Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (Hold on, hold on)
If you feel like letting go (Hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on
Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (agüente firme, agüente firme)
Se você tiver vontade de desistir (agüente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...
Every Body Hurts - R.E.M.
CAPÍTULO 22 – TODO MUNDO MACHUCA
EDWARD POV
Meu cérebro tinha parado de funcionar. Eu não conseguia pensar com coerência neste momento. Nada fazia sentido. O que ela estava fazendo aqui? Por quê?
"Edward?"
"Kristen? Mas que porra..."
"O que você está fazendo aqui?"
"O que você está fazendo aqui?" Eu disse em um tom acusatório.
"Olha quem fala." Ela disse rolando os olhos. "Eu nunca imaginaria que o Senhor Perfeito e Gostosão estaria em um lugar como esse, pagando para uma mulher dançar pra ele. O que houve Edward?" Ela sorriu maliciosamente.
"Por que você só responde com outras perguntas? Você ouviu o que eu te perguntei?" Eu falei. "O. Que. Você. Está. Fazendo. Aqui. Porra?"
"Você não tem nada a ver com a minha vida."
"Ah, Kristen, não se engane, eu não vou sair daqui sem uma explicação."
Ela bufou e cruzou os braços em cima do peito. "O que você quer saber, afinal? Por que a minha ficou tão fodida que eu tive que virar dançarina, ou por que eu não te deixei me tocar? Eu não sou uma prostituta! Eu só danço. Não tem nada demais nisso."
"Nada faz sentido. Por que você fugiu? Desapareceu? Seu pai sabe o que você está fazendo da sua vida?"
"Meu pai não precisa saber." Ela me disse ameaçadoramente. "Eu não falo com ele desde... desde que eu saí de Forks."
Eu me sentei no sofá, meu coração ainda acelerado do susto e da súbita raiva que eu sentia por ela. Eu a odiei por tanto tempo que era até difícil ouvir sua voz. Quando você pensa que tudo está muito fodido, ainda pode piorar.
"Por que você fez aquilo?" Eu perguntei, tentando me acalmar, meu coração apertado. "Por que você o largou daquela maneira?"
"Eu não quero falar sobre isso." Ela disse secamente.
"E eu não vou sair daqui até você falar. Entendeu?"
"Eu vou chamar os seguranças."
"Não brinca comigo."
"O que você quer que eu diga?"
"Eu quero uma explicação."
"Perdoe-me Edward, mas eu não posso."
"Não pode o que?"
"Eu não consigo falar sobre isso. Eu estou há anos tentando esquecer e, quando eu estou quase me recuperando... você aparece."
"O que aconteceu? Só me diga isso." Comecei a ter um sentimento estranho. No meio de tanto ódio, uma pena e um pesar pelo que teria acontecido com ela me doeram. Além de uma curiosidade mórbida por algo do passado da minha família.
Ela se apoiou no palco atrás dela e se sentou, as franjas caindo ao seu redor. Ela era tão linda, não fazia sentido nenhum ela estar aqui agora.
"Muita coisa aconteceu. O tempo passou e nós... quer dizer... eu precisava sobreviver." Uma lágrima se formou e escorreu por seu rosto. Meu corpo automaticamente se moveu, minha mão foi ao seu rosto para enxugá-la. Ela se esquivou. "Desculpe, tem câmeras nessa sala e você não pode me tocar. Aqui não é o melhor lugar para isso acontecer." Ela falou baixinho.
"Tudo bem, mas isso não está fazendo nenhum sentido. Não estou aqui pra te julgar. Eu só quero entender." Eu não conseguia parar de pensar e tentar encaixar as peças. Mas nada acontecia. "Por que você o deixou? Por que você veio para Seattle sem avisar ninguém? Foi... pra isso?" Eu perguntei apontando para onde estávamos.
"Era muita coisa para administrar, Edward. Eu conhecia seu irmão. Se eu não o deixasse... ele me deixaria. E isso seria a minha morte. Eu não conseguiria viver com a rejeição dele." Ela parou, mas antes que eu pudesse falar alguma coisa ela disse. "Foi o melhor para ele-"
"COMO FOI O MELHOR? ISSO QUASE O MATOU!" Eu gritei, minhas mãos tremiam tentando controlar meu ódio. "Você sabe como ele ficou?" Eu disse acusadoramente enquanto via as lágrimas rolarem livremente por seu rosto, ela não conseguia olhar para mim.
"Ele não se recuperou disso assim. Ele desapareceu. Você o destruiu! E com as piores acusações que você pode usar. Ele me disse tudo, mas o pior foi o que ele assumiu como culpa dele, já que no final Rob simplesmente me disse que você o deixou."
Ela não falava nada, o que me fazia ficar mais nervoso, pois ela aceitava a acusação. Ela sabia o que tinha feito? Ela sabia que tinha roubado a alma de um homem e separado uma família? Ela acabou com quatro anos de sua vida. Ela quase fez meu irmão se acabar. "Você pelo menos pode me dar respostas que façam algum sentido?"
Eu só pensava em Rob, por mais que ele tivesse fodido com a minha vida, ele ainda era a pessoa que eu amava e sentia falta. Ele ainda era meu irmão. Até hoje todos pensavam que somente a separação dela tinha acabado com o espírito livre do meu irmão. Isso me fez remoer e sofrer, pois ele sempre me dizia tudo, mas tinha me impedido de contar para alguém. Eu sempre lutava por ele sabendo que sua vida tinha que seguir.
Depois de alguns momentos calada e soluçando ela levantou seu rosto até encontrar o meu. A dor que eu vi ali me ultrapassou e quase me fez encolher. E agora era visível. O mesmo olhar que vi em Rob naquele dia se refletiu nela. Isso também tinha acabado com ela. Mas por quê?
"Rob e eu sempre falamos sobre tudo... você sabe?" Ela começou a falar calmamente. A música ambiente e a minha respiração eram as únicas coisas que eu conseguia escutar. "E sempre que falávamos do futuro-" ela soluçou. "Rob era um espírito livre... ele sempre foi. A liberdade e a família eram tudo pra ele." Eu queria falar 'Você também era tudo pra ele', mas eu não consegui. "Quando ele estava na faculdade, fazendo a especialização, ele chegou um dia quase louco e disse que nunca, nunca teria um filho. Que ele odiava crianças. Que elas faziam o dia dele um martírio e ele nunca entenderia o por que de você ter escolhido ser pediatra." Ela me olhou novamente, como se esperasse que eu entendesse. "Um dia eu percebi que algo mudou em mim. Meus seios incharam, meu período atrasou..."
Oh não... não podia ser...
"Eu entrei em pânico. Ele não suportaria isso, eu sabia que Rob terminaria comigo! Meu pai me mataria. Eu seria humilhada na frente de todas as pessoas que eu conhecia e ainda seria deixada para criar meu filho, sozinha e diante dos olhos de todas aquelas pessoas..." Eu estava paralisado. "Foi uma decisão rápida e lógica. Aquela cidade é cruel, Edward. Você sabe disso. Eu seria mãe solteira de um homem sem amarras. Lembrei que tinha uma poupança para a faculdade. Eu consegui viver com ela por um tempo. Mas um filho não é assim tão barato... não é fácil viver sozinha. Eu... eu tive que..." Eu soltei um longo suspiro, ainda absorvendo as informações. "Eu tive que fazer alguma coisa, mas não conseguia emprego. Afinal, eu só tenho o ensino médio. Não ajudava muito. E então, em uma noite eu tive que tomar essa decisão. Não foi tão difícil quanto deixar Rob, mas foi muito doloroso. Então desde aquela noite, eu tenho duas caras..." Ela deu uma risada falsa. "Eu sou duas pessoas diferentes. Mas tudo vai melhorar." Ela me olhou com olhos suplicantes "Por favor, não conte a ele! Ele não pode saber! Ele não me perdoaria! Eu faço qualquer coisa que você quiser, mas não conte".
Mas Kristen não falou sobre as coisas que disse no dia que ela se separou dele. Eu sabia exatamente as palavras duras e sem perdão que ela usou. Por que ela fez aquilo? Minha mente estava uma confusão do caralho. Mas eu só pensava em uma coisa. Eu era tio. Eu tinha um sobrinho. E onde esse bebê estava agora?
"Mas o que não faz sentido é vê-lo aqui, Edward. O que aconteceu? Você nunca me pareceu uma pessoa que gostasse desse mundo." Ela me tirou de meu estupor com uma cutucada em minha ferida. O que eu diria pra ela? Que o homem ao qual ela abandonou tirou o amor da minha vida? Mas eu não podia acrescentar dor a ela. Eu estava tomado por um pesar que me fazia quase abraçá-la e escondê-la comigo. Eu fiquei imaginando como ela tinha conseguido passar todos esses anos, sozinha, com um bebe. Eu sabia muito bem do que uma criança precisava e sabia que até lares estruturados passavam por dificuldades para lidar com isso.
"Eu estava de cabeça quente. Eu imaginei que poderia ser uma boa idéia..." Isso foi uma mentira limpa. Quase uma verdade. "Eu quero ver a criança." Fui simples e direto, cruzando os braços no meu peito, sem dar chances para discussão expressando exatamente o que eu queria.
"Você disse que faria o que eu quisesse. E eu quero ver meu sobrinho. É menino ou menina? Eu quero saber tudo."
Um olhar de pânico cruzou sua feição. Ela ficou tão pálida que eu pensei que ela fosse desmaiar. Ela não queria me mostrar? Ela não queria que eu o conhecesse?
"Edward, ele é minha vida. Por favor, não o tire de mim." Eu mais uma vez entendi seu sofrimento. Ela não tinha medo de mostrá-lo a mim, e sim que eu o tirasse dela. Kristen era uma mãe agora. Uma mãe de verdade.
Eu a conhecia desde que ela usava fraldas. Ela era a filha do chefe de polícia de Forks, então todos sabiam quem ela era. Logo que fomos crescendo, ela se aproximou muito de Alice, as duas eram inseparáveis. Ela dormia em nossa casa praticamente toda semana. Quando ela foi crescendo, eu e Rob sempre a olhávamos, mas eu nunca cheguei a vocalizar, ela estava ficando linda. E sempre foi uma menina adorável, mas sempre calma e quieta, ao contrário de Alice. Quando Kristen fez 18 anos, Rob, no mesmo dia, chegou comigo e disse que a pediria em namoro. Não fez nenhum sentido pra mim, ele nunca tinha falado sobre os sentimentos dele por ela. Ele me disse que sempre foi apaixonado por ela, mas que ela disse que seu pai só a permitiria namorar quando ela fizesse 18 anos, então ele esperou. E quando o dia chegou, ele estava na porta do chefe Stewart pedindo a permissão para namorá-la. Charlie quase morreu. Ele guardava Kristen como um tesouro. Desde que a mãe dela os tinha abandonado quando ela tinha somente oito anos ele assumiu o papel de pai e mãe.
Mas Rob fez tudo como pedia o figurino, e ele não teve escolha senão aceitar. Não de bom grado, pois ele conhecia as histórias sobre nós dois, sobre como gostávamos de 'brincar' com as meninas da cidade. Nesse tempo nós já estávamos no meio do nosso curso na faculdade. E Rob centrou-se totalmente nos estudos e o tempo que restava, ele estava com ela.
Eu quase não o via no começo fora das aulas. Ele sempre estava com ela. A adoração que ele tinha por Kristen era quase palpável. Era como um homem que é cego e volta a enxergar. Ele ficava olhando para ela o tempo todo. Apaixonado.
Eu sentia uma pontada de inveja do sentimento que ele tinha por ela, depois de alguns anos eu cheguei a pensar que eu nunca sentiria aquilo por ninguém. Eu admirava a força que ele teve de assumir aquilo. E mesmo com o cansaço que a faculdade nos trazia, ele sempre se esforçava para agradá-la. Nós estudávamos fora da cidade e ele vinha quase todo dia só para vê-la e depois voltar para nosso apartamento. Ele chegava tão esgotado que nem conseguia dizer uma palavra. Só se jogava na cama e dormia.
No meio do curso ele decidiu que queria ser oncologista. Ele começou a fazer pesquisas e se aprofundar no assunto. Eu sabia o que eu queria fazer, mas não queria me precipitar até acabar minha residência. Ele não, ele estudava sem parar e tinha horas que eu mesmo ficava puto e a gente acabava discutindo por eu querer ter momentos de diversão com Rob e ele nunca poder. Quando não estava estudando, ele estava com ela.
Mas a mãe de Kristen reapareceu. Ela chegou à cidade e todo mundo se assustou com a notícia. Kristen ainda tinha muita mágoa da mãe, mas Charlie, apesar de todo o rancor também, não conseguia esconder que ainda a amava.
Ela ficou um tempo na casa de uma amiga, em Forks, e tentou se reaproximar da filha. Em uma cidade pequena, todos acompanhavam a história da filha abandonada que reencontra a mãe. Parecia uma novela, com a minha família participando junto. Alice e Rob estavam sempre presentes durante as longas brigas das duas. Um tempo depois veio a bomba. E toda a cidade viveu o drama em conjunto. Sua mãe estava com câncer. E era um câncer raro. Ela tinha voltado porque sabia que morreria e queria se redimir com a família.
Foi uma situação fodida de se ver. Meu irmão quase trancou a faculdade para ajudar a namorada, que estava inconsolável. Por mais que ela estivesse magoada pela mãe tê-la abandonado, ela ainda queria poder ter a oportunidade de conhecê-la. Aos poucos elas estavam se aproximando.
Rob até colocou na cabeça que poderia ajudá-la e chegou a levá-la várias vezes para fazer exames e ser acompanhada junto com seus professores. Ele, na verdade, ficou fascinado pela doença dela. Passava o dia pesquisando e criando teorias de como aquilo tinha se formado e como ele poderia ser tratado.
Eu não entendia muito da área, mas mesmo assim eu sabia que ela era um caso perdido. Todos os professores e médicos aos quais ele a levou, disseram isso. Mas Kristen o incentivava, e ele continuou tentando, ajudando-a, até que um dia ela morreu.
Foi terrível. Ele ficou tão deprimido que eu via a hora dele desabar e não se levantar, mas Kristen se transformou em uma pessoa fria e sem emoções. Da noite para o dia. Nós olhávamos para ela e não conseguíamos mais ver sua alma.
Apesar de toda a mudança que vimos, Rob acreditava que poderia ajudá-la, confiando que seu amor por ela superaria tudo. Então, um dia, eu estava no meu plantão e Rob me ligou.
Flash Back on
"Cópia, hoje é o dia."
"O dia de que? Do que você está falando?" Eu perguntei ainda um pouco zonzo de ter passado a noite no plantão.
"Eu já planejei tudo e queria que você fosse o primeiro a saber. Eu vou pedir a Kristen em casamento." Eu saltei de surpresa.
"Sério? Mas você já vinha pensando nisso? Você tem certeza?"
"Edward, claro que eu tenho certeza. Eu a amo há muito tempo. Eu não consigo mais me ver sem ela. Você entende?" Como eu entenderia? Eu não passei mais de um mês com uma mulher desde... desde nunca.
"Hum... ok. Desculpa. Eu não estava preparado para essa notícia. Mas já que você tem certeza, eu estou feliz por você. Minha cópia está virando um homem de verdade. Que momento lindo." Eu zombei, mas também me sentia assim. Meu irmão tinha realmente encontrado o amor de sua vida e teve a coragem de tomar o próximo passo. Eu sempre imaginei que deveria ser uma decisão difícil, principalmente para o homem.
"Obrigado, maninho. Eu estou saindo de Seattle agora. Eu acabei de comprar o anel. Pena que não vou conseguir mostrá-lo a você antes de ele estar no dedo dela." E ele deu uma risada, que me fez sorrir também.
"Muito confiante, hein?"
"Claro, por que eu não estaria?"
Flash Back off
Voltei à realidade quando Kristen se mexeu impaciente diante de mim. Eu então respondi.
"Eu nunca, jamais, tiraria um filho de uma mãe. Parece até que você não me conhece mais." Falei magoado. "Eu quero conhecê-lo. Ele também é minha família."
"Dê-me 15 minutos. Espere-me na entrada do bordel. Eu preciso me trocar e avisar que estou saindo." Ela disse se levantando e se virando. Eu não conseguia acreditar. Tanta coisa mudou de um dia pro outro.
Eu descobri que Bella e Rob já tinham ficado. Eu fugi dos meus problemas, algo que era marca oficial de Rob e não minha. Eu estava em uma boate de Strip Tease. Ah! Eu estava infectado por Rob. Eu precisava sair daqui. Eu precisava de algo normal de novo.
Eu saí da sala, passei pelo corredor e pela recepção, em seguida me encostei na parede em frente ao clube. Logo Kristen apareceu, sem peruca, uma calça e uma camiseta. Ela não tinha mudado muito. Eu sempre achei-a bonita, mas ela era namorada do Rob. Jamais a olharia com outros olhos. Eu respeitava meu irmão, mas a recíproca não era verdadeira...
"É perto, vamos andando." Ela disse.
"Não, estou de carro." Apertei o alarme, mostrando o carro parado logo em frente, abri a porta para ela.
Era tão estranho. Para alguém de fora pareceria uma novela. Uma troca. Rob pegou minha Bella e eu encontrei Kristen. Mas não foi intencional e eu não era tão baixo a ponto de criar uma vingança tão ridícula. Só queria ajudá-la. Meu sobrinho era mais importante nesse momento, e eu queria conhecê-lo.
Eu cruzei para o outro lado do Volvo e entrei. "Diga para onde vamos... como é o nome dele?" De repente eu estava mais curioso e muito ansioso para encontrá-lo.
"Masen" Ela disse com um sorriso. Masen?
Masen era o nome de nosso avô. Ele era o pai de Carlisle. Será que era uma coincidência? Robert sempre foi fascinado por nosso avô e sempre disse que queria ser como ele quando crescesse. Mas seus planos mudaram muito.
Ela me quebrou de meus pensamentos com uma voz suave. "Masen era o nome que o Rob disse que preferia se chamar. Você sabe... ele odeia o nome Robert. Ninguém sabe o por que, mas ele odeia." Eu senti seu sorriso em sua voz quando ela falou de Rob. Será que ela ainda gostava dele? Mas se passaram quatro anos. Não, não podia ser. "Ele é a cara de vocês dois, na verdade. Eu nunca conseguiria esquecer, pois desde que ele nasceu cada vez mais se parece com o Rob... Ele é uma criança adorável." Ela falou com adoração e só aumentou a necessidade de chegar até onde ele estivesse.
Chegando a um prédio simples ela pediu pra eu encostar. Eu fiquei tenso. Essa rua era muito perigosa. Essa situação não poderia continuar, eu faria qualquer coisa para ajudar.
Nós dois subimos até um apartamento simples. A situação do prédio não é das melhores. Comecei a me sentir mal por ter odiado tanto a Kristen por ter deixado meu irmão. Eu nunca sequer imaginei essa opção. Ninguém imaginou. Todos ficaram magoados. Afinal, a minha família também a amava e ela deixou a todos.
Esme se sentia como se tivesse perdido dois filhos, o quarto de Kristen virou um depósito e o do Rob ficou intocado. Ninguém, além da faxineira, entrava lá.
Alice se sentiu traída. Ela acompanhava toda a dor da amiga, lutou suas batalhas e a envolveu quando perdeu a mãe, no final, Alice não conseguia acreditar que sua melhor amiga magoou sua família, fez seu irmão sumir e nem sequer teve a consideração de falar algo para ela. O que Alice faria se soubesse que sua melhor amiga de anos atrás morava na mesma cidade?
Kristen abriu a porta e eu fiquei ainda mais tenso. Mesmo sem conhecê-lo, fiquei com um desejo louco de correr pelo apartamento e retirar meu sobrinho de lá e nunca mais deixá-lo voltar.
"Não é assim muito bom. Mas eu consigo sobreviver." Ela suspirou, provavelmente sentindo meu olhar. "Masen adora olhar pela janela de manhã. Ele passa tempos rindo dos carros passando." Ela sorriu, o que me fez sorrir também. "Vamos, mas não faça barulho, ele está dormindo." Ao passar por um corredor estreito entramos em um quarto. No canto do cômodo, em uma cama de casal, estava uma criança deitada de costas enquanto dormia. "Pode se aproximar, mas devagar." Ela disse cuidadosamente.
Eu não conseguia acreditar. Ao me aproximar, tufos de cabelos castanhos avermelhados ficaram visíveis. Uma pele clara e mãozinhas pequenas se encolhiam em seu rosto. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Eu nunca amei nada tão automaticamente. Eu estava apaixonado por aquele pequeno ser. E então sorri, um sorriso fácil. Nada daquela dor estava aqui agora. Eu estava muito feliz. Eu tinha um sobrinho e ele era lindo.
Olhei para Kristen, que tinha aquele olhar maternal estampado em seu rosto. Ela balançou a cabeça como se assentisse. Eu podia tocar em Masen. Estendi a mão e me aproximei do bebê. Logo senti o cheiro bom e aconchegante dele. Eu olhei-o por alguns instantes, meus olhos lacrimejaram e me virei para Kristen novamente. Meu primeiro pensamento foi tirá-los daqui. Eu queria levá-los para que nunca mais se afastassem da nossa família. Era um sentimento louco, mas eu não conseguia controlar. Eu não conseguia sequer suportar a dor de imaginar meu sobrinho sozinho em um apartamento desses. Esse não era o lugar para um Cullen crescer. Kristen não poderia negar esse direito a ele. Eu me sentei na beirada da cama lentamente e fiquei olhando-o. Eu estava hipnotizado pela beleza da criança.
Minha mente já visualizava Esme enlouquecendo com ele no colo, seu único neto. Alice paparicando o bebê e experimentando roupas nele. Eu conseguia imaginar a alegria que essa criança traria a todos. Foram anos sem isso. Muito tempo sem a convivência em família. Eu pensei em Rob nesse momento. O que meu irmão pensaria? Não importa. Não queria pensar nele agora. Eu faria o que estivesse ao meu alcance por meu sobrinho. Ele terá tudo o que é dele por direito e muito mais.
Olhei para Kristen, ela mudou de roupa e eu nem sequer percebi que ela tinha saído do quarto. "Vamos voltar para Forks." Eu disse de repente. Ela ficou tensa e eu continuei. "Essa criança merece ter tudo, Kristen. Ele terá uma família completa. Você nunca deveria ter negado isso a ele. Nós o amaremos e cuidaremos dele e de você. Todos juntos."
Kristen foi dormir naquela noite com a promessa de que iríamos para Forks pela manhã. Ela estava relutante no início, mas eu consegui convencê-la que tudo daria certo e minha família ficaria super feliz com a notícia. Foi quando eu me lembrei de ligar para minha mãe, eu não podia pegar todos de surpresa.
"Filho? Meu Deus, aconteceu alguma coisa? Que horas são?"
"Calma, mãe, eu encontrei um presente pra você em Seattle, mas não queria chegar de surpresa e matá-la do coração." Eu sorri só de imaginá-la ao ver Masen.
"Não brinque comigo, Edward. Eu me assustei." Eu pude ouvir meu pai resmungando no fundo e perguntando o que eu queria.
"Mãe, eu encontrei a Kristen." Eu a ouvi suspirar forte com o susto e depois de alguns segundos ela respondeu.
"Oh meu Deus. Ela está bem?"
"Está. Eu quero levá-la de volta pra casa." Eu disse ainda surpreso em como seria vê-la novamente lá. "Mas tem mais uma coisa, Dona Esme."
"Você percebe que é madrugada e você está querendo fazer suspense pelo telefone?" Ela disse de brincadeira.
"Mãe." Eu disse calmamente. "Kristen tem um filho." Silêncio na linha. "E é do Rob." Finalizei.
"Ahhhhhhhhhhhhhhhh." Minha mãe gritou. Meu pai apareceu no fundo perguntando se ela estava bem enquanto eu a ouvi começar a falar para ele: 'nós temos um neto' uma vez atrás da outra. Logo depois ela respirou e eu sorri novamente. "Um neto? Um menino? Quantos anos? Por que vocês ainda não vieram para cá?-"
Eu a cortei antes que ela saísse do controle. "Mãe, calma. Nós não fomos ainda porque é madrugada, pela manhã sairemos daqui. E sim, é um menino e ele tem 3 anos. O nome dele é Masen."
"Masen? Ahhhhhhhhhh." Minha mãe gritou novamente. Meu pai falava para ela se acalmar enquanto eu ria de sua felicidade. "Carlisle, o nome dele é Masen. Masen. Dá pra acreditar que nós temos um neto?" Ela falou com meu pai. "Mas, Edward. O que você está fazendo em Seattle?"
Droga. Eu não queria pensar nisso agora. "Quando eu chegar em casa nós conversamos, mãe. Mas agora me deixa dormir, que eu vou pegar a estrada logo cedo."
"Tudo bem. Eu não vou conseguir dormir pensando nisso. Um neto. Meu Deus." Ela deu uma risada. "Eu te amo, meu filho. Dirija com cuidado e diga a Kristen que ela fez muita falta."
"Tudo bem. Boa noite." Me lembrei de algo. "Mãe."
"Oi."
"Não fale nada para o Rob ainda. Eu não sei como a Kristen vai querer lidar com a situação. Eu vou deixá-la decidir." Minha mãe ficou em silêncio por alguns instantes.
"Tudo bem. Como você achar melhor. Mas isso não será segredo por muito tempo. Moramos todos na mesma casa. Você sabe."
"Eu sei. Boa noite."
Desliguei o telefone e não pude evitar. Pensei no meu irmão. O que ele pensaria de ter um filho? Nunca conversamos muito sobre isso, eu só o conhecia bem para saber que ele não era muito chegado em crianças. Mas um filho era diferente. Era algo que veio de você. Não era possível que ele não amasse Masen assim que o visse. Como eu. Mas e se ele não o quisesse?
Eu queria.
Eu cuidaria dessa criança de qualquer maneira. Meu sobrinho teria tudo o que nunca teve. Eu faria de tudo por ele. Até o assumiria como filho, dependendo do que Kristen decidisse, claro. Eu não poderia passar por cima da decisão dela.
Deitei minha cabeça no sofá-cama improvisado na sala do apartamento dela e adormeci. Fui acordado algumas horas depois por um cutucão.
Eu não queria abrir os olhos, pois eu sentia a claridade gritante. Mas o dedinho persistiu. Eu então resolvi abrir um olho. Meu olho tentou focar e entender quem estava me perturbando.
Olhos verdes curiosos me encaravam.
"Oi. Quem é você?" A voz me perguntou. Meus olhos então se abriram com a percepção de que esse era Masen. Meu sobrinho.
"Oi." Eu respondi ainda desnorteado. "Eu sou..." Pensei no que falar. "Edward. E você?"
"Eu sou Masen. O que você está fazendo aqui?"
Passei uma mão no meu rosto para despertar e me apoiei para sentar no sofá. "Eu vim buscar você e sua mãe. Nós vamos passear. Você gosta de passear?"
"Sim, eu gosto."
"Então, cadê sua mãe? Ela já acordou?"
"Não. Ela ainda está dormindo." Ele disse baixinho com um olhar assustado. "Vamos acordar ela? Para irmos passear logo?"
Eu sorri para a ansiedade dele. Observei seu lindo rosto e vi ainda mais traços de Rob nele. O formato do rosto, o cabelo, os olhos. Era um mini-Rob. Ou um mini-eu.
"Ela deve descansar um pouco, pequeno. Você quer tomar café?"
"Hum. Quero, mas a mamãe que sabe fazer o que eu gosto."
Eu estava fascinado, olhando para ele como um bobo.
"Masen, não perturbe seu tio." A voz de Kristen veio de trás de mim. Virei-me e a vi, ainda com seu pijama, cabelos amassados e uma cara de sono.
"Bom dia."
"Bom dia." Ela disse. "Vamos tomar café pequenino? Cadê o beijo da mamãe?" Ela falou e Masen correu para os braços dela, que o abraçou enquanto ele dava vários beijos em seu rosto.
"Hum. Que coisa mais gostosa. Esses beijos merecem um super café." Ela disse sorrindo e piscou para mim. "Não é, tio Edward?"
"Claro." Eu disse sorrindo. Ela o deixou no chão e ele correu para a mesinha da cozinha, puxou uma cadeira e a escalou.
"Vem, tio. Senta comigo." Ele me chamou. Uma emoção maravilhosa correu pelo meu corpo. Um sobrinho. Eu não conseguia acreditar ainda. Fui até ele, sorrindo, e me sentei.
"Quer que eu saia para comprar alguma coisa?" Eu perguntei, de repente preocupado se ela tinha algo decente para comer.
"Não precisa." Ela disse sem graça. "Eu passei ontem à tarde na feira e temos frutas, cereais e pão. Você quer algo em especial?"
"Não. Cereal está ótimo." Eu disse.
"Mãe, vamos comer rápido para irmos passear." Ela me olhou assustada. Eu balancei a cabeça explicando que eu não tinha falado nada.
"Sim. Mas antes eu tenho que falar com o Sr. Burns. Eu deixei um aluguel adiantado, então acho que vai ficar tudo bem deixarmos minhas coisas aqui por enquanto." Ela me explicou.
"Tudo bem. Você quer que eu ajude a guardar algumas coisas?" Eu estava ansioso para levá-los para Forks. Minha mãe, com certeza, já estava planejando o quarto de Masen.
"Hum, talvez alguns brinquedos. Mas vamos tomar café primeiro e depois resolvemos tudo."
O semblante dela estava bem mais leve do que o que vi ontem à noite. Ela não parecia mais tão relutante. Com certeza, Kristen passou algum tempo pensando em tudo. A minha decisão era a melhor oportunidade para a redenção.
Assim que acabamos de tomar café, ela me pediu para ajudar Masen a guardar seus brinquedos favoritos enquanto ela ia falar com o senhorio do prédio. Alguns brinquedos estavam espalhados pelo quarto e outros ele tinha escondido debaixo da cama, ele me explicava o que era cada um, o tempo todo. Eu estava tão maravilhado com essa pequena tarefa que não parava de sorrir. Eu amava crianças e estava muito interessado em tudo o que ele falava. Era impossível não se apaixonar por ele. Ele era... encantador.
Depois de ensacarmos seus brinquedos, nos sentamos no sofá e assistimos desenhos, até que Kristen voltou. Ela deu banho em Masen e se arrumou. Pegou uma mala de mão e juntou algumas roupas para ela e para ele. Mas percebi que ela não estava levando muita coisa.
"Quando chegarmos em Forks podemos comprar mais roupas para o Masen." Eu disse.
"Hum..." Ela suspirou. "Eu não sei se é uma boa idéia morarmos lá, Edward. Seu irmão vai me odiar quando souber o que eu fiz." Ela disse tristemente.
Eu não queria dizer para ela o que eu realmente pensava sobre meu irmão. "Kristen, não pense nisso. Pense na felicidade que você trará aos meus pais, ao seu pai..." Ela parou de respirar. "Ou se você preferir, nós só vamos a minha casa. Você é quem sabe. Mas eu tenho certeza que o melhor é você voltar de vez. Ficar conosco e nos deixar cuidar de vocês."
"Eu sei. Mas eu sou grandinha, Edward. Eu não quero ser sustentada por ninguém."
"Então conseguiremos um emprego para você. E você pode ficar por perto."
"Você... você é bem insistente." Ela sorriu, se dando por vencida.
Arrumamos tudo no meu carro enquanto Masen saltava de um lado para o outro no banco traseiro.
"Masen, não pule no banco do seu tio!" Kristen o alertou.
"Deixe-o brincar. Ele está feliz." Eu disse sorrindo.
"Já estou até vendo. Vocês vão estragar o menino." Ela bufou, também sorrindo.
Nós entramos no carro e tivemos um passeio tranqüilo até Forks. Masen estava fascinado com as árvores e montanhas e não parava de nos assustar quando ele via algo que gostava. Eu sorri o tempo todo, tanto que em alguns momentos eu quase esqueci a razão de eu ter ido parar em Seattle. Kristen não me perguntou mais sobre isso, ficando alguns momentos em silêncio. Depois de um tempo ela começou a me perguntar sobre meus pais e depois sobre Alice. Ela pareceu triste enquanto eu descrevia tudo o que aconteceu nesses anos.
"Emmett se casou com Rosalie?" Ela disse surpresa.
"Sim. Faz quase dois anos."
Kristen e Rose também não eram 'melhores amigas'. Elas tinham personalidades completamente diferentes. Mas, na época, Rose e Emmett moravam na faculdade, eles só vinham para casa nos feriados, então era difícil para elas criarem fortes vínculos como o que ela desenvolveu com Alice.
Chegando próximo à cidade, eu a senti ficando mais nervosa. O assunto morreu tornando o ambiente tenso, já que Masen tinha cochilado no carro. Kristen apertava a maçaneta do lado do banco como se ela fosse cair. Estendi minha mão e toquei a sua, que ela apoiava na perna.
"Vai dar tudo certo. Não precisa ficar com medo."
"Desculpe, Edward. Isso é muito assustador. Eu não consigo nem imaginar o que me espera."
"Uma avó enlouquecida. Se prepare para isso." Eu adverti sorrindo.
Estacionei em frente a minha casa e ela olhou impressionada. "Nossa. Como mudou." Ela suspirou. "Mas, mesmo assim, ainda parece a mesma."
"Sim. Esme não consegue passar um ano sem reformar a casa. Eu mesmo quase não a reconheci depois da ultima reforma." Ela riu.
"Edward." Seu tom mudou. "Eles estão me esperando?"
"Meus pais? Sim."
"Só eles?" Ela perguntou baixinho.
"Sim, só eles."
"Ok." Ela destravou o cinto e eu saí do carro. Não quis olhar para minha rua. Se o carro dele estivesse na frente da casa dela seria meu fim. Eu cairia novamente. Abri a porta de trás e peguei Masen no colo.
"Nossa. Como você cresceu depois do passeio!" Ele deu um grande sorriso para mim, sonolento. "Está pronto para conhecer seu vovô e sua vovó?" Ele me olhou curioso e depois sorriu.
"Eu tenho vovô e vovó?"
"Sim. E mais: Você tem dois avôs e um monte de tios. Eles estão loucos para conhecer você. Quer conhecê-los?"
Ele balançou a cabeça, animado. "Sim. Sim. Vamos mãe!" Ele gritou, agora completamente desperto. Abri a porta para ela, que se levantou vagarosamente, como se unisse todas as forças que podia para fazer isso.
Eu te entendo. Eu também não pensei que voltaria tão cedo até aqui. Eu quis dizer.
Nós andamos até a porta, quando mal pisamos no degrau da entrada, ela se abriu.
"Olá." A voz alta da minha mãe nos recebeu. Ela olhou para a criança em meus braços e automaticamente seus olhos começaram a descer lágrimas copiosas. "Mas que criança linda! Vamos entrando." Ela disse, vindo em minha direção e tomando Masen dos meus braços. "Tudo bom com você?" Ela perguntou para ele.
"Por que você está chorando?" Ele perguntou para ela, franzindo o cenho, como eu e meu irmão.
"Desculpe. Eu estou chorando de alegria. Eu estava ansiosa para ver você." Ela disse e se virou para Kristen. "E você." Kristen ainda estava calada, mas assentiu com a cabeça e deu um leve sorriso.
"Sejam bem vindos." Carlisle disse. E veio dar um abraço em Kristen.
"Ela é sua vovó, Masen." Eu disse. "E esse é seu vovô." Falei apontando para Carlisle, que também parecia encantado.
Masen olhou para os dois e sorriu. Ele parecia feliz, mas ainda confuso com tantos acontecimentos.
"Venham, eu não tive tempo de arrumar tudo. Mas deixaremos vocês no quarto do Edward por enquanto. Pois ele tem mais espaço. Eu fiz o que pude nessas poucas horas que vocês me deram, mas tudo estará pronto em pouco tempo." Minha mãe falou animada.
"Eu estava com saudade de você." Kristen assumiu.
"Eu também." Minha mãe falou e mais lágrimas rolaram por seu rosto. "Eu sou uma boba, eu sei". Ela riu abertamente. "Vocês já tomaram café? Eu preparei tudo. O almoço também já está encaminhado. Edward, meu filho, leve Kristen até seu quarto. Seu pai ajudará a carregar as coisas."
Nós levamos a mala e a sacola de brinquedos de Masen para cima e eu não estava preparado para a cena que se seguiu. Meu quarto tinha sido transformado. Onde antes tinha uma grande poltrona agora tinha uma pequena cama, toda coberta com lençóis infantis. Minha cama estava mais para o lado e várias roupas de criança estavam dobradas nela. Assim como uma grande cesta de brinquedos.
Kristen suspirou e me olhou assustada.
"Você não sabe o que sua mãe é capaz de conseguir com um só telefonema." Meu pai disse atrás de nós.
Nós entramos e Masen olhou maravilhado para o quarto. "É tudo pra você garotão." Eu disse e o incentivei a ir até a cesta de brinquedos. Ele começou a abrir as caixas. Kristen não conseguia falar nada. Ela só andou até o lado da cama, colocou sua bolsa na lateral e se virou para mim.
"Eu não queria tirá-lo do seu quarto."
"Que isso. Eu vou ficar no quarto aqui ao lado. Não é tão diferente." E não tem o cheiro dela preso até nos lençóis. "E aqui vocês vão ter mais espaço até a mamãe arrumar tudo. O que não vai levar muito tempo, como você pode ver." Eu disse brincando.
"Eu nunca vou deixar de me impressionar com ela." Ela disse.
"Bem, eu vou deixar vocês se organizando e se acostumando, vou tomar um banho e nos encontramos lá em baixo para o almoço. Tudo bem?"
"Sim. Tudo bem." Ela disse. Meu pai se despediu e saiu pela porta. Eu me virei para acompanhá-lo quando ela me chamou. "Edward?"
"Hum?"
"O Rob está aqui?" Meu peito doeu mais uma vez.
"Eu realmente não sei, Kristen, mas nós vamos resolver tudo. Tudo bem?"
"Tudo bem." Eu saí e fechei a porta atrás de mim e vi a porta do quarto dele fechada no fundo do corredor. Desviei o olhar e desci as escadas, encontrando meus pais na cozinha.
"Olá, vovó Esme." Ela se virou sorrindo.
"Você viu como ele se parece com vocês? Eu acho que ele é a criança mais linda que eu já vi na vida." Ela disse impressionada.
"Poxa. Então eu e meu irmão perdemos o título?" Eu disse com uma falsa tristeza, sentando no balcão da cozinha, arrancando um olhar mais avaliador de minha mãe.
"Nem comece. Onde eles estão?"
"Ela vai descansar um pouco e Masen está enlouquecendo com os brinquedos novos."
"Que bom que ele gostou." Meu pai falou, sentado ao meu lado no balcão da cozinha.
"Mãe, pai. Temos que conversar sobre Rob." Eu falei e o clima de alegria diminuiu. "Eu não sei como ele vai reagir. Mas eu não queria que ele magoasse meu sobrinho-"
"Ele não faria isso!" Esme afirmou.
"Ele vai ficar magoado, mãe. Depois de tudo, descobrir que ela foi embora porque estava grávida. É demais, vocês não acham?"
"Temos que conversar com ele então. Antes de ele encontrar com os dois." Meu pai ponderou.
"Eu acho que está na hora de toda essa história ser esclarecida. Eu não agüento mais tanto mistério e rancor em volta de tudo. Afinal, Kristen foi embora porque estava grávida. Eu não entendo isso, mas vamos fingir que aceito. Mas foi por isso que seu irmão fugiu daqui também?" Minha mãe me perguntou.
"Mãe, a senhora sabe que se fosse minha história, eu contaria. Mas é a vida dele. Ele deve contar. O negócio todo é que já passou muito tempo. Ele deve ter conseguido pensar nisso tudo e esquecer. Ele até voltou para Forks." E até já conseguiu se envolver com a minha Bella. Acrescentei mentalmente. "Mas eu queria que vocês falassem com ele antes. Explicassem o motivo de a Kristen ter saído."
"Como assim? Não estou entendo nada, Edward. Por que você ainda não falou com ele?"
"É uma longa história."
"É sua história?" Minha mãe perguntou, me olhando complacente. Meu pai estava absorto em pensamentos, mas eu sentia seu olhar em minha direção também. Mas que porra, o que tinha acontecido desde que saí dessa casa ontem?
"Sim, também. Mas eu não sei se quero falar com ele agora, mãe."
Nesse momento a porta da entrada se abriu e Rob apareceu. Meu corpo congelou com o encontro. Eu não esperava encontrá-lo tão rapidamente depois de tudo. Tentei não observá-lo por muito tempo, mas foi impossível. Ele parecia ter saído do inferno de tão transtornado e cansado que estava.
"Rob." Minha mãe exclamou. "Que bom que você chegou. Temos que conversar." Ele me olhou, com um semblante vazio, procurando por pistas do que seria, mas meu olhar se desviou do dele.
"Sim." Rob disse. "O que seria?"
"É sobre a Kristen."
Eu não pude deixar de olhar para ele, curioso por qual seria sua reação. Eu acho que já o tinha visto de muitas maneiras, mas não tão pálido. Todo o sangue foi drenado do seu rosto e eu quase dei um passo até ele, até me lembrar do que tinha acontecido e me segurar no meu lugar.
"O quê?" Ele perguntou, tão baixo que eu quase não escutei.
"Edward a encontrou." Meu pai foi direto. Nesse momento ele me olhou novamente, como se me acusasse de algo.
"Por que você fez isso comigo?" Ele disse em um tom magoado.
"Não julgue o seu irmão. Ele tem um bom motivo para tê-la trazido para casa." Minha mãe disse.
"O quê?" Ele perguntou assustado. "Para casa? Esta casa?" Rob perguntou para minha mãe e se virou para mim. "Essa é sua vingança? Você vai mesmo jogar desse jeito?"
"Pare de acusar. Escute o que temos a dizer." Meu pai falou em um tom de comando.
"Eu sabia. Vocês sentiam mais falta dela do que de mim, não é? Vocês a amam mais do que a mim. É isso? Pra que voltar, não é mesmo?"
"Não aja como uma criança, Robert!" Minha mãe o repreendeu. Ele se virou para sair e eu não acreditei que eu teria que falar com ele.
Porra. Que merda. Eu sou um idiota mesmo.
"Rob." Eu o chamei da porta, ele continuou andando, percebi então que o carro dele não estava na frente da nossa casa, e sim na dela. Puta que pariu. Ciúme doentio do caralho. "ROBERT!" Eu chamei mais alto e ele se virou.
"O que foi? Você não queria acabar comigo? Então está ai: Você ganhou! Eu não quero mais participar disso."
"Do que você está falando? Eu sou o único que deveria estar puto aqui. Você não acha?"
"Ah, claro maninho. Você é dramático mesmo. Pra que você a trouxe pra cá?"
"Eu precisei fazer isso."
"Quer saber... fica com ela. Eu já tenho a Bella mesmo, não é?" Ele jogou seu veneno. Meu coração parou por um segundo. Mas para piorar as coisas, eu não consegui segurar.
"É uma troca justa, cópia." Falei maliciosamente. Seus olhos cresceram e eu vi uma dor tão forte ali que eu tive que desviar o olhar. Ele virou as costas e me deixou parado na porta de casa enquanto eu o via entrar na casa dela.
O que eu estava fazendo? Porra de coração masoquista!
Nota da Irene: Gostaram das revelações? Espero que tenha sido esclarecedor... e para melhorar tudo o próximo é POV Rob... meu capítulo favorito... Revelações e loucuras a La Rob...
Eu quero mandar um beijo para todas as meninas que participam o GAPVEI (Grupo de Apoio a Pervas Viciadas em Entre Irmãos) e as que já estão internadas no CRPVEI (Clínica de Reabilitação para Pervas Viciadas em Entre Irmão) que foi fundada pela Lari e tem o apoio da Rafa.
Eu e a Titinha amamos vcs e é um prazer escrever isso aqui. Quem sabe EI não vira livro e usamos os nomes de vcs nos personagens como homenagem?
Bjus a todas e até quarta-feira
=)
