Oláááá! Mais um capítulo pronto, ainda que curtinho. Quero reviews, sou movida a reviews, não escrevo se não tiver reviews! (ou até escrevo, mas não posto XD)

Disclaimer: HTF infelizmente não me pertence *chuiff*

Capítulo 4

Susto. Medo. Pânico. Terror absoluto. Flaky por um instante achou que ia desmaiar, mas seu corpo pareceu entrar em piloto automático para se defender: antes que pudesse sequer pensar, já tinha se virado e corria para a saída. Inutilmente, pois bastou que ele agarrasse seu tornozelo para fazê-la cair no chão como um saco de batatas. Desajeitada como era, mal conseguiu proteger o rosto com as mãos, e ainda assim sentiu a pulseira de seu relógio arranhando-lhe a bochecha. Tentou se afastar dele, mas o garoto foi mais rápido e a puxou de volta. A menina se debateu, tentando se soltar, mas ele era muito mais forte e segurou-a, sentada em seu colo. Agarrou sua cabeleira ruiva com uma das mãos e com a outra puxou sabe Deus de onde aquela faca medonha, que encostou em seu pescoço. A mochila dela tinha caído longe.

Lágrimas silenciosas desciam pelo rosto da garota, ardendo ao alcançar o corte em sua face, e Flippy parecia maravilhado com seu desespero. Ele sorria como o gato de Cheshire e seus olhos frios eram dois topázios lapidados. Puxou seus cabelos e ela gemeu de dor.

– Achou que ia se safar de mim, não é? Achou que eu não ia te pegar? Vou te contar um segredo, amorzinho – aproximou os lábios de seu rosto e lambeu uma gota de sangue misturada com lágrimas, provocando-lhe um arrepio de nojo e medo – ninguém escapa de Flippy Finch!

– V-v-você é louco!

Ele deu uma risada rouca e profunda. Começou a cantarolar, passando a ponta da faca por seu rosto como se estivesse a desenhá-lo:

Hush, little baby, don't say a word or Flippy's gonna stab you and drink your blood...

Flaky não conseguia evitar os soluços, mas fora isso, estava catatônica. Não conseguia se mexer, gritar e tinha suas dúvidas de que estava respirando. E quando ele falou a garota sentiu no rosto o hálito dele, uma mistura de menta, Coca-cola e algo mais amargo (deve ser sangue, ele é um monstro! – pensou a menina), o que também não ajudava em nada.

– Tão pequena e delicada... me dá vontade de cortar e morder essa pele macia só pra te ver sangrando...

Encostou a lâmina da faca no pescoço dela, fazendo-a sentir o metal gelado em sua pele quente.

– P-por favor, Flip-py, já chega...

Ele puxou seus cabelos, e ela gritou. O sorriso diabólico tinha sumido de seu rosto, substituído por uma expressão de fúria. Flaky se debateu e tentou fugir, mas ele a segurou com força e encostou a ponta da faca sob seu queixo.

– Quem diz se já chega, quem decide a hora de parar, quem decide se já foi o bastante SOU EU!

E, como que para ilustrar suas palavras, ele a puxou para si e a beijou.

Não foi um beijo romântico e delicado de cinema. Tampouco desajeitado e tímido como os poucos que já recebera. Foi forte, impulsivo, possessivo, fazendo-a ficar de pernas bambas, olhos arregalados e sem fôlego. Flippy mordeu seu lábio inferior, fazendo a menina gemer, e quando ela o fez invadiu sua boca com a língua quente e úmida, tornando o contato ainda mais profundo e dominador. Enquanto isso ele a acariciava com a lâmina fria, passando-a por seu pescoço e pelo ombro que a blusa deixava descoberto. A mão que antes puxava seus cabelos agora a segurava pela nuca com firmeza. Os olhos dela se fecharam lenta e involuntariamente quando sentiu que ele massageava sua nuca, provocando calafrios por todo seu corpo. A faca foi guardada e a menina sentiu a mão dele arranhando-a bem de leve sob a blusa, o que a fez gemer e arquear a coluna, colando seu corpo no dele. Flippy se inclinou para a frente devagar, e no instante seguinte os dois estavam deitados no chão. Flaky já não pensava, apenas reagia enquanto ele tomava as atitudes. Separou seus lábios dos dela e desceu por seu pescoço beijando e mordiscando a pele quente, quase febril. Ela não conseguiu conter um gemido de protesto quando as mãos dele se afastaram de seu corpo, apenas o bastante para livrá-lo da jaqueta. Segurou as mãos dela e as colocou sobre o próprio peito, fazendo-a sentir seus músculos bem definidos através do tecido fino da camiseta preta. Mais uma vez suas bocas se encontraram, num beijo cada vez mais apaixonado e violento, um pouco brutal até, percebeu ela ao sentir gosto de sangue. Flippy segurou-a pelo pescoço e a encarou, respirando com dificuldade, seu sorriso mais insano estampado no rosto. Foi aí que todo o peso do que estava fazendo a atingiu.

Estava no terraço.

Isolada de toda a escola.

Trocando beijos e amassos com um cara que mal conhecia.

E que tinha tentado matá-la!

Mais uma vez seu cérebro pareceu entrar em modo de autodefesa: ela gritou e o aranhou no rosto. O rapaz praguejou e segurou-lhe os pulsos.

– O que você pensa que está...

Foi automático. Flippy estava sobre ela, de pernas abertas. No auge de seu desespero, tudo o que ela fez foi levantar uma perna e o acertar em cheio com uma joelhada.

Ele soltou um gemido estrangulado, seus olhos escurecendo lentamente enquanto marejavam com lágrimas de agonia. Afastou-se dela quase rastejando e sentou-se no chão, com as duas mãos no local delicado onde tinha sido atingido, arfando e choramingando. Encostou a cabeça no alambrado, respirando fundo. Flaky estava em choque, sentada no chão, os olhos muito abertos em perplexidade.

Ele se levantou devagar ainda curvado de dor. No entanto, quando olhou para a garota pareceu a ela que a confusão e a vergonha que sentia era bem pior que a sensação física.

– Flaky, eu não queria... me perdoa...

Nesse momento um toque alto os assustou. Era o celular dela, dentro da bolsa, cuja campainha tocava a canção-tema de "A Bela e a Fera". Flippy deu um sorriso triste, pegando sua mochila e a boina no chão.

– Muito apropriado.

Antes que ela pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, o garoto saiu e desceu as escadas aos saltos, deixando-a ali.

Lentamente, como num sonho, ela pegou sua bolsa e sacou o telefone. Era Petunia.

– A... alô?

– Oi, Flake! Tudo bem?

– Tá... tá tudo bem sim...

– Onde você tá?

– No colégio, lógico.

– Quer ir ao cinema hoje depois da aula?

A ruivinha respirou fundo. Era disso que precisava, um pouco de vida real. Cinema e milk-shakes, pipoca, guaraná e conversa de garotas. Reclamar dos professores e olhar vitrines. Não que ela fosse tão ligada nisso quanto as amigas, mas pelo menos era melhor do que ficar em casa sem fazer nada, se lembrando das cenas horríveis que tinham se passado ali.

– Tá, pode ser...

– Isso! – ela ouviu as risadinhas de Giggles ao fundo, e foi como se um alarme de perigo disparasse dentro de sua cabeça – vamos passar aí na escola pra pegar você.

– Por algum acaso algum menino vai também?

A amiga deu um risinho sem graça. Bingo. Era mais um daqueles estúpidos encontros de casais, em que elas levavam seus namorados ou "ficantes" e algum amigo solteiro deles. Flaky voltou a afundar em desânimo. Se tivesse que ouvir mais uma vez Sniffles enumerando as diferenças entre as naves dos filmes de Star Wars, preferia dar um passeio com o maníaco do Finch!

– Ah, não vai ser ruim. Cuddles chamou a Gig pra sair, e já que Toothy sempre anda com ele...e temos uma surpresinha pra você...

– Petunia, eu acho que...

– Espera aí, tenho outra ligação. Já te ligo.

– Ok.

A ruiva desligou. Pôs a mochila nas costas e olhou no relógio. A penúltima aula estava quase no fim, nem adiantava muito descer para a classe... o jeito era ir pra casa. Deu de ombros e levantou-se. Arrumou os cabelos na medida do possível e espanou o pó das roupas. Seu celular tocou, com uma mensagem de texto.

"Não vamos mais, deixa pra semana que vem. Beijos, P."

Suspirou aliviada e virou-se para sair. Nesse instante sua visão periférica captou um vislumbre de verde-oliva e ela deu um pulo, assustada, achando que era ele. Mas era só um amontoado de tecido no chão. Flaky aproximou-se devagar, como se aquilo fosse explodir. Mas não era uma bomba, era algo bem pior.

A jaqueta dele.