I close my eyes
Only for a moment,
And the moment's gone.
All my dreams,
Pass before my eyes, a curiousity.
Dust in the wind,
All they are is dust in the wind.

Eu fecho meus olhos,

Apenas por um momento

E o momento desaparece.
Todos os meus sonhos,

Passam na frente dos meus olhos, curiosamente
Poeira no vento,
Tudo o que eles são é poeira no vento.

Dust In The Wind - Scorpions


CAPÍTULO 23 – DE OLHOS BEM FECHADOS

ROB POV

Vazio. Era assim que eu me sentia todas as vezes que me recordava das palavras cruéis, mas necessárias do meu gêmeo.

"Eu acho que já passou o momento do perdão, Robert".

Eu era um filho da puta cretino. Com todas as letras e com todas as minhas falhas. Desde que fui embora dessa cidade desgraçada, eu só sabia foder com a vida dos outros. E o ato final da desgraça que é minha vida veio em dose cavalar. Destruir o romance do milênio.

Nunca pensei, em todos os meus anos perdidos e sem rumo, que ao voltar a essa cidade e participar do primeiro jantar em família, eu entraria para essa confusão do caralho e, lógico, eu tinha que fazer também as coisas piores do que são. Depois de tirar a virgindade de Bella, sumir da sua vida, aparecer anos depois e continuar a atormentá-la, eu tinha que fazer cara de cachorro sem dono para Edward, ficar entre os dois e participar de uma putaria contínua que era essa relação a três. E claro, com toda a dose extra-grande de canalhice que existe em mim, esconder todo o meu passado com Bella. Definitivamente, eu merecia o ódio do meu irmão.

Eu não estava respirando. Desde que cheguei à casa de Bella, mesmo sem comer nada durante a manhã, enquanto corria de carro por várias ruas sem sentido, eu tinha tomado uma decisão. Contar tudo pra ela. A minha vida, as minhas escolhas e meus fantasmas. Já fazia tanto tempo...

Minha mente se recusava a lembrar qualquer coisa relacionada ao meu passado. Doía tanto que me feria fisicamente. Ninguém nesse mundo sabia o que tinha acontecido comigo. Somente meu gêmeo. Entretanto, mesmo ele, não entendia minhas escolhas e isso era difícil de aceitar até para mim. E depois de me esconder na casa da baixinha, eu tinha passado a última noite em claro, colocando minha mente em ordem. Eu precisava compartilhar.

Nunca falei sobre isso com ninguém. Todos me achavam somente um riquinho metido que resolveu usar a vadiagem e o excesso de beleza para o seu prazer. E era exatamente isso que eu queria até pouco tempo atrás. Mas agora, tudo estava diferente. Eu queria ser alguém de novo.

Mas, como qualquer capítulo da minha amaldiçoada vida, eu tinha que estragar tudo novamente. Jamais considerei a hipótese de Alice perceber algo. Eu estava tão concentrado em Bella, analisando se eu poderia ter alguém pra mim, assim como ela era para Edward, que me desliguei do mundo. Ficar analisando sua performance na cozinha tinha ruído todas as minhas defesas. E então, a confissão...

Como, por Deus, ele soube? O que Alice tinha dito?

Eu não conseguia formular nenhuma coerência, então somente pedia perdão. Nada de diferente saía da minha cabeça e dos meus lábios. Somente meu pedido impossível de mostrar o quanto eu estava arrependido. Mas nada disso foi suficiente. Ele simplesmente me deixou.

Eu deveria me acostumar a isso.

Minhas mãos ainda formigavam com a sensação de ser incapaz de segurá-lo. Lágrimas desciam livremente dos meus olhos, mesmo momentos depois de ter ouvido sua voz no andar térreo e na saída. Eu não conseguia me mexer, apesar de saber que deveria descer e ajudar Bella. Ela estava enfrentando a ira de Edward sozinha.

Minha vida sem sentido tinha que sempre destruir alguém? E agora, também, Edward! O que eu fiz nessa história foi acabar com todos em minha volta. Porra, eu tinha que dar um fim nisso de qualquer jeito. Resolvi descer as escadas para ver a destruição potente que ele tinha deixado. Sim, porque por mais que meu gêmeo a ame incondicionalmente, ele sabe usar palavras amargas como ninguém. Eu tinha acabado de sentir isso na pele.

Ainda na escada percebi o quanto meu irmão a quebrou. Ela estava jogada no canto da sala, completamente arrasada. Porra, eu era mesmo um destruidor de pessoas. Seu olhar estava tão vazio quanto o meu. Eu estava totalmente sem coragem de olhá-la diretamente, tamanho era a porra do meu arrependimento. Eu tinha destruído sua vida pela segunda vez.

Meu corpo se retesou ao sentir sua aproximação, mas não me esquivei. Sabia que o mínimo que eu merecia seria isso. Uma grande bofetada dela. "Por que, porra?" Ela gritava na minha cara. O que eu responderia, caralho? Que eu só sabia foder com a vida dos outros e principalmente com a dela? Seus olhos imploravam por uma explicação que eu não podia dar. Somente poderia pedir o seu perdão agora.

"O que você fez, Robert? Não precisava destruir a minha vida uma vez não?"

"Bella... me perdoe".

"Seu idiota. É só isso que você tem para me dizer?"

"Porra, Bella. O que você quer que eu diga?... Eu... sempre estrago tudo a minha volta..." Eu não conseguia terminar a minha frase. Era tudo tão fodido. Nada que eu fizesse consertaria a minha vida agora. Ou a destruição poderosa que causei. Nada me resta na vida mesmo.

"FALA, ROBERT!"

"Parece que vocês dois adoram o meu nome agora." Grunhi com suas palavras. Ambos estavam me chamando pelo meu nome completo agora. Porra, eu não estava gostando disso.

"O quê?"

"Ambos me chamaram pelo meu nome completo".

"O que você fez lá em cima, Robert? O que... Deus... você quer me destruir de novo?" Sua voz saiu tão desesperada. Eu sabia o quanto a tinha ferido, mas vê-la assim, por Deus, doeu pra caralho em mim.

"Bella? Por favor..." Tentei abraçá-la, buscando algum conforto, tanto pra mim quanto pra ela. Afinal a dor era nossa. Há tanto tempo que ninguém me consolava também. Porra, o que eu tinha feito da minha vida, afinal? Bella não aceitou meu apoio. Enxotou-me como o monstro que eu sou. "Solte-me, seu monstro. Você não tem coração!" Nos seus olhos parecia que ela desejava mais dor que eu já sentia. Definitivamente eu merecia seu rancor.

"Porra, mulher. Deixa eu me explicar... eu não-".

"O QUÊ?"

"Isabella!"

"Você... não me chame... assim". Caralho, o que Edward fez? Como um passe de mágica, senti Bella deslizar para o chão, quase batendo a cabeça na mesinha da sala. Meu Deus, eu me foderia de verdade se algo acontecesse a essa mulher!

Enquanto eu a colocava no sofá, minha mente começou a se destruir. Eu precisava contar para Bella o que tinha acontecido lá em cima. Mas e depois? O que mais eu faria da minha fodida vida sem sentido? A única pessoa que me amava e me aceitava incondicionalmente tinha acabado de sair pela porta me odiando. Pra que viver, afinal?

Em poucos minutos Bella acordou. Eu já estava funcionando no automático, respondendo as suas incessantes perguntas sobre o que houve lá em cima. Por que ela quer saber? Nada vai mudar mesmo. Meus olhos, incontroláveis, não paravam, devido a tanta dor que saía do meu corpo. Eu precisava tanto dar um fim a minha existência fodida e sem rumo.

"Ele me odeia, Bella! Porra, ele me odeia! O que eu fiz..." Comecei a tremer freneticamente. Eu não queria ter voltado a essa maldita cidade, porra. Eu não quero mais ser um peso morto pra ninguém.

"Minha... vida... nunca... valeu... nada... mesmo". Eu não conseguia nem falar, tamanha era minha dor. Pra que porra? Quais os motivos que tenho para continuar a minha vida tão fodida? Nem meu gêmeo queria saber de mim nesse momento. Ninguém sentiria minha falta mesmo. Eu não conseguia mais pensar.

"Calma... controle-se... por favor." O que ela estava fazendo? Não era Bella que tinha que me consolar nesta merda. Meu corpo tremia tanto que não fazia sentido. "Rob... acalme-se..."

"Pra quê, Bella? Me diz? Eu magoei meu irmão! Eu te destrui duas vezes! Eu não sirvo pra nada, porra! Pra que eu tenho que me controlar? Pra que eu tenho que viver?"

E nesse momento decidi. Eu não faria falta pra ninguém no mundo. Eu era um desconhecido, um vagabundo. Eu não tinha nem que ter voltado. Eu poderia pegar meu carro e bater. Um acidente seria menos doloroso... pelo menos para minha família...

"NÃO! Pare com isso, agora!" Eu não ouvia sua voz direito, afinal minha mente trabalhava com tantas possibilidades. Porra, era tudo tão injusto! Eu tinha que fazer algo limpo, mas nada de despedidas. A última pessoa que se despediu de mim, arrancou meu coração. Deus, o que fazer? De repente, senti Bella jogando seu corpo sobre mim. Eu estava tão distraído que não consegui segurar o impacto e ambos caímos no chão.

"Pare com isso. Isso é ridículo, Rob!"

"Não, Bella... eu não tenho mais por que... viver".

"Pare... meu Deus... Rob... por favor... por Edward. Por mim!"

Comecei a chorar de novo. Deus, eu estava pensando em me matar! E Bella preocupada comigo, com Edward? Pensando em mim? Eu não merecia o amor de ninguém nesse mundo e ela lutando comigo? Por minha vida? O que eu fiz da vida, afinal? Eu era tão inútil. "Rob... olhe pra mim! Olhe droga!"

Mesmo chorando muito eu a olhei. Nós dois parecíamos esmagados pela dor. E apesar de todo o sofrimento que a fiz passar, ela se preocupava verdadeiramente comigo. Bella me mostrava como eu era importante para ela mesmo debaixo dos seus lindos olhos castanhos marcados pelo sofrimento. Eu não merecia nada disso.

"Rob... você é maravilhoso. Não importa o que houve hoje. Agora. Tudo vai se ajeitar e-"

"Não... Bella... eu n-"

"Espera. Vai sim, Rob. Olhe pra mim. Eu superei. Eu sofri tanto por você... e superei." Eu não parava de chorar, apesar de suas palavras acalmarem meu coração. "Só eu sei o que passei, Rob. Minha vida tinha ficado cinza, vazia... eu achei que não existia mais esperança... mas quando vim pra cá... encontrei seu irmão... e então..." Eu não queria saber.

"Mas eu acabei com sua vida de novo, Bella... eu não..."

"Nada disso, Rob. Pare. Eu superei e vou superar de novo. Não desista, por favor. Por mim... você é importante para mim... para Edward".

Eu via sua dificuldade em falar do meu gêmeo. "Por favor, Rob. Sua família te ama. Edward te ama. Não desista... por favor".

Meus olhos a viram de outra forma. Ela estava certa. Eu tinha a minha família. E hoje, eu também tinha Bella. Mesmo com todos os nossos problemas, ela se preocupava comigo. Não resisti e dei um pequeno sorriso. Definitivamente ela era uma mulher única e especial.

"Porra, Bella. Você é especial mesmo, sabia?"

"O quê?"

"Eu fodi com sua vida. Duas vezes! E você ainda se preocupa comigo? Meu Deus, eu sou um babaca."

"Nada disso. Você também é especial".

"Bella. Obrigado. Edward tinha razão quando falava que você era única. Perdoe-me por tudo. Eu estraguei sua felicidade".

"Rob, eu também tive culpa. Não fique assim".

"Oh, linda. Obrigado. Só você mesmo pra me ajudar, Bella".

Eu a abracei ternamente. Não me importando mais em ter um contato físico com ela. Mesmo depois de tudo o seu cheiro de morangos invadia meu sistema. Ela era tão cheirosa. Eu estava há tanto tempo sem estar perto de uma mulher que meu corpo começou a reagir. Principalmente por se tratar de Bella. Isso era injusto, eu não poderia ter esse tipo de pensamentos com ela. Mas, caralho, as minhas últimas lembranças dela não eram nada inocentes. Assim que Bella recostou a cabeça no meu ombro, resolvi falar algo, afinal, meu pau não tinha consciência.

"Acho melhor levantarmos, Bella. Imagina o que a minha família vai pensar se nos encontrar assim? Caídos um por cima do outro no chão?"

Bella olhou nossa posição e começou a rir. Eu não estava assim tão divertido, pois meu corpo não me obedecia. Minha mente gritava comigo, já que eu era mesmo um idiota. Ela era tão especial e eu estava pensando essas coisas. 'Isso, Rob, acabe com tudo de uma vez'. Minha mente gritava, mas nunca mais eu faria isso. A vida já tinha me dado muitas oportunidades de me foder de vez e agora eu tinha a chance de me redimir. Não poderia fazer isso com ela. Quando nos preparávamos para levantar, com Bella apoiando sua pequena mão no meu peito, escutei a porta se abrir. Antes que pudesse ter qualquer pensamento que justificasse nossa posição, vislumbrei os olhos irados da minha pequena irmã e da minha cunhada. Puta que pariu, tinha como ser mais fodido que isso?

"Oh Deus... eu não acredito. Rob e... Bella?"

Bella se levantou tão rápido que quase caiu de novo. Seu rosto estava mais vermelho do que o normal, denunciando uma culpa que não existia. Não da parte dela pelo menos. Isso era hora das duas aparecem por aqui? Eu não tinha processado a entrada delas, mas comecei a me defender.

"Alice... calma. Não é nada d-"

"Cala a boca, Robert. Não diga que não é nada que eu estou pensando. Eu estou vendo! E você... sua... sua...".

"ALICE!" Ela estava descontrolada. Meus olhos percorriam a sala, com medo de um ataque da minha irmã. Bella tremia o tempo todo sem conseguir reagir.

"O QUE FOI, ROB? VAI DEFENDER ESSAZINHA?" Eu não sabia o que dizer. Como explicar algo que não tinha acontecido, não naquele momento? Chocado com a situação, escutei a voz gélida da minha cunhada em direção a Bella.

"Fique calma, Alice. Com certeza isso tem uma explicação, não é mesmo, Bella?"

Eu precisava defendê-la, isso era o mais justo no momento.

"Não está acontecendo nada, porra. Eu passei mal aqui em casa e-" Alice começou a se aproximar e gritar comigo, ignorando Bella.

"SEI... E ISSO JUSTIFICA A MULHER DO SEU IRMÃO EM CIMA DE VOCÊ?"

"Você não sabe de nada, Alice".

"ENTÃO EXPLICA".

"Eu estou com problemas, porra. Bella estava me ajudando".

"E onde meu irmão está, Isabella?"

Nesse instante, todos, inclusive eu, olhamos para Bella. Ela estava destroçada e novamente o sentimento de culpa correu meu coração. A linda menina que eu tinha roubado a virgindade e destruído os sonhos românticos, tinha acabado de me salvar e agora estava tensa e completamente perdida. Ela chorava ainda mais, com os olhos cobertos de lágrimas e o corpo soluçando. Eu não sabia o que fazer.

"Bells, o que houve... você está muito estranha."

"Rose... eu não sei... Alice me perdoe... eu..." Eu tinha que ajudá-la.

"O que você fez? Onde está meu irmão?"

"Ele foi embora, Alice." Eu respondi o que ela queria. Edward tinha ido embora e tudo foi culpa minha. No fundo eu sempre soube que acabaria dessa forma. Alice deu um grito de dor e se aproximou ainda mais. Por Deus, ela estava descontrolada. Há muito tempo eu não via minha irmã assim. E eu sabia exatamente a última vez que ela esteve assim...

"O QUE VOCÊS FIZERAM A EDWARD? DEUS... eu sabia." A voz da minha irmã perdeu todo o som, sendo transformada em gemidos de dor. Ainda hipnotizado pelo comportamento dela, não percebi que sua distância estava muito pequena, assim como não pude controlá-la na sua agressão. Bella nem se mexeu.

"Eu sabia. Você estava escondendo isso." Ela apontou entre eu e Bella. "Você nunca pertencerá a essa família!"

Eu precisava fazer algo agora. Minha irmã já tinha passado dos limites da sanidade. "Calma, Alice. Rosalie, tire Bella daqui".

Eu agarrei Alice que tremia tanto fazendo meu corpo sacudir. Eu não só tinha destroçado meu irmão e Bella, como trazia dor também para minha irmã. Minha estadia aqui tinha que acabar, eu precisava sair e espairecer de alguma forma. Rosalie arrastou Bella para fora, o que me fez suspirar de alívio. Agora era só conter a baixinha. No momento em que eu ia sentá-la, Alice agarrou meus ombros como se fosse fugir, fixando o olhar em Bella novamente.

"Você nunca estará à altura dessa família, Isabella. Você não merece meu irmão. Você é um-"

Porra, mas que merda! Ela não ia falar o que eu estava pensando, ia? Tapei sua boca com minhas mãos, impedindo-a de continuar falando qualquer merda sobre Bella. Caralho, estou muito fodido mesmo.

"Alice não fale nada que vá se arrepender depois. Fique calma".

Aliviado, observei que Rosalie já tinha saído da sala rebocando Bella nos seus braços. Alice chorava tanto que me doía por dentro. Por que ela estava assim afinal?

"Por que, Rob... o que você fez?"

"Calma, baixinha. Você não está raciocinando direito. Não aconteceu nada aqui. Eu estava m-"

"Mas ela estava em cima de você, Rob! Eu vi! E também vi o que eu aconteceu em La Push!"

"Do que você está falando?"

"Vocês dois... os três... eu não sei... você estava igual a um namorado ciumento... e vi vocês na água... oh Deus".

"Alice! Você não viu nada!" Comecei a me preocupar. Será que tínhamos dado pistas demais para as pessoas? "Só estávamos ensinando Bella a nadar!"

"Tão próximo daquele jeito?"

"Que jeito, porra? Se fosse você, Jasper teria crise de ciúmes?"

"Eu sou sua irmã!"

"E Bella é MULHER DO EDWARD, CARALHO".

"ISSO NÃO ESTÁ CERTO... Meu Deus... onde está Edward?"

"Eu já disse que ele foi embora, porra!" Eu não queria explicar nada pra ela, afinal ainda era confuso pra mim.

"Por quê? O que vocês fizeram? Vai esconder isso de mim também?"

"Eu não estou escondendo nada Alice. Não sei do que você está falando."

"De tudo, Rob! Desde o seu sumiço, você e Edward escondem as coisas de mim! Estou farta disso. Somos uma família!".

Eu não queria falar nada. E desde quando a conversa tinha ido para o meu sumiço? Ela estava louca? Onde estava a sua mente que não dizia nada coerente? Tentei trazer alguma razão para sua cabecinha.

"Irmã... você está confusa. Nada aconteceu... quer dizer... eu não estou legal, ok? Na verdade estava precisando viajar de novo e vi Edward e Bella brigando aí eu-"

"EU NÃO SOU IDIOTA, ROBERT! Vai fugir de novo? Igual há quatro anos quando ela nos deixou? E não adianta me olhar com essa cara de quem não está entendendo nada eu-"

"CALA A BOCA!" Isso não estava acontecendo. Porra, eu queria sumir!

"Por que? Não dói em você não? Em mim ainda sangra, Robert! Eu era a sua melhor amiga! Ela também me abandonou... mas, por que? O que você fez a ela?"

"JÁ DISSE... CALA A PORRA DA BOCA." Não. Não. Não. Eu não queria ouvir sobre esse assunto. Minhas memórias estavam sepultadas sobre isso. Maldita cidade do caralho! Para que voltei?

Comecei a caminhar em direção a porta. Eu tinha que sair dessa casa.

"Aonde você vai, Robert? Eu não acabei de f-"

"ME DEIXE EM PAZ, ALICE! Eu não preciso de você falando merda pra mim. Faço o que eu quiser da minha vida!"

"Robert... espere..."

"Adeus, Alice." Saí batendo a porta da sala. Puta que pariu, eu não precisava desenterrar nada do meu passado, já que o presente estava fodido o suficiente. Quem ela pensa que é pra falar sobre algo da minha vida? Eu não tinha dado essa liberdade pra ninguém, porra.

Corri até a porta da casa de Bella e arranquei com meu carro. Fui em direção a Port Angeles, querendo chegar logo a algum lugar e poder encher a cara. Cheguei à rua principal da cidade e depois virei em um beco que eu conhecia muito bem. Eu já tinha vindo a um bar aqui uma vez e sabia que era o que eu precisava.

Entrei e fui direto ao bar, me sentei e pedi 3 doses de tequila. Assim que eu virei a primeira, percebi a mulher que estava ao meu lado. Eu a olhei rapidamente.

Ela era loira, extremamente bonita, cabelo curto e tinha um olhar dominador. Meu sangue gelou ao perceber a força que vinha dela. A linda mulher se ofereceu para me acompanhar na bebida e eu só balancei a cabeça para que ela se aproximasse.

Acompanhei seus passos e a vi sentando ao meu lado enquanto o barman a servia. Ela virou a tequila tão habilmente quanto eu e em seguida virou o rosto e sorriu para mim. "Noite difícil?" me perguntou.

"Uma vida difícil." Eu disse e uma risada sarcástica saiu dos meus lábios. Nós continuamos a beber, mas ela logo parou e passou para tônica, mas eu não queria me lembrar do que me trouxe até aqui, então continuei bebendo.

"Você quer mais?" Ela me perguntou, eu balancei a cabeça. "Você precisa se sentir melhor?"

"Sim." Eu disse. "Mas acho que não é possível."

"Eu posso fazê-lo se sentir melhor do que alguma vez já esteve." Ela me disse e não sei por que razão, mas acreditei nela. Sua voz era firme e sedutora e eu me entreguei.

"Leve-me a algum lugar, me faça esquecer."

A loira me levou até meu carro, perguntando se podia guiar porque eu não estava em condições de dirigir. Assenti rapidamente. Entramos no carro e eu estranhamente relaxei. Ela dirigiu pela cidade, até que pegou uma estrada. Meus olhos se fecharam por um instante, mas quando abriam parecia ter se passado muito tempo. Eu percebi que ela virou em uma estrada de terra e eu tentei manter meus olhos atentos e não consegui.

"Você gosta de se assustar?" Ela me perguntou.

"Algumas vezes a vida é assustadora" Eu respondi.

Eu senti o carro descendo um morro, ainda no meio da floresta, com ela começando a diminuir a velocidade. No mesmo instante, parou o carro e foi até o meu lado, abrindo a porta para mim. "Para sentir de verdade você precisa fechar os olhos. Eu guio e você me acompanha." Fechei meus olhos de bom grado, já que mal conseguia mantê-los abertos. Ela pegou um pedaço de tecido e rodeou meu rosto, me vendando. Eu levantei minha mão até a venda, mas ela me parou. "Sem isso nada vai acontecer."

Então eu me deixei ser guiado. Ela me ajudou a sair do carro e me guiou. Eu ouvia meus passos amassarem as folhagens da mata. Comecei a ouvir sussurros, vozes que vinham de algum lugar, bem baixinho, mas não conseguia decifrar o que elas falavam. Dei mais alguns passos e ouvi uma música suave, era baixa e envolvente.

A loira me alertou para um degrau e subi lentamente, tentando ter uma noção do que eu fazia e onde estava. Mas ela era tão determinada que não havia necessidade de perguntas. Uma porta foi aberta e senti a presença de outras pessoas, mas não sabia a quantidade. Ouvia suas vozes em gemidos e sussurros e percebi que algumas estavam implorando por prazer, outras estavam trêmulas como se chegassem ao orgasmo. Eu me arrepiei com o clima de luxúria que o ambiente estava envolvido.

Ela me sentou em uma poltrona e instruiu em meu ouvido. "Sem perguntas, sem hesitação." Eu queria dizer que estava com aquela sensação na barriga, aquela que faz você querer coisas, fazer loucuras, mas ela não me permitiu falar.

Deixei-me ser levado. Senti minhas roupas sendo retiradas por várias mãos... calça, camisa, cueca... tudo estava fora de mim em alguns segundos e senti o ar frio batendo em meu corpo. Depois disso percebi que todas pararam e seus olhos eram como mãos, subindo e descendo por meu corpo.

"Você pode guardar um segredo?" Eu ouvi uma voz me dizer, mas eu não tinha sido autorizado a falar.

"Tudo bem. Diga-me." Ela me incentivou.

"Sim, eu posso guardar um segredo."

"O segredo é que quando estou aqui nesse lugar, eu percebo que não estou só. Eu ouço vozes."

"Que vozes são essas?" Perguntei, sentindo um arrepio passar por mim.

"Vozes que não conheço, mas se eu tento vê-las... elas desaparecem."

"Você está escutando essas vozes agora?" Eu precisava saber.

"Sim. Isso assusta você?"

"Acho que não." De repente, comecei a me sentir muito exposto e quis saber quantas pessoas havia na sala, mas não queria que elas desaparecessem.

A música começou a tocar mais alto. Estava tão alto que não dava mais para perceber se tinha alguém perto de mim.

Ela falou no meu ouvido. "Relaxe e curta."

A música era constante, um ritmo que me movia e machucava mais que qualquer outra coisa. Mais que as mãos que de repente estavam em mim, lábios em meu pescoço, mãos no meu peito, coxas, rosto. Vozes em meu ouvido, falando baixinho... se afastando.

Minha excitação me ultrapassou, eu estava quase descontrolado quando senti duas mãos segurarem meus braços e me amarrarem à poltrona, quase ao ponto do desconforto. O que percebi que era parte do jogo. Era quase como se tivesse sido planejado para eu estar aqui.

Senti lábios descendo até minha ereção e gentilmente me tomando em sua boca, enquanto outro par de lábios veio ao meu ouvido. "Bem devagar e bem gostoso." Esses lábios se arrastaram por minha bochecha até chegar a minha boca.

Ela abriu a boca e eu abri a minha e nossas línguas começaram a se mover, como se estivéssemos querendo cada vez mais... mas não era depressa, era devagar... bem gostoso e bem devagar. E a outra chupava meu pau e fazia barulhos de quem tinha fome e estava comendo, ou como se tomasse um sorvete delicioso. Sei lá o que ela estava sentindo, mas posso garantir que eu me sentia dez vezes melhor do que ela.

Entrei num sonho, não sei por quanto tempo, enquanto aquilo acontecia, e era como se nada de mal jamais fosse acontecer comigo. Tudo desaparecera e de repente não me importei de nunca mais ver Bella, Edward, ela, ou qualquer pessoa... nunca mais. Essa sensação deliciosa de ser querido, necessitado e especial, como se eu fosse um tesouro... era só o que eu queria sentir, sempre.

Acho que havia pelo menos quatro mulheres na sala, não tenho certeza. Mas seus sussurros chegavam até mim e eu podia perceber que elas se davam prazer enquanto as outras estavam comigo.

Comecei a sentir a iminência do meu orgasmo e quando eu interrompi o beijo para falar ela me parou. "Não, deixe fluir. Sinta."

Eu não consegui mais segurar, ela continuou a me beijar e outra beijava e chupava minha orelha, gemendo para mim. A mulher que me chupava engoliu tudo ferozmente, como se necessitasse daquilo. Ela me lambeu e me tomou em sua boca até que eu joguei minha cabeça para trás em entrega.

Não sei como, mas sua boca foi substituída por outras mãos que me acariciaram e me tocaram até que eu fiquei duro novamente.

Eu ia morrer nessa poltrona. Puta que pariu.

Dessa vez, as mãos saíram e um preservativo rolou por minha extensão. Um corpo se aconchegou por cima de mim e se encaixou. Ela desceu lentamente por minha ereção, me fazendo sentir cada pedaço de sua boceta. Perfeito.

A pessoa que chupava minha orelha começou a me beijar, junto com a que já me beijava, eu sentia suas línguas rolarem por meus lábios e eu não conseguia segurar os gemidos enquanto a outra pegava um ritmo suave em cima de mim. Ela se manobrava para cima e para baixo, claramente sendo apoiada por outra pessoa, em alguns momentos ela parava e eu a ouvi gemer fodidamente alto, como se a outra beijasse seus seios. Algumas vezes eu sentia uma mão vir até onde estávamos ligados e a incentivar. Ela veio ao redor do meu pau e eu vi estrelas brilharem. Ela me apertou e eu queria gritar um obrigado, mas eu não estava autorizado a falar. E eu não queria que o jogo acabasse tão cedo.

Ela saiu e outra pessoa tomou seu lugar, mas dessa vez, se sentando de frente pra mim, seus seios batiam em meu peito e ela estava um pouco mais que ansiosa, pois seu ritmo era mais rápido que a outra. As meninas que me beijavam foram para trás de mim e suas mãos puxavam meu cabelo e tocavam meu pescoço e meus braços. Depois senti uma se apoiar por trás de mim enquanto gemia. Eu queria ver o que elas faziam entre si, mas eu não podia retirar a porra da venda. Então eu só imaginei.

Eu imaginei uma apoiada atrás de mim, de pernas abertas enquanto a outra descia nela e a chupava. Eu imaginei a linda mulher de seios fartos que cavalgava em cima de mim, enquanto a outra vinha pelo seu lado e chupava seus seios. A cena era demais na minha cabeça e, unindo isso à sensação do que realmente estava acontecendo, fez meu próximo orgasmo se aproximar.

Toda e qualquer fantasia que alguém pudesse ter nas horas tardias da noite, com exceção de animais, foram realizadas em mim, comigo e para mim. Era como se eu tivesse sido engolido por um sonho, perfeito em todas as maneiras. Minha única responsabilidade era manter minha cegueira e permitir a cada uma que viesse e ficasse comigo. O que eu fiz.

Eu permiti que elas me tomassem, me amarrassem e fizessem tudo. Tentando fazer o sentimento durar mais, tentando fazer com que a dor desaparecesse para sempre.

Os corpos delas tornavam-se imagens que eu podia ouvir, vê-las através dos sons que faziam... tudo se tornara muito sensível. Eu podia ouvi-las excitando-se ao ponto de pequenas convulsões, milhares de pequeninas ondas de luz correrem através delas. Todas reagiam com um estranho prazer e assombro... como se matassem a sede quando alguém alcançava o clímax. Mesmo eu, sentado perto delas como se estivesse numa vitrine, senti prazer nos sons ao redor de meus pés.

Eu caí no sono, ainda amarrado. Meu corpo estava exausto de tantos orgasmos. Minha cabeça tombou e meus olhos se fecharam. No meio de tudo isso eu senti minhas mãos serem desamarradas, mas não me importei em tirar a venda, eu só queria dormir.

Meus sonhos foram confusos. Eu via meu coração sendo tirado do meu peito e a mulher que destruiu minha vida abraçando-o como se fosse um bebê. Eu olhava em seus olhos e implorava para que ela o devolvesse ao meu corpo e ela olhava para mim e jurava que ela cuidaria bem dele.

Abri meus olhos assustado para perceber a luz que vinha de uma janela. Quem tinha tirado minha venda? Eu não sei, só sabia que a sala agora estava vazia.

O ambiente no qual eu passei a noite mais louca da minha vida era uma grande sala. As paredes tinham sido pintadas de um azul escuro e as molduras das janelas eram de um amarelo beirando o bronze. Se eu não soubesse que estava no meio da floresta eu imaginaria que era a sala de um castelo. Mas isso não era possível.

Tentei focar minha visão e entender o que tinha acontecido, mas não havia rastros ao meu redor do que aconteceu. Não havia ninguém. Eu estava sozinho.

Assim que me movi para me levantar, senti a dor por ter estado amarrado. Olhei para meus punhos e a marca ainda estava lá. Vermelha e inchada. Procurei por minha roupa e a vesti.

Dei um passo pela casa quando ouvi o leve som de uma água sendo derramada, me virei para a direção do som e ele vinha de uma porta logo atrás de mim. Lentamente me virei, indo até lá. Toquei na maçaneta e a girei lentamente. Meu corpo todo estremeceu ao ver a mesma loira que me trouxe até aqui.

Ela estava deitada, completamente nua, dentro de uma banheira antiga. Ela olhava para a água que saía da torneira e brincava com ela. Suas mãos estavam apoiadas nos lados da banheira e ela mantinha o olhar fixo em seus pés.

"Eu-" Tentei começar, mas uma de suas mãos levantou me parando. Eu continuei a olhar para ela, seu corpo magro e bonito era encantador.

Sentei-me no chão ao lado dela e fiquei observando seu rosto.

O que aconteceu na noite passada? Por que você me escolheu? Por que vocês fizeram isso? Todas essas perguntas rondavam minha mente, mas uma das frases que eu disse a ela um pouco antes de tudo me fez parar. 'Leve-me a algum lugar, me faça esquecer'.

Eu pedi. Ela fez. E puta merda, foi tudo o que eu precisava.

Mas agora eu tinha que sair daqui. Eu precisava enfrentar, de uma vez por todas, todos os meus problemas. Eu não agüentava mais viver fugindo. Foi muito tempo. Foi todo o sofrimento que eu poderia suportar. Agora eu queria acabar com isso.

Levantei-me lentamente e disse. "Você precisa que eu te leve a algum lugar?"

Seu olhar não encontrou o meu. "Eu estou onde eu deveria estar."

Eu não quis mais ficar tentando descobrir coisas que não eram necessárias. Virei-me e saí do banheiro, passei pela sala e encontrei a porta da frente. Abri-a e vi meu carro parado quase na entrada. Olhei ao redor e procurei por minha chave, que estava na mesa ao lado da poltrona na qual eu estava antes.

Peguei-a e dei largos passos até meu carro, aliviado de não acordar e perceber que tudo tinha desaparecido e eu estava preso nesse lugar.

Onde eu estava com a cabeça? Quem era louco o suficiente para permitir que esse tipo de coisa acontecesse?

Quando acelerei o carro e dirigi pela estrada, um pensamento me assaltou. 'Onde Edward tinha ido? Será que aconteceu algo com ele?'.

Ainda dirigindo, olhei para o relógio. Puta merda, já tinha passado quase um dia, minha mente trabalhava freneticamente para o que poderia ter acontecido. Será que Edward tinha voltado pra casa? Como foi o encontro dele com Bella?

Meu carro estava deslizando na estrada enquanto eu refletia sobre toda a loucura que eu tinha vivido. Jamais imaginei que pudesse existir algo dessa magnitude. Mesmo com a dor ainda atravessada no meu peito, eu estava mais leve. Pode parecer muita sacanagem, mas o sexo me fazia muito melhor. Era minha válvula de escape.

Mesmo que fosse errado, parei o carro na porta de Bella. Eu queria saber como ela estava, afinal, todo o seu sofrimento era por minha causa. Ponderei se iria até lá ou não. Mas depois de toda a cena de Alice, achei melhor ir até a casa dos meus pais primeiro.

Ao abrir a porta, me assustei com a cena que se desenrolava. Meus pais e meu irmão, conversando, como se fôssemos muito normais. Edward tinha perdoado tudo, então?

Ainda olhando para todos, senti o olhar avaliador do meu gêmeo. Não, ele não me perdoou. O que ele tinha feito, afinal? Eu estava muito cansado, mas esse não era o momento para discutir sobre nada, pois como percebi, meus pais estavam cegos sobre a nossa briga.

"Rob." Minha mãe exclamou. "Que bom que você chegou. Temos que conversar." O que seria afinal? Será que ele... contou?

"Sim." Eu disse. "O que seria?"

"É sobre a Kristen."

Minha mente parou nesse instante. Isso não estava acontecendo! Em que momento eu tinha voltado ao passado e caído nos meus piores pesadelos? Senti todo o meu sangue congelar somente com suas palavras. Onde tinha ido parar a sanidade dessa família. Não. Não. Não. Isso era tão injusto comigo. Eu não merecia...

"O quê?" Eu não estava acreditando ainda. Porra, isso tinha que ser um pesadelo. Puta merda...

"Edward a encontrou." Meu pai falou diretamente. 'O QUE?... NÃO, ISSO NÃO'. Minha mente gritava desesperadamente.

"Por que você fez isso comigo?" Eu não conseguia olhar para ele sem acusá-lo. Ele SABIA da minha dor. Edward conhecia meu passado. PORRA, isso não podia estar acontecendo agora.

"Não julgue o seu irmão. Ele tem um bom motivo para tê-la trazido para casa." Minha mãe nos disse, mas eu não estava processando mais nada. Eu precisava sair dali. Mas... o que...

"O quê?" Perguntei assustado. "Para casa? Esta casa?" Então era isso! Assim que ele queria se vingar de mim? "Essa é sua vingança? Você vai mesmo jogar desse jeito?"

"Pare de acusar. Escute o que temos a dizer." Meu pai falou entre nós, mas eu não conseguia parar. Tudo doía nesse momento.

"Eu sabia. Vocês sentiam mais falta dela do que de mim, não é? Vocês a amam mais do que a mim. É isso?"

"Não aja como uma criança, Robert!" Minha mãe falou comigo, mas eu não queria ouvir mais nada. Eu precisava sumir daqui. Minha cabeça doía tanto que parecia que ia explodir. Virei meu corpo para sair desse lugar. Dessa cidade.

"Rob." Edward me chamou. Eu não queria ouvir. PORRA, nunca imaginei que Edward fosse jogar tão baixo. Nada disso era real. Não podia ser. Caminhei sem rumo para fora e escutei meu gêmeo me chamando de novo. "ROB!" Com ódio no olhar, me virei para ele. Eu tinha que falar.

"O que foi? Você não queria acabar comigo? Então aí está: Você ganhou! Eu não quero mais participar disso".

"Do que você está falando? Eu sou o único que deveria estar puto aqui."

"Ah, claro maninho. Você deveria mesmo. Pra que você a trouxe pra cá?"

"Eu precisei fazer isso."

"Quer saber... fica com ela. Eu já tenho a Bella mesmo, não é?" Eu estava magoado, então eu destilei meu veneno. Isso não era certo, e a culpa começava a aparecer no meu coração, mas eu já tinha falado. Agora era muito tarde.

"É uma troca justa, cópia." Ele disse para mim. NÃO. PORRA... isso não. Ele estava com... ela? Meu olhar deve ter refletido minha dor, pois o vi fraquejar rapidamente. Mas não dessa vez. Eu precisava sair da sua presença. Virei meu corpo em direção contrária ao seu olhar. Eu estava mais uma vez na merda. Era assim que eu me sentia.

"Eu precisei fazer isso." A frase dele ainda soava na minha cabeça.

Precisou o caralho! Ele queria era foder com o resto que sobrou da minha vida.

Eu também não deixei barato. Eu tinha acabado de desejar que eles estivessem bem, mas depois da sua apunhalada... joguei meu rancor nele. Não era justo, nem para ele e nem para mim, mas eu não consegui segurar, tive que falar. Eu sabia que me arrependeria dessa merda mais tarde, mas, foda-se.

... Eu já tenho a Bella...

Nada tinha acontecido entre eu e ela sem ele no meio. Ou quase nada. Só um monte de sentimentos confusos, alguns enganos que a minha falta de sexo causava, mas o que poderia ainda ser considerado uma sacanagem era não termos contado antes.

Desde o início eu queria falar. Desde o primeiro dia, mas não era só minha história. Era dela também. Ela queria achar o momento certo, mas não existe momento certo para contar o nosso tipo de verdade. Cedo ou tarde daria na mesma merda.

Puta que pariu! Maldita noite em Paris!

Eu não lamentava mesmo ter ficado com ela. Foi bom demais. Mas o que eu lamentava era que isso tivesse me afastado da minha cópia e tivesse feito com que ele quisesse me magoar em troca.

Aquele nome era proibido entre nós dois. E eu jurei nunca mais proferi-lo desde aquele dia. Com esses pensamentos na minha cabeça, percebi que estava parado na porta dela. Isabella. Eu não queria estar lá, mas meu corpo me levou.

Qual era o problema, afinal? Ele não tinha trazido Kristen de volta mesmo?

E nesse instante, bati em sua porta. Eu precisava muito de ajuda...


Hoohohoh... Conseguimos fazer um capítulo beirando todas as tensões, não? Gostaram da cena da floresta? Eu tenho que confessar... ela foi totalmente inspirada em uma cena do livro "O Diário Secreto de Laura Palmer". Quem ainda não leu... é um diário real de uma menina de 15 anos que foi encontrada morta nos EUA perto do ano 1990. Eu me arrepio ao me lembrar de algumas coisas que ela escreve nesse diário. OMG.

Estamos super inspiradas por aqui e possivelmente teremos uma cena extra super importante, ela está sendo escrita pela Titinha. E também será postada fora do cronograma, em um domingo. Acho que no outro.

Dê sua opinião... ela nos ajuda a ver se estamos no caminho certo.

Beijos e mais Beijos...

Irene e Titinha