Capítulo 2 - Primeiras Impressões Estavam Erradas

Escórpio adentrou o Expresso Hogwarts, tentando procurar uma cabine vazia. Finalmente encontrou uma e sentou-se sozinho, pegando seu livro Hogwarts:Uma História para continuar lendo-o. Estava bastante entretido na leitura quando a cabine se abriu de repente.

- Eu e meu primo podemos sentar aqui? - perguntou uma garota ruiva, de cabelo longo e cacheado, além de olhos azuis brilhantes que se diferenciavam dos do garoto por serem escuros.

- É claro. - ele disse meio a contragosto. Não queria ter de parar com sua leitura.

- Rosa, aonde está? - ouviu-se uma voz pelo corredor. Escórpio reconheceu como sendo de Alvo.

- Estou aqui! - a garota que estava sentada ao seu lado respondeu e Escórpio estremeceu. Aquela ruiva devia ser uma Weasley, e era aparentada ao Potter.

- Você de novo? - perguntou Alvo ao abrir a cabine. - E lendo mais um livro. Já vi que é nerd.

Escórpio ignorou o comentário do garoto.

- De onde se conhecem? - Rosa indagou curiosa. Alvo lhe contou a história do encontro que tinham tido na Floreios e Borrões. Escórpio continuava vidrado em seu livro.

- Já li Hogwarts: Uma História. - ela revelou, percebendo que era este o livro que Escórpio estava lendo. - Qual o seu nome?

Escórpio abaixou o livro e estendeu a mão. E fez isso apenas porque a garota não foi hostil com ele, além de ser bonita.

- Escórpio Malfoy.

Rosa a olhou com desconfiança.

- Meu pai me falou para superá-lo em todos os testes. Acho que, você sendo nerd como Alvo falou, será difícil.

Depois de dito isso, ela apertou suavemente a mão estendida do garoto.

- E qual o seu?

- Rosa Weasley. E meu primo aqui você já sabe. Alvo Severo Potter...

- Alvo SEVERO Potter? - repetiu o garoto, dando ênfase ao nome do meio. - Severo Snape é meu ídolo.

- Claro, em uma família cheia de Sonserinos... - desdenhou Rosa. - Pois eu acho Alvo Dumbledore muito melhor.

- Eu saberia mais sobre ele se seu primo não tivesse roubado meu livro...

- Alvo Dumbledore é meu ídolo. O que você faria com alguém que tivesse acabado de pegar a última biografia do Snape? - Alvo tentou contornar.

- Sua atitude foi um misto entre Grifinória e Sonserina. - Escórpio comentou. - Mudei de opinião. Certamente você não é muito Potter. Pode ir para a Sonserina...

- Meu pai só não foi para a Sonserina porque pediu ao chapéu, se não estaria lá. - revelou Alvo e Escórpio arregalou os olhos.

- É sério Alvo? - perguntou isso incrédula.

- Sim. Mas era um segredo, vocês não deviam saber... - lamentou-se o garoto por ter contado.

De repente, a porta da cabine se abriu. Um garoto louro de olhos azuis serenos apareceu diante do trio.

- Posso sentar aqui? Sou Lorcan Scamander.

Lorcan era o filho de tia Luna e tio Rolf, Alvo reconheceu.

- Filho da editora do Pasquim? Que decadência. - desdenhou Escórpio, recebendo um olhar reprovador de Rosa. O garoto estava prestes a se retirar quando ouviu:

- Pode se sentar aqui sim.

Aquilo veio de Escórpio, que queria contornar a ofensa.

- Se ainda quiser... - ele adicionou. O louro sorriu e sentou-se ao lado de Alvo.

- As pessoas costumam dizer isso, você não é o primeiro. - ele disse. - Sinceramente, me envergonho de minha família.

- Como pode dizer isso? - disse Alvo indignado. - Meu pai nomeou minha irmã mais nova por causa de sua mãe.

- Mãe que detesto... Mas a amo. É uma mistura de amor e ódio, para dizer a verdade. - o menino deu de ombros.

- Explica isso direito. - incentivou Escórpio.

- Bem, desde pequeno eu tenho certa... fascinação pela Arte das Trevas. Prefiro bem mais o ataque do que a defesa. Minha mãe detesta isso. Mas não sou mal, só quero saber bons feitiços. Ser poderoso. Assim ninguém vai tirar mais farinha comigo.

Os outros três estavam atônitos com a explicação.

- Gostei de você. - confessou Escórpio. - E concordo com tudo.

- Por Merlim! - enraivou-se Rosa. - Vocês não sabem o que estão dizendo.

- Em certa parte, eles tem razão. - comentou Alvo, para o espanto de Rosa. - O ataque é melhor que a defesa.

- Viram? Até o Potter concorda.

Alvo deu um sorrisinho envergonhado enquanto Rosa o fulminava com o olhar.

- Admito... - começou o Malfoy. - Que minhas primeiras impressões estavam erradas, Potter.

- Obrigado. - agradeceu sinceramente o garoto.

- Quanto a você, Weasley, duvido que me supere nos testes como seu pai disse.

- Ah, mas é claro que vou. Você pode ser nerd, mas eu sou mais. Tenho uma biblioteca em casa.

- Interessante. Desafio aprovado.

E assim o resto do percurso permaneceu pacífico, com Escórpio admirando cada vez mais Lisandro e Alvo. Quanto a Rosa, ele a considerou um enigma que iria ser desvendado.