No dia seguinte, Ron já estava a ajudar o irmão George na sua loja, com uma boa disposição fora do normal. Parecia aqueles vendedores que andavam sempre bem-dispostos e eram super insistentes. George ficava contente com o empenho do irmão no seu negócio.

Eram por volta das 19 horas e o estomâgo de Ron já reclamava.

- George, posso ir para casa ou ainda precisas de mim?

- Vai, Ron. Vai. Já me deste uma grande ajuda hoje, mano.

Ron sorriu e agradeceu. Desapareceu para A'Toca.

Sentiu um cheirinho a bolo de bolacha. Os cozinhados da mãe deixavam-no ainda com mais água na boca. Entrou na cozinha e dirigiu-se ao bolo disposto a tirar uma fatia. Ou duas.

- Nem penses, Ron Weasley! - gritou Molly fazendo com que o filho ficasse com a fatia a milimetros da boca.

- Mas, mas …

- Nem mas, nem meio mas! Vais esperar até depois do jantar!

- Vá lá, mãezinha. Só uma. Estou a morrer de fome.

Molly suspirou e fez a vontade ao filho, que lhe deu um abraço e levou a fatia para comer no quarto para falar com Harry. Mas Harry não estava lá. Desceu novamente até a cozinha para perguntar à mãe onde ele estaria. Ela também não sabia. Enfim, secalhar tinha ido só dar uma volta para espairecer.

Subiu mais uma vez para o quarto, já cansado de fazer o mesmo percurso duas vezes. Deitou-se na cama e os seus pensamentos recaíram sobre uma rapariga de olhos castanhos e uma cabeleira abundante. Hermione. Não se impressionou por ela ocupar os seus pensamentos. Sempre ocupara, de uma maneira ou de outra. Quer seja por discutirem, quer fossem ciúmes parvos, quer seja por ele a amar...

Amar. Só agora é que tinha pensado nessa palavra seriamente. Mas era isso que ele sentia por ela, sem dúvida. Ainda não tivera era a coragem suficiente para lho dizer. Mas aquelas palavras estavam presas na garganta dele. E ele tinha de as dizer, se não explodiria por isso pegou rapidamente num papel e escreveu lá o que tanto ansiava por lhe dizer. De seguida deu a sua coruja Errol e deixou que ela esvoaçasse até Hogwarts.


- Hermione? A Directora mandou-te chamar - disse Ginny

Hermione parecia não ter ouvido. Tinha os olhos fixos no papel que o Ron lhe mandara:

'' Eu sei que só passou ainda um dia, mas tu fazes-me falta. E sim, eu sei que estou a ser um piegas, mas tenho mesmo de te dizer uma coisa que tenho entalada. E essa coisa é que te amo.

Ron Weasley ''

- O meu irmão finalmente admitiu? - disse lendo o papelinho por cima do ombro da amiga – Chamem o Daily Prophet, temos de fazer disto notícia.

Hermione revirou os olhos, ainda corada e sorridente com o papelinho, ao ouvir as palermices de Ginny.

- Vá lá, responde ao bilhete rapidinho. - sorriu - A McGonagall quer falar contigo urgentemente e depois temos de ir jantar. Estou esfomeada. - e saiu do dormitório.

Hermione riu-se. Subitamente a amiga lembrou-lhe o Ron a dizer que estava esfomeado... O Ron. Tinha de lhe responder. Pegou numa pena e num pedaço de pergaminho e com a sua bonita caligrafia começou a escrever o bilhete:

'' Primeiro: Tu és mesmo um idiota, Ronald.

Segundo: Não estas a ser piegas nenhum, estás a ser … querido e sensível (o que não é muito comum em ti, seja dita a verdade.)

Terceiro: Também já sinto a tua falta.

Hermione Granger

PS: Ah, e já agora, amo-te. ''

Ela deu o pergaminho a Errol e este com o seu bater de asas descoordenado voou até ao apaixonado de Hermione.

Saiu da Torre das Gryffindor e dirigiu-se ao gabinete da Directora. Não precisou de dizer a palavra-passe à gárgula para passar. Esta já sabia da sua chegada. Ia bater a porta, mas uma voz de dentro do gabinete falou:

- Entre, Menina Granger.

Ela entrou e olhou em volta. Inumeros quadros de Directores de Hogwarts ali se encontravam.

- Mandou-me chamar, Directora?

- Sim, sente-se.

Hermione assim o fez, em parte já sabia os assuntos de que iriam falar.

- O Senhor Potter e o Senhor Weasley não vieram para Hogwarts finalizar o seus estudos. Posso saber o motivo?

- Claro, eles receberam uma proposta irrecusável do Ministério para fazerem os testes para Aurors.

- Ah, sim, claro... Compreendo.

A Directora recostou-se melhor na sua cadeira e quando falou a sua voz soou num tom agradecido.

- Foi de uma coragem bastante grande o que vocês fizeram. - disse – Hogwarts e toda a comunidade mágica deve-vos muito...

- Nós só fizemos o nosso dever, Professora. Não fomos só nós que torna-mos a comunidade mágica um lugar melhor. Todos deram o seu contributo.

- Claro, Menina Granger. Claro que sim. Mas vocês os três... - ela levantou-se e deu uma volta ao gabinete. O quadro de Dumbledore, sorria feliz. - Sempre tiveram um certo jeito para arranjar sarilhos e confusões. Se houvesse algum problema em Hogwarts teria de ter o nome do Senhor Potter, do Senhor Weasley e da Menina Granger à mistura... mas sempre tiveram uma amizade incomparável e indestrutível. E estão na lista dos alunos mais corajosos que alguma vez tive o privilégio de ensinar e … aturar. - replicou com um sorriso.

Hermione deu uma gargalhada. Ela tinha toda a razão.

- Agora vá jantar. E aproveite bem este ano em Hogwarts.

Hermione assentiu e foi para o Salão Nobre feliz com as bonitas palavras da Directora e o bilhete de Ron na mente.


- Harry? Mas por onde raio é que andaste?

- Desculpa, devia ter-te avisado, Ron. Fui ver o meu afilhado. O Teddy.

- Ah, não te preocupes. Fizeste bem. Como é que ele está? - perguntou procurando o tabuleiro do Xadrez de Feiticeiros.

- Está óptimo. - sorriu – O que é que andas a procura?

- Do meu tabuleiro de Xadrez. Será que pus aqui... UI! - naquele momento a coruja de Ron acertou-lhe em cheio na cabeça com a carta de Hermione no bico, mas a carta desapareceu quando houve o impacto. Harry não conseguia controlar o riso.

Ron pegou na coruja, agora meio desmaiada e pô-la em cima da sua cama.

- Esta coruja ainda vai arranjar maneira de se matar. Cala-te, Harry. Queria ver se fosse contigo.

Ron voltou a procurar o Xadrez, mas depois lembrou-se... Se a coruja estava ali queria dizer que Hermione lhe tinha respondido.

Começou uma busca desenfreada pela carta.

- Mas onde é que se meteu a carta?

- Então, não era o Xadrez que andavas à procura?

- Era, mas se a Errol está aqui, quer dizer que ela já trouxe a carta da Hermione!

Harry começou a ajudar o amigo.

- Acho que encontrei, Ron. - disse tirando um papel pergaminho debaixo da cama

Ron arrancou-lhe a carta das mãos, sentou-se na cama e quando começou a ler, os seus estados de espírito foram inúmeros:

Quando leu a parte do idiota bufou; quando ela disse que não estava a ser piegas e sim querido e sensível deu um suspiro de alívio; quando disse que também sentia a falta dele, sorriu; e quando acabou de ler o PS, o coração começou a bater mais forte.

Ela também tinha dito que o amava. Era a melhor coisa que lhe podia ter acontecido.

- Bem, essa carta deixou-te feliz. - comentou Harry com um sorriso.

- Na verdade, bastante feliz. - disse ainda com os olhos na carta, relendo mais uma vez.


- O Harry ainda não me mandou nenhuma mensagem. - disse Ginny tristemente.

- Oh, Ginny. Ainda só passou um dia. - disse Hermione que se enfiava debaixo dos lençóis.

- Sim, mas o Ron já te mandou uma mensagem.

- Amanhã decerteza que recebes uma carta do Harry! Não te preocupes. Ele não se vai esquecer de ti!

Ginny suspirou.

- Tens razão. Mas imagina lá, que eles conhecem outras duas raparigas e... oh , sei lá!

Hermione pôs-se pensativa. Ginny tinha a sua razão... Se o Ron conhecesse outra … Os ciúmes começaram-lhe a subir à mente.

Ah, não! Ele nunca seria capaz de fazer isso. - pensou por fim Hermione

- Eles não nos fariam isso.

- Sim, eu sei, quer dizer, não sei! Ai, pá! Estar apaixonada é complicado! Ainda por cima quando o nosso namorado está longe de nós!

- A quem o dizes!

- Tenho saudades dele. - acabaram por dizer as duas ao mesmo tempo o que as fez soltar uma gargalhada.

- Mas se eu sei que o menino Ronald Weasley anda atrás de uma vadia qualquer... nem sei o que lhe faço!

- O mesmo do menino Harry Potter!


- O que é que achas que elas estão a fazer neste momento, Harry?

- Provavelmente a dormir, tal como nós deveriamos estar.

- Não achas que elas... podem estar... sei lá a conviver com outros rapazes? - disse Ron com as orelhas vermelhas de ciúmes.

Harry não respondeu. Também ele ao pensar no que Ron dissera, ficou com a hormona dos ciúmes a despertar.

- É que se eu sei que algum tipo toca na Hermione nem que seja com um dedo mindinho, pego outra vez num carro e voo com ele até Hogwarts para dar cabo do tipo.

- Se eu sei que algum desses se aproxima da Ginny, alguém vai ver a ira de Harry Potter. - disse, o que fez Ron soltar uma gargalhada.

- Bem, acho que é melhor dormir. Já sei que vou ter pesadelos a sonhar com isto, mas pronto. Boa noite, Harry.

- Boa noite.

Ron deitou-se na sua cama, mas na realidade não foi pesadelos que ele teve. Foram sonhos. Sonhou com a Hermione. Sonhou que eles estavam felizes e tinham constituído uma família. E inacreditavelmente, naquele noite, Hermione sonhou o mesmo.


Adoreiiii escrever este capítulo! Espero que gostem!

Gostaram do bilhetinho do Ron para a Hermione? Foi querido, não? A Hermione é uma sortuda, eheh :) (arranjem-me um rapaz como o Ron para mim também ;] )

Deixem review!

Beijinhos!

Leniita W