I know sometimes when you see yourself, that you see yourself

Someone not good enough

I know there's times when you feel like, you can do nothing right

And the insecurity takes a hope

Of scars origin all your soul

You can see what's inside

Open up your eyes

Eu sei que as vezes quando você se vê, Que você se vê

Alguém que não é bom o bastante

Sei que há momentos em que você se sente como se você não pudesse fazer nada direito

E a insegurança toma a esperança

De cicatrizes origina toda sua alma

Você pode ver o que tem dentro

Abra seus olhos

Until You Love You – Pussycat Dolls


CAPÍTULO 24 – DE VOLTA AO COMEÇO

BELLA POV

"Mãe?"

"Isabella! Ainda bem que você está em casa. Eu... eu-".

"Calma mãe, o que houve?"

Sua voz estava tão quebrada. O que tinha acontecido? Mesmo com toda a dor física e emocional que eu sentia nesse momento, nada me deixava mais desesperada do que meus pais sofrendo. Algo muito sério devia ter acontecido para minha mãe estar assim.

"Filha... Deus... Seu pai, eu não sei como... ai, Bella, me ajude!"

"Mamãe, calma, por favor. O que aconteceu?"

"Seu pai, Bella, está aqui no hospital..."

"O QUÊ?"

"Bom, ele não está bem... quer dizer, ele está bem, ou melhor, está vivo, mas sofreu uma parada cardíaca..."

Eu não ouvi mais nada. Meu corpo tinha entrado no automático. Meu pai. O único homem que me amava incondicionalmente e que sempre confiou em mim. Eu precisava ir até ele nesse momento.

"Mãe! Eu estou indo para aí. Onde vocês estão?"

"No Hospital Memorial de Phoenix... venha logo, filha... eu... nós precisamos de você aqui".

"Quando você menos perceber estarei do seu lado, mãe".

"Mas, Bella, e seu trabalho? Eu não q-"

"Não se preocupe, mãe. Vocês sempre virão em primeiro lugar na minha vida. Agora mais do que nunca..."

Após uma pequena despedida eu já estava frenética arrumando minha mala e ligando para uma Companhia Área. Eu falava tremendo ao telefone, marcando um assento no primeiro vôo disponível. Mesmo com a distância de Forks até o Aeroporto de Seattle, eu tinha certeza que conseguiria chegar a tempo, já que as estradas até a cidade já eram mais do que conhecidas por mim.

Corri com uma pequena bagagem até meu carro e tentei não olhar para a casa deles. Meu peito gritava de dor, mas eu tinha que ser forte. Meu pai precisava de mim. O carro de Rob já tinha saído da frente da minha casa, com o indicativo de que ele não estava nas redondezas. A noite já começava a cair, mas não me importei. Eu tinha que ir.

Durante o trajeto tentei não pensar na quantidade de coisas que tinha me acontecido somente nessa tarde. Eu tinha perdido tudo que construí nessa cidade. Minha vida tinha dado uma reviravolta tão grande que parecia que estava vivendo dentro dos meus piores pesadelos. Eu sempre tive medo que Edward descobrisse tudo, por isso tinha medo de contar, mas nunca imaginei que seria dessa forma e, pior, que fosse abandonada e tratada como uma prostituta por ele e por sua irmã.

Somente com a lembrança das palavras amargas de ambos comecei a chorar. Eu pensava que já tinha posto toda dor para fora, mas era impossível. Tudo era doloroso demais, mas eu tinha que me firmar, já que estava voltando para meus pais. Durante algum tempo, eu e minha mãe pouco nos falávamos, nos restringindo a e-mails e telefonemas curtos. Mas ela e meu pai, que era muito fechado e pouco conversava, entendiam minha profissão excruciante e que tomava todo o meu tempo livre. Mesmo assim, um pequeno remorso se formou em meus pensamentos. Se algo acontecesse com meu pai nesse momento, eu sentiria uma dor ainda maior do que essa que estava enfrentando agora.

Meu pai, com seus poucos rendimentos, conseguiu me dar uma vida digna e feliz. Quando decidi ser enfermeira, ele não foi contra e minha mãe adorou. Ela falava que eu ficaria linda de branco, mas meu pai dizia que eu tinha que seguir meus sonhos. E foi o que aconteceu, me tornando uma profissional séria e competente, mas sem o glamour que minha mãe via na profissão. Depois que minha mãe conheceu Rosalie, todo e qualquer projeto relacionado a uma filha sexy e exuberante tinha sido dirigido para minha linda amiga.

Doeu ainda mais pensar em Rose. Na hora que ela me acusava de ser uma amiga ingrata e promíscua, eu não concordava com ela, mas agora, mesmo com toda dor, eu via que ela tinha razão. Eu não fui digna da sua amizade. Eu deveria ter contato tudo pra ela desde o início.

Com os pensamentos perdidos, quase passei da entrada do Aeroporto na rodovia. Olhei para o relógio e vi que ainda tinha trinta minutos para o embarque. Suspirei com a possibilidade de abandonar Forks, mas isso era necessário, não só pelo meu pai, mas também pelos meus problemas.

Pensei no meu trabalho, afinal, eu não era irresponsável. Jamais abandonaria minha profissão, mas agora eu não queria enfrentar este problema. Mesmo que de forma triste, foi uma boa coisa essa viagem repentina, pois eu tinha a desculpa perfeita para me afastar. Entretanto eu não queria avisar Dr. Carlisle que, mesmo sendo meu chefe, era meu ex-sogro. Eu pensava com quem falar sobre minha ausência.

Estacionei e corri para a área de check in. Os vôos estavam no horário, o que foi de grande alívio. Conversei rapidamente com as comissárias e quando vi já estava no avião. Desde que saí da Europa, há pouco mais de quatro meses atrás, eu não viajava, tamanho era meu compromisso com meu trabalho. Fechei os olhos para minhas lembranças. Eu não queria reviver toda a minha dor, assim como na última viagem.

Adormeci no vôo, mesmo sem querer. Acordei com o solavanco da aterrissagem completamente desorientada. Eu estava acabada com as brigas e desentendimentos da minha vida em Forks, mas eu precisava assumir a minha máscara de pessoa bem resolvida. Meus pais não precisavam saber o que tinha acontecido comigo.

Antes de pegar um táxi, lembrei que precisava avisar alguém do meu sumiço. 'Pense, Isabella, pense!' Com quem eu falaria sobre meu problema, mas sem deixar pistas da minha dor? Minha cabeça doía pelo cansaço e pelos sentimentos confusos. 'Sim... Ângela!'

Quase sorri ao relembrar minha amorosa assistente. Ângela era tão boa e amiga. Sim, é com ela que eu falaria. Remexi em minha bolsa, mas meu telefone celular estava descarregado. Pensei por um momento sobre os plantões do hospital e rezava para que Ângela estivesse na área reservada para nós. Fui até os telefones públicos e liguei para o telefone próximo a ela. Após o segundo toque, alguém atendeu.

"Hospital Central de Forks".

"Por favor, eu posso falar com a Enfermeira Ângela?"

"É ela mesma".

"Oi, Ângela. Sou eu, Bella".

"Oi, Bella. O que houve?"

"Bem... eu..." O que dizer, meu Deus?

"Aconteceu alguma coisa? Você e Dr. Edward estarão de plantão somente amanhã".

"É sobre isso... Angie." Meu olhos inundaram só de ouvir seu nome novamente.

"Mas o q-" Já cortei seu assunto, pois não suportaria novas notícias.

"Ângela... eu não irei ao plantão... m-"

"O que aconteceu, Bella? Estou ficando preocupada".

"Espera, amiga. Não aconteceu nada... quer dizer... nada comigo" Engoli meu choro. "Mas meu pai... quer dizer... desculpe, Ângela, mas não posso trabalhar amanhã... eu-"

"Calma, amiga, fale devagar. O que houve com seu pai?"

"Meu pai sofreu uma parada cardíaca... mas eu não sei ainda... Oh Deus, Angie... eu preciso ir".

"Acalme-se, amiga, vai dar tudo certo. Onde ele está?"

"Em Phoenix. Na verdade, já estou aqui... não me lembrei de ligar antes... mas agora... você pode avisar pra mim... não sei quando volto".

"Claro, amiga, eu te cubro por aqui, mas, por favor, mande notícias".

"Sim... Angie... sim." Novas lágrimas. "Muito obrigada... por tudo".

"Bella. Você é muito importante para esse hospital e para mim. Conte sempre comigo, viu? Sou sua amiga".

"Angie... eu precisava ouvir isso mesmo... estou tão..."

"Não fiquei assim, ok? Estarei aqui sempre que precisar. Vá com calma, cuide do seu pai e quando der, volte para nós, tudo bem? Estaremos aqui te esperando".

"Obrigada de novo".

"Não precisa agradecer, Bella. Você é uma pessoa especial e única. Pode sempre contar comigo".

Após uma despedida emocionada, desliguei o telefone, ainda com as palavras de Ângela na minha cabeça. Uma pessoa especial e única. Foram suas palavras. Exatamente as mesmas que Rob usou para me descrever.

Uma cachoeira de lágrimas desceu pelos meus olhos novamente. Nem quando Rob me abandonou em Paris eu tinha chorado tanto quanto agora. Por que Edward nem sequer me escutou? Sei que estava errada escondendo esse segredo por tanto tempo, mas foi ele que começou tudo. O sexo a três foi idéia dele, afinal.

Caminhei a passos lentos até um táxi. O bondoso senhor me pareceu familiar, pois seus olhos buscavam os meus o tempo todo. Eu limpava meu rosto tentando apagar as marcas das lágrimas que não paravam de cair.

"Você está bem, minha jovem?"

"Eu?... er... sim. Pode me levar ao Hospital Memorial, por favor?"

"Alguém doente?"

"Sim... sim, senhor... meu pai".

"Oh... lógico. E a propósito, sou Aro. E você?"

Dei um leve sorriso para o simpático motorista. Ele parecia está próximo dos cinqüenta anos, mas me passou uma confiança como se fôssemos velhos amigos. "Sou Bella... quer dizer, Isabella, mas todos me chamam de Bella".

"Muito prazer, Isabella. Irei o mais rápido que puder, ok?"

"Oh sim... por favor. Eu preciso ver meu pai logo".

Entrei no táxi e recostei a cabeça no vão do banco traseiro. O motorista colocou uma música baixinha, mas que me fez relaxar um pouco. Tinha passado poucas horas desde os inúmeros acontecimentos que me trouxeram até aqui. A doença repentina do meu pai, o ódio e incompreensão de Edward, as iras de Alice e Rose e, o pior, minha completa solidão, já que todos, no final, me abandonaram. Eu estava me sentindo tão sozinha.

Comecei a reviver meus últimos momentos novamente, mas agora pensando no meu pai. De certa forma era bom estar de volta para os braços de minha família. Não era o motivo correto, afinal meu pai estava em uma cama de hospital. Eu não estava feliz com isso, fui negligente e ausente com meus pais nos últimos anos enquanto estive na Europa. E, desde que tinha voltado para a América, eu ainda não os tinha visitado. Minha mãe compreendia, é claro, pois minha profissão era mesmo extenuante, mas meu pai era quem eu sempre sentia mais falta. Principalmente agora.

Eu percebi o quanto realmente o amava e precisava dele, afinal tudo o que sou hoje, foi do grande esforço do meu pai. Nós não tínhamos a melhor comunicação de pai e filha, pois ambos éramos extremamente fechados e contidos nos sentimentos. Mas, mesmo assim, eu me sentia profundamente ligada a ele. E agora, com a possibilidade de uma perda permanente, senti que esse foi o momento perfeito para uma reaproximação.

"Estamos chegando, senhorita Isabella".

"O quê?"

"O Hospital. Estamos na esquina".

Fui arrancada aos tropeços dos meus pensamentos e olhei em direção a cidade que eu havia abandonado há muito tempo. Phoenix não tinha mudado muito e, mesmo com meu sofrimento, não pude deixar de sorrir diante da beleza daqui. Minha mãe a adorava, dizendo que o sol de Phoenix fazia milagres para sua pele alva. Eu sempre ria dos seus comentários, pois meu pai odiava esse sol todo.

"Chegamos".

"Obrigada, senhor... er..."

"Aro".

"Oh, sinto muito".

"Tudo bem. Cuide de seu pai, jovem. Eu sei o que é estar sozinho, sem a companhia dos filhos. Não o deixe sem contato".

Olhei em sua direção, com suas palavras batendo forte na minha consciência. Meu pai. Eu não podia deixá-lo sozinho agora. Assenti e paguei a corrida, forçando meus passos para a recepção do hospital.

Olhei em volta e percebi algumas semelhanças com o Hospital de Forks. Não tinha nem doze horas do meu último plantão e eu já sentia falta do meu trabalho. Mas o que fazer diante de tantas coisas? Jamais teria coragem de enfrentar a ira de todos. Se Alice, que nem vivia na cidade, tivera uma reação violenta, o que será que as outras pessoas da cidade fariam se descobrissem? Meu corpo tremeu somente com esse pensamento. Minha reputação poderia estar acabada neste instante.

Continuei procurando em volta e vi uma movimentação próxima à lanchonete. Eu conhecia este hospital como ninguém, já que vivi alguns dos meus dias de infância por aqui, com meus pequenos ferimentos da minha tão conhecida falta de equilíbrio.

Fui lentamente em direção a local e meus olhos inundaram com a visão. Minha mãe estava chorosa nos braços de uma enfermeira idosa. "Por Deus... não..."

Minha mãe ouviu minha voz e olhou em minha direção. Ela estava tão acabada. "FILHA! MEU DEUS... que bom que chegou".

"Mãe... mamãe." Corri ao seu encontro com as pernas bambas pela emoção. Meu corpo estava em frangalhos e minha mente entorpecida, mas a visão de minha mãe tinha me restaurado parte do que eu era. Eu sentia tanto a sua falta.

Nos abraçamos tão forte. Minha mãe chorava compulsivamente. "Bella, filha!" Eu a afagava nos meus braços, sendo também engolida pelas lembranças. Minha família precisava de mim e eu não estava aqui.

"Mãe... calma... estou aqui".

"Bella... seu pai. Ele está muito mal..." Seu choro aumentou. "Oh Deus, eu não sei o que fazer com ele".

"Mãe, me conte o que houve".

"Estávamos em casa ontem e, de repente... eu não quero..."

"Mãe... calma".

"Oh Bella". Minha mãe olhou nos meus olhos e afagou meu rosto. "Seu pai... Phil... ele sente tanto a sua falta... eu acho".

"Mãe... por favor".

"Bom, estávamos em casa e ele sentiu uma dor forte no peito... e aí... eu não consigo..."

"MÃE!"

"Bella... ele segurou em mim, filha... e antes de desmaiar de dor, disse que te amava tanto... que sentia a sua falta... e..."

"O que, mãe?"

"Que não morreria antes de te ver filha".

"NÃOOOO!"

Meu pai.

"Onde ele está, mamãe?"

"Ele não está consciente, filha... ele..."

"EU QUERO VÊ-LO, AGORA".

Saí de seus braços e fui em direção ao primeiro médico que vi. Eu estava tão assustada com tudo. Nada disso estava certo, eu não podia perder meu pai. Comecei a escutar gritos até perceber que era eu que gritava. Eu tinha que vê-lo. Aos poucos minha mente foi escurecendo e meu corpo foi caindo. Tudo era tão confuso...

...

Bip. Bip. Bip.

O som batia na minha cabeça, mas eu estava incapaz de abrir meus olhos. Estava muito confusa e dolorida e sem idéia de onde me encontrava. Aos poucos minhas lembranças foram voltando. Sim, eu estava no hospital, provavelmente onde meu pai também estava e, para piorar, ainda tinha muitos problemas. Lentamente abri meus olhos para encarar a minha realidade e com muita surpresa, percebi que não estava sozinha.

"Oi".

Permaneci muda, tentando acordar de verdade porque eu só poderia estar sonhando.

"Não... você não está sonhado, Bella".

"Aprendeu a ler pensamentos?"

"Eu sempre soube ler você... amiga".

Eu sorri. E lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Não acreditei que depois de tantas coisas acontecendo na minha vida eu poderia ter meu primeiro momento de felicidade. Eu não estava mais sozinha.

"Rosalie!"

"Oi, Bella... você está bem?"

"Eu... não... sim... não sei. Mas c- como?"

"Como eu vim parar aqui?"

"Isso... quer dizer... Oh Deus, eu estou tão feliz por você estar aqui, Rose".

"Eu também".

Minha amiga estava comigo! Comecei a rir abertamente enquanto Rose se aproximava da minha cama e me abraçava. Eu estava ligada a algumas máquinas me deixando um pouco incômoda com tudo, mas estava tendo meu primeiro momento de felicidade depois de tanto tempo. Achava que tinha perdido minha capacidade de sentir esse sentimento de alegria. Mas não. Eu ainda tinha minha amiga.

"Mas como você me achou?... Ou, o que você está f-"

"Shhhhh... fique calma que te explico tudo".

"Ah, Rose. Meu Deus, quanto tempo... quer dizer... eu estou confusa eu acho..."

Ela riu. "Calma... você teve um colapso nervoso depois de tanto tempo sem dormir e comer. O médico que te socorreu me explicou. Você esteve desacordada... ou melhor, dormindo, há mais de doze horas".

"Eu não entendo".

"O que eu faço aqui?"

"Sim... quer dizer, não... você me odeia, Rose." Sussurrei o final com medo da verdade.

Rose suspirou e me olhou chorosa. "Ah, Bella... eu não te odeio, mas eu estou aqui porque eu sou sua pessoa de contato lembra?"

"O quê?"

"Bella, bobinha." Ela sentou na cama e cruzou os braços. "Lembra quando estávamos na faculdade e após sua primeira bebedeira, você ouviu umas broncas do seu pai?" Assenti confusa. "E que tínhamos feito um pacto que uma seria o contato da outra para caso acontecesse de novo? Então... você passou mal e me chamaram".

"Mas minha mãe está aqui... e meu pai..."

"Sua mãe estava desnorteada, Bella".

"E como ela está? E meu pai? Oh Deus... eu preciso..." Tentei me levantar, mas fui impedida pelos fios que me prendiam. Rosalie me segurou, impedindo meus movimentos. Gemi com as dores e fechei os olhos bem fortemente. "Calma, Bella. Eles estão bem".

"Mas eu preciso vê-los, Rose!"

"Deixa eu te dizer. Seu pai acordou há poucas horas e perguntou por você. Eu já estava aqui e disse a ele que você teve um colapso devido a pressão no trabalho, mas que agora estava dormindo. Sua mãe também está descansando, depois de perguntar por você. Juro que assim que conversarmos eu te levo até eles".

"Hum... eu... obrigada." Voltei a deitar na cama buscando seus olhos.

"Não precisa me agradecer. Somos uma família".

"Mas... eu não entendo... você..."

"Bella... eu preciso lhe dizer... eu..." Minhas mãos buscaram a sua.

"Rose... perdoe-me".

"Não... por favor, me deixa falar tudo Bella".

"Rose, nada disso. Eu preciso m-"

Ela me cortou com aquele olhar. Minha amiga era uma excelente profissional, não era à toa. Além de linda, Rosalie tinha o poder de nos calar somente com o seu olhar. Eu e Emmett sabíamos disso.

"Bella... eu nem sei por onde começar".

Eu assenti esperando o seu momento. Ela saiu da cama e começou a dar passos longos em todo o quarto. Em alguns momentos, sentia a necessidade de interromper seus pensamentos, afirmando que eu precisava do seu perdão. Tudo o que tínhamos conversado antes tinha sido duro, mas ela estava certa. Eu a considerava minha família e a excluí da minha vida.

"Bella... eu estou tão arrependida" Rosalie me olhou com olhos cheios d'água. "Eu fiquei tão... tão confusa com tudo. Eu não pensei..." Comecei a chorar também. "Rose... perdoe-me... eu..."

"Não, Bella... sou eu sabe?... sou tão horrível... perdoe-me..."

"Por quê? Sou eu, Rose! Eu menti e não c-"

"Nada disso, amiga... oh, Bella, eu sou tão idiota... eu não pensei no quanto você deve ter sofrido... e eu fui egoísta e estúpida. Você é e sempre foi a minha família".

"Mas Rose... você disse q-"

"Bella. Eu sei o que eu disse. E gostaria imensamente de retirar tudo o que falei para você ontem. Você não imagina como senti uma dor horrível por ter dito aquelas coisas na sua casa. Eu me senti tão baixa... e..."

"Rose... eu não..."

"Oh, Bella. Eu sinto muito mesmo. Perdoe-me. Fiquei refletindo em casa e imaginei quanta dor você deve ter sentido para não ir nem no meu casamento. Eu devia ter sabido. Quando comecei a ter pesadelos com você, sabia que não estava bem, mas demorei a perceber..."

"Nada disso, Rose. Era a minha dor, mas eu não podia ter faltado ao seu casamento... fui horrível..."

"Bella." Ela segurou minha mão. "Quando eu disse que os considerava muito, sempre foi porque me sentia sozinha, Bella. Perdi meus pais ainda garotinha e vivi em lares adotivos por muito tempo. Nunca tive essa ligação forte e única." Ambas chorávamos muito. Minha amiga deve ter sofrido tanto.

"Eu recuperei alguma coisa quando conheci seus pais e você, amiga. Senti-me tão amada e tão importante. Mas ainda faltava algo, sabe? Alguém pra mim. E logo depois veio Emmett. Nunca me senti tão completa. E quando eu vi o quanto Alice estava sofrendo, pensei na sua família e na dor de fazer uma família sofrer. Mas não pensei em você, Bella. Perdoe-me, fui cruel e egoísta, justamente eu, que sempre a incentivei a seguir seus instintos e desejos. Eu não tenho que questionar suas escolhas. Sempre serei sua família para lhe apoiar em tudo. Se você ainda me quiser, é claro".

Balancei a cabeça concordando desesperada, com medo de que estivesse em um sonho. Eu chorava tanto. Rose nunca havia me contado sua dor de estar sozinha no mundo. Sempre a invejei por ser decidida e competente. Nunca imaginei que ela tinha essas lembranças amargas.

"Por que nunca me contou isso, Rose?"

"Eu não precisava de piedade." Ela sorriu tristemente. "Ou, assim eu imaginava... mas pensar que minhas memórias tristes quase me fizeram perder a minha melhor amiga... eu sinto muito, Bella".

"Rose, me perdoe por tudo também." Minha linda amiga correu até a cama e me abraçou tão forte. Não me importei com os fios repuxando minha carne, tamanha era a minha felicidade. Ela começou a distribuir beijos pelo meu rosto, exatamente quando como queria me consolar de algo triste. Eu a amava tanto.

Ainda chorando, começamos a rir. Na verdade, começamos a gargalhar. Por Deus, nunca imaginei que recuperaria parte da minha felicidade tão rapidamente.

"Bom, eu acho..." Rosalie tentava falar enquanto limpava suas lágrimas. "Que precisamos te soltar, né? Acho que depois de tantos choros e abraços, você deve estar bem dolorida, hein?"

"Sim... sim... eu preciso sair daqui." Tentei sacudir meus braços, em vão.

"Vou chamar um médico, espere!"

Rose saiu correndo do quarto enquanto eu analisava minhas últimas horas. Nada fazia sentido agora, precisava ver meus pais e resolver minha vida profissional, mas ter o apoio de Rose fazia as coisas serem mais brandas e talvez mais fáceis.

Ela voltou com um médico loiro e muito bonito. Sua beleza era comum, se comparada com Edward. Somente sua lembrança fez meus olhos encherem de lágrimas, mas eu tinha que refrear minha mente. Eu precisava seguir minha vida.

"Está se sentindo melhor, Sra. Swan?"

"Senhorita, por favor".

"Hum sim... está melhor? Sua amiga me disse que você está bem agora".

"Sim... obrigada, doutor...?"

"James. Chame-me de James, por favor".

Sorri para ele enquanto observava Rosalie o admirando. O médico James estava finalizando meu prontuário e minha amiga analisava seus contornos físicos descaradamente. Eu tentava não rir diante da cena, mas foi impossível. Acabei soltando uma gargalhada.

"Vejo que está muito melhor, Srta".

"Bella... quero dizer, Isabella".

"Combina com você".

Meu rosto corou violentamente, como sempre, enquanto Rose revirava os olhos para minha timidez. Era lógico que o médico flertava comigo, mas eu não estava com disposição para esses joguinhos agora. Voltei para minha posição defensiva e fiquei calada durante o restante do tempo.

"Está com alta, Srta. Isabella. Você nos deu um grande susto ao cair nos meus braços chorando. Espero que esteja melhor e bem descansada agora".

"Sim, doutor. Muito obrigada... e meu pai?"

"Ahhh... Sr. Swan? Ele está a dois quarto do seu. Está acordado agora. Gostaria de visitá-lo?"

"Sim. Por favor".

"Claro. Deixe-me soltá-la e após trocar de roupa poderá ir até lá. Seu pai fala muito de você por aqui".

"Sério?"

"Sim. Ele diz que sua filha já freqüentou muito este hospital." Ele sorriu com as lembranças, fazendo-me sorrir também. "E que isso a incentivou a ser a enfermeira competente que é hoje." Fechei os olhos. Meu pai me elogiava para todos por aqui, isso me fez tão feliz. "E se por acaso a senhora... quero dizer, a senhorita, quiser trabalhar conosco, teremos uma vaga para você".

"Muito obrigada".

"Não precisa me agradecer e sim ao seu pai. Ele é o melhor 'relações publicas' que já conheci". Ele disse soltando a última agulha. "Prontinho. Pode se trocar e foi um prazer conhecê-la".

"Obrigada." Eu não conseguia deixar de ficar vermelha e sem graça com seus elogios.

O doutor James saiu do quarto e uma Rosalie saltitante veio sentar ao meu lado.

"Lindo, não é? Eu amo meu marido, mas faz sempre bem para o ego e para os olhos ver algo tão bonito".

"Não enche, Rose".

"Ei, qual o problema? Tudo bem que o Dr. Edward é muito mais bonito e tudo mais, m-"

"Não, Rose..." Eu não podia fraquejar, não agora que veria meu pai.

"Por que eu sinto que tem algo mais que está faltando?"

"Ele me deixou, Rose. Não estamos mais juntos".

"Como é? Não estão mais juntos?"

"Não".

"Conte-me isso".

"Por favor, Rose. Deixe-me falar com meu pai primeiro. Se contar tudo pra você agora, vou chorar de novo e quero estar bem para conversar com ele antes de desabar. Espere um pouco que te conto tudo".

"Tudo bem, mocinha. Mas você não vai escapar de mim de novo".

"Ok".

Troquei de roupa e fui em direção ao quarto do meu pai. Assim que abri a porta, sorri diante da cena. Meu pai lendo seu jornal, sentado na cama, enquanto minha mãe falava ao telefone com alguém que ela conhecia. Eles pareciam tão reais, mas ao mesmo tempo, um sonho. Uma onda de felicidade invadiu o meu sistema. Eu poderia resgatar parte da minha vida voltando pra casa.

"Vai ficar aí na porta, mocinha?"

"Oi, pai".

"Como você está? Fiquei preocupado com sua saúde." Revirei os olhos enquanto caminhava para perto da cama. Meu pai parecia cansado, mas uma centelha de felicidade pairava nos seus olhos. Ele também estava feliz por eu estar aqui.

"Eu que te pergunto, rapaz. O que você anda fazendo, hein? Quer nos assustar?" Minha mãe sorriu e me deu um beijo na testa, nos deixando a sós. Nunca tínhamos muito assunto quando morava com eles. Meu pai sempre foi muito fechado, apesar de ter certeza do seu amor por mim.

"Eu sei que não sou o senhor saúde, mas estou velho, poxa. Tenho direito a ficar doente e freqüentar hospitais também".

"Não desse jeito, né?"

"Eu sou intenso, tudo bem?"

"Eu sei".

Começamos a rir. Eu adorava meu pai, mas esses momentos eram tão raros. Ele trabalhava muito e não tinha muito tempo pra mim.

"O que houve com você, Isabella?"

"Eu não estava muito bem... eu tinha virado no plan-"

"Não foi isso que perguntei".

"O que quer saber?"

"Você está feliz? Essa era a vida que você queria? Não estou vendo a alegria nos seus olhos, filha. Quer contar o que houve?"

"Não há nada para contar".

"Tem certeza? Nada fica imune ao seu velho pai. Você sabe disso".

Suspirei e fechei os olhos. Meu pai me conhecia tão bem. Mesmo com a distância ele tinha percebido que nada estava bom na minha vida. Mas jamais admitiria o que andava fazendo, até porque, meu pai, ou qualquer pai não aceitaria uma filha com dois homens, isso pra dizer o mínimo.

"Só estou muito cansada, pai. E preocupada com você".

"Já estou ótimo, como pode ver".

"PAI!"

"Filha, nunca fui bom em demonstrar meus sentimentos. Mas a proximidade da morte me fez rever meus conceitos. A primeira pessoa que lembrei foi você. Eu precisava ver a minha garotinha." Comecei a chorar de novo. "Mas ao vê-la agora, parada e completamente assustada, vi que estava certo, eu tinha que encontrá-la".

"Ahhh, pai... eu te amo tanto." Pulei em seu colo e fui afagada por seus braços, nunca me senti tão próxima dele. "Perdoe-me pela minha ausência, pai... eu..."

"Não, filha... nada disso. Sem arrependimentos, ok? E eu também te amo muito".

"Senti tanto a sua falta".

"Eu também, filha. Eu também".

Fui embalada por meu pai por um tempo. Era tão bom estra nos seus braços, mesmo depois de anos de afastamento. Eu corrigiria a minha falha a partir de agora. Na verdade, eu comecei a pensar na possibilidade de aceitar a oferta que o jovem médico tinha me dado. Poderia ser uma coisa boa, abandonar tudo e todos em Forks, mas só o pensamento de jamais ver Edward novamente doeu no meu peito. Eu não suportaria tanta dor.

"Que cena linda. Posso me juntar também?"

"Sempre tem espaço pra você no meu pobre coração, Rose..." Olhei para trás e vi minha amiga parada na porta. "Venha e abrace seu velho também".

Rosalie quase pulou na cama, arrancando gargalhadas de todos. Minha mãe se juntou a nós e ficamos relembrando algumas situações engraçadas envolvendo minha amiga e eu. Em pouco tempo o mesmo jovem médico veio falar conosco e dar alta para meu pai, fazendo infinitas recomendações.

Peguei uma cadeira de rodas para levar meu pai, que sentou sobre protestos dizendo que não era velho e nem alejado. Eu, Rose e minha mãe ríamos bastante com suas reclamações. Meu velho pai estava de volta.

Assim que chegamos em casa o acomodamos e minha mãe foi fazer algumas compras, já que ficaríamos aqui. Na verdade, eu não tinha decidido quanto tempo ficaria em Phoenix, mesmo que fizesse pouco tempo após nosso rompimento. Eu não me sentia a vontade em voltar, principalmente agora que tinha uma proposta em outro lugar. Pode ser um aviso do meu destino, talvez, já que eu tinha bagunçado toda a minha vida.

Eu e Rose espiamos meu pai e o vimos roncar. Saímos sorrindo e com passos leves entramos no meu antigo quarto, que sempre ocupávamos nas épocas das férias da faculdade. Rosalie sentou na cama enquanto me dirigi para a janela, olhando o sol se pôr.

"Vou embora amanhã, Bella".

"Tudo bem".

"Quer conversar?"

"Sobre o que? Minha vida está uma bagunça que nem eu me entendo".

"Por que não me conta o resto, hein? Prometo ficar quietinha e não falar nada".

Suspirei e caminhei em direção à cama. "Não há nada pra falar, Rose. Ele simplesmente me deixou." Assim que sentei minha amiga pegou minhas mãos. "Ele não admitiu que eu e Rob tivéssemos tido a noite de Paris... e... bem... você sabe..."

"Bella, eu não entendo. Por que ele não aceitou? Mas você não disse que ele começou tudo na sua casa? Foi isso que entendi. Por mais que você tenha aceitado e tudo mais, não foi ele que começou?"

"Sim".

"E?"

"Ahhh, Rose... é tudo tão confuso sabe... eu não sei como ele descobriu primeiro... mas suas palavras foram tão cruéis e... ele não quer ver minha cara nunca mais, Rose... dói tanto, sabe..."

"Conte-me amiga, conte-me exatamente o que houve".

E assim comecei. Contei o resto que faltava para ela entender a história toda. Falei sobre meus temores, sobre o paciente de Edward, sobre sua possessividade após nosso sexo a três e todo o resto. Eu não entendia como me lembrava de tudo, nos míninos detalhes, mas foi bom me libertar. Eu me sentia tão sufocada com tudo, sem saber o que fazer ou pensar. Falei inclusive sobre o que houve após a saída de Edward e minha conversa com Rob e a nuvem negra que vi em seus olhos. Por isso que estava em cima dele. Rose era uma ouvinte maravilhosa, me deixando livre para falar e só me interrompendo quando não entendia algo, devido aos meus soluços.

"E foi assim que vocês me encontraram com o Rob, deitados no chão".

"Mas, o que houve para ele ser tão canalha assim?"

"Não sei, Rose, mas na verdade isso nem é tão importante agora. Eu não vou voltar".

"Como é?"

"Sim, Rose. Todos me odeiam. Alice me acha uma prostituta, Edward não quer nem ver meu rosto e Rob... bem... ele já tem seus próprios problemas".

"Tudo bem e você vai desistir de tudo o que construiu?"

"Que irá desmoronar assim que a cidade souber de tudo".

"Ninguém vai contar nada".

"Mas e Alice e t-"

"Bella. Preste atenção. Trabalhar em um hospital é sua vida. Você construiu uma carreira lá. Todos te amam. E Alice não vai contar nada. Nem que eu tenha que arrancar a língua dela." Olhei assustada para Rose. "Força de expressão né, Bella?" Sorri. "Então, como eu ia dizendo, nada e nem ninguém saberá do que houve, afinal, todos têm segredos. Por isso tenho certeza que você vai ser a enfermeira competente que sempre foi e vai ser ainda mais importante para aquela cidade."

"Mas, Rose... eu não... E Edward?"

"O que tem ele?"

"Ele não me quer".

"Pode parar com isso. Nunca vi aquele idiota do meu cunhado com os quatro pneus arriados por uma mulher como o vi por você. Acorde mulher! Edward te ama!"

"Mas ele falou coisas horríveis pra mim".

"Orgulho de macho ferido".

"O quê?"

"Bella. Ouça uma coisa da sua amiga que te ama. Edward vai voltar e se arrepender das coisas que disse pra você. E mais, vai voltar ainda mais manso. Mas se tudo o que eu disser for mentira, você não está disposta a lutar por ele? Você não disse pra mim que o amava com toda a força?"

"Sim... eu disse... mas e-"

"Nada de mas, Bella. Você viveu a experiência mais fodidamente erótica na vida de qualquer pessoa. Você fez sexo com dois dos homens mais lindos do país. E isso com o apoio do seu namorado. Isso a torna uma arma de destruição erótica, Bella. Ele não tem nenhum argumento para te tratar assim e mais, você já o conhece como ninguém. Seduza-o de novo. Faça as coisas para enlouquecê-lo ainda mais. Ele vai voltar. Escreva isso".

"Eu não sei fazer isso..."

"Pode ir parando. Sabe sim. Tudo pode ser erótico, Bella. Já sonhei em transar com Emmett em cima da mesa do tribunal. E com platéia. Imagina quantas coisas sexuais tem dentro de um hospital?"

"Rose!"

"Bella, agora é sério. Você pode ficar aqui e remoer a sua vida enquanto espera por um príncipe que não existe, ou corre atrás do homem que te fez a mulher mais feliz enquanto esteve com ele. Se quiser votos, eu escolho a segunda opção, sempre".

"Acho que você está certa".

"Eu tenho certeza!"

"Rose... eu não sei o que faria sem você, amiga".

"Burradas, lógico!"

Ambas gargalhamos e deitamos na cama. Eu parecia tão leve. Ela estava certa. Edward me amava, então eu lutaria por ele novamente. Ele poderia estar sentido e magoado com tudo, mas depois de estarmos com a cabeça mais tranqüila e conversarmos sobre o que aconteceu, as coisas ficariam resolvidas. Nada de segredos, ou desentendimentos. Nós seriamos um casal novamente.

A noite foi absurdamente tranqüila. Tive sonhos lindos com Edward, imaginando nós dois casados e com filhos. As crianças seriam lindas, se puxassem ao pai, lógico.

Acordei tarde. Eu sabia pela quantidade de sol que entrava pela fresta da janela. Levantei meu corpo e percebi que estava sozinha no quarto. Rose deve ter ido muito cedo. Olhei em volta e achei um pequeno bilhete.

Oi minha amiga,

Tive que levantar e ir embora cedo, pois tinha clientes para atender após o almoço.

Mas, por favor, não esqueça do que eu te disse. Volte para Forks e lute por seu amor.

Da sua quase irmã que te ama muito,

Rosalie.

P.S.: E não demore muito, pois você fala o nome de Edward nos sonhos, mais do que eu gostaria... rsrsrs

Sorri com seu bilhete. Rose me conhecia como ninguém. Pulei para o banheiro cantarolando, sentindo-me estranhamente mais forte. Tudo o que conversamos durante a noite me fez ver os problemas de forma diferente. Eu tinha que lutar pela minha felicidade.

Meu pai estava muito melhor. Apesar das suas constantes reclamações sobre sua dieta, eu na verdade via o quanto ele estava feliz com minha mãe cuidando dele. E ela também. Quando eu me casasse, queria ter uma vida assim, como a deles.

Comecei a planejar meu retorno. Primeiro na minha cabeça e também fisicamente. Liguei para solicitar um vôo, que seria somente na manhã seguinte, afinal eu queria ficar mais um pouco com meus pais. Avisei ao Hospital sobre minha ausência, o que foi muito bom, já que descobri que Ângela ficou com meus plantões pelos próximos dias. Ela era mesmo uma boa amiga.

A noite chegou assim que terminei todos os preparativos. Minha cabeça já estava em ordem, com tudo o que eu tinha que fazer para me organizar. Passei o dia em companhia dos meus pais, o que tinha sido maravilhoso, pois fazia tempo que não tinha momentos de ócio e fazendo coisas simples. Revivi vários momentos da minha infância.

Quando fui me deitar, meu pai veio se despedir de mim, igual como fazia quando eu era uma garotinha. Cobrindo-me e dando um beijo na minha testa. Sorri com seu gesto, assim como me emocionei também. Mesmo que meu pai tenha sofrido, a doença o fez muito mais emotivo, realmente, mesmo que isso não viesse em palavras. Eu já começava a sucumbir para o sono, quando ouvi uma batida na porta.

"Entre".

"Desculpe-me, filha. Posso me deitar com você?"

"Lógico, mãe. Mas o que aconteceu?"

"Quero ficar um pouco com minha garotinha, antes dela ir embora".

"Ah, mãe. Venha, deite aqui." Afastei meu corpo para que ela deitasse ao meu lado. "Obrigada por tudo". Aconcheguei-me ao seu abraço fechando os olhos.

"Saiba que te amamos, filha. E sempre estaremos aqui por você".

"Obrigada, mãe. Eu também amo muito vocês".

"Volte sempre que quiser, ok?"

"Sim... eu voltarei".

Fui engolida pelo sono, embalada pela música de ninar e pelos dedos nos meus cabelos. Nunca me senti mais amada em minha vida.

O dia seguinte foi corrido. Acordei muito cedo e fui de táxi para o aeroporto após calorosas despedidas. Eu não estava tão dolorida como quando eu tinha chegado aqui, mas, à medida que Seattle se aproximava, meu coração parecia que sairia pela minha boca.

Meu carro estava do mesmo jeito que eu havia largado. Fui com ele lentamente com medo do que encontraria quando chegasse, mas ao mesmo tempo me forçava a ser forte. Eu venceria. Edward me amava e voltaria para mim.

Assim que virei a rua eu vi o carro parado na minha porta. Eu não queria acreditar, mas minha mente não conseguia parar de pensar nessa hipótese.

Será que ele estava na minha casa?


Nota da Titinha:

Olá amores.
Sei que muitas estão confusas e pirando com a nossa história, principalmente as decisões do nosso malvado sedutor Rob do capitulo anterior. Gente, ele está sufocando toda a sua dor e seus sentimentos a mais de quatro anos... trazendo tudo a tona agora e durante esse tempo ele usou o sexo para se distrair e esquecer. Pode ser que muitas de vocês não compreendam exatamente como é isso, já que Rob é mesmo confuso...mas tentamos dar sentimentos mais próximos possíveis da realidade humana, e garanto que isso é bem real.
Esse capitulo POV BELLA é mais fofinho e light, pois conta um pouco a vida de Bella fora de Forks e principalmente a volta da sua amiga para seu convívio. Nós não seriamos loucas de deixar a Bella tão sozinha né?...rsrs
Outro detalhe que eu queria dizer: Sei que parece loucura, mas, na história, estamos a menos de dois dias da descoberta do segredo e da briga horrivel entre os tres, então não condenem, coitados, as suas decisões...rsrsrs... cada um lida com sua dor do seu jeito...

Mas, o mais importante de tudo:
Eu e Nêni estamos adorando toda essa comoção em torno da nossa fic meninas, sério. Temos leitoras fieis e algumas que não concordam com as atitudes do trio, mas quando leio seus comentários, felizes, chateados ou indignados com algum deles, fico extremamente feliz, já que vocês os tratam como se fossem reais...
Muito obrigado mesmo... as reações de todas são muito esperadas e adoramos quando conseguimos colocar a duvida na cabeça de vocês...

Ou seja... nos façam sempre felizes... nunca nos abandonem.

=)