Lay beside me

Tell me what they've done

Speak the words I wanna hear

To make my demons run

The door is locked now

But it's opened if you're true

If you can understand the me

Then I can understand the you

Deite ao meu lado,

Diga-me o que eles fizeram

Diga as palavras que eu quero ouvir,

Para fazer meus demônios fugirem

A porta está trancada agora,

Mas ela abrirá se você for verdadeiro

Se você consegue me entender,

Então eu consigo entender você

The Unforgiven II – Metálica


CAPITULO 25 – DIFÍCIL LEMBRAR, IMPOSSÍVEL ESQUECER

ROB POV

Primeiro bati levemente. Eu ainda não entendia o que estava fazendo aqui. Mas, caralho, para onde eu iria agora? Jamais voltaria para aquela casa de novo. Meus pais e meu gêmeo conseguiram tirar da minha vida a única coisa que eu chamava de lar nesse mundo. Isso era tão injusto.

Nova batida. Nada.

Bella tinha ido embora? Puta que pariu, onde ela estaria agora? Ela tinha me ajudado tanto, me resgatando da minha dor e o que eu faço? Abandono-a totalmente.

Mesmo sem pensar, girei a maçaneta da sua porta. Bella tinha a mania de deixar tudo aberto e diante das circunstâncias, esperava que ela tivesse deixado sua casa sem trancas. Click'. Eu estava certo.

Sua casa ainda conservava seu delicioso perfume. Aspirei o ar profundamente, fechando os olhos. Onde ela teria ido? Será que Bella conseguiria trabalhar depois de tudo? Passei as mãos pelos meus cabelos e descendo pelo rosto, tentando afastar meu cansaço e sem saber exatamente o que pensar e o que eu estava fazendo ali dentro, mas, por que não? Eu não tinha mais casa e nem ninguém.

Fui em direção ao seu quarto e percebi que tinha muitas gavetas abertas, assim como o seu armário, que estava bagunçado e faltando algumas peças de roupas. Bella tinha fugido? Por Deus, espero que ela esteja bem.

Peguei meu celular, mas vi que a bateria tinha descarregado. Eu tinha o telefone dela, mas nunca precisei ligar, não até agora. Será que Edward sabia que ela estava fora? Eu vi no seu olhar o ódio e o ciúme o corroendo por ter falado de Bella quando sai de lá, mas ele deveria acreditar que ela estivesse aqui. E se... ela desistiu também?

Não. Isso estava fora de questão. Bella era cheia de vida e nunca pensaria em algo estúpido assim como eu. Afinal, eu era o derrotado e com a vida sem sentido. Bella era a mocinha linda que tinha me resgatado do meu próprio filme de terror.

Fechei os olhos, pressionando o meio do meu nariz com os dedos. Onde será que ela tinha ido? Eu vi durante todo o tsunami de problemas e agressões o quanto ela ficou devastada. E novamente a abandonei. Será que ela entenderia minha dor? Por isso eu precisava de ajuda. Eu queria contar pra ela.

Caminhei pelo quarto, sentindo minha cabeça rodar. Eu me sentia tão sozinho. Lágrimas saltaram aos meus olhos, o que era a porra de um vício que agora eu tinha. Nada me fazia parar de chorar.

Eu precisava me libertar do meu passado para seguir com meu futuro. Era essa a mensagem que Bella tinha me dito. Será que ela fez exatamente isso? Foi embora largando tudo e todos, inclusive o amor da sua vida? O que Edward tinha dito para ela, afinal, que a fez ir embora assim tão loucamente? Tantas perguntas e tanto sofrimento. Nossa vida tinha sido marcada por agressões e desentendimento, tudo por causa de uma omissão. Eu me sentia tão culpado por tudo, mas isso não era hora de lamentar. Eu tinha que seguir com minha vida também.

Mas... o que fazer agora? Eu não tinha problemas com dinheiro, mas vivi por muito tempo, uma vida sem sentido. E agora não sabia o que fazer daqui pra frente. Estava claro como o dia que eu teria que enfrentar meus problemas, principalmente aquele que Edward me trouxe. Mas eu era um fraco. Eu não queria sentir mais dor.

Retirei minha camisa e meus sapatos, ficando somente de calças jeans. Definitivamente eu precisava de um banho, mas agora estava tão cansado que queria dormir. O melhor seria se eu pudesse esquecer, mas era praticamente impossível. Depois do que eles tinham me dito, estava impossível controlar minha mente. O pior de tudo era que eu estava na borda das minhas lembranças mais dolorosas. Joguei meu pesado corpo na cama de Bella, tentando conter o carrossel de emoções que vinham nos meus olhos. Pisquei algumas vezes, como se isso afastasse tudo, mas eu não podia mais segurar e nem resistir. Com os olhos entupidos por lágrimas novamente, sucumbi às lembranças que tentei por muito tempo esquecer...

Flashback on

Meu coração estava quase para sair da minha boca. A caixinha azul queimava no meu bolso enquanto eu andava pelas ruas de Forks. Kristen tinha me dito que estaria na casa do pai dela essa noite e lá seria o local perfeito, pois foi onde a pedi em namoro. Agora estaríamos subindo mais um degrau. Ela seria minha noiva.

Depois de termos passado por tantas coisas juntos eu não tinha dúvidas. Eu a queria para o resto da minha vida. E queria que o resto da minha vida começasse logo. Hoje, de preferência.

Bati, sinalizando que eu entraria. Ela não tinha me ligado o dia todo e quando falei com ela senti uma coisa estranha. Algo como uma distância entre nós. E isso só aumentou minha ansiedade pelo que viria.

Ela estava sentada no sofá com os braços abraçando os joelhos olhando para o vazio. Corri até ela e a abracei.

"Kristen, amor. O que houve?" Seu rosto se levantou lentamente e ela me olhou.

Era o mesmo olhar que ela me deu há poucas semanas atrás, no dia em que sua mãe morreu no meu plantão. Um olhar sem vida, um olhar magoado. O que aconteceu?

"Baby, conversa comigo." Toda a alegria que eu carregava se transformou em preocupação. Ontem estava tudo bem, eu continuava repetindo na minha cabeça.

"Nada não, Rob. Nada aconteceu."

"Por que você está assim?"

"Porque eu acho que acabou, Rob." O QUÊ?

"Acabou o que?"

"Nós."

"Kristen, isso não faz sentido, não estou entendendo. Nós estávamos bem."

"Ah claro. Sempre está tudo bem pra você. Sempre está tudo perfeito. Me diz, Rob, quando minha mãe morreu nas suas mãos, estava tudo bem?"

Por que ela estava falando isso?

"O que você quer dizer com isso? Você sabe que eu fiz o que eu podia por ela. Você não pode dizer o contrário. Você esteve comigo em cada passo, Kristen. Eu não entendo o por que de você falar algo como isso agora."

"Ah, Rob. Eu fiquei todo esse tempo remoendo isso. Eu não queria magoar os seus sentimentos. Afinal, você se acha 'o médico espetacular', não seria eu, uma mera estudante, que falaria o contrário, não é?"

Meu coração doeu com seu comentário. Estudei muito para ser o que eu era, mas nunca me senti melhor do que ninguém. Tentei repensar em algum momento, ou em alguma frase que eu pudesse ter falado para deixá-la desse jeito. Mas não conseguia lembrar de nada. Também não conseguia pensar direito por causa da dor que fazia meus pensamentos remoer dentro de mim.

"Por que você está falando isso?" Como um dia poderia ir do céu ao inferno em apenas uma frase?

"Porque eu cansei, Rob. Cansei de tudo isso. Cansei de negar que você matou minha mãe. E cansei de esconder que acho você um médico medíocre. Ah! Como? 'Eu tenho um tratamento patenteado em meu nome, eu sou demais'. Demais NADA. Você é medíocre!"

"Para com isso, Kristen. Eu não estou te reconhecendo!" Eu tentei segurá-la enquanto ela parecia querer sair. "Aonde você vai?"

"Me larga, Rob!" Ela gritou. Eu me assustei e dei um passo para trás. "Quer saber? Eu estou cansada dessa vidinha, dessa cidadezinha e dessa brincadeira de casinha entre nós dois. Faz um favor pra mim? Vai embora daqui e finge que eu nunca existi pra você!"

"Você está louca? O que aconteceu, porra?" Eu falei descontrolado.

"Olha ai... o verdadeiro Rob aparecendo. Estava na hora."

"Kristen. Para com isso. Eu nunca fiz mal pra você." Eu estava quase louco. Não entendia o que estava acontecendo.

"Pra mim não, não é? Mas e para os outros? Eu tenho ódio de você. Sai daqui!" Ela falou irritada, como se me enxotasse da casa dela. Ela nunca agiu assim antes comigo, foi completamente inesperado. Eu via as mãos dela tremerem.

A dor ficou tão grande que eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Ela me olhou por um segundo e por um instante pude ver algum tipo de hesitação e pena nos olhos dela. Isso me deixou ainda pior. Ela virou o rosto, como se não quisesse mais me olhar e pegou uma mala que estava atrás do sofá.

Que porra é essa?

"Quer saber? Eu é que vou. E se você puder fazer o favor: Não me siga, ok? Eu já tenho problemas demais."

"Kris-tem." Falei engasgado. "Que isso? Você não pode fazer isso comigo. Você disse que me amava. Eu te amo. Por que você quer me magoar?"

"Quem está falando de amor aqui, Rob?" E ela saiu, entrou no Rabbit preto e acelerou pelas ruas, fazendo a poeira levantar do asfalto e meu corpo despencar no chão.

Na mesma porta onde eu ganhei o amor da minha vida, foi onde eu o perdi. Sem entender nada e sem querer que o pai dela me encontrasse naquela situação, entrei no meu carro e peguei meu celular.

"E aí, noivinho..." Veio a voz alegre do meu gêmeo do outro lado da linha. Meu coração parou e minha respiração ficou forte de repente. Meus soluços quebraram meu peito. "Rob?"

"Ela me deixou." Foi só o que eu consegui dizer entre minhas respirações entrecortadas. Ele parou por um instante.

"O quê? Onde você está?"

"No inferno." Olhei para o lado e vi meu jaleco e meu estetoscópio no banco do passageiro. As palavras dela me ultrapassaram novamente: 'cansei de esconder que acho você um médico medíocre...'

Ela nunca comentou nada sobre a morte da mãe dela. Pensei que Kristen entendia que eu tinha feito tudo ao meu alcance para salvá-la. Logo após o seu falecimento e o avanço nos estudos que eu tinha feito a partir do câncer da Sra. Stewart, consegui criar um novo tratamento. Mas ele era para pessoas que estavam em um estágio menos avançado da doença. Eu expliquei tudo para Kristen.

Nada fazia sentido e ao mesmo tempo tudo se encaixava. Ela tinha ficado dias sem falar após a morte da mãe. Eu pensava que era o luto e no fim era o ódio que ela sentia por mim. O que fazia menos sentido ainda era que ela tinha melhorado. Eu ainda conseguia ver o brilho nos olhos dela pelas manhãs, depois de fazermos amor. Ela sempre dizia que era a melhor maneira de começar o dia. Comigo dentro dela.

Hoje não tinha sido diferente. Não até agora.

Como ela podia me odiar?

Mas eu senti... ela me odiava. Ela nem sequer conseguiu olhar pra mim.

Andei pela cidade e tudo parecia tão sufocante. Eu chorava como um maníaco e meus urros de dor eram tão altos que fechei o vidro e liguei o som para não escutarem minha desgraça.

Meu celular não parava de tocar. Eu sabia que era Edward. Ele estava em Seattle hoje, participando de uma conferência de pediatria. Ele me ligou quando saiu de casa depois do almoço. Eu já o imaginava querendo pegar a estrada e vir me encontrar. Sempre era assim. Nós sempre nos apoiamos. Mas sentia uma vergonha tão fodida que eu não queria ver ninguém.

Passei três vezes pela frente da minha casa até decidir. Eu tinha que sair daqui.

Fui direto para a estrada, acelerei o máximo que pude. Cheguei ao aeroporto pouco tempo depois. Meu rosto estava melhor, mas meu peito ainda doía. E doía mais por passar o tempo e ela não me ligar, me tirando desse pesadelo. Esperei alguns minutos, ansiando que Kristen me ligasse e dissesse que era uma maldita mentira. Mas não era.

'Aceita Rob. Você não é só um médico medíocre. Você é um homem medíocre'.

A maldita caixinha azul ainda queimava no meu bolso, mas agora também incomodava. Era mais doloroso ainda senti-la aqui. Enfiei a mão no local onde ela estava e nem sequer olhei para a caixa da Tyffany's. Ela voou pela janela em um segundo, mas nada melhorou. Entrei no Aeroporto, completamente sem rumo.

As frases dela ainda me atormentavam. Ela odiava Forks, ou a mim em Forks? Eu não conseguiria viver aqui sem ela.

Essa mulher levou com ela a minha vida.

Foda-se.

"Para onde, senhor?"

"Para o próximo vôo."

Fui parar na Holanda na manhã seguinte deixando meu carro abandonado no estacionamento e meu celular e carteira no bolso. Assim que desci do avião, várias chamadas e mensagens chegaram. Principalmente de Edward, algumas de Alice, duas dos meus pais e nenhuma dela. Eu decidi que tentaria esquecer até a dor e a vergonha passar. Ou até que ela me ligasse.

Mas eu queria falar com ela realmente? Não sei. Nesse momento de dor e incertezas, liguei para a única pessoa que eu conseguiria falar.

"Porra, Rob. Onde você está? Eu voltei pra casa e não te encontrei mais!"

"Eu não vou voltar."

"Como assim? Onde você está? Me deixa ir aí e falar com você."

"Eu estou longe. Edward, não quero ver ninguém agora."

"Conte-me o que aconteceu."

E eu contei tudo. Palavra por palavra. Inclusive todas as dores que senti com suas palavras dolorosas. Eu mesmo não acreditava que ela tinha feito isso comigo. Meu gêmeo me escutou calado, dando a liberdade para eu me abrir. "Nada disso faz sentido." Foi a única coisa que ele disse.

"Bem vindo ao meu mundo, maninho." Eu falei pesaroso. No fundo eu estava tão magoado que só conseguia falar com sarcasmo. "Mas deixe-a. Ela não sabe o que perdeu, não é? O bom é que resolvi me dar férias."

"Quando você volta?" Voltar? Eu queria voltar para um mundo sem ela? Um lugar onde tudo era dela?Onde eu me lembraria do seu rosto me dizendo que eu era medíocre...

"Não me pergunte isso. Vou esperar tudo passar."

Os meus dias se seguiram com a mesma história. Edward me ligava todas as manhãs e eu contava para ele sobre todos os lugares e pessoas que conheci. Mas o vazio se instalou no meu peito e senti que precisava fazer algo a mais. Foi quando conheci a vida européia. Mulheres que não queriam saber meu nome, assim como não se incomodavam com o seu, só queriam prazer. E um prazer que me fazia esquecer por algum tempo a merda que eu vivia.

Isso era quase viciante. Eu tampava minha dor com conquistas de uma noite e rostos desconhecidos. Nenhum era o dela e nenhum me fazia querer ficar. Depois de algum tempo a dor foi sendo enterrada. Continuei rodando até que conheci alguns pilotos, me enturmei e fui chamado para participar de uma corrida. Depois de uma veio outra e outra... E o tempo foi passando.

Quando começava a gostar da cidade, ou as mulheres começavam a ficar cansativas, eu viajava. Não queria me apegar a nada. Nenhum lugar era meu. Eu acreditei que o meu lugar era com ela, mas ela não me queria.

Eu não perguntei mais por ela e Edward nunca me falou nada. Foi a nossa regra muda. Desde a noite em que ela me deixou eu nunca mais falei no seu nome. Era como se fosse algo proibido, mas, na verdade, eu sabia que se falasse ou pensasse eu voltaria a sentir aquela dor. A dor que eu sufocava no fundo do meu peito e jurava todas as noites que amanheceria sem ela. Mas nada mudava.

Nunca mudou. Nunca esqueci e nunca deixou de doer me lembrar do motivo pelo qual tudo aconteceu. Ela nunca voltou e nunca entrou em contato com ninguém.

Flashback off

Meu corpo tremia tanto. Eu não conseguia mais me segurar, afinal, era tão doloroso tudo isso. Uma dor fodida ultrapassava meu peito e uma confusão ainda tomava minha mente. Por quê? O que eu fiz para merecer isso? Eu a amei, eu cuidei dela, eu lutei por ela. Ela acabou comigo.

Eu não conseguia sequer pensar no nome dela. Porra. Essas lembranças que sempre sufoquei doíam demais. Como tantas coisas podem acontecer ao mesmo tempo? Edward descobrir o segredo, Bella ir embora, Kristen aparecer... tanta coisa...

Não entendia o por que de ela ter voltado. Depois de tantos anos completamente desaparecida. Sem qualquer notícia. Ela não odiava Forks? Ela não me odiava? Será que ela achou que eu não estaria aqui? O que será que Edward fez para convencê-la a voltar?

Mas que porra. Tudo era muito confuso na minha cabeça. Edward fez isso de propósito? Não. Isso não poderia ser verdade. Eu o conhecia. Ele não seria tão frio. Edward sabia o que eu tinha sofrido, me acompanhando por todos esses anos, sabendo da minha dor e no que me transformei por causa dela. O que fiz para merecer isso? Já não havia sofrido o suficiente? Afinal, eu não era medíocre o suficiente? Ela tinha que voltar e me jogar isso na cara de novo?

Porra, eu precisava pensar. Não adiantava ficar remoendo as coisas desse jeito. Eu esclareceria as coisas, provaria que eu não estava com Bella e perguntaria a ele sobre Kristen. Puta merda, isso doía. Kristen. Somente seu nome fazia meu peito doer pra caralho. Eu não queria vê-la. Não podia ser tão masoquista.

Tão perto...

Mas seria tão doloroso...

Eu tentava esquecer, mas a porra das lembranças pulavam na minha cara.

Flashback on

Estava dormindo quando senti sua mão descer pelo meu corpo e arrepiar por onde passava.

"Kristen?"

"Fala meu nome de novo. Eu adoro quando você fala meu nome com essa voz de sexo."

"Kristennnn." Eu disse novamente sorrindo, mas gemi quando ela encontrou minha ereção.

"Adoro acordar com você assim."

"Então você adora acordar todos os dias." Ela falou e riu.

"Eu amo você, pequena."

"Eu também te amo, gostosão. Pra sempre."

Ela aprendeu tudo comigo, a maneira como eu gostava de falar sujo e como eu adorava fazer amor quando acordava. Tudo o que eu queria e desejava, Kristen aprendeu e treinou dia após dia. Se especializando em mim. Em cada parte de mim.

No começo, quando nosso relacionamento passou a ser intimo, ela sempre me perguntava tudo. Querendo saber como era a melhor forma de alcançar o nosso prazer e eu ensinei. E agora ela era profissional. Quando ela subiu em meu colo e me cavalgou, eu olhei em seus olhos e jurei a mim mesmo que não abriria mão dela por ninguém.

Ela era tão minha.

Seus olhos me encararam com adoração enquanto ela tomava tudo de mim. Eu amava essa mulher.

Flashback off

Eu queria tanto esquecer. Mas, caralho, depois de testar tantos corpos, cheguei à conclusão que na verdade sempre busquei alguém que poderia se aproximar daquele que havia sido projetado para mim. Ela era pequena, delicada e fogosa.

Ela era tudo o que eu queria e eu a amava tanto a ponto de doer. Sim, antes de ela me destruir por dentro e arrancar meu coração. Tentei mais uma vez raciocinar sobre os motivos de tudo. Por que ele disse que precisou trazê-la pra cá? Seria bom tê-lo deixado explicar Rob...

Eu não queria sentir tudo isso de novo, mas agora a antiga dor se uniu à nova e estava mais difícil de suportar. A dor de ser abandonado era terrível. Agora tinha acontecido duas vezes. Meu irmão também não quis me escutar, mas eu sabia que isso aconteceria... porra... e se eu desaparecesse? O que eles fariam?

Adormeci mesmo sem querer e acordei no meio da madrugada, assustado. Tentei me recordar de onde estava. Comecei a lembrar lentamente e assim que meus olhos se abriram e foquei minha visão, porra, não era mentira e nem um pesadelo, afinal... tudo o que tinha acontecido era verdade. O que eu poderia fazer da minha vida? Às vezes era melhor não ter acordado.

Cadê Bella?

Já fazia duas noites que eu não a via. Será que ela estava bem? Eu não conseguia unir forças para me levantar e procurar um carregador para meu celular ou sequer me importar com o ronco desesperado do meu estômago.

Eu sentia tanto medo de levantar dessa cama e enfrentar a realidade da minha vida. Eu também tinha receio de sair por aquela porta e vê-la feliz e sorridente sem mim enquanto eu tinha passado todos esses anos fodido e tentando esquecê-la. Porra!

Não sabia exatamente que horas eram, mas eu resolvi esperar Bella aparecer. Eu precisava saber se ela estava bem, já que a culpa de tudo que ela estava passando era minha e eu também precisava de alguém que não me odiasse para conversar.

O engraçado é que ela deveria me odiar. Mas ela não me odiava. Bella era tão rara.

Esperei mais algum tempo, perdido em pensamentos e evitando o máximo que pude as lembranças. Eu procurava respostas, motivos. Mas não conseguia encontrar, já que, na verdade, nunca entendi. Passei um tempo da minha vida procurando por isso e depois percebi que eu não deveria ficar me culpando, que o problema poderia ser com ela e não comigo. Isso ajudou em alguns momentos, mas em outros nem sequer chegou perto de ser convincente.

De novo comecei a me questionar: O que eu poderia ter feito para ela fazer aquilo comigo? Eu sei que antes dela eu galinhei um pouco com todo mundo, mas não fiz nada parecido com ninguém e meu coração foi somente dela.

Sem ter mais como escapar, me levantei e procurei algo para comer, me recordando que Bella, há exatos dois dias, fazia o mesmo. E estava comigo. Que foi onde tudo começou. Sua cozinha ainda estava impecável. Ao abrir sua geladeira descobri uma lasanha congelada escondida. Suspirei aliviado por não ter que cozinhar. Comi sem vontade, mais para calar meu corpo que gritava por comida. Enquanto mastigava, olhei ao redor da casa de Bella e era incrível como eu não me sentia um intruso aqui. Eu me sentia seguro, mas eu precisava que ela aparecesse logo antes que eu pegasse o abajur redondo dela e começasse a chamar de Wilson. Seria foda.

Não conseguia mais parar de ficar ansioso, então me joguei no sofá e esperei. Ela não apareceu. Puta merda. Onde essa mulher se meteu? Eu não queria sair daqui. Meu corpo novamente ansiou por descanso e me vi arrastando para o quarto dela novamente. Ainda não tinha amanhecido e provavelmente Bella estaria de volta em pouco tempo.

Uma sonolência absurda tomou conta do meu corpo me tragando para a inconsciência novamente. Antes que eu apagasse, desejei ardentemente que não tivesse meus atuais pesadelos.

Acordei lentamente e senti meu estômago revirar de novo. Estava em um estado semi-vegetativo na casa de Bella. Fui até sua sala e constatei que ela não havia chegado ainda. Que merda, algo terrível deve ter acontecido. Olhei no relógio e percebi que passava do horário do almoço. Será que Bella estaria no hospital? Suspirei com a possibilidade de ligar para lá e perguntar sobre a namorada do meu gêmeo. Ou ex, ou o que seja. 'Caralho!'

Depois de muito refletir resolvi ligar. O telefone na casa dela não deve ser muito utilizado, pois vi que tinha algumas marcas de poeira. Coitada, ela devia trabalhar tanto que nem tinha tempo de fazer ligações para os parentes. Uma voz melodiosa atendeu do outro lado, me fazendo engasgar um pouco. De maneira informal perguntei pela Srta. Swan, afinal eu poderia ser um paciente dela. Minha surpresa foi a resposta. Bella estava de licença temporária para fazer companhia ao pai doente.

"O que vou fazer agora?"

Bella poderia demorar alguns dias até voltar pra casa. Isso se voltasse, afinal, ela não tinha parentes aqui e como as únicas pessoas que eram importantes para ela tinham lhe virado as costas, qual era a melhor opção do que se afastar dessa maldita cidade? No fundo Bella se comportou igual a mim. Fugindo da dor.

Eu não sei de onde veio, mas uma vontade louca de ir tomar satisfações com minha família nasceu em mim. Olhei para meu corpo. Dois dias desse mesmo jeito e completamente perdido. Bufando para meu estado deplorável, entrei no banheiro arrancando minha calça e tomando um banho demorado, vestindo a mesma roupa que eu estava. Olhei novamente no relógio. Já passava das quatro horas da tarde.

Dei várias respirações tentando criar coragem para o que eu enfrentaria e segui para fora da casa. Para a vida real. Andei pela calçada com passos pesados cada vez mais confuso sobre o que eu queria e o que achava que encontraria lá.

Entrei lentamente na casa dos meus pais, dando um suspiro aliviado ao ver minha mãe sentada com meu pai no sofá. E mais ninguém a vista. Eles estavam em uma conversa que parecia ser divertida, pois eles sorriam. Como era possível que no meio desse inferno todo, eles ainda achassem algo divertido?

"Oi, meu filho." Meu pai falou calmamente. "Sente aqui conosco."

Olhei cautelosamente ao redor e constatei que estávamos realmente sozinhos nesse andar. Sentei-me na poltrona de frente para eles cruzando os braços e fiquei calado, esperando que começassem seu discurso.

"Você não devia ter saído daquele jeito ontem, filho." Minha mãe começou e quando eu ia interromper com minha defesa, ela me parou com um dedo. "Hoje você vai escutar, Robert. Eu não vou deixar as coisas piores do que estão." Ela disse, parecendo bem mais séria. "Primeiro: Eu nunca amaria ninguém mais do que eu amo você. Porque eu o amo de uma maneira única e especial, assim como a cada um dos seus irmãos e estou incluindo a Kristen também." Bufei, balançando a cabeça. "Eu sei que ela o fez sofrer. Vocês nunca falaram nada sobre o que aconteceu, mas nós sabemos que ela magoou você. Porém, isso não diminuiu o amor que sentimos por ela também. Segundo: Seu irmão não fez nada com a intenção de te machucar. Ele inclusive queria conversar com você antes de todos saberem que ela tinha voltado."

Mesmo com todo o meu rancor por ela estar aqui, o pesar apareceu. Um sentimento de arrependimento por eu pensar tão mal sobre ele tomou meu corpo. Mas, mesmo assim ainda era complicado e completamente confuso. Eu não entendia por que ela estava dentro da nossa casa. O que havia acontecido, afinal, para ela ter voltado?

"E terceiro: Eu quero que você escute calmamente, não se altere, porque isso é muito mais sério." Ela falou e parou, como se esperasse uma resposta minha. "A Kristen vai ficar aqui e ela trouxe algo com ela que lhe pertence. E todos nós vamos apoiá-la."

Eu estava sem entender. O que eles estavam falando?

"Rob, a Kristen tem um filho. E é seu."

Meus pensamentos se calaram, assim como minha mãe. Eu só repetia a última frase na minha cabeça. Um filho. Um filho meu. Como assim?

Olhei exasperado para minha mãe, com uma emoção estranha no peito. Eu formulei várias frases para falar, mas nada saía, abrindo e fechando a boca sem emitir qualquer som. Meu pai me olhou compassivo, esperando eu me acalmar. O inferno é que isso não fazia sentido. Mas que porra era essa agora?

"Como assim mãe? Como um filho meu? Vocês estão loucos."

"Você deve conversar com ela, meu filho. Ela está lá em cima com ele."

"Mãe." Falei, ponderando mais uma vez o que falar, mas sentindo uma fúria crescendo dentro de mim. "Ela me deixou há muito tempo atrás e dizendo que me odiava. Eu não estou entendendo. Um filho meu? Isso já faz-"

"Quase quatro anos filho. E Masen tem três anos agora."

"O QUÊ?"

Minha mãe me olhava emocionada e meu pai ansioso. Um filho. Como assim um filho? Não fazia sentido. Ela me odiava e o nome era Masen. Mas como pode ser possível? Ela escolheu o nome do meu avô para a criança. Ela ainda se lembrava? Mas, por quê?

Meus olhos começaram a inundar de lágrimas, mas agora de dor e agonia. O que ela estava pensando, colocando o nome do meu avô? Meu peito apertou tanto com os pensamentos de um filho que chegava a doer e me retirar o ar.

"Masen? Esse é o nome dele?" Uma lágrima escorreu do meu rosto. Meus pais somente assentiram para mim, fazendo minha cabeça girar. Fechei os olhos e apoiei meus cotovelos nos joelhos segurando minha cabeça.

Eu nunca, jamais, pensei em ter um filho. Isso estava fora da minha ambição de vida. Nunca quis procriar e Kristen sabia disso e essa vontade eu compartilhei com ela por decidir, inclusive, não me especializar em pediatria na época, diferente do meu gêmeo. Eu não era o cara das crianças. Algumas vezes cheguei a dizer que eu não as suportava. Mas, ao imaginar agora algo que era parte minha, eu o quis no mesmo instante. Eu queria meu filho.

"Você precisa vê-lo." Minha mãe disse com adoração me retirando dos meus devaneios. "Ele é tão parecido com você quando era criança. Mas só que mais bonito." Ela disse e piscou.

Um Rob melhorado. Eu não conseguia acreditar ainda. Um Rob com partes da Kristen. Espera um instante... Ela sabia que estava grávida quando me deixou?

Uma ansiedade misturada com uma fúria repentina se apoderou de mim e eu me levantei da poltrona num salto. "Eu quero vê-los. Preciso falar com ela." Eu tinha que entender que porra era essa agora. Mas algo não se encaixava. Por que ela não me disse? Por que ela não me procurou para ajudar a criá-lo? Para ele ter um pai?

Não escutei mais nada, tomado pela fúria. Subi as escadas rapidamente. Não tive muito tempo para pensar porque enquanto eu estava parado no corredor, Edward abriu a porta do seu quarto e saiu. Sua respiração travou quando ele me viu, fechando a porta atrás de si, protetoramente, enquanto cerrava seus olhos em minha direção. Senti uma raiva imediata por ele tentar proteger algo que era meu. Que porra!

"O que você está fazendo aqui?" Ele perguntou, tentando soar indiferente, cruzando os braços.

"Eu vim ver meu filho. E você?"

"Não antes de conversamos, Rob".

"Não tenho nada para falar com você, Edward. Quero ver meu filho primeiro".

"Ele está dormindo, Rob, e a Kristen está no banho".

"Está dando banho nela também? Que tocante".

"Não começa, Rob. Nós precisamos mesmo conversar." Ele falou e apontou para a porta do meu quarto. Tentei raciocinar sobre isso, mas não conseguia, eu estava uma confusão do caralho agora. Meu coração martelava no meu peito e eu podia escutá-lo, esperando que meu gêmeo não pudesse.

Entramos no meu quarto em silêncio e me sentei à beira da cama, sem olhar diretamente para ele. Eu não queria que ele visse minha dor agora. Edward suspirou, mas continuou de pé.

"Acredite em mim. Eu não queria estar aqui agora também." Ele disse e senti a dor em suas palavras. "Mas quando eu encontrei a Kristen e ela me disse sobre Masen, eu fiquei louco. Eu tive que trazê-los comigo. Não foi para me vingar de você, como você provavelmente está pensando." Ele deu uma risada falsa. "O mundo não gira ao seu redor, Rob."

Coloquei as mãos na minha cabeça e fechei os olhos. Eu não estava com saco para ter discussões idiotas enquanto o meu filho estava do outro lado do corredor e eu sequer o conhecia.

Ele continuou. "Kristen realmente errou em ter saído daqui sem contar isso a você. Eu não apoio o que ela fez, mas Masen não tem culpa disso." E lá estava. O tom de adoração novamente, como o da minha mãe.

"Edward." Eu disse em um tom quase controlado. "Eu só quero conhecê-lo. Ele é meu filho. Eu não vou maltratá-lo. Parece até que você não me conhece mais."

"É... é exatamente como me sinto."

"Cara. Eu te pedi desculpas. Eu não tinha a intenção de te esconder aquilo, mas a situação estava tão complicada que acabou passando o tempo. Se você não quer me perdoar por isso, pelo menos não culpe a Bella. Ela-"

"Eu não quero saber." Ele me cortou friamente.

"Tudo bem. Então, a Kristen sabia que estava grávida de mim quando foi embora daquela maneira?"

"Olha, Rob. Eu não sei de nada, tá legal? Vocês dois têm que conversar, mas a única coisa que eu vou te falar é que o meu sobrinho não merece o rancor que você tem pela mãe dele. Entendeu? Ele não merece."

Eu não conseguia entender o cuidado que ele estava tendo, como se eu fosse machucar meu próprio filho. Isso já estava me dando nos nervos.

"Sinceramente, maninho. Você não tem nada com isso. Ele é meu filho. Meu. Então deixe que eu lide com a situação."

"Ele não é só seu, Rob."

"O quê?" Falei com raiva.

"Ele é nossa família. Então é minha responsabilidade também."

"Quer saber... Eu não quero mais ouvir isso. Eu quero ver meu filho." E me levantei, mas ele puxou meu braço, me olhando severamente.

"Eu te avisei. Se você o magoar..."

"O quê? Edward, você está louco? Eu não vou fazer nada disso. E dá para largar meu braço?"

Ele me soltou e eu saí. Louco de ansiedade. Confuso pra caralho. Com ódio dela por ter me escondido isso. E ao mesmo tempo apaixonado pela idéia de que eu era pai.

Bati na porta. Ouvi a voz dela no fundo dizendo que eu podia entrar.

Eu congelei.

Eu não podia.

Mas eu queria vê-lo.

Ela estava ali. Do outro lado da porta. Com meu filho.

Sem que eu pudesse perceber meu corpo andou no sentido contrário do corredor e eu desci as escadas rumo ao lado de fora da casa. A voz dela ressoava nos meus ouvidos de uma forma tão dolorosa que eu quase não consegui controlar meu corpo. Eu queria correr, então voltei para meu abrigo temporário.

Bati a porta atrás de mim como se alguém me perseguisse. Encostei atrás dela e desabei, escorregando até o chão, com muitas lágrimas. Eu estava virando um fraco. Um covarde e medíocre, como ela mesma tinha me acusado. Ela fazia isso comigo.

"PORRA!" Gritei para a sala. "AAHHHH". Socando o chão.

Levantei cambaleante e me joguei no sofá. Não sei por quanto tempo fiquei lá, estático, olhando o teto enquanto eu tentava entender os meus sentimentos confusos quando escutei um barulho vindo da porta e congelei.

Bella piscou algumas vezes e eu me levantei, não percebendo o quanto eu estava ansioso para vê-la, me fazendo correr até ela. Tirei a mala de sua mão e a abracei. Forte.

"Rob. O que aconteceu?" Ela falou sem fôlego. "Você está me sufocando." Ela disse parecendo sorrir.

"Desculpe." Eu disse e me afastei. "Eu estava te esperando. Como está seu pai?"

Ela me olhou confusa antes de responder. "Ele está bem. Como você soube?" Fiquei sem graça de dizer que eu quase a persegui. Comecei a fugir do seu olhar questionador, mas ao mesmo tempo compassivo. Mas, depois de ter ficado todos esses dias aqui, acabei confessando tudo. Sorrindo a primeira vez depois de dias na escuridão.

Eu a puxei para o sofá para nossa conversa e ela se sentou, começando a parecer preocupada, com seus lindos olhos castanhos. Ela parecia um anjo. Meu anjo particular nesse momento.

"Bella, eu não quero te encher com os meus problemas. Você já tem os seus. Desculpe-me."

"Não, Rob. Pode me contar e confiar em mim. Meus problemas podem esperar. O que aconteceu na minha ausência? Nem fiquei tanto tempo assim longe."

Eu não queria falar sobre meu irmão. Eu sabia que a magoaria saber que ele voltou e estava com outra mulher. Ou melhor, com A mulher. Assim como ele me magoou com toda essa história de deixá-la lá em casa. Tentei me concentrar somente em contar de uma maneira que ele não fosse mencionado. Ou tentaria, pelo menos

"Aconteceu tanta coisa, mas eu me mantive aqui na sua casa. Eu... me desculpe novamente".

"Pare de se desculpar, Rob. Você pode ficar aqui quando quiser."

"Por que você é tão boa comigo, Bella?" Falei de repente buscando seus olhos.

"Eu não sei." Ela disse baixinho, olhando para as mãos. "Mas às vezes eu sinto que algo aconteceu com você e eu sinto que deveria te ajudar. Só não sei como. Conte-me." Ela segurou minha mão, me fazendo começar. Suspirei e fechei levemente meus olhos.

"Eu vou te explicar do começo." Ela balançou a cabeça, me incentivando. "É uma longa história, mas acho que é necessário para você entender. Eu tinha uma namorada, há uns anos atrás. Nós ficamos juntos por muito tempo. Acho que é seguro e estranho dizer, mas ela foi o amor da minha vida. E eu achava que eu era o dela. Mas tudo mudou."

Depois disso, foi como uma avalanche. Todas as minhas memórias vieram como fotografias escondidas na minha mente. Contei para ela sobre a história da mãe da Kristen e como eu tentei ajudar e sobre como ela morreu. Contei sobre as semanas que ela ficou estranha, mas depois voltou ao normal. Ou pelo menos, o que eu achava normal dela.

"E então eu decidi que era hora de darmos mais um passo. Eu estava formado, tinha meu próprio dinheiro. Tinha a patente de um tratamento que estava sendo muito usado. Aquele que Edward queria usar no Daniel, sabe? Tudo estava nos eixos. Tudo parecia ir para esse sentido."

Dei uma pausa, pois agora vinha a parte mais dolorosa. Bella ainda parecia pasma com tudo, pois parecia que ela nunca tinha imaginado que eu pudesse ter sentido isso por alguém, mas não quis perguntar. "Mas ela não..." e aí eu desabei. Contei para ela sobre o pior dia da minha vida. As minhas piores lembranças. Coisas que só Edward sabia. O incrível foi que eu não senti vergonha de Bella. Algumas lágrimas rolaram do seu rosto enquanto eu descrevia tudo. Ela apertou minha mão, mostrando sua amizade.

"E agora, depois de todos esses anos... ela está de volta. Na minha casa. Na casa dos meus pais. E eu não sei o que fazer. Eu me sinto um babaca, sabe? Eu passei esses anos me escondendo e sofrendo e ela volta como se nada tivesse acontecido." Disse com a voz cheia de mágoa, fechando meus olhos novamente, tentando controlar as lágrimas que teimavam em aparecer.

"Mas os seus pais a chamaram? Por que ela voltou?"

"Bella, ela trouxe um filho meu com ela." E então não segurei mais. Chorei como uma criança. Esses dias eu estava chorando tanto. Parece que estava me libertando de tudo o que eu segurei a minha vida toda.

"Um filho seu? Meu Deus, Rob!" Ela falou surpresa.

"Imagina, Bella. Todos esses anos ela tinha um filho meu e nunca me disse. Nunca. Ela nem sequer ligou, ou mandou uma carta. E agora para eu conhecê-lo eu tenho que enfrentá-la. Mas eu não sei se consigo. Só de ouvir a voz dela eu fraquejei. Corri como o covarde e medíocre que sou. Mas estou com tanto ódio. Tanta raiva. Parece que meu peito vai explodir. Parece que eu vou explodir. Isso é tão injusto..."

"Rob. Eu sei que você está confuso. Fique calmo. E você não é nenhum fraco ou medíocre, pelo amor de Deus. Mas... você não vai lutar pelo seu filho? Por mais que tenha se passado todo esse tempo, ele não tem culpa."

"Eu sei, Bella. O Ed-" Parei de falar ao ver a dor voltar aos seus olhos. "Todos estão repetindo isso. Eu não estou culpando-o e até quero conhecê-lo. Eu nunca pensei em ter um filho, Bella. Eu não sei se soa patético dizer, mas parece que ele faz ser real novamente tudo o que eu vivi, sabe? Eu passei esses anos tentando esquecer como se tudo fosse um pesadelo, mas quando eu soube da existência do Masen, eu comecei a querer isso. Querer meu filho. Mas eu não a quero, Bella. Ela me magoou e me destruiu. Ela disse que me odiava. Mesmo ainda não fazendo um completo sentido para mim."

"Você tem que ir até ele, Rob. Eu acho que muito tempo já foi perdido. Você não acha? Perdido sem você o conhecer. Perdido com você sofrendo e tentando esquecer. Perdido com esses ressentimentos. Você tem que parar agora com isso. Eu não estou falando para você perdoá-la e não estou tentando diminuir o que você está sentindo." Ela me olhou séria. "Eu estou dizendo que a vida continua. Sou uma prova disso e você é um homem forte. Não pode deixar que uma pessoa te apague. Um filho é um presente, Rob." Ela me disse mais suavemente, me fazendo sorrir um pouco ao imaginar. Mas eu ainda não conseguia formular uma imagem dele na minha cabeça. Eu precisava vê-lo. Ainda hoje, de preferência.

"Você tem razão."

"Eu sei." Ela disse soltando minha mão. "Só não sei o que você está esperando que ainda não entrou naquela casa e foi conhecer essa criança. Até eu estou me mordendo de curiosidade." Me movi para levantar enquanto Bella mastigava seu lábio, ainda confusa com mais alguma coisa.

"Mas eu ainda não entendo. Eles não te disseram por que ela voltou depois de todos esses anos?"

Balancei minha cabeça com medo da sua reação. "Edward a trouxe." Fiz uma pausa esperando que ela digerisse a informação. "Eu ainda não sei por quê. Eu não quero te chatear, mas ele parece estar protegendo-a. Isso está me matando, Bella. Ele disse que não é uma vingança." Não tive coragem de olhar para ela, por isso direcionei o olhar para o chão. "Eu sinto muito por tudo."

"Não." Ela disse limpando uma lágrima de seu rosto, pelo que pude perceber pela minha visão periférica. "Não sinta. Está tudo bem. Vai logo e se quiser voltar, eu estarei por aqui. Apenas darei uma passada agora no hospital para avisar que voltei e pegar meu cronograma de plantões. Só vim em casa para trocar de roupa."

"Tudo bem. Eu espero você para sairmos juntos." E ter mais um tempo para me acalmar também depois de toda essa recordação dolorida, completei mentalmente.

Bella se levantou e foi até o seu quarto e 15 minutos depois estava de volta, toda de branco e composta.

"Você vai trabalhar?" Perguntei surpreso.

"Não, mas eu passei uns dias um pouco ausente e se precisarem de mim quero estar preparada." Ela disse piscando um dos olhos enquanto cruzava seus braços. Sorri de leve por sua responsabilidade e compromisso com seu trabalho. Ela era mesmo única.

"Vamos, então?" Ela me puxou para a saída.

"Sim." Acenei e abri a porta para ela. Parecia que Bella estava mais forte também. O que tinha acontecido com seus pais para ela ter retornado assim? Ela não perguntou por meu gêmeo, nenhuma vez, me deixando relaxado e com vontade de me libertar dos meus fantasmas. Mesmo que isso me deixasse mais leve por não ter que encarar perguntas que eu não sabia a resposta, eu estava curioso sobre como ela lidou com sua própria dor.

Descemos a escada da entrada juntos e com um silêncio confortável. "Boa sorte, Rob." Ela disse se virando e me abraçou, como se fosse me dar força e coragem no seu gesto. E nesse momento, foi quando eu os vi. Através dos cabelos de Bella.

Edward e ela. Entrando no carro dele. Sem meu filho.

Eles me olharam também ao mesmo tempo e meu corpo congelou.

É... totalmente foda isso tudo.


Nota da Irene: Oi meninas... mais uma semana louca por aqui não é? O que eu posso dizer... nós somos más. *hohohoh*

O bom é que posso avisar que o 26, que virá na próxima quarta, muda muita coisa... e eu acho *cof cof* que é pra muito melhor.

Espero vcs.

Ah... Titinha, minha parceiruda louca, escreveu uma cena extra muito esclarecedora... e tenho certeza de que vocês irão amar... mas ela só será postada se a fic chegar a 4100 reviews até domingo. Ai no domingo mesmo a gente posta.

O que acham? Aceitam o desafio? A cena extra é um POV de um novo personagem *bate o dedo no rosto e pensa* quem será? =O

Eu amei escrever esse POV Rob pq eu era louca pra escrever os flash backs

e eu amei a conversa do Rob com a Bella... vcs não acham que agora deu pra ver que a relação deles é só de amizade?

ahahaha

*suspeita*

Mas enfim... o final é que nos deixa intrigados certo? Mas isso td será bem esclarecido na quarta que vem... POV Edward.

\o/

amamos isso aqui

merecemos as reviewzinhas?