PARTE VII – FIRST THINGS FIRST

John sentiu uma dor insistente por trás das pálpebras, indicativo de que bebera muito além do que estava acostumado. Tentou mover-se, e sentiu um par de braços envolverem sua cintura e puxá-lo contra um peito sólido, enquanto um aroma familiar de substâncias químicas, sabonete de lavanda e cigarros tomava suas narinas.

- John, minha cabeça dói. – a voz de Sherlock soou rouca, e um hálito de álcool envolveu-os. John tentou abrir os olhos, mas desistiu.

- Devíamos ter parado na segunda garrafa de vinho. – ele murmurou, virando-se para enterrar o rosto no ombro de Sherlock, que riu com um som gutural, mandando-lhe um arrepio espinha abaixo. – Onde diabos nós estamos?

- A última coisa que me lembro é de estar sentando no sofá de Mycroft. A cama onde estamos é grande demais para ser a minha ou a sua, e ainda estamos vestidos. Suponho que Mycroft e Lestrade nos carregaram até o quarto de hóspedes e fugiram para algum dos outros covis do meu irmão. – John arriscou abrir os olhos, sentindo como se punhais se cravassem em sua testa. Olhou em volta e se viu num cômodo amplo, decorado sobriamente em tons de tabaco e marfim, deitado em uma cama king size. Como Sherlock dissera, os dois ainda estavam completamente vestidos, e ele podia ver seus tênis junto a porta do closet. Uma porta entreaberta deixava à mostra um banheiro, e John sentiu uma súbita urgência de escovar os dentes e livrar-se do terrível gosto de guarda-chuva que lhe tomava a língua. Ergueu-se com dificuldade e provocou um protesto de Sherlock – Aonde você vai?

- Recuperar minha dignidade. – ele viu o detetive rolar de bruços, enterrando a cabeça nos travesseiros macios com um gemido. John tropeçou até o banheiro da suíte, apreciando ao entrar a grande banheira de hidromassagem – grande o bastante para dois. Com um sorriso mínimo, dirigiu-se até o balcão da pia, encontrando um bilhete preso no espelho, na caligrafia aristocrática e fluida de Mycroft.

Meus caros,

Gregory e eu resolvemos partir em uma pequena viagem ao campo. Sintam-se a vontade para ficar por aqui até segunda-feira, se lhes aprouver. Há roupas dos seus tamanhos no closet, e artigos de higiene no armário do banheiro. A cozinha, é claro, está plenamente abastecida. Só peço, caro John, que não deixe Sherlock perpetrar nenhum experimento pavoroso – e nem colocar os pés sobre os meus móveis.

MH

John riu, sentindo a cabeça doer. Abriu o armário e separou duas escovas de dente, não ficando nem um pouco surpreso ao ver que a pasta de dente era a sua marca habitual. Lavou o rosto com água fria e escovou os dentes, sentindo-se um pouco melhor. Saiu do banheiro e olhou para Sherlock, que ainda jazia na cama, de lado, os olhos fechados e a testa franzida.

- Vou fazer um café bem forte. Quando estiver se sentindo melhor, me encontre na cozinha. – o detetive soltou um grunhido, arrancando um sorriso do médico.

Na cozinha, sobre a bancada, John encontrou outro bilhete, dessa vez na caligrafia firme de Lestrade, acompanhado de dois flaconetes de líquido em um tom radioativo de verde.

Antes de pensarem em comer alguma coisa, tomem um desses cada um. Meu segredo pra aguentar um turno de doze horas na Yard depois de uma noite de bebedeira. Tentem não colocar fogo na casa.

Lestrade

John deu de ombros e tomou o remédio, franzindo os lábios com o amargor. Começou a mexer nos armários e se familiarizar com a localização dos objetos e eletrodomésticos. Tinha que admitir para si que era uma mudança bem vinda não encontrar olhos dentro do micro-ondas, cabeças na geladeira ou frascos com conteúdos desconhecidos ao lado da pimenta na prateleira de temperos. Pegou o pó de café, aspirando o delicioso aroma. Já se sentia bem melhor. Olhou o relógio na parede, constando sem surpresa que o dia já se encaminhava para o final, já passando das seis e meia. Pelas portas de vidro da sacada, era possível ver que o céu se tingia de um tom vibrante de rosa alaranjado, prometendo um pôr do sol espetacular. Enquanto preparava a cafeteira, John sentiu um beijo no topo da cabeça. Virou e deu de cara com Sherlock, sem camisa, com uma toalha pendurada no pescoço, os cabelos pingando água, parecendo quase curado da ressaca pavorosa com que os dois tinham acordado. John deu uma olhada apreciativa no peito nu do outro, e voltou-se para o preparo do café.

- Greg deixou um remédio para a ressaca em cima do balcão. Melhor você tomar, também. – Sherlock pegou o frasquinho, examinando-o contra a luz. Abriu-o, cheirou e tomou de um gole, fazendo careta. John riu, balançando a cabeça e ligando a cafeteira. – Okay... o café ainda vai demorar uns minutos. Como você está se sentindo?

- Um pouco melhor, depois de enfiar a cabeça debaixo de um jato de água fria. – o detetive enxugava os cabelos com a toalha branca e macia, escorado na ilha central da cozinha. – E então, em termos de primeiro encontro, como você classificaria esse? – John apoiou-se na bancada da pia, fingindo pensar.

- Bem... tivemos um bom almoço, bebemos demais e terminamos juntos na cama. Eu classificaria de um bom primeiro encontro. – Sherlock ergueu a sobrancelha.

- Terminamos na cama sem nem mesmo nos beijarmos... tsc, tsc.

- Eu não queria beijar você de porre, Sherlock. Não só o gosto teria sido terrível – John falou, aproximando-se do outro -, como eu queria você sóbrio e bem consciente do que estava fazendo. – Sherlock engoliu em seco ao ver o olhar carinhoso do outro, que se aproximava devagar. – Afinal de contas... você já beijou alguém de verdade, Sherlock? – Sherlock sentou-se num dos bancos da cozinha, ficando com o olhar no mesmo nível do de John. Ele desviou o olhar para o chão, balançando a cabeça numa negativa. John segurou com delicadeza o queixo de Sherlock e forçou-o a encara-lo, os pálidos olhos azuis brilhando ao encarar o azul mais escuro dos dele. – Sherlock... por mais que eu tenha mais experiência em relacionamentos em geral do que você, eu nunca tive um relacionamento com outro homem. Nunca beijei, toquei ou... fiz sexo com outro homem. Toda essa situação é nova pra mim, também. Então acho que vamos ter que aprender juntos. – Sherlock deu um sorriso leve, enrolando a toalha úmida no pescoço de John, segurando as pontas de leve.

- Eu gosto da ideia. Você é o único ser humano com quem eu me sinto confortável fisicamente, John... eu nunca gostei de ser tocado, acariciado... mesmo quando criança, eu fazia o possível para escapar dos cuidados e carinhos da minha mãe e, ocasionalmente, do meu irmão. Mas com você... é como se fosse natural. E me agrada que, de alguma forma, eu seja o primeiro em alguma coisa pra você. Isso é egoísmo? – ele perguntou, com uma dúvida genuína estampada nos olhos gris. John balançou a cabeça.

- Não. Mas pode ser um pouquinho de ciúme. – o médico provocou. Os dois se olharam por um longo momento, antes de John inclinar-se na direção de Sherlock. O detetive fechou os olhos, sentindo a respiração quente de Watson, o hálito cheirando a canela da pasta de dente favorita dele, e manteve as mãos nas pontas da toalha, que agora pendia do pescoço de John. Primeiro, foi só um beijo leve, nada mais que um toque dos lábios. Os dois apreciaram o contato suave por um momento, e então John pressionou um pouco, forçando seus lábios contra os lábios macios de Sherlock, movimentando-os hesitantemente. Sherlock entreabriu os lábios e John deixou sua língua invadir a boca do outro, sentindo o sabor da pasta de dente mentolada e um resquício de sabor do vinho. Logo Sherlock apertava com mais força a toalha, puxando John para mais perto, enquanto sua própria língua começava uma tímida exploração da boca de John, apreciando o sabor de canela. John gemeu e puxou Sherlock mais para perto, os quadris encontrando-se, o que lhes mandou um longo arrepio espinha abaixo. O detetive soltou a toalha e enlaçou o pescoço do médico com as mãos esguias, brincando com o cabelo curto da nuca, enquanto o outro segurava com força sua cintura esguia, os dedos firmemente pressionados na pele pálida. John mordeu de leve o lábio inferior de Sherlock e rompeu o beijo, em busca de ar. Os dois apoiaram as testas e ficaram respirando pesadamente por um momento, os rostos vermelhos, as ereções pressionadas uma contra a outra. Sherlock sorria de maneira tola, o que fez John acariciar com ternura as afiladas maçãs do rosto do outro. – Wow. – Sherlock gargalhou, as mãos descendo para acariciar os ombros largos de John.

- Wow, realmente. Parece que eu andei perdendo muita diversão. – Um brilho de ciúme atravessou o olhar de John.

- Espero que não esteja pensando em nenhum tipo de experimento em relação a isso, senhor Holmes. – Sherlock deixou as mãos caírem até a cintura de John e descansou a testa no ombro dele, puxando-o para mais perto ainda.

- Qualquer experimento que eu tenha em mente, envolve apenas um certo Capitão do 5º Regimento de Fuzileiros de Northumberland. – John sorriu e beijou os cachos negros do detetive, aspirando o aroma tão conhecido. Os dois ficaram abraçados por alguns minutos, apenas aproveitando a sensação dos corpos abraçados, do calor compartilhado. Tudo era novo para os dois, e eles precisariam ir devagar. Mas eles sentiam ter todo o tempo do mundo.

N/A: TO BE CONTINUED IN ANOTHER FIC \o/

Yeeey, final fluffy ^^ Não teve sexo... ainda. E esperem a história do por quê o Greg gosta tanto da casa segura no Surrey.

Espero que todos os Johnlockians e Mystradians tenham apreciado esta muito, muito pequena fic. Mas outras virão, porque eu estou absolutamente fascinada pelo universo que saiu da mente maligna do Moffat e do Gatiss(imo). XD

Mesmo que a fic não tenha tido muito retorno em termos de reviews, ainda sim estou satisfeita ^^

SE tudo sair dentro do esperado, em menos de duas semanas vocês terão mais notícias do Jawn e do Lockie, e também do Greg e do My *-*

Until we meet again!

Eowin