acabando com tudo que estava no caminho.

- Izzy, temos que sair daqui. – disse Dean agarrando meu braço, e vendo minha resistência, continuou – Cara, não vale a pena ficar assistindo, de qualquer jeito ela vai morrer.

- Ah, vale.

- Izzy, vem logo. – falou Lou me empurrando.

- Gente, VAI EXPLODIR! – gritou Sam, empurrando todos para a saída.

É, não preciso dizer que isso me despertou. Saímos correndo sem olhar para trás e, literalmente, 3 segundos depois, um estrondo gigantesco chegou aos nossos ouvidos e o impacto nos fez voar e cair estatelados no chão, bem ao estilo do filmes hollywoodianos.

- Vamos embora antes que cheguem testemunhas. – avisou Sam correndo em direção o carro.

- Ah, não, todas as janelas estão quebradas. – reclamou Dean, parece que o impacto chegou até o automóvel.

- Entra logo. – falou Sam, empurrando o irmão para dentro do Impala.

Estava acabado. Ninguém mais iria sofrer. Ao longe, tudo que se via agora eram as cinzas de um passado acabado. Consumido pela maldade. Eu tinha conseguido. O peso havia sido tirado de minhas costas. Agora só faltava mais uma coisa a ser resolvida. Venho pensado nisso há muito tempo, mas agora, tomei a decisão. Só espero que seja a certa.