A turma inteira estava no hospital esperando o médico dizer se o DC ia melhorar, a maioria do povo ainda estava muito chocada pra falar alguma coisa, outras pessoas estavam tão chocadas que não paravam de falar:
-Dá pra acreditar numa coisa daquelas? – Magali perguntou e sem esperar por resposta continuou. – a Mônica, nossa Mônica! Fazendo uma coisa daquelas!
-Todos nós estamos chocados. – Cascão falou.
-A MÔNICA!
Magali ficou balbuciando ainda sem acreditar, nunca tinha imaginado que a melhor amiga seria capaz de fazer uma coisa daquelas.
-Quebrou o braço dele!
-Meus pais não vão ficar nem um pouco felizes com isso. – Nimbus falou sério.
-É uma coisa muito séria. – Cascuda concordou. – muito séria mesmo.
-A Mônica quebrou o braço do DC! – Magali falou. – e se não melhorar?
-Não fala isso nem brincando Magali! – Isa falou.
Eles continuaram a conversar até que o médico finalmente apareceu.
-Ele quebrou o braço em dois lugares, mas vai ficar bem. Já estão colocando o gesso e depois já vai poder voltar pra casa. Também já ligamos para os pais dele e eles já estão a caminho. Deve ter sido uma queda bem feia.
-Foi uma coisa bem feia mesmo. – Nimbus respondeu sem emoção.
Como Nimbus pensou os pais estavam muito assustados, não pararam de pedir detalhes. Ninguém se sentiu a vontade para responder, afinal isso era entre DC, Mônica e Angel. Por fim foi Nimbus que acabou dizendo toda a verdade, os pais ficaram possessos e ligaram para os pais de Mônica na mesma hora.
Imaginem o susto que Luísa teve ao atender o telefone e ouvir que sua linda filha tinha quebrado o braço de alguém. Primeiro ela pensou que era uma brincadeira de muito mau gosto, mas não era. Disseram que iam processar e que o advogado ia entrar em contato.
-MÔNICA! – Luísa gritou depois de desligar o telefone.
Mônica apareceu cheia de hematomas e com os olhos vermelhos, sinal de que havia chorado. Claro que a mãe não teve dó nem piedade, não deixou Mônica em paz até saber toda a verdade, a menina mal terminou de contar quando Luísa teve um ataque. Sua filha linda e delicada tinha se transformado em uma vândala, em uma marginal!
Ela teve problemas pra respirar e demorou um tempo para se acalmar. As coisas não melhoraram quando o pai de Mônica (*o qual eu não lembro o nome) voltou do trabalho. Mônica não ficou nem um pouco surpresa ao descobrir que estava de castigo pelo resto do ano e que se a família fosse mesmo processada ia ser a mesada dela que ia pagar. Ou seja, ela não ia ganhar dinheiro por um bom tempo.
Mas a menina não ligou, a única coisa que queria fazer no momento era ligar para alguém da turma, ver se estava tudo bem e pedir desculpas para Do Contra. Ela nunca teve a intenção de machucá-lo.
Voltando para o hospital Isa era bombardeada de perguntas sobre Angel. Claro que quando o choque passou todos queriam saber quem era a Angel de verdade, e quem melhor para responder aquilo senão Isa, sua amiga de infância?
A loira se recusou a responder as perguntas, dizendo só Angel podia responder as várias questões pendentes. Mas ela não pôde dizer não a Do Contra, afinal ele tinha se machucado por causa de Angel. Ele merecia saber a verdade. Ele e todo mundo, agora que ela tinha pensado no assunto.
-Tudo bem! – ela falou balançando a cabeça. – eu conto tudo.
Todo mundo (até DC na cadeira de rodas) se inclinou para mais perto dela e ela começou:
-Angel é filha de um deus, ela não o conhece, mas ela continua sendo filha dele. Na revista ela vai à procura do pai dela e pra conseguir respostas ela se transformou em lutadora profissional.
-Para tudo! – Denise interrompeu cheia de descrença. – fofa, você está falando sério?
-Claro que eu estou!
-E como ser lutadora profissional vai ajudar a achar o pai dela?
-Vocês não deixam eu terminar, pipocas! – ela fez cara feia pra Denise e continuou: - não é qualquer luta. É a Luta Livre dos Divinos. Os deuses se reúnem para ver os humanos "especiais" lutarem, quem ganha o torneio ganha um pedido. Angel entrou nas lutas para ganhar e descobrir quem é o pai dela. Na revista dela, pelo o que eu vi, ela entrou em coma por causa disso. Pelo o que Angel me contou o Mauricio trouxe ela pra cá para ensinar um pouco de humildade para a Mônica, para ajudar todo mundo.
-Que ajuda que ela deu. – Titi comentou.
-Não fale assim! – Magali falou. – eu bem sei que ela te deu uma força com a Aninha.
-E eu ajudei ela a juntar muita gente aqui, tá fofo? – Denise disse abraçando Felipe.
-Viram? – Isa falou. – ela ajudou vocês. O problema mesmo foi tentar ensinar a Mônica. Não pensem que a Angel é má, porque ela não é.
-Como ela ia ensinar humildade pra Mônica? – Cebola perguntou sem emoção.
-Cê, a Angel é filha de um deus, uma das meninas mais fortes e ricas do mundo. Ela não fica se gabando e socando os postes. Ela é humilde quando o assunto é esse. Diferente da Mônica.
-A Mônica realmente passou dos limites. – Magali comentou a beira das lágrimas.
-A Angel também. – Isa completou. – e ela vai embora.
Muitos explodiram em protestos, dizendo que Angel não tinha culpa do que tinha acontecido, a culpa não era de Angel nem de Mônica. As duas só eram duas meninas muito diferentes e ao mesmo tempo muito parecidas. Do Contra tinha ficado quieto durante tudo aquilo, Angel não podia ir embora daquele jeito, ele não ia deixar. Pelo menos não antes deles conversarem. Então ele teve uma ideia.
-Por que vocês estão olhando pra mim? – DC perguntou olhando para a turma, todos estavam olhando pra ele sem piscar.
-Você tem uma ideia. – Magali respondeu.
-Como vocês descobriram?
-Tem uma lâmpada em cima da sua cabeça.
Uma gota de um litro apareceu na cabeça de DC, era impossível causar um mistério com aquela gente!
-Tudo bem povo! – ele disse sorridente. – junta aqui que eu falo.
Na casa de Mônica as coisas só esquentavam, ela estava se sentindo muito mal com tudo o que tinha acontecido. Os pais estavam profundamente desapontados com ela e o Cebola ainda tinha terminado com ela. Dava praquele dia ficar melhor?
E o pior que dava: Magali não atendia seus telefonemas.
Ela não agüentou mais, desabou de tanto chorar. Só de noitão que Magali finalmente atendeu.
-Alô?
-Magali! Como é que tá tudo?
-Mônica, você quebrou o braço do Do Contra em dois lugares! Estão ameaçando te processar!
-Eu sei disso! Eu quero saber se o DC vai ficar bem.
-Ele vai ficar bem sim, mas Mô o que foi aquilo?
-Eu não sei amiga, aquela Angel me irrita...
-E daí? Isso é desculpa pra sair no tapa com ela? Puxa Mônica, eu esperava muito mais de você...
-Você acha que a turma vai me perdoar? – Mônica perguntou a beira das lágrimas.
-Claro que vai Mônica. Nós te amamos. Você assustou a gente, mas vai passar. Só dá um tempo que tudo vai se resolver.
-O DC tá com raiva de mim?
-Não.
-E o Cebola?
-Não. Só tá chateado.
-O que eu faço Maga?
-Deixa ele quieto por um tempo, vamos ver o que acontece. E sabe a novidade?
-Não.
-A Isa terminou com o namorado misterioso dela.
-Por quê? Eles pareciam tão unidos.
-Parece que o irmão da Angel queria te fazer algum mal e a Isa não deixou.
-Você acha que a Angel falou alguma coisa com ele?
-Não, foi a própria Isa que contou pra ele.
Mônica começou a chorar.
-Por que você tá chorando amiga?
-A Isa terminou com o namorado dela por minha causa, não tô dando uma dentro...
-Tá sim! A Isa me falou que já queria terminar com ele mesmo.
-Mas eu ainda tô me sentindo mal...
-Você precisa pedir desculpas pra Angel. – ela ainda acrescentou rapidamente: - acredita amiga, você vai se sentir muito melhor.
Mônica não ficou muito convencida, mas se desculpar com Angel não iria piorar as coisas. Ou será que iria? Só tinha um jeito de descobrir.
O DC sobreviveu, VIVA!
É gente, a Mônica tá numa fria. E eu sei que a história da Angel é pra lá de viajada, mas como é que eu ia arranjar uma menina forte o bastante para dar uma lição na nossa querida dentuça? Só sendo filha de um deus mesmo.
Mônica: QUEM VOCÊ ESTÁ CHAMANDO DE DENTUÇA?
Eu: SOCORRO! (correndo para as montanhas)
