Ron&Hermione, Uma História

"Harry Potter e a Câmara dos Segredos"

Capítulo I – O reencontro

Já havia passado duas semanas desde que eles estavam de férias. Hermione não se cansava de contar tudo o que acontecera aos pais. Contudo, omitiu as partes mais perigosas e que a envolviam em perigos. Mas contou de como conhecera Harry, o único que alguma vez sobrevivera ao Quem-Nós-Sabemos e que agora era seu amigo.

-Amigo, pai, ouviste? – ela disse, pela enésima vez. – O Harry Potter é meu amigo. – o olhar dela brilhava.

Contou-lhes como conhecera Ron, também. Disse-lhes que, primeiro, o odiou e achou-o desprezível. Mas depois, disse-lhes que ele e Harry a tinham salvado.

-E então, o troll estava a vir na minha direcção e o Ron, bem, ele lembrou-se como se fazia o feitiço correctamente e, então, ele acertou com a moca do troll na cabeça do mesmo e, bem… Ele salvou-me a vida! – Hermione sorria e os pais olhavam-na, com um misto de preocupação e felicidade.

Ela disse-lhes de que eles tiveram de ajudar a escola, mas não lhes contou que um professor era, afinal, cúmplice do maior feiticeiro negro que alguma vez existiu. Eles podiam não a deixar voltar e ela jamais deixaria que isso acontecesse!

-Bem, e então o Ron teve de jogar aquele jogo de xadrez. Eu não sabia o que fazer, confesso, nem Harry, mas ele é um génio no xadrez, só queria que vissem! Ele soube como ganhar e o professor Dumbledore, lembram-se dele?, disse que era muito complicado um aluno, ainda por cima do primeiro ano, conseguir ganhar o jogo que a própria professora McGonagall planeara.

-Oh, então o teu amigo é muito bom nisso, não é? – perguntou a mãe, estudando a reacção da filha, que corou ligeiramente e respondeu com um sorriso:

-Sim, ele é.

Ela também lhes contou que receberam pontos cruciais para serem a equipa vencedora, o que já não acontecia há muito tempo!

Falou-lhes no Hagrid e em como ele gostava de criaturas.

-Oh! Mas isso não é perigoso, filha? – exclamou o pai, preocupado.

-Pai, o Hagrid é a pessoa mais inofensiva que eu alguma vez conheci. Para ele, está sempre tudo bem e só nos quer ver bem. Ele é um grande amigo! Adora o Harry e ninguém lhe toca num fio de cabelo sem passar por ele primeiro! E olha que é difícil! – ela riu, lembrando-se do tamanho de Hagrid e em como era realmente difícil passar por ele.

E, por fim, contou tudo o que aprendera nas aulas.

-Ah, é verdade! O Ron convidou-me, a mim e ao Harry, para passarmos uns dias na casa dele. Acham que posso ir?

-Oh filha… Passaste um ano longe, nós queremos estar contigo. Estiveste com os teus amigos tanto tempo… - disse o pai, triste com a ideia de que a sua única filha se fosse embora outra vez.

-Oh, claro, pai! Nós estávamos mais a pensar lá para o fim das férias. Uns dias antes de começarem as aulas.

-Ah, sim, depois vemos isso! – disse a mãe, com um pressentimento de que aquela não seria a última vez que ouviria aquele pedido.

Hermione olhou para os pais e sorriu-lhes. Não sabia porquê, mas uma saudade enorme dos amigos assomou-a por completo. Eles tinham passado um ano inteiro juntos, embora com discussões e palavras amargas, mas mesmo assim, sempre que algum realmente precisava, os outros estavam logo lá. Ela nunca sentira algo assim, que alguém se preocupava com ela e não apenas que ela pudesse ser uma ajuda ideal para copiar nos testes. Se bem que o Ron… Ela sorriu com o pensamento. Era verdade que Ron adorava poder copiar por ela nos trabalhos de casa, mas ele salvara-lhe a vida. E isso era algo que poucos fariam.

Os primeiros dias para Ron passaram muito depressa. Contou aos pais tudo o que aconteceu no ano inteiro.

-E ainda ganhei cinquenta pontos aos Gryffindor! – disse ele, sem esconder o orgulho que sentia por ter sido útil.

-É verdade, aqui o Roniquinho foi um herói! – disse Fred.

-Sim, salvou o dia! – completou George.

Os gémeos olharam um para o outro, agarraram Ron e puseram-no em cima dos seus ombros, fazendo-o rir.

Ron nunca fora o centro das atenções como naquele dia. Os pais felicitavam-no, notoriamente orgulhosos dele, Ginny olhava-o com admiração e respeito, os gémeos brincavam com ele e, por uns dias, deixaram de o chatear, Charlie e Bill enviaram-lhe cartas a congratulá-lo pelo que fez pela escola, até Percy lhe disse que agora ele já era digno de ser seu irmão. Apesar do tom superior com que o disse, Ron percebeu que ele estava feliz.

Contudo, à medida que o tempo passava, a emoção inicial, embora não completamente esquecida, estava mais controlada. Os pais já não passavam a vida a dizer-lhe como ele fora corajoso e valente, os gémeos começavam a pregar-lhe partidas outra vez e Ginny já não estava constantemente a pedir-lhe que lhe contasse como tinha sido lutar contra um troll, nem que técnica ele usara no jogo de xadrez.

Ron começou a sentir saudades dos amigos e da escola. Não necessariamente das aulas, isso ele dispensava bem. Mas sentia saudades das conversas com Harry antes de adormecer, das aventuras que viviam, até das discussões com Hermione ele sentia falta.

Entretanto, as férias passaram e faltavam apenas duas semanas para as aulas recomeçarem. Ron e Hermione não escondiam a felicidade.

Ron e os gémeos tiveram uma ideia. Uma ideia absurda, arriscada, mas que parecia ser a única que poderia tirar Harry de Privet Drive. Ron não tinha a certeza de que estavam a fazer a melhor solução, então fez a coisa que achou mais sensata no momento. Pegou num pergaminho e numa pena e começou a escrever.

Hermione,

Como estão a correr as férias? As minhas estão a correr bem, ao contrário das do Harry, que continua fechado com os Dursleys. Os gémeos tiveram uma ideia para o ir buscar. Acho arriscado demais, mas talvez seja a única possível. Nós vamos amanhã à noite buscá-lo com o carro do meu pai. O carro é mágico, claro, e voa. Sim, Hermione, não te passes, mas nós vamos mesmo a voar até Privet Drive. Não te preocupes, ninguém nos vai ver, o Fred assegurou-me que sabe conduzir aquilo. Espero que sim, sinceramente. Bem, queria contar-te o que ia fazer. Olha, falaste com os teus sobre vires uns dias aqui à Toca?

Beijos,

Ron.

Ron e os gémeos foram buscar Harry a casa dos tios. Não foi fácil, principalmente a parte em que teve de ouvir o sermão da Sra Weasley, mas valeu a pena, agora tinha o seu melhor amigo consigo.

Ron olhou para a cama ao lado da sua e viu o amigo dormir tranquilamente. Estava feliz, mas ainda faltava alguma coisa. E então percebeu. Eles não eram só os dois. Faltava uma peça essencial. Eles podiam discutir como cão e gato, mas ela era amiga deles. Suspirou, pensando que ela ainda não respondera. Mas podia ser da sua coruja, ela já era velha, na verdade.

No dia seguinte, a resposta finalmente apareceu.

"-Errol! – exclamou Ron, afastando a coruja do Percy e retirando-lhe debaixo da asa uma carta – Até que enfim, a resposta da Hermione."

Leu-a e escandalizou-se na parte em que ela lhe dissera que estava muito ocupada a estudar. Eles estavam de férias, por amor de Deus!

Ela perguntava-lhe se dava para se encontrarem na Diagon-al, pois ela iria lá comprar o novo material escolar. A Sra Weasley achou uma boa ideia e Ron foi escrever a resposta.

Hermione,

Primeiro, o Harry está bem. Correu tudo bem, não te preocupes.

Segundo, que raio de ideia é essa de andares a estudar? Caso não tenhas reparado, nós estamos de férias! Percebo que estejas com saudades de Hogwarts, eu também estou, mas não é preciso exagerar!

Terceiro, encontramo-nos na Diagon-al na quarta-feira! A mãe diz que aproveitamos e compramos todos os livros novos e essas coisas todas.

Beijos,

Ron.

Hermione pousou a carta em cima da mesa da cozinha, sentia-se dividida entre sorrir ou ralhar com o Ron. Como ele não estava ali, sorriu.

-O que foi, filha? – perguntou a mãe, levantando a sobrancelha.

-Ah, recebi a resposta do Ron. Combinámos encontrar-nos na quarta-feira.

-Ah, ainda bem. Já tens saudades dos teus amigos, não é?

-Muitas, mãe! Quero tanto ir para a escola! – mas, ao ver o olhar triste da mãe, emendou. – Claro que estar aqui com vocês é muito bom, também!

A mãe sorriu-lhe, mas Hermione sabia que era apenas para a fazer sentir-se melhor.

Hermione chegou a Diagon-al muito ansiosa, não parava quieta e calada um segundo que fosse. E foi quando viu Harry com o Hagrid.

"-Harry! Harry! Aqui!"

Correu até ele, deixando os pais para trás. Perguntou-lhe o que se passara com os seus óculos, cumprimentara Hagrid e olhou em volta, à procura de Ron, mas não o viu. Ia já perguntar onde ele estava, quando Hagrid apontou para o meio da multidão. E lá estava ele com a família. Que saudades, pensou ela.

O Ron chegou ao pé deles e começou logo a perguntar ao Harry onde ele se tinha metido. Nem um "olá" lhe dissera. No entanto, enquanto Molly analisava Harry, à procura de algum arranhão, ela levou um susto quando Ron lhe disse baixinho:

-Ainda bem que vieste.

-Eu disse que vinha, Ronald.

-Sim, eu sei. Mas tinha medo que te tivesses esquecido ou assim…

-Eu nunca me iria esquecer de que hoje ia voltar a ver-vos!

Ron sorriu-lhe, envergonhado, e ela sorriu de volta.

"-Vemo-nos em Hogwarts!" – eles ouviram Hagrid exclamar e voltaram a atenção para Harry, que lhes começou a contar que vira Malfoy no Borgin&Burkes.

Gostaram do primeiro capitulo da Câmara dos Segredos? Espero que sim, porque eu estou a adorar escrever! Deixem review a dizer o que acham, sim? Obrigada por todo o apoio que me têm dado, é muito importante para mim!

Obrigada!