Eu queria começar pedindo desculpas por ter parecido que abandonei essa história. Os últimos meses foram bem difíceis para mim.

Essa história acontece muito com o coração, eu não tenho um grande roteiro planejado. Eu sei onde eu quero chegar com ela, mas as coisas vão acontecendo de forma muito natural, o que tem suas vantagens e desvantagens. A vantagem é uma escrita mais orgânica, e a desvantagem é que, quando a criatividade não bate ou o cansaço emocional e mental me vencem, eu não consigo escrever.

De qualquer forma, eu quero agradecer pelos comentários, pelas DMs e principalmente pela paciência dos leitores que acompanham essa história. Vocês com certeza fazem o meu dia melhor!

Por fim, um aviso: a história não está muito longe do fim, acredito que em cinco capítulos concluo a saga de Hermione e Bill, e espero não decepcionar vocês.

Muito amor a todos s2

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Almas gêmeas

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- Essa era a minha calcinha preferida – Hermione disse entre a respiração pesada.

- Eu posso parar se você quiser – Bill provocou, com a boca contra o pescoço dela, sem intenção alguma de parar. O ruivo apertou as nádegas dela com força e a sentiu apertar mais as pernas contra a sua cintura.

- Não ouse – ela declarou, e ele soltou uma risada.

- Eu gosto quando você é mandona – ele falou, deslizando de uma vez para dentro dela e arfando ao ouvir o gemido dela contra o seu ouvido. Sentiu o peito rugir quando Hermione enterrou os dedos em seus cabelos e cravou as unhas em seu escalpo – Você é o paraíso, eu nunca vou me cansar de você.

Bill normalmente tomava seu tempo com a esposa, explorava o corpo inteiro dela com as mãos e a boca antes de se enterrar dentro dela. No entanto, o frenesi por ela ter aceitado seu pedido de casamento, somado ao vinho que os dois haviam bebido havia deixado Bill completamente incapaz de se controlar, e Hermione parecia estar na mesma página que ele. E foi assim que os dois acabaram contra uma árvore no quintal D'A Toca, a poucos metros de distância das tendas onde a festa de Arthur e Molly ainda estava acontecendo. A bruxa tinha a saia do vestido levantada até a cintura e mantinha as pernas firmemente enlaçadas à cintura do ruivo, que estava com as calças e cueca na altura do joelho enquanto entrava e saía dela.

O ruivo a segurava pelas nádegas, prensando-a contra a árvore áspera, e sorriu ao encarar a esposa e enxergá-la com a boca vermelha entreaberta, ofegante e gemendo baixo, com os fios de cabelo completamente elétricos pela fricção que a cabeça dela fazia contra o tronco da árvore. Bill ainda tinha a calcinha de renda dela entre os dedos, completamente rasgada.

- Bill... – ela o encarou, prensando os próprios lábios fechados, segurando o som do gemido que anunciava que ela estava próxima de atingir seu prazer. O ruivo a prensou mais contra a árvore, e levou uma de suas mãos ao rosto dela, deslizando os dedos para trás da nuca da castanha enquanto seu polegar acariciava a mandíbula dela.

- Eu nos silenciei, você pode fazer barulho – ele respondeu, também ofegante. O bruxo a olhou nos olhos, sentindo-se tragado pelo âmbar que envolvia as pupilas muito dilatadas dela – Fique olhando para mim.

Ele gostava do jeito que os dois faziam amor. Porque sim, Bill fazia amor com ela. Era intenso, era íntimo, era barulhento, mas não era só sexo. Ele gostava de vê-la dilatando as pupilas enquanto se apertava em volta dele e tensionava todo o corpo até, por fim, gemer alto e relaxar contra os braços dele. Era a cena mais linda do mundo. Ela ficava mais linda que o normal todas as vezes em que gozava, e ele sentia algo no peito por saber que era ele quem a deixava daquele jeito. Com mais duas estocadas lentas, Bill a sentiu contraindo e, não conseguindo se segurar mais tempo, derramou-se dentro dela.

Hermione fechou os olhos e buscou a boca dele, segurando o rosto do ruivo entre as palmas das mãos. Afastou-se em busca de ar e apoiou a testa na dele, esperando que seu coração voltasse ao compasso normal.

- Você é perfeito – ela sussurrou, e ele sorriu, roçando os lábios nos dela.

- Eu somente tento ser para você o que você é para mim – ele respondeu, amparando-a pela cintura para que ela conseguisse ficar de pé, o que foi uma tarefa bastante difícil visto que a bruxa ainda sentia as pernas moles. Bill sacou a varinha os limpou com um feitiço, e a ajudou a ajeitar o cabelo, que estava parecendo um ninho de passarinhos.

Hermione se escorou contra a árvore e buscou um espelhinho em sua bolsa, e passou a retocar a maquiagem com a varinha antes de voltar à festa de mãos dadas com o marido. A bruxa ainda sentia as pernas bambas e não confiava nos próprios joelhos, razão pela qual pretendia se dirigir diretamente à mesa que dividia com Ginny e os outros. No entanto, Bill e Hermione foram interceptados por um bruxo alto e corpulento, com um grosso bigode e um chapéu roxo engraçado antes que a bruxa pudesse avisar ao marido que pretendia se sentar. O homem parecia simpático, e abriu um sincero sorriso ao encontrar Bill. Os dentes muito brancos do homem contrastavam com a bonita e imaculada pele morena dele. Hermione nunca havia antes visto o homem.

- William Weasley! – o homem exclamou – É um prazer voltar a encontrá-lo, rapaz.

- Senhor Akingbade, é um prazer – Bill respondeu, também sorrindo. O ruivo apressou-se a tomar o homem num rápido abraço e tratou de dar um passo atrás e posicionar sua mão nas costas de Hermione possessivamente – Esta é Hermione Weasley, minha esposa.

Hermione reconheceu o nome e ficou empolgada, adiantando-se para frente e tomando a mão do homem em um aperto.

- É um enorme prazer conhecê-lo, Sr. Akingbade.

- Ouvi ótimas coisas de você, Sra. Weasley, e me alegra saber que você é a esposa desse ótimo rapaz! – o homem deu uma gargalhada – Estendo minhas felicitações aos dois pelo casamento.

Babajide Akingbade ocupava um alto cargo no Ministério da Magia do Egito antes de se tornar Chefe da Suprema Corte dos Bruxos logo após o afastamento de Dumbledore. O homem era conhecido por suas inúmeras habilidades em Alquimia e Astronomia e Hermione havia lido muito sobre ele, apesar de nunca o ter encontrado pessoalmente. A bruxa se perguntava se Bill o conhecia do tempo em que trabalhou no Egito, já que as datas batiam. O ruivo voltou para a Inglaterra pouco tempo antes do Torneio Tribruxo, enquanto o Sr. Akingbade assumiu o assento no Tribunal um ano depois. Segundo as leituras de Hermione, o homem havia renunciado ao posto no Winzengamot para retornar ao Egito e assumir a direção da Escola de Magia de Uagadou.

- Está há quanto tempo aqui, Sr. Akin? – Bill perguntou, legitimamente interessado.

- Não muito – o homem respondeu – Estava há anos com vontade de voltar para cá e visitar antigos amigos, e que ocasião melhor do que as bodas dos seus pais? Eu não perderia uma boa festa e a comida da Sra. sua mãe por nada, garoto.

- De fato é bastante difícil negar a comida de mamãe – Bill comentou divertido. O ruivo seguia com o braço enlaçando a cintura da esposa, o que felizmente a mantinha no lugar, já que suas pernas ainda pareciam moles – Como anda todo mundo? Faz muito tempo que perdi contato com meus antigos colegas do Egito.

- Interessante você perguntar, William. Com as atribuições de diretor, meu maior contato com o mundo exterior é com o Ministério – o homem coçou o bigode – Inclusive fiquei sabendo que estão precisando de Quebradores de Maldição por lá, tivemos uma aposentadoria em massa.

- Aposentadoria em massa? – Hermione questionou.

- Muitos jovens não têm interesse em seguir como Quebradores lá, Sra. Weasley – Akin respondeu – Então, com a avançada idade, nossos Quebradores se aposentaram e agora temos algumas vagas a serem preenchidas. O que me lembra, William... – o homem se virou novamente para Bill – Você era o melhor no seu tempo, o que pensa em voltar ao Egito? Encontrei Samantha essa semana, e ela acabou por aceitar uma posição. Uma ótima garota, aquela!

- Ela é – Bill respondeu sorrindo – Seria um enorme prazer voltar ao Egito, tenho boas memórias de lá. Mas sou um homem casado agora – Bill olhou para Hermione e piscou um olho.

- Bem... Mas prometa que vai pensar sobre, hã? – Akin abriu um sorriso e abanou para alguém atrás de Hermione – Se me dão licença, acabei de avistar um velho amigo. Foi um enorme prazer revê-lo, rapaz. E um prazer ainda maior conhecer a famosa Hermione Granger! Agora Hermione Weasley, não é mesmo?

- Igualmente, Sr. – Hermione respondeu.

O homem sorriu uma última vez e, com um aceno de cabeça, deixou o casal sozinho novamente.

- Ele é um pouco... engraçado – Hermione comentou.

- Você diz isso porque está acostumada com o Wizengamot – Bill provocou, sorrindo – No Egito pessoas do alto escalão como Babajide Akingbade são bastante... acessíveis.

- Você tem um bom ponto – ela reconheceu, e Bill a puxou para um beijo.

- Eu sempre tenho um bom ponto.

Hermione sorriu e anunciou ao marido que se sentaria na mesa, já que ele a havia deixado com as pernas bambas. Bill nem disfarçou o sorriso maroto à notícia e avisou que iria buscar mais bebidas a todos. A bruxa, então, direcionou-se à mesa e se sentou ao lado de Ginny.

- Eu juro por Merlin que se há dez anos alguém me dissesse que Hermione Granger não só viraria uma Weasley como transaria do lado de fora de uma festa eu não acreditaria – Ginny comentou e Hermione a encarou com os olhos arregalados.

- Como voc...

- Como eu sei? – Ginny riu – Basta olhar para você e Bill. Vocês dois parecem fazer sexo até quando estão somente se olhando.

Hermione enfiou o rosto entre as mãos.

- Meu Deus, que vergonha!

- Não sinta. Acho que só eu percebi, para ser honesta – Ginny a tranquilizou.

Bill chegou logo em seguida com três shots de whisky de fogo e entregou uma à castanha e outra a Ginny, e bebeu o terceiro. Sob a influência marota da ruiva, Hermione aceitou competir para ver quem conseguia tomar mais shots e ficou surpresa com a quantidade de bebida que ingeriu sem vomitar. No entanto, quando resolveu se levantar para fazer xixi e lavar o rosto, sentiu o mundo girar à sua volta e quase caiu no chão. Bill, gargalhando, amparou-a pela cintura e a conduziu até o banheiro.

O ruivo tinha muito mais resistência à bebida que a esposa, mas mesmo assim estava se sentindo bastante alto e tudo parecia mais engraçado do que realmente deveria ser. Quando chegaram ao banheiro, Bill soltou a cintura de Hermione e se escorou junto ao marco da porta do recinto.

- Tem certeza de que consegue usar o banheiro sem causar um acidente? – ele brincou, e ela estreitou os olhos e cambaleou um pouco para frente, sendo novamente amparada pelo bruxo.

- Vozê está duvindando da minha capazidade Zenhor Billy Weaaazle? – ela questionou com a voz engraçada, e ele soltou uma gargalhada – Maz talvez seja melhor vozê ficar aqui comigo.

-Sempre – Bill respondeu, beijando-a carinhosamente nos lábios e a empurrando gentilmente para dentro do banheiro.

Ele permaneceu do lado de fora e, por segurança, havia deixado uma pequena fresta aberta a fim de alcançar a esposa mais rápido caso algo acontecesse. Cruzou os braços e se escorou novamente ao marco da porta. Passou a encarar o teto e não refreou a risada ao ouvir Hermione resmungar que havia perdido a calcinha. Conseguia imaginar a castanha girando no banheiro a procura do pedaço de roupa, esquecendo-se completamente que ele a havia rasgado mais cedo.

Quando Hermione desistiu de procurar a calcinha e se deu por satisfeita, lavou as mãos e abriu a porta lentamente, colocando somente a cabeça para fora. Bill a encarou com uma sobrancelha levantada ao ver que ela parecia desconfiada.

- Bill – ela sussurrou, e ele abaixou o rosto o suficiente para que seu ouvido ficasse na altura da boca dela – Alguém roubou minha calcinha.

O ruivo desatou a gargalhar novamente e se virou completamente à bruxa, colocando uma mecha de cabelo castanho para trás da orelha dela.

- Meu amor, eu rasguei sua calcinha – ele respondeu, e ela abriu a boca em um "o" e arregalou os olhos.

- Eu tinha ezquecido dizo – ela sussurrou em resposta e, logo depois, abriu o restante da porta e jogou os braços por cima dos ombros do marido – Vozê me ama mesmo eu zendo combletamende vergonhosa quando bebo?

Bill sentiu um puxão no peito e a enlaçou pela cintura possessivamente com uma mão, enquanto a outra segurava o rosto dela pelo queixo. Mesmo com os batimentos cardíacos frenéticos, ele colocou seus olhos na mesma altura dos olhos dela e sorriu genuinamente.

- Eu amo você de qualquer jeito. Porque seja bêbada ou sóbria, você ainda é você, e eu amo cada pedaço de você – ele respondeu, e sentiu como se um peso tivesse sido tirado de seu peito. Hermione sorriu e o puxou pelo colarinho, colando sua boca na dele em um beijo carinhoso.

No entanto, poucos segundos depois a bruxa se afastou bruscamente do ruivo, virou as costas e correu de volta para o banheiro. Bill ouviu quando ela vomitou e, revirando os olhos com um sorriso divertido no rosto, entrou no cômodo e pegou a esposa no colo, anunciando a ela que era hora de voltarem para casa.

Bill tomou o cuidado de usar a rede flu para levá-los até o apartamento, pois tinha medo de que o repuxo da aparatação a fizesse vomitar de novo. Hermione estava completamente mole e sonolenta em seu colo, então ele a deitou com cuidado na cama, utilizou nela um feitiço para limpá-la, retirou os sapatos e o vestido com cuidado e a cobriu com a coberta. Após retirar a própria roupa e se lavar, deitou-se ao lado da bruxa e a puxou para que ela colasse as costas em seu peito. Enterrando o nariz nos fios castanhos e já bagunçados dela, Bill dormiu.

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Hermione acordou sentindo a cabeça pesada. Era como se ela tivesse sido atropelada e não lembrasse como. Resmungou esfregando os olhos e sentiu os braços de Bill, que ainda estava pregado no sono, apertando-a mais contra o corpo dele.

- Nunca mais me deixe beber – ela resmungou, e ele riu.

- E perder toda a diversão? – ele respondeu – Você fica engraçada quando bebe.

Hermione se virou dentro do abraço de Bill e enterrou a cabeça no peito nu dele. O ruivo a enlaçou com os braços e fechou os olhos por alguns momentos, deleitando-se no calor do corpo dela contra o seu.

- Quer que eu faça algo para você comer? – Bill perguntou e Hermione fingiu ânsia de vômito, o que arrancou gargalhadas do ruivo – Ok, sem comida.

A bruxa roçou o nariz no peito dele e beijou carinhosamente uma grande cicatriz que havia ali, apertando-se mais contra o corpo dele. Um pensamento perpassou sua mente, e ela franziu as sobrancelhas. Afastando-se um pouco de Bill, ela encarou o bruxo.

- Os pais de Harry eram almas gêmeas, você sabia? – ela perguntou.

- Eu não sabia – ele respondeu sincero. Nunca havia ouvido aquela história.

- O patrono do pai de Harry era um cervo, e o da mãe dele era uma corsa – Hermione explicou – Segundo os livros que li, isso indica que os dois eram almas gêmeas. Almas gêmeas de verdade.

- Interessante – Bill comentou, ainda interessado, mas não entendendo de onde o assunto surgiu.

- Remus e Tonks também eram almas gêmeas, de uma maneira diferente, é claro. Remus era um lobisomem e a literatura diz que alguns lobisomens têm uma parceira e que, quando os dois se encontram, é para sempre. Eu fico feliz que ele tenha sido sortudo o suficiente de encontrar uma parceira justamente dentro da Ordem.

E então Bill entendeu onde ela estava querendo chegar.

- Você sabe que eu não sou um lobisomem, não sabe? – ele perguntou, rindo, e ela franziu as sobrancelhas.

- Sim, mas você já se perguntou se você também não tem uma parceira? – ela questionou – Você ficou com algumas características lupinas, como sabe se também não acabou ficando com isso?

- Você é minha parceira– Bill respondeu, e Hermione rolou os olhos – É verdade. Eu não tenho uma alma gêmea determinada por mágica ou qualquer outra coisa. E eu gosto assim, sabe por quê? Porque assim eu sou livre para conhecer alguém e escolher ficar com essa pessoa. O amor é muito mais poderoso quando você o escolhe, não acha? E eu escolhi você.

- Tecnicamente, eu escolhi você – Hermione teimou e Bill deu uma risada – O que eu não escolhi é ter que encontrar Linda hoje. Bem, eu escolhi, mas não esperava ter bebido tanto ontem à noite.

- Mas hoje é fim de semana! – Bill reclamou

- Eu sei – Hermione se justificou, levantando-se da cama sob os protestos do ruivo – Mas nós temos alguns documentos para revisar e eu finalmente sinto que sei o que estou fazendo.

- Quando você vai me dizer do que se trata esse projeto secreto, hein? – o ruivo perguntou, cruzando os braços atrás da cabeça e observando a esposa apanhar uma toalha e caminhar até o banheiro.

- Quando ele estiver pronto! – ela gritou antes de ligar o chuveiro.

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Hermione passou a tarde inteira em seu gabinete no Ministério na companhia de Linda e outras três mulheres. O trabalho em equipe havia rendido bastante e as quatro haviam separados o número gigantesco de documentos em pastas, de acordo com o assunto.

- E agora? – Linda perguntou.

- Agora eu continuo o meu trabalho e busco apoio para a nossa causa.

- E como você pretende conseguir isso? O Winzengamot é composto por homens, você realmente acha que eles vão nos apoiar?

- Você tem razão. O Winzegamot é composto por homens, mas nós contamos com a sorte de que temos alguns do nosso lado – Hermione explicou – Arthur Weasley tomou o seu assento de volta depois da Guerra, Draco ocupa o assento dos Malfoy e dos Greengrass. Harry é, por direito, representante tanto dos Potter quanto dos Black, graças a Sirius. Se eu os convencer a votar em nosso favor, temos boas chances.

Os olhos de Linda estavam brilhantes e ela segurava com força uma pasta entre os dedos. A bruxa olhou para Hermione com um sorriso no rosto.

- Você definitivamente precisa se tornar a nossa Ministra.

- Eu concordo com você – Hermione respondeu e deu uma piscadela à mulher – E você, depois que conseguirmos isso, deve retomar o seu assento em Wizengamot. Você é a única herdeira da sua família. Nós não só vamos conseguir que a Lei seja colocada abaixo, como vamos conseguir que as mulheres herdeiras ocupem seus lugares por direito.

- Bem, está tudo em ordem para você protocolar o pedido – Linda comentou com um suspiro de quem havia cumprido uma importante missão. A mulher virou as costas e colocou a pasta que segurava ao lado das outras em cima da mesa de Hermione.

- Vou fazer isso na primeira hora da tarde, assim que falar com Harry, Arthur e Draco – Hermione respondeu.

A castanha estava animada e confiante, e se despediu de Linda no elevador. Antes de ir para a casa, a bruxa caminhou a passos apressados até o corujal do Ministério e escreveu três cartas, convocando Harry, Draco e Arthur para uma reunião em seu gabinete na primeira hora da manhã na segunda-feira. Ela não tinha dúvidas de que teria o apoio de Harry e Arthur, mas sabia que teria um pouco de trabalho em convencer o Malfoy. Não que Draco concordasse com a Lei, ele havia sido um dos sortudos a se casar por amor, mas o garoto teve uma vida conturbada e permanecia nas sombras, longe do olhar público, desde o fim da Guerra. Ao contrário de seu pai, Draco não queria os holofotes, eles nunca trouxeram nada de bom à sua família.

Quando amarrou o terceiro e último pergaminho ao pé de uma coruja, suspirou aliviada. Levantou a mão direita e a esticou à frente do rosto, e abriu um sorriso. Ali, estava o anel de noivado que havia ganhado de Bill. Era bastante curioso que a Lei que ela tanto lutava para derrubar houvesse lhe trazido tanta felicidade. Se alguém lhe dissesse um ano atrás que ela se casaria com Bill Weasley e que nele encontraria o amor, ela daria risada. Hermione sentiu o peito aquecido ao pensar no marido. Ela o amava, não tinha dúvidas disso. Ela o amava com todo o seu coração.

Amava o sorriso dele, que tomava o rosto inteiro do ruivo e fazia com que pequenas rugas se formassem nos cantos dos olhos muito azuis dele. Amava os olhos dele, que tinham a cor do oceano e sempre a olhavam com carinho. Amava o som da risada dele, que preenchia um ambiente inteiro. Amava o corpo dele, que se moldava perfeitamente ao seu e a fazia esquecer seu próprio nome. Amava os cabelos dele, sempre presos de um jeito bagunçado e que o deixavam ainda mais bonito. Amava as cicatrizes dele, que contavam a história do homem corajoso que ele era, e do quão essencial ele foi para a vitória de Harry na Guerra. Amava o jeito como ele pensava, e as piadas que ele fazia. Amava quando ele falava sobre as coisas que gostava, sobre as aventuras que viveu, sobre os amigos que fez pelo caminho. Ela amava tudo sobre Bill. Simples assim.