Ron&Hermione, Uma História

"Harry Potter e a Pedra Filosofal"

Capítulo I – A visita inesperada e um turbilhão de sentimentos

Mais um dia. Apenas mais um dia. Igual a tantos outros. Deitada de barriga para cima na sua cama, Hermione reflectia o que iria fazer nesse dia. Levantar. Tomar banho. Comer uns cereais. Deitar na cama a ler um livro. Almoçar. Voltar a ler o livro. Lanchar. Ver algum documentário na televisão. Jantar. Conversar um pouco com os seus pais. Voltar para o quarto. Ler. Dormir. Assim eram todos os seus dias de férias, porque não seria o de hoje também?

Arrastando-se pelo quarto, pegou nas suas roupas e foi tomar banho. Quando saiu, ainda com os cabelos molhados e emaranhados, ela ouviu o som da campainha.

Minutos depois ouviu a mãe chamá-la. Obediente, como sempre, desceu.

-Hermione, este senhor está aqui para falar connosco. – informou o pai, com um olhar intrigado, o mesmo que estava na face da sua única filha.

-Olá Srta Granger. Compreendo a sua expressão surpresa, confesso que não é a primeira vez que a vejo no rosto dos meus actuais alunos. – o estranho homem, com um chapéu de bico e barbas brancas e enormes, começou.

-Desculpe – interrompeu Hermione – disse alunos? Mãe, pai, o que significa isto? Vou mudar de escola?

Mas o senhor voltou a falar: - Hogwarts teria todo o prazer nisso, Srta!

-Hogwarts? – perguntaram, de olhos arregalados, o Sr e a Sra Granger.

Hermione, contudo, olhava com uma expressão encantada para o homem sentado à sua frente. Não sabia explicar porquê, mas havia algo naquele sujeito que a fazia sentir-se bem e segura.

-Isto pode parecer uma parvoíce à primeira impressão, mas a verdade é que… Bem, a vossa filha é uma feiticeira.

Hermione deixou o queixo cair, depois teve uma vontade incontrolável de se rir.

Os pais, por outro lado, olhavam o estranho homem como se este fosse um louco.

-Hermione, posso perguntar-te se alguma vez fizeste acontecer algo e não sabes explicar a razão?

Hermione sentiu-se corar, afirmando lentamente com a cabeça e, olhando insegura para os pais, explicou:

-Bem, houve uma vez, na escola, que uma rapariga começou a implicar comigo, chamou-me de idiota marrona e disse que tinha o pior cabelo que ela alguma vez vira na vida. Eu não gostei, estava a começar a ficar farta de ouvir coisas do género e, sem eu saber porquê, a rapariga começou a sentir muita comichão e nasceram-lhe bolhas enormes na pele…

-Isso aconteceu porque tu te irritaste e, como ainda não sabes controlar a tua magia, fizeste algo mau acontecer a quem te aborrecia. Acontece com muitas crianças, não te preocupes, não és diferente.

Diferente. Nunca ouvira outra palavra que não aquela. Os colegas na escola diziam-no com desprezo e repugnância. Os professores diziam-no com medo e incredulidade. Até os pais o diziam, com orgulho. Diferente, a palavra que a definia. E agora, um homem que, estranhamente, lhe emanava segurança e confiança, dizia-lhe que ela não era diferente. Sorriu-lhe. Ele não fazia ideia do quão bom era para ela ouvir aquelas palavras. Viu-o sorrir-lhe de volta.

-Eu vim aqui para vos avisar, Sr e Sra Granger, que, se assim o autorizarem, a sua filha terá, certamente, um lugar à sua espera em Hogwarts, onde poderá aprender magia com outras crianças como ela.

-Mãe? Pai? – Hermione olhava para os pais, pedindo silenciosamente a sua opinião.

-Que parvoíce! A nossa filhinha, bruxa! – replicou a Sra Granger, sorrindo.

-É a verdade, minha senhora, e garanto-lhe, quanto mais depressa o aceitar, melhor será, tanto para si e para o seu marido, como para Hermione.

-Fale-nos mais dessa escola, por favor. – pediu o Sr Granger.

Hermione ouviu, com enorme atenção e interesse, o velho senhor falar sobre as quatro equipas, sobre as aulas, sobre os professores, sobre os alunos, sobre o que lá ela poderia aprender.

Os pais continuavam reticentes, mas Hermione tinha a certeza absoluta de que lá era o seu lugar.

-Mãe, pai. Eu sei que não estão certos de me deixarem ir. Eu até arrisco dizer que percebo, vão ter saudades, e é um choque grande saber que a vossa única filha é bruxa e tem de ir estudar para longe. Mas, por favor, eu peço-vos que pensem em mim. Toda a minha vida ouvi as pessoas chamarem-me de diferente, de aberração e outras coisas bem piores. Toda a minha vida acreditei ser realmente diferente. E agora percebo que eu não sou diferente, eu sou apenas… diferente aqui. Mas há um lugar onde eu posso ser apenas eu, sem me preocupar com represálias nem olhares repletos de nojo. Há um lugar onde estão pessoas iguais a mim. E eu nunca, até hoje, tinha ouvido as palavras "normal" ou "igual" referidas a mim. Por isso, peço-vos, deixem-me ir, deixem-me ser feliz. – a esta altura a Sra Granger chorava silenciosamente, assim como Hermione, que deixara duas lágrimas correrem-lhe por ambas as faces.

-Mas filha…

-Eu sei, pai. Mas, por favor. Eu peço-vos. Este senhor disse-me pela primeira em toda a minha vida que eu não era diferente! E nem imaginam o quão bom foi ouvir isso!

-Filha! Nós nunca te dissemos que eras diferente!

-Disseram sim, mãe. Com orgulho, é certo e eu reconheço-o, mas mesmo assim. Vocês não percebiam, mas eu não queria ser diferente, eu só queria conseguir ter um amigo com quem falar, desabafar, chorar ou rir. Mas nunca tive ninguém, para além de vocês. Nunca.

-Tudo bem, minha querida, se a tua vontade é ir, tu vais. – disse-lhe o pai, com a voz embargada.

Hermione deu um abraço tão forte aos pais, que eles logo tiveram a certeza de terem tomado a melhor decisão.

Dumbledore, ficou Hermione a saber que era assim que o senhor se chamava, explicou tudo aos pais dela, respondendo a todas as suas perguntas com uma calma e paciência extraordinárias.

Na Toca, alguém debatia-se com uma enxurrada de sentimentos. Primeiro, o medo que tinha de não receber a tão esperada carta, por pensar não ser merecedor da mesma. Mas ela veio.

E agora ele não sabia o que fazer, se tão depressa ficava excitado e entusiasmado com a ideia de ir para Hogwarts, outras vezes ficava preocupado de não ser tão bom como os seus irmãos. Tão inteligente como Percy, ou tão divertido e querido como os gémeos, ou tão bom no Quidditch como Bill, ou tão bom com criaturas quanto Charlie.

Ele não era realmente bom em nada. Ok, era razoavelmente bom a jogar xadrez, mas isso, obviamente, não o ajudaria em nada. De resto, ele não sabia de nada com o que se pudesse orgulhar. Nada. Tinha uma colecção enorme de cartões de feiticeiros que vinham com os sapos de chocolate. Mas isso também não valia de nada. Sabia contar anedotas muito bem, mas isso de pouco valia.

Ele não era bom no Quidditch, nem era forte e corajoso e tinha tanto medo de uma simples aranha, que dava-lhe raiva só de pensar que era um medricas, como os gémeos passavam a vida a dizer-lhe.

Ele ia para Hogwarts fazer o quê, realmente? Para ser gozado pelos colegas de não saber fazer nada? E se ele não conseguisse fazer amigos? Isso era provavelmente o mais certo.

Gostaram deste primeiro capítulo? Já há imenso tempo que tive a ideia de fazer uma fic como esta. Ela falará de todo o percurso do Ron e de Hermione ao longo dos livros. Será uma espécie de Missing Moments de Ron e Hermione. O título da fic, Ron&Hermione, Uma História, surgiu como um trocadilho com o nome do livro predilecto de Hermione, Hogwarts, Uma História, e eu pensei que era perfeito para o que eu queria fazer!
Não sei ainda quantos capítulos irá ter, porque ainda não os escrevi todos.
Espero sinceramente que gostem tanto de ler quanto eu de escrever! Deixem review, sim?

Para finalizar, queria penas dedicar este primeiro capítulo à pessoa que mais me apoiou, não só nas minhas fics, como em tudo o resto! Leniita, sabes perfeitamente que este capítulo é todo teu porque não paravas de me perguntar quando eu o postava e porque eu te adoro, sabes disso, certo?