Ron&Hermione, Uma História
"Harry Potter e a Câmara dos Segredos"
Capítulo III – Come lesmas!
Hermione viu os colegas levantarem-se e começarem a sair do Salão para as respectivas Salas Comuns. Viu, também, a professora McGonagall sair com um ar severo e preocupado. Contudo, ela não fez um movimento que fosse para se levantar. Ela ainda tinha aquela secreta esperança de que Harry e Ron aparecessem. O Salão depressa ficou praticamente vazio e, ao ver Filch começar a varrer o chão, achou que era melhor ir-se embora. Era claro como água que os amigos não iam voltar.
Andou lentamente até à Sala Comum, pensando no que iria fazer sem eles. Mas, quando lá chegou, o seu coração começou a bater completamente descontrolado. Um sorriso nasceu no seu rosto involuntariamente e ela desatou a correr apressadamente. Harry e Ron estavam parados à porta do retrato da Dama Gorda.
"-Aí estão vocês. Onde é que se meteram?" – perguntou Hermione, tentando repreendê-los, mas a verdade é que estava feliz e muito aliviada. Contudo, quando soube que eles tinham, mesmo, voado até ali, repreendeu-os "num tom quase tão severo como a Professora McGonagall".
"-Dispensa-se o sermão – interrompeu Ron impacientemente. – E diz-nos a nova senha de passagem."
Hermione achou indecente que ele a tratasse assim! Ela tinha estado mais preocupada do que nunca, chegou a pensar que eles estavam em perigo, e ele retribui assim? Irritada, disse a senha e uma "tempestade de aplausos" fez-se ouvir de dentro da sala.
Os alunos dos Gryffindor estavam entusiasmados, excitados e ansiosos por saber a história toda sobre o carro voador. Harry e Ron foram puxados pela multidão e Hermione ficou sozinha, olhando para eles e negando com a cabeça. Incrível, como gostavam tanto de ter as atenções só para si. Uma parte de si podia estar chateada e aborrecida com aquela situação toda, mas outra parte estava, indiscutivelmente, aliviada.
Pouco tempo depois, Harry aproximou-se dela e despediu-se, mas Hermione nem se deu ao trabalho de responder. Lançou um olhar às escadas e pôde ver Ron à espera de Harry. Sentou-se numa poltrona e viu Harry ir embora.
Na manhã seguinte, Harry e Ron foram encontrar Hermione na mesa do pequeno-almoço a ler um grande livro. Sentaram-se e cumprimentaram-na, recebendo um "bom dia" quase indiferente. Ron olhou para ela, mas Hermione não se mexeu nem lhe dirigiu o olhar, encolheu os ombros e ia começar a comer, quando "uma coisa larga e cinzenta caiu no jarro de Hermione, enchendo-os a todos de leite e penas."
Hermione soltou um gritinho assustado, enquanto Ron exclamava "Errol!".
Hermione ainda sacudia as penas de cima de si, quando ouviu Ron exclamar, numa voz muit esganiçada "Oh, não!".
Ela levou a mão à coruja e constatou que estava viva, pelo que decidiu tranquilizá-lo:
"-Ela está bem, ainda está viva".
Mas Ron continuava pálido e parecia estar a começar a entrar em pânico.
"-Não é isso, é…. Aquilo."
E, a partir daí, aconteceu tudo muito rápido. Mrs Weasley tinha mandado um Gritador a Ron. Gritos ensurdecedores envolveram o Salão e as atenções de todos estavam viradas para Ron.
Hermione arriscou um olhar a Ron. Ele estava tão pálido que quase se podia ver através dele. O corpo tremia e os olhos estavam arregalados. Hermione teve pena dele, afinal também não era preciso a mãe ter-lhe dito todas aquelas coisas horríveis. Mas, por outro lado, ela achava que eles os dois mereciam uma reprimenda, pois aquilo tinha sido deveras perigoso. Felizmente, tinha corrido tudo bem, mas as coisas podiam não ter sido bem assim.
Assim, no fim dos gritos se silenciarem e as pessoas terem voltado as suas atenções novamente para os pratos à sua frente, Hermione disse-lhe, num tom baixo:
"-Bem, não sei o que esperavas, Ron, mas tu…
-Não me venhas dizer que mereci"
Hermione percebeu que ele sentia culpa por aquilo que fez. Ela via claramente que o "momento de glória" tinha acabado e, agora, ele se sentia imensamente culpado. Afinal, era o cargo do pai do Ministério que estava em causa.
-Não era isso que eu queria dizer… Mas vocês puseram muita coisa em causa…
-Eu sei, Hermione, ok? Sei perfeitamente que se o meu pai perder este emprego a culpa vai ser exclusivamente minha.
-E não é só isso, Ron, vocês podiam… ter-se magoado a sério.
Ron olhou para ela. Será que ela se tinha preocupado, quando não os viu no comboio ou será que nem sequer tinha reparado na ausência deles? Se calhar ela pensou que eles estavam noutra cabine ou então nem sequer pensou neles. Mas e depois no almoço de boas-vindas, será que nem aí ela tinha reparado? É óbvio que tinha reparado, afinal ela era Hermione Granger. Contudo, ela podia não querer saber.
Ron estava prestes a perguntar-lhe se tinha ficado mesmo preocupada com eles, quando viu Harry e Hermione levantarem-se e chamá-lo.
-XXX-
Durante a hora de almoço, Harry perguntou que aula iriam ter a seguir e, sem surpresa nenhuma, obteve uma resposta pronta de Hermione.
"-Defesa Contra as Artes Negras."
Ron, que tinha agarrado no horário dela para ver as aulas que ainda teriam nesse dia, ficou ligeiramente corado. Não sabia porque se estava a sentir tão enervado, mas teve de perguntar, cuspindo as palavras:
"-Porque é que tu… desenhaste corações em volta das aulas do Lockhart?
Hermione arrancou-lhe o horário das mãos, corando furiosamente."
Ron ficou a pensar naquilo durante a hora de almoço. Porque seria que ela não lhe respondera? Corações… Porquê corações? Teria alguma coisa a ver com a matéria? Descartou imediatamente essa ideia, afinal, era a aula de Defesa Contra as Artes Negras. A resposta óbvia martelava-lhe na cabeça, mas ele não a queria aceitar. Quer dizer, estamos a falar da Hermione Granger, não de outra rapariga qualquer. Ron não conseguia acreditar que ela pudesse… Não! Claro que não, era totalmente impossível.
Abanando a cabeça, olhou para Hermione, que estava completamente embevecida a ler um dos muitos livros que aquele professor escrevera.
Ron não sabia explicar a razão, mas não gostava nem um bocado dele. A primeira aula com ele iria ser a seguir, mas ele sabia que não ia gostar.
E Ron não podia estar mais certo. Mal chegaram à aula, Lockhart pô-los a responder a um questionário com cinquenta e quatro perguntas sobre si próprio. Como é óbvio, ninguém sabia responder nada, a não ser, claro está, Hermione.
Quando o professor a congratulou e deu dez pontos aos Gryffindor por ela saber qual era a sua "ambição secreta", Ron começou a ficar furioso. Uma fúria que ele não sabia de onde vinha, mas de cada vez que olhava para Hermione e a via com um sorriso encantado a olhar para aquela amostra de professor, o sangue subia-lhe todo ao rosto. Ele não gostava nada daquela situação. Olhou para Harry, esperando vê-lo também irritado com tudo aquilo, mas este parecia nem reparar. Tudo bem, pensou Ron, ele preocupava-se com Hermione mais do que Harry, mas era sempre a ele que ela deixava copiar os trabalhos!
-XXX-
Os dias passaram e cada vez mais, eles estavam atulhados em trabalhos e pesquisas para as mais diversas aulas.
Ron e Hermione tinham ido ver um dos treinos da equipa de Quidditch dos Gryffindor. Tinham-se sentado num banco e faziam um trabalho qualquer enquanto esperavam que começasse.
Contudo, uma confusão começou a gerar-se no campo e "Ron e Hermione atravessaram o relvado para ver o que se passava".
Viram Malfoy no meio da equipa de dos Slytherin e aquilo não lhes pareceu nada bem. As suas desconfianças foram confirmadas quando ele disse que tinha entrado para a equipa e que o pai tinha comprado sete vassouras, do melhor que havia no mercado.
Ron ficou a olhar estupefacto para as vassouras e Hermione olhava para Malfoy como quem não quer acreditar numa lata tão grande.
"-Pelo menos nos Gryffindor ninguém teve de comprar a sua admissão – disse secamente Hermione – Entraram todos por mérito próprio.
-Ninguém pediu a tua opinião, Sangue de Lama. – cuspiu Malfoy.
-Como te atreves? – E Ron meteu a mão na sua roupa e sacou da varinha mágica, gritando: - Vais pagar pelo que disseste, Malfoy!"
E, com um olhar de ódio, gritou:
-Come lesmas!
Um jacto de luz saiu da varinha de Ron, mas em vez de atingir Malfoy, Ron foi projectado para trás.
Hermione soltou um grito de susto e correu o mais depressa que pôde até Ron, ajoelhando-se ao seu lado, com um olhar aflito no rosto.
"-Ron! Ron! Estás bem?"
Ele olhou para ela e não conseguiu responder, pois algo lhe atravessou a garganta " e várias lesmas saíram-lhe da boca, indo cair-lhe no colo."
Todos se afastaram, mas Hermione continuou a dar-lhe palmadinhas nas costas, sem saber bem o que fazer.
"-É melhor levá-lo para casa do Hagrid. É o local que fica mais perto. – disse Harry a Hermione, que acenou afirmativamente, e os dois arrastaram o Ron pelos braços."
Hermione estava a tentar controlar as lágrimas, à medida que o Ron vomitava cada vez mais lesmas. Queria ajudá-lo, mas não sabia como e isso deixava-a profundamente frustada.
Deixou Ron entregue aos cuidados de Hagrid, mas este não conseguia fazer muita coisa, também. O melhor que tinham a fazer era esperar.
Hermione ouviu Hagrid perguntar o que se tinha passado para o Ron estar naquele estado, mas ela não conseguiu responder nada, ainda estava em estado de choque.
"-O Malfoy chamou qualquer coisa à Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si." – respondeu Harry, que não estava a perceber a gravidade do insulto.
"-Foi grave, sim – disse Ron com voz rouca, emergindo sobre a superfície da mesa, pálido e transpirado. – O Malfoy chamou-lhe Sangue de Lama, Hagrid."
"-Não posso crer – exclamou, dirigindo-se a Hermione.
-Chamou sim – disse ela – Mas eu não sei o que significa. Percebi que era má educação, claro…
-É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar – explicou Ron novamente – Sangue de Lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles, sabes, filho de pais não mágicos. Há alguns feiticeiros, como a família do Malfoy, que acham que são melhores do que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro. É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma. Vejam, o Neville Longbottom é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito.
-E 'inda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer.
-É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém.
-Bem, não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá-lo, Ron. – disse Hagrid".
A conversa mudou de rumo, mas Hermione não o seguiu. Agora olhava Ron, que continuava a vomitar lesmas para um balde à sua frente, com um olhar orgulhoso. Ele tinha-a defendido, sem pensar nas consequência que podiam ter resultado caso o feitiço atingisse mesmo Malfoy e o pai viesse à escola. Na melhor das hipóteses, ele ficava de castigo por um mês inteiro. Sentiu-se emocionada e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Ele podia ser o maior chato que ela já conhecera, mas tinha tentado amaldiçoar Draco Malfoy por ela. Sorriu, feliz por ter um amigo como Ronald Weasley.
Gostaram do capitulo? Eu gostei muito de o escrever! Espero que tenham gostado de o ler, também! Deixam review? *.*
Muito obrigada por todo o apoio! Até ao próximo capitulo!
