Capítulo especial para a nossa super linda perva: Thaís.

Nós te amamos!


We've come too far to leave it all behind

How could we end it all this way?

When tomorrow comes and we'll both regret the things we said today

A love like ours is love that's hard to find

How could we let it slip away?

Chegamos longe para deixar tudo para trás Como podemos terminar tudo deste modo?

Quando amanhã chegar nos arrependeremos das coisas

Das coisas que dissemos hoje

Um amor como o nosso é difícil de se encontrar

Como podemos deixá-lo adormecer?

If You Leave Me Now - Chicago


CAPÍTULO 21 – DE VOLTA PARA A ESCURIDÃO

BELLA POV

"Lembra que eu disse que iria embora quando você quisesse? Eu estou atendendo seu pedido. Isabella".

Essa frase não saía da minha cabeça. Suas últimas palavras junto com o som da sua voz foram frias e sem perdão. Pareceram horas desde o momento em que Edward tinha saído pela porta sem olhar para trás. Meu corpo convulsionava de tanta dor que eu sentia. Ele não tinha dado a chance de me explicar.

As palavras martelavam na minha mente como pregos enferrujados. Causava um sofrimento tão profundo que minhas lágrimas desciam livremente pelo meu rosto. Deus, o que eu tinha feito da minha vida? Edward falou palavras cruéis, que cortaram meu coração. Parecia que eu estava sangrando por dentro, mas ele estava certo quanto a uma coisa: Eu tive tempo de sobra para contar toda a verdade. Mas, apesar de estar errada, nunca imaginei que poderia conhecer esse lado sombrio e vingativo dele. Não tive a chance nem de me explicar. O que será que aconteceu no segundo andar? O que Rob falou para ele?

Minhas pernas bambearam e me vi escorregando pela parede da sala. Eu mal me movi desde que ele tinha saído. Meu choro descontrolado estava mais contido, mas as lágrimas vinham com vida própria. Eu era incapaz de pará-las.

Como saindo de um transe hipnótico, escutei um barulho na escada. Rob estava descendo. Meu corpo não respondia a nenhum comando, mas meus olhos, mesmo vazios e doloridos, ainda tinham alguma força. Acompanhei o passo lento e arrastado dele. Comecei a tremer de dor e raiva. O que ele tinha feito, meu Deus? O que passava na cabeça do Rob em estragar a minha vida? Destruir de novo a minha felicidade?

Levantei meu corpo com muita dificuldade e, ainda trêmula, fui em sua direção. Rob estava de cabeça baixa, mas se retesou à minha aproximação. Sem pensar levantei a mão em sua direção e dei-lhe um sonoro tapa. Como se esperasse minha reação, Rob levantou o rosto e me olhou, sem qualquer vida nos seus olhos, mas não me importei. Eu estava tão ferida que precisava machucar.

A agressão foi tão forte que até minha mão estava dolorida, meu choro, que já estava contido, voltou com força total. "Por que, porra?" Eu precisava saber. Nada. Rob não falava nada.

"O que você fez, Robert? Não precisava destruir a minha vida uma vez não?"

"Bella... me perdoe".

"Seu idiota. É só isso que você tem pra me dizer?"

"Porra, Bella. O que você quer que eu diga?... Eu... sempre estrago tudo a minha volta..." O final das suas palavras saiu num sussurro. Eu não queria saber da sua dor. Eu precisava curar a minha.

"FALA, ROBERT!"

"Parece que vocês dois adoram o meu nome agora".

"O quê?"

"Ambos me chamaram pelo meu nome completo".

"O que você fez lá em cima, Robert? O que... Deus... você quer me destruir de novo?" EU não conseguia terminar de falar. Minha voz falhou miseravelmente. Meu Deus, eu tinha perdido Edward para sempre? Minha vida estava acabada. Rob tiraria a luz dos meus olhos pela segunda vez?

"Bella? Por favor..." Seus braços vieram me abraçar, mas eu desejava ardentemente seu sofrimento agora. Desvencilhei-me dele com o pouco de força que eu ainda tinha. Porra, isso não é possível. "Solte-me, seu mostro. Você não tem coração!"

"Porra, mulher. Deixa eu me explicar... eu não-".

"O QUÊ?"

"Isabella!"

"Você... não me chame... assim". Entrei em choque com isso. Comecei a chorar descontroladamente de novo. Ele me chamou assim. Meu nome, dito com tanto rancor, foi a última coisa que eu ouvi. Perdi o equilíbrio do meu corpo e minha vista escureceu. Meu último pensamento antes da completa inconsciência foi pedir para nunca mais voltar.

...

...

Acordei com um leve zumbido na minha cabeça. Todo o meu corpo doía, como se eu tivesse levado uma surra. Minha mente se recusava a me trazer de volta à realidade. Eu devia estar em um pesadelo. Suspirei sem abrir meus olhos ainda. Senti uma pessoa próxima a mim. Mas não senti a eletricidade familiar. Edward não estava aqui para me trazer de volta à vida.

"Sei que está acordada, Bella".

A voz de Rob me lembrou o por que de estar desacordada e, novamente, meu olhos encheram d'água, mesmo fechados. Nada fazia sentido.

"Me perdoe, Bella. Eu não tive culpa. Ele... Edward... de alguma forma, já sabia".

Lentamente abri meus olhos. A sensação de vazio era a mesma de dois anos atrás, em Paris. Mas agora era infinitamente pior. Sim, porque o homem que tinha causado tanto sofrimento ao meu coração, agora estava parado na minha frente, tão vazio quanto eu.

"Como assim?"

"Não sei, Bella. Eu juro".

"Conte-me tudo... por favor".

Rob piscou e lágrimas também desceram dos seus olhos. A dor estava gritando no seu rosto, mas eu precisava entender. Eu tinha que ter ido lá em cima também. Edward precisava ouvir a minha versão da história. Ele me tratou como uma prostituta barata e desprezível. Edward, naquele instante, foi ainda mais cruel que Rob.

Fixei o olhar em sua direção e percebi que estava deitada no sofá enquanto ele sentava na mesinha de centro da sala. A nossa proximidade era tanta que mais um pouco ele me beijava. Me retesei com esse pensamento, inclusive com a possibilidade de uma volta repentina de Edward. Eu não daria uma segunda chance para novas acusações.

"Ele não vai voltar, Bella".

"O que você quer dizer com isso?"

"Eu o magoei. Como sempre, eu estrago tudo a minha volta".

"O que houve lá em cima, por favor?"

"Eu não sei ainda... está tudo tão confuso na minha mente". Rob suspirou e fechou os olhos. "Ele estava tão nervoso, me fazendo perguntas". Fechei os olhos diante da cena que eu imaginava. "Ele começou a me perguntar que precisava saber... a princípio, fiquei confuso com sua pergunta..."

Mas do que ele estava falando? Balancei minimamente minha cabeça tentando entender. O que Edward queria dizer com isso?

"Eu também fiquei assim, Bella. Mas aí..." Rob respirou profundamente antes de continuar. "Ele perguntou o que eu fiz. E o que existia... entre nós".

MEU DEUS! Então ele sabia! Mas como? Minha mão voou para minha boca tentando dissipar o horror. Ele escutou a nossa conversa então? Ou seria... Alice?

"O- O que você... você disse?"

"Tudo, Bella. Eu não precisava esconder nada, não é verdade?"

"Mas, Rob... o que ele perguntou? Deus... ele sabia? Como?"

"Juro, Bella." Rob segurou minha mão, o que me fez sentar no sofá. Eu queria evitar qualquer contato. E se Edward voltasse? "Ele... perguntou o que houve... Tinha tanto rancor no seu olhar... fiquei com medo... não sei".

Rob começou a chorar desesperadamente. O que tinha acontecido com as nossas vidas? Como tudo poderia parecer tão perfeito a menos de 24 horas atrás e agora eu sentia como se estivesse no inferno? Deus eu não merecia mesmo ser feliz.

"Ele me odeia, Bella! Porra, ele me odeia! O que eu fiz..." Rob começou a tremer freneticamente. Seu corpo dava espasmos tão grandes que parecia entrar em colapso. Apesar de arrasada, meu lado profissional começou a gritar. E se algo acontecesse com o Rob aqui? Nós estávamos sozinhos.

"Minha... vida... nunca... valeu... nada... mesmo". Rob falava e soluçava. Seu corpo tremia sem parar. Novamente a sua dor remeteu a minha. Estávamos acabados por um segredo guardado no passado e que voltou para nos destruir. O pior de tudo era o acúmulo de coisas ruins que assaltava meu peito. Eu sofria a dor do abandono pela segunda vez. E, novamente, a culpa era dele. Robert!

"Calma... controle-se... por favor". Mesmo remoendo minhas lembranças, eu não queria que ele passasse mal. "Rob... acalme-se..."

"Pra quê, Bella? Me diz? Eu magoei meu irmão! Eu te destrui duas vezes! Eu não sirvo pra nada, porra! Pra que eu tenho que me controlar? Pra que eu tenho que viver?"

Rob me dirigiu o olhar e me assustei. Antes, estava vazio, sem vida, mas desta vez era pior. Como enfermeira, eu já tinha visto esse semblante em outras pessoas que achavam que não tinham opção. Ele tinha desistido de viver!

"NÃO! Pare com isso, agora!" Por Deus, o que fazer? Rob queria se matar? Onde estavam as pessoas dessa família? Meu coração estava tão descontrolado que parecia que sairia pela boca. Eu não pensei direito e pulei no seu colo, desesperada. Rob se assustou com meu movimento, perdendo o equilíbrio e nos derrubando no chão.

"Pare com isso. Isso é ridículo, Rob!"

"Não, Bella... eu não tenho mais por que... viver".

"Pare... meu Deus... Rob... por favor... por Edward. Por mim!"

Eu já estava gritando. Meus olhos nublaram pelas lágrimas enquanto eu sacudia seus ombros. Rob soluçava tanto que estava sem ar. Meu Deus, onde estavam as pessoas?

"Rob... olhe pra mim! Olhe, droga!"

Mesmo chorando ele me olhou. A sua energia estava tão esgotada quanto a minha. Apesar de todo o sofrimento que ele me fez passar, e agora, por duas vezes, eu jamais o deixaria desse jeito. Primeiro por Edward, que eu sabia o quanto seu gêmeo era importante. E segundo por mim, afinal, Rob fazia parte da minha história.

"Rob... você é maravilhoso. Não importa o que houve hoje. Agora. Tudo vai se ajeitar e-"

"Não... Bella... eu n-"

"Espera. Vai sim, Rob. Olhe pra mim. Eu superei. Eu sofri tanto por você... e superei." Engoli o choro pelas lembranças. "Só eu sei o que passei, Rob. Minha vida tinha ficado cinza, vazia... eu achei que não existia mais esperança... mas quando vim pra cá... encontrei seu irmão... e então..."

"Mas eu acabei com sua vida de novo, Bella... eu não..."

"Nada disso, Rob. Pare. Eu superei e vou superar de novo. Não desista, por favor. Por mim... você é importante pra mim... para Edward".

Falar o nome dele ainda doía em meu peito. "Por favor, Rob. Sua família te ama. Edward te ama. Não desista... por favor".

Seus olhos piscaram e lentamente voltaram à vida. Um pequeno sorriso se formou em seus lábios.

"Porra, Bella. Você é especial mesmo, sabia?"

"O quê?"

"Eu fodi com sua vida. Duas vezes! E você ainda se preocupa comigo? Meu Deus eu sou um babaca."

"Nada disso. Você também é especial".

"Bella. Obrigado. Edward tinha razão quando falava que você era única. Perdoe-me por tudo. Eu estraguei sua felicidade".

"Rob, eu também tive culpa. Não fiquei assim".

"Oh, linda. Obrigado. Só você mesmo pra me ajudar, Bella".

Rob me abraçou. Pela primeira vez hoje eu senti que fazia algo de bom para alguém. Eu já não me importava por tanto contato físico com ele. A felicidade arrancada do meu peito não tinha acabado com a chama da esperança de fazer alguém feliz, mesmo que não fosse eu.

Eu recostei minha cabeça no colo dele. Nós estávamos acabados e cansados, mas a pequena vitória fluía no meu corpo, arrancando um mínimo sorriso. Mesmo sem saber a profundidade dos problemas que Rob tinha, eu ficava feliz por ajudá-lo um pouco.

"Acho melhor levantarmos, Bella. Imagina o que a minha família vai pensar se nos encontrar assim? Caídos um por cima do outro no chão?"

Olhei nossa posição e comecei a rir. Foi um sorriso tímido, pois meu rosto ainda doía de tanto chorar. Eu me preparava para levantar e escutei a porta se abrir. Antes que pudesse esconder qualquer interpretação errada da nossa posição, vi dois pares de olhos que jamais pensaria encontrar nesse momento. Minha melhor amiga e minha cunhada, totalmente paralisadas diante da cena.

"Oh Deus... eu não acredito. Rob e... Bella?"

Assustada, me levantei rapidamente. Não, isso tinha que piorar mesmo? Alice e Rosalie tinham entrado tão de repente que não houve tempo de nos levantarmos. E, como estávamos, ambas tinham o direito de pensar o que quisessem. Porra, eu não acreditava que eu me enfiava cada vez mais em problemas.

"Alice... calma. Não é nada d-"

"Cala a boca, Robert. Não diga que não é nada que eu estou pensando. Eu estou vendo! E você... sua... sua...".

"ALICE!"

Eu não conseguia falar nada. Meu corpo tremia descontrolado.

"O QUE FOI, ROB? VAI DEFENDER ESSAZINHA?"

"Fique calma, Alice. Com certeza isso tem uma explicação, não é mesmo Bella?"

Por Deus, o olhar frio de Rose me assustou. Eu estava vivendo dentro de um pesadelo, era a única explicação. Onde estava a minha amiga amorosa e solidária? O que tinha acontecido afinal?

"Não está acontecendo nada, porra. Eu passei mal aqui em casa e-"

"SEI... E ISSO JUSTIFICA A MULHER DO SEU IRMÃO EM CIMA DE VOCÊ?"

"Você não sabe de nada, Alice".

"ENTÃO EXPLICA".

"Eu estou com problemas, porra. A Bella estava me ajudando".

"E onde meu irmão está, Isabella?"

Olhei para as duas. Eu não conseguia falar nada. Minhas lágrimas voltaram com força total, me impedindo de falar o que eu sentia. Abracei meu corpo, inconscientemente querendo me proteger. Desde quando eu tinha acabado tanto assim com minha vida?

"Bells, o que houve... você está muito estranha."

"Rose... eu não sei... Alice me perdoe... eu...". Eu não tinha coerência no meu raciocínio.

"O que você fez? Onde está meu irmão?"

"Ele foi embora, Alice." Mal Rob tinha acabado de falar, Alice deu um grito. Eu fechei os olhos esperando o pior.

"O QUE VOCÊS FIZERAM A EDWARD? DEUS... eu sabia." Sua voz foi diminuindo à medida que ela se aproximava. Seus olhos tinham muita dor, semelhante aos de Rob. Será que ela também tinha algum sofrimento escondido? Quantas dores essa família tinha no passado, afinal? Eu ficava analisando todos, mas não sabia o que aconteceria na minha vida agora. Sem esperar, Alice avançou em mim e me deu um tapa. Forte e certeiro.

"Eu sabia. Você estava escondendo isso." Ela apontou entre eu e Rob. "Você nunca pertencerá a essa família!"

"Calma, Alice. Rosalie, tire a Bella daqui." Eu via tudo em câmera lenta. Assim que recebi o tapa, Rob agarrou Alice, impedindo-a de se aproximar e me agredir novamente. Eu merecia seu rancor, mas não precisava ser físico. O estado de estupor cobria meu corpo, impedindo qualquer reação minha.

"Vamos, Bella, vou levá-la pra casa. Vem".

Rose me abraçou e me arrastou para a porta. Alice gritava com seu irmão e comigo, mas as palavras saíam soltas. Eu nunca imaginei que viveria uma situação dessas. Antes de sair pela porta, olhei sobre os ombros e vi Rob agarrado à sua irmã. Como se sentisse meu olhar, ela se virou para mim e com ódio no olhar falou novamente comigo.

"Você nunca estará à altura dessa família, Isabella. Você não merece meu irmão. Você é um-"

Rob a impediu de continuar, tapando sua boca com a mão enquanto falava pra ela se acalmar. Eu tremi novamente diante das possibilidades de palavras que ela tinha pensado. Todas me tratando como uma prostituta. Igual seu irmão. Igual a Edward.

Rose foi me levando silenciosa para minha casa. Eu não via mais aquele imóvel como lar. O carro de Rob estava estacionado na minha porta, retornando todos os últimos acontecimentos na minha memória. Deus, o que estava acontecendo? O que eu fiz para merecer tanto castigo?

Assim que entramos em casa, o perfume de Edward penetrou nas minhas narinas. Eu nunca mais sentiria esse cheiro novamente. Eu sabia que tanta perfeição não era destinada a mim. Suspirei pesadamente, salvando para minha lembrança a última vez que sentiria o seu maravilhoso perfume. Pelo menos, eu teria minha memória para me fazer companhia.

"Bella. Pelo amor de Deus, o que está acontecendo?"

Percebi que já estava sentada no sofá com Rosalie na minha frente. Meus olhos fecharam instantaneamente diante do inevitável. Eu tinha que contar tudo para a minha melhor amiga. Será que Rose entenderia meu sofrimento? Eu já tinha perdido Edward afinal, nada poderia ser pior do que já tinha acontecido.

"Rose... eu... Meu Deus... não sei por onde começar!"

Meu choro vinha automático. As lembranças estavam tão fortes agora. Tudo vinha em ondas poderosas no meu cérebro. Toda a dor e toda a mágoa pelas coisas que passei nos últimos dois anos, incluindo minha falsa felicidade, meu segredo e a cruel descoberta de Edward, estavam saltando aos meus olhos. Eu precisava me libertar.

"Fale devagar, Bella. O que houve? Por que você estava deitada no colo do Rob? O que a Alice quis dizer com algo entre vocês dois? Explique-me, Bella."

Assenti levemente tentando coordenar meus pensamentos. Ela tinha razão. Eu devia isso a ela. Toda a verdade que escondi por anos de todos precisava ser colocada para fora.

"Rose... tudo começou há mais de dois anos. Em Paris."

"Como assim, Bella?"

"Espere... deixe-me terminar. Eu só vou conseguir falar se você não me interromper. É doloroso demais, Rose".

"Tudo bem. Sou toda ouvidos".

Novamente me libertei do meu passado. Contei para Rose toda a minha história com Rob. Não omiti nenhum detalhe. Falei sobre o pub, abri a verdade sobre fazer algo diferente e arrastar um homem estranho para o meu quarto de hotel e perder a virgindade com ele. Contei sobre meus sonhos inocentes e idiotas sobre amor perfeito e tudo o que senti depois, no dia seguinte. Essas foram as piores lembranças. Reviver tudo era extremante difícil.

Expliquei muito comovida, os meus motivos por não ter vindo ao seu casamento e meu total afastamento. Não conseguia ver ninguém. Eu estava tão machucada pela atitude do Rob por ter me abandonado que não conseguia me recuperar do trauma. Mas, como sempre foi em toda a minha vida, Rose me convenceu a voltar para os Estados Unidos. Minha relutância em abandonar o velho mundo não tinha explicação na verdade. Hoje eu entendia isso.

Voltei ao meu passado recente. Minha vida com Edward. As lembranças ardiam em meu peito, mas eu precisava desabafar. Agora que eu tinha começado, nada me parava. Contei para ela o meu pavor ao encontrá-lo, achando que eram meus pesadelos voltando para me assombrar. Detalhei sua insistência em me seduzir, até me conquistar. Não consegui descrever detalhes do sexo incrível, mas dei uma boa descrição do que Edward me fazia sentir. Até que cheguei no dia do cinema a três.

"Rose... não me condene. Não faça pré-julgamentos, por favor?"

"Eu estou ouvindo, Bella".

"Estávamos os três assistindo Segundas Intenções e, de repente... eu... nós...".

"Como assim? Os três?"

"Oh Deus, Rose. Não... quer dizer... eu não sei explicar... Edward começou, mas eu... aceitei... e gostei... não sei".

"Continue".

"Foi intenso. Eu não sei explicar com detalhes, mas foi a coisa mais erótica que já aconteceu na minha vida".

"E depois?"

"O quê?"

"Você permitiu, Bella? As coisas continuaram?"

"Sim... eu... sim... no dia seguinte, eu fui o café da manhã deles. E em La Push..."

"Por Deus... Alice estava certa então?"

"Sobre o quê?"

"Sobre vocês... sobre você, Edward... e... Robert?"

"Sim e não... Deus... eu não sei como explicar, Rose".

"Então explique, Bella! Eu não consigo entender. O que houve com a minha amiga?"

Assustada era, no mínino, a palavra para me descrever neste instante. O tom de voz de Rose denunciava que ela estava com muita raiva. Mas eu não estava contando tudo? Abrindo meu coração para ela, contando todos os meus segredos e os meus fantasmas?

"Rose... eu não entendo".

"O que, Bella? Eu que não estou entendendo nada. Onde está a Isabella que conheci na faculdade?"

"Aqui... eu..."

"Não, Bella. Essa não é você. O que você andou fazendo? E o pior de tudo. Não me contou nada, nem pediu minha opinião! Você está em uma cidade minúscula e transa com os irmãos mais cretinos que conheço? E acha que eu não posso fazer pré-julgamentos? Já pensou se toda a cidade... não... se UMA pessoa da cidade descobre essa putaria de vocês?"

"Rose... espera..."

"NÃO, ISABELLA. Eu não conheço você. Essa não é minha amiga. Você me exclui dos seus problemas, pois eu tenho minhas mágoas. Não me acompanhou no dia mais importante da minha vida, mesmo sabendo que eu não tinha família. Você se trancou no seu mundinho particular, apesar de eu sempre estar lá por você. E agora, depois de tudo, inclusive se divertir com os dois homens mais disputados da área, quer que eu entenda?"

"Por Deus Rose... espere... me deixe..."

"Não, Isabella. Eu NÃO DEIXO. Você se tornou uma pessoa completamente diferente. Eu vim aqui com Alice, pois estava com medo das coisas que ela andava comentando. O tempo todo eu te defendi, pois eu conhecia uma linda menina tímida que eu amava como família, mas não, eu chego aqui e vejo você nos braços de um enquanto namora outro... eu não acreditei..."

"Rosalie, por favor...".

"Não... eu não quero ouvir mais nada. Tudo o que eu você falou não justifica suas atitudes e, por favor, não peça compreensão, ou ajuda, pois se você as quisesse, já teria me procurado há muito tempo. Antes dessa coisa doentia entre vocês. Meu Deus, o que Emmett vai pensar..."

"Não, Rose, eu não posso..."

"E você acha que Alice não vai contar nada? E Esme? Carlisle? Você não pensou no resto da família, Isabella?"

"Alice não sabe de nada!"

"MAS ELA VIU O QUE HOUVE HOJE!"

"Rose, não conte nada... eu não posso..."

"Você não está em condições de me pedir nada! Mas, eu não vou falar nada, não por você... mas porque tenho vergonha de falar... e por respeito a essa família que me ama e me considera uma pessoa importante..."

"Rosalie!"

"Adeus, Isabella. Eu não tenho mais nada para fazer aqui!"

"Rosalie, NÃO! POR FAVOR!"

Assim que ela saiu pela porta, sem olhar para trás, meu corpo tombou no chão. Eu me agarrei ao meu tronco, abraçando a mim mesma. Meus olhos ardiam de tanta dor. As coisas poderiam mesmo ser piores do que antes. DEUS, o que está acontecendo na minha vida? Rosalie entendeu tudo errado! Eu jamais a abandonei. Eu estava dolorida e traumatizada por meu passado. Eu a amava como minha família.

"EU PERDI TUDO. MEU DEUS!"

Comecei a gritar descontrolada e socar o chão. Não sabia o que fazer. E agora? O que vai acontecer? Não tem mais nada para tirarem de mim? Já não sofri o suficiente por uma vida? Existia algo mais para ser arrancado do meu peito?

Tudo doía. Minha cabeça parecia que iria explodir. Eu preciso de ajuda. As lágrimas já não vinham mais, devido a tanto sofrimento.

Meu telefone começou a tocar. A princípio, eu não pensei em atender, afinal, eu não precisava de mais estímulos para me empurrar para o precipício. Mas depois eu considerei a idéia de ser Edward. Sim. Ele era o único que poderia me resgatar nesse momento.

'Edward'

Corri até o telefone, louca de desespero. Ele me perdoou. Edward me quer de volta.

Atendi ao telefone, sem olhar o identificador de chamadas. Mas, para meu espanto e completa surpresa, foi outra voz que ouvi do outro lado da linha.

O que seria afinal?


Nota da Irene: Quero declarar que isso tudo foi escrito pela Titinha. Eu não tenho tanta força no drama. kkkkkkkkkkkkk

Espero que vcs estejam vivas... pq eu juro q o 22 e o 23 valem muito a pena.

Bem... eu sou conhecida internacionalmente como spoiler girl e não poderia ser diferente por aqui tbm. Então... spoiler do capítulo 22 que será postado na quarta que vem:

"Eu não quero falar sobre isso." Ela disse secamente.

"E eu não vou sair daqui antes de você falar. Entendeu?"

"Eu vou chamar os seguranças."

"Não brinca comigo."

"O que você quer que eu diga?"

"Eu quero uma explicação."

"Me perdoe Edward, mas eu não posso."

"Não pode o que?"

"Eu não consigo falar sobre isso. Eu estou há anos tentando esquecer, e quando eu estou quase me recuperando... você aparece."

"O que aconteceu? Só me diga isso." Comecei a ter um sentimento estranho. No meio de tanto ódio, uma pena e um pesar pelo que teria acontecido com ela me doeram. Além de uma curiosidade mórbida por algo do passado da minha família.

Ela se apoiou no palco atrás dela e se sentou, as franjas caindo ao seu redor. Ela era tão linda, não fazia sentido nenhum ela estar aqui agora.

"Muita coisa aconteceu. O tempo passou e nós... quer dizer... eu precisava sobreviver." Uma lágrima se formou e escorreu por seu rosto. Meu corpo automaticamente se moveu, minha mão foi ao seu rosto para enxugá-la. Ela se esquivou. "Desculpe, tem câmeras nessa sala e você não pode me tocar. Aqui não é o melhor lugar para isso acontecer." Ela falou baixinho.

Bjus e se vc tiver coração *drama* deixa uma review!