Ron&Hermione, Uma História
"Harry Potter e a Pedra Filosofal"
Capítulo IX – O Jogo de Xadrez
Ela sabia, quando viu aquele jogo de xadrez gigante, que aquilo não ia correr bem, que alguma coisa iria acontecer. E estava certa. Aliás, como sempre.
"Sim… - disse o Ron calmamente – É a única maneira. Eu tenho de ser tomado.
-NÃO! – gritaram Harry e Hermione."
Ela não podia estar a ouvir bem. Ser tomado? Como assim? Ela não estava a perceber nada. Não conseguia pensar. Mas o tom demasiado calmo de Ron fê-la ter medo da certeza de que lhe ia acontecer alguma coisa.
"-É o xadrez! – interrompeu o Ron – Há que fazer alguns sacrifícios! Eu dou um passo em frente e ela toma-me – isso permite-te fazer xeque-mate ao rei, Harry.
-Mas…
-Queres travar o Snape ou não?
-Ron…
-Tens de apressar-te, olha que ele pode até já ter a pedra!"
Ok, não havia nada que ela pudesse dizer ou fazer, ele estava mais do que decidido. Tentou uma última vez, sabendo de antemão a resposta.
-Ron, tem de haver outra maneira. Qualquer uma! Uma que não te magoe!
-Hermione, eu vou ficar bem, não te preocupes comigo! Agora vá, vamos!
"Prontos? – perguntou o Ron, pálido mas determinado. (…)
Ele deu um passo e a rainha branca atacou-o, dando-lhe uma forte pancada na cabeça com o seu braço de pedra e atirando-o ao chão. Hermione soltou um grito mas manteve-se no respectivo quadrado." Mas a sua real vontade era mandar o jogo, o Snape e a pedra para o ar e ir a correr ver como estava o Ron. Teve de se concentrar bastante e ver o Harry fazer xeque-mate.
"-E se ele…?" Ela não podia, nem conseguia, terminar a frase. Ela estava em pânico.
"-Ele fica bem – disse o Harry, tentando convencer-se a si próprio"
Ele fica bem? Ela ouviu bem? O Harry acabou mesmo de dizer isso? O Ron acabou de se sacrificar por ele e a única coisa que ele diz é que o Ron vai ficar bem? O Ron está desmaiado e ela estava em completo pânico. Contudo, ela sabia que tinha de continuar, por isso, inspirou o mais fundo que conseguiu e continuou ao lado de Harry.
Teve de se concentrar ainda mais quando viu que o último obstáculo era um quebra-cabeças e ela tinha de pôr a sua lógica a funcionar. Pensando em Ron e que quanto mais depressa decifrasse o enigma mais depressa ia ver se ele estava bem, conseguiu fazê-lo, batendo palmas. Olhou para Harry com um sorriso, mas vendo a sua expressão, este desapareceu.
"O lábio de Hermione tremeu e num repente lançou-se sobre ele e abraçou-o.
-Hermione!
-Harry, tu és um grande feiticeiro.
-Não tão bom como tu.
-Eu! Livros e esperteza! Há coisas mais importantes: amizade, coragem e… oh! Harry, tem cuidado!"
Ela olhou para o amigo uma última vez antes de beber a sua poção, para voltar para ao pé de Ron. Viu o medo que também estava reflectido no olhar de Harry. Sorriu-lhe uma última vez, tomou a poção e voltou para trás. Correu como nunca se lembrou de ter feito e só parou quando se lançou sobre Ron, que continuava desacordado.
Um medo inexplicável assomou-a. Devagar, levou a mão ao lado esquerdo do peito de Ron e, com um grande alívio, sentiu o seu coração bater. Deixou as lágrimas correrem-lhe, enquanto o chamava baixinho, para não o assustar quando acordasse.
Ron foi acordando lentamente e ela teve de se segurar para não o abraçar bem forte. Viu-o abrir os olhos com custo. Viu-o fazer uma expressão confusa ao vê-la ali. E viu-a mudar para uma expressão preocupada quando ele reparou que ela estava a chorar.
-Hermione! – exclamou ele, sentando-se – Estás bem? O que se passou? É o Harry…? – perguntou ele, pensando que o pior acontecera.
-Eu… Tu… - inspirou fundo – O Harry teve de avançar sozinho, só um podia ir. Eu voltei. Eu pensei que tu estavas… Tu sabes. Mas depois o teu coração batia. E eu fiquei aliviada. Eu pensei que… Ai, Ron! Ainda bem que não te aconteceu nada!
Ela dizia tudo muito rápido e Ron teve muita dificuldade em assimilar tudo.
-Hermione, pára de chorar, por favor. Olha para mim. – ela o fez – Eu estou bem, vês? – sorriu-lhe – O Harry também está, eu sei. Ele é forte e corajoso como ninguém, ele vai voltar são e salvo com a pedra, vais ver! – ela permitiu-se sorrir – E tu também estás bem! – parou por um momento, analisando-a – Não estás, Hermione?
-Sim, eu estou bem. Mas não te devias preocupar comigo agora, afinal não fui eu que dei uma queda enorme e que fiquei desmaiada até agora! Estás mesmo bem?
-Sim, Hermione, calma! Só me dói um bocado a perna, mas de resto estou óptimo!
-Dói? Temos de ir já à enfermaria! E temos de avisar o Dumbledore!
-Sim, claro, tens razão, vamos!
Quando Ron se levantou e começou a andar para a saída, reparou que Hermione continuava parada, a olhar para ele.
-Hermione?
-Ron, eu só quero que saibas que aquilo que fizeste foi de uma coragem incrível.
Ron corou furiosamente e, virando-se de novo para a saída, respondeu:
-Obrigado, Hermione! Agora, vá, vamos sair daqui!
Esperou que ela o alcançasse e, juntos, saíram dali. Hermione foi levar o Ron à enfermaria.
-Eu volto já, prometo. Não saias daqui.
-Bem, Hermione, não é que eu tenha grande maneira de sair daqui, mas… Vá, vai lá!
Hermione despachou-se a escrever uma carta rápida ao Professor Dumbledore, avisando-o dos perigos que Harry estava a correr. Mandou-a por uma coruja da escola e correu até à enfermaria, onde ficou sentada num banco a ver a Madame Pomfrey dar umas poções a Ron para lhe aliviar as dores. Quando ela acabou, deixou que Hermione ficasse ali com Ron. Eles ficaram a conversar sobre o que estaria a acontecer entre Harry e Snape.
-Tens a certeza que ele está bem? O Snape não é de confiança, nós não sabemos o que ele pode fazer ao Harry…
-Hermione, tem calma. – dizia-lhe Ron, embora também ele começasse a ficar deveras preocupado, agora que já se tinha passado quase uma hora sem noticias e ali fechados. – Ele está bem, afinal ele é o Harry Potter. E além disso, nós avisámos do Dumbledore.
-Eu sei, mas… E se…
-Não digas isso.
-Mas eu nem… – tentou argumentar Hermione.
-Eu sei o que ias dizer. Não o digas, o Harry vai voltar são e salvo.
Os dois calaram-se e outra hora passou.
No fim do dia, Madame Pomfrey apareceu, dizendo a Ron que ele já podia sair, desde que tomasse todas as poções que lhe recomendara. Ron, aliviadíssimo, respondeu que não se preocupasse e saiu da enfermaria com Hermione. Foram para a Sala Comum, mas nada. Foram ao Salão Principal, nada. Nada de Harry, nada de Dumbledore, nada de Snape. Hermione olhou para a mesa dos professores e reparou que faltava mais alguém para além deles. E foi então que percebeu quem faltava. Chamou o Ron e disse-lhe:
-Olha para a mesa dos professores, o Professor Quirrell também não está lá.
-Achas que o Dumbledore lhe pediu para ir com ele salvar o Harry do Snape? – perguntou Ron, enquanto se sentavam lado a lado, tirando alguma comida que nem mesmo Ron tinha vontade de comer.
-Não sei, ele é o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, mas… Eu não sei.
-Vá, não te preocupes, deve ser só isso!
-Ok, agora é melhor comermos alguma coisa.
-Não me apetece, Hermione, tenho um nó na garganta.
Ronald Weasley não tinha fome, só podia estar doente. Mas ela percebia-o, também não tinha fome nenhuma, estava demasiado preocupada. O Harry podia estar… Parou por ali, não queria pensar nessa hipótese!
-Hermione? – chamou-a Ron, mas ela não respondia. – Hermione? – tentou ele mais alto e abanando-a.
-Ai, Ron, o que foi?
-Olha para a porta!
Lá estava Dumbledore, olhando fixamente para eles os dois, que se levantaram e correram até ele.
-Professor? Recebeu a minha coruja? Onde está o Harry? Ele está bem? – perguntava Hermione.
-Professor, o Harry está bem, não está? Era o Snape, não era? Nós sabíamos! Onde ele está? – perguntava Ron ao mesmo tempo.
-Calma, meninos! Vamos para o meu gabinete.
Quando lá chegaram, as perguntas voltaram, atropelando-se.
-Calma, eu explico tudo! Primeiro, não, Srta Granger, não recebia a sua coruja, devemos ter-nos desencontrado, mas assim que cheguei aqui percebi o que se estava a passar. Quanto ao professor Snape, ele não teve nada a ver com o que se passou, foi o professor Quirrell.
-O QUÊ? – perguntaram, assombrados, ao mesmo tempo.
-Por isso é que ele não estava na mesa ao jantar! – disse Ron, voltando-se para Hermione.
-O professor Snape também não. – disse Hermione, voltando-se de Ron para Dumbledore.
-O Professor Snape esteve a ajudar-me.
-E o Harry? – perguntaram eles de novo.
- O Harry está bem, está a descansar. É preferível não ser incomodado, está a precisar de recuperar. Ele depois conta-vos tudo.
-Mas…
-É melhor para ele. – respondeu Dumbledore com um tom que indicou que aquela conversa estava encerrada por ali.
Mas aquele dia passou e eles não tiveram nenhuma noticia de Harry. No dia seguinte, foram até à enfermaria, mas a Madame Pomfrey disse-lhes que Harry ainda não tinha acordado e expulsou-os de lá, sem que eles conseguissem ver o amigo. Passaram todo o dia extremamente preocupados. À noite, nenhum conseguia dormir, adormecendo já o sol estava quase a raiar.
No fim do pequeno-almoço, em que Hermione nem tocou na comida e Ron comeu apenas uma torrada, eles viram o Professor Dumbledore entrar no Salão e dirigir-se para a mesa dos professores. Hermione passou o tempo todo a olhar para ele, na esperança de que o professor lhe desse algum sinal de que Harry estava bem, o que acabou por acontecer no fim do pequeno-almoço, quando Dumbledore pousou o seu cálice. Ele virou o rosto na direcção de Hermione e sorriu, fazendo um ligeiro aceno positivo com a cabeça. Hermione arregalou os olhos, Dumbledore piscou-lhe o olho e ela sorriu, entendendo tudo.
-Ron! – chamou-o ela, sorrindo.
-O que se passa?
-O Harry! Ele está bem!
-Hermione, estás bem? – perguntou ele, com um olhar duvidoso.
-Não sejas estúpido!
-Isso, insulta-me! Olha lá, tu é que não estás a bater bem da cabeça! – disse ele, começando a irritar-se.
-Agora tu é que me estás a insultar! E sem razão nenhuma! Eu estou a dizer-te, o Harry está bem! O Professor Dumbledore acabou de mo dizer!
-Hermione, a sério, a ver se nós nos entendemos, tu não saíste daqui e o Dumbledore não veio aqui falar connosco, sim?
-Ai Ron, às vezes és tão lento! Eu olhei para a mesa dos professores e ele sorriu-me, fazendo que sim com a cabeça! O Harry está bem!
-Oh! Mas então o que nós ainda estamos aqui a fazer? Vamos! – dito isto, levantaram-se os dois e saíram disparados em direcção à enfermaria.
Contudo, quando chegaram, a Madame Pomfrey não os deixou entrar. Eles estavam prestes a fazer um escândalo, quando o Professor Dumbledore apareceu, dizendo-lhes que ia falar com Harry. Isto deixou-os extremamente irritados. Cerca de meia hora depois, em que Ron se sentara no chão e Hermione andava de um lado para o outro, ambos muito irritados, Dumbledore saiu, dizendo-lhes para entrarem. Eles olharam um para o outro e, sem mais uma palavra, entraram na enfermaria. Hermione, assim que viu o seu amigo são e salvo, sentiu uma vontade enorme de o abraçar, mas decidiu controlar-se, visto ele ainda aparentar estar muito debilitado.
Eles ouviram atentamente o relato de Harry sobre tudo o que havia acontecido com o Professor Quirrell, entusiasmando-se "sempre nos momentos certos".
Cerca de quinze minutos depois, Madame Pomfrey expulsou-os de lá. Assim que saíram, Hermione voltou-se para Ron e sorriu-lhe.
-Ficou tudo bem, Ron. Estamos todos bem!
-Que o diga o Quirrell! – brincou Ron, sorrindo também.
-Realmente, eu sempre pensei que fosse o Snape, mas afinal ele estava só a proteger o Harry! O Quirrell é que era o culpado de tudo! E o Vo-
-Hermione! – gritou Ron, assustando-a. Mas voltando a diminuir o tom de voz – Não digas o nome dele.
-Oh, desculpa! Bem, vamos para a sala comum?
Quando Harry saiu da enfermaria, Ron e Hermione já estavam no Salão, onde se iria realizar a festa de final de ano e uma das equipas ganharia a Taça.
"-Mais um ano que passou! – disse Dumbledore, alegremente. – E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho, antes de poderem ferrar o dente neste banquete delicioso. (…) Contudo, sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes. (…) Tenho mais alguns pontos para conceder. Vejamos… Primeiro, a Ronald Weasley…"
Ron não sabia o que havia de fazer ou dizer, corando furiosamente e remetendo-se ao silêncio, sentindo o olhar de cada um dos presentes pousado em si.
Hermione olhou automaticamente para Ron, a tempo de o ver tomar a tonalidade dos seus cabelos. Por alguma razão inexplicável, estava muito orgulhosa dele. Não tirando os olhos dele, ouviu Dumbledore dizer "Pelo jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde há muitos anos em Hogwarts, concedo aos Gryffindor cinquenta pontos."
Ele nunca soube, mas ela foi a primeira a começar a bater palmas, pois ela sentia exactamente isso, ele jogara aquele jogo de xadrez com uma inteligência, audácia e coragem impressionantes!
"-Segundo, a Hermione Granger, pelo uso da lógica fria entre dois fogos, concedo à equipa dos Gryffindor cinquenta pontos."
Ela também nunca soube, pois "enterrou a cabeça nos braços", mas ele fora a primeira pessoa a começar a bater palmas, porque ele sabia que ela tinha uma inteligência espectacular. Sim, ele estava orgulhoso, embora não soubesse dizer porquê, mas, ali, olhando para ela, corada até à raiz dos cabelos, ele não se preocupou em procurar a explicação.
-XXX-
"-Tens de vir passar uns dias connosco no Verão -, disse o Ron. – Vocês os dois – eu mando-vos uma coruja".
Ela ouviu Harry agradecer, mas sentia-se estranha e inexplicavelmente feliz com a ideia de passar uns dias com os amigos na casa de Ron. Quando ele olhou para ela à procura de uma resposta, ela limitou-se a sorrir-lhe e a acenar afirmativamente com a cabeça.
E o primeiro ano do trio em Hogwarts terminou, assim como a sequência de missing moments do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mas ainda há muito mais para contar sobre o par mais perfeito de sempre! Porque a nossa querida JK deixou-nos sete livros lindos, mágicos, especiais e únicos para lermos, relermos, viajarmos, deixarmo-nos enfeitiçar e, também, para sonharmos e imaginarmos tudo o que ela deixou suspenso, livre para cada um de nós dar asas à sua imaginação!
Gostaram? Eu espero mesmo que sim, porque eu estou a amar escrever esta long! Deixem review, façam o meu dia valer a pena! Obrigada!
