And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acho que eles entenderiam
Quando tudo é feito para não durar
Eu só quero que você saiba quem sou eu

Íris - Goo Goo Dolls


CENA EXTRA 2 - Reencontrando os Cullen's

KRISTEN POV

*O último dia antes do encontro com Edward na boate até o retorno a Forks*

Eu estava tão cansada. Minha vida era uma rotina maravilhosa, até o momento em que eu precisava sair do meu santuário. Meu bebê estava cada vez mais lindo e cada vez mais parecido com ele. Rob. Hoje eu já não sentia tanta dor ao relembrar tudo o que abandonei, mas olhar Masen todos os dias sempre me fazia pensar no que tinha acontecido na minha vida.

O dia começava cedo no meu pequeno apartamento. Meu filho era uma criança tão viva que chegava a lembrar muito sua tia e minha amiga, Alice. Como uma criança poderia ter tantos traços de pessoas diferentes de uma mesma família?

Abri meus olhos no mesmo instante que meu filhote pulava em meu colo. Ele tinha seu pequeno berço, mas na maioria das vezes eu o colocava para dormir comigo. Seu corpinho sempre me aconchegava, me trazendo mais felicidade do que eu poderia imaginar. Logo cedo ele já tinha energia e não era uma criança preguiçosa. Sorri de encontro a sua alegria, que parecia saltar junto com seus pulos.

"Mamãe! Mamãe! Bom dia!"

"Bom dia, amor!"

"Você vai me dar meu café, mamãe?"

"Lógico, meu bem!"

"E vai ficar para o almoço?"

"Hum..." Fingi que pensava um pouco, colocando um dedo no meu queixo, batucando. "Acho que sim!"

"Obaaaa". Ele disse rolando nas cobertas, bagunçando nossa cama.

Eu sorri com ele. Seus pedidos eram sempre tão simples. Meu lindo bebê não me dava trabalho nenhum. Tudo bem que ele ainda não tinha enfrentado a fase da escola, onde as crianças conviviam entre si e faziam perguntas impossíveis de responder. Mas ele tinha sempre uma dúvida que me deixava angustiada...

"Mamãe, e hoje, vai jantar comigo?"

Eu sempre tinha dificuldade em responder essa pergunta. Não podia explicar para ele o que fazia para ganhar a vida. Meu trabalho no bordel era tarde da noite, mas muitas vezes eu precisava sair antes que Masen dormisse para ensaiar com as meninas. Isso era tão difícil.

"Não sei, meu lindo. Posso ver isso depois?"

Seus olhinhos tristes quebravam meu coração. Ele assentia com minha resposta, mas eu queria tirar essa pequena dor dos seus olhos. Meu filho não merecia sofrer nem um milésimo do que eu já tinha passado.

Comecei a fazer cosquinhas nele, arrancando sonoras gargalhadas. Muitas vezes seus sorrisos me recordavam Robert. Ou até mesmo Edward. Eles eram tão parecidos... assim como meu filho.

"Vamos logo tomar o nosso maravilhoso café".

"Como só a mamãe sabe fazer." Ele completava a frase.

"Sim, só a mamãe sabe." Eu disse sorridente.

Desde que saí de Forks eu soube que seria um tiro no escuro. Minha atitude foi espontânea e até mesmo infantil, mesmo que depois eu realmente não soubesse o que fazer. No momento em que descobri que estava grávida, no banheiro do meu pai com um palito na mão, eu tinha que pensar rapidamente.

Eu não posso dizer que tudo foi terrível e triste porque estaria ignorando toda a alegria que Masen me proporcionava. Mas todos os dias eu pensava em como seria se Rob soubesse e o amasse como eu o amo.

Balancei minha cabeça para afastar sonhos impossíveis da minha mente. A vida não era um conto de fadas e nunca foi. Eu estava longe de ser a princesa que ele dizia que eu era. Por muito tempo acreditei que poderia ser, mas depois de todos os meses com minha mãe, desde o dia que eu descobri que ela estava de volta, até sua morte, comecei a acreditar que minha vida não era perfeita.

Rob me fez acreditar que era, por algum tempo. Lembrar do seu nome era tão doloroso, mas ao mesmo tempo eram algumas das minhas lembranças boas. Porém eu me sentia sozinha por muitas vezes, chorando copiosamente sobre as minhas escolhas. Até a chegada do meu lindo filho.

Quando Masen nasceu, parte dessa solidão e saudade se amenizou. Eu passei a me dedicar completamente a ele. Tudo o que imaginei que poderia dar ao meu filho, eu fiz. Parte da minha consciência gritava que era assim que devia ser, mesmo que não fosse o correto, ou justo. Mas, para minha infelicidade, eu não era uma pessoa muito sábia. O dinheiro acabou e muita coisa aconteceu.

Eu gostava de pensar que algo muito bom estava prestes a acontecer. Isso no começo da minha nova vida. Infelizmente nada veio. Quando eu dancei para alguém pela primeira vez no bordel, eu chorei um dia inteiro. Foi horrível e me senti um lixo. Uma prostituta. Entretanto, eu não tinha escolhas, precisava do dinheiro que vinha muito mais do que se eu fosse simplesmente uma garçonete. Eu tinha que ser forte. Depois de tudo que pensei, acabei voltando e tentei de novo e de novo. Até que eu descobri o segredo. O sucesso nesse negócio era fingir que eu estava dançando pra ele. Ele adorava esse tipo de coisas. Eu me lembro de Rob assumir várias fantasias para mim.

Fui com meu lindo filho para a cozinha e me diverti um pouco mais com ele. Eu tinha planejado fazer compras hoje, fazendo um pequeno passeio com meu filho. Mas ele adorava ficar em casa.

Sorri pra ele dizendo que iria tomar banho. "Sim, mamãe. Posso ver desenho?"

"Claro, pequeno".

"Mamãe, vamos passear?"

"Vou pensar no seu caso." Pisquei e sorri para ele.

Masen sorriu e foi correndo até a sala com uma velocidade impressionante, apesar da sua idade. Hoje eu não tinha aberto a janela para ele ficar observando os carros, como ele gostava também, pois fiquei com medo dele sozinho no beiral, sem minha companhia. No banheiro voltei os pensamentos para a minha vida com seu pai. Algumas vezes eu reprimia essas lembranças, mas certos dias era muito difícil e eu recordava a minha antiga vida como se fosse de outra pessoa.

Por mais que eu fosse inexperiente, Rob sempre me ensinou tudo o que gostava e me deu a liberdade de fazer o que eu desejava, quando quisesse. Mas essa opção era desnecessária. Eu sempre o queria. Não conseguia desenfrear meu desejo por ele e a cada dia eu me esforçava para ser tudo o que ele desejava. Mesmo que eu fosse tão nova e tão ingênua.

Rob sempre foi o mulherengo e cretino da cidade. Além de lindo, era extremamente rico. Ou seja, o homem dos sonhos de qualquer mulher em qualquer idade. Quando conheci Alice, ainda no primário, eu ficava fascinada pela beleza dos gêmeos. Emmett também era bonito, mas Edward e Robert, mesmo crianças, eram ímãs para mulheres e problemas.

Minha paixonite foi me acompanhando por toda a minha adolescência. Eu sabia que era bonita e chamava a atenção na escola, mas eles nunca me viram com outros olhos. Digo eles porque Edward era fisicamente idêntico ao Rob, mas ele me assustava. Era incrível como os dois eram muito diferentes. Apesar das semelhanças em outros aspectos. Isso me irritava às vezes, entretanto, eu entendia, afinal, tínhamos quase cinco anos de diferença. Isso até meus quinze anos.

Nunca desejei um baile, mas quando Alice me convenceu dizendo que falaria para Rob ser meu príncipe, percebi que estava muito ferrada. Minha melhor amiga tinha descoberto meu segredo. Eu sei que não era nenhuma santa, pois me insinuava sutilmente para ele. Mas tê-lo em meus braços, como o amor da minha vida, mesmo que fosse só no baile, tinha me despertado como mulher.

Desse dia em diante foi como um passe de mágica pra mim. Eu mesma não entendia o que tinha acontecido. Rob ficava me espiando, sempre protetor comigo e com Alice e espantava todo e qualquer menino que tentava me namorar. No começo até gostava, mas depois começou a me irritar. Até que no meu aniversário de 16 anos, aconteceu meu dia especial. Eu passei pelo 'teste de sedução' do Rob.

Estava encostada na escada, de shortinho e blusa, apesar do frio de Forks. Eu tinha acabado de chegar de uma corrida, pois adorava sentir-me livre. Era muito cedo e estava esperando dar a hora para acordar Alice para irmos para a escola. Foi quando o vi. Subindo os degraus, bêbado e com cara de sexo.

Meu pai amado, ele tinha o poder de acabar com minha sanidade.

"Sabia que você está linda?"

"O quê?" Eu disse, totalmente confusa com sua aproximação.

Eu não consegui me mexer. Rob estava tão perto. Apesar da sua altura ficamos no mesmo nível, pois ele estava dois degraus abaixo, com sua virilha próxima. Muito próxima de mim. Seu rosto ficou a centímetros do meu, com seus lábios roçando minha bochecha, indo até meu ouvido. Sei que ele jamais faria qualquer coisa comigo, mas eu fiquei com minhas coxas se contraindo e parecia que tinha feito xixi nas calças.

"Dois anos Kristen. Só faltam dois anos".

Arfei, sem conseguir responder. Com um sorriso lindo, ele depositou um beijo molhado no meu pescoço e continuou subindo. Jamais vou esquecer aquela sensação. Ele era o poder em pessoa. Depois desse dia esperei. Dois longos anos até eu completar dezoito.

"Mamãe!"

Fui retirada as pressas das minhas memórias com o chamado de Masen. O que ele estava aprontando? Saí enrolada da toalha com medo de acontecer algo com meu pequeno, quando a vi, parada na porta. Gemi, pois quando Sophie aparecia cedo era meu tormento.

"Oi Kristen. Perdoe-me o horário".

"Tudo bem." Cruzei os braços esperando sua desculpa.

"Hoje não poderei vir. Tenho um problema para resolver." Sophie não conseguia fixar seu olhar nos meus. Eu sabia que era mentira.

"Estou te atrapalhando não é mesmo? Não precisa mentir pra mim".

"Não é nada disso... eu..." Ela baixou os olhos. O que me fez suspirar.

"Tudo bem, eu me viro." Eu disse a cortando.

"Sinto muito".

Dei o silêncio e as costas para ela mostrando minha indignação. Droga, era mais fácil ela falar que não queria ficar com Masen. Eu pagava pouco pra ela, mas em vez de reclamar, ficava inventando desculpas para faltar.

Aprendi desde cedo a reconhecer uma mentira. Isso durante o convívio com os gêmeos, com o passar dos anos foi ficando ainda mais fácil. Ambos se comunicavam pelo olhar e segredos nunca ficavam sem ser visualizados. De novo me peguei pensando nele.

Rob era um homem experiente, mas eu nunca me senti menos do que desejada. Ele sempre tinha uma forma única de me olhar. Ele me fazia sentir-me sentir especial. Amada. Sexy e poderosa.

E também sabia quando eu estava mentindo.

Por isso virei meu rosto naquele dia. Ele veria a verdade. Rob saberia que eu estava enlouquecendo e mentindo. Ele nunca foi medíocre, mas sabia que Rob não me deixaria ir sem um argumento. E aquele foi o único que eu sabia que o faria parar.

Fui para meu quarto enquanto ouvia Sophie conversando e se despedindo de Masen. Aquilo me machucou, pois eu tinha que deixá-lo sozinho esta noite novamente. Foram poucas vezes, mas sempre me angustiava. Desejei sair daquele emprego pela milésima vez, mas não podia. Era tudo pelo meu menino. Saí do quarto arrumada e encontrei Masen na sala assistindo desenho. Sentei ao lado dele e me aconcheguei. Cheirei seu cabelo e aspirei seu doce aroma. O cheiro do céu.

"Mamãe, o que é uma família?" Masen me perguntou de repente. Meu coração saltou dolorosamente em meu peito. Meus lábios congelaram em seu cabelo enquanto eu ponderava a resposta.

"Família somos eu e você." Falei incerta, mas sorri. Ele era minha família agora. "Quando você ama alguém e você o quer bem... Eu amo você. Você me ama?" Tentei desviar o assunto.

"Amo." Ele disse alegre, mas depois piscou parecendo confuso. "Eu vi no desenho que era outra coisa".

Suspirei.

"No desenho a família tinha mais pessoas. Tinha tanta gente. Papai, mamãe, vovó, vovô. Por que nós não temos isso na nossa família, mamãe?"

"Porque eles estão muito longe, filho, mas um dia você vai conhecê-los".

"Ah bom." Ele tinha se contentado com minha mentira. Puxei-o para outro assunto.

"Vamos tomar um banho, pequenino?"

"Ah, mamãe... só mais um poquinho..." Sorri das suas palavras cortadas e seu biquinho lindo. Nem tudo ele falava tão corretamente ainda.

"Puxa vida... pensei que você queria passear com a mamãe".

"Tá bom".

Sorri novamente com sua aceitação. Desenhos e brinquedos era seu vício, mas eu precisava cansar Masen em algum parque para ele ter um sono pesado essa noite. Fui com ele para o banheiro, arrancando suas gargalhadas com minhas brincadeiras.

O dia foi tão corrido como cansativo. Eu e Masen almoçamos na rua, com ele correndo e brincando o tempo todo. Olhava o relógio a todo instante, ansiando para que o mesmo parasse, ou fosse mais lento. Mas nada era do jeito que eu gostaria mesmo...

Cheguei à minha casa em cima da hora. Estava quase anoitecendo e Masen já tombava no meu colo. Eu o deixaria dormir sem ninguém, mesmo que isso arrancasse lágrimas dos meus olhos. Era muito difícil fazê-lo passar por esse sofrimento, mas era necessário. Pelo menos por enquanto.

Deitei Masen na minha cama por ser mais espaçosa, depois de dar um longo banho quente. Seus olhinhos fechavam a todo instante, mesmo enquanto eu o observava. Ainda assim ele parecia lutar contra o sono. Eu tinha meus olhos inundados pelas minhas lágrimas, mas não havia jeito para trazer comida pra casa. Principalmente com meus poucos conhecimentos e nenhuma profissão.

Saí sorrateiramente, mesmo trabalhando muito perto. Deixei a porta trancada, não saí sem antes falar com minha vizinha idosa, para me ligar se ouvisse qualquer coisa. Eu sabia que era errado e que podia ser presa por abandono de incapaz, mas essa era minha vida e meu filho. Deus via o quanto era difícil para mim.

O Bordel da Jane ficava a três quadras do meu pequeno apartamento. Apesar da pouca distância, meu coração doía por ele. Era sempre muito difícil. Rolei os olhos para o segurança Dimitri, que sempre ria da minha aproximação esbaforida.

"Boa noite, madame".

"Sem essa, Dimitri".

"Hoje está vazio".

"Não sei se fico feliz ou não com isso".

Dei uma batida no seu ombro enquanto passava pela portaria. A noite já começava a cair. Cheguei ao meu pequeno espaço, que dividia com Victória, outra sobrevivente. Ela chegou aqui depois de apanhar do seu antigo cafetão.

"E então, Kiki... como está meu lindo bebê?"

"Cada dia mais esperto, Vick... não sei mais o que faço com ele." Ela era uma das únicas que sabiam meu nome verdadeiro por aqui. Afinal eu tinha outra identidade no bordel.

"Por quê?" Ela me perguntou. Suspirei e comecei a me arrumar rapidamente. A qualquer momento Jane poderia entrar e nos chamar.

"Acredita que hoje ele me perguntou sobre família?"

"Como assim?"

"Ele viu algo em um desenho... ou seja..."

"Vick! Sua vez!" Fui interrompida pela voz grossa de Jane. Eu tinha que acabar de me arrumar, pois a próxima seria eu.

"Já vou, amiga." Ela disse arrumando seus cabelos ruivos e ajeitando seus seios dentro do top minúsculo. "Tudo bem, Vick, depois nos falamos." Respondi sorrindo para minha amiga.

Voltei a olhar no espelho, suspirando pesadamente. Realcei ainda mais minha maquiagem deixando meu olhar um pouco fatal. Meu cabelo preto estava mais curto, para facilitar minha vida corrida e também o uso da peruca. Eu era uma das poucas meninas que ainda as usava, mas era necessário. Pelo menos para mim. Assim que fiquei pronta, Carmem, a auxiliar da minha chefe, apareceu respirando pesado.

"Angel... vamos. Temos um homem lindo pedindo uma sala exclusiva com dançarina!"

"Como?"

"Vamos, menina. Não pense. Faça o último número que combinamos. Ande".

Ainda tentava assimilar suas palavras quando ela me jogou na sala vip. Fui em direção ao lado oposto da porta, ficando de costas. Essa era a pior parte. Meus trajes sempre os confundiam e eu odiava isso. Sempre desejava dançar no meio do palco, pois era mais seguro para os ataques dos tarados. A sala vip rendia mais, entretanto era a mais estressante. Eu sempre tinha problemas aqui.

Meu corpo estava perfeito. Eu tinha um bumbum empinado, pernas delgadas e seios na medida. Sabia que mesmo sendo de baixa estatura chamava a atenção. Mas nada disso me deixava feliz. Eu não tinha desejos sexuais desde que abandonei minha antiga vida e meu amor verdadeiro. Era como se tivesse deixado tudo com ele. Meu amor. Meu desejo. Minha antiga vida. A nova vida era ser uma mãe durante o dia e dançarina durante a noite. Só.

Hoje estava vestida com um conjunto roxo que mal cobria meu corpo e minha peruca era rosa clara. Todo meu corpo se retesou quando ouvi a voz de Jane. O cheiro potente do perfume do homem que a acompanhava entrou antes que ela falasse.

"Divirta-se." Foi a única coisa que Jane falou. O homem deu passos rápidos para dentro do ambiente me deixando um pouco nervosa. Respirei profundamente fechando os olhos, deixando a personagem entrar em mim.

A música começou e iniciei os movimentos sensuais, lentamente. Esse número foi muito ensaiado e eu o sabia de cor. Ainda de costas aumentei o ritmo, rebolando um pouco mais. Fiz menção de virar, mas ouvi sua voz profunda.

"Não se vire." Fechei os olhos, imaginando estar louca, pois tive a sensação que conhecia esse tom. "Como quiser".

Meus movimentos eram ritmados, mas frios. Sempre tentava pensar em algo que me fizesse esquecer onde estava, mas aqui, a sós, era muito difícil.

"Qual o seu nome?"

"Angel." Respondi mecanicamente. Sempre.

"Combina com você. Aproxime-se." Fui dançando sem me virar. "Sem se virar." Eu sabia que ele não desejava ver meu rosto. Outro homem sofrendo por mulher, como a maioria dos que vinham aqui. Por que a sensação de que eu conhecia esse tom não me deixava?

Empinei minha bunda e com alguns passos praticamente encostei-me em seu rosto. "Pare aí". Fiquei tensa com seu pedido. "Abaixe-se para mim".

Meus movimentos eram mecânicos, mas parecia que ele estava gostando, pois senti sua respiração pesada. Apoiei-me no palco do centro, me expondo ainda mais. "Você é gostosa demais".

"Obrigada".

"Dance mais. Faça-me esquecer a porra do mundo".

"Como quiser." Trouxe minhas mãos para meu corpo e comecei a me acariciar, com movimentos leves e sensuais.

"Angel, se eu te pedisse para tirar a roupa, você a tiraria para mim?"

"Desculpe, eu só danço." Como ele ousa?

"Mas eu pagaria bem." Ele era mesmo insistente. Como todos os outros.

"Desculpe, senhor." Por Deus, ele não sabia das regras?

"Não me chame de senhor." Ele estava mesmo estressado. Isso não estava me soando bem.

"Desculpe."

"Pare de se desculpar." Ele disse abruptamente em um tom que me fez saltar de susto, expondo meu perfil. Sei que foi contra suas regras, mas a sua irritação tinha sido estranha. O que tinha tudo para ser um show de dança ficou ainda pior quando o homem segurou meu braço e seu movimento de me tocar me estressou. O agressivo homem me puxou de encontro ao seu corpo, me fazendo repuxar meu braço com raiva. Eu odiava quando me tocavam.

"Não toque em mim." Eu disse quase gritando e me afastando, virando todo o meu corpo, afinal, ele também tinha quebrado as regras. Mas toda a minha ira dissipou no momento que meu olhar encontrou o dono da voz. Isso não podia ser pior.

"Edward?" Eu tinha que estar sofrendo alucinações.

"Kristen? Mas que porra..." Deus, isso não era possível.

"O que você está fazendo aqui?"

"O que você está fazendo aqui?" Edward disse em um tom acusatório.

"Olha quem fala." Disse rolando os olhos e soltando meu veneno. "Eu nunca imaginaria que o Senhor Perfeito e Gostosão estaria em um lugar como esse, pagando para uma mulher dançar pra ele. O que houve, Edward?" Sorri maliciosamente, tentando desviar o assunto. Mas meu coração batendo a mil por hora. Esse rosto...

"Por que você só responde com outras perguntas? Você ouviu o que eu te perguntei?" Ele repetiu irritado "O. Que. Você. Está. Fazendo. Aqui. Porra?"

"Você não tem nada a ver com a minha vida".

"Ah, Kristen, não se engane, eu não vou sair daqui sem uma explicação."

Isso não podia ser verdade. O que mais poderia acontecer agora? Bufei e cruzei meus braços sobre meus seios "O que você quer saber, afinal? Por que a minha vida ficou tão fodida que eu tive que virar dançarina, ou por que eu não te deixei me tocar? Eu não sou uma prostituta! Eu só danço. Não tem nada demais nisso".

"Nada faz sentido. Por que você fugiu? Desapareceu? Seu pai sabe o que você está fazendo da sua vida?"

"Meu pai não precisa saber." Ele não podia contar ao meu pai. Ainda mais agora. "Eu não falo com ele desde... desde que saí de Forks".

Observei seu movimento de sentar no sofá, ainda atordoada com tudo e respirando com dificuldade. Nunca imaginei encontrar com ele aqui. Ou dar de cara com qualquer Cullen. Depois de dois anos vivendo essa vida, eu estava em um mundo onde todo o meu passado tinha sido apagado. Ou afogado dentro do meu peito.

"Por que você fez aquilo?" Edward me questionou, me sobressaltando. "Por que você o largou daquela maneira?"

"Eu não quero falar sobre isso." Eu disse secamente. Eu não queria falar sobre isso com ele, muito menos aqui.

"E eu não vou sair daqui até você falar. Entendeu?"

"Eu vou chamar os seguranças." Jesus Cristo, isso não podia ser pior.

"Não brinca comigo."

"O que você quer que eu diga?" Eu precisava me livrar dele de alguma forma.

"Eu quero uma explicação."

"Perdoe-me Edward, mas eu não posso." Deixa eu me refazer, pedi mentalmente.

"Não pode o que?"

"Eu não consigo falar sobre isso. Eu estou há anos tentando esquecer e, quando eu estou quase me recuperando... você aparece." E com esse rosto, é mais difícil ainda. Dói demais.

"O que aconteceu? Só me diga isso." Olhei para Edward que parecia tão... dolorido. Desde que vim para Seattle eu tentava formular um plano de me aproximar do meu pai. Sabia que não era o certo, muito menos depois de todo esse tempo distante e sem ele saber que já era avô. Mas eu sentia que devia fazer isso, pelo menos por Masen. Comecei a ter um sentimento estranho. Será que valeria mesmo a pena contar a minha história para ele? Eu me sentia tão sozinha.

Apoiei-me no palco e sentei. De repente senti a necessidade de compartilhar. Era tanta dor que eu guardava dentro de mim. E Edward não parecia me odiar tanto quanto eu achava que os Cullen me odiariam. Eu deveria parecer uma irresponsável para eles, sumindo sem avisar, mas eu precisava. Pelo menos foi o que pensei naquela época.

"Muita coisa aconteceu. O tempo passou e nós... quer dizer... eu precisava sobreviver." Uma lágrima se formou e escorreu por meu rosto. Edward aproximou a mão para enxugá-la, mas me retesei. Aqui não podíamos ter contato. "Desculpe, tem câmeras nessa sala e você não pode me tocar. Aqui não é o melhor lugar para isso acontecer." Falei baixinho.

"Tudo bem, mas isso não está fazendo nenhum sentido. Não estou aqui pra te julgar. Eu só quero entender."

Minha mente trabalhava freneticamente para minhas respostas. O que dizer pra ele, afinal? Ele contaria ao Rob? Eu não poderia.

"Por que você o deixou? Por que você veio para Seattle sem avisar ninguém? Foi... pra isso?" Ele perguntou apontando para o palco. Isso me doeu um pouco, afinal Edward me conhecia. Nunca imaginei ser o que eu era. O que me trouxe até aqui foram muitas portas fechadas e a necessidade de dar ao meu filho uma vida.

"Era muita coisa para administrar, Edward. Eu conhecia seu irmão. Se eu não o deixasse... ele me deixaria. E isso seria a minha morte. Eu não conseguiria viver com a rejeição dele." Eu tinha que explicar minha decisão, afinal, eu tinha certeza das minhas escolhas, mesmo que doesse. "Foi o melhor para ele-"

"COMO FOI O MELHOR? ISSO QUASE O MATOU!" Edward gritou, me deixando apavorada. Como assim? O que tinha acontecido com Rob? Eu não estava entendendo nada. "Você sabe como ele ficou?" Ele disse acusadoramente enquanto meus olhos enchiam de lágrimas há muito tempo represadas em mim. Abaixei o olhar com medo do que ele me diria agora.

"Ele não se recuperou disso assim. Ele desapareceu. Você o destruiu! E com as piores acusações que você poderia usar. Ele me disse tudo, mas o pior foi o que ele assumiu como culpa dele, já que no final Rob simplesmente me disse que você o deixou."

Por Deus, isso não estava acontecendo. O que ele quis dizer que isso o destruiu? Que eu o destruí? Eu era uma menina naquela época. Eu mal tinha completado vinte anos e Rob era tão vivo e independente. E lindo e perfeito. Durante toda a minha vida refreei minha dor por amá-lo desde muito nova. Mesmo sabendo que era um sentimento errado. Principalmente por ser pobre. E ele rico e lindo.

"Você pelo menos pode me dar respostas que façam algum sentido?"

Minhas escolhas o tinham afetado tanto quanto a mim? Só eu sei o que tive que abrir mão naquela época, eu jamais me deixaria ser humilhada por ele, ou pela maldita cidade. Eu não estava mais escutando Edward no momento. Lágrimas e soluços romperam minha fachada tão fortemente construída. Eu tinha certeza que um encontro com um Cullen seria minha morte, mas saber que minhas decisões tinha mexido com ele também, que o tinham feito achar que tinha culpa, foi pior. Eu realmente o deixei. Para ele viver a própria vida. Eu estava fadada ao fracasso e com um filho na frente. Sem mãe. O que eu podia fazer?

E ele acreditou, então? Aquelas foram as piores mentiras que alguém poderia contar. Ele não podia ter acreditado em mim.

EU tentava me controlar, mas era tão difícil. Meu corpo tremia com a força do meu choro silencioso. Nada mais importava agora. Eu precisava me libertar da minha dor. Depois de algum tempo, levantei meu rosto, mesmo soluçando. Eu sabia que minha máscara tinha caído, o que assustou Edward também. Era muito difícil admitir uma verdade reprimida. Eu tinha sido covarde e fugi. Suspirei para contar a minha breve história.

"Rob e eu sempre falamos sobre tudo... você sabe?" Comecei a falar calmamente. A música ambiente não me atrapalhava e eu praticamente chorava em silêncio, com lágrimas copiosas descendo por meu rosto. "E sempre que falávamos do futuro-" Solucei, com dor. "Rob era um espírito livre... ele sempre foi. A liberdade e a família eram tudo pra ele." Quis dizer para Edward que Rob nunca assumiu um compromisso sério comigo. "Quando ele estava na faculdade, fazendo a especialização, ele chegou um dia quase louco e disse que nunca, nunca teria um filho. Que ele odiava crianças. Que elas faziam o dia dele um martírio e ele nunca entenderia o por que de você ter escolhido ser pediatra." Olhei para ele, me preparando para dar a próxima notícia. "Um dia eu percebi que algo mudou em mim. Meus seios incharam, meu período atrasou..."

Suspirei diante do olhar assustado de Edward. Agora eu tinha que contar tudo.

"Eu entrei em pânico. Ele não suportaria isso, eu sabia que Rob terminaria comigo! Meu pai me mataria. Eu seria humilhada na frente de todas as pessoas que eu conhecia e ainda seria deixada para criar meu filho, sozinha e diante dos olhos de todas aquelas pessoas..." Era tão doloroso. "Foi uma decisão rápida e lógica. Aquela cidade é cruel, Edward. Você sabe disso. Eu seria mãe solteira de um homem sem amarras. Lembrei que tinha uma poupança para a faculdade. Eu consegui viver com ela por um tempo. Mas um filho não é assim tão barato... não é fácil viver sozinha. Eu... eu tive que..." Queria dizer que não estava atrás do dinheiro deles. Eu não era oportunista. "Eu tive que fazer alguma coisa, mas não conseguia emprego. Afinal, eu só tenho o ensino médio. Não ajudava muito. E então, em uma noite eu tive que tomar essa decisão. Não foi tão difícil quanto deixar Rob, mas foi muito doloroso. Então desde aquela noite, eu tenho duas caras..." Dei uma risada forçada. "Eu sou duas pessoas diferentes. Mas tudo vai melhorar." Mas e Rob? Eu não queria que ele soubesse. "Por favor, não conte a ele! Ele não pode saber! Ele não me perdoaria! Eu faço qualquer coisa que você quiser, mas não conte".

Enquanto Edward processava o que eu tinha acabado de contar, minha mente correu para o meu passado. Foi uma decisão impensada e imatura. Mas eu só tinha vinte anos e estava sem mãe. Meu pai, apesar de dizer que me amava, sempre me deixava sozinha. Eu sabia que era muito bonita, mas não tinha dinheiro. A cidade me condenaria para o resto da vida. Seria a mulher que deu o golpe da barriga para o solteiro mais galinha do país. Edward ainda parecia profundamente abalado com minhas novidades. Mas e ele? O que o tinha trazido aqui, afinal?

"Mas o que não faz sentido é vê-lo aqui, Edward. O que aconteceu? Você nunca me pareceu uma pessoa que gostasse desse mundo."

Edward vacilou um pouco com minha pergunta. Algo me dizia que era uma dor tão profunda quanto a minha. Como estariam todos agora? Os gêmeos já estavam próximos dos trinta. Alice. O que será que tinha acontecido com ela?

"Eu estava de cabeça quente. Eu imaginei que poderia ser uma boa idéia..." Não me pareceu o real motivo, mas resolvi não interferir. Afinal cada um sabe das suas próprias feridas e eu tinha que lidar com as minhas, que estavam sendo abertas aqui. "Eu quero ver a criança". Assustei-me com sua voz de comando. NÃO. Ele queria meu filho?

"Você disse que faria o que eu quisesse. E eu quero ver meu sobrinho. É menino ou menina? Eu quero saber tudo." E se eles o tirassem de mim? Seria muito fácil, afinal Emmett era advogado e eu era... quase uma prostituta baixa e sem dinheiro. Pânico tomou conta do meu ser. Eu tinha agido certo contando tudo?

"Edward, ele é minha vida. Por favor, não o tire de mim."

Não. Não. Não. Ele não seria assim tão insensível. Eu o conhecia desde nova, assim como ele. Isso não aconteceria. Por favor. Masen era o centro do meu universo agora. Edward ficou me olhando parecendo refletir através de mim. Remexi nervosamente minhas mãos, sentindo o peso de estar aguardando uma condenação. Nesse momento pensei em meu filho que estava sozinho, me esperando. Eu precisava sumir novamente. Jamais perderia a guarda dele para sua família. Eu morreria sem meu filho. Tudo no meu mundo era Masen agora. Nem se durante toda a minha vida fosse ficar sem rever o único homem que amei, ou ser feliz ao lado de outra pessoa, eu abriria mão do meu bebê.

'O que será que ele está pensando?' Comecei a me perguntar. Comecei a remexer meu corpo mais rápido, vendo se Edward acordava do seu sonho.

"Eu nunca, jamais, tiraria um filho de uma mãe. Parece até que você não me conhece mais." Me assustei com seu discurso. "Eu quero conhecê-lo. Ele também é minha família."

Família. Mais uma vez essa palavra aparecendo no meu dia. Masen queria essa família também. E eu tinha negado isso a ele.

"Dê-me 15 minutos. Espere-me na entrada do bordel. Eu preciso me trocar e avisar que estou saindo." Eu precisava sair daqui rápido. Meu filho precisava de mim e encontrar Edward me fez reviver meus melhores e piores pesadelos. Saí rapidamente da sala para conversar com Jane.

Minha empregadora estava sentada na sua sala e tamborilava seus dedos quando entrei. Jane sempre foi compreensiva comigo, mesmo sem eu pedir. Ela e Victoria eram as únicas que sabiam do meu filho.

"Vai com ele não é? Até eu iria".

Sobressaltei com suas palavras. "Não é n-nada disso q-que está pensado".

"Sabe que isso soou ainda pior do que já é." Ela levantou uma sombracelha com um olhar irônico.

"Oh Meu Deus, Jane." Fechei os olhos e encostei-me no portal da porta. "Ele faz parte do meu passado... e... bem, ele pediu... Masen..."

"Tudo bem, Angel. Mas eu iria mesmo assim. E avise-o que se ele quiser estarei por aqui".

Sorri para ela. Jane era sempre tão discreta, conduzindo o bordel com elegância e firmeza. Nunca a vi se interessar por um cliente, mas sendo Edward, eu entendia suas palavras. Eu mesma sucumbi para sua aparência. Mas na versão mais cretina. Rob.

Demorei bem menos tempo do que imaginei. Meus pensamentos estavam confusos, assim como o medo corria meu corpo. Pela manhã, após tantas outras coisas, desejei secretamente que minha vida tivesse algum sentido além desse bairro. Eu odiava a idéia do meu menino sozinho, mas era o máximo que eu conseguia atualmente.

Saí pela portaria um pouco cedo, fora do normal, o que arrancou um olhar cético e desconfiado de Dimitri. Sorri para ele o tranqüilizando, pois a vida noturna poderia ser ingrata e violenta. Edward estava encostado na parede do outro lado do clube. Aproximei-me chamando-o para minha casa.

"É perto, vamos andando." Disse virando meu corpo para minha casa.

"Não, estou de carro." Edward já estava com o alarme disparado. Sorri para sua gentileza, apesar de fazer algum tempo que não andava com um homem dentro de um carro. Principalmente do estilo Cullen. Chamativo e caro.

Assim que ele entrou, me direcionou um olhar de ternura e curiosidade. "Diga para onde vamos... como é o nome dele?" Sorri para sua pergunta. Ele se assustaria com o nome que meu bebê tinha.

"Masen." Fiquei muda esperando-o absorver a informação. Edward olhava vidrado para frente, perdido em pensamentos, o que me fez sorrir novamente. Tentando tranqüilizá-lo resolvi completar.

"Masen era o nome que Rob disse que preferia se chamar. Você sabe... ele odeia o nome Robert. Ninguém sabe o por que, mas ele odeia." Sorri ao falar sobre ele. Há muito tempo não compartilhava minhas lembranças felizes com alguém. "Ele é a cara de vocês dois, na verdade. Eu nunca conseguiria esquecer, pois desde que ele nasceu cada vez mais se parece com o Rob... Ele é uma criança adorável." Terminei quase às lágrimas, amando meu filho ainda mais. Terminei de indicar o meu lar. Ou o que eu considerava atualmente.

Meu prédio não era do padrão de vida deles. Fiquei um pouco nervosa com os olhares observadores de Edward. Tudo voltava em ondas cavalares para meu ser. A minha decisão de abandonar Robert pesava como nunca, principalmente neste momento. E se eu estivesse errada no meu julgamento? Ele não tiraria minha única razão de viver, ou sim? Minha cabeça martelava freneticamente com tantas dúvidas.

Novamente fiquei envergonhada pelo estado do prédio e do apartamento ao abrir a porta.

"Não é assim muito bom. Mas eu consigo sobreviver." Suspirei ainda atordoada. "Masen adora olhar pela janela de manhã. Ele passa o tempo todo rindo dos carros passando." Abri um sorriso pensando no meu filho, fazendo Edward sorrir também. "Vamos, mas não faça barulho, ele está dormindo." Ao passar pelo corredor estreito entramos no meu quarto. No canto, na minha cama, estava a criança mais linda do planeta deitada de costas enquanto dormia. "Pode se aproximar, mas devagar." Eu disse cuidadosamente.

Meu bebê estava tão lindo com as mãozinhas encolhidas próximo ao rosto. Meu amor irradiava só de olhá-lo. Sua respiração estava tranqüila demonstrando que ele estava calmo. Minha vida não podia ser do jeito que eu sonhava, mas a felicidade me encontrava toda vez que voltava pra casa e encontrava Masen.

Edward me olhou como se pedisse permissão. Seu olhar me dizia que ele já estava apaixonado. Assenti, deixando que ele tocasse em Masen. Eu mesma tinha essa necessidade o tempo todo. Edward virou o olhar para mim como se quisesse me dizer algo. Meu corpo tremeu com o pensamento do que ele estaria pensando. Edward correu os olhos por todo o meu quarto o avaliando e suspirando. Novamente voltou o olhar para Masen enquanto sentava na beirada da cama. Saí sorrateiramente para o banheiro para trocar essa roupa por uma mais confortável.

Eu pensava em tantas coisas. Como será que Rob reagiria se visse nosso filho? Teria esse semblante apaixonado de Edward? Ou o rejeitaria como eu sempre imaginei ao fugir? Tantas dúvidas e nenhuma solução. E o resto da família? Ou... Alice? Como todos estariam e reagiriam sobre a notícia de Masen?

Voltei para o quarto, silenciosamente observando Edward ainda sentado na cama olhando apaixonado para meu filho. Eu estava imaginando o que ele poderia estar pensando. E isso foi comprovado com seu primeiro comentário.

"Vamos voltar para Forks." Fiquei tensa em confirmar essa verdade. Ele queria me levar de volta ao meu inferno pessoal. "Essa criança merece ter tudo, Kristen. Ele terá uma família completa. Você nunca deveria ter negado isso a ele. Nós o amaremos e cuidaremos dele e de você. Todos juntos." Eu neguei isso a ele. Era tão triste repensar minhas ações. Será que um dia ele me perdoaria?

Não sabia o que dizer, mas concordei a princípio, pois precisava ficar sozinha. Eu estava tão assustada. Edward tinha aparecido na minha vida tão de repente que eu nem sequer medi as conseqüências desse encontro. Mas como seria isso, afinal? Foram longos e penosos quatro anos de distância. Nunca esqueci a dor que senti aquele dia. Parecia uma ferida que nunca seria curada.

E Rob? Por Deus, claro que ele saberia. Os gêmeos sabiam tudo um do outro. Apesar de todos os meus conflitos e lembranças dolorosas, também percebi que era a oportunidade de eu acabar com os 'e se' que ficavam martelando na minha cabeça. Sem contar a saudade que eu tinha do meu pai... Esme... Alice... dele. De acordar com ele todas as manhãs. Isso tinha sido minha maior dificuldade no começo. Dormir sozinha. Acordar sem seu calor me rodeando.

Meu filho supriu um pouco disso. Tomou grande parte do meu tempo, ou todo, na verdade. Mas não apagou nem um pouco o sentimento que eu tinha por ele. Todos os dias eu sentia como se em meu peito tivesse um buraco. Um espaço que era só do Rob e nunca ninguém mais ocuparia. Masen veio para isso. Lembrar-me todos os dias a quem meu corpo pertencia. Eu o via e essa mensagem era dita para mim. Entretanto, jamais nutri esperanças de uma volta, ainda mais agora depois que soube o que causei ao pedir para ir embora.

Prometi a Edward que pensaria sobre Forks, mesmo que a idéia ainda me aterrorizasse no fundo, desde o momento que o reencontrei sabia que ele não me deixaria aqui. Senti isso no momento em que ele soube sobre o sobrinho. E conhecendo os Cullen como eu conhecia... ele jamais aceitaria não como resposta.

Voltei a pensar em Rob e meu corpo tremeu. Será que ele já estava casado? Onde eles estariam? O mais estranho foi Edward não falar sobre ele além do que aconteceu quando o deixei. Será que Edward não queria que eu soubesse que o homem do meu passado tinha uma vida muito boa sem mim enquanto eu estava nessa situação?

Arrumei o sofá-cama para ele na sala. Estávamos em um silencio confortável. Era o melhor que eu poderia fazer, mas ele também disse que não se importava, o que na verdade eu desconfiei que ele estivesse com medo de que eu fugisse na madrugada. Não que o pensamento não tivesse me ocorrido. O medo de enfrentar a realidade dos meus atos e a minha covardia em reencontrar meu passado estava comendo meus ossos.

Assim que o deixei, entrei no quarto e meu bebê tinha virado em minha direção. Sorri, com lágrimas nos olhos. Então seria assim? Depois de tanto tempo sozinha e assustada, um cavaleiro branco viria resgatar a princesa perdida? O que seria da minha vida de agora em diante? Todos os meus atos impensados viraram meus pesadelos reais. Fiquei sozinha, exatamente como desejei, na última vez que o vi.

Escutei Edward ligando para sua mãe. Sua conversa estava baixa, mas eu sentia a felicidade irradiar da sua voz ao falar do meu filho. Suspirei aliviada por não ser Rob a primeira pessoa que ele contaria. Eu não estava preparada para esse confronto ainda. Mas o que tinha acontecido a Edward, afinal? Ele não era o tipo de cara que sofreria por alguém. Nem mesmo Rob, na verdade. Diferente de mim. Eu estava assustada e confusa, mas no final o discurso dessa noite de Edward era o certo. Eu não precisava enfrentar isso sozinha. Eu tinha uma família para me ajudar. Eu mesmo estava pensando em voltar para me aproximar do meu pai, mesmo após esses anos. Fui estúpida nas minhas escolhas, mas quem não erra? Nunca fui perfeita e atualmente estava cansada de estar assim. Sem ninguém para me levantar.

Eu quase não consegui dormir naquela noite. Tentei não me mexer muito e acordar Masen. Se ele acordasse, Edward não conseguiria dormir. Eu conhecia meu pequeno curioso.

Acordei com sons de vozes abafadas e fiquei confusa. Com o tempo minha consciência foi voltando e lembrei de tudo. Masen. Ele tinha acordado. Ouvi baixinho, assim que comecei a me levantar. "Eu vim buscar você e sua mãe. Nós vamos passear. Você gosta de passear?"

"Sim, eu gosto." Masen respondeu. Meu sorriso quase machucou meu rosto. Eu estava feliz por meu filho ter mais alguém para chamar de família. Ontem mesmo ele estava ansioso por isso. Apesar de não ser exatamente uma pessoa religiosa, agradeci secretamente a Deus por realizar o sonho do meu filho. Minha curiosidade começou a me corroer. Deveria ser interessante ver os dois juntos. Masen era praticamente uma miniatura do Edward. Ou do Rob.

"Então, cadê sua mãe? Ela já acordou?" Droga. Será que fiz algum barulho?

"Não. Ela ainda está dormindo. Vamos acordar ela? Para irmos passear logo?" Sorri mais uma vez para a ansiedade de Masen. Ele era sempre tão imediatista...

"Ela deve descansar um pouco, pequeno. Você quer tomar café?"

"Hum. Quero, mas a mamãe que sabe fazer o que eu gosto."

Resolvi interromper. Ele correria para me acordar de qualquer jeito. Eu o ensinei a comer somente quando eu fazia seu café da manhã. Era o nosso momento juntos e eu valorizava cada segundo ao lado dele.

"Masen, não perturbe seu tio." Foi quando eu entrei na sala e vi os dois juntos. Meu coração saltou. Era uma imagem linda. Edward sentado no sofá e Masen em frente a ele com um olhar divertido.

"Bom dia."

"Bom dia." Eu respondi. "Vamos tomar café, pequenino? Cadê o beijo da mamãe?" Ele sempre era exagerado. Correu na minha direção e começou a me dar beijinhos.

"Hum. Que coisa mais gostosa. Esses beijos merecem um super café." Eu disse e pisquei para Edward, que tinha a cara de bobo e apaixonado pelo sobrinho. Amor irradiava dele, fiquei tão feliz. Ele estava fascinado. "Não é, tio Edward?" Seu rosto ficou mais surpreso ao chamá-lo de tio. Fiquei ainda mais feliz por sua expressão. Será que seria tão fácil para eles me perdoarem como foi com Edward? Será que era tudo paranóia da minha cabeça?

"Claro." Ele disse sorrindo. Masen correu para a mesa e puxou sua cadeira, me surpreendendo quando ele bateu na cadeira ao seu lado e chamou Edward.

"Vem, tio. Senta comigo." Meu filho disse, trazendo um Edward sorridente e feliz. Ontem ele ostentava um semblante triste e vazio. Masen também o tinha salvado, assim como acontecia comigo todos os dias. E sem cerimônias ele sentou.

"Quer que eu saia para comprar alguma coisa?" Ele perguntou me assustando. Eu podia ser pobre, mas alimentava bem meu filho. Era para isso que eu tinha aquele emprego vergonhoso.

"Não precisa." Disse sem graça. "Eu passei ontem à tarde na feira e temos frutas, cereais e pão. Você quer algo em especial?"

"Não. Cereal está ótimo." Edward disse, confirmando que ele ainda estava do mesmo jeito que me lembrava, só comia as mesmas coisas.

"Mãe, vamos comer rápido para irmos passear." Olhei assustada para Edward, com receio do que mais ele sabia para essa pressa toda. Edward negou com a cabeça, para meu alívio.

"Sim. Mas antes eu tenho que falar com o Sr. Burns. Eu deixei um aluguel adiantado, então acho que vai ficar tudo bem deixarmos minhas coisas aqui por enquanto." Resolvi deixar claro que eu era independente, mesmo que eles me fizessem ficar em Forks. Eu não era uma marionete.

"Tudo bem. Você quer que eu ajude a guardar algumas coisas?" Edward pareceu ansioso, o que me deixou um pouco preocupada, mas ao mesmo tempo feliz com essa proximidade com meu filho. Fazia muito tempo que eu cuidava de tudo sozinha, eu queria as coisas diferentes agora.

"Hum, talvez alguns brinquedos. Mas vamos tomar café primeiro e depois resolvemos tudo." O que aconteceria agora? Fiquei remoendo minha vida durante toda a noite, mas não cheguei a nenhuma decisão. Tudo tinha sido muito difícil, afinal, eu usei minha melhor arma para me defender. O ataque. Com uma mãe ausente, aprendi que as pessoas poderiam ser cruéis quando queriam. Ela era assim também. Mas jamais seria igual a ela. Eu me tornaria uma mãe melhor para meu filho.

Acabamos de tomar café e chamei Edward para ajudar Masen com seus brinquedos enquanto fui falar com o senhorio do prédio. Nas escadas refleti novamente nas coisas que tinha dito para Rob naquela tarde há mais de quatro anos atrás. Eu o chamei de medíocre e dizia que não o amava. Fui cruel e fria, assim como minha mãe na hora da morte.

"Menina Stewart?"

Virei assustada para o Sr. Laurent, meu senhorio. "Bom dia, senhor".

"Está me procurando?" Olhou com cobiça, o que já me irritava.

"Sim. Estou vindo avisar que ficarei uns dias fora, mas queria pedir ao senhor para avisar o Sr. Burns que vou voltar." Ele cruzou os braços, ainda me avaliando.

"Sei, e o pequenino?"

"Vai comigo, lógico." Eu disse num estalo. Que pergunta idiota era essa?

"Cuidado criança. Sei que é meiga e responsável, mas essa sua vida..." Cerrei os olhos, com raiva e o cortei.

"Sei cuidar de mim e meu filho, senhor Laurent." Eu disse desafiadoramente.

"Tenho visto meninas como você p-"

"Obrigada, senhor, mas como disse, não preciso dos seus conselhos." Dei as costas e subi para meu apartamento. Esse velho tarado sempre me olhou desse jeito, o que me dava nojo. Quem ele pensava que era, me dando conselhos sobre minha vida, se ele vivia atrás dessas mesmas meninas?

Bufando, fui até o apartamento da minha simpática vizinha, a senhora Sue, para agradecer e me despedir. Ela era de origem indígena, mas parecia mesmo ser minha avó, devido a tanto cuidado.

"Bom dia, criança. Estou ouvido muito barulho hoje no seu apartamento." Ela disse ao me aproximar da sua porta abrindo-a rapidamente. Era impressionante sua percepção da minha aproximação.

"Bom dia, Sue. Sabe que ainda me assusto com seu jeito de sempre saber que estou chegando".

"Sinto o cheiro das pessoas boas, menina." Ela disse sorrindo, o que me fez sorrir. "Quer entrar?"

"Não, meu bem, tenho que ir".

"Tem visitas e está feliz." Ela disse me avaliando como sempre.

"Sim para as duas coisas, como sempre." Cruzei os braços e apoiei meu corpo no batente da porta, o que era meu hábito. "Ainda me pergunto, Sue, como você faz isso?"

"Você é importante pra mim, como uma filha." Sorri.

"E você como minha mãe, mesmo que eu more aqui há menos de um ano".

"Vai embora, certo?" Ela disse pesarosa.

"Uma pequena viagem somente." Nem eu sabia o que seria da minha vida ainda.

"Kristen, meu bem. Tenho visto, ao longo desses meses, o quanto de tristeza e solidão você carrega dentro desse coração. E hoje, percebi que você está recebendo a oportunidade de construir sua vida novamente. Não desperdice isso, vá para onde seu coração te chama e seja feliz".

Normalmente eu não era uma pessoa emotiva, ou chorona. Há muito tempo aprendi que fraqueza não me levava a nada, assim como confiar em qualquer um. Mas as palavras de Sue passaram profundamente por todo meu corpo arrancando algumas lágrimas minhas. Mas agora era de felicidade. Sim eu precisava ser feliz.

"Muito obrigada, Sue, por tudo." Falei abraçando-a forte. "Sentirei muito a sua falta".

"Eu também. E diga a Masen que mandei muitos beijos".

"Ok, eu falo".

Novamente nos abraçamos, com Sue afagando meus cabelos, me fazendo fechar os olhos com seu carinho. Muito tempo se passou sem eu sentir isso, ser amada. Ela era a única pessoa que eu confiava, apesar de nunca ter lhe contado sobre minha vida. Sue parecia que via mesmo através de mim.

Limpei meus olhos e os dela e sorrimos. Virei de costas e com as mãos nos bolsos fui para meu apartamento. Assim que entrei assisti a sintonia dos dois. Parecia que tudo estava arrumado e ambos assistiam televisão distraídos. Eram muitos semelhantes.

Chamei Masen para o banho, deixando Edward na sala. Foi rápido, principalmente pela ansiedade dele. Eu sacudia minha cabeça pela festa que meu filho fazia para a novidade. Nem em sonhos acabaria com sua felicidade, mesmo que fosse temporária.

Rapidamente fui para o quarto e separei as melhores roupas de Masen. Eu sabia o quanto eles tinha classe e se arrumavam bem, eu não levaria as coisas mais velhas ou destruídas para ter qualquer tipo de sentimento de perda, ou mesmo demonstrar que não estava cuidando de Masen direito. Assim que cheguei à sala, Edward estava me avaliando.

"Quando chegarmos em Forks podemos comprar mais roupas para Masen." Ele disse.

"Hum..." Suspirei, isso seria difícil. "Eu não sei se é uma boa idéia morarmos lá, Edward. Seu irmão vai me odiar quando souber o que eu fiz." Eu tinha que mostrar que era forte e sobrevivente. Principalmente porque não sabia nada sobre ele.

"Kristen, não pense nisso. Pense na felicidade que você trará aos meus pais, ao seu pai..." Suspendi a respiração quando ele citou meu pai. "Ou se você preferir, nós só vamos à minha casa. Você é quem sabe. Mas eu tenho certeza que o melhor é você voltar de vez. Ficar conosco e nos deixar cuidar de vocês".

"Eu sei. Mas eu sou grandinha, Edward. Eu não quero ser sustentada por ninguém." Eu disse meio arrogante. Eu tinha que mostrar meu valor.

"Então conseguiremos um emprego para você. E você pode ficar por perto." Por Deus, ele sempre pensava em tudo?

"Você... você é bem insistente." A família toda de Edward já tinha planejado minha vida inteira? Sorri, dando por vencida.

Edward simplesmente sorriu e fomos em direção ao seu carro, ajeitando tudo enquanto Masen saltava de um lado para o outro no banco traseiro.

"Masen, não pule no banco do seu tio!" Tentei dar um pouco de pulso ao meu filho, o que Edward pensaria?

"Deixe-o brincar. Ele está feliz." Ele disse feliz como se não se importasse.

"Já estou até vendo. Vocês vão estragar o menino." Bufei, mas tive que sorrir com seu comentário. Acho que meu filho seria mais mimado do que eu já fazia.

O caminho de Seattle até Forks não era muito longo, mas tinha bastante verde. Até demais. Os muitos anos sem passar por aqui tinham apagado da minha memória todas as árvores e montanhas do lugar, completamente diferente de onde sempre vivíamos, ou seja, nas grandes cidades. Masen estava radiante, rindo e apontando para todas as novidades que ele via. Eu sempre sorria com ele.

A principio pensei sobre minha vida, distraída com a paisagem. Tudo mudou no meu mundo, mas a cidade parecia a mesma. Conforme fomos nos aproximando, uma vertigem começou a me dominar. E se Rob estivesse em casa?

Para me distrair, comecei a perguntar sobre seus pais. Edward rapidamente detalhou os trabalhos do hospital e os projetos de Esme. Fiquei fascinada por sua dedicação e compaixão. Totalmente diferente da minha mãe. Não resisti e perguntei sobre minha ex melhor amiga. Ela não deveria nem se lembrar de mim, já que eu a abandonei. Afinal, quem eu queria enganar? Eles eram importantes na minha vida, mas a recíproca não devia ser tão verdadeira. Para afastar esses pensamentos continuei a questionar agora sobre Emmet, qual foi minha surpresa, ao saber que ele se casou com a Miss Perfeição.

"Emmett se casou com Rosalie?" Perguntei para confirmar, totalmente surpresa.

"Sim. Faz quase dois anos."

Deixei a novidade me dominar. Rosalie era uma loira linda, mas totalmente arrogante, pelo menos pra mim. Eles começaram a namorar logo que Emmett começou a faculdade. Eu não era muito próxima dele, principalmente pela diferença de idade, mas eu ainda recordava de uma conversa com Alice quando eu ainda nem sonhava em ter algo com Rob, me falando sobre uma amiga deles da faculdade e Rob tinha ficado interessado. Pedindo para 'compartilhar a amiga com ele'. Fiquei ainda com mais raiva de Rose por isso.

O centro da cidade entrou no caminho. O carro estava silencioso, já que Masen estava dormindo, o que piorou minha tensão. Eu estava mesmo voltando para a cidade que fugi? Será que eu não tinha enlouquecido? Nada estava decidido na minha cabeça ainda e Edward me convenceu facilmente a voltar para o meu passado. Segurei na maçaneta da porta, como um sonho figurado de fuga. Será que daria tempo de sair?

Senti a mão de Edward sobre a minha, que eu apoiava na perna, tentando me acalmar.

"Vai dar tudo certo. Não precisa ficar com medo." Pisquei e resolvi me abrir.

"Desculpe, Edward. Isso é muito assustador. Eu não consigo nem imaginar o que me espera." Deus, era tão difícil.

"Uma avó enlouquecida. Prepare-se para isso." Edward tentou me distrair. Ele não tinha conseguido, mas aprendi com os anos a disfarçar minha angústia.

Já estávamos na estrada que nos levava a residência dos Cullen, um caminho que eu fiz muitas vezes. Uma dor atravessou meu peito, mas isso tinha que ficar guardado. Eu não queria nada deles. Rapidamente Edward chegou à frente da casa e meu olhar varreu a frente da mansão, totalmente impressionada. "Nossa. Como mudou." Suspirei com mais lembranças. "Mas, mesmo assim, ainda parece a mesma."

"Sim. Esme não consegue passar um ano sem reformar a casa. Eu mesmo quase não a reconheci depois da última reforma." Tive que sorrir, afinal, essa era Esme mesmo. Mas outra coisa me angustiava, será que todos, sem exceção, estariam aqui?

"Edward." Eu tinha que ser direta. "Eles estão me esperando?"

"Meus pais? Sim." Eu tinha que ter certeza.

"Só eles?" Perguntei com muito medo de ouvir a resposta.

"Sim, só eles."

"Ok." Alívio passou por mim. Eu não nutria sentimentos de retorno do amor perdido. Mas enfrentá-los de uma só vez seria demais para o meu coração despedaçado. Edward correu para pegar meu bebê, que já estava desperto e olhava admirado para a grande mansão. Sorri para sua fascinação. Eu também ficava desse jeito sempre que vinha a essa casa nos meus anos de amizade com Alice e depois com... ele.

Edward e Masen pareciam conectados. "Nossa. Como você cresceu depois do passeio!" Masen sorriu ainda sonolento, mas curioso. "Está pronto para conhecer seu vovô e sua vovó?" Meu filho olhou curioso e depois sorriu. Será que ele entenderia?

"Eu tenho vovô e vovó?"

"Sim. E mais: você tem dois avôs e um monte de tios. Eles estão loucos para conhecer você. Quer conhecê-los?"

Eu ainda estava com medo da reação de Masen diante de tanta novidade, mas sua resposta foi a melhor possível. "Sim. Sim. Vamos, mãe!" Ele gritou agora completamente desperto. Edward foi gentil abrindo a porta do carro para mim, que nesse momento percebi que ainda estava presa no banco observando tudo. Eu queria mesmo voltar? Olhei para Edward que parecia estar no mesmo conflito, ou eu não sabia mais ler as pessoas?

Nós andamos até a porta, mas eu estava morrendo de medo do que estava do outro lado e quando mal pisamos no degrau da entrada, ela se abriu.

"Olá." Jesus amado. Esme. Eu não estava acreditando, mas depois de quatro anos, ela estava idêntica ao meu passado. Ela olhou para meu bebê no colo de Edward e automaticamente seus olhos começaram a lacrimejar. "Mas que criança linda! Vamos entrando." Ela disse, tomando Masen dos braços de Edward, extremamente emocionada. "Tudo bom com você?" Ela perguntou para ele. Eu já estava segurando minhas lágrimas.

"Por que você está chorando?" Ele perguntou para ela, franzindo o cenho, exatamente como os gêmeos. Igual ao próprio pai. Suspirei ainda com os olhos rasos d'água. "Desculpe. Eu estou chorando de alegria. Eu estava ansiosa para ver você." Ela disse e se virou para mim. Era agora minha hora, eu não sabia o que dizer. "E você." Permaneci calada, mas assenti com a cabeça e dei um leve sorriso, para não chorar pela emoção.

"Sejam bem vindos." Carlisle interrompeu, para meu grande alivio. Até vir e me dar um abraço, o que me deixou sem reação, tornando o momento constrangedor para mim. Eles me perdoariam assim facilmente? E tudo o que tinha acontecido com Rob, segundo Edward? Foi só um amor juvenil, então?

"Ela é sua vovó, Masen." Edward continuou, ignorando minha confusão. "E esse é seu vovô." Disse apontando para Carlisle, que também parecia encantado.

Masen olhou para os dois e sorriu. Meu bebê estava tão confuso com tantas informações. O que eu diria agora?

"Venham, eu não tive tempo de arrumar tudo. Mas deixaremos vocês no quarto do Edward por enquanto. Pois ele tem mais espaço. Eu fiz o que pude nessas poucas horas que vocês me deram, mas tudo estará pronto em pouco tempo." Esme disse animada, fazendo meu coração acelerar de saudades dessa família, mesmo que eu achasse exagero.

"Eu estava com saudade de você." Assumi envergonhada.

"Eu também." Esme falou e mais lágrimas rolaram por seu rosto. "Eu sou uma boba, eu sei". Ela riu abertamente, me deixando totalmente a vontade e feliz. "Vocês já tomaram café? Eu preparei tudo. O almoço também já está encaminhado. Edward, meu filho, leve Kristen até seu quarto. Seu pai ajudará a carregar as coisas."

Eu ainda não estava acreditando que tinha sido tão fácil. Todos estavam solícitos e complacentes, mesmo depois de quatro anos. Nem parecia que estive fora por tanto tempo. Eu estava tão leve e feliz. Minha mãe poderia estar errada, afinal?

Eu e Edward subimos com as coisas enquanto eu tentava me lembrar como era o segundo andar. Eu não estava preparada para ficar tanto tempo, mas sorri com o meu retorno à casa deles após essa distância. Chegamos ao segundo quarto, que supostamente era o de Edward, mas me assustei com aquilo. Esme definitivamente era assustadora e persuasiva tanto quanto seu filho. O quarto tinha uma pequena cama, toda coberta com lençóis infantis. A cama que devia ser de Edward estava afastada para um canto e várias roupas de criança estavam dobradas nela. Assim como uma grande cesta de brinquedos estava no chão para a distração de Masen. Por Deus, isso era assustador. Suspirei derrotada com tantos presentes em menos de dez minutos na casa.

"Você não sabe o que sua mãe é capaz de conseguir com um só telefonema." Carlisle disse sobre meus ombros.

Nós entramos e Masen olhou maravilhado para o quarto, como se estivesse em um parque de diversão. "É tudo pra você, garotão." Edward disse, levando-o até a cesta de brinquedos. Ele começou a abrir as caixas, feliz da vida. Eu não sabia o que falar, tamanho era meu nervosismo. Era exatamente esse tipo de coisa que me fez fugir daqui. O excesso de presentes ostentando a riqueza deles, com coisas que jamais poderia dar ao meu filho. Andei do lado da cama, colocando minha bolsa na lateral, e com pensamentos conflitantes me virei para falar com Edward.

"Eu não queria tirá-lo do seu quarto." Resolvi protestar.

"Que isso. Eu vou ficar no quarto aqui ao lado. Não é tão diferente." Ele parou como se quisesse dizer algo mais. "E aqui vocês vão ter mais espaço até a mamãe arrumar tudo. O que não vai levar muito tempo, como você pode ver." Ele disse tentando me animar mais.

"Eu nunca vou deixar de me impressionar com ela." Eu disse a verdade. Era mesmo impressionante sua capacidade de dominar as coisas. Tal como Alice.

"Bem, eu vou deixar vocês se organizando e se acostumando, vou tomar um banho e nos encontramos lá em baixo para o almoço. Tudo bem?"

"Sim. Tudo bem." Respondi, mas ainda estava nervosa. Quando todos me veriam, afinal? Essa calmaria e felicidade continuariam? E quando Rob soubesse, eu tinha que me preparar para isso. "Edward?"

"Hum?"

"O Rob está aqui?" Eu disse num sussurro.

"Eu realmente não sei, Kristen, mas nós vamos resolver tudo. Está bem?"

"Tudo bem." Respondi enquanto ele fechava a porta. Definitivamente estava confusa. Virei meu corpo lentamente observando a grande parede de vidro do quarto de Edward. Ele não tinha me dito nada sobre seu gêmeo, o que me deixava em dúvida se ele estava aqui ou não.

"Mamãe! Olha quanta coisa!"

"Sim, meu amor, você está gostando?"

"Sim! Sim! Sim!" Meu bebê correu até meus braços. "Que bom que nossa familia agora tá muitoooo maior." Masen abriu os braços para dar mais importância ao seu pensamento. Abracei-o forte, tentando não acordar desse momento feliz.

"Isso mesmo, bebê, muito maior".

Enquanto sentava para brincar um pouco com ele, minha mente corria para o último dia que conversei com minha mãe. Nunca fomos ligadas, mas sua doença tinha me sugado. Eu estava tão triste que nada podia salvá-la, mesmo com a competência e dedicação de Rob. Ela já tinha vindo a Forks para morrer. Seus últimos suspiros foram lentos, mas decisivos na minha vida.

"Filha... está me ouvido?"

"Sim, estou aqui".

"Você o ama?"

"Sim, mamãe. Muito".

"Sabe... que ele é livre... aventureiro... rico".

"Sim".

"Você não tem nem vinte anos, filha... cuidado..."

"Mas ele me ama, mãe".

"Mas vocês são de mundos diferentes... não espere um conto de fadas, filha. Filhos e compromissos transformam paixões avassaladoras em tristezas profundas... melhor viver com algo que foi lindo no passado... do que sobreviver com mágoas e amarras forçadas".

"O que você está dizendo?"

"Não o prenda, Kristen. Nunca. Meu casamento com seu pai não deu certo por isso. Eu o prendi. Deixe o Rob vir a você. Te amar e te querer para ele. E, por favor, nunca engravide. Nem você nem ele estão preparados para isso... e se acontecer, saia daqui. Essa cidade é cruel demais para meninas sonhadoras como eu... ou você..."

Depois disso, ela entrou em coma até morrer. E não pude me despedir de verdade. Isso me matou por dentro porque no fundo ela estava certa. Rob estava ao meu lado, fazendo amor comigo todos os dias, dizendo que me amava. Mas nunca disse que queria algo sério, afinal, eu era muito nova e mais uma para sua coleção. E também tinha seu horror a crianças. E quando menos esperei, minha menstruação atrasou...

Como tudo ficou tão errado?


Nota da Titinha:

Olá amores, tudo bom?

Ufa... quantas revelações, não é mesmo?

Inicialmente não contaríamos nada na versão da Kristen, afinal, por mais que ela agora seja importante no desenvolvimento da história, nosso pilar de pontos de vista vai se visto somente pelos três personagens centrais da Fic.: Rob X Bella X Edward. Mas depois desse capitulo 25, com tantas coisas bombásticas e reveladoras do passado de Rob, eu e Nenizinha sentimos a necessidade de mostrar o lado dela nessa história toda.

Afinal não queremos que ninguém odeie ninguém... *tudo bem que eu não teria deixado o Rob... afinal... Vai ser gostoso assim lá em casa...ahahaha*

Novamente, como já dissemos em várias ocasiões: Aqui não existe o certo ou errado. Não estamos justificando as escolhas dela, afinal cada um sabe da sua vida e da sua dor. Mas todos somos humanos e erramos... e queremos mostrar que nossos personagens são espelhos dessas decisões... você é vitima de suas escolhas, então tem que lidar com as conseqüências que virão.

Muito obrigada por todos os comentários, carinhos, elogios e críticas. Eu e Nenizinha lemos todas as reviews e ups do Orkut. É extremamente gratificante o quanto o nosso sonho de escrever uma fic nada convencional tem conquistado tanta gente. Polêmicas a parte, estamos adorando mexer com a emoção e imaginação de vocês. Nós piramos com tudo... e ficamos felizes em enlouquecer vocês também...rsrsrsrs

E para encerrar...

Quero agradecer novamente as nossas lindas que nos acompanham nas postagens, seja aqui ou no orkut, mesmo as que "defendem" ou "criticam" os nossos gêmeos e suas atitudes... e continuam upando e comentando para nossa alegria...

Quero pedir também, para todas que aqui estão... deixem uma reviewzinha pelo menos, para sabermos o que acharam da nossa linda e confusa Kristen... rs

beijocas e obrigada !


Nota da Beta:

Acho que a Titinha já disse tudo aí em cima... eu me surpreendo a cada cap. que as meninas mandam pra eu betar, essa história realmente mexe com a gente! Assim como eu, tenho certeza que várias pessoas surtam e ficam com os "debates internos" dias e dias tentando descobrir o que virá a seguir... né, Rafa? hehehehe

Enfim, o atraso no post desse cap. foi culpa minha, desculpem! Eu me enrolei e só consegui betar agora pouco...

Deixem reviews com suas opiniões sobre essa fic fantástica!

Bjs,

Ju Martinhao

Ah, na quarta o cap. será em POV Edward! Aguardem!