Look into my eyes
You will see what you mean to me
Search your heart, search your soul
And when you find me there, you'll search no more
Don't tell me it's not worth trying for
You can't tell me it's not worth dying for
You know it's true, everything I do, I do it for you
Look into your heart , you will find
There's nothing there to hide
Take me as I am, take my life
I would give it all, I would sacrifice
Don't tell me it's not worth fighting for
I can´t help it, there´s nothing I want more
You know it's true, everything I do, I do it for you
Olhe dentro dos meus olhos
Você verá o que você significa para mim.
Procure em seu coração, procure em sua alma
E quando você me encontrar lá, não vai procurar mais nada.
Não me diga que não vale a pena tentar,
Você não pode me dizer que não vale a pena morrer.
Você sabe que é verdade,
Tudo que eu faço, eu faço por você.
Olhe dentro do seu coração, você vai encontrar,
Não existe nada lá para esconder.
Me aceite como sou, fique com minha vida,
Eu poderia largar tudo, eu a sacrificaria.
Não me diga que não vale a pena lutar,
Eu não consigo evitar - não há nada que eu queira mais que isso.
Você sabe que é verdade,
Tudo que eu faço, eu faço por você
.
(Everything I Do) I Do It For You – Brian Adams
Capítulo 10 – UMA DANÇA QUE PODE SER CONDUZIDA A TRÊS
Bella POV
Minha mente dava voltas e mais voltas sobre o confuso jantar de família. Na verdade, eu tinha muitos pensamentos sobre como conduzir a minha rotina após aquela noite. Mas a descrição mais complexa com certeza era: O que eu poderia falar sobre as semanas seguintes ao jantar?
Estranhas...
Estranhas não... diferentes.
Edward continuava o mesmo comigo, não, na verdade, ele estava mais sedutor. Ele pareceu desconfiado e extremamente possessivo após o jantar, o que obviamente se refletiu no maravilhoso sexo daquela noite, mas agora era como se ele tivesse esquecido completamente o assunto. Robert... bem... esse me surpreendeu. Durante o jantar ele insistiu naquele olhar arrasa corações, mas poucas vezes me olhava, e quando o fazia, mesmo de vez em quando, sorria, mas nunca realmente se aproximou ou conversou comigo. Ele não falou nada sobre o que aconteceu entre nós e eu fiquei muito agradecida com isso. Na verdade... às vezes parecia que ele nem se lembrava de mim. Tirando o olhar de cobiça que eu me recordava muito bem, eu tinha delírios de que tudo era uma confusão da minha cabeça.
Após sairmos do jantar, Edward me acompanhou até em casa e passou toda a noite comigo. Ele realmente me tirou toda a tensão das horas anteriores. Ele parecia um mestre nisso. Não tinha como contestar. Ele fazia o meu corpo implorar por ele só com um olhar.
Na manhã seguinte, acordamos cedo e Edward resolveu voltar pra casa e passar um tempo com o irmão, já que Rose passaria o dia comigo. Eu não entendia a implicância dos dois, mas não parecia ser nada além de guerra de egos. Egos ENORMES. Ele se despediu com doces beijos e me prometeu que ligaria mais tarde, e que eu também poderia ligar caso Rose saísse mais cedo.
Rose chegou por volta das 10h da manhã, o que foi bom. Eu reorganizei minha casa. Entre o Hospital e Edward, não estava sobrando muito tempo pra nada. Eu também tive um pouco de tempo para pensar sobre a confusão que estava minha mente neste momento da minha vida. Eu estava simplesmente namorando o irmão gêmeo do cara que me tirou a virgindade e me deixou sem dizer seu nome ou um adeus. E eu tinha sofrido horrores com isso. Não tinha contado pra ninguém. E agora eu estava feliz com o outro. Isso poderia parecer meio doentio para algumas pessoas. O que será que Edward pensaria se soubesse? Eu nem imaginava.
Como seria nossa convivência, caso seu irmão ficasse por perto assim? Será que Robert contaria?
Deus! Eu tentei tanto esconder meu passado. E agora ele é esfregado na minha cara. Eu queria tanto esquecer essa história e pensar que Edward foi meu primeiro. Ele sim merecia o título. Mas já me disseram que a vida não é justa e nem tudo é como a gente quer. Pois é... eu sou prova disso. Esses três meses foram tão perfeitos. Edward me ensinou a confiar nele, me provou que eu poderia ser feliz com alguém sem sofrer. Mas agora, com a volta do Rob, as coisas estavam meio confusas.
Antes que eu me aprofundasse nesses pensamentos conflitantes e sem respostas, a campainha tocou. Será que Rose entenderia se eu contasse a ela tudo? Sobre o Robert e sobre toda a confusão da minha vida? Acho que ainda não era o momento.
Abri a porta para uma Rose sorridente. Era tão bom tê-la por perto. Mesmo com nosso tempo limitado.
"Bom dia, amiga da onça." Ela disse.
"Até parece que sou eu, Rose. Insistiu tanto em me ter por perto e agora eu tenho que implorar por um tempo em sua agenda!"
Rose foi entrando e largando a bolsa na mesa de centro. Ela se jogou no sofá e me olhou com expectativa. "E aí? O que achou da família?"
"Legal..."
"Bella, esse legal não me convenceu! Me conta, TUDO!"
"Nada, Rose. Eu realmente amei a família. Esme é um amor, Carlisle é uma pessoa maravilhosa... não conheci bem o resto..."
"E o Rob? É confuso, não é? Os dois são idênticos!"
"Eu não acho... acho-os tão diferentes. Eu nunca confundiria." Sorri. Nunca mesmo.
"Claro, amiga. Tendo um deles entre suas pernas todas as noites, tem que conhecer os detalhes já!" Ela caiu na risada, e eu? Corei como um tomate.
"Rose, por que tudo tem uma conotação sexual pra você?" Dei uma risada, em anos eu nunca me acostumei com a forma dela de falar assim... abertamente. "Mas não é bem isso, Rose. O olhar, a postura... tudo é diferente nos dois".
"Bellinha, amiga, eu vou te falar. Eu sempre os confundia antes. O Rob não era assim tão diferente do Edward. Eles eram unha e carne." Ela parou como se lembrasse. "O Rob não se vestia assim tão largado. Ele e Edward tinham a mesma postura confiante e, claro, eles sempre foram muito safados." Ela piscou pra mim. "Ok, ok... seu gêmeo agora é do bem. Eu confesso que estou surpresa. Todo mundo fala de como ele adora você. Eu estou feliz por você acima de tudo. Você sabe, não é?"
"Eu sei, Rose. Ele..." Suspirei. "É maravilhoso".
"Ihhhh amiga. Credo, está caidinha!"
"Hahaha. Nem vem, Rose. Agüentei meses de suspiros seus falando do Emmett: 'ah, ele é lindo', 'ah, ele é enorme' e outras coisas que eu nem gosto de lembrar sem ficar roxa de vergonha".
"Sim, mas me conta TUDO. Você ainda não me contou como rolou... como foi, amiga. Essas coisas a gente compartilha com as best's".
"Hum... o que?" Eu me fingi de desentendida... para não dizer o contrário. Ela me deu um olhar que dizia 'bota a porra toda pra fora, eu sei que você sabe o que estou falando'. Bufei. "Foi perfeito. Ele é perfeito".
"Bellaaaaaaaa, isso não é informação útil!"
"Ele foi carinhoso, atencioso. Ele esperou o momento certo, Rose. Ele não forçou nada. Ai... perfeito é a palavra mesmo. Não sei como descrever. Mas eu senti que era totalmente certo." Suspirei. "Eu estou feliz. Ele tem me feito feliz. Eu até tenho medo disso. Dizem que quando a gente está muito feliz, algo acontece".
"Ihhh. Para com isso. Deixa de agourar a própria felicidade. Quem inventou essa merda era um puta de um sem noção, feio e virgem." Tive que rir. Rose era sempre Rose.
"Tudo bem, vamos deixar nossos homens de lado." Adorei como soou. Eu tinha um homem comigo agora. "E vamos sair! Estou pensando em ir a Port Angeles para comprarmos algumas coisas. Hoje é nosso dia livre e você vai conhecer um Sex Shop, Bella!"
"Epa epa epaaaaaa. Eu não combinei nada disso com você, garota. Eu nunca vou entrar em um negócio desses." Ela era insana!
"Aiai... você vai perceber como é bom. E lá ninguém nem conhece a gente. Podemos fazer o que quisermos. Depois podemos escolher algumas lingeries, pois eu aposto que você tem usado conjuntinhos de algodão como sempre. Isso me mata, Bella. Você é ativa agora!" Como eu disse... tudo tinha a ver com sexo pra ela. Bufei.
"Nem arranje desculpas. Pegue sua bolsa e estou te esperando no carro".
Era raro Rose perder uma discussão. E pra não prolongar o inevitável, peguei minha bolsa e entrei no carro dela. Bati a porta bem forte. E olhei irritada pra frente.
Ao longo da estrada ela ligou o rádio e estava tocando Three Little Birds do Bob Marley. Nós adorávamos essa música. Ela começou com o versinho.
Don't worry about a thing, - Não se preocupe com nada
'Cause every little thing - Porque cada pequena coisa
Gonna be all right - Vai ficar bem
Saying , don't worry about a thing - Dizendo, não se preocupe com nada
'Cause every little thing - Porque cada pequena coisa
Gonna be all right - Vai ficar bem
Rise up this morning - Levantar esta manhã
Smile with the rising sun - Sorrir com o sol nascente
Three little birds - Três pequenos pássaros
It's by my doorstep - Pela minha porta
Singing sweet songs - Cantando músicas doces
Of melodies pure and true - De melodias puras e verdadeiras
Rose se virou pra mim e eu sabia e cantei junto.
Sayin',"This is my message to you" - Dizendo, "Esta é a minha mensagem para você"
Assim, fomos cantando e quando vi estávamos sorrindo e conversando sobre várias coisas normais. Hospital, a sua vida de casada, a família dos nossos parceiros. Ela me falou mais um pouco sobre a dinâmica da família. Alice parecia ser muito engraçada. Eu gostei dela de cara. Ela me contou algumas histórias engraçadas sobre eles. Pareciam ser a família perfeita. Eu ainda não entendia o por quê do Robert ter saído de Forks e o que realmente ele fazia.
Tinha algo que não encaixava, mas como ninguém comentava, eu não perguntava. Eu procurava me manter o mais distante possível dele em si.
Chegamos em Port Angeles e tinha uma rua de pequenas lojinhas, uma ao lado da outra. Rose estacionou de frente a uma loja de lingerie, mas nós fomos em direção a umas lojas abaixo dessa. Ela me olhou sorridente, como se estivéssemos fazendo uma coisa muito divertida. Meu corpo estava tenso só de imaginar o que eu veria nesse lugar.
Comparando aos presentes absurdos que a Rose já me enviou, a coisa era pavorosa. Ela me enviou um vibrador colorido, vídeos assustadores e até uma calcinha vibratória. Quando isso aconteceu, eu pedi, por favor, que ela parasse. Já pensou o que o pessoal dos correios estaria pensando de mim?
Respirando fundo entramos pela portinha, um sino tocou e a atendente nos recebeu com um sorriso. Era bem surreal e eu nem conseguia acreditar que ela me arrastou para algo assim. Mas no fundo, bem no fundo, eu sabia que eu estava curiosa... aquela calcinha tinha feito coisas maravilhosas para mim. Mas ela nunca saberia que eu cheguei a testar seus presentes. Nunca.
Ela foi entrando e apontando objetos que eu nunca imaginei existirem. Após um quase desmaio, ela me chamou para vermos uns óleos corporais. Isso me pareceu menos terrível. Rose separou alguns óleos, umas 10 calcinhas comestíveis (segundo ela, Emmet adorava a de morango), e umas bolinhas. Ela me disse que era pra eu pedir a Edward para colocá-las dentro de mim na hora H e a coisa toda explodia, sendo uma sensação sem igual. Após alguns sorrisos desesperados e vários 'por favor, vamos embora', saímos da loja com as sacolinhas cheias de itens que eu nunca imaginei carregar. Mas eu também tive que admitir que, pelas aquisições, tudo parecia ser muito bom. Corri e deixamos as sacolas no carro antes de fazermos qualquer outra coisa.
Entramos na loja de lingerie e tinha uma atendente e uma moça sentada no balcão. Ambas sorriram e a vendedora nos apresentou algumas das peças da suposta nova coleção. Eu nunca imaginei que tinha 'moda' de lingerie. E, segundo ela, o branco e o azul bebê eram as cores da estação. Rose me ajudou a separar e escolher. Apesar de eu retirar várias coisas que pareciam mais fios de tecido do que uma calcinha. Não existia possibilidade de eu usar algo como aquilo.
Assim que separamos algumas para e mim e para ela, a vendedora nos trouxe alguns acessórios, como ligas e laços. Quando estava esticando uma liga, sem saber como colocaria aquilo, a porta da loja se abriu e ouvimos uma voz como que de sinos. "Hum... meu irmão adoraria isso, Bella".
Meu rosto virou e imediatamente deixei a peça cair no chão. Alice estava com um sorriso enorme e Rose correu e a abraçou. Ela se soltou de Rose e veio em minha direção me abraçar como se nada tivesse acontecido. "Não precisa ficar assim. Eu também quero a opinião de vocês. Agora que você é da família, temos que aprender a fazer compras juntas." Ela se virou para Rose. "E você hein... não me chama pra isso? Você sabe como eu adoro sair com você para compras!"
"Nem vem, Alice, nossas agendas não se cruzam há meses. Você anda mais ocupada que eu".
"Eu sei, eu sei. Mas como eu precisava escolher um novo tecido para umas amostras de sofás que estou testando, resolvi vir a Port Angeles. E quando eu vi o seu carro aqui em frente, eu não resisti." Ela começou a saltitar pela loja pegando algumas peças e olhando. "Eu, como disse, faço amanhã 3 anos que estou com Jasper. Eu quero a ajuda de vocês." Ela puxou um corpete vermelho todo de renda. "O que vocês acham?"
E assim passamos mais meia hora entre calcinhas e conversas. Assim que saímos Alice nos chamou para almoçar, pois já era quase quatro horas da tarde e nós não tínhamos comido nada. Ela era muito legal, mas a energia dela dava canseira só de olhar. Enquanto conversávamos e comíamos, ela respondia a e-mails no seu Blackberry. Parecia que ela não conseguia parar. Mas me senti estranhamente confortável ao seu lado. Não era como se fosse amiga há anos somente de Rose, mas dela também. E também percebi o quanto as duas se davam bem. Foi uma tarde muito agradável.
Às cinco horas nos encaminhamos de volta para Forks. Passar um dia inteiro sem ver Edward era difícil pra mim. Estávamos em uma rotina tão grudenta. Dormíamos juntos, trabalhávamos próximos e morávamos na mesma quadra. Eu estava dependente da sua presença e só de pensar que eu também teria que dividir sua atenção com seu irmão, já me doía por dentro.
Rose me deixou em minha casa, me fazendo jurar que não demoraríamos mais dois meses para sairmos novamente. Eu e minhas compras nos jogamos no sofá. Eu estava exausta. A manhã de faxina e a tarde de compras sugaram minhas forças.
Edward me ligou logo após eu chegar. Ele disse que teve um pressentimento de que eu estaria em casa. Ele me chamou para jantar com ele e Rob. Pelo seu tom, ele estava ansioso e feliz. Eu não queria estragar essa felicidade, então aceitei.
Corri para o quarto e comecei a procurar uma roupa. Mas a todo momento tentando desviar o pensamento de que eu estaria com os dois a noite toda. Se eu pensasse nisso agora, eu surtaria de vez.
Resolvi optar pelo básico. Uma calça jeans, uma camisa preta e um saltinho preto. Eu não sabia bem aonde eles me levariam. Eles. Não posso pensar nisso agora! Ok.
As oito em ponto, eu ouvi um carro parar na minha porta e com um mantra interno de 'não pense nisso e não surte', caminhei até eles. Edward saiu do volante e deu a volta no carro. Rob saiu do banco da frente e passou para o banco de trás enquanto Edward abria a porta da frente pra mim. Eu queria dizer que não precisava, mas foi tudo muito rápido e quando eu vi, estava sentada ao lado de Edward enquanto ele dirigia. Trocamos um 'boa noite' e continuamos em um silêncio um pouco constrangedor até que Edward pegou minha mão, deu um beijo e perguntou se eu gostaria de comer em um restaurante na estrada que eles costumavam comer quando eram adolescentes. Fiz que sim com a cabeça e dei um sorriso pra ele.
Por mais louca que a situação fosse, conhecer mais dele e de tudo o que ele gostava me deixava alegre. Eu me sentia mais parte da vida dele.
Ele e Rob trocaram alguns comentários, Rob perguntou a ele sobre alguns amigos que moravam em Forks e ele foi respondendo. Algumas vezes eles riam sozinhos, como se tivessem alguma piada interna. Eu me mantive reta e calada por todo o caminho, mas a mão de Edward sempre estava na minha, só soltando quando ele precisava passar a marcha. O toque dele foi me acalmando aos poucos, mas não retirou toda a tensão.
Ao chegarmos ao restaurante eu fiquei impressionada, eu nunca imaginei que encontraria um lugar daquele no meio do nada. Mas parecia ser um lugar conhecido, pois havia alguns carros parados na frente.
Edward abriu a porta do carro pra mim e, segurando minha mão de um lado e conversando com o irmão no outro, entramos.
O jantar foi tranqüilo. Rob e Edward sempre conversavam, não deixando o assunto acabar. Até me contaram histórias sobre algumas coisas da adolescência deles. Em todas deu pra perceber que um nunca estava sem o outro. Eles deviam ser muito unidos antes da partida do Rob. O que eu percebi era que eles não chegaram a comentar em nenhum momento o por quê da partida dele. Ninguém falava sobre isso.
O que será que aconteceu? Poderia ser um segredo obscuro, ou uma dor muita grande. O pior de tudo era que todos também evitavam o assunto. E como eu nunca perguntaria, o que eu mais queria agora era esquecer esse outro gêmeo porque o que eu tinha conquistado na minha vida, Edward e meu trabalho em Forks, já estava bom demais.
Eu sempre ficava tensa quando pensava nele. Hoje, eu tenho plena convicção, não era nada de sexual. Era um medo de que ele acabasse com meu relacionamento com o irmão. Eu ficava desconfiada... Rob nunca falou nada comigo, mas seus olhos o traíam, em alguns momentos, tenho certeza.
"Bella." Ouvi meu nome e olhei perdida, retirada à força dos meus pensamentos.
"Hum?" Eles dois me olhavam curiosos.
"Já vamos, amor. O que você estava pensando aí tão concentrada?" Olhei pro Rob e era como se ele soubesse que eu estava pensando em algo relacionado a ele porque ele deu aquele sorriso. Aquele de sabe-tudo. Odiava esse sorriso da cara dele. Odiava mesmo? Argh.
"Sim, vamos, Ma Chérie." Rob disse ainda rindo. Travei na hora. Agora ele fez de propósito, tenho certeza. Ele falou em francês... para lembrar... Paris.
Edward olhou divertido pra ele. Parecia que ele tinha achado engraçado. Meu Deus. Eu vou morrer do coração até o final da noite.
Fomos andando vagarosamente até o carro. Eles ainda conversando e rindo. Rob reclamou de como sentia falta do carro dele e mais uma vez me lembrei dele correndo naquele dia. Mais uma vez ele se dirigiu ao banco traseiro e eu o parei.
"Pode ir na frente. Vocês dois têm muito pra conversar." Ele ia retrucar, mas eu o parei. "Sério. Eu não me importo nem um pouco." Eu também não queria voltar por uma hora com a sensação de que ele estava me olhando por detrás do banco. Só de pensar nisso, sentia arrepios na espinha.
Eles se sentaram e Edward não comentou nada. Acho que ele queria muito continuar a conversa deles. E engraçado que eu não sentia ciúmes do Robert. Eu sentia como meu gêmeo estava feliz com a presença do irmão. Eu queria que ele ficasse feliz. Mesmo que isso me deixasse desconfortável.
No caminho, Rob começou a instigar Edward, dizendo que ele estava dirigindo como uma menina, nem chegando perto do limite de velocidade.
"Não venha com isso. Estamos com Bella no carro. Ela não deve gostar disso".
"Ah cópia. Aposto que ela pode gostar de um pouco de adrenalina. Não é cunhadinha?"
Oh meu Deus. Tudo o que ele falava só confirmava que ele usaria a noite pra me provocar. Continuei calada.
"E você também... melhor mesmo não acelerar. Deve estar enferrujado. Nem deve mais saber como dar um 360. Eu me lembro de nós dois aqui nessa mesma estrada fazendo bem mais do que isso. Mas é, maninho... não vamos arriscar fazer barbeiragem na frente da Bella".
Nossa! Ele era um provocador. Eu vi a expressão de Edward mudar. Ele queria provar ao irmão que não estava 'enferrujado'. Isso deve ser coisa de homem mesmo. Senti a testosterona no ar.
"Vamos ver quem está enferrujado." Edward olhou pelo retrovisor. "Bella, amor. Coloca o cinto." Eu olhei em seus olhos. Uma excitação diferente passava em seu olhar. Ele ia fazer isso. E eu estava... ansiosa pra ver? Sim, eu estava ansiosa pra ver o meu homem sair dos seus próprios limites.
Coloquei o cinto e vi Rob sorrindo. Ele também queria ver isso.
Edward acelerou e se manteve firme na pista, chegando a uma estrada de areia ele virou rapidamente. Meu coração acelerou mais ainda. Ele sabia onde estávamos indo? Não importava. Ele continuou e Rob se agitou no banco. "Eu não acredito que você lembra esse caminho!" Eles já tinham vindo antes aqui. Fiquei mais aliviada "Será que ainda tem aquele campo?" Campo... ele estava procurando um local aberto pra fazer a manobra.
Edward continuava com aquele olhar. Eu podia vê-lo pelo retrovisor. De vez em quando ele me olhava também. E eu me sentia ainda mais excitada. Nunca pensei que uma 'acelerada' pudesse fazer isso comigo. Eu realmente não estava me reconhecendo. Eu nunca teria aceitado isso em outros tempos.
Ele chegou ao campo e o farol iluminou grande parte do local. Ele era bem aberto e havia algumas montanhas que podíamos avistar de longe. A vista, mesmo sendo noite, era linda. Ele acelerou o carro e assim que chegou ao meio puxou o freio de mão, ao mesmo tempo em que girou o volante pro outro lado. O carro girou em um eixo e ele e Rob riram alto. Eu comecei a rir e soltei um grito. Que coisa louca.
Rob levantou a mão e ele bateu. "Eu disse que não estava enferrujado!" Ele sorriu para o irmão. "Está tudo bem aí, amor?" Ele girou o rosto pra mim. Nós dois estávamos ofegantes e eu tinha certeza que além de corada o meu rosto continuava com aquele sorriso excitado. "Você gostou?" Ele ainda tinha dúvidas?
"Foi bem... diferente." Eu disse e mais pareceu uma pergunta. Olhei ao redor novamente "Esse lugar é lindo. Eu nunca imaginei encontrar um local assim." Robert abriu a porta e Ed fez sinal para eu descer também. Ele deixou o farol do carro aceso e tudo parecia meio surreal. Estava um pouco frio, mas não muito. O vento batia em meu rosto fazendo meu cabelo arrepiar um pouco.
"Vem cá." Edward me chamou. Eles estavam sentados no capô do carro e olhavam ao redor. Mais adiante havia a floresta e dava para ouvir o som de uma cachoeira próxima daqui. Durante o dia devia ser fantástico e fiz uma nota mental de pedir a ele para me trazer aqui outra vez.
"Faz muito tempo." Robert falou baixinho.
"Sim, parece que foi em outra vida, na verdade." Ele sorriu e bateu no ombro do Rob. "Fazia tempo que eu não me sentia tão feliz. Você fez muita falta." Ele me abraçou forte com o outro braço. "E minha menina também está completando essa felicidade." E deu um beijo no meu cabelo. Suspirou. O ar quente tocou em meu rosto e eu sorri novamente.
"Eu fico feliz, cópia. Eu fico feliz de voltar e ver que tudo está em seu lugar. Não me parece que eu fiz tanta falta assim nesses anos." Eu senti que ele estava rindo, mas também senti que ele pensava aquilo.
"Rob, está assim porque você voltou. Nossa felicidade só é completa com você aqui. Você pode não entender assim agora." Abaixou um pouco a voz. "Mas todos me olhavam como se eu não fosse uma pessoa completa. Como se ao me olhar eles sentissem falta de algo. Sentissem falta de você. Eu lembrava a todos de sua ausência. Teve uma época que eu até evitava participar das atividades em família para não ser um constante lembrete de que você foi embora." Ele parou olhando pro chão. Ainda com um dos braços enrolados em meu ombro. Me puxou um pouco e eu me aproximei e fiquei em frente a ele sentada em seu colo. Era tão íntimo e tão bom.
Rob devolveu o tapinha nas costas de Edward. "Mas isso vai passar. A vida continua. Não é, Bella?" Endureci quando escutei meu nome. "Vocês tem que ver que eu tenho minha própria vida. Você tem sua própria vida agora. Eu amo nossa família. Mas nem sempre a proximidade significa alguma coisa. Mesmo longe eu nunca deixei de pensar em vocês. Eu só precisava de um tempo".
"E você teve o tempo que queria?"
"Eu não sei. Tudo o que eu tenho feito não é tão planejado. Eu cheguei aqui a menos de 48 horas e ainda estou digerindo as sensações. Mas eu sei dizer que estar aqui me faz sentir melhor do que eu lembrava." Ele deu um passo à frente, chutou uma pedra e olhou para uma direção diferente. "Será que ainda tem aquela clareira perto da cachoeira?"
"Acho que as coisas aqui não mudaram assim." Edward falou e o senti sorrindo. "Podemos vir aqui outra hora pra passear um pouco. O que acham?" Eu sorri, parecia que ele tinha lido meus pensamentos. Ele sempre adivinhava o que eu queria. Nem tudo. Ok.
"Sim, podemos acampar como nos velhos tempos." Rob riu e voltou a sentar no capô. "Quando a gente fugia da dona Esme." Edward também riu e eu fiquei imaginando eles dois aprontando e vindo para a floresta se esconder. Era tão engraçado imaginar.
"Lembra quando aquele policial nos levou até em casa e fez a mamãe jurar que nunca mais nos deixaria dirigir nessas estradas?" Eles dois riram alto. "E depois você tentou explicar a ela que você estava com dor de barriga e precisava chegar rápido em casa." Eles riram mais ainda, até eu entrei na onda de risos. "Foi a desculpa mais ridícula do mundo! E o pior é que ela ainda fez você ir ao hospital fazer exames pra ver se realmente estava com alguma infecção estomacal. O papai na hora percebeu que você estava mentindo e nós resolvemos fugir com o carro pra ela não o confiscar".
"Nem me fale. Quando eu vi o que eu teria que passar para provar que não estava mentindo, fiquei verde e o papai ficou puto com a gente".
"Ainda bem que a mamãe estava acostumada com nossos sumiços. Mas aquela foi uma semana longa".
"É. Acho que nunca contamos com a memória perfeita da dona Esme. Ela não conseguia esquecer nada."
Foi bom estar entre eles. Eles ficavam a vontade entre si. Eles se amavam de uma maneira tão fraternal que era lindo de se ver. Eu sentia o amor dos dois. E aos poucos eu via o sentimento de rancor que eu tinha pelo 'meu antigo estranho' diminuir. Tinha momentos em que eu não me lembrava dele como aquele homem, e sim como o irmão amado do meu amor.
Naquela noite nós três conversamos sobre muitas coisas. Quando o céu começou a clarear parecia que o cansaço não nos alcançava. Depois de pegar um cobertor na mala e trancar o carro, caminhamos até uma lateral. Entramos em uma trilha curta e logo o som da cachoeira ficou mais próximo.
Assim que a mata fechou um pouco avistei uma parte mais colorida. Tinha muitas flores e plantas e no centro uma clareira. A cachoeira ficava ao lado. Era incrivelmente lindo. Parecia aqueles lugares que vemos em filmes. E eu sorri como uma boba.
Eles dois esticaram o cobertor e nos deitamos todos juntos no chão. Edward ao lado do Rob e eu no canto, abraçada com ele. Falamos mais um pouco. Contei sobre minha faculdade e sobre minha decisão de mudar de país. Eles dois pareciam incrivelmente curiosos quanto à minha história. Mas não tinha nada de tão legal quanto às deles.
Dormi calmamente e tive um sono tranqüilo. Acordei algumas horas depois com o som da floresta. Eu pensava que tinha sido um sonho. Mas se tornou bem real quando olhei para o lado e vi dois rostos idênticos lado a lado. Eles dois estavam com o semblante tranqüilo. Eles eram tão lindos e tão iguais desse jeito. Calados e parados. Mas eram as personalidades únicas e distintas que os faziam tão diferentes pra mim. Eu nunca os confundiria.
O cenário era tão perfeito. A cachoeira logo à frente, as flores e plantas ao redor. Dois homens lindos deitados ao meu lado. Era tudo o que eu nunca imaginei que seria. Eu pensei, no momento em que o vi retornar, que isso seria a minha ruína. Mas Rob não era tão ruim quanto eu imaginava. Ele era uma boa pessoa. Algo aconteceu com ele para fazê-lo esse homem que foge de compromissos. E agora os vendo tão de perto, eu via que ele fazia bem a Edward. E eu queria o bem dele.
Sem perceber que eu o estava encarando, ele piscou e abriu os olhos. Olhando diretamente pra mim. Meu rosto estava encostado por cima do peito do Edward. Eu tenho certeza que meu olhar ficou assustado porque ele sorriu.
Ele me pegou olhando pra ele! Jesus Cristo!
Ele olhou ao redor. Acho que não era só eu que pensou que tinha sido um sonho. Assim que ele se moveu, senti Edward despertando também. Ele envolveu seus braços ao meu redor e beijou minha cabeça. Levantei o rosto e sorri pra ele. Ele me devolveu um sorriso lindo.
"Bom dia, amor." Ele falou baixinho.
"Bom dia pra você também, maninho". Robert disse em zombaria.
"É mais lindo do que eu pensava." Eu olhei mais uma vez ao redor. "Esse lugar é perfeito. Como vocês o encontraram?"
"Nós sempre gostamos de fazer trilha quando fazia sol." Robert respondeu. Ele deitou a cabeça em seu braço e ficou olhando pro céu. "Forks não faz muito sol. Você deve saber. Então quando faz, é uma festa. Pegávamos nossa mochila e saíamos andando".
"Sim." Edward completou "E em uma dessas encontramos o campo. Depois disso começamos a vir de carro para brincar." Ele falou sorrindo. Eles deveriam ter aprontado horrores nesse lugar. Me fez pensar se eles traziam mulheres pra cá. Não sei se seria conveniente perguntar. Mas a curiosidade me corroeu.
"Vocês..." Olhei para Edward, "traziam... pessoas pra cá?" Ele me olhou firme.
"Não. Esse era o nosso local de fuga, amor." Ele olhou pro Rob que ainda olhava pra cima. "Nós considerávamos isso a nossa fortaleza. Ninguém sabia onde estávamos e era como se esse lugar nos pertencesse. A trilha de chão até aqui foi marcada por nós mesmos. Ela não existia. Na verdade, acho que você é a única pessoa, além de nós dois, que veio aqui." Meu sorriso voltou e ele se aproximou e beijou minha bochecha.
"Eu gostei daqui. Podemos voltar mais vezes?"
"Claro. Será um prazer." Ele falou calmamente. "Podemos trazer uma barraca também. Ás vezes aqui faz muito frio. Mas eu também sinto falta".
Nos levantamos, batemos o cobertor e retornamos ao carro. Deixamos Robert na casa dos pais deles e voltamos até minha casa. Eu estava relaxada e desperta, então tomamos um banho juntos e nos sentamos no sofá assistindo TV. Já tinha passado da hora do almoço e como estávamos preguiçosos íamos pedir alguma coisa, mas a mãe de Edward ligou nos chamando para ir à casa deles. Ele me explicou que aos domingos eles sempre almoçavam tarde. Principalmente quando seu pai não estava de plantão. Ou seja, esse final de semana era da família.
Almoçamos todos juntos na grande mesa dos Cullen e a tensão daquele jantar estava esquecida. Na verdade, nem parecia que tinha sido há dois dias. Foi tão natural estar ali com eles. Era uma família tão bonita. Tão carinhosa. A gente via o amor que eles tinham um pelo outro. E eu percebi o quanto isso era diferente da minha família e o quanto isso me fez falta a vida toda.
Meus pais não tiveram mais filhos e eu me sentia muito só com minha mãe. Meu pai geralmente passava o dia fora no trabalho e minha mãe me deu muito amor, mas toda a nossa renda vinha do meu pai. Tudo o que ele juntou foi para investir na minha educação. Por isso eu era grata a ele, mas uma família grande e unida é bem diferente.
Após o almoço, Edward me levou para conhecer seu quarto. Eu subi as escadas com meu coração batendo forte. Por três meses ele passou indo à minha casa e só agora eu conheceria o quarto dele. Assim que subimos e passamos pelo corredor ele abriu a última porta a direita. Eu suspirei. Era tão lindo. A lateral era toda de vidro e dava para o quintal da casa que era rodeado de árvores. Tinha uma estante cheia de DVD's e CD's. Ele era mesmo tão fã de cinema e música como eu. Tudo era bem claro e branco. E a cama. A cama dele era uma king size que ficava no centro do quarto, a cabeceira também era toda de vidro. Era como se estivéssemos em um aquário. Tinha uma cortina branca que rodeava as paredes, caso ele quisesse privacidade. Mas a vista era tão linda que se fosse eu, nunca a fecharia.
"É lindo." Eu disse e ele sorriu.
"Eu tive sorte de escolher esse antes do Rob. Mas ele nem fez muita questão também. Eu que sou mais fascinado pela vista." Ele sorriu e me puxou para entrar. Eu sentei na ponta da cama e ele foi mexer em uns CD's. Colocou uma música instrumental. Era uma música linda e tranqüila. "E eu sempre gosto de escutar música aqui. Parece que a acústica também melhora com o vidro." Ele falou com um tom de voz bastante sugestivo. Mas eu nunca teria coragem de fazer isso aqui. Só de pensar que a família toda estava no mesmo teto, eu gelava. E só de imaginar que o Rob estaria pensando que estávamos fazendo isso aqui, meu estômago girava.
"Humhum..." Foi o que respondi.
Logo depois ouvimos alguém bater na porta. A mãe dele estava avisando que deixou comida na geladeira e que ela e o Dr. Carlisle iriam sair. Nos despedimos dela e percebi que se eles foram embora, o Rob deveria estar sozinho na casa. Isso me causou ainda mais desconforto.
"Espero que o Rob encontre alguém para aquietá-lo por aqui." Me assustei. Ao mesmo tempo em que estava pensando nele, Edward também estava. "Eu não gosto de pensar que ele vai ficar nessa de pular de galho em galho pra sempre, sabe?"
"Humhum..." Ótimo. Agora minha comunicação era através de rangidos. Mas eu fui pega de surpresa. Eu não imaginei como seria ele com outra pessoa perto de nós. Seria estranho?
"Mas pensamos nisso depois. Você quer fazer alguma coisa? Podemos assistir a um filme. Eu estou meio cansado pra dirigir novamente hoje."
"Podemos só ficar aqui? Escutando música e ficando quietinhos? Amanhã a gente volta ao hospital e eu quero estar descansada. Hoje eu quero só ficar abraçada com você." Ele sorriu, se aproximou e deitou na cama comigo. Ficamos assim por um tempo. Ele me abraçou e logo cochilamos novamente. Quando acordei estava tudo escuro. Ao redor dava pra ver algumas luzes acesas no quintal da casa. Robert estava sentado à beira da piscina com uma garrafa de cerveja na mão. Ele estava olhando pra trás da casa. A vista me apertou o peito. Ele realmente ficaria muito sozinho por aqui. Eu não poderia ser tão egoísta ao ponto de querer que ele ficasse sozinho pra sempre. Eu nem sentia nada por ele. Mas era estranho mesmo assim.
Logo depois senti o abraço de Edward me apertar e me aconcheguei novamente a ele. Eu não sabia se era certo passar a noite aqui. Eu nem tinha trazido roupa para ir ao trabalho pela manhã. "Edward." Eu falei baixinho e beijei sua mão. Ele se mexeu e acordou. "Amor, eu acho que já vou. Já está tarde e teremos que ir ao trabalho cedo. Tudo bem?"
"Não vá. Fique aqui comigo." Era tão bonitinho vê-lo falando sonolento assim. Dava vontade de ceder e me abraçar novamente com ele.
"Não dá, amor. Eu nem trouxe roupa pra ficar aqui. E sair de manhã com a mesma roupa é demais. Melhor eu ir agora. Você me pega pela manhã pra irmos juntos?"
"Eu vou com você".
"Não precisa, amor. Eu moro a três casas de distância e você está caindo de sono. Pode deixar. Eu vou ficar bem".
"Hum... eu não gosto de você andando sozinha, Bella".
"Mas estarei aqui ao lado, amor. Volta a dormir. Está tudo bem." Dei um beijo em sua boca. Suspirei seu cheiro maravilhoso e levantei da cama.
Olhei novamente pra fora e Robert não estava mais lá. Ele deve ter ido dormir.
Quando desci as escadas e estava prestes a abrir a porta da frente, uma voz me parou. "Eu não tinha idéia, Bella." Eu congelei no local. Eu não sabia se me virava. Será que eu queria ter essa conversa? Me virei lentamente e Robert estava parado próximo a entrada da cozinha. Ele me olhou calmamente e começou. "Eu nunca imaginei te encontrar outra vez." Aquilo ainda não estava fazendo sentido pra mim. Ele me abandonou sem nem um adeus.
"Não se preocupe, nunca irei contar pra ninguém. É nosso segredo." Eu continuei parada e sem reação. Não conseguia falar nada. "Eu vejo como você faz bem ao meu irmão. Ele gosta muito de você. Eu jamais atrapalharia a felicidade dele. Só quero que você saiba disso".
Eu balancei a cabeça mostrando que eu entendi. Mas ainda estava repetindo as frases dele nos meus pensamentos. 'Eu jamais atrapalharia a felicidade dele.' Eu me senti estranhamente confortável com isso. Mas eu não sabia se era mesmo o melhor esconder isso de Edward. Parecia uma traição. Mas isso aconteceu há tanto tempo. Eu pensei que Robert nem lembraria, que tinha sido marcante somente pra mim.
"Eu não sei como ele reagiria se soubesse." Eu falei bem baixo. Só ele escutaria. "Mas eu tenho medo de continuar escondendo isso dele".
"Bella, isso aconteceu há muito tempo. Eu não quero ficar entre vocês dois. Ele está feliz. Vocês estão felizes. Isso é o que importa".
"Obrigada. Eu não imaginei que você lembraria." Eu corei. Eu nunca imaginei mesmo que ele lembraria.
Ele balançou a cabeça e deu uma risada. "Eu nunca esqueço um rosto, Bella. E um nome sequer. O seu eu sempre lembrava..." Ele falou bem baixo e parou. Eu não queria saber como ele se lembrava de mim. Ele se lembrava de uma menina boba que entregou sua virgindade a um desconhecido. Eu deveria acabar com isso aqui.
"Boa noite." Eu disse e me virei. Senti seu olhar queimando em minha direção, mas eu não pude me atrever a olhar. Saí em disparada pela rua e corri até minha casa como se alguém me perseguisse. Mas o que me perseguia era só minha consciência e não importava o quanto eu corresse, ela continuaria martelando em mim. Eu não sabia o que fazer.
Deitei em minha cama e não consegui dormir. Rolei para um lado e para o outro e nunca parava de pensar nas palavras que ele disse. Pare com isso! Tentei dizer para meus pensamentos. Eu estava enlouquecendo e quando eu finalmente achei que dormiria um pouco, o despertador começou a gritar me fazendo saltar da cama em um pulo.
Corri pro banheiro pra ver se um banho gelado ajudava e quando passei pelo espelho levei um susto com minha situação. Ainda com a roupa de ontem, meu cabelo estava uma bagunça só. Como minha mente. Eu também estava com olheiras profundas. Deus! Eu estou um bagaço!
Tomei um banho rápido e procurei uma roupa sóbria que disfarçasse meu semblante. Pena que eu não podia usar um véu na cara. Corri pro banheiro e fiz uma maquiagem básica pra melhorar a situação. Desci e tomei três copos de café e fiquei na porta aguardando Edward. Ele nunca se atrasava.
Não passou um minuto e eu o vi descendo a rua com seu carro. Ele me cumprimentou com um beijo e dirigiu segurando minha mão até o hospital. Como sempre, nos abraçamos e beijamos e fomos para mais um dia de trabalho. Eu andei de um lado pro outro. Se eu parasse, cairia de sono. A sorte foi o pequeno cochilo a tarde na casa dele. Isso me fez lembrar novamente da conversa que tirou o resto do meu sono. Maldito pensamento.
O dia passou lentamente, quando acabou meu plantão, Edward não estava me esperando. Achei estranho e fui até sua sala. Bati e ouvi-o dizer para eu entrar. Fui surpreendida por Robert sentado em sua mesa enquanto ele se esticava em sua cadeira e eles conversavam. "Oi amor, desculpa não ter te avisado." Ele foi se levantando. "Rob apareceu aqui pra ver o papai e o pessoal e eu me perdi no tempo. Já quer ir pra casa?"
"Não, tudo bem." Me virei para o outro. "Oi Robert. Tudo bom?" Ele deu uma balançada na cabeça e eu percebi que poderia fazer isso. Eu podia ser amiga dele.
"Me chama de Rob, Bella".
"É, amor, ele tem essa mania de não gostar de ser chamado pelo próprio nome".
"Eu entendo. É terrível. Eu não gosto que me chamem de Isabella também." Todos rimos e Edward fechou a porta e me sentou em seu colo na sua cadeira. Conversamos mais um pouco. Ele sempre me tocando. Fazendo carinho em meu cabelo, tocando minha mão. Parecia inconsciente dos gestos. Mas era bom.
Depois de um tempo nos levantamos e fomos saindo. Percebi que Robert estava com um carro novo. Mas foi Edward que comentou. "Bem que você falou. É uma máquina e tanto".
"Sim, eu não consigo ficar sem um carro. Eu me sinto incompleto." Ele sorriu. "Podíamos testar os limites dele hoje a noite. O que acha?"
"Não sei." Ele me olhou. "Ontem eu não fiquei com a Bella".
"Não, amor." Eu o cortei. "Estou com um sono terrível. Você pode sair com ele e depois ir pra minha casa. Não tem problema." Eu podia abrir mão dele por um momento, mas não pela noite toda. Seu irmão estava empolgado com a perspectiva de 'testar' seu Aston Martin nas estradas de Forks. "Mas se comportem e não façam nada muito perigoso." Tá bom. Agora eu parecia mãe deles.
Eles riram e se despediram de mim. Edward se aproximou e me deu um leve beijo, me entregando a chave do seu carro antes de entrar no novo carro do irmão. Quando estava dirigindo para casa algo me bateu. Ele não estaria comprando um carro se ele não estivesse pensando em ficar por aqui. Será que isso seria bom? Por quanto tempo conseguiríamos manter nosso segredo? E até quando isso não afetaria meu relacionamento com seu irmão?
Com muitas perguntas e sem tempo de pensar em nenhuma resposta, tirei a roupa e me joguei na cama. Eu estava tão cansada que em dois segundos capotei em um sono pesado.
Fui acordada com algo quente passando em minha barriga. Minha mente estava com dificuldades de acordar...
Nota da Irene: Oi meninas... amei a amizade dos gemeos e o que o Rob falou pra Bella... capitulo que vem muita coisa boa e louca acontece... e eu estou ansiosa pra vcs lerem. Espero que estejam gostando. Eu e Titinhuda amamos escrever essa fic. Quero agradecer a Ju que beta e dá conselhos otimos, e a todas as pervetes. Será que merecemos reviews? Bjus e até quarta!
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