Ron&Hermione, Uma História
"Harry Potter e a Pedra Filosofal"
Capítulo IV – Wingardium Leviosa
"O professor dividiu a classe em duplas (…) O Ron iria trabalhar com Hermione Granger e era difícil definir qual dos dois estava mais furioso com a ideia."
Ele realmente não tinha sorte nenhuma. E ali estava a prova, bem ao seu lado. Não, a sério, com tantas pessoas na sala e ele tinha mesmo de ir fazer par com a maior convencida que já conhecera na vida? O que ele tinha feito de tão mau para merecer um castigo destes?
Ela não podia estar a ouvir bem, o professor pô-la mesmo a trabalhar com aquele idiota? Isso não ia correr bem, não ia mesmo, ela tinha a certeza.
"-Estás a dizer mal. É wingar-dium levi-o-sa. O "gar" tem de ser longo e suave.
-Então faz tu já que és tão espertinha – respondeu-lhe o Ron."
Mas quem é que ela pensa que é para me corrigir, até parece que ela deve ser muito melhor. Como eu sempre disse, e continuarei a dizer, convencida.
"Hermione arregaçou as mangas do seu trajo académico, fez um movimento com a varinha e disse: Wingardium Leviosa!
A pena ergueu-se da secretária e flutuou um metro e tal acima das suas cabeças."
Como é que aquilo era possível? COMO? Ela realmente fê-lo, ela conseguiu pôr a pena a flutuar. Ele olhou rapidamente para o resto da turma. Ela tinha sido a única na turma inteira que conseguira. Ela era mesmo capaz. Mas isso, claro, não invalida o facto de ser a maior convencida do mundo! Mas ela conseguira. Ele estava pasmado. Conseguiu voltar a fechar a boca, ainda com uma cara incrédula, e ouviu o professor Flitwick congratulá-la.
Ficou amuado o resto da aula, não voltou a dirigir um olhar sequer a Hermione, decidindo-se por ignorá-la totalmente, apesar das tentativas dela de lhe perguntar se ele tinha percebido como era. Realmente, era preciso ter uma grande lata! Tudo bem que ela até podia saber fazer o feitiço correctamente e sem qualquer imperfeição, mas era preciso esfregar-lhe isso na cara? Ele sabia que não era capaz de o fazer, mas, bolas, também não era preciso gozar e inferiorizá-lo daquela maneira. Sentiu-se ainda pior quando se lembrou que ela nunca tivera qualquer contacto com magia até uns dias antes, visto os seus pais serem Muggles.
Ela rezava que o feitiço corresse bem para lhe provar que ela era realmente capaz, que não era só conversa. Quando viu a pena começar a subir, um sorriso banhou-lhe os lábios, voltou o olhar para Ron e viu-o com uma cara incrédula olhar para os colegas. Sentiu-se tão bem por o fazer engolir as palavras amargas que antes lhe dissera. Ele merecia e ela não sentia qualquer remorso por isso. Ouviu o professor elogiá-la e sentiu-se ainda melhor. Contudo, o sentimento de satisfação sumiu quando ela perguntou a Ron se ele havia entendido como era que se dizia o feitiço e não obteve qualquer resposta. Perguntou-lhe se ele não queria experimentar outra vez, mas ele cruzou os braços em cima da mesa, virou-se de costas para ela e deitou a cabeça em cima dos braços. Percebeu na hora que talvez tivesse exagerado um pouco. Abanou a cabeça rapidamente, afirmando consigo mesma que ela tinha feito o que devia, e se ele não aguentava que uma rapariga era melhor que ele, paciência! Contudo, parte de si estava arrependida. Mas a outra parte, a que estava satisfeita e vingada, era mais forte e, aparentemente, vencera.
"No final da aula, Ron estava muito mal-humorado.
-Não admira que ninguém a suporte – disse ele ao Harry enquanto atravessavam o corredor, - ela é um verdadeiro pesadelo.
Alguém chocou com Harry, passando apressadamente por ele. Era Hermione."
O que ele havia acabado de fazer?, pensou Ron, ela estava a chorar. Por causa dele. Ele podia não gostar dela, podia realmente achá-la um pesadelo, mas isso não queria dizer que gostasse de a ver chorar. Quer dizer, ele não gostava de ver ninguém chorar. E logo por causa dele. Sentiu uma pontada no coração por saber que ele havia causado cada uma daquelas lágrimas que agora assomavam o rosto de Hermione. Se a sua mãe soubesse, iria ter um desgosto certamente. E foi com grande custo que respondeu a Harry, tentando soar indiferente. Mas indiferença era tudo o que ele não sentia. Sentia-se um perfeito idiota por ter feito alguém chorar.
Foi nessa altura que percebeu o que Percy queria dizer quando nem sempre devemos dizer aquilo que pensamos, pois isso poderia magoar alguém.
Mas a verdade é que ele havia dito, ela tinha ouvido e nada poderia fazer o tempo voltar atrás. O mal estava feito. E Ron era demasiado orgulhoso para sequer cogitar a hipótese de pedir desculpa a Hermione. Logo ela.
Ele reparou que ela não aparecera nas aulas seguintes e começou a ficar preocupado, claro que não dissera a ninguém, mas sentiu-se mais culpado que nunca. E ficou ainda pior quando lhe disseram que "Hermione estava a chorar na casa de banho das raparigas e que queria ficar sozinha."
Ele fizera porcaria. E das grandes. Ela havia levado mesmo a sério o que ele dissera. A intenção dele não era propriamente essa. Ele estava chateado por causa da aula de Encantamentos e decidiu que insultá-la era a melhor maneira de exteriorizar toda aquela raiva. Claro que não contava que ela ouvisse ou que, muito menos, levasse aquilo tão a peito. Sentia-se mesmo culpado, ele não podia negar isso a si próprio, mas também sabia que o seu orgulho não lhe permitia contar isso a Harry nem pedir desculpas a Hermione. Decidiu-se, portanto, a não pensar mais nisso e, ao entrar no Grande Salão e vendo-o com as decorações do Halloween, "esqueceu-se por completo de Hermione".
Ela não percebia porque razão estava naquele estado. Ela já ouvira colegas da antiga escola chamarem-lhe de pesadelo e de coisas bem piores e ela nunca reagira assim. Chorava muito quando chegava a casa e ficava sozinha no seu quarto, mas nunca assim, na frente das pessoas. E logo na frente dele. Parabéns Hermione, ele viu-te chorar, sabe que o que ele disse te afectou e deve estar a sentir-se o maior. E tu aqui, a chorar! Mas a verdade é que ela não conseguia parar. Cada vez que se lembrava das palavras dele, um aperto enorme no coração a impedia sequer de respirar e sentia-se a pior pessoa do mundo. Não era suposto a opinião dele valer tanto para ela. E não valia, pensou Hermione, tentando enganar-se a si própria. Ela só estava assim porque… bem, porque ela agora estava numa escola onde os colegas eram iguais a ela e sempre pensou que lá fosse bem aceite. Mas parece que nem ali. Até ali ela era diferente.
As lágrimas corriam-lhe livres pelo rosto, deixando uma marca salgada no lugar em que passavam. Ela nem sequer pensava em limpá-las. Sabia que estava a perder as aulas todas, mas ela não saberia como encarar Ronald outra vez.
Ron comia animado, quando o professor Quirrell entrou apressado e assustado pelo Salão avisando que estava um "Ser gigantesco nos calabouços" e "Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo no chão". Ele e Harry saíram com a multidão. Estava com a cabeça a mil, um gigante solto em Hogwarts? E dizia a sua mãe que não havia lugar mais seguro no mundo do que lá? Estava envolto nestes pensamentos, quando sentiu Harry agarrá-lo por um braço e dizer:
"-Acabo de me lembrar, a Hermione.
-A Hermione o quê?
-Ela não sabe do gigante."
Ele não sabia dizer quantos palavrões passaram pela sua mente naqueles dois segundos que ficou parado, mordendo os lábios para não os dizer em voz alta. A Hermione, como é que ele se podia ter esquecido? Ela estava sozinha, na casa de banho, sem saber que andava um gigante à solta. Começou a correr o mais rápido que era capaz. Se acontecesse alguma coisa à rapariga ele nunca se iria conseguir perdoar. Não era que ele estivesse preocupado com ela, era só porque ela estava sozinha por culpa dele, era só isso, claro.
Uma das cenas mais míticas de Ron e Hermione dos livros, o Wingardium Leviosa. Espero ter passado os sentimentos de cada um de forma, pelo menos, decente! Deixem review a dizer o que acharam!
