You're aching, you're breaking
And I can see the pain in your eyes
Says, everybody's changing
And I don't know why
Você está sofrendo, você está estourando
E eu posso ver a dor em seus olhos
Diz que todo mundo está mudando
E eu não sei por quê
Everybody's Changing - Keane
Capítulo 19 – MINHA VIDA DIVIDIDA EM FASES
BELLA POV
Definitivamente eu estava fodida. Em todos os sentidos da palavra. Nunca, em toda a minha vida pensei em algo próximo do que tinha acabado de acontecer. Eu não merecia nada disso. Meu despertar havia sido há pouco tempo, depois de tanto tempo dormindo, esgotada, mas me neguei a fazer qualquer movimento, engolida pelos meus pensamentos.
Como uma pessoa como eu é levada por caminhos tão desconhecidos? Desde que minha vida foi invadida por Edward tudo mudava o tempo todo. As sensações mais diferentes e absurdas vinham em doses cavalares no nosso relacionamento. Eu não conseguia achar coerência quando estava com ele. Parecia que tudo era tão certo e perfeitamente real.
Mas eu era hipócrita. Não estava sendo eu mesma. Desde o começo eu havia mentido e enganado e isso estava pesando absurdamente no meu coração agora. A minha afirmação era compartilhada por Rob, que sabia exatamente o que era isso.
Tanto eu quanto ele compartilhávamos o mesmo sentimento. Da traição. Como tornar tudo claro e honesto, principalmente no que diz respeito ao prazer sem limites? O que Edward fazia questão de me mostrar era que eu podia fazer o que quisesse. Mas como se eu não me entregava de corpo e alma? Eu estava escondendo meu maior segredo dele.
Assim que Rob se movimentou para sair da cama, eu o olhei desesperada. 'Por favor, não vá'. Foi o meu pedido mudo. Eu tinha medo que Edward descobrisse qualquer coisa e, como nunca fui boa em mentiras, sabia que estava cada vez mais perto da verdade. O álcool tinha piorado minha situação definitivamente. Mas o que mais me preocupava agora era a informação que eu tinha jogado, mesmo sem querer. Tornando mais próximo ainda a sombra da verdade.
Edward não percebeu, mas eu me deixei levar pelas minhas lembranças. Caramba, ele jamais me falou que Rob era piloto profissional! Essa era uma informação que eu sabia e não que me foi dita. Vi a tensão no olhar do gêmeo. Ele sabia que Edward jamais falava sobre sua vida depois da mudança. Todas as conversas ficavam concentradas na vida deles aqui de Forks. E eu, idiota, falei demais.
Como um pedido de desculpas para o meu desespero, Rob acariciou meus cabelos e, sorrindo, depositou um singelo beijo nos meus lábios antes de sair. Eu não estava preparada para enfrentar nada nesse momento sobre os nossos problemas, principalmente sozinha. E pelo comportamento dele, Rob também não. Eram tantas variáveis e pontos a serem discutidos. Estávamos presos ao nosso passado.
Novamente me peguei pensando sobre o que tinha acabado de ocorrer. Eu tinha sido totalmente compartilhada pelos dois. De forma literal. Meu corpo ainda ardia pelos múltiplos orgasmos, mas também pela queimação. Todos os meus órgãos pareciam geléia dentro de mim. Suspirei realizada com o que houve. Poucas mulheres tiveram essa experiência, com certeza. Nada estava no lugar, mas era uma sensação ímpar. Sentir dois membros, imensos, dentro de mim, tinha sido a coisa mais alucinante que tinha acontecido comigo, até agora. Mas e depois? Como eu e Edward viveríamos? Como conviver também com esse muro que eu mesmo construí?
Suspirei novamente e senti Edward dormindo, me agarrando possessivamente. Sorri com seu gesto. Ele sempre estava tão agarrado a mim, mesmo inconsciente. Tudo aconteceu de forma tão espontânea e liberada. Mas será que foi o correto? Sei que incentivei tudo no começo, deixando claro para o meu amor que eu faria tudo por ele e não estava mentindo. Mas eu não deveria contar primeiro o que exatamente corroía meu coração nesse momento? Ou me libertar do meu passado antes de dar esse passo no abismo?
Neste momento me lembrei da conversa com Rob antes da chegada de Edward. O assunto era exatamente sobre isso, o ápice do prazer que podemos ter. Ele havia dito que fizemos exatamente o que nosso desejo queria. E com consentimento mútuo de todos. O único erro era a omissão dos fatos. Sim, depois de toda luxúria que nos consumira por horas, eu agora estava definhando com o meu maior peso. A culpa. Como por Deus eu tinha deixado as coisas fluírem até aqui? Eu precisava me libertar.
Respirei profundamente, fechando meus olhos, sentindo a maciez do corpo do homem da minha vida. Edward foi tão... perfeito. Eu poderia colocar a culpa no champanhe, ou na minha falta de pudor em afirmar que eu queria fazer aquilo por ele. Mas, novamente, outro pensamento me assaltou, principalmente as questões que Rob colocou sobre tudo. Na verdade isso estava rodeando minha cabeça há algum tempo... Eu também queria, não é? Pode parecer um completo absurdo, mas desde que eles começaram a me provocar, eu sonhava secretamente com isso. Ter dois homens lindos, desejando e tomando meu corpo por inteiro. Por Deus, era louco demais. Mas não pensei que fosse acontecer. Nem em um bilhão de anos.
Definitivamente nada era normal nesse relacionamento a três. Sim, porque eu não sentia absolutamente nenhum sentimento em relação a Rob. Romanticamente, quero dizer, afinal, eu amava Edward. Agora eu tinha certeza. Mas sentia algo pelo gêmeo do meu passado e não conseguia definir o que era. Um sentimento estranho era a definição mais próxima da realidade. Poderia ser referente ao nosso passado, já que eu fui marcada por ele? Ou eu imaginava isso depois da nossa conversa? O seu sofrimento por algo muito doloroso era quase palpável. Sua dor era ainda mais visível quando se estava tão perto de sua personalidade arisca. Eu queria ajudá-lo de alguma forma. Ninguém merecia sofrer e ficar com esse vazio no olhar.
Minha cabeça dava voltas. O que afinal tinha acontecido a ele? O que fez Rob largar uma carreira tão bem sucedida e uma vida leve e saudável, ao lado da sua família? Tantas coisas importantes. E ainda por cima abandonar seu irmão que ele mais amava? Isso não era normal. Deve ter sido algo muito terrível.
Será que foi por amor?
Essa pergunta martelava na minha mente. Mas o que? Ninguém comentava nada. Um simples abandono de amor juvenil não poderia causar esse estrago. Nem mesmo a família deles falava sobre o assunto. Eu sentia que todos tratavam Rob como cristal, a ponto de quebrar a qualquer instante. Principalmente Edward. Tudo era ao redor de seu gêmeo. Será que foi um paciente? Ou alguém morreu? Por Deus, que não seja isso. Ele não merecia.
Comecei a me remexer um pouco e Edward suspirou nos meus cabelos apertando ainda mais o abraço. Sorri novamente, agora com os olhos pesados. O cansaço começou a me dominar. Antes que a escuridão do sono me tragasse, eu pensei em como arrumar toda essa bagunça. Sim, porque nada disso estava certo.
'Vou mudar de fase de novo'.
Acordei muito tempo depois. Meu corpo ainda estava dolorido pelo esforço sobre humano da manhã de domingo. Percebi que já era tarde da noite. Minha mente estava nebulosa, mas senti meu corpo mais leve. Edward não me abraçava mais. Abri meus olhos lentamente à procura do seu corpo, do seu cheiro. Assim que meu olhar varreu na direção contrária onde estava deitada, percebi que ele estava ali, sentado aos meus pés me observando profundamente.
Edward parecia uma estátua perfeita esculpida na minha cama. Sua respiração era tranqüila e profunda, mas seus olhos esmeraldas falavam palavras mudas. A força que emanava dele era tão magnética que meu olhar ficou preso ao seu. Eu não merecia tanto amor e tanta beleza. Eu estava irremediavelmente apaixonada por ele e tudo na minha vida hoje girava em sua função. A dor que eu sentia dentro de mim era imensa só em imaginar um afastamento, mesmo que fosse temporário. Suspirei lentamente tentando levantar.
"Fique. Está tão linda..." Murmurou.
"Senti sua falta".
"Ainda estou aqui. Jamais vou te deixar, lembra? A menos que queira".
"Nunca, Edward." Meu olhar encheu de lágrimas.
"Meu amor. Você está sentindo alguma dor? Quer que eu faça algo?"
"Ah, Edward... eu estou... não sei." Seu sorriso se abriu um pouco e ele passou lentamente uma mão pelas minhas pernas.
"Eu te amo, Bella Swan".
"Edward... eu também" Minhas lágrimas, agora abundantes, nublaram minha visão. "Eu te amo muito".
"Então... por quê? O que houve para você estar chorando, amor".
"Não sei. Eu estava com medo".
"De mim?" Ele sorriu novamente.
"Não. Eu acordei e me vi sozinha. Eu... achei..."
"Eu já disse, amor. Nunca vou deixá-la. Nem de amá-la. Você faz parte do meu sistema agora, Bella. Você é minha alma gêmea".
Levantei meu corpo e me joguei nos braços dele. Assustado com minha reação, Edward tremeu levemente, mas sorriu nos meus cabelos, afagando-o carinhosamente. Ele era tão perfeito, por Deus!
"Eu quero você por toda a vida, Edward".
"Oh, amor. Eu também. Eu também".
Nossos lábios se encontraram em um beijo doce. Cheio de promessas. Sim, ele me amava. Então ele entenderia. Agora eu só precisava encontrar um jeito...
De repente me senti flutuar. Edward me suspendeu em um abraço e me levantou. Quando dei por mim já estávamos no banheiro, com Edward ligando a água aquecida da banheira. Eu nunca tinha usado aquela construção. Nossa vida corrida nos levava a banhos rápidos e sexo selvagem, ou até mesmo em atenção e clímax nos lugares certos, mas banho de banheira definitivamente era algo novo. Como tudo o que acontecia ao seu lado.
Suspirando, me deixei conduzir por ele. Edward gemia e sussurrava palavras doces e gentis pra mim. Fui acalmando meu coração da pesada dor da mentira. Eu tinha que me estabilizar para contar toda a verdade. Meu amor não merecia.
Estava mergulhada na água quente quando o senti entrando também.
"Agora vou cuidar ainda mais de você, minha menina".
"Hum".
"Nada vai nos separar, Bella. Confia em mim?"
"Sempre".
"Sim, porque eu confio em você, amor".
Novamente suas palavras me atingiram como punhais. Edward confiava em mim! Tentando controlar novas lágrimas, senti suas mãos passeando por meu corpo. Ele estava me banhando, retirando todo o suor e cansaço do meu corpo. Suspirei com os movimentos. Eu não tinha forças para falar absolutamente nada. Mas eu precisava.
O banho foi lento, carinhoso e gentil. Edward retirou toda a dor do meu corpo. Tanto física quanto mental. Eu nunca me senti tão amada em toda a minha vida. Meu vício perfeito tinha feito maravilhas com suas mãos. Eu me sentia totalmente renovada.
"O que tinha na água?"
"Hum." Retirei um Edward pensativo da sua bolha. Franzi meu cenho.
"O que houve, Edward?"
"O que, amor?"
"Está tão calado".
"Estive pensando".
"Sobre?"
"Então... estamos juntos há mais de três meses, amor. E nunca fizemos programas de namorados, sabe? Jantar em um restaurante lindo. Sair pra dançar com freqüência. Nossa vida corrida e minha agenda apertada me fizeram ser tão... tão monótono".
"Como é, Dr. Cullen?"
"É verdade, amor. Eu não faço..." Calei-o com um beijo simples. Como por Deus ele fala que nossa vida é monótona?
"Dr. Edward Anthony Cullen. Em que momento na sua vida você acha que nosso relacionamento é monótono? Você me fez coisas que..."
"Não, Bella. EU não fiz isso. Eu quero ser um namorado mais presente. Levando sua namorada para os lugares e a exibindo para o mundo".
"Edward..."
"Pare, Bella. Eu sei o que eu fiz. E vou mudar tudo agora. Quero fazer programas de casal com você, amor. Eu preciso".
"Tudo bem... eu acho".
"Você me perdoa, Bella?"
"Por que, amor?"
"Por te amar tanto e ficar cego? Em não ver o quanto eu te privei de tudo?"
"Você não me privou de nada".
"Sim... e agora chega. Amanhã vamos jantar fora."
"Tudo bem. E o Rob?"
"Eu e você Bella. Só eu e você".
Antes de coordenar qualquer pensamento, fui sobressaltada por um beijo possessivo. Eu amava demais esse homem. Seus lábios e suas carícias dominaram o meu ser. Todo o resto foi esquecido e novamente me vi sendo levada no colo de novo. E agora de volta a minha cama, ou melhor, nossa cama. Eu nunca me cansava de Edward.
A segunda-feira chegou tão rápido quanto se fora. O plantão tinha sido tão cansativo. Eu e Edward praticamente não nos vimos, já que o time de vôlei da escola secundária local resolveu se meter em uma briga com outros alunos durante um campeonato. Resultado do tumulto: várias escoriações e hematomas no meu plantão.
A noite tinha sido perfeita. Como Edward prometera, fomos a um restaurante lindo e aconchegante em Seattle. Na verdade era italiano. Minha surpresa maior foi ver o meu nome no estabelecimento, entretanto, tenho certeza que não foi coincidência após ver o sorriso no rosto dele quando eu percebi. O lugar se chamava Bella's Massas.
A noite foi tranqüila e conversamos sobre nossos gostos, sobre os pacientes e sobre nosso futuro. O que eu percebi durante toda a noite foi que em nenhum momento Edward falou sobre seu gêmeo. A princípio fiquei confusa com a mudança, pois já estava muito acostumada com sua presença inquieta entre nós, mas agora via que realmente eu sentia falta disso. Nossos momentos românticos.
O que me surpreendeu foi o retorno pra casa. Edward estava impossível. Suas mãos frenéticas e possessivas passeavam pelo meu corpo mesmo com ele na direção do automóvel. Eu tentava brigar com ele, dizendo que reduziríamos à metade o quadro de plantonistas do hospital se acontecesse um acidente, mas não tinha jeito. Ele sorria como uma criança travessa e aumentava suas investidas. Mas secretamente eu estava adorando tudo.
Em casa tinha sido pior. Meu perfeito namorado estava exigente e até agressivo. Parecia querer me marcar como sua o tempo todo. Essa mudança estava me deixando completamente ensopada. Nunca Edward tinha se comportado assim, como um homem das cavernas. Mas a sensação era sempre maravilhosa. E a noite longa e prazerosa.
Essa rotina foi se estendendo até a quinta-feira de manhã. Todas as noites, Edward me levava a algum local novo e na volta tínhamos uma noite de sexo incrível. Tudo o que ele estava fazendo eu estava adorando, mas em alguns momentos sentia Edward muito calado, como se refletisse sobre algo. Eu tentava não pensar muito, principalmente porque ainda tinha o caso de Daniel. Edward nunca mais tocou no assunto do seu paciente mais difícil. E na verdade, eu me sentia incomodada por perguntar, pois traria Rob a nossa conversa, cujo assunto ele simplesmente não falava mais.
Hoje amanheci sozinha em casa, já que Edward estava de plantão e eu só entraria a noite. Estava esparramada na cama, com preguiça de levantar, principalmente depois do sexo selvagem com Edward. Ele tinha me tomado agressivamente na cozinha, onde derrubamos vários mantimentos e panelas. Eu tinha gritado de prazer, mas isso estava começando a me deixar um pouco inquieta, pois a mudança dele não foi sutil, mas sim de forma brusca. Desde o domingo quando ficamos os três, eu ainda não tinha tido uma noite de sexo tranqüilo com Edward.
Fechei os olhos lembrando novamente sobre o meu passado e minha história terrível. Eu precisava encontrar Rob para me ajudar, pois jamais conseguiria isso sozinha. E, pensando melhor agora, afinal onde ele estaria? Normalmente era fácil vê-lo circulando pela cidadezinha, com o seu olhar de sou-todo-sexo-o-tempo-todo, mas, para meu espanto, eu não o tinha visto. Sei que estava tomada de serviço, mas isso era estranho. O que eu perdi?
Tentando criar coragem para levantar e fazer algo realmente útil, escutei a campainha da porta.
Tomara que não seja Rob!
Olhei rapidamente para o meu corpo nu e decidi que não ficaria exposta novamente. Corri para meu guarda-roupa procurando a roupa mais fechada que eu encontrasse. "Já estou indo".
Tentando controlar minha respiração, fui lentamente para a porta, com medo de abri-la. A última vez me mostrou que ficar sozinha no mesmo ambiente que Rob não tinha um histórico muito bom, mas minha surpresa maior foi encontrar exatamente a última pessoa que me visitaria.
"Olá, Bella. Posso entrar?"
"Alice?"
"Sim. Surpresa? Eu queria fazer uma visita e Edward me falou que você estava em casa sozinha. Se importa?"
"O quê? Meu Deus, claro que não, Alice. Entre".
"Podemos ter uma conversa de garotas?"
"Er... claro." Por que eu sentia que o assunto me incomodaria? Abri passagem para uma Alice sorridente, mas que me deu um pequeno calafrio. Eu não estava preparada para lidar com sua família antes de resolver meus próprios problemas.
"Então, Bella... Como estão as coisas?"
"Tudo bem. Um pouco cansada, sabe. Os plantões estão puxados, parece que as pessoas estão mais doentes." Ela riu.
"Vim fazer uma visitinha pra mamãe. Mas não tem ninguém em casa".
"Hum. Seu pai deve estar no hospital e Edward também. Apesar de morar perto, quase nunca vou lá, Alice".
"Eu sei, Bella. Eu moro perto, mas mamãe e papai sempre brigam por não estarmos sempre aqui. Só que nossa vida é corrida."
"Hum... Alice? Nem Rob está em casa?" Demorou uns segundos. Mas percebi que ela me avaliava antes de responder.
"Rob está na minha casa, Bella".
"Sério?" Me surpreendi.
"Sim. Acho que ele não tinha muitas opções sexuais aqui em Forks, afinal, ele já pegou todas mesmo".
Meu rosto corou. "Ah, claro." Foi a minha resposta. Puta merda, era isso então? Por isso ele sumiu?
"Desculpe, tirando você. Não é mesmo?"
"Como?"
"Você é a única que ele não tem chance, afinal, você é a mulher do Ed".
"Lógico né, Alice." Respondi rapidamente. "Mas é absurdo isso".
"É. Eu sei, mas... o que é absurdo mesmo?"
"Rob não ficar aqui por causa de mulher. Ele podia namorar alguém da cidade e se estabelecer de novo".
"Bella tem muita coisa sobre o Rob que você não sabe. Aliás, tem coisas que ninguém sabe, nem mesmo nossa família. A única pessoa que sabe exatamente sobre tudo dele é Edward. Eles são como um só. Sabem tudo um do outro".
Assenti lentamente juntando-me à minha pequena cunhada no sofá. Que comentário mais confuso! Eu não tinha entendido tudo, mas percebi que segredos e Rob andavam lado a lado nessa família. Alice parecia uma fada de tão elétrica, ou até mesmo um beija-flor, que nunca fica quieto, mas hoje, ela estava mais pensativa do que o normal.
"Ele não tem vindo aqui, Bella?"
"O quê?" Fui tirada aos tropeços dos meus pensamentos pela pergunta.
"Meu irmão."
"Quem? Edward?" Perguntei sem entender e ela rolou os olhos.
"Bella, estamos falando de quem? Robert!"
"Ah... não... não o vejo desde domingo... e..." travei.
"E?"
"Acho que Edward o pressionou de alguma forma." Minha voz saiu em um sussurro. Eu não queria admitir, mas algo me dizia que o sumiço do gêmeo do meu namorado tinha algo a haver com nossa experiência de domingo. Mas, como falar isso com Edward? Ou qualquer outra pessoa? Ninguém entenderia...
Alice olhava pra mim de forma contemplativa. Suspirando e fechando os olhos percebi que ela falaria seu real motivo da visita repentina.
"Bella... eu vim aqui porque estou preocupada".
"O que houve, Alice?"
"Diz pra mim, por favor, que você e Robert não têm absolutamente nada a ver um com outro?"
"O que, Alice?" Gritei tensa. Porra, de onde ela tirou isso? Meu Deus, estou tão ferrada!
"Eu... bem estive com ele nos últimos dois dias, Bella. E algumas coisas estão fora do lugar. Rob não saiu atrás de ninguém, apesar do quanto sei que ele é sexualmente ativo. Ao contrário... ele tem ficado muito tempo no banheiro..." Ela corou. "Mas aí, ontem, ele dormindo... falou o seu nome... sorrindo".
"E o que tem isso?" Eu não conseguia diminuir a minha voz. Preciso me controlar.
"Bella..."
"Não, Alice. Só porque ele sumiu de Forks, vive no banheiro e fala meu nome dormindo, quer dizer que existe algo?"
"Olha... eu senti algo em La Push".
"E o que isso quer dizer?"
"Vocês... quero dizer... vocês três... não sei."
"Ah, Alice! Fala sério. Você está louca? Imagina Edward ouvindo isso?"
"Bella... Robert se comportou igual a um... namorado".
"Como assim?"
"Eu vi, Bella. Tudo o que aconteceu. Eu posso não ser vidente, mas estava na minha cara. E ele explodiu de ciúmes por causas dos meninos da reserva. Eu vi tudo".
"Nem eu entendi o que houve lá, Alice. Edward se comportou igual a um homem das cavernas".
"Os meninos estava te secando Bella".
"E daí? Isso não é motivo".
"Para Edward, sim. Mas para Robert, não".
"Alice..." Fechei os olhos para me concentrar. "Isso tudo é um absurdo. Gostaria imensamente que você não ficasse falando isso. Edward está estressado sobre um paciente que não consegue ajudar... mas que, na verdade, Rob poderia ajudar. Ou seja, acho que tudo é a irresponsabilidade do gêmeo do mal".
"Gêmeo do mal?" Alice levantou uma sobrancelha.
Eu ri. "Desculpe... eu brinco assim com ele." Suspirei. "Alice. Eu amo a sua família como se fosse a minha. Mas essa história... de... segredos e suposições sobre Rob, não é bom. Muito menos pra mim".
"Eu sei..." Ela suspirou. "Mas eu queria entender... eu sei o que houve com ele, mas Rob não sabe... ninguém soube o que aconteceu de verdade, somente Edward".
Minha respiração travou. "Como-?"
"Não é minha história pra contar, Bella. Eu só vou te lembrar da conseqüência, que você já viu, pois é claro como o dia. Robert não é ligado a nada e nem a ninguém. Tenho medo de que algo assim aconteça de novo..."
"Nada vai acontecer, Alice. Eu amo Edward. Muito".
"Eu sei, Bella. Eu sinto o amor de vocês. Mas também tenho a sensação de que uma coisa grande está por vir. E estou assustada. Mas, me perdoe? Eu não quis te culpar ou te pressionar por nada, tá? Eu só... amo demais minha família".
"Eu sei, Alice. Eu entendo".
"Não vou te incomodar mais, cunhada. Prometo. Podemos marcar um dia de compras de garotas de novo? Rosalie anda tão ocupada..."
"Claro".
"E novamente... obrigada".
"Por quê?"
"Por fazer meu irmão feliz. E por não me colocar pra fora da sua casa a pontapés por me intrometer na sua vida." Ela abriu o primeiro sorriso genuíno. Sorri de volta aliviada.
"Eu que sou uma pessoa feliz agora, Alice".
"Ok." Ela se levantou. "Vou embora, pois sei que essa vida louca de vocês sem horários me diz que ainda vai trabalhar, certo?"
"Sim, tenho plantão em 6 horas." Levantei olhando para o relógio e também acompanhando Alice até a porta. "Obrigada pela visita".
"Tchau, Bella".
"Tchau, Alice". Após nos abraçarmos fechei a porta. Meus olhos nublaram rapidamente pela quantidade absurda de lágrimas. Escorei ainda na porta, balançando meu corpo, para tentar me acalmar. Meu Deus, isso não estava acontecendo, eu tinha que reagir. Como ela descobriu isso? Será que mais alguém tinha reparado?
'Oh Deus. O que eu faço?'
Fiquei por muito tempo ainda remoendo minhas lembranças e minhas ações. Nada estava correto. Agora parecia que o mundo ia me engolir por causa dos meus erros. Eu precisava encontrar Rob para conversarmos. Eu estava com medo de perder o único homem que me amou de verdade. Alice poderia tirar suas próprias conclusões e falar com Edward, ou levantar o assunto com Rob. Em qualquer uma das hipóteses o desfecho seria horrível.
Meu corpo começou sentir o formigamento normal de uma pessoa que fica estática por muito tempo, mas não consegui me mexer. Eu ainda olhava para o meu passado. Revivi amargamente as minhas decisões. Eu precisava mudar meu destino.
Saí lentamente do meu estado de estupor chegando a uma conclusão definitivamente dolorosa. Eu precisava contar para Edward...
Fui em direção ao banheiro, com o corpo dolorido de ficar tanto tempo abaixada, mas nada mais importava. Minha cabeça estava uma confusão! Entretanto, eu havia decidido que não esperaria mais por Rob, principalmente após a visita de Alice. Eu precisava enfrentar meus problemas de frente. E como hoje Edward sempre ficava um pouco mais, resolvi que usaria um lugar mais reservado, mas com segurança para minha revelação. Eu conversaria com ele no seu consultório. Sei que estava sendo covarde, mas não estava preparada para enfrentar a sua fúria na minha casa. Aqui ainda era meu refúgio seguro.
'Será que ele entenderia?' Minha mente gritava o tempo todo. 'Ele me ama'. Eu mesma respondia. Edward escutaria meus argumentos e com certeza explodiria e até gritaria comigo, mas com certeza me perdoaria. Ele conhecia melhor do que ninguém os ferimentos que seu irmão podia causar em alguém. E eu era uma dessas pessoas.
Arrumei-me mecanicamente e fui em direção ao hospital. Minhas idéias rodeavam constantemente minha cabeça, mas eu já estava decidida. Assim que cheguei, entretanto, fui pega por uma avalanche de problemas para resolver. Que droga, todas na cidade resolveram ficar doentes hoje?
As horas voaram e quando percebi já passava das duas da manhã e ainda não tinha visto Edward. No entanto, eu sabia que ele ainda estava no hospital, já que seu carro permanecia no estacionamento. Quando o meu número de pacientes tinha estabilizado para três internações, resolvi procurá-lo. Eu estava tensa e com tanto medo! Mas nada disso me impediria de fazer o que tinha que ser feito. Libertar minha mente dos meus pesadelos.
Cheguei à entrada do seu consultório e ouvi um barulho. Óbvio que ele estava lá. Mas a visão do que tive ao abrir a porta acabou com qualquer argumento. Edward estava desolado, chorando igual a uma criança. A minha primeira reação foi de dor. Depois de desespero. Meu Deus, o que houve?
"Edward".
"Bella... oh Deus. Ainda bem que está aqui. Por favor, me abrace?"
Edward estava tão perdido. Cortou o meu coração vê-lo tão desamparado. O motivo já não importava, mas ele precisava de mim. A minha intenção de resolver meus problemas foi esquecida. Eu tinha que retirar essa dor dos seus olhos.
"Amor..."
Embalei seu corpo com meu abraço. Edward estava jogado na sua cadeira, completamente perdido. Eu queria perguntar o que tinha acontecido, mas não tive coragem. Algo me dizia que ele precisava somente disso. Carinho.
Suas mãos começaram a correr por minhas costas, me arrepiando por inteira. Qualquer toque dele me acendia. Eu não queria estragar o momento, mas com poucas carícias, eu já estava úmida. Minhas mãos foram para seus cabelos, pois eu me mantive de pé, entre suas pernas, gemendo baixinho. Meu corpo reagia a ele. Isso não era hora de pensar nisso, Jesus. Edward estava sofrendo...
"Faça amor comigo, Bella. Por favor".
Olhei assustada para Edward. Era isso mesmo? Nunca o vi assim, pedindo por mim. Ele sempre foi possessivo e dominante e essa postura tímida e suplicante não era normal. O que será que tinha acontecido? Percebendo minha hesitação, ele suspirou e me apertou fortemente.
"Daniel está morrendo, Bella". Eu travei. "É tudo culpa minha." Comecei a me mover para olhar em seus olhos, mas Edward me segurou forte. "Não, por favor, já está sendo difícil demais amor. Eu não sei mais o que fazer... eu preciso do Rob. Mas..."
"Edward".
"Por favor. Faça amor comigo, aqui. Mostre-me que ainda há esperança".
Sem discussão, meu corpo respondeu aos seus sussurros e seu pedido. As mãos habilidosas do meu médico varreram meu corpo, retirando com urgência minhas pesadas roupas. Eu investia nele, tentando fazer o mesmo. Estávamos em transe, sem proferir quaisquer palavras e onde nada mais importava. Assim que me viu de lingerie, Edward gemeu e afundou os dedos na minha virilha, abrindo lentamente meus lábios internos. Joguei a cabeça para trás, segurando os lábios para não gemer muito alto.
Tudo foi lento e perfeito. Suas mãos buscavam minha entrada enquanto ele me fazia deitar na sua mesa. Vi que fiquei completamente exposta para ele. Ainda sentado, Edward aproximou sua cadeira para mim, retirando minha calcinha lentamente e abrindo minhas pernas, segurando-as, afundando sua língua macia no meu clitóris, me fazendo ir ao céu.
"Oh meu Deus, Bella. Você está tão molhada, amor. Como eu te amo".
"Oh Edward. Sim."
"Goza na minha boca, Bella. Mostre-me que eu te deixo assim".
Com movimentos perfeitos, Edward me sugou e lambeu com paixão. Seus dedos separavam meus lábios internos ainda mais, ajudando a sua língua penetrar mais profundamente. Em pouco tempo, meu corpo convulsionou em espasmos me fazendo chegar ao clímax. Eu estava no céu. Ainda não tinha me recuperado e Edward subiu seu corpo e, num único movimento, entrou em mim. Esse homem ainda me mataria.
Ao contrário das ultimas noites, Edward estava carinhoso e gentil. E excessivamente devagar. Suas estocadas estavam quase em câmera lenta, me fazendo rebolar em busca de contato. Eu precisava de mais.
"Edward, por favor".
"O que, Bella? Fale... Gemi com sua voz de comando. Porra, meu namorado era perfeito.
"Eu preciso... mais forte".
"Isso, Bella?" Edward me apertou e entrou forte. "Assim que você quer?"
"Sim, porra. Isso".
Nossos movimentos, antes graciosos, tinham se transformados em furiosos e selvagens. Ambos gemíamos e suávamos, mas eu queria mais. Vários papéis caíram da sua mesa, mas não demos importância agora. Eu precisava dele dentro de mim. Com estocadas profundas, senti meu orgasmo me alcançando. "Eu... vou".
"Sim, amor. Vem. Goza de novo pra mim".
Mordendo seu braço para não gritar, gozei de forma desesperada. Edward continuou com o ritmo forte, mas poucos segundos depois, gemendo nos meus cabelos, me encheu com seu líquido. Ainda respirando forte, ele me agarrou e afundou seu rosto no vão do meu pescoço. Sorri com o gesto. Eu me senti a mulher mais amada do mundo.
"Obrigado, amor".
"Sempre estarei aqui por você, Edward".
Ficamos curtindo um ao outro enquanto nos acalmávamos. Os sons do hospital foram voltando para a nossa realidade. E a minha perspectiva também. Tudo o que havia planejado para esse momento foi apagado da minha mente diante do sofrimento de Edward. Eu precisava esperar por ele agora. Hoje não era um bom dia para fazê-lo sofrer ainda mais. Essa conversa teria que ser adiada. Começamos a nos ajeitar, já que o frio do hospital começou a arrepiar meu corpo.
"Bella?"
"Oi, amor".
"Desculpe-me, por tudo".
"O que foi?"
"Eu tenho agido como um completo imbecil. Mas essa história do Daniel..."
"Edward. Eu entendo".
"Vou atrás do Rob".
"Ele está na casa de Alice." Edward virou o rosto, surpreso pela minha resposta espontânea. Travei.
"Como sabe?"
"Alice foi lá em casa hoje. Ela disse que falou com você".
"Bom, mas não me avisou que iria lá. Só perguntou como você estava e se estava de plantão".
"É mesmo?"
"Sobre o que conversaram?"
"Nada de mais, Edward. Coisa de garotas."
"E o que Rob tem a ver com conversa de garotas?"
Não consegui me controlar. Meu rosto queimou de vergonha e desespero. Sua pergunta era simples, mas eu senti o tom de voz dele mudar. "Ela disse que está preocupada com ele. Só isso".
"Hum... Tudo bem então. Eu vou lá".
"Onde?"
"Falar com ele, na casa da Alice. Precisamos conversar sobre algumas coisas também".
"Ah tudo bem. Eu acho. Mas não agora, né?"
Será que ele percebeu a minha voz trêmula? Eu estava com medo da Alice falar algo com Edward sobre suas suposições, ou qualquer coisa que estivesse passando pela cabeça dela. Sentia que ela não havia me contado tudo o que pensava de verdade. Olhando-me profundamente, Edward sorriu genuinamente pela primeira vez.
"Nem se eu quisesse, Bella. Eu estou morto. E agora mais ainda depois de você. Vou descansar um pouco e irei pela manhã".
"Eu?"
"Sim, amor. Depois de você vir aqui e me mostrar que ainda confia em mim. E que me ama".
Edward me abraçou de novo e meus olhos encheram d'água. Eu estava virando uma idiota chorona, mas não conseguia me controlar.
"Vou pra casa. Aliás. Não. Posso dormir na sua, amor? Eu não queria encontrar com minha mãe, pois tenho certeza que ela vai me perguntar dele. Assim vou direto para Seattle, na casa da Alice".
"Sim. Tudo bem."
"Bom, melhor sairmos daqui, não é? Afinal, ficar te olhando só me faz ter mais desejo de entrar em você de novo".
"Dr. Cullen... concentre-se!" Fingi brigar com ele. Ambos sorrimos.
"Vamos, amor. Estou podre de sono aqui".
Saímos do seu consultório e rumamos cada um para seu lugar. Meu plantão novamente me deixou ocupada, distraindo minha mente de tudo o que tinha acontecido. Eu amava demais o meu trabalho para deixar as coisas me afetarem. Acho que era por isso que Rose falava que eu parecia ter dupla personalidade. Eu conseguia ser a Bella, desajeitada, sem-graça e indecisa, mas quando eu entrava para assumir minha função, eu assumia a personalidade forte e decidida da enfermeira-chefe Srª Swan. Que sempre lutava por seus pacientes.
Quando percebi já tinha ultrapassado além do meu plantão de 12 horas. Na verdade, eu estava tomada de tantas coisas pendentes que, quando vi, já era praticamente meio dia. Não tinha ligado para Edward, ou não sabia o que estava acontecendo. Resolvi esquecer, afinal, notícia ruim chega rápido.
Ajeitei minhas coisas e conversei com alguns plantonistas. Minha rotina no hospital me tomava tanto tempo, mas eu adorava. Mesmo com os meus debates internos, eu estava extremamente feliz. Como nunca pensei ser possível.
Já passava das três da tarde quando realmente cheguei em casa. Eu estava faminta! Depois do maravilhoso sexo com meu namorado no seu consultório, eu só tinha feito um pequeno lanche nos primeiros raios do dia. Quer dizer, nas primeiras nuvens, já que sol em Forks era quase impossível. Fui direto para a cozinha, procurando algo para comer, mas me lembrei que há muito tempo eu não fazia compras. Eu já estava tão habituada a comer na casa de Edward, ou jantar fora, que não me preocupava com alguma coisa. Meu estômago protestou. Bufei. Jamais bateria na casa dele e pediria comida à Esme. Isso seria demais. Voltei para a sala e buscava a chave do meu carro quando alguém bateu na porta. Sorri, pois com certeza seria meu namorado de volta. Assim que abri a porta, a visão de quem estava parado me deixou sem ar.
"Rob?"
Ele não respondeu. Aliás, aquele não era o Rob. Meu Deus, seu olhar era de uma pessoa que estava sofrendo muito. Ele não conseguia falar nada, mas nem precisava. Eu fui atravessada pela sua dor.
"Entre".
"Me desculpe... eu..."
"Por favor?"
"Obrigado Bella".
Seu andar se arrastava. Ele estava acabado. Nem parecia aquele homem sexy e poderoso que eu conhecia. Nem mesmo o cretino de Paris. Esse Rob eu jamais tinha visto. E estava me matando. Eu estava perdida. Como eu iria ajudá-lo?
Assim que ele sentou no sofá, vi que ainda estava grudada na porta. Seu suspiro profundo me retirou da minha tensão. Eu não sabia como agir, nem o que falar. Esses momentos de abandono e confusão eu já tinha vivido com Edward há pouco tempo e com ele era mais fácil. Eu o conhecia como ninguém. Ou parecia, mas eu não sabia como agir com Rob. Em expectativa, me encaminhei para o sofá sentando ao seu lado.
"Rob..."
"Bella... me perdoe... mas eu não consigo mais..."
"O que houve, Rob?... Você está assim... eu...".
"Eu estou sufocando. Essa cidade..." Seu olhar vidrado me prendeu. Eu já estava quase chorando com sua dor. "Bella... eu tento ser algo que não sou... mas tenho algo que me prende... algo que sinto..."
"Rob... eu quero aj-".
"Meu Deus! Dói tanto, Bella. Tanto. Mas eu não consigo mais..." Segurei sua mão enquanto ele fechava os olhos lentamente. "Mas eu não consigo mais esconder, Bella... dói." Seus olhos encheram d'água. "Eu preciso me abrir... com você. Eu preciso que você me entenda... me ajude".
"Tudo bem, Rob. Pode contar comigo. Eu posso te ajudar... me conte o que houve".
"Eu não consigo mais, Bella..."
"Rob..."
Nesse momento ele desabou. Jesus, eu já tinha visto Edward chorar, mas o desespero dele era imenso, quase como um ferimento físico. Comecei a sentir meu corpo tremendo e com a força emocional da sua dor, passei a chorar também. Seu rosto estava manchado de lágrimas e cansaço e parecia que ele nem tinha dormido. Eu precisava fazer algo.
Meu corpo se projetou ao seu. Rob me agarrou e me abraçou tão forte que parecia que ele ia cair. Suas lágrimas se transformaram em soluços enquanto meus cabelos e meu ombro ficavam úmidos. Meu Deus, quem fez isso com ele? O que será que tinha acontecido?
Meu choro foi junto com ele. Tanta dor estava envolvida. Comecei a ser tocada por seu sentimento, envolvida pelos meus próprios problemas. Nós estávamos acabados e doloridos. Ambos tomados por um sofrimento que transbordou de uma vez.
Aos poucos nossas lágrimas foram cessando. Em pouco tempo estávamos somente fungando. De repente, me vi com vontade de falar algo, para compensar.
"Rob. Eu..." Fui interrompida por um alto som vindo do meu estômago. Não, na verdade, de nós dois. Olhei pra ele assustada, assim como seu olhar se prendeu no meu. Do nada começamos a gargalhar.
"Perdoe-me, Bella. Eu não como nada há três dias." Eu ainda estava rindo. Comecei a limpar minhas lágrimas.
"Tudo bem, eu também estou faminta. Mas, me desculpe, não tenho nada aqui para comer. Eu já estava saindo para comprar algo pra mim, quando... quando..."
"Entendi. Bem o que acha de roubarmos algo da casa da mamãe?"
"Não Rob... eu..."
"Ah Bella, qual o problema? Minha mãe não vai se importar de alimentar dois famintos chorões."
"Hum... acho que sim. Tudo bem." Me levantei. "Sua mãe não está em casa?"
"Não a vi. Mas acredito que ela está em algum trabalho grande com Alice, elas fecharam um projeto esses dias. Vamos logo." Dito isso, ele se levantou e enxugou seu rosto com ambas as mãos. "Venha, Bella!" Ele saiu me puxando para fora. Mal deu tempo de fechar minha casa e quando vi já estávamos dentro da casa dele. A cozinha lá era imensa, fruto da dedicação de Esme aos filhos. Suspirei com a possibilidade de ter uma casa assim. Eu já sonhava com a possibilidade de casar e me dedicar à minha família assim como Esme. Ter uma vida ao lado de um amor verdadeiro. Ao lado de Edward.
"Bella? Ei?" Me assustei por ter sido arrancada dos meus sonhos. Sorri em sua direção. Vi que ele olhava os armários e a geladeira.
"Oi, Rob."
"Então, mamãe Esme não deixou nada pronto. Você sabe cozinhar?"
"Lógico".
"Ótimo então." Ele disse sentando na grande mesa de jantar. "Pode começar e sinta-se a vontade".
Dei um sorriso para ele. Fui em direção a geladeira e comecei a retirar tudo o que eu achava rápido e fácil de fazer. "Alguma preferência, senhor?" Brinquei com ele. Meu estômago estava tenso de tanta fome.
Por alguns minutos conversamos amenidades, mas a tensão sobre o problema de Rob ainda pairava no ar. Eu não tinha esquecido o quanto de sofrimento tinha no seu rosto. Na verdade, vi um arroxeado em volta dos seus olhos, indicando que ele, realmente, não estava dormindo direito. Suspirei com a possibilidade de ser algo irremediável. Minhas dúvidas quanto ao que houve e o que o fazia ser o que era hoje me dominaram novamente. E se fosse algo sem reparo? E se eu não pudesse ajudá-lo de verdade? Resolvi puxar algum assunto. Ou melhor, minha cunhada como assunto.
"Rob..."
"Sim?"
"Sabia que Alice veio me ver ontem?"
"Sério?"
"Bom... ela falou algo sobre... bem... La Push."
"E o que ela disse, Bella?"
"Na verdade, não foi o que ela disse e sim o que ficou subentendido... eu estou com medo... temos que contar para Edward".
"O que ela falou?"
"Ela está desconfiada sobre... nós... quer dizer, eu e você. Será que ela disse algo para ele?"
Olhei para Rob, que tinha um olhar penetrante. Não dava para imaginar o que ele estava pensando. Eu estava confusa com tanta informação nas últimas 24 horas. Afinal, qual era o segredo que esse homem tinha que o fazia ser tão diferente do seu gêmeo? O que Rob viveu para se tornar essa pessoa tão arisca e, ao mesmo tempo, tão vulnerável? E Edward, onde estava? Meu Deus, eu tinha acabado de lembrar que ele tinha ido atrás de Rob. E se eles se encontraram? Quer dizer, se Alice falou algo?
"Rob? O que você acha?"
"Sim".
De repente a porta da frente se abriu em um estrondo. Fiquei assustada com a violência do movimento, mas eu estava tão ocupada com o macarrão no fogo e com medo de me queimar que nem deu tempo de virar para conferir. Minha respiração travou ao sentir uma eletricidade no ar. Lentamente fui girando o corpo, para ter certeza que meu corpo não me enganava. Eu estava certa. Edward estava parado com um olhar tão furioso. Eu nunca o tinha visto daquela maneira.
"Rob, eu e você lá em cima. Agora." E ele subiu as escadas sem olhar para trás.
Nota da Irene: Eu sei... eu sei... *se protegendo das pedras* mas semana que vem TUDO será explicado. Tim tim por tim tim!
Espero que tenham gostado. Eu e Titinha estamos ralando para deixar tudo certinho como planejamos. Falar nisso... fui ao Rio e a encontrei nesse fds... conversamos horas sobre EI... sobre tudo e encontramos várias coisas legais para os próximos capitulos... foi muito legal. Querem nos ver? Oh a foto ai... tirem os espaços e ela aparece: (Eu sou a de preto e a Titinha a de cinza)
http:/ images. orkut. com/ orkut /photos /_ -cqajl5OICMClYlC9kef5hVaXp . jpg
Outra coisaaaaa... quero agradecer as leitoras do ffnet... principalmente a Sonia... que tem surtado e ta louca para tirar a vaga de "louca" da Rafa... kkkkkkkkkkkk
Amamos escrever para vcs.
Eu to com fic nova por aqui. Anatomy of a Human. Ela é o POV Ed da fic "Only Human", que algumas já leram, pois está toda traduzida no ffnet. Espero que gostem e se puder... deixem reviews... hohohohoh
Até quarta...
