'Cause you can't jump the track
We're like cars on a cable
And life's like an hourglass, glued to the table
No one can find the rewind button, girl
So cradle your head in your hands
And breathe, just breathe
Woah breathe, just breathe
Porque você não pode sair dos trilhos
Somos como carros num cabo
E a vida é como uma ampulheta colada à mesa
Ninguém consegue achar o botão de "voltar", garota
Então coloque a mão na sua consciência
E respire, apenas respire
Oh... respire, apenas respire
Breath – Anna Nalick
CAPÍTULO 1 – NEM TUDO QUE RELUZ É FELICIDADE
BELLA POV - 2 anos atrás
Paris, a cidade da luz, a cidade do romance. Nunca imaginei que a minha profissão de enfermeira me direcionasse para um local tão glamoroso. Assim que me formei, minha primeira inclinação foi ir para a África, salvar crianças subnutridas e remendar rebeldes que lutavam por uma causa perdida. Mas com um chamado insano e também a insistência da minha mãe, eu me candidatei a prestar socorro a pessoas dentro de um universo completamente diferente da minha personalidade e sonho de acadêmica. Eu estava à disposição da equipe médica que seguia o disputadíssimo também muito conhecido, Rally Paris-Dakar.
Minha mente vagava sobre o porquê eu escolher exatamente esse caminho. Eu não combinava com isso. Apesar de a corrida acontecer em lugares semi-áridos em alguns países com pouquíssimos recursos, ou lugarejos que só tinha essa corrida como único evento importante acontecendo, as pessoas que eu estava à disposição para eventuais acidentes eram, sem sombra de dúvidas, extremamente importantes e com muito dinheiro. Eu não entendia nada de corridas, muito menos sobre essas pessoas milionárias que gastavam recursos ilimitados em uma disputa enlouquecida que no final valeria somente alguma publicidade, um caneco dourado e comemorações em grandes hotéis e casas noturnas. Mas enfim, não era o meu trabalho entender o que eles pensam.
Hoje tinha sido o último dia. Ainda bem. Pouco trabalho a fazer, somente algumas suturas em alguns daqueles loucos. Eu era extremamente tímida, pouco conversava com a equipe, mas sabia que era extremamente competente. Apesar de ter somente 23 anos, eu sabia impor minha presença profissional. Mas somente isto. Segundo a minha mãe, o fato de trabalhar junto ao glamour das corridas tiraria um pouco essa seriedade e timidez da minha vida. Eu nunca acreditei muito nisso. Mas o pior foi ouvir de Rosalie, uma das minhas poucas amigas, quando a informei sobre o meu novo emprego: "Isso amiga, lá só vai ter homens lindos... você pode arrumar um namorado... ou talvez ache sua vida sexual por lá". Eu nunca namorei e esse típico comentário de Rosalie me enfurecia, principalmente quando ela queria tirar sarro da minha inibição e virgindade. Mas como eu esperava, nada aconteceu. Novamente. Pois esse era o segundo ano que eu participava como membro efetivo da equipe de socorros e não tinha conhecido ninguém.
Retirada dos meus devaneios por um Mike berrando transtornado, me posicionei tensa com medo de um ataque de loucura. Ele era engraçado e eu já tinha percebido seu interesse por mim, mas aquele comportamento dele me fez agradecer aos céus por nunca ter sucumbido ao seu charme.
"ISABELLA! ISABELLA! PRECISAMOS CONVERSAR!"
Ainda em pânico, aguardei a sua aproximação. Ele poderia estar com alguma doença contagiosa.
"Isabella... nossa ainda bem que te achei. Acabou não é mesmo? Agora só ano que vem".
"Sim, Mike, aconteceu alguma coisa?"
"Não... quer dizer, na verdade sim... o que você vai fazer hoje?"
Calculei minha resposta. Como hoje era o último dia, ele provavelmente estaria tentando me chamar pra sair de novo.
"Não sei bem Mike. Na verdade acho que vou ao teatro com minha colega de quarto".
Precisava ligar desesperadamente para Jéssica, caso ele ligasse para confirmar, eu não queria sair com Mike como o último recurso da temporada.
"Poxa Isabella, eu vim te chamar para um lugar legal. Hoje toda a equipe médica foi chamada para participar do cocktail de despedida das equipes, até alguns pilotos vão. É como uma despedida e isso nunca aconteceu. Vamos, vai ser legal! E acho até que a Jéssica também foi convidada".
Acabaram-se minhas desculpas. Mike era enfermeiro como eu, mas era alucinado pelos eventos que cercavam as corridas. E ele sabia que isso nunca tinha acontecido, pois estava há mais tempo nos circuitos que eu. Jéssica, minha companheira de quarto nos dois anos, era da equipe de publicidade e se ela também estava indo à festa, deveria ser legal. Bufei. Não tinha mais alternativas mesmo.
"Tudo bem Mike, eu vou. Onde vai ser? Me dê o endereço".
"Que bom Isabella, pensei que ia recusar. Não vou te dar o endereço porque senão você vai sumir. Posso passar no seu hotel as 8 da noite e aproveito e pego a Jéssica também se ela quiser".
O fato de Jéssica entrar na equação me deixou mais relaxada. Até fiquei mais animada, pois nunca tinha curtido a noite em Paris. Poderia sim ser uma noite produtiva e até divertida.
"Tudo bem Mike, vou agora para o hotel e me arrumar. Me pega as 8 então?"
"Estarei lá madame".
Sorri e fui caminhando pelo cockpit*. Como sempre, ganhei alguns assovios e palavras grosseiras de homens sem cérebro. Mas o mais intrigante foi o estranho elogio distante que ouvi: "Pra mim deve ser uma gatinha selvagem". Não entendi o comentário, mas preferi não checar de onde vieram essas palavras porque minha curiosidade poderia ser entendida de outra maneira.
*Cockpit: Local de espera onde ficam os pilotos.
Cheguei ao hotel e encontrei uma Jéssica já eufórica pela noite de despedidas, sorri me contagiando por sua alegria. Contei pra ela sobre a carona e ela deu saltos de felicidade. Paris estava muito quente naquela época e por conta disso optei por um vestido preto, tubinho, bem básico. Jéssica torceu o nariz para a minha roupa, pois ela estava elegantemente vestida. Ignorei seus lamentos para eu trocar por uma roupa mais extravagante. Se nem Rosalie me convencia depois de tantos anos, não seria Jéssica que conseguiria com tão pouco tempo. Calcei um scarpin preto com saltos altos e soltei os meus longos cabelos chocolate. Eu pouco usava-os soltos. Sempre com coques, ou no máximo rabo de cavalo. Mas como a noite poderia esfriar, eu aproveitaria um pouco seu comprimento, já que ele batia quase na cintura. Peguei um sobretudo do guarda-roupa da Jéssica e já estava pronta. Ela insistiu em me maquiar e até aceitei, afinal, a noite de hoje não se repetiria tão cedo.
Encontramos Mike na recepção do hotel e partimos para o local. A cidade estava iluminada como se estivesse decorada para um grande evento. O local era um famoso bar em Paris, mas não era qualquer bar. Ali se reuniam grandes personalidades. Não que eu os reconhecesse. Eu sabia disso pela quantidade de gritinhos de Jéssica e pela quantidade de fotógrafos e pessoas rodeando os ilustres personagens.
Sentamos em uma mesa que Mike tinha reservado, mas assim que ele sentou uma ruiva puxou-o pra uma conversa. Jéssica ficou vermelho púrpura na minha frente. Não entendi. Em que parte da história eu perdi o súbito interesse dela? Tomada pela fúria assassina no seu olhar, ela se levantou e agarrou Mike, dando um beijo em sua boca. Mas não era um beijinho simples, e sim um daqueles de arrancar o rosto da pessoa. A ação de Jéssica chamou a atenção de várias pessoas que começaram a olhar espantadas com o seu surto amoroso, já que a mesma era extremamente séria no trabalho. Diante de tanta atenção eu comecei a ficar vermelha. Mas que ótimo, meus amigos se agarram e eu que fico com vergonha? Resolvi levantar e passear pelo lugar para não ficar tão próxima do show que os dois estavam dando. Algumas pessoas até gargalhavam pelo comportamento de ambos, que já estavam na fase 2 desses beijos. A fase "em busca de ar". Fiquei até com uma pitada de inveja. Eu nunca tinha beijado assim, olhei para o casal novamente que me ignorava e fui em direção ao balcão de bebidas.
A área de pedidos de bebidas estava lotada. Retirei meu casaco, pois já estava com calor diante da aglomeração de pessoas. Ajeitei o vestido e arrumei o cabelo. Eu sempre tinha que pensar um pouco para não parecer mais desajeitada do que sou, principalmente por causa do salto em que me equilibrava.
"Garçom, por favor. Uma mimosa*".
*Mimosa: Suco de laranja com Champagne.
Fiz o pedido, mas acho que ele me ignorou. Será que ele não conhecia a bebida? Por Deus, estava em Paris, todo mundo se encontra aqui, então todos conhecem essa bebida. Chamei novamente por ele. Eu estava um pouco pressionada no balcão, pois muitas pessoas bebiam e conversavam em volta dele. Mas que droga, esse povo não se afasta não? Senti um arrepio na nuca, mas eu não poderia estar com frio, afinal, havia tantas pessoas em volta. Suspirei. Essa poderia enfim ser a minha deixa, uma vez que em todos os lugares que eu ia pedia sempre a mesma bebida. Rosalie sempre zombava do meu pedido. Falava que era bebida de menininha inocente com medo de lobo mau. O garçom se voltou pra minha direção com um olhar interrogativo. Acho que agora ele estava me dando atenção. Olhando nos seus olhos, comecei a refletir que Rosalie poderia ter razão. Faça algo diferente essa noite. Por Deus... isso é Paris!
"Boa noite. Uma tequila ouro, por favor." Já que estou no inferno mesmo...
O garçom concordou e foi buscar a bebida. Senti novamente o arrepio na nuca, mas agora mais próximo da minha orelha. Estremeci. Assim que o copo parou na minha frente, lambi o sal, bebi a dose e chupei o limão. Isso, agora sim eu estava fazendo algo diferente.
"Uau... eu sabia que era a gatinha selvagem que eu tinha imaginado".
Meu corpo se arrepiou por inteiro. Aquele calor que eu estava sentido eu sabia que não era devido a bebida. Deus, que voz! Estava congelada no lugar, mas forcei meu corpo a se virar para o dono daquela voz poderosa. Ainda sob o impacto da tremedeira momentânea que eu senti, virei e praticamente bati em seus ombros. Levantei o olhar. Péssima idéia! Não... idéia perfeita! Fui surpreendida pelo par de olhos verde-esmeralda mais profundo e sexy que já vi em toda minha vida. Novo arrepio. Deus do céu, onde eu estava mesmo? Eu fiquei sem ar por um segundo, pois parei de respirar, hipnotizada pelo poder dos seus olhos. Como um ímã potente, meu olhar desceu e correu para os seus ombros que estavam muito próximos de mim. Ele era alto e lindo. Desci mais o olhar e percebi que ele estava com calça jeans, blusa branca e uma jaqueta de couro preta. Lindo.
Assim que levantei o olhar, percebi um meio sorriso dele com um olhar levemente irônico e talvez convencido. Mas ele podia, o cara era um Apolo.
"Desculpe?" Assim que respondi, meu corpo me entregou. Minha timidez foi no auge, pois nesse momento percebi o calor em meu rosto, devia estar tão vermelha como um tomate. Eu sabia que não deveria encará-lo dessa maneira. Oh Deus! Esses olhos continuam a me encarar.
"Eu disse: Você é exatamente o que eu imaginei que seria".
Continuei encarando o estranho lindo. Aquela voz! Ele era perfeito. Um cabelo cheio, meio bagunçado, de uma cor castanha beirando o bronze. Seus cabelos apontavam em varias direções, típico de alguém que passa muito a mão. Ou quando é muito puxado. Era um cabelo de sexo. O formato do seu rosto, anguloso, bem desenhado. E seus olhos. Nunca vi nada igual na minha vida.
"Você está falando comigo?" Consegui responder, ainda trêmula.
"Lógico gatinha. Eu te reconheceria em qualquer lugar".
"Acho que se enganou, eu nunca estive aqui". Ele não poderia ter me reconhecido mesmo. Eu era tão comum. E porque eu tive a sensação de ter ouvido isso em algum lugar?...
"Impossível gatinha. Tenho certeza que é você".
"Não mesmo. Me desculpe." Disse e me virei para o balcão. Senhor, o homem é lindo demais! Ele não poderia querer nada comigo. Chamei o garçom e pedi mais uma dose. Senti novamente um arrepio na nuca, mas dessa vez veio junto com um ar quente. Ele suspirou e bem alto. Aquilo mexeu comigo. Será que ele me procurava mesmo? Virei a bebida novamente e voltei meu corpo para o lugar onde o estranho estava. Vazio.
Corri os olhos pelo local. Rapidamente o encontrei e observá-lo de longe era ainda melhor. Seu corpo atlético desfilava pelo local. Mas nada inocente. Ele parecia um predador pronto para atacar uma presa. Ele olhou para trás e seus olhos encontram os meus. Lindo. Novamente parei de respirar. No momento que ia esboçar um sorriso, duas meninas que reconheci sendo da equipe de apoio aos pilotos se aproximaram dele, começaram a rir e se esfregar nele. Baixei o olhar. Mas que droga! Nem nessa hora eu ganho! Olhei novamente em sua direção e ele fixou o olhar na minha direção também, fechando levemente as pálpebras, mas estava começando a se entreter com as devassas mirins, pois o vi gargalhar.
Bella faça alguma coisa! Minha consciência gritou. Eu não podia deixar duas pirralhas tirarem de mim essa vantagem. Era de mim que ele estava a fim, não era? Era atrás de mim que ele estava. Como num surto impar, resolvi tomar uma atitude. Meu olhar decidido deve ter sido poderoso, pois na mesma hora ele olhou para mim e sorriu. Fui em sua direção e assim que me aproximei dele, empurrei levemente as meninas e puxei sua mão, o rebocando do lugar. Ele prontamente deixou as meninas no meio de um assunto sem importância e me seguiu sem fazer qualquer pergunta. Me senti poderosa. Ele realmente estava atrás de mim.
Assim que saímos da aglomeração e falatório do lugar, ele inverteu as coisas e começou a me conduzir. Chegamos à área de estacionamento dos veículos dos clientes do bar. Toda a minha atitude e poder foi embora no mesmo instante. Comecei a ficar nervosa. Eu só podia estar louca. Ainda me puxando pelas mãos, vi que ele pegou algo no bolso. Chave do carro. Oh Deus, pra onde eu vou? Estava trêmula, mas adicionei isso como sendo efeito do frio. Tentei pelo menos. Nunca tive qualquer comportamento desse tipo em todos os meus anos de faculdade. E agora, na primeira saída na noite de Paris, eu estou com um estranho, que não sabia nem o nome.
Chegamos ao seu carro e ele gentilmente abriu a porta do carona para mim. Aquele mesmo sorriso brincou em seus lábios. De repente, quando me virei para entrar no carro, fui agarrada por dois braços fortes. "Não tão rápido gatinha, não senti seu gosto ainda."Em um movimento certeiro ele me girou e de repente seus lábios estavam nos meus. Wow. O que era aquilo? Eu imaginei um beijo violento vindo dele, mas não estava preparada para o que me alcançou. Sua língua rodeou meus lábios e ele chupou meu lábio inferior em sua boca. Sua língua traçou pedindo entrada. E eu dei. Ele soprou seu hálito quente e uma mistura de menta e álcool me invadiu de uma maneira sexy e brutal. O meu único pensamento em linha reta foi: Estou perdida! E o seguinte: Realmente estou fazendo algo novo. Nossas línguas dançaram em um ritmo perfeito, se conhecendo e se provocando. Eu me sentia como ele falou... Selvagem. Da mesma maneira que ele começou, ele se afastou me soltando e me deixando completamente desequilibrada. Ele me alcançou novamente e me segurou.
"É uma pena, mas se você quiser podemos continuar isso aqui mesmo".
Agora eu sabia. De vermelho eu deveria estar no mais escuro púrpura já visto. Ele andou ao redor do carro e eu rapidamente me sentei, precisando de um porto seguro. Um abrigo para pensar seriamente. Minhas opções estavam diminuindo a cada segundo. E a cada respiração, novas perguntas surgiam em minha cabeça. Onde estamos indo? O que ele quer fazer? Eu quero fazer isso? Oh sim, você quer totalmente. Mentir pra si mesma não dá certo Bellita. Argh. Odeio quando você me chama de Bellita!
Você percebeu que você está brigando consigo mesma, certo?
"Pra onde você está indo?" eu perguntei.
"Pra onde quer que você queira".
Aquelas palavras me trouxeram uma coragem que eu não tinha há muito tempo. Ele realmente me queria. Respirei profundamente antes de encarar os olhos verdes do meu deus particular. Engatei o cinto de segurança e levantei o olhar. Encarei seus olhos poderosos que emanavam sexo em tempo integral. Sorri, tentando ser sexy. Passei a língua nos lábios para tomar mais coragem para o que eu ia dizer nesse exato momento.
"Para o meu hotel".
Ele deu o sorriso mais gostoso e safado que eu vi desde que o conheci. Conheci? Deus, nem o nome dele eu sabia! Mas pra que perguntar? Eu não estava tendo pensamentos coerentes desde que me encontrei com esse homem. "Onde fica?" Ele perguntou. Dei o endereço, mal sussurrando as palavras. A distância para o meu hotel era pequena, mas ele com um Mercedes tão potente fez o percurso em pouquíssimo tempo. Lógico Bella! Você nem reparou... Ele é um dos pilotos! Esse pensamento caiu como uma bomba sobre mim. Sabia que aquele jeito despojado deveria me demonstrar quem ele era. Mas isso não era hora de pensar. Era hora de agir. Quando me dei conta, já estávamos na porta do hotel e o meu estranho lindo já entregava as chaves para o manobrista e abria a minha porta. O porteiro me reconheceu na hora. "Boa noite, Srta. Isabella". Argh! que cara mais intrometido. Eu nada sabia sobre meu acompanhante e agora, além de saber onde eu estava ele sabia o meu nome.
Fui conduzida por ele pelo hall de entrada diretamente para o elevador. Senti aquele olhar interrogativo e sugestivo para mim de novo. "10º andar", murmurei novamente. Eu não conseguia falar nem qual era o meu andar. Assim que as portas se fecharam ele me jogou na lateral do elevador, sem encostar seu corpo em mim. Arfei. Com as palmas das mãos na parede, próximo a minha cabeça, ele lentamente se aproximou e sugou o lóbulo da minha orelha. Gemi.
"Gatinha, qual o seu quarto?"
"Er... 1008".
Com o seu quadril, ele se aproximou do meu corpo. Ele era quente. Senti o roçar da sua ereção próxima da minha barriga. Isso não está acontecendo! Lentamente, como um predador, ele abaixou um pouco seu corpo e veio subindo, arrastando sua virilha pela minha coxa e passando na minha virilha, subindo levemente meu vestido. Deus isso é demais! Arqueei o corpo e joguei a cabeça para trás. Literalmente me molhei. Minha calcinha, que já estava levemente úmida somente pelo beijo, pingou apenas com esse movimento. Como por encanto, a porta do elevador se abriu. Eu ainda estava zonza. Com um sorriso nos lábios ele me puxou. Fiquei me perguntando por que ele não tinha me atacado. Mas o meu último pensamento coerente foi que ele deveria estar preocupado com as câmeras de segurança do hotel. Me comovi. Ele se preocupou comigo.
Chegamos à porta do quarto e tremulamente destranquei-a. Assim que entramos, tudo o que eu tinha feito, vivido e imaginado nos meus 23 anos de vida tinha se apagado. Esqueci, inclusive, que eu ainda era virgem. Aquele homem era a perdição em pessoa.
Como se estivesse dominado por uma fera dentro do seu corpo, ele me jogou na porta do quarto. Gemi. Suas mãos, antes duvidosas, estavam possessivas, passeando por todo o meu corpo. Todos os meus sentidos estavam nas ações do meu lindo estranho. Eu não pensava em mais nada. Simplesmente queria mais. Tomada por uma fúria repentina, comecei a imitar seus movimentos, sentindo seu corpo. Ele também gemeu. Me senti poderosa. Levantei levemente sua blusa, para sentir sua pele. Arranhei. Como recompensa ele passeou pelas minhas coxas e subiu meu vestido. Subiu tanto que chegou próxima a minha calcinha. "Isso gatinha... se mostre". Tão próximo da minha intimidade, outro onda de excitação veio abaixo. Nunca tinha reagido a qualquer homem desse jeito. Nem em sonhos. Eu queria mais. Como se ouvisse meus pensamentos, meu estranho subiu suas mãos e cobriu meus seios. Começou a dançar com os polegares no bico dos mamilos, que endureceram ainda mais. Arfei. Assim que meu olhar encontrou com o dele, percebi. Eu seria dele!
Tomado por um escuro desejo que começou no seu olhar, ele subiu mais suas mãos e num instante rasgou meu vestido. Eu nem me importei. Eu o queria! Insanamente eu o queria. Ele segurou meus cabelos, puxando-os para trás, me beijou de forma possessiva e violenta. Sua língua duelava com a minha. Senhor! Eu necessito... Minhas mãos cravaram nos seus ombros. Ainda dominando meu corpo, com a outra mão segurou minhas nádegas me arrastando pelo quarto, quebrando alguns objetos perdidos pelo caminho. Ele rosnava com qualquer movimento que eu fizesse, eu era dele.
Ele me jogou sutilmente na cama, apesar de toda movimentação. De pé, rapidamente ele se livrou das roupas, ficando somente de boxer preta na minha frente. Quando olhei sua ereção, me assustei. Ele era imenso. Nunca tinha visto um na minha frente, mas tenho certeza que aquele era enorme. Como se percebesse meu olhar, ele se arrastou pela cama e ficou de lado próximo ao meu corpo. Senti sua respiração na minha nuca. Meu corpo desfaleceu somente com a proximidade.
"Não se preocupe. Você é a gatinha selvagem mais sexy que eu conheci na vida". Assim que ele falou suas mãos vieram pelas minhas coxas. Gemi novamente. Seus dedos se aproximaram da minha intimidade e tive sensações que nunca tive antes. Porra, eu ia morrer. Assim que seus dedos encostaram na minha umidade, joguei minha cabeça para trás. "Você está tão molhada para mim. Eu quero você gatinha." Nada nesse mundo descreveria o que eu senti. Eu precisava desse homem junto a mim, preenchendo o vazio agora evidente em meu corpo.
Virando o meu corpo, eu me estranhei. Sentei sobre ele e olhei diretamente nos seus olhos. Seu olhar escureceu ainda mais. Minhas mãos arranharam aquele abdômen perfeito chegando próximo da sua boxer. Ele agarrou minhas mãos e sorriu. "Calma minha linda. Ainda temos tempo". Arrancando meu sutiã, nem vi onde a peça parou. Novamente começou a brincar com meus seios enquanto eu gemia. Me virando novamente, retirou minha calcinha e na mesma hora enfiou um dedo dentro da minha intimidade. "Nossa gatinha. Que delícia. Você é muito apertada". Ele se aproximou da minha virilha e inconscientemente abri as pernas facilitando a sua aproximação. Eu queria muito ele, o mais próximo possível.
"Eu quero sentir seu sabor, quero sentir você na minha língua". No mesmo instante, ele afundou sua boca na minha vagina. Dei um grito, isso era muito bom. Sua língua brincava com meus lábios, sugando-os. Senti-o sugando meu clitóris enquanto suas mãos abriam ainda mais minhas pernas. Com uma mão ele abriu os lábios e enfiou ainda mais a sua língua, alcançando a minha entrada. Arqueei pelo prazer. Ondas de tremor percorreram meu corpo. Nunca tinha feito isso na vida. Como se pressentisse meu desespero, sua língua começou a se movimentar mais rápido e seus braços cercaram minhas pernas. Tomada por um súbito choque, senti que meu corpo tinha vida própria, sacudindo levemente com ondas de espasmos de uma ponta a outra. Um novo choque, mais forte, mais intenso. Dei um grito. Eu tinha tido um orgasmo.
Ainda não tinha me recuperado do meu primeiro clímax e sua língua, exigente, sugava todo o liquido que escorria da minha entrada. Aquilo era erótico demais, comecei a ficar excitada novamente. Como se percebesse meu estado, meu estranho se levantou e retirou sua ultima peça. Novamente reparei seu tamanho. Cuidadosamente ele subiu sobre o meu corpo e, apoiando seu corpo sobre os braços, ele se aproximou dos meus lábios. O beijo foi intenso, mas de certa forma lento. Como se estivesse me preparando. Rebolando lentamente, senti sua ereção roçando na minha virilha. Gemi. Eu ainda queria muito mais. "Você quer me sentir agora, gatinha? Você quer meu pau dentro de você?" Arqueei o corpo. Aquelas coisas estavam mexendo com minha sanidade. Ele falava sujo. Isso me excitou ainda mais.
"Sim, por favor." Eu só o queria. Logo.
Ele se afastou. Uma onda de pânico me tomou. Onde ele estava indo? Foi quando o vi pegar sua calça abandonada no chão, enfiar a mão em um dos bolsos pegando um preservativo. Alívio e pânico se misturaram em mim. Ele não foi embora, mas isso ia mesmo acontecer. Enquanto ele virava para buscar a proteção percebi, no pequeno momento de lucidez da minha mente, que ele possuía uma grande tatuagem nas costas. Parecia dois dragões na versão sexy de ying e yang. Olhando ainda para seu corpo perfeito enquanto ele se dirigia a mim com um sorriso lindo no rosto, reparei que tinha outra no braço, com algumas palavras escritas, parecia chinês.
"Agora gatinha. Abre mais as pernas pra mim, eu quero me afundar em você". Sem aviso, seu membro começou a entrar na minha apertada intimidade. Era mesmo imenso. Arqueei o corpo, me preparando para a invasão. Eu queria. Segurando uma perna, seu corpo ficou um pouco de lado para facilitar a penetração. "Nossa gatinha, tão quente, tão apertada". Ele se movimentou mais forçando a entrada. Uma dor começou a me alcançar. Assim que ele alcançou a barreira da minha virgindade meu mundo parou. E ele também. Com um olhar diretamente nos meus olhos ele se ajeitou e, num só ímpeto, me penetrou. Eu dei um grito, pois na hora senti mais dor. Com o corpo paralisado junto ao meu, meu estranho alisou meu cabelo, minhas bochechas e minha nuca. Meu corpo se acostumou com o seu tamanho. Comecei a me mover para saber se ainda sentiria dor. Percebendo que eu já estava refeita do choque, meu estranho pegou novamente minha perna e começou a rebolar lentamente, retirando seu membro bem devagar. A dor, que antes dominava meu corpo, começou a ser substituída por ondas de prazer. Meu corpo tremeu.
"Agora gatinha, vem pra mim. Rebola comigo". Seu chamado acendeu novamente meu desejo e começamos lentamente nossos movimentos. "Isso. Vai... mexe gatinha". Desorientado, meu corpo respondia ao seu chamado. Quando eu percebi, estávamos em um ritmo mais frenético, com estocadas profundas. Eu já nem me lembrava que eu era virgem. Eu só o queria dentro de mim. Cada vez mais. Agarrei suas costas, arranhando, segurando sua pele. Eu não agüentaria por muito tempo.
"Goza pra mim, minha linda".
Suas palavras me dominavam. Comecei a me mover mais rápido, mais profundo. Eu o queria todo. "É isso? Mais forte que você quer?" Ele começou a ir mais forte e mais frenético, eu delirava e arranhava suas costas, meus gritos pedindo mais, eu nem me reconhecia. Como um aviso, senti meus espasmos chegando, pois meu corpo todo tremeu. O dele também, pois o senti trêmulo sobre mim. Em poucos segundos senti meu clímax chegar pela segunda vez. Gritei.
Com poucas estocadas depois, meu estranho gemeu de novo. "Isso. Minha... só minha". E seu orgasmo chegou forte e intenso. Seu líquido preencheu o preservativo. Me senti viva. Completa e aliviada.
Ele desabou sobre meu corpo. Seus braços fortes e possessivos o jogaram um pouco para o lado, mas sem me soltar. Sorri. Nunca pensei que a minha primeira vez seria tão perfeita. Ele se posicionou em meu corpo me abraçando de conchinha. Respirando em meu cabelo. Seus braços rodearam minha cintura e suas pernas subiram sobre a minha.
Ele riu e me abraçou forte. A sonolência começou a me tomar, mas antes que a inconsciência me dominasse, eu juro que escutei. A melhor de todas...
Nota da Autora Irene (uiiii): Meninassssssssssss, o que vcs acharam? Podem soltar o verbo que eu e a Titinha estamos prontas pra tod... kkkkkkkkkkkk Review!!!
