- Então? Desembucha Hermione! - insistiu Ginny

- Hogwarts está a ser reconstruída, não está? - disse apenas Hermione que ainda olhava para Ron

- Sim. Pelo que o nosso pai ouviu no Ministério, sim está a ser. Mas qual é a novidade?

- Bem, eu … eu … vou voltar para lá quando o novo ano lectivo começar. Já falei com os meus pais, mostaram-se um pouco relutantes ao princípio, mas expliquei-lhes que … Voldemort não iria voltar e eles deixam-me ir.

Ron olhava para ela estupefacto.

- Tu … tu estás a brincar, certo Hermione? Depois de tudo o que se passou vais voltar para Hogwarts? - disse Ron

Ela suspirou. Já estava a espera que ele reagisse assim.

- Ron, eu quero terminar a minha escolaridade e ir trabalhar para o Ministério.

Ninguém disse uma palavra. Ron, com as orelhas vermelhas, subiu as escadas e fechou a porta do quarto com força. Hermione deixou-se cair no sofá com as mãos na cara.

- Porquê que ele tem de ser assim?

- Isso passa-lhe. - disse Ginny – ainda vão ter dois meses pela frente para estar juntos.

- Sim, temos. Se ele não estragar tudo com estes comportamentos parvos!

Ela respirou fundo, tentando-se acalmar. Harry olhou-a preocupado e disse:

- Eu vou falar com ele.

Hermione sorriu-lhe agradecida.

Ginny continuou na sala a falar com Hermione e olhou para George.

- O que é que ainda estás aqui a fazer?

- Pronto, já percebi. Conversa de raparigas. - e foi para a cozinha enquanto Ginny ria

- E tu Ginny? O que vais fazer? Não vais voltar para Hogwarts? - perguntou Hermione tentando mudar de assunto

- Eu ainda não tinha pensado nisso, sabes? Mas provavelmente também vou ter de voltar para Hogwarts. E depois de sair de lá vou inscrever-me na equipa Holyhead Harpies. É o meu sonho.

Hermione sorriu-lhe. Ginny era uma óptima jogadora de Quidditch e decerteza que iria entrar na equipa.

- E como é que achas que o Harry vai reagir quando souber que também vais para Hogwarts?

- Eu acho que ele não vai reagir como o Ron.

- Sim, eu também acho que não. Achas... Achas que devia ir falar com o Ron?

- Ele agora está com a cabeça-quente. Espera um pouco. Talvez o Harry o consiga acalmar.

Hermione não sabia o que pensar. Recostou-se no sofá. Ela não queria estar zangada com o Ron. Sete anos a discutir por coisas parvas já tinham chegado.


Ron estava deitado em cima da cama a brincar com o Apagador envolto nos seus pensamentos.

Depois de tudo o que tinham passado, estavam juntos. Mas ela agora decidira voltar para Hogwarts. Claro, que aindam faltavam dois meses, mas... Uma súbita vontade de chorar passou-lhe pelos olhos, mas conseguiu resistir-lhe.

Porquê que Hermione Granger tinha de ser tão complicada? Porquê que ela tinha de voltar para Hogwarts? De certeza que o Kingsley lhe arranjava um lugar no Ministério sem ela ter de acabar a escola. Mas claro, ela era Hermione Granger, a rapariga mais inteligente que ele alguma vez conheceu, era óbvio que ela ia acabar por voltar para a escola.

À sua mente veio-lhe um súbito pensamento. Será que ele estava a ser egoista? Quer dizer ele também ia fazer os testes para Auror dentro de uns meses e decerteza que quando lhe contasse ela não iria ter a mesma reacção que ele.

Cansado de acender e desligar as luzes, pousou o Apagador em cima da mesinha de cabeceira. Levantou-se disposto a dar uma volta pelo jardim, mas antes de sair bateram à porta.

- Ron, sou eu. Posso entrar? - disse a voz de Harry

Ron suspirou e voltou-se a deitar na cama respondendo:

- Entra.

Harry entrou e sentou-se à frente da cama.

- Acho que não devias ter falado assim com ela.

- Ouve Harry – disse olhando para as rachas do seu tecto – Eu sei que fui um idiota. Mas não esperem outra reacção vinda de mim, quando sei que a minha namorada vai voltar para Hogwarts e vai passar meses separada de mim.

- Que exagero. Podes vê-la no Natal. E nas visitas a Hogsmeade também.

- Queria ver como reagias se soubesses que a Ginny também fosse voltar para lá.

Harry olhou para fora da janela. Não sabia porquê, mas tinha a ligeira impressão que Ginny também ia voltar para Hogwarts.

- Reagiria da melhor forma possível. Aproveitava bem estes dois meses que tinha com ela e respeitava a sua decisão. - disse sinceramente

Ron continuou a olhar para as rachas.

- E se soubesses que os rapazes iriam andar todos atrás dela?

- Bem, nesse caso, ia haver chatice.

Os dois desataram à gargalhada.

- Vai falar com a Hermione. Vai falar com ela e resolvam esta situação. Conta-lhe da carta do Ministério. Ela vai ficar feliz por ti.


Molly e Ginny tinham convencido Hermione a jantar n'A Toca, por isso esta insistiu em ajudá-las. Mas ela ainda sentia uma certa tristeza.

Estava a pôr a mesa, e quando ia buscar mais pratos olhou para trás e viu Ron encostado à parede a olhar para ela, como se lhe tivesse a pedir desculpa silenciosamente.

Ginny chegou lá e disse que acabava de põr a mesa enquanto eles iam conversar.

Ron e Hermione dirigiram-se então para o jardim e sentaram-se atrás de uma árvore olhando para as estrelas que brilhavam no céu.

- Ouve Hermione, eu sei que fui um idiota e...

- Pois foste. Francamente, não sei porque tiveste aquela reacção, Ron! Tu no fundo decerteza que já sabias que eu quereria voltar para lá e acabar os estudos.

- Eu sei, eu sei, e...

- Estou farta de discussões entre nós! Agora que parecia estar tudo a correr bem: a tua família a recuperar da morte do Fred, tu vires comigo à Austrália, os meus pais já se lembrarem de mim, nós estarmos juntos... tu ages daquela maneira!

Ron não aguentou e calou-a com um beijo. Agarrou-a pela cintura e ela também não aguentando pôs-lhe as mãos à volta do pescoço, puxando-o ainda mais para si. Ouviram Ginny a chamá-los para jantar da entrada de casa, mas a voz dela parecia tão longe... Parecia que estava noutro lugar longínquo e era como só existissem eles os dois naquele momento.

Depois do beijo na batalha e no aeroporto, aquele era, sem dúvida, onde compensavam anos perdidos. Anos perdidos em que aquilo já podia ter acontecido, mas não aconteceu devido a orgulho e teimosia.

Descolaram os seus lábios devagar, olhando um para o outro nos olhos.

Hermione sorria com as faces levemente rosadas. Ron também sorria com as orelhas a arder.

Hermione encostou a cabeça no peito dele.

- És realmente idiota, Ron. E eu... e eu gosto muito de ti.

Desta vez não foram só as orelhas de Ron que ficaram vermelhas, toda a sua cara estava-se a misturar com a cor do seu cabelo. Hermione sentia os seus batimentos cardíacos e os de Ron, cada vez mais velozes.

- Eu também gosto muito de ti, Hermione.

- Desculpem lá interromper – disse Ginny com uma mistura de gozo – eu sei que vocês estão muito ocupados, mas eu já vos estou a chamar há horas para jantar. Podem deixar isso para depois de comerem? Têm de arranjar alguma coisa que vos faça fazer a digestão.

Eles coraram ainda mais, e dirigiram-se à Toca de mãos dadas, com um sorriso leve nos lábios.


Os dois meses de férias passaram tão rápido que nem deram por eles.

Ron e Hermione tinham aproveitado ao máximo as férias juntos. Ron ia almoçar muitas vezes a casa dela e ela quase que passava a vida n'A Toca.

Férias melhores não podiam ter existido para o casal. Mas na última semana antes de voltar para Hogwarts, Hermione andava bastante enervada devido a tudo o que tinha para tratar e tudo o que tinha para comprar para o seu último ano que, sem intenção, deixava Ron para segundo plano. Este ao príncipio não se importava e demonstrava, incredulamente, uma extrema paciência pois já sabia como era a namorada, mas com o passar dos dias essa paciência já se tinha quase esgotado. Era como se estivesse a ser substituído por uma escola.

Era o último dia antes de Hermione voltar para Hogwarts juntamente com Ginny e Ron acompanhava-a a casa.

- Bem, então... Já fomos a Diagon- Al, e comprei livros, penas, rolos de pergaminho, tinteiro... - disse Hermione enumerando com os dedos – e acho que não me falta mais nada. Ron? Ron!

Este estava alheio à conversa dela. Já ouvia o mesmo discurso há dias o que já o cansava um pouco.

Hermione parou de falar e cruzou os braços sobre o peito com uma expressão irritada. Foi aí que ele se apercebeu que ela estava a falar com ele.

- Err, desculpa, Hermione.

- Eu estava a falar contigo, Ronald.

- Eu sei, mas tu já repetiste isso umas mil vezes! - disse rebentando – Nestes últimos dias, quase que não quiseste saber de mim! Sempre preocupada com as coisas para a escola e …

Ela interrompeu-o:

- É o meu último ano lá, Ron! Eu quero dar o meu melhor e ter tudo preparado!

Mas ele continuou:

- E SEM ME DARES ATENÇÃO NENHUMA! EU SOU TEU NAMORADO, CARAMBA!

- E EU SOU TUA NAMORADA! MERECIA UM BOCADINHO MAIS DE COMPREENSÃO!

Os dois gritavam bastante alto, numa rua ao lado do sítio onde ficava a casa de Hermione, o que fez com que um empregado de um café fosse à porta para saber o que se passava.

Hermione calou-se repentinamente e mais calma acrescentou:

- Fazes sempre o mesmo, Ronald.

- O que é que eu faço?

- Estragas sempre tudo! - e dito isto correu para casa com as lágrimas a teimarem sairem-lhe dos olhos.

Ron ficou especado no meio da rua a assimilar o que tinha acontecido. Tinham discutido. Ela ia-se embora amanhã e eles tinham discutido.


Hermione atirou-se para cima da cama a chorar compulsivamente. Como é que ele podia ser tão parvo? Será que não se preocupava com o que os outros sentiam? Será que ele não media o impacto que as palavras que lhe saiam pela boca tinham?

Ela não ia dar o braço a torcer. Não fora ela que estivera mal. Ou fora? Sim, não lhe tinha dado a atenção devida, admitia. Mas será que era necessário ele ter-lhe falado daquela maneira?

Levantou-se a limpar as lágrimas que ainda lhe caiam dos olhos , e abriu o malão que ia levar para Hogwarts. Reveu, mais uma vez, se levava tudo nela.

E sem jantar, deitou-se na cama, com a desculpa que tinha de descansar para o dia seguinte. Na verdade, mal conseguiu dormir. Só pensava no que se tinha passado com o Ron.


Os animos estavam exaltados n'A Toca, na manhã da partida para Hogwarts.

- Ron, estás a ser infantil! - berrou Ginny – Eu não acredito que vais fazer isto à Hermione!

- Deixa-me em paz!

- És mesmo estúpido. Eu nem quero ver a cara da Hermione quando souber que não te vais despedir dela!

- A Ginny tem razão, Ron. - disse Harry com calma.

- Não quero saber! - mas não era verdade e ele sabia bem - Eu não quero estragar mais nada, porque, como ela disse, eu estrago sempre tudo, não é?

- E estragas! Mas eu estou farta de discutir contigo! Espero que a Hermione arranje bem melhor que tu! - Ginny não tinha sentido as suas últimas palavras – Vamos, Harry. Os meus pais já estão fartos de me chamar. - e saiu frustrada do quarto de Ron.

Harry olhou para o amigo e antes de sair disse:

- Se te arrependeres, não te esqueças que o comboio parte às 11 horas. - e saiu.

Ron ouviu a porta da entrada a fechar e soube que eles já tinham partido para a estação.

''Eu nem quero ver a cara da Hermione quando souber que não te vais despedir dela! '' - as palavras de Ginny ressoavam-lhe na cabeça.

Ela tinha razão. Ron sabia que Ginny tinha razão. Ele sabia que era um infantil e egoísta que muitas vezes não tem consciência das suas acções... Mas será que se ele fosse para a estação, a Hermione o perdoria, mais uma vez, por as suas atitudes impulsivas? E se ela não o perdoasse?

Levantou-se e foi-se despachar a correr. Não a podia deixar ir embora sem se despedir dela, sem lhe pedir desculpa e muito menos sem a ver.


Cá está mais um capítulo. Espero que continuem a gostar da história!

Mais uma vez, peço que deixem review! Não custa nada!

Espero postar o próximo capítulo brevemente :)

Beijinhos

Leniita W