Capítulo 22

House pegou o frasco, pensou, a dor latejante em sua perna se intensificou como se tivesse consciência própria, então ele levou um comprimido a boca, cerrou os olhos e engoliu.

Ele demorou a voltar pra casa, pois ele tinha medo da reação de Cuddy. Ela iria notar. Mas a sua perna não doía mais. Isso era fantástico. House havia se lembrado a razão pela qual tomava os comprimidos no passado: funcionava.

Eventualmente ele precisou retornar para a casa de sua família.

"House, onde você esteve? Elijah está me deixando louca!".

"Eu vou vê-lo!". House subiu agradecendo mentalmente pela distancia que teria da esposa. Seria um alivio não encarar Cuddy agora.

"Papai... Me ajude com a lição?". Rachel se aproximou.

"Eu preciso ajudar sua mãe com Eli".

"Por favor!".

"Qual a duvida, macaca?".

"Quanto é 8+4".

House sorriu. "Faça as contas usando a sua mão".

Ele explicou pra menina que arregalou os olhos. "Assim é muito melhor!".

"Tá vendo?".

House cogitou voltar pra seu apartamento pra pegar mais comprimidos, afinal, ele ficava sem dor com eles, além de ficar mais paciente e, por conta disso, ser um pai e marido melhor.

Aquela noite ele dormiu bem, até demais. Cuddy imaginou que alguma coisa estava diferente, mas não tinha cabeça e tempo de entender o que era.

Na manhã seguinte a perna dele estava pior, a ausência de Vicodin em seu organismo fez a dor parecer ainda maior. Ele estava irritado, impaciente, tão diferente do House dos últimos meses.

"Eu preciso sair!".

"House, você está com dor!".

"Eu preciso...".

"O que aconteceu ontem? Você... Você chegou disposto e sem dor".

"Eu estava com dor...".

"Você subi a escada sem reclamar e sem mancar muito".

"Eu tive um momento de alivio".

"Agora você está irritado, você está...". Ela arregalou os olhos. "Você recaiu?".

"Não!".

"House me diga a verdade, por favor!".

Ele abaixou a cabeça.

"Quando? Como?".

Ele explicou tudo. "Se você vai me largar por isso...".

"Eu nunca te largaria por ter recaído, eu não sou tola, eu sempre soube dessa possibilidade. Quantos você tomou?".

"Apenas um e foi maravilhoso!".

Cuddy respirou fundo. Ela tinha os bebês, Rachel e agora isso... Mas ela tentou manter a calma. "Você trouxe drogas pra dentro de casa?".

"NÃO!". Ele respondeu rapidamente. "Eu deixei no meu apartamento".

"E é pra lá que você quer ir agora?".

"Sim". House respondeu envergonhado. "Não dói quando eu uso Vicodin. Não assim... Eu sou uma pessoa melhor".

"Não! Você fica alto, drogado e vê e sente as coisas diferente da realidade. É uma ilusão temporária, depois você cai em um poço sem fim de dor e sofrimento. Além disso a abstinência de faz uma pessoa irritada, impaciente e a dor parece maior do que é, você perde o controle sobre o seu corpo e fica sujeito a tomar decisões precipitadas e estúpidas".

House arregalou os olhos, ele não esperava por isso. Por esse discurso sincero da esposa.

"Por que você não trouxe mais drogas pra cá?". Cuddy ainda não estava entendendo a razão de House não ter se entorpecido de drogas na noite passada.

"Porque temos crianças em casa".

Ela respirou aliviada. "E porque você não tomou dois comprimidos ontem?".

"Eu pensei nisso, mas eu lembrei de vocês... Eu não podia deixar que algo acontecesse... não podia abusar".

Cuddy se aproximou dele e o abraçou forte. House também não esperava por isso.

"Eu te amo nos bons e maus momentos, não vou te largar por isso, mas preciso que você queira resistir a usar mais".

"O que eu faço? Por que dói!". Ele foi sincero.

"Vamos procurar o médico da dor, vamos procurar um psiquiatra, vamos procurar o que for preciso!".

"Cuddy...".

"Você tomou apenas um comprimido, não vai se repetir se não deixarmos".

House respirou fundo.

Cuddy sentia medo de perdê-lo, pavor. Ela estava em pânico, mas tentava demonstrar segurança e confiança.

"Ok". Ele concordou, pois House tinha muito a perder agora, não era como antes.

Cuddy conseguiu encaixá-lo em uma consulta de emergência. Ele foi medicado com não opióides e ficou no hospital algumas horas em observação, quando a dor melhorou ele foi liberado para casa. Voltou com medicamentos mais fortes, mas todos não opióides, além de adesivos para aplicação local.

Os dias seguintes foram difíceis, mas Cuddy estava ao lado dele. Rachel sempre o fazia bem, a menina conseguia tirar uma risada de House e distraí-lo. Ele amava aquela pequena. House voltou a fazer terapia, mas ele não queria Nolan, ele não queria voltar lá outra vez... Então Cuddy indicou o melhor psiquiatra que conhecia, ele começou a ter consultas regulares com Dr. Franklin. Depois de algumas semanas House voltou a fisioterapia e a musculação, reduziu os medicamentos e estava controlando a dor. Cuddy estava orgulhosa dele, mas ainda apreensiva.

"Eu sou patético. Essa perna me torna um sujeito patético". Ele disse em um dia.

"Não, você é humano e tem seus problemas como qualquer um e lutar para vencê-los o torna admirável".

Ele riu sarcástico. "Só você para me dizer isso".

"Eu vejo a sua luta diária, eu admiro o seu esforço".

"Eu estava limpo há anos e...".

"E tomou um comprimido, depois me contou".

"Se você não tivesse me colocado contra a parede eu provavelmente teria ido atrás de mais".

"Em outros tempos você fugiria, dessa vez você não fugiu. É uma evolução".

Ele riu triste.

"Dra. Nora disse que temos que celebrar e valorizar cada vitória". Cuddy estava frequentando quinzenalmente um grupo de familiares que lidavam com parentes em recuperação de vícios. Isso a estava ajudando muito a lidar com os seus medos e a ajudar House.

"Você sabe que eu tenho medo de recair novamente".

"Se isso acontecer, nós lidaremos com isso. Vamos focar nossos esforços em evitar os gatilhos que te levariam a recair".

House balançou a cabeça em concordância. Ele amava aquela mulher.


Um ano e meio depois...

"Elijah!". Cuddy gritava esse nome pela décima vez no dia que estava só começando.

O menino era um diabinho, enquanto seu irmão Bruce era mais concentrado no que fazia e muito sensitivo, o problema era que Elijah instigava Bruce a segui-lo. E o gêmeo mais jovem fazia isso. Resultado: os pais ficavam loucos.

Os meninos eram fofos, eles tinham cabelos castanhos com cachos nas pontas. Olhos azuis brilhantes, muito parecidos com o do pai. Bochechas rosadas e lábios vermelhos. Pareciam dois anjinhos, mas só pareciam.

"Elijah está pegando todas as minhas panelas e correndo pela casa com elas". Cuddy reclamou.

"A culpa é sua".

"Minha?".

"Sim". House disse. "Foi você quem deu o nome ao demônio".

"Não chame meu filho de demônio".

"Ok. Destruidor da paz!".

"Nem disso!".

"O anjo caído".

"Pare de chamá-lo desses nomes!". Ela reclamou. "No mais, o que um nome tem a ver com a personalidade dele?".

"Bruce, o nome que escolhi, é comportado".

Ela riu. "Bruce não é comportado".

"Eli o instiga, Bruce é mais calmo".

Ele tinha razão sobre isso, mas não sobre o nome escolhido ter algo a ver com a personalidade das crianças. No mais, House adorava provocar sua esposa com apelidos para os filhos.

De repente Rachel entrou chorando e com muitos fios de cabelo nas mãos. "Mãe, Elijah cortou o meu cabelo".

O menino sorria com uma enorme tesoura nas mãos.

"Oh meu Deus! Elijah!". Cuddy correu para tirar a tesoura dele, mas o menino fugiu.

"House ajude!".

"Não é como se eu fosse aleijado...".

"Vai House!".

Então House e Cuddy começaram a perseguir o menino enquanto Rachel chorava com os cabelos nas mãos e Bruce ria.

Finalmente House o pegou. "Onde você conseguiu essa tesoura rapaz?".

"Tele". Ele disse e apontou para a televisão.

"Uh... Eu posso ter esquecido a tesoura lá quando fui cortar um cabo". House disse.

"Oh meu Deus! Você quase matou nossos filhos".

"Não, Elijah quase matou Rachel depois de deixá-la careca". House a corrigiu.

Cuddy bufou e levou Rachel de lá para ver o tamanho do estrago. "Cuide de seus filhos!". Ela falou irritada levando a tesoura embora.

House bufou. "Eli, venha aqui!".

O menino foi até o seu pai. "Você precisa se comportar se quiser chegar aos quinze anos em liberdade, caso contrário ficará naquelas detenções para adolescentes".

O menino não entendeu nada, então bateu palmas.

"Eli você não me entendeu. O que você fez foi feio, muito feio".

O menino fez bico e Bruce se levantou de onde estava e veio fazer carinho no irmão.

"E você Bruce, você é conivente. Pode ser que seja ainda pior pra você. Elijah o mentor que se safa e você o bode expiatório que acaba na detenção".

Obviamente nenhum dos dois entendeu nada.

"Vamos brincar de pintar". House disse e os dois comemoraram.

Minutos depois Rachel e Cuddy apareceram.

"Como ficou o cabelo?". House perguntou.

"Não foi ruim, ele só cortou algumas pontas". Cuddy explicou.

"Pensei que eu teria que raspar a cabeça". Rachel falou ainda com os olhos vermelhos de tanto chorar.

"Ia ficar legal Rachel". House disse.

"Não ia".

"Ok, não ia. Venha aqui!". Ele a puxou e abraçou a menina. "Desculpe por ter esquecido a tesoura...".

"Tudo bem, papai".

A menina, agora com quase sete anos de idade, e House eram muito próximos. Ele inclusive a adotou oficialmente, Rachel tinha seu nome assim como os gêmeos.

Certo dia, logo após Rachel completar seis anos de idade, ela viu a cicatriz de House pela primeira vez, ela então começou a chorar desesperada, House sentiu-se constrangido.

"O que foi querida?". Cuddy foi atrás dela.

"Papai vai morrer?".

"O quê? Não! De onde veio essa ideia Rachel?".

"Ela viu a minha perna". House falou envergonhado. Ele tomava cuidado para que não mostrasse a cicatriz para ninguém, mas aconteceu...

"Vovó diz que papai vai morrer porque ele tem a perna ruim". Rachel confessou.

"Sua avó diz isso?". Cuddy corou.

"Ela diz que um dia a perna dele vai matá-lo de um jeito ou de outro".

Cuddy tinha gana de matar a mãe naquele momento.

"Vovó não sabe o que diz. House machucou a perna há anos atrás, antes de você nascer, mas está melhorando agora e ele não vai morrer por conta disso".

House respirou fundo e desejou que realmente estivesse melhorando como Cuddy falou.

"Filha, a minha cicatriz é feia, eu sei. Mas minha perna está ok agora".

"O que aconteceu?".

"Algumas veias da minha perna foram bloqueadas por um tempo, uma sujeira estava lá e impediu que os músculos recebessem sangue que leva comida e oxigênio para as células. Demorou para os médicos saberem o que havia de errado, e quando souberam eles fizeram uma cirurgia para desentupir a veia, mas parte dos músculos já haviam morrido, então eles precisaram tirar esses músculos mortos e por isso que eu tenho esse buraco na perna".

"É por isso que dói?".

"Sim".

"Deve ser ruim".

"As vezes é".

"Posso ver outra vez?".

House respirou fundo e olhou para Cuddy, ela acenou com a cabeça e House desceu a calça.

"Posso tocar?".

"Com delicadeza filha". Cuddy explicou e a menina tocou.

"É diferente".

"É feio". House disse.

"Não, é um dodói". Então Rachel beijou perto da cicatriz, House franziu a testa e Cuddy não conteve as lagrimas.

"Dodói precisa de beijo pra sarar". A menina falou inocente.

"Tal mãe, tal filha!". House disse tentando conter a emoção.

"Venha aqui filha!". Cuddy a chamou e a abraçou.

Nas noites seguintes Rachel deu trabalho, a menina acordava gritando após seguidos pesadelos onde o pai morria. Eles não sabiam o que fazer. Rachel acordava no meio da noite assustada e queria deitar perto de House, ficar grudada com ele.

Cuddy ligou para a mãe e deixou claro que as palavras dela sobre a perna do marido eram inadmissíveis, sobretudo em frente a uma menina de seis anos. Obviamente Arlene não concordou e disse que a culpa era deles por não contar a verdade para a garota.

Cuddy consultou uma terapeuta infantil que orientou que eles tratassem com naturalidade o assunto, que House mostrasse mais vezes a cicatriz para normalizar a situação. Inclusive alertou para que com os gêmeos fosse diferente, os meninos deveriam ter contato com a perna do pai desde muito cedo, e saber a história de acordo com o grau de discernimento, claro.

House sentia-se estranho, exposto, mas ele entendeu, se era para o bem das crianças...

"Mamãe, papai não está morrendo?".

"Todos estamos morrendo Rachel". Ele respondeu e a menina arregalou os olhos. "Mas não hoje".

Cuddy explicou. "O que seu pai quer dizer é que todos morreremos um dia, mas não agora. A perna de papai está bem, ele não vai morrer por conta disso".

"Talvez por conta do estrago que fiz a meus órgãos internos com tanta coisa que ingeri". House falou baixo e Cuddy o beliscou.

"Ai!".

"Comporte-se!".

"O que foi papai?". Rachel perguntou assustada.

"Sua mãe me beliscou. Ela está sendo má!".

Pai e filha começaram a fazer cócegas em Cuddy e isso desanuviou o clima naquele dia.

Na semana seguinte House presenteou Rachel com um urso de pelúcia que tinha uma bengala e a perna machucada. "Esse urso é como o seu pai", ele explicou. "Mas ele está bem e ficará melhor sempre que você abraçá-lo".

A menina arregalou os olhos e pegou o urso rapidamente o envolvendo em um abraço forte. "Eu sempre vou abraçá-lo!".

"Ótimo, ele ficará bem então".

E as noites de pesadelo passaram, mas Rachel tomava o cuidado de abraçar seu pai toda noite antes de dormirem, só para garantir que ele ficaria bem.


Nos tempos atuais...

Cuddy estava ajudando Rachel com a lição de casa, de repente Elijah veio correndo que nem louco com algo nas mãos.

"Elijah, o que você tem nas mãos?". Cuddy perguntou, mas não teve tempo de resposta, ele arremessou o celular na cabeça de Rachel.

"Oh meu Deus!". Cuddy assustou e Rachel começou a chorar. Sangue escorria pela testa da menina.

"House, venha cá!". Cuddy gritou para ele que estava na cozinha fazendo o almoço.

"O que foi? Oh Deus Rachel menstruou já?".

"House cale-se! Ajude!".

Ele olhou para a testa da menina e havia sido um pequeno corte no supercílio. "Eu vou dar um jeito nisso".

"Temos que levá-la ao hospital". Cuddy disse.

"Antes temos que fechar esse corte e, se você não se lembra, somos médicos. Bom... pelo menos eu sou".

"Como você pode estar tão calmo assim?".

"É só um corte. Mas o que aconteceu?".

"Elijah...". Cuddy se lembrou. "Elijah, venha já aqui".

O menino estava se escondendo, pois sabia que havia feito algo errado.

Bruce se aproximou de Rachel e fez carinho na cabeça dela.

"Bru, Elijah é mal". Rachel disse.

"Ele não é mal filha, ele é bagunceiro". Cuddy a corrigiu e foi atrás do menino.

House pegou seu kit médico. "Rachel, papai vai cuidar de você".

"Vai doer?".

"Um pouco, mas papai vai dar um remedinho pra não doer muito".

"É injeção?".

"Sim".

"NÃO!".

"Cuddy, eu vou precisar de sua ajuda", House previu.

"É melhor levarmos ao hospital".

"Venha Cuddy".

Rachel tentou fugir, mas House a segurou. "Filha, é para o seu bem".

"Eu não consigo fazer isso". Cuddy disse chorando.

"Cuddy, é para o bem dela".

"Eu sei, mas...".

"NÃO!". Rachel gritava e Cuddy não tinha forças para segurá-la.

"Ok, vou levá-la ao hospital. Você fica!". House respondeu irritado.

"Desculpe, mas eu não posso...". Cuddy estava chorando.

Os dois meninos ficaram assustados.

"Eu quero mamãe!".

"Eu vou levar você filha". House explicou.

"Eu quero mamãe também!".

Resultado: Todos foram para o hospital.

As enfermeiras ficaram cuidando dos meninos enquanto House e Cuddy entraram com Rachel. A menina teve a ferida limpa e pontos para fechar o corte. Depois passou por uma tomografia, mas nada demais havia acontecido, só mesmo o corte.

Quando voltaram Elijah havia sumido.

"Onde está Eli?". Cuddy perguntou.

"Desculpe, eu tentei segurá-lo. Mas os seguranças já estão atrás dele". A enfermeira disse.

"Onde está o seu irmão?". House perguntou pra Bruce que estava comportado sentado na cadeira.

"Água". O menino respondeu.

"Seu irmão estava com sede?". House perguntou para a enfermeira.

"Ele não disse nada...". A enfermeira justificou.

"Ele tem só um ano e meio, não diz com todas as palavras". House falou irritado.

"Vamos atrás dele. Por favor, fique com Bruce e não tire os olhos dele". Cuddy orientou a enfermeira. "Filho, não saia daqui, ouviu?".

O menino acenou com a cabeça.

Eles estavam atrás do menino. Cuddy procurou em todos os bebedouros de água e nada. House teve uma ideia... "A fonte!".

"O quê?".

"A fonte de água".

Eles correram até lá e Elijah estava encantado encarando a água corrente.

"Filho!".

"Água!". O menino apontou.

"Sim". Cuddy o abraçou.

"Ok, vamos pra casa". House disse.

Essa era a vida deles agora. Paz? Nunca mais.


Em uma sessão de fisioterapia House machucou a perna.

"Ok, é normal espasmos, vamos te medicar". Helen disse preocupada, mas tentando não demonstrar.

"Você é péssima mentirosa Helen".

House foi internado e ficou por dois dias até a inflamação ceder e a dor ficar sob controle, ele não podia andar, então ficou na cama os dois dias inteiros. Cuddy ficou louca tentando conciliar a família e o hospital.

Depois disso House ficou em casa por uma semana e retornou ao trabalho com muletas.

"Sinto muito por isso". Chase o recebeu.

"Eu já deveria estar acostumado a essa perna. Você também, já que estamos juntos há tantos anos".

"Você está bem?". Treze perguntou.

"Sim, obrigado. Estou melhor! Minha perna ganhou massa muscular e flexibilidade nos últimos anos, isso ajudou a não ser ainda pior...".

"Bom que pelo menos agora a sua fama te fará ainda mais importante no hospital". Treze o provocou.

"O quê?". Ele perguntou confuso.

"Durante a sua internação, várias enfermeiras se revessaram para te dar banho, você notou?".

House olhou suspeito.

"Elas ficaram impressionadas com o seu... dote".

House arregalou os olhos.

"Aparentemente elas dizem que agora sabem a razão pela qual Cuddy atura as suas merdas".

"Ok, eu não posso negar meus dotes agora que ele viraram um patrimônio histórico do hospital". House respondeu divertido.

"Por que você disse isso pra ele?". Taub contestou Treze.

"Por que seria divertido...".

"Oh pequeno anão judeu, eu não pretendia humilhá-lo. Desculpe! Mas são coisas da criação, eu não tenho nada de pequeno em meu corpo...".

Os homens do time olharam irritados para Treze.

"O quê?". Ela se fez de desentendida.


Anos depois...

"Ei Bruce!".

"Oi tio Jimmy. Mas eu sou Eli". O menino falou.

"Ah, oi Eli!".

"Mentira, eu sou Bruce!".

De repente o outro chegou. "Ele está mentindo, eu que sou Bruce".

Wilson arregalou os olhos. "Vocês são dois pestinhas!".

Os dois meninos riram.

"Oi Wilson, eles estão de enganando outra vez?". Cuddy perguntou.

"Sim, como sempre".

"Esse é Eli e esse é Bruce". Cuddy apontou.

"Como você pode diferenciar assim tão facilmente? Eles são iguais!".

"Eu sou mãe". Cuddy o lembrou.

"Justo!".

Elijah continuava sendo o mentor dos crimes. Bruce era um garoto mais sensível e comportado por natureza.

"Oi tio Jimmy". Era Rachel. A menina com nove anos era uma perfeita dama. Gostava de se vestir bem e se maquiar, com produtos infantis, claro.

"Oi princesa".

"Como está tia Helen?".

Wilson havia se casado recentemente com Helen, a fisioterapeuta.

"Ela está bem querida. Obrigado por perguntar".

"Eu gosto dela. Ela é bonita e meiga".

House sorriu. Graças a House ele havia encontrado sua nova esposa, foi o amigo bastardo quem insistiu em aproximá-los e, claro, House se gabava disso se autointitulando 'O Cupido'.

"Vocês irão para o boliche?".

"Não vamos conseguir por conta das crianças". House respondeu quando entrou na sala.

"Eu pensei que Julia ficaria com eles".

"Infelizmente não". Cuddy respondeu.

Mas eles estavam mentindo, pois Julia e John ficariam com os três filhos. Mas House e Cuddy queriam e precisavam de um tempo a sós. Eles não queriam jogar boliche com Wilson, Helen, Chase e sua nova namorada. Eles queriam ficar sozinhos. Juntos!

Aliás, Cuddy alertou Julia sobre o trabalho que seria ficar com os gêmeos, especialmente Elijah, mas Julia disse que não seria um problema. House disse que ela não tinha ideia do que estava falando, Julia alegou que era uma criança e não um diabinho. Bom, ela descobriria eventualmente...

Eles fizeram tanto sexo durante o dia que a noite Cuddy estava esgotada e dolorida.

"Se você se aproximar de mim com essa anaconda eu juro que te mato!". Ela estava bem humorada e o ameaçou.

"Eu só estou me deitando ao seu lado para assistirmos a algum filme".

"Eu sei dos seus truques ardilosos". Ela disse divertida. "Aliás, o hospital inteiro sabe sobre os seus dotes masculinos".

"Oh você soube disso?". House se surpreendeu.

"Sim. Mas eu nunca falei para não elevar mais o seu ego, se é que é possível".

"Eu não tenho culpa que as enfermeiras ficaram encantadas com o meu pau".

Ela balançou a cabeça. "Espero que você mantenha o seu dote e todo o resto para si, longe dos olhos alheios".

"Eles são todo seu meu amor verdadeiro". House disse com voz melosa enquanto se aproximava ainda mais dela.

"Pare aí mesmo!".

"Nós não ficamos juntos e sozinhos há séculos".

"Eu sei, mas eu não tenho mais vagina pra nada...".

"Eu só vou ficar com você aqui, tudo bem?".

Ela olhou pra ele desconfiada.

"Mas eu gostei de 'anaconda'". Ele falou e ela riu.

Eles assistiram a uma série de televisão juntos, House a abraça e a beija, mas respeita o descanso necessário. Depois eles caíram no sono.

"Uh... Que saudades desse silêncio. De ter um tempo só nosso". Cuddy falou assim que abriu os olhos e sentiu-se abraçada por House.

"Ninguém pra invadir o quarto logo cedo. Eu posso dormir com as minhas coisas gigantes pra fora".

Ela sorriu.

Então eles ficaram se beijando preguiçosos. Cuddy sentiu o pênis do marido endurecer.

"House, as minhas partes femininas ainda não estão prontas para mais".

Ele continuou a beijando e ignorando o comentário.

"House... Não se anime demais".

"Eu juro que serei carinhoso, se doer me avise que paro imediatamente".

"House...".

Ele beijou o pescoço dela, ele sabia exatamente onde estimular para que ela cedesse. Em seguida ele desceu lambendo o corpo dela até chegar a sua vagina.

"Oh Deus!".

House a deixou muito lubrificada e então a penetrou com cuidado.

"Tudo bem?".

"Sim...". Ela disse ofegante.

Eles iniciaram com um ritmo tranquilo, mas logo estavam acelerados, e Cuddy começou a sentir o desconforto, a queimação pelo excesso de sexo. Mas então quando House gozou em sua vagina a lubrificação melhorou e ela pode relaxar e chegar ao seu próprio orgasmo.

"Foi ótimo, mas minhas partes precisam de descanso e não haverá mais sexo hoje". Ela disse indo para o banheiro.

"Mas mãe!".

"Não me chame de mãe depois do sexo".

"Mas esposa!".

Ela sorriu.

Após o almoço Julia levou as crianças para casa.

"Como foi?". Cuddy perguntou preocupada. Ela queria ter ligado pra saber, mas House a impediu. Disse que se houvesse um problema eles saberiam.

"Foi tudo ótimo!".

"Sério?".

"Claro que sim. Eu te disse".

Cuddy ficou impressionada e feliz.

"Que bom!".

Os gêmeos correram para dentro de casa, Julia foi embora e Rachel ficou na porta com a sua mãe.

"Mamãe, Eli não é normal".

"O que você quer dizer?".

"Tia Júlia e tio John ficaram quase loucos, tenho certeza de que eles ficaram traumatizados".

"Mas ela disse que foi tudo bem".

"Ela mentiu feio!".

Cuddy riu.


Anos depois...

House estava no supermercado com a família. Ele odiava fazer compras, mas Cuddy o obrigava a ir ocasionalmente. Outras vezes ele ficava em casa com os gêmeos enquanto ela ia com Rachel. Cuddy não sabia se era melhor ou pior quando House ia junto, pois ele comprava tanta bobagem que ela achava melhor que ele ficasse em casa.

Elijah e Bruce imitavam um ao outro e faziam uma grande bagunça. Riam alto. House empurrava o carrinho de supermercado enquanto os filhos iam à frente.

"O que é isso?". Bruce apontou para um pacote de fraldas.

"Fraldas de bebê".

Eles riram alto. "Que nojento!".

"Vocês usaram isso. Usaram tantas que eu pensei que iria a falência só com o dinheiro das fraldas".

"O que quer dizer falência?". Elijah perguntou.

"Ficar muito pobre".

Os dois riram.

"E isso?". Bruce apontou para absorventes.

"Fraldas femininas para os períodos especiais".

"Mulher usa fraldas?".

"Todo mês, mas não como vocês pensam". House respondeu e os meninos riram alto.

Os dois olharam curiosos para o pai.

"Um dia eu explicarei melhor!".

"Explica hoje!". Bruce exigiu.

"Não, vocês ainda são muito crianças e acham graça em tudo...".

E Elijah imitou o pai.

"Eles vão deixar o seu pai louco". Cuddy falou pra Rachel. Ela estava com outro carrinho de supermercado logo atrás.

"Eles são bobos demais".

"Não fale assim de seus irmãos, Rachel".

"Mas eles são bobos".

"Eles são crianças".

"Eu não era boba assim quando tinha a idade deles".

"Você comia brinquedos". House disse. "Você não era muito diferente".

"Eu não comia brinquedos".

"Ah comia sim".

"Mamãe!".

"Rachel, crianças fazem coisas bobas as vezes, mas não quer dizer que elas são bobas. Veja Bruce, ele sabe escrever e ler desde que tem cinco anos, ele aprendeu sozinho. É um garotinho curioso e que aprende tudo muito rapidamente. E Elijah...".

House ficou olhando para ver o que ela diria sobre o outro menino.

"Elijah tem muitas aptidões físicas".

House riu.

"Ou seja, Eli é bobo".

"Eli vai se dar melhor que todos nós. Ele é engraçado, bem humorado, sociável, todos gostam dele". House disse.

"E você agora é uma ótima aluna em matemática, mas quem te viu quando você tinha cinco anos talvez não imaginasse isso".

"Eu era tão boba assim?".

House riu.

"Claro que não querida, você era bem criança".

"Agora ela é criança também". House a corrigiu

"Eu já tenho dez anos".

"Criança!". House falou e Rachel ficou irritada. Ela queria ser uma adolescente. Ela se sentia como uma.

"Eu vou par a Olimpíada de matemática". Rachel contestou. Ela teria uma competição na Flórida.

"Sim e sua família vai junto, porque você é uma criança". House disse e a garota bufou.

Cuddy riu. "Lembra o dia em que você viu seus irmãos pela primeira vez?".

"Sim". Rachel respondeu.

"Eles eram tão pequenos e você disse que eles eram lindos e especiais".

"Sim, eles são. Mas são bobos também, especialmente Elijah".

"Ele é um garotinho hiperativo. Ele vai crescer e vamos sentir falta disso. Como eu sinto falta de você bebê".

"Sério?".

"Sim. Sinto falta de te ter em meus braços. Agora você está cada dia mais independente".

"E isso é ruim?".

"Não, mas as mães sentem falta de seus filhos pequenos".

"Elijah, largue essa garrafa". Elas ouviram House falando e mudaram o foco.

"Papai pra que serve isso?". Bruce chegou com um pacote de preservativos.

Cuddy ficou corada.

"Onde você encontrou isso?".

"Ali". Ele apontou para uma prateleira.

"Quem coloca isso em um supermercado?". Cuddy cochichou baixo com o marido.

"Isso é uma capa de chuva". House disse e Cuddy arregalou os olhos.

"Sério?". Rachel perguntou.

"Basicamente".

"Vamos pegar waffle?". Cuddy tentou mudar de assunto.

"Mas é muito pequena para ser uma capa de chuva". Elijah falou.

"É uma capa especial para não haver chuva de bebês".

"Ok, vamos pegar Waffle agora". Cuddy cortou o assunto e saiu muito rápido com o carrinho de supermercado.

"Mamãe ama waffle, hein?". Elijah disse divertido imitando a sua mãe indo apressada a procura de waffle.

House riu. Aqueles três o fazia ir do céu ao inferno em questão de segundos.

No dia seguinte Cuddy e House se preparavam para jantarem fora, era dia dos namorados.

"Vocês são muito velhos!". Elijah disse.

"E quem disse que tem idade para namorar?". House falou. "Se a minha pipa ainda sobe...".

"House!". Cuddy chamou a atenção dele. "Feche meu vestido".

"Vocês vão mesmo sair pra jantar?". Bruce se aproximou.

"Deixa eles, é romântico!". Rachel falou. "E mamãe está linda!".

"E eu?". House perguntou enciumado.

"Você está elegante".

"Não! Você tem que dizer que eu estou lindo!".

Os meninos riram.

"O que foi?".

"Você é engraçado pai". Elijah disse.

"Vá se f...".

"House!".

"Vão lá pra fora!".

"Você está lindo!". Elijah o provocou. "Tão lindo! Você parece um príncipe!".

"Esse menino ainda me deixará louco". House falou.

"Ele é como você, cheio de vida e de piadas. Você era assim na faculdade. Na verdade ele tem isso de você: o físico, a energia, o humor, a sagacidade e Bruce tem a inteligência". Cuddy disse.

"Uh... E Bruce é sério, responsável e controlador como você. E Elijah tem a sua coisa com festas e eventos, eu lembro bem de você na faculdade: a garota festeira. Ele também tem o seu carisma".

Ela sorriu. "Estou pronta para a noite namorado".

Ela estava vestida em um vestido verde escuro com um decote generoso nas costas. Além de boa parte das pernas estarem a mostra.

"Wow! Eu quero ir direto para o motel!".

"Se você merecer... Depois do restaurante...".

"Você fez essa noite valer a pena já".

Ela olhou pra ele maliciosa. "Eu sabia que você gostaria do vestido".

"Vou gostar ainda mais de despi-la".

"Controle-se garanhão!".

Eles saíram. Cuddy recomendou que se comportassem com a babá. Ela sabia que isso não aconteceria, então ela rezou para nada de pior acontecer.

O casal foi a um restaurante. O jantar foi romântico e depois emendaram em um motel. Fazia tempo que não faziam aquilo, e eles prometeram um ao outro que faria esse tipo de coisa com mais frequência.


Quando os garotos estavam com sete anos um episódio engraçado aconteceu.

"Papai me dá mil dólares?". Elijah pediu.

House cuspiu a coca cola que tomava. "Por que você quer mil dólares?".

"Porque sim".

"Você tem sete anos Eli".

"Eu quero comprar uma cobra".

"O quê?". House queria rir.

"Quero uma cobra de estimação".

"Quem falou em cobra de estimação?". Cuddy chegou à sala. "Esqueça essa ideia insana!".

"Por quê?". O menino perguntou inconformado.

"Porque esse tipo de animal não é para ficar em casa trancado em uma gaiola e porque a sua irmã tem pânico de cobras".

"Que Deus conserve assim!". House falou malicioso.

"House!". Cuddy disse corando.

"Eu não posso fazer nada nessa casa!". Eli subiu irritado para o seu quarto.

"E ele nem chegou a adolescência". House comentou.


Poucos dias depois desse episódio a família faria uma viagem com Wilson, Helen e seu bebê: Christopher. Eles foram para a casa de praia que Wilson na Flórida.

"Você anda pagando muito dinheiro para o chefe de oncologia". House reclamou com Cuddy.

"Ele não tem um monte de filhos pra sustentar, essa é a diferença".

Christopher tinha seis meses e Wilson parecia uma mãe tensa. Desde que o bebê nasceu, Wilson havia mudado. Por conta disso, Helen e ele estavam com sérios problemas no relacionamento e pensaram que uma viagem com amigos poderia fazer bem.

Rachel só estava interessada no celular que ganhou. Ela só queria falar com as amigas o tempo todo, suas notas começaram a dar sinais de declínio e Cuddy havia ameaçado tirar o celular dela.

"Eu disse que era muito cedo para ela ter um celular".

"Toda a adolescente tem um". House se justificou. Havia sido ele a dar o presente para a filha.

"Rachel não é todo mundo!".

"Por que toda mãe usa essa frase?".

"Talvez porque seja verdadeira".

Cuddy a convidou para irem dar uma volta na praia. Rachel precisava de movimento, precisava mudar o foco. Movimento aliás que não faltava para os gêmeos, sobretudo Elijah.

"Papai, por que existem ondas?". Bruce, que era o filho mais curioso, perguntou.

"Por conta do vento".

"Papai eu posso surfar?". Elijah, que era o filho mais dinâmico e atlético, perguntou.

"Só quando você for maior".

"Por que não agora? Eu já sei nadar!".

"Porque sua mãe arrancaria as minhas virtudes".

"Papai, quanta água existe no oceano do mundo todo?". Bruce perguntou curioso.

"Cerca de 1,3 bilhão de quilômetros cúbicos de água".

Bruce ficava encantado, o seu pai parecia um Google ambulante. Ele adorava aquilo e queria ser como ele.

"Papai, eu posso atravessar o mar até a Europa nadando?". Agora era a vez de Elijah.

"Não".

"Por quê?".

"Você não aguentaria".

"Eu sou forte". Ele mostrou o bíceps e House riu.

"O que é quilômetros cúbicos?". Bruce perguntou.

"Uma unidade de medida muito grande". House tentava explicar com palavras simples, mas ele sempre tinha dificuldades com isso.

"Papai, qual foi o homem que nadou mais longe no mar?".

"Não sei Elijah...". House estava cansado.

"Serei eu!". Ele disse confiante.

"Papai porque o mar é salgado?". Bruce perguntou.

"Porque o mar é composto por sais minerais. Vários deles".

"O que são sais minerais?".

Wilson chegou. "Vamos almoçar?".

"Obrigado Deus! Eu nunca fiquei tão feliz em lhe ver". House falou.

"Isso tudo é fome?".

"Não, mas eu aceito comida também".

Depois do almoço House convidou os filhos para entrar no mar.

"Elijah não corra na frente!". Cuddy gritou da areia.

"Sempre Eli...". Rachel reclamou enquanto brincava com o seu celular.

Mais tarde Helen conversou com Cuddy, tão logo teve oportunidade.

"Wilson não é o mesmo ele vive tenso. Ele já me perguntou cinco vezes se eu apliquei protetor solar em Chris e ele não ajuda em nada, só manda. Isso porque nem está sol e Chris está na sombra protegido".

"Eu sempre pensei que Wilson seria um ótimo pai e que ajudaria com o bebê...".

"Pois é, eu tenho que admitir que eu estou frustrada".

"House me ajuda muito. Todos podem pensar que House não faria nada, mas eu não tenho queixas. Ok, talvez uma ou outra coisa". Ela sorriu.

"Eu não sei. Sinto que estamos distantes. Cada vez mais distantes". Helen disse.

Wilson também desabafou com House.

"Ela não é uma boa mãe".

"Pelo que vi ela é atenciosa com o bebê".

"Eu tenho que controlar e falar tudo o que ela precisa fazer".

"E você é chato demais!".

"O quê?".

"Você está paranoico. Não sei como Helen te suporta...".

"Eu sou o pai".

"Grande merda! Como se eu não fosse um pai também, mas não pressiono Cuddy assim".

"Mas Cuddy é diferente".

"Não. Eu não sou paranoico. Essa é a diferença. Quantas fraldas você já trocou?".

"Não sei... nenhuma".

House riu. "Então...".

"Eu sou homem!".

"Ah pelo amor de Deus Wilson. E você espera que Helen viva com isso? Um machista retrógrado?".

Wilson ficou chocado. Não era essa a função do homem. Era? "Eu não sou machista. Você sempre foi mais machista do que eu".

"Eu também pensava assim, mas pelo visto estava enganado".

A noite eles jantaram peixe fresco. Bruce era comilão, já Elijah não queria parar pra comer, ele só queria brincar. Comer era perda de tempo.

House e Cuddy ficaram abraçados em frente ao mar enquanto os meninos brincavam na areia. Estava calor, mesmo a noite.

"Wilson e Helen estão tendo momentos difíceis". Cuddy falou.

"Eu sei".

"Ele não está ajudando com o bebê e ainda a critica o tempo todo".

"Eu sei".

"Ele te falou algo?".

"Sim e eu disse que ele era um machista egoísta".

"Você disse isso pra ele?".

"Sim, sem meias palavras".

Ela riu e o abraçou. "Eu tive sorte em ter você como pai dos meus filhos".

"Definitivamente".

Ela riu e se beijaram.

"Que nojento". Bruce disse quando se aproximou de seus pais.

Eles riram.

"Olha o que eu fiz". Bruce mostrou para os pais. O menino havia escrito o próprio nome na areia. Ele aprendeu a ler e a escrever sozinho.

Elijah os chamou também. "Olha o que eu faço".

O menino comeu areia. Muita areia.

"Elijah!". Cuddy foi até ele chocada. "Isso pode te dar uma verminose!".

"É... Eu acho que teremos um filho gênio e o outro nem tanto". House falou divertido.


Naquele verão aconteceu algo que poderia por fim a história de amor do casal. Mas isso é assunto para um próximo capítulo.

Continua...