And

To whom do I owe the biggest apology?

No one's been crueler than I've been to me.

I'm sorry to myself.

My apologies begin here before everybody else.

I'm sorry to myself.

For treating me worse than I would anybody else.

E

Para quem devo meu maior pedido de desculpas?

Ninguém foi mais cruel comigo que eu mesma

Peço desculpas a mim

Sou a primeira pessoa a quem peço perdão

Peço desculpas a mim

Por me tratar pior que eu trataria qualquer outra pessoa

Sorry To Myself - Alanis Morrisete


Twilight não nos pertence, mas os gêmeos são totalmente nossos!

CAPÍTULO 2 – AS CINZAS NEM SEMPRE VIRAM FÊNIX

BELLA POV – 3 meses atrás

Minha vida estava completamente cinza. Assim como o clima que transbordava pela janela do apartamento vazio em Londres. Desde que eu me mudei para cá, jamais apreciei a paisagem do local. Mas isso não importava, aqui não era meu lar. Fazia um ano que eu morava aqui e não conhecia nem meu vizinho do lado. A correria da minha profissão tomava todo o meu tempo, principalmente depois de ter assumido a direção do pronto socorro infantil. Eu não era apegada a crianças, mas vê-las sofrer era desumano. E por conta disso eu dedicava muito mais horas dentro do hospital do que fora.

Mas isso era antes. Essa dedicação exagerada em cuidar da vida dos outros era uma válvula de escape para camuflar minhas próprias feridas. Em Londres ninguém me conhecia e eu era feliz com isso. Pelo menos eu achava que sim...

Tudo mudou quando eu recebi uma carta de Rosalie. Na verdade, eu recebi, no último mês, 59 cartas, 40 e-mails e 20 telefonemas. Fora as ameaças de uma visita informal onde ela cruzaria o continente para chutar o meu traseiro, como ela mesma avisou. Ela vinha sonhando comigo todos os dias, em uma versão bem mais dramática da suicida do filme Constantine e isso a preocupava todos os dias. Eu nunca entendi Rosalie. Principalmente sua excessiva proteção comigo. Eu a adorava, claro, pois eu não tinha irmãos, mas o que eu não compreendia era como uma mulher linda, poderosa e independente tenha ficado tão íntima e amiga de uma pessoa desajeitada e sem graça como eu. Éramos completamente o oposto uma da outra. Sorri da lembrança do seu comentário sobre nossas diferenças: Por isso somos tão ligadas Bellinha. Os opostos se atraem. Rosalie definitivamente era a única amiga que eu tinha de verdade. E isso me fez suspirar com a minha falha mortal.

Assim que mudei para Londres, há um ano, Rosalie me avisou do seu casamento com o seu namorado perfeito e advogado Emmett. Era assim que ela o chamava, o que eu achava lindo. Eles pareciam realmente perfeitos um para o outro. Eu adorava Emmett e ele com certeza a faria muito feliz. Mas como uma péssima amiga, eu não fui. E apesar dela não tocar mais no assunto, sei o quanto a magoava o fato de eu não ter ido. Só que eu não podia...

Tendo essa falha para me assombrar Rosalie começou a apelar falando do futuro da nossa amizade, para que finalmente eu fosse embora da Inglaterra e voltasse para os Estados Unidos depois dos seus pesadelos terríveis. E isso era sufocante. Como eu largaria a chefia do PS em um respeitado hospital de uma grande cidade? Esse sempre foi o meu maior argumento, mas ela sempre rebatia. Falava, por horas, que o que mais tinha nos Estados Unidos era crianças a beira da morte, pessoas baleadas e hospitais equipados para lidar com isso. Nossa conversa sempre terminava com uma pitada de irritação tanto minha quanto dela. Mas o que fez mudar completamente minha decisão foi ela ter jogado na minha cara que eu nunca a amei de verdade.

"Isso é um absurdo".

Acabei repetindo o que falei para ela no dia da ligação. Ela falou, aproveitando meu momento de fraqueza diante do seu golpe baixo, que seu sogro era diretor geral do maior hospital da cidade de Forks, em Washington. E que ele precisava urgentemente de uma enfermeira chefe para o seu PS. Tentei argumentar todas as possibilidades possíveis da minha recusa, mas foi nesse momento que ela ameaçou vir me buscar. E diante disso, hoje eu me encontrava observando a paisagem da minha janela, do meu apartamento vazio em Londres, pois todas as minhas coisas já tinham sido enviadas para o outro lado do Atlântico.

Olhei o relógio, já estava na hora de partir. Faltava pouco menos de 3 horas para o sufocante vôo de 11 horas até o estado de Washington. Eu poderia ler um livro, pois tinha tempo que eu não fazia isso. Peguei meus últimos pertences, inclusive o aglomerado de cartas e papéis na minha porta. Eu poderia olhá-los dentro do avião. Deus do céu, quase dois anos sem passar tantas horas dentro do avião. Eu queria me recusar a lembrar, mas minha memória foi brutal. Era desgastante!

Desci o prédio e deixei a chave com o simpático porteiro, que sempre me cumprimentava, mas eu nunca soube seu nome. Na verdade eu me recusava a ter relacionamentos profundos com outras pessoas. Dificilmente eu perguntava o nome de alguém. Até mesmo dos pacientes. Como eram crianças na maioria das vezes, eu os chamava de querido ou querida. Era até uma forma carinhosa de abrir um espaço com o seu emocional, já que o físico estava mal. Mas eu sempre me mantive distante.

O táxi que eu havia chamado já me esperava na portaria. Acenei para o simpático senhor, que me desejou 'boa viagem' acenando de volta. A corrida foi rápida assim como o meu check-in e embarque. Afinal, todos os vôos são iguais.

Acomodada na poltrona, percebi que faria a viagem sozinha, pois não tinha passageiros ao meu lado. Fiquei imensamente feliz, já que eu não precisaria travar uma batalha por uma conversa com uma pessoa estranha, pois todos sempre tentam parecer mais íntimos do que a liberdade que você jamais dará. Era sempre assim.

Recordei nesse momento dos papéis e cartas que eu peguei na minha soleira. Era o início da minha distração. Com dois dias eu já havia trocado o endereço de todas as minhas correspondências para a casa de Rose, enquanto eu não achava um apartamento, mas sempre chegam algumas que já estavam postadas. Fui olhando uma a uma, conferindo que a maioria eram contas já quitadas, congratulações de médicos ou de empresas, ofertas de crédito imediato e um envelope. Estranhei o brilhante papel, pois eu nunca recebi esse tipo de documento, senão com certeza teria lembrado. Era dourado com círculos de alianças em volta. Achei até bonito. Quem manda um envelope brilhante para uma pessoa desconhecida as vésperas de sua mudança?

Abri lentamente com receio de estragar a embalagem. Era bobagem, lógico, mas minhas habilidades motoras não eram as melhores fora de um pronto socorro e Rosalie sempre zombava disso. Falava que eu tinha dupla personalidade, pois como poderia uma pessoa tão apta a tombos e cortes, ser uma exímia enfermeira?

Ainda com receio de um corte acidental nos dedos, abri lentamente e retirei um lindo papel em branco com letras douradas e com as palavras acima. JÉSSICA & MICHAEL.

Estanquei. O que era aquilo? Quando corri os olhos meu mundo definitivamente parou. Os jovens estavam convidando para seu enlace matrimonial que ocorreria em 15 dias. Mas isso era normal em um convite de casamento, o que definitivamente me fez cair dentro de um precipício de dolorosas e amargas lembranças foi a dedicatória final.

"Para todos celebrarem a mais perfeita noite de Paris."

Isso não estava acontecendo. Como um toque de mágica, todos os cadeados e travas da minha memória foram abertos somente com a leitura daquela frase. E o pior. As lembranças me levaram não para a noite perfeita de Paris, pois essa eu já tinha apagado da minha mente. O que veio como um tsunami poderoso foi o dia seguinte.

Acordei feliz. Na verdade achei que estava dentro de um sonho feliz. Meu estranho. As coisas que fizemos ontem povoaram a minha mente e meu corpo reagiu na hora, já que me senti levemente úmida. Como por Deus, em menos de 24 horas minha vida mudou tanto? Todas as lamentações de uma vida comum e sem graça tinham evaporado com o poder dos olhos verdes. Ele representava tudo o que existia de perigoso, sexy, livre e maravilhoso na cama. Como pode existir homem mais perfeito? Não tinha sido um sonho? Afinal, ele me fez sentir tantas coisas, mas eu nem sabia seu nome. Abri os olhos. Percebi que ainda estava sonolenta e com um ligeiro ardor no ventre. Sorri ainda mais. Realmente não existe sensação mais maravilhosa do que ser possuída por um homem que sabe te levar nas alturas. E indo contra todas as expectativas naturais eu gozei na minha primeira vez, duas vezes para ser mais exata. Estiquei-me na cama e percebi que estava enrolada em um lençol. Revivendo a noite de ontem, me senti protegida com o gesto possessivo do meu estranho. No final da nossa maravilhosa noite de amor ele me agarrou por trás e me fez sentir amada, querida. Isso era o paraíso.

Passei a mão inconscientemente pela cama. Vazia. Onde ele estaria? Rolei mais um pouco o corpo, esperando encontrá-lo mais distante já que nem todos conseguem ficar abraçados a noite toda. Rosalie sempre falava que isso era coisa de livros. Ficar grudada em outra pessoa a noite toda era fábula. Vazia. Meus sentidos despertaram um pouco mais. Levantei minhas costas, tentando ouvir mais algum som pelo quarto, ou mesmo do banheiro. Nada. Aquilo estava estranho, será que ele dormiu no banheiro?

Forcei meu corpo a levantar. Estava dolorida e com os cabelos revoltos. Me embrulhei no lençol, pois mesmo que tenha aparecido nua e disponível ontem, minha timidez me impedia de ser tão despudorada. De pé, me lembrei de Jéssica. Senhor! Eu dividi a cama com um estranho e o quarto nem era só meu. Será que ela viu? Um pânico me invadiu e rapidamente olhei sua cama. Arrumada e vazia. Suspirei aliviada. Seria no mínimo constrangedor estar transando com um homem estranho e sua colega de quarto entrar e assistir a cena. Nem nas épocas loucas de faculdade, quando eu dividia um quarto com Rosalie, ela tinha feito isso comigo. Corei violentamente me recordando que tinha quebrado todas as regras. Minha amiga ficaria feliz por mim.

Meu olhar baixou e percebi minhas roupas. Meu vestido. Na verdade parte dele, pois no calor do momento, e QUE MOMENTO!, meu estranho rasgou meu vestido na ânsia de me possuir. Me senti poderosa, pois mesmo virgem eu consegui despertar os desejos de um homem lindo. Olhando ao redor, reparei nos meus sapatos, calcinha e sutiã espalhados pelo quarto denunciando a tórrida noite de amor. Reparei, inclusive, no jarro de flores do quarto e nos três porta-retratos que ficavam sobre a mesinha enfeitando o local, jogados ao chão. Corei novamente. Durante a necessidade de irmos para a cama rapidamente, acabamos derrubando tudo.

Enquanto analisava a cena da mais perfeita noite da minha vida, reparei que não tinha nenhum vestígio de roupa do meu estranho. Franzi o cenho. Será que ele já estaria vestido no banheiro?

Senti uma pequena onda de pânico me tomar. Eu estava com o cabelo bagunçado, com a maquiagem certamente borrada por todo o meu rosto e enrolada sob um lençol. E ele? Perfeitamente arrumado e lindo de morrer. Ele perceberia o quanto eu era comum.

Acelerei meus passos e me aproximei da porta do banheiro, temerosa de encontrá-lo nesse estado. Percebi, no entanto, que ela estava entreaberta. Ele não estava lá! Onde ele estava?

Sacudida por uma mão, fui forçada a retornar a realidade. Uma gentil comissária me ofereceu comida, o que neguei rapidamente. Eu não estava com fome. Minhas lembranças dolorosas me impediam de utilizar qualquer sentido do meu corpo. Só sentia dor. Ainda me olhando, percebi seu olhar preocupado. Provavelmente ela deve ter visto a dor nos meus olhos. Dei um sorriso tímido e pedi uma almofada e cobertas, queria dormir. Sabia que era mentira, pois estava completamente sem sono, mas para afastar qualquer sentimento de piedade ou preocupação por parte de uma pessoa estranha, resolvi repor minha mascara e enganá-la.

Ela também sorriu e me entregou os itens. Recostei novamente na poltrona. Sabia que agora que minhas memórias tinham retornado, elas voltariam exatamente do ponto onde eu tinha parado, como um filme tatuado na sua pele, que diante de qualquer interrupção seu corpo dá pausa, mas retorna exatamente continuando de onde estava. Fechei os olhos e esperei. Eu teria que enfrentar minhas recordações de qualquer maneira...

Girei meu corpo a procura de um telefone. Ele poderia estar no lobby do hotel pedindo nosso café da manhã. Mas seria no mínino desnecessário, já que poderia pedi-lo no próprio quarto. Pensei em perguntar por ele na recepção, mas isso soaria ridículo. Como eu poderia identificá-lo se não sabia nem seu nome. Tentando encontrar uma resposta coerente, busquei alguma informação sobre os móveis do quarto. Nada. Ele então tinha saído. Deve estar querendo me preparar uma surpresa. Com esse pensamento corri para o banho, eu tinha que estar linda.

Passado mais de uma hora, percebi que estava faminta. Eu já estava arrumada há mais de 20 minutos e nem sinal do meu estranho. Resolvi ligar e pedir algo para o café da manhã, mas percebi que já passava das onze horas e o café já tinha sido recolhido. Meu estômago se contorceu, mas não pareceu fome. Estranhei minha reação, mas deixei de lado. Jéssica. Acabei de recordar da minha companheira de quarto. Eu tinha que saber o que houve com ela! Mike! Quem diria, eles dois. Nunca imaginei em nenhuma realidade paralela esse casal. Mas hoje eu não questionaria o destino, pois ele me trouxe à pessoa mais perfeita em Paris.

Novamente olhei o relógio. 11h30 da manhã. Em poucos minutos serviriam o almoço. Meu estômago se contorceu de novo. Todas as vezes que isso acontecia na minha infância, era como um aviso do meu corpo para a queda. Era estranho, na verdade, mas minha mãe dizia que era a forma do meu anjinho me proteger. Sorri com essa lembrança. Precisava ligar para minha mãe. Rosalie! Precisava ligar para ela!

Corri para o telefone e disquei para ela. Caixa postal. Aposto que deve estar nos braços do Emmett, seu príncipe encantado, ou, como ela o chamava, advogado perfeito. Eles estavam juntos há algum tempo e o casamento não tardaria a vir. Tentei de novo, caixa postal. Nunca gostei de deixar recados.

Nova reação do estômago, mas agora associei à fome. Eu realmente estava faminta. Percebi que enquanto pensava na minha amiga e tentava localizá-la, já era meio-dia. Rapidamente ajeitei o quarto. Não era necessário arrumar, mas eu nunca deixaria vestígios de coisas espalhadas para as camareiras fofocarem.

Desci para o almoço ainda com pensamentos no meu perfeito estranho. E me preocupei. Onde ele estaria? Por que não me acordou? Será que aconteceu algo? Antes de qualquer resposta para as minhas intermináveis dúvidas, o cheiro de comida invadiu meu cérebro. Perfeito. Meu estômago deu um forte espasmo súbito. Estranho. Não era o roncar normal de um corpo faminto. Como por instinto, comecei a olhar para os lados, com receio de algo vir voando pela minha cabeça. Isso seria bem típico de mim, pois tudo relacionado a acidentes era atraído para algum lugar do meu corpo.

Ao olhar para o hall de entrada identifiquei o manobrista. Sim, o mesmo que tinha pegado as chaves do meu estranho. Instantaneamente minha ansiedade foi embora, mas a dor no meu estômago não. Na verdade, achei que tinha aumentado. Resolvi ignorar. Com passos decididos, quase correndo, fui até o funcionário do hotel. Assim que ele me viu, sorriu. Ele me reconhecera de ontem à noite, seria ainda mais fácil. Assim que cheguei perto seu olhar baixou em sinal de respeito. Isso foi bom, mas um pouco constrangedor. Será que em meu rosto estava evidente a tórrida noite de amor de ontem?

"Bom dia Sr... er... Chaves".

"Bom dia, senhorita".

"Você se lembra de mim, sim?"

"Lógico senhora. A senhora chegou ontem com o cavalheiro que me deu a melhor gorjeta do mês".

"Sério? Que bom".

Não me recordava do meu estranho ter dado gorjeta. E desde quando as pessoas dão gorjetas na entrada? Meu estômago torceu de tal forma que cheguei a sentir uma pontada na cabeça. Pensei com dificuldade na pergunta que iria fazer para ele.

"E você, bem, o viu por aqui hoje?"

"Claro senhora. Foi bem cedo, assim que iniciei meu turno".

"Que horas foi isso?"

"Por volta das 6 horas da manhã".

Nova dor ainda mais forte. Fiquei um pouco zonza, pois meu cérebro também doía neste momento.

"E ele falou algo com você?"

"Na verdade ele foi extremamente simpático comigo, o que é difícil nessa cidade. Sorridente, me pediu o seu carro. Assim que eu cheguei, ele estava cantarolando uma música que eu conhecia. Cantei junto e ele fez dupla comigo. Me agradeceu e deu a gorjeta. Quando eu disse até mais tarde, ele falou. 'Não amigo, me deseje boa viagem. Daqui a 1 hora estou embarcando para Roma'...

...

Escuro, muito escuro. Vozes. Sirenes. Dor... muita dor.

...

Vazio. Frio. Dor. Essas eram as palavras que martelavam na minha mente. Barulho. Dor.

Não saberia identificar onde estava. Só sentia um profundo vazio. Eu estava morta. Estava? Tentei abrir meus olhos. Nada. Mas para que mesmo? Toda a minha vida foi sugada com uma simples conversa. Sim. Mas de quem? Como um rolo compressor, todo o motivo da minha dor estava de volta. ELE TINHA IDO EMBORA...

Como em uma fogueira em noite de dia das bruxas, todas as minhas memórias felizes se apagaram. Só ficou a dor. Tentei abrir os olhos novamente. Consegui. Comecei a enxergar um novo mundo. Um mundo cinza...

Voltei à realidade. Ainda estava no avião. Estranhamente aquelas lembranças não me trouxeram lágrimas. Há muito tempo eu não chorava, pois todas as minhas emoções ficaram em Paris. Entretanto, de forma absurda, recordei o que aconteceu no momento que eu apaguei, pois Jéssica me contou. Eu desmaiei e fui hospitalizada. Passei 3 dias desacordada, como se estivesse em coma. Quando acordei, eu já não sorria e não conversava com ninguém. Na verdade, nunca contei pra ninguém o que aconteceu em Paris...

O aviso de preparar para o pouso soou, me fazendo sair definitivamente das minhas amargas lembranças. Eu agora tinha uma nova vida e precisava me inteirar dela, pois um novo recomeço aparecia na minha frente. Não que eu quisesse, pois estava confortável na minha vida e rotina em Londres.

Após meu desastre amoroso e minha queda emocional, nunca mais voltei àquela maldita cidade. Em pouco tempo consegui me estabelecer em Londres e apaguei qualquer vestígio da minha estadia lá. Nem Jéssica ou Mike sabiam onde eu estava. Isso até hoje...

O pouso foi tranqüilo e enquanto me encaminhava para fora da aeronave tive uma sensação estranha, como se algo fosse acontecer. Aquele friozinho na barriga que há muito tempo eu não sentia, visto que minha vida era uma rotina metódica. Hospital, casa, hospital. Essa emoção só poderia ser o nervosismo de estar em um lugar novo, em busca de um emprego novo. Tanto tempo sem novidades faz isso com você. Te deixa despreparada. Pensei em Rosalie novamente, ela sim estaria feliz em me encontrar. Isso era minha sensação feliz após tanto tempo na escuridão.

Procurei minha bagagem e fui em direção aos táxis. Fiquei frustrada por não ter a recepção da minha amiga, mas eu tive que entender. Afinal ela estava com projetos de clientes para finalizar e seu tempo estava apertado. Mas me pediu que ligasse assim que chegasse a Forks, para que ela falasse com seu sogro.

Sorri verdadeiramente com a lembrança da minha amiga. Tão próxima a mim, mesmo eu estando em outro continente. Comecei a acreditar que essa "aventura" dela seria uma coisa boa, pois agora ela estaria próxima. Eu não estaria mais sozinha.

No caminho para Forks tentei ligar para Rosalie. Caixa postal. Me aborreci com isso. Como eu iria falar com um diretor de hospital sem uma apresentação formal? Rosalie era insana demais. Ela se esqueceu de mim? Como ela me retira do meu apartamento, do meu emprego, da minha vida e sequer me dá satisfação? Gemi frustrada. Mal cheguei ao país e já estava em apuros por causa dela.

Antes de imaginar qualquer loucura que eu poderia fazer com a minha quase ex melhor amiga, meu celular vibrou. Eu tinha recebido uma mensagem. Rosalie.

"Amiga, mil perdões. Estou presa aqui e quando você receber essa mensagem, não poderei atender. Vá direto para o Hospital Geral de Forks. Só existe esse. Procure Dr. Carlisle Cullen, diretor do hospital. Ele já a aguarda. Mandei toda a sua ficha profissional para ele. Ele ficou impressionado. Você já esta praticamente empregada. Te amo".

Sorri e esqueci toda a irritação que eu tive momentos atrás. Assim era e sempre será a minha relação com Rosalie. Ela sempre se metia em tudo, organizava as coisas e ainda achava que ficava faltando algo. Sem contar que ela pensava que eu era sua Barbie particular. Meu sorriso aumentou, mesmo a contragosto. Definitivamente era muito melhor estar perto dela novamente.

Chegando a cidade de Forks, suspirei. O taxista me informou que era a cidade mais chuvosa do país. Percebi também que, além do clima chuvoso que já aparecia na janela do carro, aqui era tudo muito verde. Verde até demais. Mas as pessoas ao redor das lojas e passeando nas calçadas tinham um semblante feliz. Gostavam do lugar, foi minha conclusão. De repente, aqui poderia ser mesmo um lar para mim.

Poucos minutos depois o taxista chegou ao hospital. Era imenso, mas também bonito. Clássico, para ser mais exata. Não tinha a aparência daqueles hospitais modernos da Europa, ou de algumas grandes cidades americanas. Mas eu gostei do lugar, parecia aconchegante. Peguei minha mala, paguei o taxista e fui em direção a recepção. Assim que cheguei à entrada, uma simpática mulher que tinha a aparência de ter minha idade, sorriu e se encaminhou na minha direção.

"Srta. Swan, suponho?"

"Sim?" Respondi com uma pergunta.

"Desculpe, sou Ângela Weber, assistente sênior da ala de enfermagem do PS. Dr. Cullen já a aguarda ansioso. Ele falou que quando chegasse uma jovem com uma mala, levasse até ele imediatamente. E vou te confessar, se você for a nova Chefe dos Enfermeiros do PS, vou ficar extremamente agradecida, pois simpatizei com você".

A única reação ao estranho, mas afetuoso monólogo da minha suposta colega de enfermagem foi sorrir. Novamente. Desde que eu coloquei os pés nesse país, eu tinha conseguido sorrir sinceramente mais vezes do que todo o tempo que passei em Londres. Suspirei feliz.

"Tudo bem Ângela, sou eu mesma, mas, por favor, me chame de Bella. Gosto assim".

"Combina com você, Bella".

"Não, por favor, não é uma auto-afirmação de beleza, longe disso. É só o diminutivo de Isabella. Como serei chamada de Isabella o tempo todo, gostaria de me apresentar informalmente a você, já que estranhamente simpatizei com você também".

Ela sorriu. Fiquei tensa no começo, mas depois relaxei. Estranho me sentir tão bem depois de tanto tempo...

Ângela me levou através de amplos corredores. A aparência clássica que existia do lado de fora era completamente diferente do que eu via dentro do hospital. Aparelhos modernos, salas bem equipadas e equipes competentes. Reconheci vagamente, inclusive, alguns profissionais que sempre estampavam os periódicos médicos. Definitivamente esse não era um hospital de cidade pequena.

Minha condutora parou em frente a uma grande porta em que estava escrita o nome que Rosalie me informou. Dr. Carlisle Cullen. Apesar de já ter ouvido falar dele em muitos congressos e revistas especializadas, não me recordava de ter visto seu rosto em nenhuma delas. A porta se abriu e um médico excepcionalmente jovem apareceu sentado de lado atendendo ao telefone. Ao perceber nossa conversa ele encerrou a ligação. Assim que ele virou para nossa direção, sorrindo amistosamente, um arrepio subiu pelas minhas costas. De onde eu conhecia esse sorriso?

"Srta. Swan, que prazer recebê-la. Eu já estava a sua espera".

"Er... obrigada Dr. Cullen. E desculpe interromper sua ligação e chegar assim com malas e tudo mais".

"Imagina. E posso chamar você de Isabella? Aqui sou simplesmente Carlisle. Nem meus pacientes me chamam assim. É um título dispensável. Sente-se, por favor. E Ângela? Avise todos que já irei ao PS apresentar a Isabella".

Minha nova amiga quase saiu saltitante pelo corredor. Sentei em frente ao atencioso médico e me senti mais confortável. Ele parecia um velho amigo com gestos amistosos. Mas a estranha sensação de que o conhecia não me abandonava. Como, se eu nunca o vi?

"Dr... que dizer Carlisle. Pode me chamar de Bella também. É mais prático".

"Que ótimo então. Sem formalidades. E também serei direto e franco com você Srta. Bella. Estou desesperado neste hospital. Há duas semanas estou sem chefia de enfermagem no PS. Quando eu ia começar as entrevistas em busca de uma pessoa para a vaga, minha nora me informou sobre o seu retorno para a América. Ela também me disse que você estaria em busca de recolocação profissional e me passou todos os seus contatos profissionais. E posso afirmar, estou impressionado que com tão tenra idade você tenha tanta experiência. Enfim, o objetivo do meu discurso é: Gostaria de trabalhar conosco no hospital Srta. Bella?"

Uau. Com um pequeno discurso passei de assustada a admirada. Como Rosalie conseguiu isso tudo? E mais, como eu tinha ficado tão famosa e profissionalmente impecável assim, para arrancar um elogio de tão renomado médico? Fora que eu fiquei hipnotizada pelos olhos do meu futuro chefe. Mas não de forma sexual, longe disso. Possuía uma extrema dedicação e amor, que transbordava para todos. De forma impulsiva, como há muito tempo não acontecia, concordei levemente com a cabeça.

"Claro Dr... quer dizer... Carlisle. Adoraria".

"Perfeito Srta. Bella. Vamos conhecer alguns dos seus futuros colegas?"

Assenti novamente, maravilhada com o rumo da minha vida. Eu estava me sentido em casa pela primeira vez em muitos anos. Durante todo o tempo que trabalhei em Londres, nunca tinha sentido o estranho, mas aconchegante sentimento de felicidade que dominava meu interior. Suspirei novamente. Eu definitivamente começaria uma nova vida na América.

Assim que chegamos ao corredor do hospital senti novamente o arrepio na nuca. Estranho, pois apesar da chuva não estava muito frio. Olhei em direção ao aglomerado de pessoas que estavam próximos ao PS e estanquei. Impossível. Minha mente deveria estar pregando um susto na minha felicidade. Isso não poderia estar acontecendo comigo...


Meninasssss... o que acharam do nosso drama? Eu estava conversando com umas meninas e todas acham a mesma coisa. Toda mulher é sonhadora... e quando se refere a nossa primeira vez... sempre existem altas expectativas... me deu até pena da Bella. Esse capítulo foi praticamente todo escrito pela Titinha, eu sou péssima em drama e ela mandou muito bem... Obrigado Titinha, obrigado tabém a nossa beta Juliana que é gêmea e está nos ajudando com os personagens e tudo mais.

respondendo a algumas reviews...

Thais Diniz: Acho que nessa fic temos uma dupla inveja da Bella... hahaaha

Dyana camila: Eu tbm fico na duvida sabe... mas tenho uma queda por cafageste... achoq fico com o Rob.. kkk

Zatari: Vc não perde por esperar... todas as quartas estaremos aqui"

Regina Swan Cullen: Essa escolha vai ser da Bella... mas coitada... a indecisão deve ser terrivel!

Cris Turner: Ela "ainda" não pegou os dois... mas quando pegar... táparei

Beth Wanderley: O terror nãooooo... será muitooooo boa... hahahaaha eu e a Titinha juntas somos uma arma de destruição em massa e umas movimentadoras do gmail kkkkk

Beka Assis: É uma mistura boa né? Digamos que... perfeita!

Bjus meninas... até a próxima quarta feira... será POV Ed.... mas com reviews... td fica mais bonito!