PARTE VI – THE GAMES PEOPLE PLAY
John balançou a cabeça, como se não tivesse ouvido bem.
- Desculpe, o que você disse? – Sherlock ergueu-se, irritado, lançando a colcha ao chão.
- Eu disse que nunca tivera uma ereção. Nunca! Nunca senti desejo, nunca fiquei excitado, nunca me masturbei! Até. Ontem.
Ele cruzou os braços e encarou o médico com fúria, os olhos gris chispando. Esperou que a compreensão do significado da frase atingisse o olhar de John, e sentiu uma maldosa satisfação em vê-lo empalidecer e cair sentado na cadeira ao lado da penteadeira. O detetive pigarreou e, disfarçadamente, arrumou a cueca, sentando-se na cama.
- Satisfeito, John? Você descobriu o motivo do meu mal estar. – John inclinou a cabeça, fixando o olhar nos pés nus do amigo.
- Desculpe, Sherlock. – ele murmurou, erguendo o olhar para encarar o amigo. – Merda. Que merda de encrenca. – Sherlock suspirou, fechando os olhos e deixando o corpo tombar na cama.
- Nem me fale. Você perpetrou a façanha de romper o delicado e perfeito equilíbrio de poder que havia entre a minha mente e o meu corpo. – Sherlock sentiu o colchão curvar-se sob o peso do outro, quando John sentou-se na beirada da cama, ao lado de seu peito. Ele abriu os olhos, e os dois se encararam em silêncio por um longo tempo.
- Não era pra você descobrir assim, sabia? Eu tinha um plano. – Sherlock falou, solene. John reprimiu um sorriso e ajeitou-se melhor na cama, apoiando uma das mãos no colchão, próximo da mão de Sherlock.
- E que espécie de plano insano cruzou a sua mente tortuosa? – Sherlock sorriu e avançou os dedos longos, fazendo uma carícia leve no dorso da mão de John.
- Eu pretendia... seduzi-lo. – John ergueu as sobrancelhas, descrente, e Sherlock deu-lhe um soco no braço. – Quieto, a ideia não foi minha, foi de Lestrade.
- Você conversou sobre isso com Greg?
- Era ele ou Mycroft. Eu não podia chegar e falar pra você, não é? "Hey, John, a propósito, quando eu te vi no banho, tive a primeira ereção da minha vida, resolvi experimentar a tão falada masturbação pela primeira vez e gozei ouvindo você cantar Beatles". Não é exatamente sutil, concorda?
John abria e fechava a boca, sem saber bem como responder. Sherlock fitava o teto, ainda acariciando distraidamente a mão do médico com as pontas dos dedos. Agora só o que podia fazer era esperar a reação de John. Até agora não fora tão ruim.
"Alea jacta est", pensou.
A mente de John dava voltas e voltas. Seu problema começava a resolver-se por si mesmo. Sherlock não só não lhe era indiferente, como tivera o nervo de confessar. E a carícia gentil dos longos dedos em sua mão e pulso começava a quebrar-lhe a concentração, e a despertar reações em seu corpo. Ele agarrou os dedos que dançavam sobre a sua pele, entrelaçando as mãos – a dele, bronzeada e forte; a de Sherlock, pálida e esguia.
- Bom... acho que vou começar a cantar Beatles mais vezes. – os olhares dos dois se cruzaram, e eles tiveram uma crise de riso. John deixou-se cair sobre a cama, estendendo-se ao lado de Sherlock, ainda segurando firmemente a mão do outro. Os dois ficaram lado a lado, encarando o teto por alguns minutos. Sherlock virou a cabeça para olhar John, que fez o mesmo.
- E agora? O que fazemos quanto a isso? – Ele gesticulou, apontando para os dois. – Eu não sei nada sobre isso.
- E por isso, Sherlock, você quer dizer...?
- Emoções. Relacionamentos. Interações humanas normais. – John suspirou, acariciando o dorso da mão do detetive com o polegar.
- Caso não tenha reparado, esse também não é meu ponto forte. – Sherlock deu uma risadinha.
- Mas eu não entendo nem mesmo os princípios básicos, John. Você vai ter que ter muita paciência comigo.
- Mais do que o habitual, você quer dizer? – Sherlock deu uma cotovelada nas costelas de John, fazendo-o rir. – Não se preocupe, Sherlock. Vamos encontrar nosso próprio ritmo. Por enquanto, isso aqui está bom.
- Você quer dizer ficar deitados de mãos dadas na minha cama, depois de uma briga de socos, comigo só de roupa de baixo e todo melado de esperma?
- Eu sabia que você ia entender o espírito.
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Durante algum tempo, os dois ficaram deitados, de mãos dadas, comparando as conversas que tiveram mais cedo naquela manhã. John finalmente entendeu o comportamento mais estranho que o normal de Mycroft, e a piada de Lestrade sobre ele não querer colocar este caso no blog. Ele tinha razão; John não tinha vontade de compartilhar aquela história com ninguém. Levando em conta quem eram os dois, e as vidas que levavam, era muito frágil sua atual felicidade. Apenas os diretamente envolvidos tinham o direito de saber.
Sherlock levantou-se, anunciando que ia tomar um banho rápido e que John devia se arrumar, pois os dois iriam sair para almoçar.
- Está me chamando para um encontro, Sherlock?
- Você pode chamar assim, se preferir. – Sherlock sorriu. – Mas até mesmo eu estou ciente de como os encontros acabam.
Ele andou preguiçosamente até o banheiro, acompanhado pela gargalhada de John. O médico foi até a sala de estar e pegou seu celular.
Obrigado pelos conselhos, Harry. Você tinha razão. – JW
Como sempre. Mas a que exatamente você se refere? – HW
Sherlock realmente jogou algumas verdades na minha cara. Mas fui eu quem escolhi um momento inoportuno. – JW
Tudo bem entre vocês? – HW
Melhor, impossível – JW
Como assim? – HW
John? – HW
O que você quis dizer? – HW
Eu ligo para você amanhã, Harry. – JW
Depois de vestir um jeans claro e uma camisa azul de tecido leve, John sentou-se na poltrona para esperar Sherlock, com um copo de água gelada. Decidiu mandar outra mensagem.
Obrigado por ter conversado com ele, Greg. – JW
Devo supor que vocês conversaram? – Lestrade
Sim, colocamos os pingos nos is. – JW
Meu bom doutor Watson, espero que esteja ciente de que, se você fizer alguma coisa que desequilibre a frágil psique emocional de meu irmão, machucando-o de alguma maneira, o senhor estará de volta ao Afeganistão antes que consiga dizer "Desculpe, Mycroft". – MH
Mycroft está te ameaçando? - Lestrade
Sim. Conversar com os dois ao mesmo tempo é cansativo, sabia? – JW
Mas diga ao seu namoradinho 007 pra não se preocupar. Não pretendo magoar Sherlock nem mesmo por acidente. – JW
Boa sorte, parceiro. Lidar com um Holmes é uma tarefa hercúlea. – Lestrade
John quase conseguia ouvir a gargalhada do inspetor e o bufo desdenhoso de Mycroft. Sorriu, colocando o celular no bolso. Realmente, lidar com os irmãos Holmes não era tarefa para qualquer um. Mas John confiava em sua força.
- Vamos, John? – Watson ergueu-se e virou para a porta, levando um baque ao ver Sherlock. Ele vestia Jeans pretos e uma camiseta larga dos Rolling Stones, os cabelos ainda úmidos e a pele fresca do banho. – O que houve?
- Eu nunca te vi de jeans e camiseta. Você parece tão... jovem.
- E isso é um elogio. – Sherlock afirmou, aparentando dúvida. John sorriu com ternura.
- Sim, Sherlock, é definitivamente um elogio. Onde você pretende me levar?
- Pensei em irmos até o Angelo's, mesmo. Sábado é o dia da lasanha. Ele tem um menu de degustação. – o detetive soava faminto. John riu e olhou de canto para ele, enquanto eles saiam para o dia ensolarado.
- Ele vai nos oferecer a "mesa romântica" de novo?
- Não. Pretendo pegar um reservado. – John ergueu as sobrancelhas para Sherlock, que corou. – Não quero as pessoas me vendo agir como um tolo, John.
- E por que você agiria como um tolo?
- Porque dessa vez, cada vez que alguém mencionasse a palavra encontro, eu certamente ia corar muito mais do que você na primeira vez em que fomos lá.
- Só... sem velas, Sherlock, por favor.
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Foi um almoço descontraído e prolongado. Angelo fizera uma grande cena quando Sherlock pedira o reservado, erguendo as sobrancelhas e batendo nas costas deles, resmungando "Até que enfim!", e oferecendo tudo o que eles quisessem por conta da casa. Quando finalmente deixou os dois sozinhos, correndo a porta atrás de si, John e Sherlock explodiram numa gargalhada.
- Se Angelo já reagiu assim – John falou -, imagine a reação da Sra. Hudson.
Os dois riram durante mais de cinco minutos depois deste comentário.
Angelo trouxe todos os itens do pedido deles pessoalmente. Não deixou que mais ninguém interrompesse o almoço dos dois. Enquanto saboreavam as bruschettas de mozarela de búfala, o celular de Sherlock vibrou.
Não deixem de experimentar a lasanha de espinafre. – MH
Morra, Mycroft. – SH
Quanta ingratidão. Eu dissuadi Gregory de almoçar no Angelo's para dar mais privacidade a vocês. E agora ele está de mau humor. – MH
Lestrade, vá dar uns amassos no meu irmão pra ele parar de interromper o meu encontro? – SH
Encontro? Hum. Só se vocês me trouxerem uma lasanha a bolonhesa. – Lestrade
Feito – SH
O celular ficou em silêncio. Sherlock ergueu o olhar para John, que sorria sobre a borda do cálice de vinho.
- Mycroft. – falou. E como numa invocação mágica, o celular de John tocou em resposta.
NÃO ESQUEÇAM A MINHA LASANHA! – Lestrade
- Lestrade? – Sherlock perguntou. John assentiu, e o detetive suspirou. – Suponho que teremos que passar na casa deles depois que almoçarmos.
- Então vamos fazer desse um almoço bastante demorado.
Na altura da sobremesa, John e Sherlock já haviam esvaziado três a quatro garrafas de vinho. Angelo trouxe duas grandes fatias de tiramisu e uma garrafa de vinho do Porto. Sherlock deu uma garfada no doce e fechou os olhos com um suspiro. John serviu-se de um cálice de vinho, sentindo uma bem vinda embriaguez lhe amolecer o corpo.
- Mycroft vai ficar furioso se chegarmos lá de porre – ele falou, insinuante, com a voz pastosa. Sherlock pegou a dica e encheu outro cálice para si. Fez um movimento e riu com gosto ao ver John pular do outro lado da mesa, ao sentir a carícia de seu pé descalço na coxa. – Sherlock! Aqui não!
- John... eu estou razoavelmente embriagado, esse é o primeiro encontro da minha vida, e quando eu sair daqui vou ter que levar lasanha para o mimado do meu irmão e o namorado teimoso dele. Deixe eu me divertir um pouquinho, por favor. – John esvaziou a taça de vinho em um só gole e levou as mãos para debaixo da mesa, começando a massagear o pé de Sherlock lenta e metodicamente. O detetive soltou um gemido satisfeito. – Ooh, isso é bom. – John deu um sorriso de lado.
- Eu conheço excelentes técnicas de massagem. – Sherlock avançou o outro pé por baixo da mesa, acariciando a perna de John., que deu um sorriso e começou a cantarolar em voz baixa e doce. – I can't get no... satisfaction. I cant' get no... satisfaction. – ele viu o olhar do detetive escurecer como um céu tempestuoso, e seu corpo retesar-se, na lembrança do que acontecera mais cedo naquela manhã.
- Você é um homem mau, John Watson.
- Sabe, eu posso cantar pra você sempre que quiser, Sherlock. Você não precisa esperar eu entrar no banho e correr pro seu quarto. – Sherlock subiu o pé que estava livre das mãos habilidosas do médico vagarosamente, aproximando-se cada vez mais da virilha... até que Angelo abriu a porta do reservado, trazendo a lasanha encomendada por Lestrade. John e Sherlock se ajeitaram nos assentos, rindo como dois colegiais, e esvaziaram a garrafa de vinho do Porto antes de saírem, cambaleando, rumo ao táxi que o dono do restaurante já lhes providenciara. Sherlock pescou o celular no bolso do jeans.
Onde? – SH
Meu apartamento no centro. – MH
Sherlock empurrou John para o banco de trás do táxi e se jogou logo atrás dele.
- Bond Street, por favor.
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John e Sherlock estavam bêbados como gambás. No trajeto do restaurante até o prédio luxuoso onde Mycroft mantinha uma de suas várias residências, eles foram cogitando como encontrariam os dois ao chegar. Eles nunca haviam visto o incomum casal em seu habitat; haviam trabalhado juntos em centenas de casos, já haviam recebido eles em Baker Street milhares de vezes, mas nunca haviam, de fato, penetrado na intimidade de Mycroft e Lestrade.
- Você acha que Mycroft o chama de inspetor quando eles... você sabe? – Sherlock sugeriu, com uma risadinha ébria. John fez uma careta.
- Sabe, para um virgem, você demonstra muito interesse nos assuntos de alcova dos outros. – o detetive agarrou a mão do médico, segurando-a com firmeza.
- Mas é claro! Eu preciso saber o que é apropriado e o que não é. Por exemplo – ele inclinou-se para sussurrar no ouvido de John -, você prefere ser chamado de Doutor Watson ou de Capitão Watson?
O sangue de John entrou em ebulição, e ele sentiu seu jeans ficar incomodamente apertado. Ele virou-se com um olhar maldoso e colou a boca na orelha de Sherlock
- Talvez eu prefira que você fique bem quietinho. – ele arrematou o comentário com uma mordida no lóbulo da orelha, e pensou "Eu estou realmente bêbado para fazer isso no banco de trás de um táxi".
Antes que o detetive tivesse uma resposta, o táxi parou em frente a um prédio antigo, de aspecto requintado. John já fazia um movimento em direção ao bolso quando viu a porta do passageiro ser aberta, ao mesmo tempo em que um homem inclinava-se para pagar ao motorista de táxi. Sherlock pegou a sacola com a lasanha e puxou John pela mão, apontando para os dois homens de terno preto e falando em sua alegre voz de ébrio.
- Olhe, John, capangas! Boa tarde, capangas! – ele gritou e acenou, enquanto ele e John tropeçavam escada acima, às gargalhadas.
O apartamento de Mycroft ficava, obviamente, na cobertura. Eles subiram no elevador abraçados, tentando não cair no chão, de tão embriagados. Num gesto que lhes pareceu natural, colocaram cada qual uma mão no bolso traseiro do jeans do outro. Surtos de risadas escapavam dos lábios deles de tempos em tempos. Quando chegaram na cobertura, cambalearam até a porta, que foi prontamente aberta por um Lestrade mal humorado.
- Oe! Por que demoraram tanto? – então ele reparou no estado em que os dois amigos estavam. Arrancou a sacola da mão de Sherlock com uma risada meio bufada, e gritou para dentro do apartamento. – Mycroft, precisamos de café! Os dois estão num porre pavoroso.
Lestrade parecia muito a vontade, vestindo uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta. John e Sherlock entraram tropeçando no apartamento, e dando risadinhas.
- Não seja mau, Greg, é só um pilequinho.
- Isso mesmo, inspetor. Não seja um estraga-prazeres como o meu irmão. – Sherlock puxou John para sentar-se no grande sofá de couro, colocando os pés na mesinha de centro, enquanto Lestrade desaparecia dentro da cozinha.
- Sherlock, mantenha os pés fora da minha mobília, por obséquio. – a voz de Mycroft veio de algum lugar à direita deles. Os dois viraram e viram que as grandes portas da sacada estavam abertas, e Mycroft estava sentado à pequena mesa de café da manhã, lendo um livro. John franziu o sobrolho ao ver que Mycroft usava uma calça de sarja e uma camisa pólo azul, os óculos de leitura apoiados na ponta do nariz.
- Nossa, Mycroft. – ele falou, enrolando as palavras. – Você parece quase humano.
Mycroft deu um sorriso de lado e largou o livro, tirando os óculos com um suspiro, observando Lestrade, que vinha da cozinha com dois pratos servidos da aromática lasanha.
- Até mesmo os titereiros malignos por trás do governo precisam de uma folga. – ele pegou o prato da mão do namorado. – Obrigado, Gregory.
- Viu? Nada de inspetor – John murmurou para Sherlock, e os dois tiveram um ataque de risos. Lestrade rolou os olhos para Mycroft.
- Eu já liguei a cafeteira, My. – olhou para o par bêbado no sofá, reparando que Sherlock segurava a mão de Watson, acariciando-a de leve. - Quanto exatamente vocês beberam?
- Quatro garrafas de vinho. Ou talvez tenham sido cinco, não tenho certeza. Sabe como é – Sherlock apontou a camiseta que usava e cantarolou com sua voz de barítono. – I can't get no... satisfaction.
Ele e John se olharam e riram até que lágrimas escorressem de seus olhos. Lestrade balançou a cabeça e fitou Mycroft, que sorriu e deu de ombros.
- A ressaca deles será digna de nota. – comentou, antes de levar uma garfada de lasanha à boca. – Mas com certeza não estou disposto a abriga-los aqui, de ressaca, no meu primeiro final de semana de folga em...
- Sete meses. – Lestrade completou. Os dois comeram por um tempo, e o inspetor estranhou o silêncio súbito. Olhou para o sofá e viu que os dois haviam pegado no sono, Sherlock com a cabeça caída no encosto, John com a dele apoiada no ombro do outro, as mãos ainda apertadas juntas. Ele ergueu as sobrancelhas para Mycroft. – Deve ter sido um primeiro encontro e tanto. – Mycroft suspirou, pegou o celular e apertou a discagem rápida.
- Anthea, providencie para que meu chalé seguro no Surrey esteja pronto para os próximos dois dias, e que o carro venha buscar a mim e ao inspetor Lestrade em uma hora. E lembre-se, por gentileza, de não me ligar e nem me direcionar nenhuma chamada até a terça-feira pela manhã. – ele ouviu por um momento. – Não, Anthea, nem mesmo em caso de ataque nuclear. Nesse caso, vou perecer junto com o resto da população de Londres, mas nos braços fortes do meu amado. – Mycroft desligou sem esperar resposta, e olhou para Lestrade, que sorria para ele do outro lado da mesa, balançando a cabeça. – Gregory, você pode fazer a gentileza de me ajudar a levar nossos inesperados convidados até o quarto de hóspedes, para que possamos apreciar um almoço tardio e tranquilo a dois, até a chegada do carro?
Lestrade sorriu e levantou-se, dirigindo-se até o sofá. Levantou Sherlock pelo braço, tendo dificuldades de separar a mão dele da de John. Mycroft ergueu o médico com surpreendente facilidade, e os dois conduziram o par semiadormecido até o quarto de hóspedes, onde os colocaram na cama. Mycroft tratou de remover os sapatos dos dois, enquanto Lestrade buscava uma manta para cobri-los. No momento em que foram colocados na cama, mesmo adormecidos, os dois pareceram se buscar, Sherlock puxando o corpo menor de John para aninhar-se contra o seu, os dois se abraçando com um suspiro satisfeito. Lestrade e Mycroft observaram por um segundo, antes de deixarem o quarto de mãos dadas.
- A casa de Surrey, hein? – Lestrade falou, com malícia. - Aquele balanço na varanda dos fundos ainda existe? – Mycroft sorriu abertamente, puxando o outro para um beijo rápido.
- Sim. E eu mandei instalar uma jacuzzi. – Lestrade riu com gosto.
- Ah, Mycroft, sua velha raposa. Quase começo a desconfiar que você armou tudo isso apenas para irmos para lá. – ele sussurrou no ouvido do outro, beijando-lhe de leve o pescoço.
- Um bom conspirador nunca revela seus segredos.
N/A: Sinceramente, adorei descrever os dois bêbados. E a intimidade do My e do Greg as well. E o fetiche do Sherlock com o John cantando ainda vai render mais alguma coisa...
Sexta-feira, o último capítulo! \o/
Deha Mata
Eowin
