No dia seguinte, reinava o silêncio nA' Toca.

Molly Weasley não chamou ninguém para tomar o pequeno almoço, apenas o preparou com ajuda de Hermione e depois dirigiu-se ao quarto com a desculpa que iria descansar, quando na verdade ia desfazer-se em lágrimas.

Coube então a tarefa a Hermione de os chamar.

Ao subir as escadas cruzou-se com Arthur Weasley, que estava com os olhos inchados e cheios de olheiras e iria ao Ministério ajudar a resolver a confusão que se tinha instalado. Desejou-lhe os bons-dias e dirigiu-se ao quarto de George.

Bateu a porta, dizendo que o pequeno-almoço estava pronto, mas a única coisa que se ouviu foi um ''deixem-me em paz''.

Hermione suspirou e dirigiu-se ao quarto seguinte que era o de Ginny. Bateu a porta e entrou devagar. Harry estava no quarto abraçado a Ginny, enquanto esta fungava baixinho.

- Desculpem – disse Hermione captando a atenção deles – Eu só vos vinha chamar para o pequeno-almoço.

- Não tenho fome. - disse Ginny

- Anda, Ginny, por favor... Tens de comer.

- Sim. O Harry tem razão, Ginny.

- Não quero! Não tenho fome! - berrou

- Anda, por favor. - implorou mais uma vez Harry – faz isso por mim.

Ginny olhou para ele durante uns segundos, levantou-se e rendida disse:

- OK, eu vou.

- Bem, eu vou chamar o Ron. - disse Hermione mais alegre por ver que Ginny ia comer alguma coisa.

Bateu a porta do quarto de Ron e ninguém respondeu. Voltou a bater mais uma vez e ninguém respondeu. Decidiu entrar.

Ron ainda estava a dormir. Hermione não sabia se o haveria de acordar ou não. Talvez o devesse deixar descansar. Mas ele ainda não tinha comido nada de jeito.

Hermione sentou-se na ponta da cama ainda em dúvida se o acordaria ou não, observando-o com atenção.

Passados uns minutos, Ron começou a esperguiçar-se.

Ele olhou para ela e arregalou os olhos com a surpresa.

- Hermione? O que é que estás aqui a fazer?

Ela corou ligeiramente e disse:

- Eu vinha chamar-te para tomar o pequeno-almoço, mas não sabia se haveria de te acordar ou não.

- Obrigado, mas não me apetece.

- Por favor, Ron. A Ginny e o Harry também vêm.

- E o George?

Hermione abanou a cabeça negativamente.

- E os meus pais?

- Também não. A Mrs Weasley está no quarto a descansar e o Mr Weasley saiu à pouco para o Ministério.

Ficaram em silêncio alguns momentos até Hermione dizer:

- Posso contar contigo para o pequeno-almoço, Ron? - e esboçou um sorriso esperançoso.

Ron olhou para ela e respondeu:

- Sim. Sim, podes. - e também ele esboçou um pequeno sorriso.

Hermione correu a abraça-lo.

- Obrigada, Ron!

Ron ficou mais vermelho que o seu próprio cabelo.

- Eu é que te agradeço. Por tudo.

- Não tens de agradecer. Bem, nós estamos à tua espera lá embaixo. - disse Hermione levantando-se com um sorriso.

- OK, despacho-me num instante.

Hermione fechou a porta do quarto de Ron e sentiu-se imensamente feliz por saber que Ron ia comer com eles.

Desceu as escadas com passo acelarado e dirigiu-se a cozinha onde Harry e Ginny já estavam sentados.

Ginny olhava fixamente para o prato. Harry olhava preocupado para ela. Ela de repente levantou a cabeça e olhou para Harry e em vez de gritar para ele parar com isso de olhar para ela, ela deu-lhe um beijo rápido nos lábios e pôs a cabeça no seu ombro, enquanto Harry lhe punha um braço a volta dos ombros.

Hermione sorriu. Era bom vê-los assim.

- Já podiam ter começado a comer.

- Nós decidimos esperar por vocês. - disse Harry mexendo no seu rebelde cabelo.

Hermione sentou-se e passado um minuto Ron desceu as escadas e entrou na cozinha sentando-se ao lado dela.

O pequeno-almoço foi silencioso. Apenas Harry e Hermione trocaram umas palavras sobre a comida. Ginny brincava com a comida, mas quando sentia que Harry olhava para ela, dava uma trinca no seu pão. E Ron parecia apreciar a janela.

- Ron, come alguma coisa. - disse Hermione

- Ah, sim. Eu como. - disse Ron que aparentemente se tinha esquecido de comer.

De repente ouviram um grande estrondo. Alguma coisa tinha batido na porta.

Hermione foi a correr ver o que poderia ser. Abriu a porta e deu de caras com a coruja da família Weasley, Errol, deitada no chão com o Daily Prophet no bico. Ron apareceu por trás de Hermione, suspirou e disse:

- Maldita coruja.

- Será que se magoou? - perguntou Hermione preocupada

- Não te preocupes, isto já é um hábito para ela.

A coruja levantou-se, deixando o jornal a porta de casa, e voou para a árvore mais próxima. Ron pegou no jornal e seguido por Hermione dirgiu-se à mesa.

Na capa a letras bem gordas vinha escrito:

Kingsley Shacklebolt, nomeado a Ministro da Magia temporariamente.

- Uau! - exclamou Hermione não escondendo a sua alegria – Ainda bem que foi o Kingsley nomeado! Não existia ninguém mais indicado para ocupar o lugar!

- Concordo. - disse Harry – Só não percebo porque que é nomeado ''temporariamente''. Ele deveria ser o Ministro fixo apartir de agora depois de toda a ajuda que prestou.

- Também acho. - concordou Hermione

Ginny levantou-se em silêncio e dirigiu-se para as escadas. Ficaram os dois a olhar um para o outro, sentindo-se mal devido ao facto de a terem deixado um pouco de parte enquanto falavam nestes assuntos.

- Eu trato disto. - disse Ron dirigindo-se à irmã – Ginny, deixa-me falar contigo.

Ginny parou no meio das escadas e olhou para Ron. Suspirou, foi ter com ele e saíram para a rua.

- O que é que queres, Ron ?

- Conversar contigo.

Estava bastante calor, o que fez com que os dois fossem para a sombra de uma árvore.

- Sobre o quê?

- Sobre o que se passou. - respirou fundo e começou a despejar – Ouve, Ginny, esta situação não está a ser nada fácil para ninguém. Eu quase que não aguento com tantas saudades que tenho do Fr... dele – prefiriu não pronunciar o seu nome- e sei que tu também nã nós temos de ajudar os pais neste momento difícil. E o George também. Ginny, tu és bastante forte e foram poucas às vezes que te vi chorar, por isso não te deixes cair na fraqueza. Não sejas fraco como eu muitas vezes fui, OK?

Ginny olhava para ele incrédula.

- Nunca pensei que te ouviria dizer uma coisa como essas.

Ron ficou também surpreendido com ele próprio. Não sabia de onde tinha vindo aquele discurso todo.

- Pois, bem … Não te habitues.

Ginny deu uma gargalhada. A primeira gargalhada que ele ouvia da boca dela desde que a Batalha tinha terminado.

- Ron, tu não és assim tão fraco. Aliás nunca o foste. Já viste tudo o que fizeste ao longo dos anos?

Ron olhou para o horizonte.

- E acredita, apesar de seres excessivamente protector e chato, tenho muita sorte em te ter. - Ron não acreditava nas palavras que tinham saído da boca da sua irmã. - e tens toda a razão. Eu vou ser forte. Eu vou parar de chorar. Vou parar de andar a fungar, e vou encarar a realidade. E vou ajudar quem mais precisa nesta hora difícil.

- Obrigada, Ginny. - disse Ron abraçando-a.

- Também não te habitues, OK?

Ron sorriu.

- Olha também tenho uma coisa para te contar, Ginny.

- O que foi?

- Eu daqui a uns dias vou com a Hermione à Austrália procurar os pais dela e preciso que tu e o Harry tomem conta das coisas por aqui.

- Claro que tomamos. - disse enquanto começavam a caminhar para A Toca. - Com que então o Won Won' zinho e a Hermione vão para a Austrália os dois sozinhos? - Ginny deu um certo enfase a palavra '' sozinhos ''.

- Cala a boca, Ginny. E pela tanga de Merlin não me chames ''Won Won '' .

Ginny explodiu em gargalhadas, uma gargalhada tão contagiante que fez que Ron também começasse a rir. E entraram assim , os dois n'A Toca, feitos doidos a rirem-se.

Harry e Hermione, que estavam a arrumar a mesa com uns feitiços, olharam para eles completamente radiantes de os ver assim. Hermione quase que chorava de alegria os ver assim tão contentes.

- Que barulheira vem a ser esta? - exclamou Molly Weasley

Ron e Ginny pararam de rir subitamente e olharam para a mãe que estava com a aparência desgastada. Parecia 5 anos mais velha.

Ron, Ginny, Harry e Hermione trocaram um olhar cúmplice e correram a abraça-lá. E aquele abraço era tudo o que ela mais precisava para ser a Molly Weasley de antigamente.

- És a melhor mãe do mundo, sabias? - disse Ginny

Molly não aguentou e desfez-se em lágrimas. As últimas lágrimas que ela iria derramar.

Enquanto esta isto decorria, uma fotografia de Fred na cômoda da sala, sorria feliz ao ver aquela cena.


Depois de explicar à sua família que iria com Hermione para a Austrália procurar os pais dela, Ron subiu as escadas e entrou no quarto de Ginny.

Hermione já tinha empacotado o mais necessário na sua bolsinha de missangas que tinha utilizado para a caça aos Horcruxes. Tenda, roupas, livros claro, poções curativas, carteira com dinheiro muggle e feiticeiro, fotos dos pais para perguntarem às pessoas se os tinham visto...

- Bem e acho que está tudo!

- Já arranjaste tudo ?

- Sim! Já pus todas as nossas coisas necessárias aqui dentro da minha mala.

- Não me leves a mal, Hermione. Essa tua mala é brilhante, mas assusta-me.

Hermione soltou uma gargalhada e nesse momento bateram a porta. Era Harry.

- Olá. Eu vinha-vos trazer uma coisa que vos pode dar jeito na viagem. - e mostrou-lhes o Manto da Invisibilidade.

- Não, Harry, esse manto é teu. Não o podemos aceitar.

- É verdade, meu. - concordou Ron

- Asério, fiquem com ele, é só para a viagem. Ficarei muito mais descansado.

Hermione pegou nele aceitando-o.

- Obrigada, Harry!

E vejam se têm cuidado porque ainda pode haver Devoradores da Morte fugitivos por aí...

- Não te preocupes. Nós vamos ter cuidado.

- Harry, promete-me só uma coisa – disse Ron – toma conta das coisas aqui por casa e ajuda o Fred na loja, OK?

- Claro que sim. E quando é que vocês partem?

- Amanhã de manhã. - respondeu Hermione que enfiava o Manto da Invisibilidade na mala.

Desceram todos para jantar, enquanto discutiam assuntos que tinham a ver com o Ministério e a sua viagem.

Depois de jantarem, Molly, deu uma pesada carga de comida para Ron e Hermione levarem que Hermione foi logo guardar na sua mala.

Foram-se todos deitar, e na manhã seguinte levantaram-se cedo para se despedirem dos dois.

Depois de abraçar a amiga e o irmão, Ginny disse com um sorriso maroto:

- Toma precauções, Ron!

Ron que percebera muito bem o segundo sentido da frase, sentiu as faces a ficarem escarlantes enquanto Harry se desmanchou a rir.

- Portem-se bem e por favor, vão dando notícias! - exclamou Molly abraçando-os fortemente.

Depois de se despedirem dos restantes, Hermione agarrou na mão de Ron.

- Ron, tens acerteza que queres vir comigo? - murmurou Hermione receosa que a resposta fosse negativa

- Hermione, é claro que tenho. Não te vou deixar sozinha nisto.- murmurou também Ron enquanto Hermione sorria.

Harry desejou-lhes boa sorte dando-lhes um último abraço e os dois Desapareceram.


Este capítulo está enorme, mas eu adorei fazê-lo! Ainda ontem publiquei o outro capítulo hoje já estou a publicar o seguinte, eheh ;)

Bem, eu queria agradecer à minha grande amiga Hannah Granger Weasley por todo o apoio que me tem dado para fazer esta fic e também a Bloody Darpside por estar a gostar. Obrigada às duas!

Ah, e reviews são sempre bem-vindos!

Até ao próximo capítulo.

Beijinhos

Leniita W