Na manhã seguinte Ron levantou-se bem cedo, tentou não acordar o Harry que dormia profundamente na sua cama desmontável, tomou um duche e, esfomeado, desceu para tomar o pequeno almoço. Ainda mais ninguém tinha acordado. Acabou de comer e foi até à sala para passar o tempo.
Olhou para a moldura de Fred, e sentiu um nó no estomâgo. Andava tão feliz ultimamente que a sua mágoa pela morte do irmão, já quase tinha desaparecido e tinha dado lugar a boas recordações de momentos que passou com ele. Achou que lhe devia ir fazer uma visita.
Não quis acordar ninguém. Provavelmente mais tarde iriam-se chatear com ele por não lhes ter pedido para ir, mas precisava de conversar com ele a sós.
Pegou no primeiro casaco que lhe apareceu a frente e Desapareceu para o cemitério. Inspirou bem fundo, antes de se aproximar da campa. Sentou-se na sua ponta e olhou bem para a fotografia do rapaz que lá se encontrava. Fred, tinha um largo sorriso e piscava o olho.
O vento que pairava no cemitério tornava-se cada vez mais gelado e Ron aconchegou-se mais no casaco. Suspirou, e sentiu as lágrimas a virem ao olhar para a fotografia do irmão. Há muito que não se sentia assim. Apesar de já ter superado, as saudades eram enormes.
- Fazes falta, pá. - acabou por dizer num murmúrio. - Desculpa, por não ter vindo mais cedo, ando atarefado a ajudar o George na loja. O negócio está a correr muito bem, aliás cada vez melhor. E o George já anda mais animado. Claro que foi mais complicado para ele superar tudo. Mas estamos a tentar ultrapassar como tu quererias. Ah, é verdade, eu e a Hermione vamos casar! Espero que, ondes quer que estejas, fiques feliz pela novidade.
Ron subitamente deu uma estrondosa gargalhada devido ao facto de supostamente estar a falar sozinho. Quem o visse pensaria que lhe tinha dado um ataque. Mas ele não estava a falar sozinho. Ainda que este não lhe pudesse responder, ele estava na companhia do irmão.
- Hermione, acorda! Temos de ir para as aulas!
Hermione começou-se a espreguiçar lentamente, coçando os olhos e deu de caras com a Ginny com uma expressão estupefacta.
- Ginny? Que horas são?
- Faltam 10 minutos para as aulas começarem!
Hermione levantou-se rapidamente do sofá e correu para o dormitório com a Ginny logo atrás.
- Mas porquê que não me acordaste? - disse arrancado o uniforme da gaveta e correndo para o duche.
- Quando me levantei, não estavas no dormitório por isso pensei que já tinhas saído, até te encontrar lá em baixo!
- Uff! Não acredito!
De repente, Ginny irrompeu a gargalhadas desenfreadas.
- Não tem piada, Ginny!
Ginny limpou umas lágrimas que soltara de tanto rir.
- Acredita que tem! Hermione, o meu irmão anda mesmo a dar-te a volta a cabeça, não é? Será que não reparaste que hoje é domingo? Ah e que eu nem estou de uniforme?
Hermione paralisou e olhou para Ginny que ria-se na sua cara.
- Ginny, não acredito que me enganaste desta maneira! - disse com uma expressão divertida e irritada ao mesmo tempo.
- Ai, ai. Foi mesmo engraçado ver-te a desesperar com medo de chegar tarde a uma aula. Mesmo típico teu!
Hermione dirigiu-se outra vez à sua cama e guardou o uniforme na gaveta. Desta vez com mais calma, dirigiu-se ao duche.
- Despacha-te, Hermione. Não te esqueças que temos de ir fazer o trabalho com os outros dois troll's.
- Sinceramente, não me apetece nada!
- O quê? - disse Ginny fingindo espanto – Hermione Granger a não lhe apetecer fazer um trabalho?
Hermione revirou os olhos.
- É claro que me apetece fazer o trabalho, Ginny! - desta vez foi a amiga que revirou os olhos – A questão é com quem o vamos fazer.
Ginny anuiu e disse piscando-lhe o olho:
- Preferias que fosse com o Ron, certo?
Hermione sentiu-se a corar pois com Ron no pensamento o coração acelarava-lhe, batendo com força contra as costelas.
Ron chegou a casa com o espírito mais leve e decidido a escrever uma carta a Hermione da sua visita ao Fred e das últimas novidades, mas à entrada encontrou George.
- Então, maninho? Andava à tua procura! Por onde é que andaste?
Ron engoliu em seco. Secalhar era melhor não dizer ao irmão, ele poderia ir-se a baixo.
- Dar uma volta por aí... Err, andavas à minha procura para quê?
- Era para dizer se tu e o Harry poderiam abrir a loja à tarde sozinhos? É que eu tenho um encontro.
Ron mostrou-se curioso:
- Um encontro? Um encontro com quem?
- Hã, bem... eu depois conto-te! Tenho de ir! - disse despenteando-lhe o cabelo e Desaparecendo.
Ron encolheu os ombros, mas mostrou-se satisfeito por ver que George ia se encontrar com alguma rapariga.
Subiu para o quarto e Harry ainda dormia com a boca meio aberta. Tentou fazer o mínimo de barulho possível e pegou num pergaminho e na pena e encaminhou-se para o sofá da sala.
Às narinas, veio-lhe um cheiro de um óptimo refugado. A mãe já devia estar a cozinhar. O estomâgo deu um ronco tão alto que mais parecia uma trompeta enferrujada. Estava esfomeado. Mas primeiro tinha de escrever a carta a Hermione, ela estava sempre primeiro.
Apoiou o pergaminho na perna e começou a escrever. Não era o melhor sítio para tal, pois a letra ficou em gatafunhos monstruosos.
Quando acabou de escrever colocou o pergaminho num envelope e deu a sua coruja que num voo, meio descoordenado desapareceu da sua vista.
- Bom dia, Ron! - exclamou Harry cheio de boa disposição.
- Bom dia? A minha mãe já está a fazer o almoço. - disse troçando do amigo.
- Asério? - Ron anuiu e disse:
- À tarde vamos ter de abrir a loja sozinhos... Parece que o nosso caro George tem um encontro.
- Um encontro? O meu Georgie tem um encontro? - interrogou Molly vinda da cozinha.
Ron e Harry soltaram uma gargalhada.
- Sim, pelos vistos sim, mãe.
- Com quem?
- Não faço a mínima. Ele não me disse.
- Bem, esse menino vai ter de me contar muita coisa quando chegar a casa, então! Olhem, meus queridos, importam-se de vir por a mesa daqui a bocadinho? O Arthur já deve estar a chegar.
Os dois foram buscar as varinhas ao quarto para despacherem as tarefas mais rapidamente.
- Se quiseres, vai tomar banho, Harry. Eu posso meter a mesa sozinho. - dito isto pegou na varinha e à saída do quarto Harry perguntou com um sorriso já adivinhando a resposta:
- O que é que estavas a fazer quando eu cheguei lá em baixo?
- Ah, estava a mandar uma carta à Hermione. - disse corando um pouco.
- Vocês não passam mesmo um sem o outro, não é? Ainda por cima agora que estão noivos.
Ron corou ainda mais.
- Cala-te, Harry.
O melhor amigo de Ron soltou uma gargalhada.
- Tens acerteza que não queres ajuda?
- Não deixa estar. Vai lá.
- Obrigada. Assim vou aproveitar e mandar uma carta a Ginny.
Ron sorriu e desceu as escadas encaminhando-se para a cozinha para pôr a mesa, esperando ansiosamente pela resposta de Hermione.
Hermione encontrava-se com Ginny a fazer o trabalho de grupo na biblioteca com Carl e Humbert e mal trocavam palavras entre eles. O diálogo era, basicamente, mostrar uns livros uns aos outros e escrevinhar nos pergaminhos.
Um envelope meio rasgado caiu no colo de Hermione. Olhou para cima a tempo de ver a coruja de Ron escapulir-se pela porta.
Pousando a pena e pegando rapidamente no envelope, tirou de lá o pergaminho e começou a lê-lo:
'' Querida Hermione,
Tenho novidades para te contar.
Primeiramente, quando contei à minha mãe do nosso noivado, ela ficou tão contente que avisou toda a família Weasley em dez minutos! DEZ MINUTOS! Achas isto normal? (Hermione soltou uma gargalhada.)
Bem, e em segundo lugar, hoje fui ao cemitério conversar com o meu irmão. Fui sozinho. Apetecia-me falar com ele a sós. Fez-me bastante bem, apesar de... ele não poder responder como sabes. Quem me visse, provavelmente, me acharia doido, mas que se dane.
Espero que esteja tudo bem e que não precise de pegar num carro e voar até aí para andar a pancada com os outros dois como ontem (ainda tenho o olho negro, os feitiços da minha mãe serviram de pouco.)
Estou ansioso pelo Natal, falta pouco mais de um mês, mas parece que cada dia vai ser uma eternidade para te ver e ter ao pé de mim, Hermione.
Por favor, responde rapidamente,
Amo-te
Do teu noivo,
Ron Weasley.
Ps: O George vai ter um encontro! Acabei de me cruzar a entrada de casa com ele e contou-me!
Hermione chegou ao final da carta com as lágrimas a bailarem-lhe nos olhos e um sorriso feliz na cara.
- De quem é carta, Hermione? - perguntou Ginny, e Carl e Humbert levantaram o olhar para elas, curiosos.
- É do Ron.
- Claro, só as cartas dele é que te deixam a sorrir e a chorar ao mesmo tempo. - replicou com um sorriso, enquanto os outros dois resmungavam baixinho. Hermione e Ginny ignoraram-nos. - Responde-lhe, vá! - Assim que acabou de falar também uma carta caiu no colo de Ginny. Era de Harry.
Hermione abriu um largo sorriso e virou-se para Carl e Humbert mudando da sua expressão feliz para uma aborrecida:
- O trabalho já está terminado. Deixem os vossos pergaminhos comigo que eu dou os ajustes finais e entregamos o trabalho amanhã.
Eles voltaram a resmungar qualquer coisa e saíram da biblioteca.
- Finalmente que nos livarmos daqueles dois! - exclamou Ginny lendo a carta de Harry alegremente.
- Concordo. - Hermione pegou num pedaço de pergaminho e começou a escrever a resposta para Ron:
Querido Ron,
Tu já sabes como a tua mãe é, por isso não fiques aborrecido com isso!
Fizeste bem em ir lá conversar com o teu irmão. Onde quer que ele esteja deve estar muito orgulhoso de ti!
Ah ,e não comeces já com ciúmes parvos porque não vais precisar de carro nenhum e vir voar até aqui, está bem, Ronald? Não queiras ficar com o outro olho negro!
Eu também estou ansiosa pelo Natal para te ver! Se tu soubesses o quanto feliz estou por tudo o que está a acontecer ultimamente!
Ah, é verdade, temos de contar aos meus pais nas férias de Natal. Só espero que eles fiquem felizes.
Vai-me mandando mais cartas com novidades,
Amo-te
Da tua noiva com muito amor,
Hermione Granger.
PS: Asério? Isso é óptimo para ele! Revela que está a recuperar muito bem!
Hermione dobrou o pedaço de pergaminho e seguida por Ginny foi ao lugar das corujas enviar a sua carta para Ron.
Olá!
Então, o que acharam do capítulo? Acham que o Ron fez bem em conversar'com o Fred? Eu acho que sim! Mas quero sempre saber a vossa opinião e comentários num review ! ;) Ah e já agora agradeço as últimas reviews fantásticas que me enviaram!
Aqui vão as respostas:
Hannah Granger Weasley – O Ron tem o dom para as coisas espontâneas, não achas? Pois, a Hermione, quando o Ron a pediu em casamento, nem se lembrou que estava a frente de um professor, ahah :D (cá para nós, a Hermione agora segue mais o coração do que a cabeça!)
Sophie Stevens – Eu também amo o Ron e a Hermione :) Oh, obrigada, asério, fico feliz por saber que gostas da maneira com escrevo deles!
BloodyDarpside – Sim, o Ron consegue mesmo ser um fofinho quando quer! :b
Até ao próximo capítulo!
Beijinhos,
Leniita W
