And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
E então é isso
A história mais curta
Sem amor, sem glória
Sem herói no seu céu
The Blower's Daughter - Damien Rice
CAPÍTULO 20 - SIMPLESMENTE DOR
POV EDWARD
Nada nesse momento fazia sentido. Meu corpo não respondia a nenhum comando do meu cérebro. Eu estava a ponto de explodir a qualquer instante.
Daniel estava morrendo e eu não poderia fazer nada. Todos os meus esforços e estudos viraram cinzas desde a sua última crise e eu estava de mãos atadas, pois não tinha competência para ajudá-lo. Eu mesmo sonhei com a possibilidade de que ele agüentaria mais um pouco. Sempre tinha a sensação que estava muito perto e isso era meu motivo principal para continuar a lutar por sua vida, principalmente quando meu gêmeo voltou.
Meu desespero, entretanto, estava pior. Eu não conseguia entender por que nada tinha sido como planejei. A vida poderia ser muito mais simples se as pessoas vivessem tudo o que gostariam. Apertei meus olhos para que o fluxo de pensamentos que vinha na minha cabeça não me abalasse. Não havia necessidade de impor mais dor e mais desculpas para tudo.
Assim que cheguei à casa de Bella, sorri. Apesar de tudo o que estava acontecendo atualmente, ela sempre seria meu porto seguro agora. Nunca imaginei que minha vida fosse completamente alterada após a chegada da minha linda mulher. Sim, porque eu estava cada vez mais convencido que era com Bella que passaria o resto dos meus dias. Antes de toda a loucura dos últimos dois dias, eu já estava convencido sobre o próximo passo no nosso relacionamento. Eu pediria Bella em casamento. Tornaria meu amor em algo ainda mais especial, fazendo-a minha de verdade.
Ainda me recordo da conversa na casa da minha mãe, quando ela e Alice me falaram sobre a chegada de Bella, substituindo a enfermeira aposentada. Alice, com seu irritante dom da premonição, ficou me observando quando tocaram no assunto da nova enfermeira. Tentei fingir que eu não tinha ficado mexido com o fato de chegar uma nova mulher a Forks, a cidade sem atrativos femininos. Agora, meses depois, eu nem consigo me lembrar mais de como era minha vida sem ela.
Bella era mesmo minha alma gêmea. Depois de tudo o que já vivemos, intensamente, eu não conseguia imaginar como nunca a conheci antes. Ela fazia parte do meu círculo social inclusive. Quer dizer, não que eu e Rose fôssemos socialmente próximos, mas, mesmo assim, ela era importante na vida do meu irmão e da minha cunhada. E, pensando bem, Emmett sempre falava da amiga desajeitada, mas engraçada, de Rose, desde os tempos de faculdade. Nesse momento me lembrei da vez que estávamos em casa, todos nós, e Emmett tinha comentado que a amiga dele estava fazendo enfermagem, mas era a pessoa mais desastrada do mundo. Alice tinha um bico na cara perguntando por que os olhos dele brilhavam quando falava dessa amiga. Mas, o pior foi Rob. A primeira coisa que ele comentou foi 'compartilha ela com os irmãos, Emm'. Na hora Rob ganhou um tapa de Alice e um soco do irmão porque, lógico que sabíamos que meu gêmeo falava de algo sexual. Na hora me limitei a rir, mas hoje, vejo que o seu inocente pedido na época, se tornou real.
Suspirei com o rumo dos meus pensamentos no mesmo instante que chegava ao quarto de Bella. Olhei em volta e tudo estava perfeitamente inocente e normal, mas não pude frear a onda de imagens que surgiu. Ela tinha arrumado tudo, deixando o quarto com o seu cheiro sexy e inocente, mas qualquer pessoa que tenha vivido a experiência que tivemos, não tem como apagar as imagens rapidamente. Bella tinha realizado uma fantasia antiga nossa. E isso não era algo simples. Eu e Rob, além de enormes, tínhamos, o que eu poderia dizer, disposição sexual para derrubar uma mulher, sozinhos, imagina os dois juntos?
Ambos éramos diferentes em nossos gostos e nossa vida sexual. Depois da farra da adolescência e de todas as festinhas nada inocentes que já tínhamos participado, decidimos que o melhor era cada um seguir seu rumo, sexualmente falando. Isso muito antes de toda a reviravolta na vida do meu gêmeo. Porém, Rob e eu sempre lembrávamos do nosso desejo sobre ter uma mulher entre nós, mas nunca fomos longe demais com essa idéia, primeiro porque não é qualquer uma que agüentaria e segundo porque não saberíamos o que fazer depois de tudo.
Agora esse era o problema. Eu sou adulto e consciente que usei Bella o tempo todo. As brincadeiras sexuais que estávamos fazendo no começo eram por nós três. Para Bella sentir mais prazer, que eu sabia que Rob me ajudaria e jamais falaria algo ou me julgaria, afinal, era minha escolha. Por Rob, já que sabia a dor que era para ele estar nessa cidade e eu, egoísta, o queria comigo, mesmo que compartilhando minha namorada. E no fim, por mim. Tudo tinha dois pesos nessa história. Claro que comecei por prazer. Eu amava os sons que ela fazia e ficava louco com seus orgasmos, e Rob sabia fazer as coisas também. Mas, depois, mesmo que de forma inconsciente, comecei a usá-la de verdade, pois Bella era cheia de energia e amor inocente, que eu amava. É por isso que entrei de cabeça nessa situação confusa. Eu ainda não aceitava o fato de que quase tinha perdido meu gêmeo para o seu amargo passado. Me sentia culpado sempre que olhava seus olhos. Eu via tanta dor no começo, mas ultimamente eu enxergava somente vazio. Rob estava ficando sem vida.
Deitei na cama e minha mente não parava de trabalhar freneticamente. Tudo deveria ser mais simples. Eu forçava o limite dos dois, para que nossa vida fosse mais leve e sem o pesadelo do passado, mas era minha vida que estava confusa agora. Nada fazia sentido.
Nunca me importei com qualquer mulher que tivéssemos dividido. Na verdade, Rob já tinha ficado com muitas mulheres que eu tive na minha cama. Tudo bem que nenhuma da forma que compartilhamos Bella, mas eu não ligava a mínima. Até a noite de domingo. Eu tentava parar de pensar em como era errado esse rumo de pensamento, mas não conseguia. Até porque era absurdo, eu tinha permitido e incentivado. Mas depois de ver a intimidade e o carinho de Rob com Bella, pela primeira vez fiquei com medo.
Olhar meu gêmeo acariciar e beijar Bella depois de algo tão profundo não deveria mexer comigo, mas infelizmente, mexeu. Eu conhecia Rob sob todos os aspectos e sabia que naquele gesto tinha algo mais. Ele nunca me escondeu nada da sua vida, nem mesmo suas escapadas sexuais com todos os detalhes sórdidos. Só que seu olhar me transmitiu uma força e uma história que eu desconhecia. Isso mexeu com toda a minha perspectiva.
O que estava acontecendo, afinal? O que houve para Rob ficar assim, tão próximo além de sexo? Esses foram meus primeiros pensamentos após acordar nos braços da minha Bella naquele domingo. Minha cabeça martelava com a quantidade de coisas que vinha, mas eu não chegava a nenhuma conclusão. Até que me lembrei de antes, do momento que cheguei pela manhã.
Eu estava tão feliz com a possibilidade de cura do Daniel que nem tinha percebido o clima entre eles. Rob estava com um olhar de dor, mas igual aquele de quatro anos atrás. O momento tinha se perdido com a minha notícia e com a minha exuberância, mas antes do álcool nos consumir e nos levar para o final, os olhares de ambos estavam presos na intimidade que também tinham compartilhado sem mim.
Não me preocupava com traição, na verdade. Sabia que Bella me amava intensamente e seus sentimentos eram puros e transparentes. E mesmo que ela não os demonstrasse, seus sonhos contariam o resto. Rob era o meu dilema. Meu irmão estava morto para qualquer sentimento romântico e eu sabia disso melhor do que ninguém. Até a aproximação de Bella.
Ela era tão perfeita. Linda, romântica, sensível e amorosa. Parecia discurso de um adolescente hormonal descobrindo o sexo, mas era tudo verdade. Bella irradiava vida e todos a sua volta viam isso. Desde que ela tinha começado a trabalhar no hospital, o ambiente na nossa área estava mais leve e eu creditava isso ao amor que ela tinha pela profissão, no começo. Mas não, era algo dela. Bella trazia à tona o melhor de todas as pessoas, mesmo com um gesto simples, como um sorriso. Por isso eu a usei. Rob também precisava voltar a viver.
Agora isso estava me matando aos poucos. Eu queria tanto que Rob voltasse a ser como antes que não me preparei para o pior. Meu gêmeo estava se envolvendo com Bella também.
'Não, não, não'.
Eu me recusava a admitir isso em voz alta, mas era impossível. Os sinais estavam presentes e eu não conseguia enxergar. Não tinha pensado na possibilidade de Rob se apaixonar por minha menina. Eu conhecia todos os seus fantasmas e vivi toda a sua dor, como se fosse minha. Nunca acreditei que ele poderia desenvolver esse sentimento novamente depois de tudo o que passou, mas ele era humano e completamente quebrado. Essa possibilidade poderia acontecer também, afinal, minha Bella tinha me resgatado de uma vida vazia.
Rob não ficou com ninguém desde a chegada dela. No jantar que eles se conheceram, eu senti o olhar de cobiça dele. Durante o tempo todo, Rob era comedido e controlado, o que definitivamente não fazia parte da sua personalidade. Nada do que ele falava lembrava o canastrão que eu conhecia. Ele se controlava o tempo todo perto de Bella, até mesmo quando eu comecei a permitir que ele também a tocasse. Era exatamente nesse ponto que eu deveria ter percebido. Rob estava mudando por causa de Bella.
Fechei meus olhos para todo esse tormento. Nunca imaginei viver um conflito desse tipo. Era tudo minha culpa, Rob se envolveu com Bella por minha causa. O meu objetivo com esse comportamento egoísta, de ter tudo ao meu redor e do meu jeito, agora me afetava diretamente. Eu não queria mais compartilhar Bella com ele.
Enquanto a admirava, completamente consumida e cansada, tracei meus próximos passos. Eu queria reviver nossos momentos únicos. Desde a chegada do meu gêmeo, nossos programas eram sempre a três. Nunca tinha levado minha menina para lugares românticos ou passeios inocentes. Meu vigor sexual e meu desejo incontrolável só me conduziam para um único lugar. Eu tinha que mudar isso. Meu maior medo era que Bella pensasse que eu não fosse o suficiente para ela.
Minha cabeça doía tanto. Nunca pensei que eu seria covarde e que a insegurança me dominasse, mas era assim que eu estava me sentindo esses dias. Eu tinha sido um completo imbecil e homens das cavernas com meu amor nesse período. Alternava passeios românticos com sexo violento com Bella o tempo todo. Eu não estava raciocinando direito e jamais admitiria isso para ela, mas fiquei com medo dela entrar em um processo de escolha entre eu e Rob.
Como uma sutileza estranha, meu gêmeo se afastou, tornando meus receios mais amenos. Rob ficou afastado essa semana, mas essa dor estranha ainda gritava no meu peito. Nunca pensei que nutriria essa competição absurda pelo amor da minha menina, principalmente com meu irmão. Ele deve ter percebido isso nos meus olhos também. Puta merda, eu enlouqueceria com tanta coisa na cabeça. Depois de tudo o que vivemos, eu não estava preparado para novos problemas. Muito menos para o tipo que machuca a alma de alguém. Rob era um exemplo físico e próximo do quanto decisões erradas poderiam mudar o rumo da nossa história. Eu não estava preparado para isso também.
Olhei para o relógio. Já passava das cinco da manhã. Meu debate interno tinha me levado todo o sono, mas eu estava decidido. Bella tinha visto meu lado fragilizado no consultório e eu tinha que mudar isso de qualquer maneira. Eu tinha decidido procurar por meu gêmeo. Nós tínhamos que conversar.
Falei para Bella que precisava da ajuda de Rob no que se referia a Daniel, mas estava mentindo. A doença do meu paciente mexia com mais feridas nele do que qualquer pessoa poderia imaginar e eu sabia disso. Meu irmão ainda não estava preparado para lidar com toda a carga de emoções que viria com a abertura de suas pesquisas e sabia disso. Eu estava forçando seus limites. Mas não, o meu motivo era outro. Eu queria conversar com ele. Eu pediria seu perdão por ser tão egoísta e mandão. E queria ouvir de sua boca que eu estava errado e não precisava ter medo de nada. Rob não queria Bella para ele.
Levantei da cama, consciente que não dormiria mais. Resolvi procurar logo Rob e tirar esse peso da minha cabeça. Tudo era tão confuso. Fui em direção ao banheiro arrancando as roupas no processo. Lembrei com um sorriso que muitas das minhas coisas já estavam na casa da minha menina. Suspirei com esse pensamento. Nossa casa.
Há algum tempo já estava pensando em pedir Bella em casamento. Minha mãe e minha irmã enlouqueceriam com a possibilidade de fazer mais um casamento, depois da festa inesquecível que foi o de Rose e Emmet. Já no chuveiro, recordei que Bella não veio ao casamento. Sim, tenho certeza que ela não tinha vindo, pois me lembraria dela imediatamente. Por que Bella não veio ao casamento da melhor amiga? Sabia que ela estava na Europa há algum tempo, segundo informações da própria Rosalie, mas não consegui entender o motivo da sua ausência. Eu perguntaria depois.
Saí do chuveiro e caminhei até o armário para pegar uma roupa confortável para vestir. Meu estômago roncou e fui em direção à cozinha buscar algo pra comer. Nada. Eu e Bella precisávamos colocar alguma coisa nesses armários para emergências como essa, pois já tinha algum tempo que não comia nada e definitivamente ir para Seattle com a barriga vazia não seria muito bom.
Bella não tinha o hábito de cozinhar. Nossa vida corrida e com poucas folgas tinha nos forçado a viver em restaurantes e na casa da minha família. Eu sonhava com uma casa igual a minha. Minha mãe era maravilhosa e adorava cozinhar pra gente, desde pequenos. Eu e meus irmãos éramos viciados na comida da minha mãe. Não que eu quisesse transformá-la em dona de casa para meu prazer, mas seria ainda mais perfeito se tivéssemos uma vida simples e feliz como meus pais.
Entrei na grande mansão e percebi que não tinha ninguém. Meu pai certamente estaria no hospital e minha mãe na casa de Alice ou de Emmett. Apesar de morarmos próximos, minha mãe fazia questão de visitá-los o tempo todo. Eu achava isso um pouco de exagero da mamãe Esme, mas ela sentia-se feliz com isso.
Busquei nos armários e geladeira algo rápido e fácil. Em quinze minutos eu tinha feito um super sanduíche e uma vitamina. Meu estômago roncava de tanta fome e parecia que eu levaria menos tempo comendo do que fazendo meu lanche. Enquanto mastigava minha obra-prima da culinária recordei sobre a noite passada com Bella. Tinha sido tão perfeito. Minha menina se encaixava em mim como se fôssemos parte de um mesmo corpo. Nunca me senti assim com ninguém.
Revivi todos os momentos e pelo jeito meu pau também. Não conseguia pensar em Bella sem ter uma ereção instantânea. Ela tinha o dom de me deixar louco, assim como desesperado. Eu tinha tanto desejo por Bella que chegava a doer. Eu amava demais minha menina.
Lembrei também da nossa pequena conversa sobre a visita de Alice. Minha baixinha tinha ligado ontem me perguntando sobre Bella. Na hora eu tinha achado normal minha irmã ligando para saber sobre ela, mas depois que Bella me contou que Alice a tinha visitado, fiquei confuso. Por que Alice tinha ido até a casa dela? E por que senti um estranho sentimento de que Bella tinha mais coisas pra acrescentar à estranha visita de Alice? Sacudi a cabeça com isso. Se fosse algo grande eu descobriria logo, afinal, Bella não escondia as coisas por muito tempo, seus sonhos falariam por ela.
Encostado no balcão da cozinha, me lembrei que Bella tinha falado sobre Rob timidamente. Ela e Alice conversaram sobre meu gêmeo. Fechei os olhos para isso. Tinha forçado uma convivência entre eles e também forcei Bella a não falar sobre ele. Eu era tão injusto. Meus medos tinham mexido com todos em minha volta e eu precisava consertar isso. Em Seattle, colocaria todos os meus receios para meu irmão e entenderia o que ele estava escondendo de mim. Nós resolveríamos as coisas como sempre.
Levantei os olhos e vi que já era mais de sete da manhã. Se eu dirigisse rapidamente e conversasse rápido com meu irmão, estaria de volta assim que Bella acordasse depois do seu plantão. Eu sabia que minha menina sempre chegava cansada e dormia até que seu estômago a despertasse. E nesse momento eu queria estar ao lado dela. Parecia loucura, mas eu estava insanamente sentindo a sua falta. Todo meu corpo chamava por Bella o tempo inteiro e eu jamais a deixaria.
Corri em direção ao carro, querendo resolver isso logo. Quando me dei conta já estava na estrada principal. O vento gelado da manhã chuvosa de Forks era algo calmante, mas não estava ajudando neste momento. Minhas pálpebras estavam pesadas devido ao cansaço.
Com uma velocidade absurda cheguei à cidade em uma hora e alguma coisa. Seattle era uma cidade fria e sem atrativos para mim. Eu adorava Forks e seu clima ameno, mas minha irmãzinha tinha preferido se mudar para esse lugar estranho. Na época eu não tinha dito nada, mas me preocupava com o bem estar de Alice. A única parte realmente boa de ela morar por aqui, foi o fato de ela encontrar seu 'príncipe encantado' nessa cidade. Tudo bem que Jazz não se enquadrava no estereótipo de príncipe, mas eu adorava meu cunhado.
Eu tinha uma relação diferente com cada cunhado. Com Rosalie, eu era formal. Quase a tratava como estranha, por mais que tentasse uma aproximação. Nunca me preocupei em agradá-la e o sentimento era mútuo. Na verdade, a única coisa importante para mim era que ela fazia meu irmão Emm feliz. Isso era o que mais importava. Isso até a chegada de Bella. Nunca fui mais grato à insistência de Rose em trazer minha menina pra cá. Eu ainda tinha que recompensá-la por tanto amor na minha vida. Rosalie podia ser uma megera, mas era uma que tinha uma amiga perfeita.
Jasper era outra história. Meu cunhado era um músico maravilhoso. Ele tocava em uma banda e fazia relativo sucesso. Eu achava que ele não estourava nas paradas musicais por um único motivo: seu amor incondicional por minha irmã. Nós tínhamos algumas histórias loucas, mas claro, sem a consciência da minha maninha. Na verdade, Jazz já tinha tirado meu gêmeo e eu de algumas roubadas. Nada de criminoso, é claro, mas sempre envolvendo mulheres. Por tudo isso eu adorava meu cunhado. Ele cuidava da minha baixinha como ninguém. Sem contar que somente Jasper para agüentar o temperamento quase incansável de Alice. Aquela parecia estar ligada na potência máxima o tempo todo.
Cheguei à garagem do prédio dela e vi que o carro do Rob não estava ali. Alice tinha um apartamento na parte cara da cidade, o que nos possibilitava visitá-la cada um com um carro e ainda ter vagas. Seu apartamento tinha vaga para quatro carros. Só havia o carro de Jasper e o porche canário dela. Nenhum sinal da minha mãe, ou do meu irmão. Onde será que ele estaria agora?
Avisei que eu estava subindo e Jasper me recebeu.
"Oi, cara. Eu vim ver o Rob. Ele saiu?"
Jasper me olhou com um olhar curioso e sério ao mesmo tempo. "Ele saiu há pouco tempo. Ele foi falar com a Bella."
Como assim?
"O quê?"
"Cara, você está horrível. Você dormiu hoje? Descanse um pouco."
Minha visão estava embaçada e meu corpo pesou e eu simplesmente aceitei, me jogando no sofá. Tudo estava nublado e Jasper falou alguma coisa sobre ir comprar alguma coisa, mas eu não consegui entender. Caí no sono ali mesmo e pareceram ser segundos porque acordei com o barulho da porta e saltei desperto, percebendo onde eu estava e o que eu tinha ido fazer ali.
Jasper fez sinal para eu me sentar, mas minha cabeça ainda estava agitada, meu sono completamente esquecido. "O que aconteceu? O Rob saiu pra fazer o que?" Eu perguntei confuso.
"Calma, cara. Você dormiu algumas horas no sofá".
"Alice não estava em casa? Vi o seu carro".
"Edward. Você está confuso pelo sono. Desperte primeiro".
Ajeitei-me no sofá. Olhei para o relógio e vi que já passava do meio-dia. Meu corpo ainda pedia mais descanso pelas noites mal dormidas do hospital e pelo excesso de pensamentos confusos. Jasper me olhava, esperando minha coerência voltar.
"E então, Jazz? O que você disse sobre meu irmão?"
"Eu realmente não sei, Edward. Mas o que está acontecendo entre vocês é algo que está deixando minha baixinha preocupada. Então é algo que também me preocupa."
"O quê? Eu não entendo. Ele disse o que ia falar com Bella? E o que você está falando de algo que está acontecendo entre nós?"
"Edward." Ele falou calmamente. "Eu não gosto de me meter na vida de ninguém, você sabe. Mas tudo que afeta minha pequena, me afeta também. E desde LaPush ela está assim. Dizendo que algo vai acontecer e que vocês três estavam escondendo alguma coisa. Eu só quero que você saiba que estou aqui para o que você precisar. Rob está meio perdido, eu não entendo o que se passa com ele. Ele passou esses dias aqui sem dar uma palavra, como se estivesse se escondendo de algo. Eu cheguei a pensar que ele sumiria novamente, mas então ele amanheceu atordoado, aparentemente sem dormir nada e disse que precisava falar com a sua namorada."
Ele parou um instante, me dando tempo para absorver tudo. "Eu não sei..." Eu gaguejei e minha cabeça não conseguia formular um pensamento coerente. Levantei do sofá e comecei a ir em direção a porta. "Eu preciso falar com ele. Eu já vou indo." Virei em direção à Jazz com um rosto mascarado de tranqüilidade. "Bom dia, cunhado, quer dizer... Você pode, por favor, não falar nada a Alice sobre isso? Eu não quero que ela fique preocupada com besteiras".
"Edward, você sabe que ninguém consegue esconder nada dela. Mas da minha boca nada sairá. Vá com calma. O caminho é longo." Não sei se ele se referia a todos os quilômetros que eu percorreria até chegar a Forks novamente, ou ao meu problema. Mas espero que fosse a estrada porque o problema teria que ser resolvido hoje. Hoje.
Assim que cheguei ao meu carro, senti novamente o cansaço, juntamente com todo o peso emocional da situação. Por conta disso não forcei o acelerador e ponderei meus pensamentos e planejei o que eu faria.
Eu falaria com o Rob, perguntaria o que estava acontecendo. Será que ele estava se sentindo culpado por estar entre nós? Será que ele estava mesmo desenvolvendo sentimentos por ela? Isso era improvável em minha mente, mas ao mesmo tempo tão próximo.
Balancei a cabeça, expulsando esse pensamento e me despertando de quase dormir ao volante. E assim cheguei a Forks novamente quase duas horas depois. Entrei em nossa rua e passei pela minha casa, avistando o carro do Rob parado em frente à casa de Bella.
O que Rob estava fazendo lá? Já não fazia horas que ele tinha saído de Seattle? Há quanto tempo ele estava lá?
Então era verdade. Ele tinha vindo falar com a minha Bella. Um medo e um ciúme irracional apertaram meu peito. Eu quase me senti sufocado. Era como se uma faca estivesse querendo rasgar meu peito e eu sentisse a lâmina entrar vagarosamente em minha carne. Ele não podia fazer isso comigo. Dei várias respirações fortes antes de sair do carro. Eu não poderia enlouquecer desse jeito. Eu ainda não sabia o que estava acontecendo.
Com passos pesados, ponderei sobre bater na porta, ou entrar direto. Bati, e depois bati novamente. Meu coração saltava em meu peito e minhas mãos tremiam. Eu queria ver?
Abri a porta e a encontrei sem trancas, o que era comum. Bella dificilmente fechava a porta com chaves quando estava em casa. Meus passos batiam no chão e retumbavam em meu ouvido com o silêncio dentro da sala. Não ouvia nada.
Mas que porra... a casa estava vazia?
Eu dei uma volta e me convenci que eles não estavam aqui. Então... eles só poderiam estar na casa de minha mãe.
Mas, por quê?
Saí rapidamente, batendo a porta atrás de mim e dando passos largos até o grande jardim. Nunca alcancei a entrada tão rapidamente. Subi os três degraus da frente quando ouvi alguns sussurros vindos de dentro. Pareciam que estavam compartilhando algum segredo. Isso doeu dentro de mim. Eles estavam sozinhos?
Minha possessividade estava no auge. Eu sabia que eles estavam sozinhos, então abri a porta com um estrondo colocando toda a minha raiva ali, quando os vi. Bella na cozinha, natural, enquanto Rob a olhava com admiração. Era a porra da cena mais fodida da minha vida. Rob não olhava para nenhuma mulher dessa forma, a não ser as mulheres que ele amava, eu conhecia esse lado dele. Meu lado egoísta gritou por dentro e a vontade de arrancá-la de lá era gritante, mas ao mesmo tempo eu me sentia traído. O que estava acontecendo entre eles?
Não conseguia olhar diretamente para Bella, mas pelo canto dos olhos, vi seu semblante apavorado. Eles tinham mesmo um segredo e eu estava excluído. Meu olhar deveria estar assassino, pois vi o reflexo dele nos olhos dos dois. Rob teria que me explicar, pois eu não conseguia sequer olhá-la para ler suas reações. Passei rapidamente, prendendo a respiração enquanto dizia abruptamente. "Rob, eu e você. Lá em cima. Agora."
Subi as escadas enquanto eu sentia todo o clima do momento me matar. Eu não suportaria tanta dor. Entrei no meu quarto, mas não consegui me sentar. Fiquei andando em círculos, com as mãos em punhos e correndo pelo meu cabelo. Eu não sabia o que falar. Meus ouvidos estavam em expectativa pela chegada do Rob.
Ouvi os passos pesados e lentos do meu gêmeo. Os minutos se arrastavam e meu corpo sofria espasmos pela conversa difícil. Mas eu teria que saber. Era como se minha vida dependesse disso.
Muito devagar Rob abriu a porta e seu olhar estava no chão. Sofri com a cena. Meu irmão, apesar de tantos ferimentos na sua alma, era sempre confiante e altivo. Esse não era o Rob pós Forks. Alguma coisa estava acontecendo mesmo.
"Rob... droga. Eu preciso saber".
"Edward... me perdoe".
"O que você fez, Rob? O que existe entre... vocês?"
Seu olhar se levantou para mim. Ele havia entendido minha pergunta. Era sobre Bella que eu queria saber. Mas a dor que vinha junto com seu olhar atravessou meu peito junto. Então eu estava certo?
"Edward... me perdoe... eu..." Rob começou a chorar. Minha visão também já estava embaçada e meu peito ardia por suas palavras. Porra, isso não estava acontecendo.
"Fala, Rob! O que houve?"
"Eu e Bella... nós..."
"Porra, Rob! O que você está dizendo?" Corri as mãos pela cabeça. Nada fazia sentido.
"Eu já te contei isso." Puta que o pariu. Do que ele estava falando? "Você se lembra de quando eu estava em Paris... e eu te liguei enquanto ia para o aeroporto?" Ele me olhou com olhos suplicantes. "Você se lembra do que eu te falei?"
Minha mente se esforçou para entender o que ele estava me falando. Será que ele entendeu que eu estava perguntando sobre ele e Bella? Eu queria saber sobre seus sentimentos com a minha menina.
"Do que você está falando?"
"Eu te contei naquele dia, Edward. Você tem que se lembrar".
Paris. Mais de dois anos atrás. Eu me recordava de poucas coisas, mas ele me disse que estava indo para o aeroporto. E que tinha acabado de ficar com uma menina maravilhosa. NÃO! Meu estômago revirou com a lembrança.
Flash Back On
"Ed, maninho. Até você ia balançar. A menina era uma gatinha selvagem."
"Rob, todas as mulheres são animais pra você?"
"Cópia. A menina era uma flor, que desabrochou comigo. Entendeu? E ela quase... eu estou falando sério... quase me fez querer ficar com ela mais uma noite... e por um dia inteiro... e porra. Nem quero pensar senão perco meu vôo".
"Você deflorou uma menina e a abandonou?" Eu falei pasmo. Meu irmão não mudava.
"Isabella."
"O quê?"
"O nome dela era Isabella. Eu ouvi o porteiro falando".
Flash Back Off
Era isso que ele estava me dizendo? Ele tinha tirado a virgindade de Isabella, minha Bella, em Paris, há dois anos? Meus olhos arderam, eu comecei a ver tudo vermelho. Como ele pôde esconder isso de mim? Eu não estava acreditando nisso. Porra, como ela nunca me contou?
Como uma avalanche minha mente foi preenchida por um turbilhão de pensamentos. Dor. Como as coisas chegaram a esse ponto? Mas então, tudo ficou claro. Agora eu entendia tudo. Eu era o resto. Nada da nossa história era real. Bella não me amava. Mais coisas vieram e comecei a tremer. E se ela só se aproximou de mim por pensar que eu era Rob? E se na verdade ela sempre quisesse ter ficado com ele e não eu?
Minhas lágrimas escorriam e eu fiquei parado e tremendo por alguns segundos enquanto a minha vida desmoronava em minha cabeça. Eu não significava nada para nenhum dos dois. Eu fui traído.
Pelo meu irmão. Pela minha Bella.
Puta que pariu.
Ela nunca foi minha de verdade. Isabella. Eu nunca deveria ter aberto meu coração pra ela. Eu estava enlouquecendo, não podia estar no meu juízo normal. Isso tudo era uma fantasia da minha cabeça. Será que eu estava em um pesadelo? Será que a qualquer momento eu acordaria disso tudo?
Levantei meus olhos e vi meu irmão aos prantos enquanto repetia "me perdoa" baixinho. Nesse momento, vi que era a minha vida, ou o que restou dela. A névoa do conto de fadas acabou. Meu olhar endurecido varreu o rosto do meu gêmeo.
"Eu acho que já passou o momento do perdão, Robert. Já passou da hora da verdade. EU não consigo nem olhar pra vocês." Fechei meus olhos e virei meu corpo, ainda sem conseguir pensar no que fazer. Mas eu estava me sentindo sufocado. Eu precisava sair daqui. Agora.
Rob tentou me segurar, eu empurrei suas mãos, ainda sem olhar para ele. Desci as escadas correndo e vi Bella assustada sentada no canto do sofá. Quando seus olhos encontraram os meus ela se levantou e eu estendi minha mão a parando. Desviei meu olhar. Doía demais olhar para ela.
"Não. Nunca mais. Se afaste de mim. Como você pôde fazer isso comigo, Bella?" Eu perguntei acusadoramente, retornando meu olhar raivoso.
"Me perdoa. Eu tive medo de te contar-"
"Nada justifica, Bella. Você teve tempo de sobra pra me dizer que você o queria. Mas você me enganou. Você brincou comigo. Só faltava você me chamar pelo nome dele. Porque a aparência eu já tinha, não era? Era por isso que você ficava estranha quando ele aparecia. Você ficava com medo de nunca mais poder estar com ele. Porque eu estava entre vocês. Mas eu, idiota, ainda te ajudei, não foi? Eu o convidei a tocá-la. E você deve ter ficado agradecida a mim, não?"
"Pare com isso. Isso nunca aconteceu".
"Bella, não precisa mentir. A verdade foi descoberta. Seu amorzinho contou tudo. O caso de vocês é antigo, não é?"
"Não, Edward, por favor. Eu tive medo de que você fosse ele, mas eu percebi que você era irmão dele. Mas não foi por isso que eu me aproximei de você. Eu juro. Você era diferente."
"Sim. Eu era um idiota. Um idiota que você gostava de brincar. Foi bom pra você como foi pra mim, amor?" Eu não controlava meu ódio. Minhas palavras saíam carregadas de raiva e rancor.
"Cala a boca".
"O que foi? Ele foi melhor que eu, Bella? Me fala".
"Pare, Edward. Pare".
"Você que pediu, amor." Me preparei para sair e escutei seu choro forte. Não conseguia nem olhar para trás. De frente para a rua, parei na porta para soltar minha ultima facada. Sim, porque eu precisava ferir.
"Edward... não... vá".
"Lembra que eu disse que iria embora quando você quisesse? Eu estou atendendo seu pedido. Isabella".
Eu saí da casa batendo a porta atrás de mim. Nada fazia sentido dentro da minha cabeça. Entrei no meu carro enquanto tudo era absorvido aos poucos. Porra, isso não podia estar acontecendo. O que eu faria? Como eu sobreviveria sem meu coração?
Lágrimas incontroláveis desciam dos meus olhos. Essas perguntas martelavam o tempo todo, mas eu já tinha resposta para algumas. Eu estava morto por dentro. Já não tinha um coração e sim um buraco no meu peito porque eu tinha acabado de deixá-lo na sala da minha casa. Nas mãos dela. Isabella.
Acelerei meu carro, arrancando para fora daquele lugar. Meu peito rasgava de tanta dor, mas eu não ia sucumbir. Eu corri pelas ruas ainda sem rumo, mas a única coisa que eu pensei é que eu precisava sair daqui. Sair dessa cidade. Deixar o campo livre para o casalzinho.
Nesse momento eu desabei, ainda dirigindo. Meus soluços eram altos e desesperados.
"PORRAA!" Gritei e dei um soco no volante. Eu não merecia isso.
Sempre evitei compromissos, mas nunca, jamais, brinquei com os sentimentos de ninguém. Eu me sentia um fraco, um boneco. O meu ódio apertava meu peito e eu só tinha vontade de gritar. Eu abri as janelas, o vento frio cortava minha pele enquanto as lágrimas molhavam meu rosto.
'Patético, Edward. Você entregou tudo de bandeja para eles. Talvez você ganhe algum prêmio de caridade. Sim, você é tão bonzinho que deu o seu único amor para o seu irmão. Que lindo'.
Minha mente trabalhava freneticamente com o sofrimento que varria meu corpo. Meu peito doía tanto. Como fui tão idiota? Por que me deixei enganar por seus olhos doces e mentirosos? Ela era tão perfeita em suas simulações.
Tudo voltava em ondas gigantescas e me sufocava absurdamente. As lembranças de todo o nosso relacionamento vinham sem freio. Todas as histórias mal contadas e pudor nas atitudes. Ela era uma completa dissimulada. Como pude me enganar tão fácil? Sabia que seu recato ao me conhecer não era normal. Isabella fingia tão bem. Acreditei realmente que era importante para ela. Puta que pariu, o que eu fiz para ser tão castigado assim?
Não conseguia nem pensar em seu nome. Tudo doía. Jamais imaginei que sofreria uma perda tão grande. Desde o primeiro dia, naquele hospital, ela evitava me olhar, ou não conversava comigo. Lógico, tudo por causa do Rob. Seu olhar triste e calmo era, na verdade, a dor do abandono por parte dele. Relembrava constantemente sobre a forma que meu irmão me falou sobre ela. Na época, eu tinha ficado com muita pena da inocente mulher que ele tinha tirado a virgindade. Agora, eu desejava ardentemente que ela sofresse tudo de novo.
Será que eles estão juntos há muito tempo? Era claro como água agora, que o reencontro deles tinha acontecido no jantar filho da puta que ela tinha ganhado. Minha família tinha feito honras para a mulher que arrancou meu coração. Eu não conseguia me lembrar dos momentos que não estávamos juntos. Sempre nós três. Comecei a sentir nojo da possibilidade deles estarem se divertindo as minhas custas. Como poderia saber se eles não ficavam juntos quando eu estava de plantão? Ou pior, quando eu dormia, durante nossas aventuras? Meu estômago revirou novamente e dessa vez não consegui segurar. A ânsia de vômito foi tão intensa diante da cena que desenrolou na minha mente que precisei parar o carro. Eu estava tão fodido.
Olhei em volta, abrindo os olhos lentamente. Não reconheci de imediato o local, mas era semelhante aos arredores de Seattle. Eu estava rodando há tantas horas que não tinha noção do horário, mas presumi que a noite já avançava devido à escuridão. Não sabia nem para onde ir. A casa da minha irmã não deveria ser longe, mas eu jamais iria parecer fraco para mais uma pessoa. Eu não sentia a necessidade de ser ainda mais humilhado. A vergonha estava marcada na minha face. Fui traído pelo meu próprio sangue e por ela.
Talvez eu devesse sair do país e deixar o caminho livre para eles, afinal. Agora ambos estariam rindo da minha cara, da minha inocência. Nunca pensei que o peso da traição seria tão doloroso, mas eles jamais veriam o meu sofrimento. Forks era um lugar morto pra mim.
Chegava a ser irônico meus pensamentos agora. Eu, Dr. Edward Cullen, renomado pediatra e cirurgião, enganado e traído pelo irmão gêmeo e por sua suposta namorada. Eu era um babaca. Implorei tantas vezes para ele voltar, pensando que isso nos faria felizes. Mas, na verdade, eu estava assumindo a minha porção de caridade mundial. Sofrer para a felicidade do resto.
Fechei a porta do carro, querendo seguir meu rumo com alguma distração. Eu tinha que esquecer. Eu precisava arrancá-los do buraco que ficou. A única coisa que eu queria agora era beber.
Entrei dirigindo por uma rua que eu não conhecia. Prédios velhos, mas com alguns carros muitos novos. Não sabia se estava na periferia da cidade, mas com certeza não era próximo da casa da minha irmã. Jamais havia estado por aqui.
Uma placa luminosa no fim da rua piscou para mim e eu soltei um suspiro. Bordel da Jane.
Que clichê, Edward.
Mas isso era o tipo de distração que eu precisava, nada no mundo era importante mesmo. Estacionei o carro de qualquer jeito e passei pelos seguranças. Todos eles de paletó e seriamente posicionados.
Olhei o lugar sem muito interesse, mas certamente a casa não era o que parecia. Assim que fui revistado e entrei, vi o que parecia ser uma recepção. Uma linda loira estava sentada atrás de um balcão sorrindo para mim.
"Boa noite, senhor. O que o trás ao Bordel da Jane?"
Eu não queria muita conversa e nem amigos, então pedi uma sala com uma dançarina. E, claro, uma dose tripla de whisky. Sem gelo.
Ela me acompanhou pelo longo corredor, uma iluminação furta cor dava uma sensação de estar em um local proibido. A música de fundo era sexy. Meu rosto totalmente composto não mostrou nenhum fio de sofrimento. Eu já fui fraco demais por hoje.
Ela abriu uma porta ao meu lado esquerdo e sorriu pra mim.
"Divirta-se." E me deixou sozinho. Dei passos ágeis para dentro, ouvindo a música um pouco mais alta. A sala era rodeada de sofás e tinha um pequeno palco com o chão iluminado no centro. Os sofás circulavam o pequeno palco e as paredes eram alcochoadas. Um ambiente feito para o pecado. E eu queria mais do que pecar. Eu queria foder o mundo hoje.
Eu estava tão louco que nem sequer percebi o pequeno corpo de costas para mim no canto da sala. Uma peruca rosa clara e um conjunto roxo que mal cobria seu corpo. Ela era linda.
A música continuou e ela se movimentava sensualmente no mesmo ritmo.
"Não se vire." Eu disse e me sentei em um dos lados do sofá. Minha bebida estava na cabeceira. Eu a peguei e dei um longo gole, sentindo o whisky queimar.
"Como quiser." Eu escutei.
A parte de cima de seu biquíni tinha uma franja leve que balançava ao redor de seu corpo. Eu senti meus dedos coçarem para tocá-la, mas eu não podia descumprir as regras. Sem toques na sala de dança.
"Qual seu nome?"
"Angel."
"Combina com você. Aproxime-se." Eu disse, ainda com meus olhos fixos no seu corpo. "Sem se virar." Eu tinha a sensação de que se eu visse outro rosto, eu não iria mais querer ficar aqui. Eu não podia arriscar acabar com a única distração que tinha. Novamente dei mais um longo gole, fazendo meus olhos arderem com o líquido.
Ela empinou sua bunda para mim e deu passos leves como de bailarina para trás, até que ela estava quase esfregando a bunda na minha cara. "Pare aí." Eu disse e ela parou. "Abaixe-se pra mim." Ela se apoiou no pequeno palco do centro e se expôs ainda mais. Sua postura era elegante e meu pau deu sinal de vida ao imaginar Bella nessa posição, dançando pra mim. Eu me esqueci de todas as merdas da vida e me concentrei no pequeno corpo em minha frente. "Você é gostosa demais."
"Obrigada".
"Dance mais. Me faça esquecer a porra do mundo".
"Como quiser." Ela trouxe suas mãos aos seus lados e começou a se acariciar, seus movimentos eram leves e sensuais e eu fiquei hipnotizado por sua beleza. Muito Bom.
Ela fez um pequeno movimento com a cabeça e seu rosto apareceu de perfil, e eu tive a leve impressão de que esse rosto era familiar. Eu devo estar muito louco e bêbado.
"Angel, se eu te pedisse pra tirar a roupa, você a tiraria para mim?"
"Desculpe, eu só danço."
"Mas eu pagaria bem." Eu tentei incentivá-la, afinal, precisava me distrair.
"Desculpe, senhor."
"Não me chame de senhor." Porra. Ela estava estragando tudo.
"Desculpe."
"Pare de se desculpar." Eu disse abruptamente em um tom que a fez saltar e novamente seu perfil apareceu. Eu a puxei de encontro ao meu corpo, quando seu braço se puxou.
"Não toque em mim." Ela disse quase gritando e se afastou, virando seu corpo em minha direção. Seu olhar encontrou o meu e refletiu a mesma surpresa.
Puta que pariu. Isso poderia ficar mais fodido?
NOTA DA IRENE: Oi meninas *se esquiva das pedras* não nos matem por favor para podermos terminar de escrever a fic. E vcs nos entenderão. Eu e a Titinha quase morremos escrevendo esse capítulo. Foi tenso e complicado. Não queríamos que vcs odiassem nenhum personagem, mas tem coisas que PRECISAM acontecer para ter um bom final. Queremos saber a opnião de vocês. O que acharam?
Bordel da Jane® - Todos os direitos reservados. Eu me refiro a nossa rainha do mafioso... a Jane Herman que escreve Entre a Nobreza e o Crime (link nos meus favoritos). Espero que goste da pequena homenagem. kkkk
Ahhh... queremos agradecer a todas que votaram no Twi Contest, vencemos como melhor fic Drama e melhor personagem alternativo (Rob). Obrigado a todasss, ficamos super felizes.
E como segunda, dia 30, foi meu aniversário, minha parceira Titinha e as nossas super leitoras e nossa beta fizeram um vídeo para a nossa fic. O link está no meu perfil como "trailer da fic"... assistam. Ficou perfeito... o Rob e o Ed conversando no vídeo... ficou perfeito. Obrigadoooooo meninas. Melhor presente de todos!
