Ron&Hermione, Uma História

"Harry Potter e a Pedra Filosofal"

Capítulo VII – Subtilezas

"-Hermione, falta uma eternidade para os exames!

-Dez semanas – respondeu ela – Não é uma eternidade, é um segundo para Nicholas Flamel.

-Mas nós não temos seiscentos anos de idade – lembrou o Ron – Além disso, o que é que tu precisas de rever se já sabes tudo?"

O que é que ele acabou de dizer? Ouvi mesmo bem, pensava Hermione, ele… elogiou-me? Sim, porque aquilo parecia mesmo um elogio! Quase sorriu, mas conseguiu conter-se. Mas enrubesceu, algo que não conseguiu evitar, e respondeu, tentando parecer normal:

"-O que eu preciso de rever? Vocês são doidos? Têm consciência de que precisamos de passar nestes exames para entrarmos no segundo ano? São muito importantes. Eu devia ter começado a estudar há um mês, nem sei o que me deu para não o fazer…"

E ela sabia bem porque teimava tanto com eles para eles estudarem. Eles foram os primeiros a dar-lhe atenção, a quererem ser seus amigos. Eles salvaram-lhe a vida, algo que mais ninguém faria. E ela não os queria perder porque eles decidiram ficar a dormir um bocado em vez de pegar nos livros e estudarem!

Ron não entendia onde estava o problema de descansar um bocado, faltavam dez semanas. Dez semanas, bolas!

-XXX-

"-O que é que ele estaria a esconder atrás das costas? – perguntou Hermione, pensativa.

-Vou verificar em que secção é que ele esteve. – disse o Ron que já tinha trabalhado bastante."

Ela tinha de estar a ouvir mal. Ele tinha mesmo acabado de se levantar para procurar livros na biblioteca? Tudo bem, eles queriam saber o que o Hagrid andava a fazer na biblioteca da escola, mas o Ron, logo ele, oferecer-se para ir à procura?

Ele tinha de se levantar. Não sabia porquê, mas não aguentava ficar ali sentado nem mais um segundo, sentia-se com demasiado calor e sabia perfeitamente que não era do tempo que fazia lá fora, nem da temperatura da biblioteca, nem muito menos do facto de ter de fazer mil e um trabalhos. Era outra coisa, mas isso ele não sabia dizer o que era. Conseguia dizer o que não era, mas o que realmente era, permanecia um perfeito mistério para ele.

Voltou com alguns livros sobre dragões na mão. O Harry disse-lhes que o Hagrid já lhe havia confessado que sempre quisera ter um dragão. E ele teve a oportunidade de explicar algo aos amigos. O que era, certamente, uma situação muito rara, visto ser sempre Hermione quem tinha esse papel.

"-A criação de dragões foi proibida pela Convenção de Warlock em 1709, todos sabem disso. Seria totalmente impossível passarmos despercebidos aos Muggles se tivéssemos dragões no jardim. Além disso, não é possível domesticar dragões, é perigoso. Devias ver as queimaduras que o Charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens na Roménia.

-Mas não há dragões selvagens no Reino Unido, pois não? – perguntou Harry.

-Claro que há – afirmou o Ron – os vulgares verdes de Gales e os pretos das Ilhas Hébridas. O Ministério da Magia tem um trabalho a abafar a existência deles, podes crer. Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo."

Quando ouviu a pergunta de Harry, Hermione considerou-a ridícula. Ela já lera que havia, sim, dragões selvagens no Reino Unido. Ficou surpreendida, não pôde negar, quando Ron começara a explicar. Quase sorriu, ouvindo-o falar, feliz e admirado consigo próprio. No fim, ela tentou evitar, mas aquela pergunta martelava-lhe na cabeça e ela não conseguia resposta para ela, o que a deixava frustrada. Com a secreta esperança de que ele também lhe soubesse responder a ela, deixou as palavras saírem-lhe da boca:

"-Então o que estará o Hagrid a fazer?"

Mas ele encolheu os ombros e abanou negativamente a cabeça. Voltou o olhar para Harry, mas ele parecia tão confuso quanto ela. Suspirou, derrotada. Não. Derrotada, não. Porque Hermione Granger não era pessoa de desistir assim tão rápido e ela ainda ia descobrir o que se passava com Hagrid.

E aquele olhar determinado de Hermione não passou despercebido a Ron. Ela vai descobrir o que Hagrid anda a tramar, pensou ele, e nem que passe os próximos dias a investigar, ela vai descobrir. Não sabia bem o que pensar, aquela determinação excessiva dela era capaz de o irritar e tirá-lo do sério. Olhou para Harry, mas ele não parecia nem um pouco importado com isso.

-XXX-

"O Ron apareceu não se sabe de onde, tirando o manto de invisibilidade do Harry. Estivera na cabana, ajudando a dar de comer ao Norbert que comia agora ratos mortos através de uma grade.

-Mordeu-me – disse ele, mostrando-lhes a mão embrulhada num lenço ensanguentado."

Hermione reprimiu um grito e levou as mãos à boca.

-Meu Deus! Estás bem, Ron? Precisas de ir à enfermaria! – disse ela, preocupada.

-Estás doida? Realmente era muito interessante, eu chegava lá e dizia à Madame Pomfrey que tinha sido mordido por um dragão, não é Hermione? Era lindo, não era? – retorquiu ele, feliz, mas assustado pela repentina preocupação de Hermione, o que o fez responder amargamente.

-Ah. Claro. Tens razão. – respondeu ela, baixinho, baixando a cabeça.

Ao fim de alguns minutos em que ninguém disse nada, Ron chamou-a bem baixinho.

-Hermione? De qualquer maneira, obrigado.

-Oh, de nada Ron. Mas não achas que devias ver essa ferida? Eu não sei muitos feitiços desse tipo, mas posso investigar se quiseres. – ela estava mesmo preocupada, a ferida tinha um aspecto muito feio.

-Hermione, relaxa, isto não é nada, sim? – permitiu-se a um sorriso singelo.

-Ok, tu é que sabes. Mas se quiseres, podes pedir-me ajuda.

Entretanto, Hedwig chegara com a resposta de Charlie.

"Na manhã seguinte a mão de Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro do tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar a Madame Pomfrey (…).

Mas, de tarde, não teve mesmo outra alternativa. A ferida tornara-se esverdeada como se os dentes do Norbert fossem venenosos.

Harry e Hermione correram até à ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama, num estado lastimoso."

Oh Meu Deus, Ron!, pensou Hermione, que ideia idiota do Hagrid, ele vai ouvir-me por ter trazido o dragão para cá, ai vai, vai! Ela não aguentou e correu desde a porta até à cama de Ron, deixando Harry para trás.

-Ron! Como estás? – perguntou ela, analisando a mão dele.

"-Não é só a mão – murmurou – Embora me doa tanto como se fosse ficar sem ela."

Hermione engoliu em seco e teve de fazer um esforço gigante para conseguir ouvir o que ele dizia sobre o Malfoy ter ido lá gozar com ele e sobre ele ter o livro que tinha a carta de Charlie e que poderia descobrir tudo. Mas, para dizer a verdade, ela não estava nem aí para o Malfoy, o Ron não parecia nada bem.

"-Vai estar tudo acabado no sábado à meia-noite." Ela esperava que aquilo fosse o suficiente para fazê-lo sentir-se melhor. Mas não foi. E ela não sabia o que fazer para ele deixar de se preocupar com coisas idiotas e descansar, para se curar rapidamente. Estava prestes a dizer-lhe isso mesmo, quando a Madame Pomfrey foi ter com eles e lhes disse que tinham de sair.

-Mas, Madame Pomfrey, não podemos ficar um pouco mais com ele? – tentou Hermione.

-Não, Miss Granger, a menina vai ter mesmo de sair. Vem ver o seu amigo depois, sim?

Hermione assentiu com a cabeça lentamente.

-Adeus Ron, voltamos logo à noite, ok? As melhoras! – sorriu-lhe Hermione.

-Põe-te bom mano, sim? Até logo! – despediu-se Harry.

Hermione saiu, pensando na bronca que tinha de dar a Hagrid!

-XXX-

"-Pára de repetir o nome dele! – gritou o Ron, já aborrecido."

Porque é que Harry dizia o nome do Quem-Nós-Sabemos como se estivesse a dizer o meu nome ou o de Hermione?

"-Portanto, o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra – prosseguiu Harry nervosamente – depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente.

Hermione tinha um ar assustado mas teve, como sempre, uma palavra de consolo.

-Harry, toda a gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o Quem-Nós-Sabemos teve sempre medo. Enquanto estiveres perto do Dumbledore, o Quem-Nós-Sabemos não tocará num cabelo teu."

Ron olhara para Hermione assim que ela disse, ou melhor, não disse o nome dele. Ele tinha a certeza que ela ia dizê-lo só para o chatear, mas não, ela escolheu as palavras a dedo e ele notou o cuidado que ela teve para não pronunciar o nome do pior bruxo do mal que o mundo alguma vez teve conhecimento. E, por isso mesmo, olhou para ela com um "Obrigado" mudo, que ela soube imediatamente interpretar. Assim, Hermione sorriu para Ron, com um "De nada" escondido.

Este capítulo foi um conjunto de momentos que nos livros me pareceram banais demais e decidi dar um toque pessoal, espero que tenham gostado! Deixem review, please!