ISABELLA SWAN
Quando cheguei na casa de Ângela, já estava amanhecendo e antes que eu batesse na porta, ela se abriu.
" Ângela, o que você faz acordada uma hora dessas?"
" Eu acabei de chegar também e ouvi o taxi parar na frente de casa, então só poderia ser você. Pra quem iria ficar só meia-hora, você demorou um pouquinho, heim?"
" Eu... ai Ang!" Eu a abracei chorando.
" O que foi que aconteceu amiga? Me fala, alguém te machucou?"
" Sim, eu mesma. Eu fui fraca, eu cedi e agora eu tenho que esquecê-lo, mas como? Ah que droga."
" Eu não estou te entendendo, Bella. É do Edward que você está falando?"
" Sim, de quem mais seria?" Eu já estava um pouco mais calma e então pude contar para minha amiga tudo o que aconteceu.
" Isabella, agora me diga qual o motivo de você agir como uma criminosa e fugir no meio da noite?"
" Ângela, eu não suportaria ver a decepção nos olhos dele quando percebesse que aquela mulher não era eu. Eu não sou assim, eu não sei ser assim. Eu só sei ser a Bella sem graça do casaco xadrez."
" Eu não vou deixar você agir dessa maneira. Segunda- feira você tem aula com ele, não tem?"
" Sim, eu tenho."
" Então você irá falar com ele, ou eu vou."
" Ângela por favor, deixe as coisas como estão. Isso nunca irá dar certo. A família dele tem muito dinheiro, as nossas realidades são muito diferentes, nunca daria certo."
" Você pode continuar encontrando desculpas para a sua covardia, mas não irá me convencer. Segunda –feira será o seu prazo. Depois disso, eu irei agir por minha conta."
Irritada, me rendi vendo que ela falava sé poderia fazer isso. E depois sair correndo, quando ele risse na minha cara.
[...]
A temida segunda-feira chegou e eu fui para a universidade antes de Ângela, já que nossas aulas eram no período da tarde, mas eu tive que ir para a biblioteca.
Eu passei a manhã toda catalogando livros e quando estava me preparando para ir almoçar ele entrou na biblioteca. Me sangue gelou, ele olhou pra mim por e por um instante eu achei que ele iria falar algo, mas ele balançou a cabeça, me deu bom dia e saiu.
Ainda tremendo, me encontrei com Ângela no refeitório. Contei a ela sobre o nosso encontro e ela riu do meu estado, só porque ele havia olhado pra mim.
Ele estava lá, Tânia com ele, é claro. Edward estava visivelmente distraído, olhava para todos os lados e eu vi quando Tânia falou com ele irritada, por estar sendo ignorada. Ele apenas levantou-se e saiu. Ela saiu em seguida.
" Amiga, vai atrás dele. Garanto que ele já está na sala e é a sua chance de falar com ele."
" Você não vai esquecer mesmo, não é?"
" Sem chance, amiga. Ou você, ou eu. Escolhe."
" Pessoa irritante!" Falei enquanto já me dirigia ao prédio da nossa aula.
Tentei me acalmar no caminho para a sala de aula, mas foi em vão. A cada passo que eu dava, mais nervosa eu ficava. Mas humilhação maior seria ver a minha amiga agindo por mim, então me encostei à parede ao lado da porta por alguns instantes, respirei fundo e entrei. E então eu vi.
Edward estava sentado na sua cadeira de sempre, mas o que eu não esperava ver era Tânia sentada no seu colo enquanto eles se beijavam. Eu não consegui ficar ali nem um segundo a mais.
Eu sempre soube que eles ficariam juntos, mas ver o homem que foi meu durante toda a noite nos braços de outra foi demais para suportar. Aquela boca era minha. Era eu quem deveria estar ali no seu colo.
Eu corri pelos corredores em direção à minha picape, lá eu ficaria bem e poderia chorar tudo o que eu tinha direito. Eu fiquei lá por uma meia–hora. Fui pra casa mais cedo, de jeito nenhum eu conseguiria encarar o casal feliz pelos corredores da Univesidade.
EDWARD CULLEN
A melodia de Clare de Lune me tirou dos meus sonhos abruptamente. Tentei enxergar o visor do celular e depois de alguns segundos vi que eram cinco da manhã. O que o meu irmão sem noção queria comigo a uma hora dessas?
" Emmet, é melhor que alguém tenha morrido para você me ligar as cinco da manhã."
" Calma irmãozinho, ninguém morreu, ainda bem, mas é que você sumiu do baile e não voltou mais... deixou até a pobre da Tânia para eu levar pra casa."
O baile, a minha morena. Me virei na cama e só o que encontrei foi o cheiro de morangos que ela deixou nos meus lençóis. Onde ela estava?
" Emmet, eu estou bem, tentando dormir. Por favor vai fazer o mesmo e me deixa em paz."
" Credo Edward, que mau humor. Estou vendo que a noite não foi bem como você esperava..."
" Tchau, Emmet."
Saí da cama e percorri o dormitório todo e nada. Onde ela estava? Porque saiu assim escondida no meio da noite. Noite essa que havia sido perfeita, não havia?
Voltei ao quarto e algo me chamou a atenção. Sua máscara em cima do meu travesseiro. Foi tudo o que restou da linda menina que se tornou mulher em meus braços.
" Por que Isa?"
Depois de ter perdido completamente o sono, entrei no chuveiro para ver se um banho frio me acalmava um pouco. Eu precisava encontrá-la e comecei a reunir as poucas informações que tinha conseguido dela.
Ela é estudante do curso de literatura. Já é alguma coisa. Quantas matérias tem o curso? Não importa, eu irei procurar pelo prédio todo, pela maldita Universidade toda, pela cidade toda se for necessário, mas eu tenho que encontrar a mulher que me fez delirar e querer muito mais.
Ela não me deixou ver seu rosto e na hora eu até achei excitante, mas agora eu me pergunto o porquê de sua atitude. Não consigo encontrar o motivo. Eu não a conheço, tenho certeza. Eu preciso de respostas, antes que eu enlouqueça.
Isa . Duvido que esse seja mesmo o seu nome. Nem nome é, apenas um apelido que ela deve ter inventado quando a pressionei. Por que? O que ela queria de mim, afinal?
Fui pra casa tomar o café da manhã com a minha família. À tarde eu começaria minha busca pela dama de vermelho. Assim que entrei no meu carro, seu cheiro de morangos me assaltou e as lembranças da noite passada vieram me atormentar. Nunca mulher nenhuma me faz sentir o que ela fez.
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Fui para a Universidade mais cedo naquela segunda-feira e comecei minha busca na praça de alimentação. Me sentei na mesma mesa que ocupava todos os dias e logo Tânia apareceu. Essa menina está me tirando do sério. Ela já deveria ter entendido que eu não quero nada com ela.
" Olá Edward, você sumiu no meio do baile. O que aconteceu?"
" Eu não estava passando muito bem, Tânia."
" Ah. Está melhor agora?"
Eu olhava para todos os lados procurando por alguém de cabelos castanhos, nem estava escutando o que ela me dizia.
" Edward! Hei, eu estou falando com você."
" Me desculpe Tânia, eu tenho que ir."
Eu precisava sair de perto dela, antes que eu dissesse algo que a magoasse. Eu não a queria pra mim, mas ela era minha amiga e eu fui educado para tratar bem as mulheres.
Fui direto para a minha aula de sociologia. A sala estava vazia e eu agradeci, mas minha paz durou pouco, pois Tânia entrou poucos minutos atrás de mim.
" Edward, eu cansei de te mandar sinais que você insiste em não enxergar."
" Tânia, do que você está falando?"
Ela não respondeu. Se sentou no meu colo e me beijou. Eu fiquei ali alguns segundos sem reação, até que delicadamente a tirei do meu colo. Eu iria fazê-la entender que não sentia o mesmo por ela.
" Tânia, você precisa entender de uma vez por todas que nós somos amigos e nunca seremos mais que isso."
" Não Edward, eu sinto que a gente pode..."
" Não Tânia, você está confundindo as coisas."
" Eu sei muito bem o que eu sinto. Mas eu terei paciência. Você irá perceber que eu sou a mulher certa para você."
Ela saiu depois da nossa breve conversa. Magoada, mas eu tive que tomar aquela atitude, até porque não era justo deixá-la continuar se iludindo. Meus pensamentos eram todos de uma certa morena com olhos cor de chocolate.
Me levantei e saí dali. Eu não teria cabeça para aula nenhuma hoje. Fui para o prédio de literatura. Iria fazer plantão ali. Uma hora ela teria que passar por mim.
Passei a tarde toda sentado no chão naquele corredor e nada. Os alunos entraram e saíram e nenhuma menina com as características dela passou por mim. Quando já não tinha mais ninguém no prédio, a faxineira parou me olhando de forma estranha, eu me levantei e fui embora.
Essa foi a minha rotina nos outros três dias e nada. Nem sinal da minha menina. Eu tive que voltar para as minhas aulas, mas sempre que estava lá fora, eu a procurava. Mas eu nunca a encontrei. Se não fosse pela máscara que eu tinha guardada comigo, eu diria que foi sonho. O melhor sonho que eu já tive.
