Understand what I've become,

It wasn't my design

And people everywhere think

Something better than I am,

But I miss you. I miss

Entenda no que eu me tornei,

Esse não era meu projeto

E pessoas de todo lugar pensam

Alguma coisa melhor do que eu sou

Mas eu sinto sua falta, eu sinto falta

Ode to my family - The Cranberries


CAPÍTULO 27 – VERDADES REVELADAS

ROB POV

Eu ainda estava preso e sem respirar, diante da imagem que tinha acabado de presenciar. Caralho. Meu irmão estava com ela. E eles estavam saindo de carro. Isso não estava acontecendo. Onde eu estava agora? Algo aconteceu e caí dentro de uma realidade paralela. Essa era a única explicação.

"Rob?"

"Hum?"

"Aquela era... ela?"

A realidade abateu-se sobre mim. "Sinto muito... Bella... eu... bem... sim." Eu disse baixando os olhos. Eu estava diante da casa de Bella com ela e, do outro lado, meu irmão saindo com... Kristen. Só de pensar no nome dela me doía.

"Tudo bem, Rob, agora é sua hora, eu acho." Sua voz saiu determinada.

"Do que você está falando, Bella?" Olhei confuso para ela.

"Você disse que não a queria, lembra? Que tudo agora era sobre seu filho? Pelo que vi, eles não estavam... com o menino".

"Bella... eu n-"

"Pelo amor de Deus, Rob! O que você está esperando? Vá conhecer seu filho!" Se eu não visse o sorriso no rosto dela, pensaria que ela tinha pirado. Porra, então seria isso? Eu veria meu filho?

"Você acha que é uma boa idéia... agora?"

"Acredito que a mamãe urso Esme deve estar sozinha com ele na casa, Rob." Ela disse piscando. "Eu só não vou até lá e mato minha curiosidade porque tenho que ir ao hospital." Bella cruzou os braços e mordeu o lábio. "Obrigada por ficar ao meu lado e não me deixar sozinha aqui... quer dizer, há poucos minutos atrás".

"Bella..."

"Não, Rob. Sem desculpas. Eu vou trabalhar e nada de covardia." Bella me deu um tapa fraco nas costas. "Lembra do que falei? A vida continua, Rob. Eu sou seu exemplo... ou, melhor ainda, seu filho é o maior exemplo".

"Obrigado." Eu não entendia o que tinha acontecido com ela, mas estava grato. "Acho que não conseguiria sem você".

Bella sorriu e corou violentamente. "Depois você me conta tudo. Tenho que ir".

Dei um meio sorriso e beijei Bella no rosto. Definitivamente essa era outra mulher agora. Não restava nada da menina frágil de Paris, que provavelmente eu tinha destruído. Mas ela era uma guerreira. Bella foi em direção à sua velha caminhonete. Fiquei esperando-a sair para olhar em direção à minha casa, ou a casa dos meus pais, ou... puta que pariu.

Isso não podia ser tão difícil.

Suspirei pesadamente enquanto caminhava devagar para a mansão da minha infância com as mãos nos bolsos. As palavras de Bella sacudiam o meu peito agora com mais intensidade. Muito tempo foi perdido. Sim, a minha vida tinha parado por quatro longos anos. Ela estava certa em dizer que tudo era um acúmulo de ressentimentos e perdas, mas eu estava vazio. Nada me importava. Até agora. Meu Deus, eu tinha um filho. Masen. Eu amava o nome do meu avô.

Nunca a pequena varanda da casa pareceu tão distante, ou tão assustadora. Eu queria muito conhecê-lo. Sorri ao mesmo tempo em que meus olhos enchiam d'água. Eu era pai. Meu Deus, jamais pensei que aconteceria algo assim, mas estava emocionado pra caralho com essa novidade. Parei na porta antes de bater e sequei meus olhos com as duas mãos, totalmente nervoso e sem saber o que fazer. Ajeitei o meu bagunçado cabelo. Passei a mão pelas minhas roupas. Será que meu filho saberia que eu era seu pai?

Fechei os olhos e no momento que ia abrir, a porta saiu do meu campo de visão e minha mãe apareceu. Não consegui controlar minhas lágrimas.

"Oi, mãe".

"Filho... você demorou".

"Eu sei".

"Ele é lindo, filho..." Sua voz sonhadora não terminou a frase. Como não sentir esse amor em volta do pequeno ser que era parte de mim? Edward já tinha falado dele com tanta devoção quanto minha mãe.

"Meu... filho?"

"Mas é claro... ele está na sala, vendo televisão, vem, meu amor. Você precisa conhecê-lo".

Assenti, sem conseguir proferir qualquer palavra. Meu coração batia alto e frenético. Parecia ter uma bateria no meu peito. Minha mãe afagava minha mão, tentando me relaxar enquanto me puxava. Quanto mais próximo eu chegava, mais meu ar me faltava. Eu estava tão emocionado.

Como por encanto, apareceu uma criança sentada no tapete da sala, com o rosto grudado na TV. De perfil ele era mesmo meu filho. Não tinha como negar. Seu pequeno corpo inclinado para frente, com os joelhos dobrados em posição de Buda, os cotovelos nas coxas e as mãos no queixo. Exatamente como eu e Edward. E os cabelos? Jesus, era idêntico ao meu e ao dele, meu gêmeo. Caralho, meu filho era minha cópia.

"Masen? Olhe para a vovó!"

"Não..." minha voz saiu num sussurro, mas não tive tempo. A criança mais linda do mundo virou em minha direção. Minha garganta secou, minha respiração travou. Deus, eu estava vendo meu passado na minha frente. Meu futuro. Minha vida. Foi impossível resistir para as novas lágrimas que desciam pelo meu rosto. Ele tinha exatamente os mesmo olhos...

"Tio Ed?"

Sorri para o nome que ele falou. Chorei também. Eu não conseguia controlar minhas emoções, mas estava travado em pé na sala enquanto ele se levantava e vinha em minha direção.

"Você tá diferente, né?"

"Não, Masen, esse não é o titio Edward." Minha mãe respondeu.

Confusão passou pelos seus olhos. Masen estava muito perto de mim. Eu comecei a me abaixar para ficar na sua altura. Ele era tão lindo. Meu olhar ficou preso ao seu enquanto uma batalha de entendimento passava pelo seu rosto. Será que ele sabia?

"Então, quem é você? E por que tá chorando? Tá triste?"

Meu joelho esquerdo tocou no chão na mesma hora que minha mão direita correu pelo seu rosto. Passei com o polegar por seus olhos e subi para acariciar seus cabelos.

"Você não sabe, bebê lindo? Quem você acha que eu sou?"

"Hum." Ele botou um dedinho na boca, o que arrancou outro sorriso meu. "A cópia do tio Edward?"

Sem resistir, caí na gargalhada. Ele era tão esperto. Há muito tempo não sentia essa felicidade dentro de mim. Num impulso, levantei e peguei-o no colo, arrancando uma risada linda do meu pequeno, idêntica à minha

"Jesus, você é lindo, meu filho!"

Eu não resisti. Não sabia se podia chamá-lo assim, mas não me importei. Aproximei seu pequeno corpo do meu em um abraço apertado. Deus, isso era tão bom. Eu me sentia no céu agora. Comecei a niná-lo enquanto o apertava no meu peito e cheirava seu cabelo. Eu tinha um filho!

"Mas você não disse por que tá chorando".

Comecei a sorrir novamente com ele embalado nos braços. Seus bracinhos me abraçaram enquanto caminhava em direção ao sofá. Nesse momento o lugar estava ocupado por minha mãe, que soluçava de tanto chorar. Antes que Masen visse, ela se retirou rapidamente em direção à cozinha.

Sentei com ele no meu colo. Masen olhava curioso em minha direção.

"Por que você é igual ao tio Edward?"

"Hum... porque somos gêmeos".

"E o que é isso?"

Eu não conseguia parar de sorrir. "Quer dizer que somos a cópia um do outro. Nascemos juntos".

Ele mastigava a boca e com os olhos atentos, tentando assimilar a novidade. Devia ser muita coisa mesmo para uma criança entender. "E vocês não se confundem?"

Eu tive que gargalhar de novo. "Não, anjinho. As pessoas confundem. Eu e tio Ed não." Ele poderia aprender esse apelido. Edward não reclamaria mais.

"Ah... tá." Seus olhos percorreram meu rosto. Eu continuava a sorrir para ele. De repente, sua mãozinha correu nas minhas bochechas, retirando um pouco das lágrimas que tinham caído. Meu peito ficou sufocado de novo de emoção.

"Por que você ta chorando? Tá dodói?"

Novas lágrimas. Como meu filho podia ser mais perfeito? Abracei-o com força novamente, sentindo a sensação de tê-lo ainda mais próximo.

"Não, filho. É de alegria. Eu estou muito feliz." Soltei-o para ouvir sua resposta. Eu não queria perder nada.

"Ah..." Seus olhinhos fecharam um pouco com o meio sorriso e franzindo o nariz. "Minha mamãe também diz isso." Travei. "Mas isso é coisa de menina, né?"

Comecei a gargalhar de novo. Ele era extremamente inteligente para uma criança de três anos.

"Masen, você sabe quem eu sou?"

"A cópia do tio Ed".

Ele aprende rápido. Eu o faria chamar meu gêmeo de Ed assim de agora em diante. Futuro. Essa palavra que estava fora do meu dicionário se fixava na minha mente somente em conversar por poucos minutos com meu filho.

"Você não acha que ele pode ser outra pessoa, Masen?" Dessa vez foi minha mãe que falou, trazendo um álbum nas mãos. "Eu tenho uma surpresa pra você, lindinho da vovó".

Assim que ela sentou, ele virou o corpo em sua direção, sem sair do meu colo. Fiquei tão feliz com isso. Ele estava gostando de ficar comigo. Eu não podia acreditar em algo mais compensador. Somente se ele me chamasse de pai.

"Vou te mostrar algumas fotos, meu bem".

Eu fiquei em silêncio, esperando o que minha mãe faria. Lógico que ela mostraria algo para Masen da época que eu e Edward éramos crianças. Mas será que meu filho entenderia? Eu podia esperar se fosse muito cedo, mas ansiava secretamente ouvi-lo me chamar de pai.

"Esses aqui são titio Edward e esse moço que está com você".

Minha mãe mostrava uma foto que eu adorava. Edward e eu tínhamos no máximo cinco anos, e ambos estávamos um do lado do outro com a cara grudada na antiga vidraça da sala. Nossos rostos estavam próximos, dando para ver a nossa semelhança, assim como a do Masen.

"Eles são iguais, vovó! Dá pra confundir!" Masen olhava extasiado. Ele pegou o retrato na mão e olhou pra mim. Voltou para o retrato e olhou para minha mãe.

"Mas vovó, é igualzinho a mim também!"

Eu travei com sua resposta. Jesus, então ele entendeu mais rápido do que pensei. "Mas... se..." E agora? O que ele estava pensando?

"Fala meu bem... diz pra vovó o que você está pensando".

"Se somos iguais... e o Ed é meu tio..." Sorri para o apelido nos seus cabelos, arrancando um olhar duro da minha mãe. "Ele é... é..."

Eu não queria pressioná-lo. Juro. Mas meu coração acelerou somente com a iminência dele me chamar de pai. Era uma expectativa além da minha compreensão.

"Hum... então... ele..." Seus olhinhos estavam astutos e meu coração acelerado.

"Sim, Masen... esse moço..."

"Então... você é meu papai?"

Nunca em toda a minha vida eu descreveria o sentimento que passou por mim nesse instante. Eu jurava que já tivesse vivido todas as experiências humanas. Mas isso, uma criança linda, que nunca me conheceu e que eu soube da existência há vinte e quatro horas, me chamar de pai, não tinha preço.

Seu corpo estava virado na minha direção de novo. Meu peito deu uma meio parada para bater violentamente de novo. Nossos olhos se encontraram no mesmo instante que um grande sorriso apareceu no rosto dele. Meu sorriso torto apareceu, de tanto que me controlava. Sim, sim, sim. Eu queria gritar, mas tive receio de assustá-lo.

"Sim, filho. Eu estou tão feliz!" Era o mínimo que eu conseguia dizer com minha voz embargada.

"Obaaa... agora eu tenho um papai!"

Seus bracinhos vieram ao meu encontro de novo. Novas lágrimas caíram no meu rosto.

"Onde você estava esse tempo todo?" Porra, como responder isso pra ele? Seus olhinhos estavam curiosos.

"Ele estava trabalhando, Masen." Minha perfeita mãe me salvou.

"Mas e agora?"

"Agora estou aqui, para ficar com você".

"Que bom... quando a mamãe souber, ela vai ficar muito feliz".

Essa era a pior parte da equação confusa. A mãe do meu lindo filho era ela. Kristen. Como eu poderia encará-la depois de tanto tempo? Eu não estava preparado ainda. Sabia que estava sendo um covarde, mas não conseguia ser diferente. Foram muitos anos sem qualquer notícia. Percebendo minha hesitação, minha mãe pegou Masen do meu colo e colocou-o no chão, arrancando um biquinho dele. Sorri um pouco, mas ainda travado com o assunto da sua mãe.

"Vamos até a cozinha, filho?"

"O quê?" Eu não queria conversar agora.

"Masen. A vovó e o papai vão aqui na cozinha. Qualquer coisa chama".

"Tá bom." Ele disse emburrado e sentando no tapete novamente. Levantei do sofá e segui minha mãe. Eu ainda não sabia o que ela queria me contar da Kristen, mas ainda não estava preparado para nenhum assunto relacionado a ela. Era muito difícil.

"Eu preciso entender, filho".

"Sim." Respondi desconfiado e cruzando os braços.

"O que você esteve fazendo esses dias na casa da namorada do seu irmão?"

Puta que pariu. Só me faltava essa agora. Essa era a última pergunta que eu esperava da minha mãe. Depois do ataque de cólera de Alice, eu tinha esquecido que minha família tinha olhos e ouvidos. Ignorei completamente que eles poderiam estar vendo.

"É complicado mãe".

"Então me explica".

"Eu e Edward meio que brigamos." Comecei tentando falar o mínimo possível. "E quando cheguei aqui, vi vocês com... bem... ela. E não suportei".

"Ainda não entendi, Rob." O olhar da minha mãe me matava.

"Mãe. Eu nem estava com ela, tá legal? Bella não estava em casa!"

"Como não? Onde ela esteve?" Confusão passou por seus olhos.

"Em Phoenix, segundo me falou." Suspirei aliviado com a mudança de assunto. "Seu pai teve um ataque do coração".

"Sério, filho? Oh Deus, e como ele está?"

"Agora ele está bem. Eu acho. Mas ela ficou lá todos esses dias. Na verdade, Bella chegou agora de manhã. Eu pedi desculpas por ficar na casa dela e tudo mais. Ela entendeu".

"E por que você ficou lá?"

"Tem certeza que você quer saber mãe? Ela estava aqui!"

"Fale baixo." Eu nem tinha percebido que minha voz aumentou. "Quer que Masen escute?"

"Desculpe".

"Sabe que terá que conversar com a Kristen, não é?"

"Ela que fique com Edward e converse com ele." Era infantil, mas eu precisava destilar meu veneno.

"Você está louco? De onde tirou isso?"

"Eles saíram juntos, mãe!"

"Porque Edward foi levá-la na casa do pai dela antes de ir para o hospital!"

Vergonha passou por meu rosto. Claro que Edward não faria nada do tipo, mas, ultimamente, nossa vida era um mar de desentendimentos. Ele com certeza estaria pensando que eu e Bella estávamos juntos também, principalmente depois do abraço de minutos atrás.

"Ela foi falar com... Charlie?"

"Claro, filho. Ela precisa resgatar seu passado." Seu olhar fixou em mim. Porra, eu não estava preparado para isso.

"Mãe... eu n-"

"Robert, pelo amor de Deus! Você terá que falar com ela algum dia. Por que ficar adiando?"

"Ela adiou isso por quatro anos, mãe. Sabe o que é isso?"

"E você vai ficar assim pra sempre?"

"Não acha que eu tenho que decidir, e não ela?"

"Deus... filho..." Minha mãe suspirou. "Eu só quero a minha família unida e feliz".

"Eu sei, mamãe." Eu disse abraçando-a. "Mas nunca fui o certo aqui, lembra? Sempre fui o problemático... não tente me mudar agora." Eu tinha que distraí-la.

"Promete que vai conversar com ela?"

"Prometo que vou resolver".

"Robert!"

"Mãe... poxa, não me chame assim".

"Não me enrole, menino. Jesus, vocês sempre foram teimosos. Mas você... onde eu errei, hein? Acho que te mimei demais".

Agarrei minha mãe e dei um grande beijo estalado na sua bochecha arrancando sorrisos dela. Sabia que mamãe Esme não ficaria chateada comigo por muito tempo. Mas minha preocupação era Bella. Eu já estava a tempo demais na sua casa e Edward poderia estar mesmo pensando que eu estivesse com ela, assim como foi meu primeiro pensamento ao ver meu irmão com Kristen. Mas agora não era assim. Eu ainda a achava linda e maravilhosa. Tudo o que tinha vivido ao seu lado ficaria para sempre na minha mente. Mas depois de todo o mar de acontecimentos que vinham acontecendo na minha vida nos últimos dias, foi ela quem me apoiou incondicionalmente.

"Outra coisa, filho. Não fique pensando essa besteira de Edward e Kristen..."

"Eu não penso nada." Minha mãe também era vidente?

"Rob... como se eu não o conhecesse. Edward está no seu quarto enquanto ela está no quarto dele." Olhei para ela, confuso. "Sei que ficou pior do que parece filho." Concordei assentindo enquanto ela sorria.

"Bem, vamos lá... Edward a encontrou em Seattle e a trouxe no mesmo instante." Tremi só de imaginar que enquanto fiquei na casa de Alice uns dias eu poderia tê-la encontrado. "Lógico que eu não conseguiria ficar sem meu neto lindo por muito tempo." Virei automaticamente o rosto em direção ao meu filho. Meu filho! Eu adorava o som dessa frase. "Então Edward a arrastou pra cá... o resto, bem... é história..."

"Que história?" Já que ela começou, eu queria saber.

"Eu a instalei no quarto do seu irmão, Rob." Minha mãe baixou os olhos. "Nunca entendi o motivo de vocês terem terminado, mas jamais questionei suas decisões. Só que... quando..."

"Fala, mãe".

"Quando seu irmão me falou que a encontrou e que... bem... ela tinha um filho seu... eu pirei com a notícia. Eu a queria aqui perto de nós. Perdoe-me por impô-la aqui a você".

"Então foi idéia da mamãe super protetora Esme colocá-la aqui?" Eu não conseguia ficar chateado com isso. Então não foi um ato vingativo do meu gêmeo de trazê-la para cá. Na verdade, eu já sabia que Edward nunca faria isso comigo. Mas eu o traí da pior forma. Eu escondi o meu segredo dele. Então, acho que entenderia suas ações se viessem dessa forma.

"Perdão?" Voltei à realidade com a pergunta da minha mãe.

"Só se você fizer um almoço maravilhoso pra mim." Pisquei e a levantei no colo.

"Me larga, Rob! Eu vou cair!" Minha mãe se agarrava em mim enquanto gargalhava. Meu pequeno tesouro veio correndo até a cozinha para ver o motivo da bagunça. Coloquei minha mãe no chão e levantei Masen. Sua gargalhada fácil era contagiante. Eu nunca imaginei que pudesse ser tão bom. Meu peito parecia que explodiria de felicidade.

Parecia que eu estava vivendo dentro de um conto de fadas. Minha mãe cantarolava na cozinha enquanto eu estava brincando com Masen na sala. Meu filho tinha tanta energia quanto eu ou Edward juntos quando tínhamos essa idade. Eu estava adorando ficar com ele. Estava me sentindo vivo novamente.

Todos os meus pecados e meu passado confuso tinham sido guardados na minha mente por enquanto. Como um armário trancado. Eu sabia que uma avalanche de problemas ainda estaria por vir, mas só de estar aqui com meu filho parecia que nada estava errado.

Meu pai chegou do seu plantão e começou a conversar conosco, já que minha mãe voltou a ficar comigo e meu filho na sala. Ele falou um pouco da rotina do hospital, mas o assunto principal agora na casa era sobre Masen. Há muito tempo que não tínhamos esses momentos. Era tão gratificante fazer parte da família novamente.

"Papai?"

Sorri abertamente com meu filho. Meu peito inflou somente com sua voz ao me chamar. "Sim?"

"Vamos brincar lá em cima? Eu tenho tanto brinquedo!"

"Claro!"

"Filho?" Virei em direção ao meu pai. "Quero falar com você sobre o hospital... e... as pesquisas..."

"Por favor, pai. Agora não!" Cortei-o rapidamente, desviando os olhos.

"E quando vai ser a hora então?"

"Quando eu estiver pronto. Tudo bem?" Levantei e saí da vista dos meus pais, como escudo para essa pressão. Esse assunto sempre me assustava. Eu precisava de um tempo ainda.

"Seu irmão precisa de você, Robert." Franzi o cenho para meu pai, que ainda insistia no assunto. Cruzando meus braços, resolvi encará-lo. "O menino que ele trata não está bem... receio que... bem... ele será transferido".

"Posso pensar no assunto? Prometo!"

"Tudo bem." Meu pai assentiu derrotado. "Posso subir com vocês e brincar com meu neto também?" O sorriso do meu velho apareceu. "Acho que voltei a ser criança de novo".

Minha tristeza pelo assunto das pesquisas sumiu rapidamente. Nós dois sorrimos e olhamos para Masen, que sorria em nossa direção. Peguei-o no colo e subi as escadas correndo com ele. Entrei no quarto do meu irmão e me assustei com a quantidade de coisas do meu filho. Nem parecia que esse quarto era de Edward. Minha mãe transformou tudo rapidamente.

Meu pai entrou no quarto também enquanto eu sentava no chão ao lado de Masen. O sorriso estampado tinha virado minha marca registrada.

"Parece que nascemos de novo, não é mesmo?" Meu pai me perguntou.

"Sim... é exatamente essa a sensação." Falei, observando Masen brincar com um carrinho. "Nunca imaginei... quer dizer... nunca quis, mas agora... eu não imagino..."

"Como seria sua vida sem ele." Meu pai completou meus pensamentos. Era exatamente a sensação poderosa no meu peito. Eu sempre achei que não tivesse afinidade com crianças. Sofria quando tinha que tratá-las na minha época de residência médica. Achava muito injusto quando algumas delas apareciam com doenças ou acidentes mais fortes que dos adultos. Por isso que resistia à idéia de crianças, agora eu entendia. Jamais ficaria bem se meu filho sofresse qualquer coisa que eu já tenha visto, ou tratado, dentro de um hospital.

"Papai?" Meu filho me trouxe de volta a realidade. Olhei em sua direção.

"Agora você vai casar com a mamãe?"

"O... q-" Como uma pergunta tão inocente do meu filho poderia me devastar? Eu não consegui completar meu raciocínio tamanho era minha confusão mental. Lógico que ele pensaria isso. Toda criança quer seus pais juntos. Mas tudo voltou como uma avalanche. Eu voltei a sentir toda dor de quando ela me rejeitou. Meu peito deu uma parada somente com a lembrança dolorosa. Kristen nunca quis casar comigo. Eu estava preparado para dar um passo no nosso relacionamento e ela não quis. E agora meu filho me faz exatamente a pergunta que eu faria a ela.

"Acho que o papai está cansado, Masen".

Meus olhos encheram de lágrimas novamente ao levantar o rosto e ver o olhar preocupado do meu pai. Ele entendeu a dor que senti diante da inocente pergunta do meu filho. Não. Ela voltaria à casa dos meus pais em pouco tempo e eu não estava pronto ainda. Sabia que não conseguiria, afinal, não era forte o suficiente para enfrentar meu passado e meus fantasmas.

"Eu vou... e... bem... já volto, ok?"

"Puxa." Seu olhar triste quase me derrubou. "Jura?"

"Jamais vou te deixar, filho." Me ajoelhei e o levantei em um forte abraço. "Você vai me esperar?"

"Só se você brincar comigo!"

"Pode deixar." Afaguei-o e respirei profundamente nos seus cabelos. Seus bracinhos me rodearam tentando me abraçar. Nova onda de ternura e amor passou pelo meu corpo. Beijei o topo de sua cabeça, fazendo-o rir. Rapidamente Masen sentou no chão e voltou sua atenção para os brinquedos.

"Tenho que ir." Eu precisava pensar.

"Filho... não f-".

"Pai... por favor. É muita coisa para pensar... preciso ficar sozinho um pouco".

"Você não acha que já fugiu demais? Sei que é difícil pra você, eu..."

"Prometo que não vou fugir, pai. Nem se eu quisesse agora." Olhei em direção ao meu filho. "Mas só quero ficar sozinho por um tempo, tá legal?" Olhei suplicante. Eram muitos sentimentos no meu peito.

"Vai voltar mesmo? Sua mãe não vai suportar uma nova ausência, Robert".

"Prometo. Confia em mim?"

"Sim." Meu velho sorriu pra mim. "Sempre confiei em você, filho. Eu conheço todos vocês. Mesmo com minha ausência excessiva, eu sei exatamente o que esperar e o potencial de cada filho. E você jamais me decepcionou".

"Pai..."

"Sem chororô." Ele riu. "Vá e reflita sobre sua vida filho. Tome a decisão que você julgar a mais acertada, mas quero que saiba que sempre estaremos aqui para apoiar o que você resolver".

Como expressar todo o amor que tinha por meu pai? Ou melhor, por minha família? Eu já tinha feito tanta burrada e mesmo assim, eles sempre me perdoavam. Eu era mesmo um cara de sorte por ter tantas pessoas maravilhosas em minha vida.

"Obrigado." Foi o máximo que consegui dizer com minha voz embargada.

Dei um beijo no topo da sua cabeça e saí apressado do quarto. Minha mãe não estava à vista, o que foi melhor, pois acredito que ela não me deixaria partir.

Assim que me vi dentro do carro, comecei a refletir para onde iria. Não poderia ficar na casa de Bella novamente. Seria injusto com ela e pior ainda pra mim. Tanta proximidade também com a mulher que destruiu a minha vida não poderia ser bom enquanto eu não ajustasse a minha vida. Mas também não queria fugir. Nunca mais.

'Pense, Rob!'

Minha consciência gritava pra mim, mas nada vinha. Liguei o carro e saí em direção a qualquer lugar. Eu conhecia essa cidade minúscula como a palma da minha mão, mas nada me interessava aqui. A minha válvula de escape estava em cada esquina. Eu poderia ter sexo a qualquer hora, mas não era isso que eu precisava no momento. De repente me lembrei. Todas as vezes que eu ou Edward precisávamos conversar íamos para La Push. Eu poderia ficar na casa do velho Billy e Jake até organizar minha mente.

Rapidamente cheguei à reserva. Ao mesmo tempo em que várias coisas passavam pela minha cabeça, eu não sentia nada. Foram longos quatro anos sem notícias. Como eu poderia simplesmente esquecer tudo o que tinha acontecido? Minha vida mudou completamente no momento que ela falou aquelas coisas horríveis pra mim. Nunca imaginei que ela pudesse ser tão cruel comigo.

Cheguei próximo a casa dos meus amigos, mas eu ainda não queria ver ninguém Onde estava a linda menina meiga que eu tinha me apaixonado? Estacionei o carro um pouco distante e fui até a praia.

Caminhei por bastante tempo. Não medi as horas que fiquei lá, mas sei que foram muitas. Minha cabeça dava voltas e voltas com a quantidade de coisas que estava acontecendo. Todas as minhas decisões tinham sempre sido impulsivas e sem planejamento. As únicas coisas que eu sempre quis foram fazer o bem para alguém, através da pesquisa médica e ela. Isso era o que mais me doía. Com poucas palavras Kristen arrancou tudo do meu peito há quatro anos. Meu amor pelo meu trabalho e por ela. Nada disso importava.

E agora? Eu precisava dar rumo à minha vida novamente. Eu tinha um filho. Um sorriso apareceu nos meus lábios enquanto eu sentava de frente para o mar e observava as ondas. Quantas coisas eu poderia fazer por meu filho. Eu poderia ensiná-lo a ler. Jogar bola, dirigir, paquerar as meninas. Sorri ainda mais. Com certeza ela faria tanto sucesso quanto eu e meu irmão.

Suspirei pesadamente com o rumo dos meus pensamentos. Antes de todos esses sonhos distantes eu tinha que enfrentar algumas coisas. A primeira de todas seria conversar com meu irmão. Isso já estava ficando ridículo, mas eu o entendia. O que eu e Bella fizemos foi traição. Eu e ela destruímos a confiança que Edward tinha em nós. Em relação a ele eu já estava me preparando. Mas o que seria mais difícil era enfrentar a mãe do meu filho. A coisa mais importante que teria que fazer nesse momento era encontrá-la e conversar. Depois de quatro anos.

Sacudi a cabeça para afastar qualquer pensamento negativo. Olhei para o céu e, além de escurecer, alguns pingos de chuva caíam em mim. A noite já estava muito perto e eu não estava com nenhuma coragem de voltar para casa realmente. Fui em direção à casa de Jake para pedir abrigo por um tempo.

Assim que cheguei à porta, dei de cara com seu pai. Billy era um cara do bem. Mesmo sendo sarcástico, é claro.

"Moleque." Sorri para ele. "Perdido por aqui?"

"Jake está?"

"Não, ele está em Seattle hoje, mas volta amanhã de manhã." Eu não queria ir pra casa.

"O que houve, Rob... você está estranho." O velho índio, mesmo brincando comigo, tinha um sexto sentido. Parecia até coisa de mulher.

"Bem... eu não estou a fim de voltar pra casa agora... e pensei... bem..."

"Se você vai me pedir pra ficar aqui..." Olhei pra ele ansioso. "O que foi, Rob? Correndo de mulher?"

Sorri para ele, tentando esconder meu segredo. De certa forma ele tinha entendido perfeitamente meu problema. Mas não do jeito que ele estava pensando.

"Hum... na verdade nem quero saber".

Billy sacudiu os ombros. "Mas e seus pais?"

"Eles sabem." Tentei esconder. "Posso ficar então, velho?"

"Sorte que minha filha não está por aqui." Soltei uma pequena gargalhada para seu comentário. "Mas eu tenho que sair. Hoje tem reunião com alguns anciões e não sei que horas vou chegar. Pode ficar aí sozinho?"

"Lógico." Seria melhor do que eu esperava. Eu ficaria sozinho. Mas antes de entrar eu tinha que ser irônico com meu velho amigo Billy, que já estava saindo.

"Ei, velho." Ele se virou sorrindo. "Só não fumem toda a maconha da reserva, viu? Vocês, quando se reúnem, só pode ser para fazer coisas proibidas. E eu ainda vou confirmar isso, já que sempre voltam doidões".

Billy riu com vontade, arrancando meu primeiro sorriso genuíno depois do encontro com meu filho. Fiquei observando-o se afastar aos poucos. Suspirei pesadamente. Mais uma noite sem rumo e sem lar.

Entrei na pequena casa dos meus amigos. Apesar do tamanho, era tudo muito aconchegante. Na minha adolescência eu vinha muito aqui, mas estava afastado há tanto tempo que nem me lembrava mais. Aproximei-me do sofá e joguei meu corpo. O cansaço estava começando a me dominar. Umas horas de cochilo não me fariam nada mal.

Eu devia estar sonhando. Não, eu estava em um sonho erótico porque senti duas mãos femininas me alisando. A sensação era gostosa, mas algo estava errado. Era tão nítido que minha ereção estava me incomodando. Ainda de olhos fechados, tentei esticar meu corpo e ajeitar meu pau. Antes de terminar, senti as mãos novamente. Porra, minha imaginação estava foda mesmo.

Eu só poderia estar sonhando. Não me lembrava de estar com nenhuma mulher. Suspirei com o contato das mãos no meu abdômen, ainda de olhos fechados. Duas unhas femininas me arranharam levemente na lateral, arrancando um gemido meu. Agora sim tinha algo errado. Eu jurava que tinha sentido a unha no meu corpo.

Antes que eu abrisse os olhos e percebesse que estava mesmo com falta de sexo para ter um sonho tão vívido, minha calça estava sendo aberta. Meu pau latejava depois de tanto estímulo. Sei que estava com muitas coisas na cabeça, mas meu 'amigo' praticamente tinha vida própria. Mesmo com sonhos tão reais.

Assim que meu membro saltou para fora, eu tive certeza. Não estava sonhando. Abri os olhos lentamente para tentar focar minha mente para onde eu estava. Porra, minha surpresa, eu dei de cara com Leah, quase de boca no meu pau.

Sua língua rodeava seus lábios, praticamente faminta. Jesus, ela só podia ser louca. Puta que pariu, eu estou na casa do Jake. Por mais tentador que fosse e, no meu caso, estava com um tesão do caralho, isso não era certo.

"Está maluca, caralho?" Tentei me soltar dela enquanto sua mão segurava a base do meu pau. Gemi novamente.

"Eu quero, Rob..." Ela ronronou. "Goza na minha boquinha vai?"

"Jesus, Leah. Você pirou, porra? Estamos na casa do Jake." Tentei me soltar e dessa vez consegui. Meu pau pulsava pela perda de contato. Concentre-se. Rob!

"Qual o problema? Você nunca se importou com isso." A criatura do mal falava e olhava pra baixo. Mas que porra! Eu sabia que seria difícil, mas agora era tudo diferente.

"Eu não quero, Leah. Merda!" Tentei me ajeitar, mas era difícil.

"Não é o que parece." Ela disse e apontou para o meu pau. Que ótimo, traído pelo próprio corpo.

"Quem decide sou eu e não ele, ok?" Pense em algo horrível. Pense em algo horrível. Me obedeça, porra!

"Rob... por favor..." De novo a voz de sexo do inferno. Fechei os olhos tentando esquecer sua boca... sua língua... suas mãos...

NÃO! Eu não podia trair a confiança de mais uma pessoa. Não agora.

"Leah, mas que inferno. Por mais que meu corpo queira, eu não vou foder você, porra. Sou amigo do JAKE!" Acabei levantando a voz.

"Fale baixo que ele está dormindo".

"Mas que caralho. É pior do que eu pensava." Só faltava meu amigo me ver fodendo com sua namorada. "Você acha isso certo, Leah? Não vou negar que adorei tudo o que já fizemos no passado. Você é muito gostosa, mas agora chega. Eu não sou mais assim".

"A gente não ia fazer nada demais... e-"

"Leah." Cortei-a antes que me arrependesse. "Agora sou outra pessoa. Eu não vou fazer isso. E você deveria ser mais legal com meu amigo. Jake te adora e você não corresponde à altura dele. Reze para ele sempre te amar e nunca descobrir isso. A perda da confiança é a pior coisa que pode acontecer entre duas pessoas".

Eu respirava profundamente enquanto observava Leah sentada no sofá, abrindo e fechando a boca sem falar nada. Olhei para o relógio e vi que já estava quase amanhecendo. Eu precisava sair daqui.

"Vou dar uma caminhada".

"Aonde você vai? Não me deixe aqui assim..."

"Mas que porra, Leah. Você não ouviu nada do que eu disse? Não. Vou. Foder. Você. Porra!" Afastei seu corpo de mim e saí em direção à mata. Mas que inferno isso. Eu tentando organizar minha cabeça, com várias coisas me atormentando e me aparecem mais problemas?

Respirei o ar gelado da reserva. O tempo estava muito nublado. Olhei em direção a Forks e lá estava ainda mais escuro, certamente chovendo. Levantei o rosto para a neblina, tentando acalmar meu ânimo. Principalmente o do meu amigo.

Isso estava sendo muito irônico. Eu, o cara mais filho da puta do mundo, que não se importava em fazer sexo com qualquer mulher que existisse, correndo de um oral, que certamente seria perfeito. Leah sabia fazer isso muito bem. Mas a minha consciência era outra agora. Eu queria mudar. A minha vida estava diferente, eu precisava ser melhor... pelo meu filho.

Continuei caminhando um pouco sem rumo. Meu corpo ainda não tinha relaxado com a experiência na casa de Jake. Eu era viciado em adrenalina. Foi assim que consegui sobreviver por um longo tempo. Eu forçava meu corpo a ter a descarga certa de endorfina para me fazer esquecer todos os meus problemas. Muitas vezes as corridas me supriam. Ou o sexo louco e sem limites que eu tinha. Mas agora, não queria mais isso. Eu precisava me concentrar na minha nova vida. Mesmo que só me restasse tentativas de dar certo.

Nesse momento lembrei-me da minha infância. Antes da minha vida sexual ser despertada, eu, meus irmãos e os meninos da reserva tínhamos um lugar perfeito para a descarga de energia da nossa idade na época. Lógico, como a maioria das coisas que aprontávamos, era uma coisa proibida. Assim foi até Jake quebrar o braço. Depois, fomos banidos daquela área para sempre.

Inconscientemente fui em direção ao lugar há muito esquecido, mas mesmo assim ainda sabia exatamente onde era. O meu corpo precisava dessa descarga de adrenalina agora. Eu saltaria do penhasco.

Depois dessa epifania da minha vida, comecei a caminhar rapidamente. Eu conhecia todo o lugar como se eu sempre vivera aqui. Meu coração bombeava muito rápido, antecipando a emoção que eu sentiria.

O caminho era distante. Jake morava mais próximo da entrada da reserva e o penhasco era na mata profunda. Alguns pingos d'água começaram a me molhar, arrancando um sorriso meu. O dia estava perfeito para um salto de queda livre. Nada poderia fazer-me me sentir mais solto e vivo do que isso.

Eu não conseguia pensar. Minhas pernas só obedeciam ao comando do meu peito, que martelava freneticamente. Tentava pensar nas coisas que precisava resolver, mas nada se mantinha na minha mente. A descarga de emoções era minha prioridade agora.

Uma parte de mim sabia que isso poderia soar idiota e completamente irresponsável. Isso me fez sorrir ainda mais. Nunca tinha sido o cara certinho, mas fazer algo que não prejudicasse a ninguém e me manteria saudável dentro da loucura que era minha vida, parecia mais do que o correto agora.

Avistei o mar, mesmo distante. O penhasco já estava perto, mesmo que estivesse no meio de muitas arvores ainda. Quase comecei a correr para chegar mais rápido, mas não era necessário. Quem eu precisaria encontrar se não fosse eu mesmo?

Mesmo cercado por densas árvores, as gotas de chuva me atingiam mais forte. O clima desse local sempre fora chuvoso e nublado, o que eu odiava. Mas hoje parecia perfeito. Eu queria lavar minha mente de todos os meus problemas.

Fui engolido pelo vento forte e pela chuva torrencial assim que me encontrei na borda do penhasco. Fechei os olhos para as lembranças da minha infância. Nunca tínhamos saltado em uma tempestade. Somente com o dia ensolarado. Antes de sermos banidos daqui, tínhamos feito uma aposta de quem teria coragem de saltar com o tempo ruim. Sorri com a vitória iminente.

Abri os olhos e visualizei o espaço vazio a minha frente. Era uma sensação do caralho. Liberdade e poder. Meu corpo dava espasmos de tanta adrenalina que corria por meus músculos e minhas veias. A sensação de estar solto e livre não tinha explicação.

Sorri e abri os braços. A chuva caía pelo meu corpo, molhando-me cada vez mais. Levantei meu rosto para a chuva, apreciando ainda mais essa loucura.

Tirei meus sapatos, para me auxiliar na natação quando eu saísse. Apoiei-me na beirada da queda com a ponta dos pés e levantei os braços para me preparar para o mergulho. Mas meu lado racional pensou primeiro. Eu precisava descer em pé, para não me machucar na queda.

Inclinei um pouco mais, me abaixando no processo. Sorri novamente para minha insanidade.

E me atirei no penhasco.

Um grito de alegria saiu do meu peito enquanto eu caía como um meteoro. O vento estava forte, tentando criar resistência para meu corpo enquanto eu gargalhava com a sensação maravilhosa de liberdade.

Rapidamente cheguei à superfície da água. Projetei meu corpo para não me machucar, mas eu não estava preparado para a temperatura do mar. A água estava extremamente gelada e longe de estar calma.

As ondas vinham como chicote. Eu não conseguia fixar meu corpo para começar a nadar. A salinidade do mar e a temperatura estavam congelando meu corpo. A descarga de adrenalina ainda corria forte, mas o medo começou a me dominar.

Meu corpo se projetava para o paredão do penhasco. Minha visão nublava cada vez mais, mas eu precisava ser forte. Meu filho precisava de mim. Eu tinha que sobreviver.

Alguns pontos pretos começaram a aparecer na minha vista. Eu não queria perder a inconsciência, mas a minha luta era quase perdida. Tentava lutar, mas era tarde demais para mim.

E tudo ficou escuro...

...

...

Meus olhos ardiam. Minha cabeça latejava e meu corpo doía. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas certamente não fora nada agradável. Desde quando sentir prazer causava dor?

Tentei me mexer e novamente meu corpo reclamou. Eu estava deitado na areia e a chuva caía pelo meu rosto. O que será que tinha acontecido? Eu não me lembrava como tinha vindo parar aqui. Tentei abrir os olhos e levantar meu braço. Eu estava tremendo, mas minha vista, mesmo obscura, visualizou uma pessoa próxima a mim.

"Robert?"

Grunhi com a pergunta, mas pareceu um gemido. O que tinha na minha cabeça para fazer algo estúpido assim? Mesmo que fosse libertador, jamais repetiria o processo. Mesmo que eu tivesse ganhado a aposta, claro.

"Você está bem, cara? Fale alguma coisa".

Dessa vez reconheci o dono da voz. Jake, o meu amigo. Tentei sorrir para ele para demonstrar que estava bem.

"Desculpe, cara." Minha voz saiu rouca. "E obrigado." Levantei meu corpo até quase sentar, mesmo dolorido. Eu estava uma bagunça.

"O que aconteceu? Jesus, eu estava preocupado. Fui atrás de você, já que Leah disse que saiu igual a um louco. Aí ouvi seu grito..."

"Ah... isso." Sorri para minha aventura insana. "Resolvi pular do penhasco".

"O QUÊ?" Jake quase saltou de susto.

"Eu pulei do penhasco, Jake." Meu sorriso aumentou ainda mais assim que me firmei sentado. "E tenho que te dizer que ganhei a aposta".

"CARALHO. VOCÊ ENLOUQUECEU, PORRA?" Jake nunca falou assim comigo antes. Fiquei assustado com seu tom de voz.

"O que foi caralho? Eu resolvi pular e-"

"Ah, CLARO. O grande e irresponsável Robert Cullen resolveu aprontar. Caralho, se você quer se matar procure outro lugar".

"Ei...você..."

"Escute aqui, Robert. Eu fiquei louco com medo de ter acontecido algo com você. Sua mãe sofreu muito com sua ausência e seu pai quase nem vem mais porque todos se lembram de você aqui. Toda a sua família se desestruturou por suas inconseqüências. Até suas pesquisas você largou. E agora quando penso que amadureceu, descobri que você não passa mesmo de um moleque".

As palavras que ele me dizia eram duros golpes no meu rosto. Nunca tinha o ouvido falar comigo nesse tom. Eu estava atordoado.

"Jake, porra... me desculpe..."

"Robert. Agora é sério. Alguém tem que colocar algum juízo na sua cabeça de merda. O que você estava pensando conseguir pulando dessa altura?" Olhei para o paredão e um calafrio percorreu meu corpo. "Será que você nunca vai crescer? As pessoas se preocupam com sua vida e seu bem estar e você tenta se matar?"

"Cara... eu... bem... me desculpe".

"Ninguém nunca te falou isso, Rob, mas eu vou. Chega de ser esse cara inconseqüente e imaturo. Está na hora de você voltar a ser o cara que sempre foi o orgulho do seu gêmeo e de toda sua família. Não é possível que com quase 30 anos na cara você seja assim, um completo imbecil. Veja se cresce, idiota".

As palavras do meu amigo pareciam mesmo como tapas na minha cara. Ninguém nunca falou assim comigo. E lógico, a porra da consciência me alcançou. Ele estava certo. Durante muito tempo eu agia como um completo irresponsável. Abaixei minha cabeça para ele, totalmente envergonhado.

"Você está certo..."

"Eu sei, Rob." Sua voz ainda estava dura.

"Desculpe-me, mesmo? Eu não... quer dizer..."

"Eu não sei o que fez você fazer essa insanidade, mas espero que tenha valido a pena".

Olhei nos olhos de Jake e vi compreensão. Apesar das suas palavras duras, ele estava me ajudando. Assenti para ele. Definitivamente eu era um idiota.

Levantei muito lentamente, sendo ajudado por Jake. A caminhada até sua casa foi um pouco dolorosa, pois meu corpo ainda estava trêmulo devido a minha queda. Com muita insistência de Leah e Billy, acabei ficando para o almoço, tomando um banho no processo.

Poucas horas depois, saí um pouco melhor, mas com o coração pesado. Minha loucura de hoje cedo me fez chegar à única conclusão possível na bagunça que eu mesmo causei. Estava decidido a mudar o rumo da minha história, mas precisava de ajuda. Eu tinha que recomeçar e sabia exatamente a quem recorrer. Edward.

Fui em direção à casa dos meus pais e constatei que não tinha nenhum carro na garagem. Observei que a caminhonete de Bella também não estava. Todos deveriam estar no trabalho e pensando no futuro.

'Assim como você deveria estar também, Rob!'

Eu estava estacionado em frente à casa, ponderando sobre como agir e o que falar. Todos os meus argumentos já tinham se extinguido com meu gêmeo e ele já tinha tentado me trazer para a realidade também. Durante todos esses anos eu fugi. E agora?

A chuva ainda castigava quando resolvi sair do carro, após estacionar na garagem. O banho que tomei em La Push há muito tinha sido varrido pela água que escorria do meu corpo. Fui em direção a varanda e fiquei sentado lá. Observando somente o vazio.

Fiquei refletindo. Será que Edward me entenderia? Como eu pediria ajuda para algo que há muito tempo eu tinha abandonado? E o principal, como falar sobre meu futuro agora? Pensamentos confusos vinham na minha cabeça. Antigamente eu era um cara do bem, ajudava as pessoas. Tinha um futuro. Depois do que Kristen fez comigo, larguei tudo.

Pensei em Bella. De todas as pessoas que eu conheci na vida, jamais imaginei que encontraria uma amiga de verdade. Mas e a relação dela com Edward? Estava claro que ela ainda o amava, mas será que ele a perdoaria? E a mim? Eu precisava tanto dele agora.

Comecei a pensar também no meu filho. Apesar de não ter muitos motivos para comemorar o inferno astral que estava vivendo, ela era o meu maior tesouro hoje e o mais importante, o meu grande motivo para recomeçar.

Fiquei desejando que Edward voltasse logo. Eu estava me sentindo tão sozinho. Nem mesmo durante a minha vida louca na Europa eu fiquei assim. Mesmo vazio e sem objetivos, eu ligava para meu irmão e conversava com ele. E hoje ele não estava mais próximo de mim como antes.

Meus olhos arderam e minhas pernas tremeram. Eu sentia tanta falta do meu irmão. Ele era meu melhor amigo e eu não lhe dei valor. Corri as mãos pelos meus cabelos molhados e fechei os olhos. 'Por favor, Edward... volte logo'.

Como se atendesse uma prece, vi o volvo de Edward entrando na rua. Eu só não sorri porque estava com medo. Precisava desesperadamente do meu gêmeo agora. Minha necessidade de tê-lo na minha vida e, como sempre, da sua ajuda em me reerguer, era a única coisa que me salvaria agora.

Edward estacionou o carro olhando-me completamente confuso. A chuva ainda caía, mas ele já estava todo molhado quando saltou do carro e com cara de cansado. Mas tinha algo a mais. Eu não olhava em direção aos seus olhos, com medo da rejeição. Ao chegar à varanda, levantei meu rosto e vi a interrogação, mas também a mágoa. Isso seria tão difícil. Baixei os olhos, como o covarde que sou.

"Acho que está na hora de conversar, irmão." Minha voz saiu quase num sussurro. Ele me olhava em expectativa, o que me matava por dentro.

"O que houve com você, Rob?" Sua voz estava rouca e profunda. Minhas lágrimas há muito tempo sufocadas saltaram aos meus olhos. Eu não sabia o que dizer.

"Hoje eu saltei do penhasco..." Falei baixinho.

"Você fez o quê, Rob?" Edward se aproximou e sentou ao meu lado. "Diz que está mentindo." Olhei em sua direção buscando consolo. Eu estava muito nervoso.

"Sei que foi uma coisa estúpida... mas... eu pensei que seria algo bom..."

"E como foi isso? Porra, Rob, você está maluco?"

Sua voz protetora de irmão me emocionou. Pode parecer mentira, mas eu adorava quando ele me chamava atenção, principalmente quando eu estava longe. Era minha ligação com ele e com a vida que tinha deixado para trás.

"Eu... preciso de você, Edward".

Com o olhar fixo em seu rosto, vi todas as emoções passarem por meu gêmeo. Cansaço, confusão, surpresa, dúvida e alegria. Mas novamente a mágoa. Seu olhar endurecido apareceu.

"E por que acha que precisa de mim agora? Nunca quis minha ajuda".

"Agora é diferente... irmão." Suspirei e fechei os olhos. "Não quero mais ser covarde..."

Esperei que ele falasse algo, brigasse comigo ou fosse embora puto. Mas nada disso aconteceu. Ao abrir os olhos, Edward tinha um olhar fixo no meu rosto em expectativa, mas ao mesmo tempo, indescritível. Eu não conseguia entender o que ele estava pensando.

"O que você está pensando?" Não resisti.

"Quero recuperar meu gêmeo de volta, Rob. Mas eu estou muito confuso... e, caralho... nem eu sei o que dizer..." Eu também queria meu irmão de volta.

"Então, me ajuda? Eu... estou tão perdido... eu..." Novas lágrimas desceram pelo meu rosto. Nunca tinha chorado tanto, ou melhor, a última vez que desmanchei em lágrimas foi quando ela me abandonou. E agora eu ficava emotivo o tempo todo.

"O que você precisa então?"

"Eu... bem..." Eu tinha que falar. "Primeiro preciso do seu perdão, Edward... por favor..." Segurei seu braço, com medo dele escapar. Seu corpo se retesou e ele fechou os olhos. Meu gêmeo sabia do que eu estava falando.

"Não quero saber dela, Rob..." Sua voz quase não saiu. Eu senti a sua dor também.

"Ela não teve culpa sozinha, irmão... quer dizer... foi eu... a sua virg-"

"Pare, por favor... não quero os detalhes, Rob." Edward ainda estava de olhos fechados. Suas mãos cobriram seu rosto, me impedindo de saber o que ele estava sentindo.

"Não vim aqui para falar do passado, Edward... eu... quero o futuro... eu... eu quero meu irmão e o meu melhor amigo de volta..." Abaixei os olhos, sentindo uma emoção que era incontrolável. "Desde que a vi, eu sabia que poderia te fazer sofrer. Mas como eu disse... sou um covarde. Não sou digno de nada..." Por que ele não falava nada? "Mas as coisas foram ficando confusas. Eu tinha consciência de que precisava te contar... mas o segredo não era só meu, Edward".

Meu gêmeo começou a chorar. Nunca vi Edward tão perdido. Doía em mim ainda mais que fui eu quem causou essa confusão do caralho. Esperei que ele se acalmasse um pouco. Mesmo com o coração apertado, eu tinha que desabafar. "Eu nunca devia ter voltado".

"Não fale isso." Sua voz saiu quase em um sussurro. Edward me olhou, com um sorriso triste. "Mamãe estava a ponto de enlouquecer sem você por aqui".

"Mas destruí a sua vida... eu... não consigo fazer nada direito".

"Como pode dizer isso? Tem certeza que viu seu filho?"

Olhei em sua direção e vi um pequeno brilho em seus olhos. Edward estava tão apaixonado por Masen quanto qualquer membro da família.

"Acho que... bom... ele é a única coisa que fiz direito." Abri um sorriso. "Ele é perfeito".

"Sim... agora entende por que eu a trouxe?" Edward me disse duramente.

A pergunta me travou. O meu filho tinha como adicional a sua mãe insensível e sem coração, que tinha me abandonado e destruído a minha vida. Como eu disse, nada era direito na minha vida.

"Eu... entendo. E me desculpe por achar que você... bem... estava com ela, Edward".

"Você tem tendências a falar antes de pensar, Rob." Seu rosto estava mais tranqüilo. "Eu já estou acostumado com isso." Ele virou o olhar pra mim. Essa era a hora.

"Você me perdoa? Quer dizer..." Olhei em sua direção. Seus olhos já diziam tudo. Ele nunca guardaria mágoa de mim. Um pequeno soco no meu ombro me respondeu. Edward abaixou a cabeça sorrindo para algo que ele estava pensando.

"E... bem... Edward?"

"Sim?"

"Eu nunca estive com a Bella..."

"Já disse que não quero saber." Ele me cortou e seu olhar ficou duro de novo. "Não me importa!"

"Então, se não importa, posso contar a minha versão? Tudo o que aconteceu?"

Fiquei olhando seu rosto e a luta interna dele. Sabia que seu coração clamava por ela, mas a mágoa e o orgulho estavam fortes nele. Meu irmão era a pessoa mais cabeça dura que eu conhecia na vida. Esperei-o absorver tudo o que poderia envolver esse assunto.

"Não precisa me contar nada..."

"Eu quero... por mim..."

"Olha, Rob. Não quero saber. Na verdade, já sei que esses dias ela esteve com o pai dela, ou seja, vocês não estavam juntos... e... bem... eu acredito que vocês não tiveram nada, sem mim... ou comigo no meio..." Eu suspirei com seu entendimento, mas sabia do seu orgulho. "Mas... ela me escondeu isso, Rob! Eu sempre fui sincero... verdadeiro..."

"Mas, Edward..."

"Não, Rob... você não entende? Ela me fez perder a coisa mais importante em um relacionamento. Ela... Bella..." Meu gêmeo engasgou. "A confiança, Rob. Eu perdi a confiança nela..."

Eu entendia perfeitamente o que ele dizia. Eu fui covarde e escondi isso dele. Mas Bella também precisava contar. Apesar de participar da equação confusa, era sobre o relacionamento deles. Entretanto, eu sabia do amor que eles sentiam um pelo outro. Esse sentimento era mais forte do que qualquer coisa.

"E você nunca vai perdoá-la?"

Edward abriu e fechou a boca. Eu queria muito dizer a ele o quanto Bella era especial e tinha sido importante na minha vida ultimamente. Senti necessidade de defendê-la, pois mesmo com esse defeito que ele julgava que ela tinha, eu sabia que ele a amava e que seria para o resto da sua vida. Mas como vou ajudá-la, com ele sendo irredutível desse jeito?

"Não sei, Rob... eu... não sei o que fazer..." Ele disse quase pra si mesmo.

Não quis entrar no assunto. Pelo menos por enquanto. Bella trouxe o melhor e o pior de Edward. Sua determinação e orgulho eram marcas registradas, mas meu gêmeo tinha fortalezas que eram difíceis de derrubar quando construídas.

"Desculpe... não quero me meter na sua vida..."

"Tudo bem, vamos esquecer isso por enquanto?"

"Aceito." Respondi resignado.

Seu olhar estava triste. Toda a dor que causei nele ainda estava evidente, mas sabia que meu irmão era generoso também. No fundo, sentia que ele não me culpava, apesar de ser o responsável pela bagunça. Eu queria ser importante para ele também. Queria compensar toda a dor que tinha no seu peito.

"Você não me respondeu, cópia".

Usei o apelido que tínhamos. Edward me olhou sorrindo, grato pela mudança no assunto.

"O que você quer, Robert?" Seu olhar irônico apareceu. Grunhi para ele, mas acabei sorrindo também.

"Acho que mereço isso".

"Sim... com certeza." Ele virou o corpo em minha direção. "O que você quer, afinal?"

"Eu quero a sua ajuda." Respondi um pouco tímido. "Quero voltar... para as pesquisas..."

"O QUÊ?" Ele quase gritou de surpresa. "Você está falando sério?" Seus olhos brilhavam de expectativa.

"Eu acho que sim." Sorri com seu entusiasmo. "É por isso q-"

"Espere." Ele sorriu abertamente. "Quem é você e o que fez com meu irmão?"

"Engraçadinho." Torci o nariz e cerrei os olhos para ele. Edward soltou uma risada forte. "Eu estou falando sério, porra".

"Mentira! Jesus, Rob... eu..." Edward sorria e balançava a cabeça. "Cara, essa é a melhor notícia que recebi depois de Masen!"

Meu irmão me agarrou em um abraço apertado, quase me sufocando. Eu sabia que ele amava a medicina e meu trabalho o ajudaria. Fiquei contagiado por sua felicidade. Assim que ele me soltou, Edward levantou rapidamente.

"Onde estão as pessoas dessa casa?" Meu gêmeo falou. Eu ainda estava atordoado com tudo e observei o lugar novamente. A chuva já tinha parado e o visual era um pouco melhor também. Parecia que depois da nossa conversa, até a cidade estava mais calma.

"Ei, Rob? Acorda!"

"Desculpe." Respondi voltando à realidade. "Cheguei aqui e não tinha ninguém... acho que todos saíram." Sacudi os ombros.

"Rob... eu..." Edward sentou-se ao meu lado. "Eu acho que você deve conversar com ela antes..."

Meu coração deu uma parada violenta, quase me deixando sem ar. Claro que Edward estava falando de Kristen.

"Eu não quero falar com ela!"

"Não estou falando sobre vocês, Rob. Não é isso. Mas é sobre Masen. Sabe que terá que conversar com ela, acertar as coisas." Suspirei com suas palavras. "Pense nisso, se você quer resgatar tudo, o melhor é começar por ela, não é? Está na hora de você enfrentar o seu passado".

"Não sei... eu não posso..."

"Pode sim!" Edward segurou meu ombro. "Meu irmão não é um covarde!" Sorri para ele. "Porra, você teve coragem até de pular da merda do penhasco... cara... só você mesmo." Edward sorriu, me deixando um pouco com meus pensamentos.

"Acho que ela está na casa do pai dela, Rob".

"Eu não quero ir até lá!"

"O pai dela deve estar lá. Vocês precisam conversar, Rob. Não quero perder meu sobrinho de vista. Ficamos muito tempo privados dele." Neguei com a cabeça.

"Robert! Você disse que não queria ser covarde! Vá lá e enfrente essa porra!"

Olhei novamente para ele. Apesar de negar, eu sabia que essa hora chegaria. Ela seria a peça mais difícil na minha nova vida e a mais importante. Para me reerguer, precisava acabar com os sentimentos que ainda estavam presos desde aquela época.

"Acho... que você tem razão." Assenti cabisbaixo.

"Agora entre, tome um banho e vá logo conversar com ela. E coloque o nome da nossa família naquela criança".

Suas últimas palavras mexeram com meu íntimo. Mas é claro! Meu filho ainda não tinha meu nome e isso eu não podia admitir. Masen era meu sangue e tinha que ser reconhecido como tal.

"Você está certo. Vou fazer isso agora mesmo".

Uma coragem absurda tomou o meu ser. Qualquer receio de encontrá-la foi substituído pelo amor ao meu filho e minha necessidade de fazê-lo parte da família de forma legal. Levantei num átimo e corri para dentro de casa. Poucos minutos depois, de banho tomado e com o corpo renovado, eu entrava no carro.

Olhei em volta e vi meu gêmeo me observando, com os braços cruzados e um sorriso no rosto. Ele estava orgulhoso de mim novamente. Meu peito se encheu de alegria. Tudo estava voltando para o lugar aos poucos.

Dirigi feito um louco, tentando não pensar muito. Eu encararia o meu maior pesadelo. A rua da casa dela apareceu rapidamente, forçando meu coração a bater ainda mais rápido. Estacionei na calçada e caminhei até a porta. Toda a minha coragem estava em minhas mãos no momento que bati na porta. Fechei os olhos e coloquei as mãos no bolso, pensando no que diria.

'Será que ela estava mesmo aqui?'

Minha pergunta mental foi respondida assim que abri os olhos. A figura da mulher que visitava meus pesadelos apareceu na minha frente.


Nota da Irene:

Mais uma vez pedimos desculpas pelo atraso. Como eu digo: A vida real é dura e grossa. *Nossa... a vida real tem Ed no meio?*

Bem... voltando ao assunto... Titinha e eu estamos em uma louca vida de escravidão... Ela coitada... está até com problema de pressão... eu sou pedreira de obra... então não tenho mais vida social. *chora muito*... mas estamos escrevendooooo. Nossa fic está toda encaminhada... Resumos de capítulos prontos... Mas para ficar lindo e ainda termos vcs gostando do que escrevemos precisamos de duas coisas: 1- Tempo; 2- Inspiração.

Já sabem... tentaremos não atrasar mais nenhum... mas se atrasar... não nos apedrejem pelamordideus!

Ahhh... eae? Gostaram do POV Rob de 23 paginas e 24 cm? *cof cof*

Titinha se inspirou essa semana... Próximo é POV Bellaaaaaaaa

Deixe seu amor ou seu ódio em reviews. Hohohoh

Até quarta que vem... enfim...