Ron&Hermione, Uma História

"Harry Potter e a Pedra Filosofal"

Capítulo III – O banquete

Hermione já lera tudo sobre as características dos elementos de cada equipa, e tinha a certeza absoluta que iria para os Ravenclaw, por ser estudiosa e inteligente.

Contudo, ao ouvir a professora McGonagall chamar o seu nome, ela sentiu-se mais nervosa do que nunca estivera antes e, a tremer, sentou-se na cadeira. O chapéu pareceu não ter a mínima dúvida, e ela também não, todas as suas características a levavam a crer que ela era, sem a mais pequena dúvida, uma Ravenclaw. E foi quando ela ouviu o chapéu gritar:

"-GRYFFINDOR!"

O quê? Gryffindor? Mas como? Ela não era ousada, nem audaz, nem muito menos valente e corajosa! Lentamente, levantou-se da cadeira e dirigiu-se para a grande mesa dos Gryffindor, enquanto ouvia aplausos à sua volta. Ela ainda estava incrédula e só voltou ao normal quando ouviu a professora chamá-lo, "Ronald Weasley".

Ron, quando soube que ela ficaria nos Gryffindor deixou o queixo cair, mas rapidamente tomou a sua expressão aborrecida, ficou o tempo todo a resmungar consigo mesmo que era inacreditável que ela iria ficar na mesma equipa dele. Ficou pálido. Mas ele ainda não tinha sido escolhido, e se ele não fosse digno de ser um Gryffindor? Seria a excepção na sua família, porque ele tinha a certeza, com toda a sua audácia e ousadia, Ginny no ano seguinte entraria para os Gryffindor. E foi quando ouviu o seu nome que achou que fosse desmaiar. Rezava para não quebrar a tradição da família e suspirou bastante aliviado quando ouviu o Chapéu Seleccionador gritar "GRYFFINDOR!".

Ela não soube explicar o que sentiu. Por um lado, estava indignada que um rapaz como aquele, que aparentava ser tudo menos valente, havia ido para os Gryffindor. Com certeza o chapéu havia feito todas as suas decisões mal, pois ela tinha a certeza que nunca iria fazer jus ao nome e à tradição da sua equipa. No fim, enquanto via o rapaz, extremamente branco, aproximar-se, deixou que um sorriso, porém discreto, lhe banhasse os lábios e começou a bater palmas.

Depois do discurso do director, Albus Dumbledore, (no mínimo um pouco diferente, afinal de contas "cretino, gorduroso, restos e mudança" eram palavras que Hermione juraria nunca ouvir num discurso de boas-vindas), enquanto comiam, apareceu um fantasma que começou a falar com Harry. No inicio, Hermione ficou apreensiva, afinal ver um fantasma (que ela, lógica e prática como era, sempre negou veemente existirem) falar com alguém era no mínimo surreal. Ouviu o rapaz ruivo e irritante do comboio dizer que já havia ouvido falar do fantasma, Nick Quase-Sem-Cabeça. Hermione não conseguiu impedir que o queixo lhe caísse. Como assim, quase sem cabeça? Ela queria perguntar, mas tinha a certeza de que não iria querer saber a resposta. De qualquer forma, um rapaz da sua equipa, de nome Seamus Finnigan, acabou por perguntar. Ela não sabia explicar como não vomitou ali mesmo, pois o fantasma acabara de praticamente arrancar a própria cabeça a meio do seu primeiro jantar naquela escola onde tudo era diferente do que alguma vez ela sonhara existir. O que mais iria acontecer, era o que ela se perguntava internamente, quando o seu olhar recaiu sobre Ron, que estava mais pálido que mármore. Por breves instantes, pensou em perguntar-lhe se precisava de alguma coisa, mas esse momento passou quando ela se lembrou das palavras frias e distantes que trocaram antes, no comboio.

Nick foi embora, deixando-os a falar sobre fantasmas durante algum tempo, até Ron desviar a cabeça para o lado e ver o seu irmão Percy sorrir. O quê? Percy e sorrisos era uma combinação algo impossível. E foi quando ele viu a razão do sorriso, Percy estava a falar animadamente com Hermione Granger, a rapariga mais irritante que ele alguma vez tivera a infelicidade de conhecer. Virou todas as suas atenções para o tema da conversa, e constatou que falavam sobre aulas, matérias e professores. Que belo par que estes dois faziam, se ela fosse mais velha, pensou Ron, sentindo-se imediatamente estranho com o pensamento. Tentou afastá-lo o mais depressa que conseguiu, não sabia a razão, mas ficou subitamente esquisito.

Continuou a tentar ouvir o resto da conversa até escutar o hino de Hogwarts, os irmãos já lho tinham cantado e ele sabia-o de cor. No fim, levantaram-se e todos os alunos do primeiro ano dos Gryffindor da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts seguiram Percy, o monitor. Pelo caminho, deram de caras com Peeves, um poltergeist. Ron achou-lhe imensa piada, principalmente quando ele lançou bastões a Percy. Já Hermione parecera reprovar prontamente esta atitude, acenando negativamente com a cabeça.

De seguida, pararam diante do retrato de uma mulher gorda vestida de cor-de-rosa. Hermione já lera sobre aquilo e não ficou surpreendida ao ver Percy dizer a senha, "Caput Draconis" e o retrato revelar-se uma porta que se abriu e os levou à Sala Comum dos Gryffindor.

Hermione subiu para o seu dormitório, pensando em tudo o que acontecera desde que dera um beijo e um abraço apertadíssimo aos seus pais. Aquilo parecera-lhe ter sido há meses atrás. Fora apenas naquela manhã. Pensou no rapaz que perdera o seu sapo, Neville, o que a fizera conhecer a pessoa mais desagradável que tivera a infelicidade de conhecer. Pensou na escolha das equipas, ela continuava certa de que o Chapéu certamente se enganara, porque ela poderia ir para qualquer uma das casas, mas Gryffindor, a sério? Onde é que o Chapéu vira a coragem? A coisa mais corajosa que alguma vez fizera foi ter mandado calar uma rapariga da sua turma antiga que não parava de a insultar. De resto, estava sempre protegida pelas saias da mãe e os braços do pai. Sempre que tinha algum problema na escola (ou seja, todos os dias), ela ia a correr fechar-se no quarto a chorar até lá ir o pai ou a mãe e ela passar a noite toda a chorar no colo deles até adormecer vencida pelas lágrimas. Lembrou-se das palavras do director. Que discurso mais estranho que ela já ouvira na vida! Ela já o achara diferente quando ele foi a sua casa, mas as suas suspeitas foram confirmadas com aquelas palavras. Ficou a pensar mais um pouco em como a sua vida dera uma volta superior a cento e oitenta graus em tão pouco tempo e acabou por adormecer. Era a primeira de muitas noites que passaria naquele dormitório.

Ron, por outro lado, chegou exausto ao dormitório. Comera tanto que ficara cheio de sono. Aliás, o seu primeiro dia em Hogwarts não podia ter sido melhor, realmente. Primeiro, fizera logo um amigo, que parecia ser bastante simpático, e só por acaso, era nada mais, nada menos do que o Harry Potter, sim, o Rapaz Que Sobreviveu ao Quem-Nós-Sabemos. Depois, o castelo era realmente mágico, não era exagero nenhum o que os seus irmãos lhe contavam! Era enorme e parecia estar num mundo completamente diferente, onde tudo era bom e não havia problemas a resolver. E, para além disso, ele estava nos Gryffindor, ele não ia desiludir os pais! Na verdade, Ron nem sabia como é que isso tinha acontecido, já que ele era tão cobarde que, sempre que lhe falavam numa aranha, a cor sumia toda do seu rosto! Mas isso não importava, ele estava nos Gryffindor, tal como toda a sua família, e estava imensamente feliz por isso! Como se isso já não bastasse, o banquete tinha sido fenomenal! Ele amava os cozinhados da sua mãe, era verdade, mas os da escola não lhe ficavam nada atrás e ele comera até se fartar. Se havia coisa que Ron adorava fazer, era comer. E dormir. E jogar xadrez. Assim, feliz com o dia que acabara de ter, Ron deitou-se na cama. Ok, para o dia ter sido perfeito, era não ter nunca conhecido aquela rapariga tão convencida, irritante, chata, empertigada e sabichona. Com os olhos dela na mente, adormeceu.

E o que me dizem a este capítulo? Se tiverem alguma sugestão, dúvida ou perguntar que queiram fazer, digam sim? Deixem review, eu agradeço profundamente! Obrigada!