I'm not a perfect person

There's many things I wish I didn't do

But I continue learning

I never meant to do those things to you

And so, I have to say before I go

That I just want you to know

I've found out a reason for me

To change who I used to be

A reason to start over new

And the reason is you

Eu não sou uma pessoa perfeita

Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito

Mas eu continuo aprendendo

Eu não pretendia fazer aquelas coisas com você

E então eu tenho que dizer antes de ir

Que eu apenas quero que você saiba

Eu encontrei uma razão para mim

Para mudar quem eu costumava ser

Uma razão para começar de novo

E a razão é você

The Reason – Hoobastank


Capítulo 29 – Meus desejos secretos

EDWARD POV

Eu estava completamente desorientado. Ao sair do escritório dela meu peito doía tanto que não conseguia respirar.

Eu tinha sido um cretino. Eu a tratei pior do que uma prostituta.

Minha cabeça martelava tanto que eu não tinha percebido que ainda estava encostado na porta. Alguns funcionários do hospital me olhavam assustados. Minha roupa e meu rosto devem estar uma bagunça para chamar tanta atenção. Jamais quis fazer aquilo. Tudo o que fiz foi incontrolável e eu não tive coragem de olhar em seus olhos, mas meu corpo me traiu. Eu a desejava ainda mais do que antes. Ela estava tão... irresistível.

"Por que Bella? Por que você fez isso comigo?"

Eu falei sussurrando e com as mãos no rosto. Por mais que eu tentasse, não conseguia culpá-la, pois o meu comportamento foi doentio e cruel. Mas o que eu podia fazer? Assim que senti suas paredes me apertando, seu corpo se contorcendo de prazer embaixo de mim, simplesmente não consegui me controlar. Eu a queria e muito. Não tinha como negar. Mas minha mente estava tão confusa... Eu estava... destruído.

Antes que meu corpo se arrastasse pela porta, senti uma mão me puxando. Olhei em volta e dei de cara com meu pai, que me olhava firme, mas também compreensivo. Simplesmente obedeci ao seu comando, me arrastando para longe dali. Eu não tinha forças nem para raciocinar.

Quando me dei conta, já estava sentado na cadeira do meu consultório. Meu pai estava de pé e de costas para mim. Eu nem tinha reparado, mas meu rosto estava banhado em lágrimas e meus olhos fitavam o vazio.

"P-pai. Eu... porra..."

"Você tem certeza que quer conversar?"

"Não sei... eu... quer dizer... pai... eu sou um monstro".

Levantei meu olhar para o meu pai. Seu rosto estava sereno, mas a curiosidade estava estampada também. Nunca pensei que fosse precisar de ajuda algum dia, mas não sabia o que fazer. Eu sempre fui a pessoa forte e decidida na família. Minha personalidade era de alguém que raramente pedia ajuda, ou que enfraquecia diante de um obstáculo. Bella destruiu tudo isso dentro de mim. Eu estava quebrado e sem rumo.

"Acho que estou meio perdido, filho. Você quer me explicar o que houve?"

Novas lágrimas surgiram nos meus olhos à medida que eu pensava no que tinha acabado de fazer. Eu ainda estava sentindo toda a tensão pós-orgasmo e o cheiro dela também estava em mim. Meu membro estava latejando, sentindo a umidade de Bella e clamando por mais contato. Ou seja, eu estava uma bagunça. Como explicar minha destruição para meu pai?

"Eu... não sei o que explicar, pai..."

"Que tal começar pelo início?"

Sua voz calma se aproximou de mim. Meu pai se sentou em frente à minha mesa, mas sua presença me deixava aflito. O que eu falaria? Que tinha transado loucamente com a mulher que eu amava, mas que me sentia culpado por não confiar mais nela? Ou pior, que tinha acabado de tratar Bella do jeito que eu tratei?

"Eu e Bella... não estamos..."

"Vocês terminaram?"

"Mais ou menos, pai." Suspirei. "Eu estou tão perdido..."

"Filho. Não precisa entrar em detalhes. Estou vendo a dor em seus olhos. O que aconteceu não importa agora. Você está disposto a abrir mão da mulher da sua vida? Vejo um conflito grande em você, meu filho. Está preparado para perdê-la?"

Abri e fechei a boca sem conseguir emitir nenhum som. Como ele sabia que eu estava nesse dilema? Era tão evidente assim? Eu tinha complicado tudo com o envolvimento a três, mas não era isso que importava agora. A confiança inabalável que eu tinha nela é que estava quebrada. A minha própria auto-estima estava abalada. Eu não conseguia parar a dor da traição e da mentira, por mais que meu corpo clamasse por Bella. Mas, como eu viveria sem ela? Ou ainda, como seria trabalhar todos os dias com ela? Eu não resisti nem ao primeiro dia.

"Eu não sei ainda. Estou muito confuso, pai... Preciso ir..."

"Você não está na escola, filho. Lógico que pode ir embora. E quando quiser conversar é só me procurar, ok?"

Assenti levemente, ainda entorpecido. Limpei meu rosto com ambas as mãos antes de pegar a maldita maleta. Tremi só de imaginar que Bella ainda estava com meu jaleco. O que poderia acontecer agora?

Meu pai me deu um tapinha nas costas antes de me acompanhar para fora. Meu olhar varreu o corredor, com receio, o que eu tinha certeza que aconteceria. Um reencontro com ela.

Minha respiração engatou por um segundo, me fazendo perder o ar. Ela conversava com Ângela, de costas, mas seu corpo estava um pouco encolhido. Seu cabelo estava preso em um coque bagunçado, comprovando que a loucura que fizemos não foi fruto da minha imaginação. Eu tinha feito sexo com ela. Os poucos segundos que fiquei analisando foram o suficiente para ela me notar, virando o seu corpo. Ângela acenou para mim, vindo em minha direção também. Meus olhos ficaram presos em Bella. Mas o que me deixou mais intrigado foi seu rosto. Ela não parecia triste e nem magoada. E isso não fazia sentido para mim. Seus olhos pareciam de fogo, como se precisasse provar algo ou... alguém.

Um arrepio subiu pela minha coluna enquanto desviava os olhos, observando de relance que ela entrava de novo em sua sala, no mesmo instante que Ângela chegava até a mim e sorria.

"Olá, Dr. Edward. Dr. Cullen." Ela cumprimentou a nós dois, fazendo-me lembrar que meu pai ainda permanecia ao meu lado.

"Ângela, assim me sinto ainda mais velho." Meu pai gracejou enquanto eu apenas acenei. "Sabe que Carlisle já é suficiente. Deseja falar comigo?" Fiquei parado observando a conversa dos dois. Eu não estava totalmente focado.

"Bom... na verdade com os dois." Olhei para ela, prestando atenção agora. "Amanhã é meu aniversário e Ben decidiu hoje que não vamos ter mais um jantar romântico e sim uma grande festa. Logo gostaria de convidar a todos para a bagunça lá em casa".

"Bella vai?" Foi automática a minha pergunta. Meu pai sorriu e Ângela cerrou os olhos. Quase mordi a língua para me punir. Eu tinha acabado de assumir que estava confuso e preocupado com a sua presença ao meu redor e lá estava eu querendo saber seus passos.

"Engraçado... ela me fez a mesma pergunta." Ângela cruzou os braços. "Não quero me intrometer, mas se vocês não estão bem... não quero... bem... criar uma situação dificil..."

"Não, Ângela, não tem problema nenhum." Dessa vez foi meu pai. "Eu e Esme não iremos, pois vamos passear com meu neto, mas tenho certeza que Edward e Bella irão. Não é mesmo, filho?"

"Eu não... sei..." Fiquei nervoso somente com a possibilidade de ficar com Bella em um mesmo ambiente. "Os plantões... bem..."

"Você está trabalhando muito, Edward. Assim como Bella." Meu pai disse e apertou meu ombro. "E como chefe deste hospital estou liberando os dois para ir. Logo, não tem desculpas. E Ângela, meus parabéns antecipado. Amanhã eu e Esme enviaremos um presente para vocês".

"Não precisa Dr. Cul... quer dizer... Dr. Carlisle!".

"Eu insisto. Até mais crianças." Eu ainda estava entorpecido demais para responder ao meu pai. Ângela deu de ombros e sorriu, saindo para falar com outra pessoa. E eu? Parado no mesmo lugar totalmente inerte. Como eu ficaria imune da presença dela em uma festa regada a bebidas?

Fui me arrastando até meu carro e joguei minha maleta no banco do carona. Novamente lembrei que por causa desse maldito objeto tudo isso tinha acontecido.

Eu não precisava do meu jaleco de volta. Eu tinha praticamente uma coleção deles no meu guarda-roupas, mas não parava de pensar em quando ela me devolveria. Será que ela ainda me amava? Mesmo depois de tudo que aconteceu hoje? Eu não conseguia mais entender suas reações. A única coisa que eu vi foi que ela queria me enlouquecer. Eu quase virei outra pessoa com todas as coisas que ela me fez sentir ontem e hoje. Eu nunca tinha feito isso com ninguém.

Abandoná-la depois do orgasmo mais louco da minha vida tinha sido tão doloroso como abrir uma ferida. Eu não consegui sequer olhar em seus olhos para ver o que eu estava fazendo com ela. Mas o olhar que eu recebi dela há poucos minutos dentro do hospital me deixou ainda mais confuso. O que tinha mudado em Bella? Será que ela não se arrependia do que tinha acontecido?

Tentei focar minha mente para dirigir. Eu precisava chegar em casa inteiro, já que a insanidade batia na minha vida. Lentamente me afastei do hospital e da onipresença de Bella. Eu já respirava um pouco mais tranqüilo e até conseguia pensar em outras coisas que não fossem ela. O que eu faria da minha vida agora? Não poderia me comportar como um adolescente hormonal todas as vezes que eu encontrasse com ela. Eu tinha que ser forte.

De repente lembrei-me do meu irmão. Desde ontem à tarde eu não o via. Sei que ele teria muitos assuntos pendentes e mal resolvidos com Kristen, mas eu estava precisando dele neste momento. Eu não era o cara que conversava ou lamentava a vida que tinha. Durante toda a minha vida, sempre fui a pessoa centrada e que resolvia tudo. Agora eu estava em pedaços.

Assim que entrei em casa, suspirei de uma pequena felicidade por estar só. Eu não sentia nenhuma vontade de conversar com ninguém e sim somente chorar. Derramar lágrimas de uma dor enorme e um grande buraco no meu peito, que eu sabia que era por minha culpa. Eu mesmo criei essa dor em mim. Com soluços atravessados e o corpo trêmulo, subi as escadas buscando meu quarto. Eu precisava disso agora.

Deitei na cama de Rob, que agora era minha, e comecei a chorar novamente. Lágrimas silenciosas varriam meu rosto e agora eu nem tentava impedi-las. Abracei meu corpo, tentando me consolar, ou buscar algum conforto. Nada. Eu tinha que distrair minha mente para fora dela. Eu tinha que reagir.

De repente lembrei-me da conversa com meu gêmeo novamente. Tudo o que dissemos ontem foi sincero e ao mesmo tempo intenso. Eu o amava tanto que parecia que algo de mim tinha partido com a sua ausência. Deixei minha mente vagar e recordei com detalhes tudo o que tínhamos conversado.

Assim que saí do carro e o olhei, eu estava no meu momento de irmão protetor. Sua voz sussurrante me matou um pouco. Eu precisava saber o que tinha acontecido na vida do meu gêmeo. Eu queria entender o que tanto o angustiava para vê-lo tão despedaçado. Será que e-ela...?

"O que houve com você, Rob?" Minha voz estava rouca e profunda. Eu estava com muito medo do que ele me diria, mas precisava ajudá-lo. Suas lágrimas sufocadas saltaram aos seus olhos, o que fez aumentar meu desespero. Quando ia me dirigir ao seu ombro para sacudi-lo, vi que ele iria me contar.

"Hoje eu saltei do penhasco..." Falou baixinho.

"Você fez o quê, Rob?" Aproximei-me nervoso, mas queria saber direito sobre sua estupidez. "Diz que está mentindo." Rob me olhou buscando consolo. Ele não estava mentindo.

"Sei que foi uma coisa estúpida... mas... eu pensei que seria algo bom..."

"E como foi isso? Porra, Rob, você está maluco?" Foi impossível me conter, mas minha voz protetora de irmão foi mais forte. Por mais que fossemos gêmeos, sempre cuidei do meu irmão. Rob sempre foi o mais carente e mais instável entre nós. Mesmo estando quebrado e magoado, eu me preocupava intensamente com ele. E essa idiotice dele me alarmou. Por que ele agora estava fazendo isso? Ou ele era viciado em adrenalina, ou sua vida tinha perdido o sentido. E isso eu jamais poderia permitir.

"Eu... preciso de você, Edward".

Com o olhar fixo em seu rosto, tentei entender o que essas palavras significavam. Eu estava cansado e confuso pra caralho e ele me vem com isso? Então por isso ele estava aqui, me esperando? Eu tinha meu gêmeo de volta, inclusive todas as partes quebradas? Meu coração se encheu de alegria fazendo-o dar um salto. Robert finalmente voltava à vida? Mas um pensamento cruzou minha felicidade, antes mesmo de concluir meu raciocínio. Tudo voltou com uma palavra. Isabella. Mesmo que eu não quisesse fazer isso, meu rancor apareceu novamente.

"E por que acha que precisa de mim agora? Nunca quis minha ajuda".

"Agora é diferente... irmão." Rob suspirou e fechou os olhos. "Não quero mais ser covarde..."

Isso me desarmou. Eu não esperava que Rob, mesmo temeroso, me procurasse por ajuda. Mas era tudo tão fodido. Eu estava vidrado, com a expectativa de trazer toda a alegria do meu passado com meu gêmeo de volta. De repente fazê-lo voltar às pesquisas e ter uma vida leve e sem problemas ou traumas. Mas agora era tudo diferente. Eu tinha sido marcado pelo amor e pela dor. Nesse momento minha vida era dividida em antes e depois de Bella Swan. Percebi que Rob me olhava ansioso, esperando minha resposta. Mas o que dizer a ele se nem eu sei o que vai acontecer... ou no que me transformei?

"O que você está pensando?" Rob me puxou para a realidade.

"Quero recuperar meu gêmeo de volta, Rob. Mas eu estou muito confuso... e, caralho... nem eu sei o que dizer..." Eu estava tão perdido quanto Rob. Nem eu mesmo sabia o que fazer da minha vida agora.

"Então, me ajuda? Eu... estou tão perdido... eu..." Meu irmão estava mesmo precisando de ajuda. Novas lágrimas desceram pelo seu rosto e mesmo na sua maior dor, eu tinha certeza que ele nunca tinha chorado tanto. Porra, meu gêmeo precisa mesmo de mim.

"O que você precisa então?"

"Eu... bem..." Ele estava confuso e desorientado. "Primeiro preciso do seu perdão, Edward... por favor..." Rob começou pelo pior assunto. Eu não estava preparado para essa conversa ainda. Não. Meu corpo todo se retesou e fechei os olhos. Eu não podia e nem queria falar dela agora. Não queria enfrentar meus fantasmas ainda.

"Não quero saber dela, Rob..." Minha voz quase não saiu. Todo o meu corpo doía somente pela lembrança dela. Eu ainda a desejava. Por muito pouco eu praticamente transo com ela no estacionamento do hospital. Eu precisava tirar Bella do meu sistema por um tempo.

"Ela não teve culpa sozinha, irmão... quer dizer... foi eu... a sua virg-"

"Pare, por favor... não quero os detalhes, Rob." Meus olhos permaneceram fechados, mas a dor foi ainda maior. Eu tinha um sentimento egoísta e de posse em relação à Bella. Eu queria ser o primeiro em tudo. E só de imaginar que tinha sido meu gêmeo, e que ele sempre soube era doloroso demais. Porra, era muito doentio sentir ciúmes de um passado. Isso doía como o inferno em mim. Principalmente porque ela me escondeu isso. Ela não confiou em mim.

"Não vim aqui para falar do passado, Edward... eu... quero o futuro... eu... eu quero meu irmão e o meu melhor amigo de volta..." Sua voz entrava na minha cabeça, fazendo-me tremer. Eu também queria muito meu gêmeo de volta. "Desde que a vi, eu sabia que poderia te fazer sofrer. Mas como eu disse... sou um covarde. Não sou digno de nada..." Deus... isso doía muito. Pare, Rob! Pare! Eu queria gritar, mas não conseguia. "Mas as coisas foram ficando confusas. Eu tinha consciência de que precisava te contar... mas o segredo não era só meu, Edward".

Eu comecei a chorar totalmente perdido. Nunca fui bom em ser o filho que precisa de colo, mas agora eu me sentia uma criança sozinha e sem lar. Eu queria o amor de Bella. Eu queria ter um lar, filhos e envelhecer ao lado dela. E Bella pisou no meu coração. Eu tinha um grande buraco no meu peito. Eu queria perdoar e esquecer, mas não conseguia. Tudo era forte demais e chicoteava com lembranças amargas. Parecia que nunca teria fim. Tentei me acalmar um pouco, afinal era sobre Rob e não eu. Minha dor teria quer ser cuidada outro momento. Rob estava precisando de mim agora.

"Eu nunca devia ter voltado." Sua voz me quebrou.

"Não fale isso." Minha voz saiu quase em um sussurro. Eu abri meus olhos e o fitei, com um sorriso triste. "Mamãe estava a ponto de enlouquecer sem você por aqui." Tentei fazer uma piada para melhorar nossa conversa.

"Mas destruí a sua vida... eu... não consigo fazer nada direito".

"Como pode dizer isso? Tem certeza que viu seu filho?" Minha pequena felicidade voltou com a menção de Masen. Rob jamais poderia dizer algo do tipo se tínhamos a criança perfeita que era seu filho na nossa família.

"Acho que... bom... ele é a única coisa que fiz direito." Meu gêmeo abriu um sorriso. "Ele é perfeito".

"Sim... agora entende por que eu a trouxe?" Eu tinha que ter certeza que ele entendia meu ponto agora. E que nunca imaginei estar com Kristen.

Mesmo sendo duro e sincero, percebi que a pergunta o travou. A vinda do meu sobrinho tinha como parte do pacote a mulher que destruiu a vida dele. Eu sabia do potencial de destruição em massa que isso poderia causar na vida de Rob, mas eu tinha que trazê-los e isso não era opcional. .

"Eu... entendo. E me desculpe por achar que você... bem... estava com ela, Edward".

"Você tem tendências a falar antes de pensar, Rob." Acabei chamando sua atenção, do mesmo jeito como quando éramos mais novos e isso me tranqüilizou um pouco. "Eu já estou acostumado com isso." Eu o olhei e vi toda a nossa história passar na minha frente. Essa briga idiota tinha que acabar. Eu o amava e sempre estaria em qualquer lugar por ele. Meu irmão.

"Você me perdoa? Quer dizer..." Meu gêmeo buscou em meus olhos o que já tinha acontecido no meu coração. Lógico que eu já tinha perdoado Rob. Jamais ficaria magoado com ele e muito menos deixaria qualquer coisa interferir na nossa amizade. Nem mesmo a única mulher que tocou meu coração, mas que destruiu a minha alma. Tentando quebrar o clima tenso, dei um pequeno soco no seu ombro selando nossa trégua. Deus, só eu conseguia ser tão sentimental em relação à minha família. Qualquer um poderia ter tendências a tragédias ou fazer algo estupidamente insano comigo que eu sempre perdoaria. Mas jamais admitiria isso em voz alta, principalmente para Rob. Isso poderia ser o final de uma carreira de irmão durão e justo. Sorri com os pensamentos do que poderia acontecer se minha família descobrisse meu lado quase maternal.

"E... bem... Edward?"

"Sim?"

"Eu nunca estive com a Bella..."

"Já disse que não quero saber." Acabei sendo frio e estúpido com ele, mas eu não conseguia falar mais nada. Eu tinha que desviar o assunto. "Não me importa!"

"Então, se não importa, posso contar a minha versão? Tudo o que aconteceu?"

Uma luta interna apareceu em minha mente. Meu coração saltava somente com o som do seu nome, mesmo que dito em meus sonhos. Eu nunca mais amaria outra pessoa nessa vida, mas a mágoa ainda estava forte em mim. Eu queria muito perdoá-la sim, mas meu lado traído e dolorido ainda era mais forte. Bella nunca confiou em mim o suficiente. Ela escondeu o seu passado de mim e isso era muito difícil para eu aceitar, visto todas as coisas que já tínhamos compartilhado.

"Não precisa me contar nada..."

"Eu quero... por mim..."

"Olha, Rob. Não quero saber. Na verdade, já sei que esses dias ela esteve com o pai dela, ou seja, vocês não estavam juntos... e... bem... eu acredito que vocês não tiveram nada, sem mim... ou comigo no meio..." Porra, era tão difícil falar sobre isso. "Mas... ela me escondeu isso, Rob! Eu sempre fui sincero... verdadeiro..."

"Mas, Edward..."

"Não, Rob... você não entende? Ela me fez perder a coisa mais importante em um relacionamento. Ela... Bella..." Eu não conseguia falar mais nada agora. "A confiança, Rob. Eu perdi a confiança nela..."

Minha mente me punia por todas as coisas horríveis que eu disse a Bella no momento da minha explosão. Eu estava me castigando todos os dias por tudo o que a fiz passar, mas, ao mesmo tempo, sempre ficava imaginando que descobriria algo sobre o seu passado que ela escondia. Será que não havia outras coisas que Bella não me contava? Quem era a mulher de verdade por trás da linda enfermeira que entreguei meu coração?

"E você nunca vai perdoá-la?"

Essa pergunta não tinha resposta. O que eu diria? Meu corpo jamais a condenou, pelo contrário, ansiava por Bella o tempo todo. Minha mente girava em muitas direções, odiando-a, amando-a, recriminando-a. Mas sempre era focada em Bella. Como responder a uma pergunta tão complexa quanto essa? Nem eu sabia o que fazer ainda.

"Não sei, Rob... eu... não sei o que fazer..." Eu disse quase pra mim mesmo. Esse assunto estava acabando com minha sanidade e se Rob não parasse de me falar tanto sobre Bella, eu teria uma síncope e correria direto para os braços dela sem pensar. Mesmo que isso me doesse depois.

"Desculpe... não quero me meter na sua vida..."

"Tudo bem, vamos esquecer isso por enquanto?"

"Aceito".

Eu quase não ouvi sua resposta, já que minha mente nadava em lembranças de Bella. Seu sorriso, seu olhar e seu sono falante. Tudo nela me viciava e agora eu estava... sozinho. Completamente e irremediavelmente. Nada na vida tinha sentido sem Isabella e isso era a parte mais simples. O pior era ter a certeza que jamais encontraria outra pessoa com qualquer de suas qualidades. Isso se eu procurasse. Minha batalha mental era viver cada dia como se fosse mais uma vitória. Igual ao viciado se recuperando. Era assim que eu meu sentia nesse momento.

"Você não me respondeu, cópia." Fui trazido das minhas lamentações pelo tom de voz mais leve do meu irmão. Agora eu tinha uma nova missão a realizar. Trazer Rob de volta à vida enquanto não consertava a minha.

"O que você quer, Robert?" Não resisti e o chamei pelo seu nome todo. Afinal, esse era o único tormento que eu fazia questão de infligir ao meu irmão. "Acho que mereço isso." Foi sua resposta.

"Sim... com certeza." Respondi virando meu corpo em sua direção. "O que você quer, afinal?"

"Eu quero a sua ajuda." Ele disse quase pra si mesmo. "Quero voltar... para as pesquisas..."

"O QUÊ?" Quase gritei de surpresa. "Você está falando sério?" Isso era muito melhor do que eu esperava.

"Eu acho que sim." Minha mente estava leve somente pela tentativa. Meu gêmeo finalmente estava voltando. Eu não conseguia acreditar ainda. "É por isso q-"

"Espere." Eu tinha que brincar com Rob. "Quem é você e o que fez com meu irmão?"

"Engraçadinho." Sorri de verdade depois de muito tempo para a cara irada do meu gêmeo. Isso era muito divertido... "Eu estou falando sério, porra".

"Mentira! Jesus, Rob... eu..." Eu não parava de sorrir. "Cara, essa é a melhor notícia que recebi depois de Masen!

Eu praticamente sufoquei meu irmão de tanta felicidade. Com um abraço apertado expressei tudo o que sentia com essa notícia. Renovado, levantei rapidamente querendo contar tudo para o resto da família.

"Onde estão as pessoas dessa casa?" Perguntei para Rob. Reparei que ele olhava ao redor atordoado. Sorri para o seu jeito.

"Ei, Rob? Acorda!"

"Desculpe." Ele disse voltando à realidade, o que me fez lembrar de Kristen. "Cheguei aqui e não tinha ninguém... acho que todos saíram." Agora eu precisava abordar o assunto com ele.

"Rob... eu..." Eu tive medo da sua reação. "Eu acho que você deve conversar com ela antes..."

Eu sabia que ele reagiria nervoso e que negaria esse contato, mas eu tinha que insistir.

"Eu não quero falar com ela!"

"Não estou falando sobre vocês, Rob. Não é isso. Mas é sobre Masen. Sabe que terá que conversar com ela, acertar as coisas." Suspirei com suas palavras. "Pense nisso, se você quer resgatar tudo, o melhor é começar por ela, não é? Está na hora de você enfrentar o seu passado".

"Não sei... eu não posso..."

"Pode sim!" Segurei em seu ombro. "Meu irmão não é um covarde!" Eu queria tanto que ele tirasse esse peso do coração. "Porra, você teve coragem até de pular da merda do penhasco... cara... só você mesmo." Sorri, vendo que ele lutava com minhas palavras, buscando forças. "Acho que ela está na casa do pai dela, Rob".

"Eu não quero ir até lá!"

"O pai dela deve estar lá. Vocês precisam conversar, Rob. Não quero perder meu sobrinho de vista. Ficamos muito tempo privados dele." Ele continuou a negar, mas eu tinha certeza que já era uma batalha perdida. Eu sabia que Rob iria.

"Robert! Você disse que não queria ser covarde! Vá lá e enfrente essa porra!"

Essas palavras me trouxeram de volta ao presente. Eu tinha encorajado meu irmão a enfrentar seus fantasmas, lutando para que ele voltasse a viver e apagasse suas marcas do passado, mas eu mesmo não tive a mesma coragem. Depois dessa conversa com meu gêmeo eu estava bem mais leve e até mesmo acreditando em finais felizes, mesmo que não fosse o meu. Eu queria ter certeza que tudo daria certo no final. Mesmo que esse fim não fosse com a minha felicidade. E foi assim que pensei, até o momento que Bella entrou no meu consultório e se insinuou para mim hoje de manhã. Ela acabava com todas as minhas resistências.

Olhei ao redor do quarto e percebi que passei a noite em claro, revivendo minha conversa com Rob. Meu corpo estava cansado, mas eu não conseguia dormir. Na verdade, eu tinha medo até mesmo dos meus sonhos, pois sabia que sem a barreira da minha mente, com certeza sonharia com Bella.

Uma batida fraca na porta do quarto me retirou das minhas memórias. Suspirei pesadamente e limpei as lágrimas ressecadas do meu rosto. Eu não queria que ninguém da minha família visse o meu sofrimento, ou meus pesadelos.

"Entre".

Minha mãe apareceu com um olhar maternal e preocupado. Eu não precisava de mais pessoas com pena de mim. Levantei num átimo e sentei na cama, tentando esconder minha dor.

"Filho, como você está?"

"Estou bem".

"Não é o que parece. Seu pai me contou..."

Lógico que Carlisle contaria o que houve no hospital. Isso seria assunto na família por muito tempo, ainda mais se tratando de mim, o filho forte e decidido. Suspirei e fechei os olhos, com medo de novas lágrimas inundarem meu rosto.

"Eu não quero falar sobre isso mãe".

"Eu sei que você está sofrendo por ela, filho. Converse comigo, por favor. Sua dor está me matando".

Abri os olhos e vi minha mãe com os olhos rasos d'água e se abraçando. Eu não queria que ninguém sofresse comigo, mas isso era praticamente impossível em se tratando da família Cullen. Cocei os olhos com uma mão e fui à sua direção abraçando seu pequeno corpo.

"Mamãe, não fique assim. Por favor".

"Ah, Edward. Eu sei." Minha mãe soluçou no meu ombro enquanto me apertava. "Eu sei que é por causa da Bella. Mas... ele não fez nada, filho. Rob me prometeu".

"Do que está falando, mãe?"

"Eu conversei com ele, filho, e perguntei o motivo dele estar acampado na casa da Bella. Eu tive medo de que isso acabasse com essa relação linda de vocês... ou, pior ainda, que afetasse o sentimento que une você e seu irmão. Ele me disse, Edward. Ele tinha medo da Kristen. Mas Rob me garantiu que não tinha nada... ela nem estava aí..."

Dei um pequeno sorriso triste em direção à minha mãe. Então ela percebeu o problema, mesmo que ela não tenha chegado nem perto da verdade. Segurei o queixo dela e dei um beijo na ponta do seu nariz.

"Não precisa se preocupar, dona Esme. Eu e Rob já estamos bem. Ontem mesmo conversamos e já voltamos às boas".

"Mas, e Bella? Sei pai me disse..."

"Mãe!" Eu não queria falar sobre isso. Não agora com toda a dor no meu peito. "Por favor!"

"Filho, preste atenção." Minha mãe segurou nos meus ombros, tentando focar minha atenção em suas palavras. "Eu nunca o vi mais feliz em todos esses anos como quando depois que conheceu Bella. Você parecia completo e totalmente feliz. E sei que algo aconteceu porque não vejo mais o brilho dos seus olhos. Parece que está vazio por dentro. Eu não quero ver meu menino assim".

"Mãe... eu..."

"Deixa eu terminar, por favor. Sei que tem uma festa na casa da Ângela hoje..."

"Eu não vou, mãe!"

"Você vai sim! Vai descansar um pouco e vai enfrentar isso. Ou melhor, se você tem certeza que consegue viver na mesma rua e mesmo ambiente de trabalho que ela, terá que aprender a conviver com isso em outros lugares. Meus filhos não são covardes!"

"Eu não consigo, mãe".

"Consegue sim. Se o que você quer é um fim disso, vai lá e mostra pra si mesmo o quanto é forte. Ou, quem sabe, você pode encontrar uma linda moça..." Cruzei os braços para a linha dos seus pensamentos. "Está tudo bem, então... retiro o que disse, mas você não pode fugir a vida toda, Edward. E quem sabe, talvez Bella nem vá e você precisa se distrair..."

Minha mãe tinha razão. Não adiantava ficar trancado no quarto alimentando minha dor se o culpado era eu. Tudo o que estava acontecendo comigo agora era totalmente minha responsabilidade. E meus amigos e minha família não precisavam conviver com um eremita.

"Você tem razão, mãe. Eu vou, mas tenho que descansar um pouco... eu, bem, não dormi direito".

Um novo olhar preocupado varreu o semblante da minha mãe. Sua mãozinha alisou meu rosto, tentando tirar a dor que estava aparecendo para ela.

"Filho, você sempre foi o mais forte e o mais determinado. Sempre me preocupei com o fato de que ficasse sozinho, ou que nenhuma mulher fosse boa o suficiente pra você. Mas depois de toda a dor que estou vendo no seu rosto, sei que tudo o que você está enfrentando é também parte da sua personalidade. Você sempre foi difícil e convicto nas suas verdades. Não deixe que sua vida perca sentido e que você feche seu coração para o amor somente porque as coisas não são do jeito que planejou".

Minha mãe me conhecia tão bem. Eu mesmo tinha consciência que toda a dor era minha culpa. Meu coração clamava por Bella, meu corpo doía por ela, mas o fato dela não confiar em mim é o que rasgava meu peito. Esse era o principal motivo de tanta angústia. Eu precisava superar essa necessidade de entender.

"Obrigado, mãe. Eu juro que vou melhorar".

"E vai à festa também?"

"Sim." Sorri e a abracei. "Você me convenceu, mas vou dormir um pouco".

Um forte abraço da minha mãe e um beijo estalado na minha bochecha foram o suficiente para me fazer sorrir novamente. O amor da minha família era a coisa mais importante na minha vida agora. Assim que ela saiu do quarto, olhei ao redor novamente. Eu precisava dormir um pouco. Mesmo contrariado, procurei um remédio que me fizesse apagar de verdade. Eu não queria sonhar com ela.

Assim que tomei um dos medicamentos que dava para os pacientes com longas noites de insônia, fui tomar um banho e lembranças do jogo de sedução de Bella invadiram minha mente. Ela nunca esteve mais sexy e totalmente perfeita. Eu era uma massinha de modelar em suas mãos, desde o momento que ela entrou no consultório. Sabia que estava perdido somente pelo cheiro que ela exalava ao me entregar a maleta.

Coloquei o chuveiro na água quente para afastar esses pensamentos, mas foi impossível. Minha ereção dava sinal de vida somente pela lembrança. Assim como fiquei duro somente quando ela entrou hoje de manhã. Mas a minha sanidade foi embora no momento que ela jogou sua armadilha. Lógico que eu queria terminar o que comecei no estacionamento.

"NÃO! Eu não quero pensar nisso!"

Fechei os olhos e soquei a parede para todas as sensações que atravessaram meu corpo. Eu não precisava de mais motivos para sentir dor, pois eu estava parecendo um viciado em tratamento quando se tratava de Bella. Ela era como meu ar para respirar, mas o que eu tinha feito com ela, saindo depois do nosso orgasmo, tinha sido cruel e isso me matava. Eu não queria reviver esse sentimento.

O banho me relaxou um pouco e vi que o remédio estava começando a fazer efeito. O melhor era descansar e tentar esquecer tudo o que estava vivendo agora. Fui em direção ao quarto e a sonolência me dominou. Quem sabe algumas boas horas de sono me fariam ter respostas para tantos sentimentos conflitantes.

Acordei lentamente, sentindo meu corpo dormente. Eu sabia que tinha dormido por horas, mas não fazia idéia se era tarde ou noite. O quarto de Rob não tinha parede de vidro e as cortinas que cobriam as janelas eram pesadas e escuras. Levantei lentamente, sentindo o corpo pesado. O remédio tinha me deixado um pouco grogue, mas nada que me fizesse tão lerdo. O mínimo esforço para pensar estava acabando comigo.

Cheguei à janela e vi que estava quase escurecendo. Eu não queria ir até a casa de Ângela, pois estava com medo de encontrá-la. Eu não estava preparado para um novo confronto. Meu coração estava tão quebrado pelo que fiz e, ao mesmo tempo, estava magoado pelo que ela fez. Era uma confusão do caralho.

Meu estômago roncou, me recordando que não comia nada a algum tempo. Fui em direção ao banheiro e tomei uma ducha rápida para acordar novamente. Assim que desci as escadas dei de cara com meu gêmeo, que tinha um olhar... ansioso?

"Rob? O que houve?"

"Ei, Edward. Tudo bem, cópia?"

"Bom, comigo tudo, e você?" Eu disse cruzando os braços e levantando uma sobrancelha para ele. "E aí, como foi com ela, Rob? Não te vejo desde ontem a tardinha. E onde estão todos?"

"Eu estava me perguntando isso agora mesmo, mas acho que papai e mamãe saíram com Masen." Ele não respondeu sobre o encontro com Kristen. Quase sorri para ele. "Bom, cópia, tenho que sair. Depois nos falamos." Rob saiu quase correndo em direção à porta.

"Ei... Robert!"

Ele nem virou, lançando um dedo médio em minha direção ao fechar a porta. O que esse cretino estava aprontando? Sorri e sacudi a cabeça. Algo me dizia que a conversa com a mãe do meu sobrinho tinha sido bem interessante. Rob não podia fugir de mim por muito tempo.

Suspirei e comi alguma coisa, já que meu estômago reclamava de fome. Mesmo que fosse a uma festa, eu precisava me alimentar. Depois de alguns minutos, fui em direção ao quarto me arrumar, mesmo lutando com o medo de ver meu fantasma pessoal. Em pouco tempo, me vi em direção à casa da minha amiga Ângela. Eu mesmo não acreditava que tinha aceitado o convite, lutando com a vontade de ver Bella novamente. Será que ela viria, afinal? Assim que cheguei, percebi que a festinha que ela tinha dito parecia um baile que tinha toda a população de Forks. A cidade toda estava em volta da casa dela. Eu me assustei com o tamanho da festa. Tinha pessoas que jamais havia visto na vida.

Fui entrando, procurando por alguém conhecido. Tudo era muito barulhento e incômodo. Minha cabeça começou a doer um pouco devido as batidas das músicas altas. Eu precisava me distrair. Um garçom passou por mim com algumas bebidas, reconheci o uísque que ele levava. Que mal faria em beber um pouco?

Algumas mulheres atiradas e vazias vinham conversar comigo. Nenhuma delas me interessava. Em alguns momentos as palavras da minha mãe ecoavam na minha mente, que eu deveria encontrar uma mulher, mas no final eu sempre fazia comparações delas com Bella. Cabelos semelhantes, olhos românticos, lábios sedutores. Mas, no fim, percebia que nenhuma se comparava a ela. Eu não sabia quanto tempo tinha se passado, mas meu temor em encontrá-la já tinha me deixado. Bella não viria para a festa. Mas, para a minha completa insanidade, eu me enganei ao buscar meu quarto copo de uísque. Lá estava ela, afinal.

Bella estava linda. Não que ela já não fosse. Mas o lindo vestido azul turquesa contrastava com sua pele alva e seus cabelos castanhos. Estes estavam completamente lisos, o que deu um ar ainda mais sexy. Porra, comecei a ficar duro só de olhá-la. Varri seu corpo, gravando cada pedacinho que consegui, mesmo com a pouca luz e a grande quantidade de pessoas. Ela estava com um sapato de salto fino, o que era um pouco perigoso para seu senso de equilíbrio, mas que combinou com o jeito sedutor dela. Jamais resistiria assim, principalmente para o sorriso que ela deu, deslumbrante para... um cara?

Eu comecei a ver vermelho. Literalmente. Quem era o idiota que conversava com a minha Bella? Por mais que o sorriso cativante dela aparecia sempre, eu conseguia perceber o quanto o futuro defunto devorava Bella com os olhos. Todas as vezes que ela varria o olhar pela festa, como se procurasse algo, ele descia o olhar e via com cobiça o corpo que me pertencia.

Não estava raciocinando direito, afinal, ela não estava comigo. Ou não? Por mais que não estivéssemos bem, meu lado possessivo gritava no meu peito. Aquele imbecil não tinha o direito de desejar algo que era meu. Eu tinha certeza que Bella ainda me queria, ou isso era efeito do álcool no meu sistema. Comecei a respirar profundamente, completamente nervoso. Mas que porra! Eu tinha que tirá-la dali.

Uma música suave começou a tocar, o que fez meus nervos tencionarem ainda mais, pois o ser ignóbil estava puxando Bella para uma dança. Isso eu não permitiria, jamais. Dava para ver que ela não queria. Certo? Ela nunca gostou de dançar!

Ao visualizar os braços dele ao redor da cintura de Bella, reagi irracionalmente. Bebi o restante da dose de uísque de uma única vez, queimando minha garganta e pirando meu cérebro. Não conseguia pensar, de tanto ódio do carinha abusado. Minha. Bella era minha.

Com poucos passos e completamente louco, cheguei aos dois. Ele me olhou de cima abaixo, já que Bella estava de costas pra mim, tentando me assustar com uma cara de cachorro acuado que mostra os dentes. Eu quase sorri da sua ignorância. Puxei o braço de Bella para mostrar quem mandava no pedaço.

"Ei... quem est-".

"Solte-a, idiota!" O ser insignificante falava comigo? Isso não ficaria assim.

"Edward! O que você tem? Você bebeu?"

Quando vi, eu estava quase partindo a cara dele, enquanto Bella entrava na minha frente e pousava uma mãozinha no meu peito. Seus olhos ardiam de raiva, mas também de... luxúria? Ela estava me provocando dançando com ele desse jeito.

"Quero falar com você agora, Bella!"

"Eu não quero conversar aqui com você".

"Então caia fora, idiota!"

"Você não conhece outras palavras não, imbecil?"

"Parem os dois agora. Seth, pode deixar que me entendo com ele!" Antes que eu esboçasse qualquer reação, senti meu corpo sendo arrastado por uma Bella com muita força. E estranhamente isso me deu ainda mais tesão. "Já são íntimos assim?" Rocei minha boca próxima do seu ouvido enquanto Bella me levava para longe do tumulto. O corpo dela se arrepiou com minha proximidade. "Aposto que ele não faz isso com você." Eu disse quase sorrindo.

"Você enlouqueceu, Edward? Aquele era o irmão da Ângela!" Bella me disse, jogando-me perto de uma parede com uma porta. Meu corpo pulsava por ela. Eu estava enlouquecido de ciúmes.

"É mesmo? E o que isso tem a ver? Ele estava quase te devorando com os olhos!"

"E?" Sua sobrancelha se ergueu em desafio. "O que isso é importante para você?"

"Você quer me provocar, caralho?".

"Eu? Você está louco ou bêbado." Minhas mãos voaram para os meus cabelos, já que eu tentava não agarrar Bella. "Ele é só um menino, Edward. Jamais ficaria com uma criança".

"Mas não pareceu isso enquanto estavam se agarrando!"

"Eu só estava dançando com ele!"

"Desse jeito? Com essa roupa sexy e sapatos eróticos? Você está seduzindo todo mundo assim!"

"É assim que você me vê, Edward? Eu seduzi você?" Seu olhar varreu meu corpo, me fazendo gemer. Eu a queria tanto.

"Oh Deus, Bella. Eu te quero tanto..." Minhas mãos agarraram os braços dela, no mesmo instante que nossos lábios se chocavam. O seu gosto estava ainda mais inebriante. Suas mãos puxavam o meu cabelo e meus olhos praticamente rolaram para trás com a sensação do seu toque. Eu estava louco de saudades dela.

"Edward... oh..."

Passeei meus dedos por sua coluna, mas sabia que não conseguiria ser suave. Eu estava pulsando por ela. Com um movimento forte, desci minhas mãos por suas nádegas enquanto dobrava o joelho, esfregando minha ereção na sua virilha. Nós dois gememos com o atrito. Bella queria isso tanto quanto eu. Sua perna direita começou a levantar, roçando pela minha coxa, encaixando ainda mais no meu pau. Quase urrei de prazer somente com os movimentos. Eu não resistiria muito tempo. Nossas línguas quase brigavam, buscando uma a outra, desesperadas. Em pouco tempo, ambos estávamos em busca de ar.

"Bella... Deus... o que você faz comigo? Eu..."

"Cala a boca e me beija".

Como negar? Eu estava completamente rendido. Por mais que minha mente tentasse me alertar para a dor no futuro, meu corpo era um viciado. Eu precisava dela. Bella era minha droga pessoal, feita somente para mim. Ela começou a rebolar na minha ereção, me enlouquecendo. Eu grunhia desesperado, buscando alívio. "Eu quero você, Bella. Por favor..."

"Aqui? Estamos na casa da Ângela, no meio de uma festa, Edward!"

"Deixa eu te sentir, então?" Não esperei pela resposta e dois de meus dedos já buscavam suas coxas. Em pouco tempo eu já tinha encontrado a boceta encharcada de Bella e, puta que pariu, ela estava completamente depilada. "Mas que caralho, Bella! Cristo!" Gemi nos seus cabelos enquanto tentava encaixar meus dedos dentro dela. Como ela estava ensopada, seus lábios internos escorregavam os meus dedos. "Deus... tão molhada..." E enfiei duramente dois dedos. Bella se contorceu em meus braços. Eu estava no céu agora.

"Ed... oh..."

"Fala, Bella. Você gosta de me lambuzar com sua excitação, não é? E você, sua provocadora, tinha que tirar tudo, não é? Porra, eu queria cair de boca aqui agora!"

"Não faça isso!" Ela tentou brigar comigo, mas suas palavras saíram quase como um lamento. Eu estava enlouquecido, mas não conseguia parar. Bella precisava gozar pra mim. Meus dedos entravam e saíam, a princípio lentamente, mas em pouco tempo eu já estava frenético, estimulado pelos gemidos dela. Nossos lábios só se roçavam agora, já que não queria me distrair. Eu precisava ver o rosto alucinado dela. Bella era meu vício. Os seus gemidos começaram a intensificar, quase virando gritos. Eu estava incoerente e não consegui contê-la. Suas paredes tremeram quando rodeei o polegar por seu clitóris. Bella ia gozar pra mim.

"Sim... Deus... goza pra mim, Bella".

Sua boca abriu ainda mais enquanto seus olhos perdiam o foco, como se ela estivesse em transe. Bella era tão linda. À medida que percebia que ela voltava do seu intenso clímax, eu diminuía o ritmo das estocadas, principalmente porque minha mão já estava lambuzada do seu líquido. Porra, ela era perfeita.

Seu corpo tombou em minha direção, no mesmo instante que eu retirava minha mão do meio das suas pernas. Levei diretamente ao meu nariz, para apreciar o cheiro maravilhoso, mas eu queria sentir o gosto. Irresistível. Lambi todos os meus dedos, já que minha mão estava completamente molhada.

Meu pau ainda pulsava, mas antes que minha consciência se abatesse, senti sua mão delicada alisando, mesmo por cima do tecido. Gemi de satisfação, mesmo sabendo que isso não era certo. Eu estava fora da minha razão, completamente enlouquecido de ciúmes e cheio de álcool na mente. Ou o último argumento era somente uma desculpa para a minha fraqueza?

Quando menos esperei, Bella já retirava minha evidente ereção de dentro da minha calça. Deus do céu, eu morreria desse jeito. Eu queria mais dela, mas desse jeito, no meio de uma festa, não era o lugar. Não era assim que eu queria porque da última vez eu tinha sido um canalha com ela. E eu precisava pensar. Mas meu pau latejava tanto...

Antes que chegasse a uma conclusão ao meu dilema, um pequeno tumulto se formou próximo a nós, deixando Bella tensa. Mesmo dolorido, eu tive que me recompor. Para o meu intenso desespero, Ângela apareceu tensa, puxando Bella para longe de mim.

"Bella, me ajude aqui. Preciso de alguém que faça a divisão da comida".

"Mas Ang, eu..."

"Por favor, eu não tenho mais..." As duas saíram rapidamente do meu campo de visão, com a conversa interrompida já que Ângela praticamente arrastava Bella para longe de mim. Eu fiquei completamente sem reação, já que seu corpo abandonou o meu tão repentinamente. Sem contar que eu estava dolorido de tão duro. Tentei ajeitar meu pau ansioso, mas foi meio difícil. Isso era ótimo, alem de tudo eu tinha acabado de ganhar um par de bolas azuis como castigo.

Cocei meus olhos com ambas as mãos e tentei ajeitar meus cabelos também no processo para me distrair. O que eu tinha feito agora? Bella deveria estar me odiando. Nós não tínhamos conversado, eu não tinha exposto meus medos, mas a parte física gritava nos nossos encontros. Eu quase sorri com esse pensamento. Pra quem eu queira mentir, afinal? Não existiria ninguém igual à Bella pra mim.

Suspirei derrotado. O melhor a fazer agora era ir embora daqui. Eu não estava coerente e meu pau dolorido também não me ajudava. Decidi ir para casa e buscar, pelo menos, alívio solitário e pensar na minha vida, já que não conseguiria dormir desse jeito mesmo. Eu não me preocupei em procurar por Ângela, ou mesmo Bella. Eu estava fodido.

Minha casa apareceu rapidamente e quando percebi, estava debaixo de uma ducha gelada para me acalmar. O álcool em meu sistema já tinha diminuído bastante, mas isso não aumentou minha culpa, o que me preocupava. Eu custava a admitir, mas no fundo, desejava Bella de volta. Mas como voltar a confiar nela novamente? Essa sombra de desconfiança sempre estaria rodeando minha mente?

Depois de uma punheta libertadora, saí do chuveiro renovado. Eu estava convicto que precisaria conversar com ela, mas como seria? O que eu falaria para Bella depois de tudo o que vivemos. 'Eu desejo seu corpo e amo você, mas não confio em nada do que me disser?'. Definitivamente eu estava fodido.

Assim que entrei no meu quarto dei de cara com meu gêmeo, que estava deitado com metade do corpo sobre a cama, e com as pernas dobradas para fora. Ele era a própria confusão em pessoa.

"Olá, cópia. Podemos conversar?" Rob nem olhou diretamente e isso me intrigou. "E agora juro que não é para pedir... só quero jogar conversa fora".

"O que houve com você, Rob? Você parece... perdido".

"É assim que pareço? Porra, Ed, você não faz idéia. Mas... ei, você ia sair? Acabou de tomar banho." Rob sentou e ficou me avaliando. "Hum... acho que não sou eu que estou uma confusão do caralho, maninho. O que me diz de sair e tomar um drink, afinal, não é nem nove da noite ainda".

"Acho que preciso mesmo me distrair. Mas sem mulheres, por favor".

"Pra quê? Elas só causam dores de cabeça." Franzi meu cenho para o comentário do meu gêmeo. O que tinha acontecido com ele, afinal?

"Você quer falar sobre isso, Rob?" Cruzei meus braços esperando sua nova trapalhada agora. Era claro que tinha a ver com ele e Kristen porque esse tipo de comentário só poderia ser algo que eles tinham aprontado.

"Pode parar irmão super protetor e que soluciona todos os problemas alheios, menos os seus." Ele disse piscando. "Hoje é sobre você. Vamos logo e ponha uma roupa decente que vamos sair".

Rendido, assenti e me arrumei rapidamente. O que mais poderia fazer agora se não tinha mais Bella para me ajudar? Ou para me fazer pirar ainda mais? Definitivamente eu estava uma confusão do caralho mesmo.

Rob praticamente me jogou dentro do seu carro e quando menos esperava, paramos em um bar próximo a saída da cidade. Parecia um ambiente legal, mas estava praticamente vazio. O melhor, pelo menos por hoje, era que todas as pessoas que trabalhavam eram homens. Eu já passei pela minha cota de cantadas baratas e vazias.

"Essa porra de cidade está tão vazia. Sabe o que houve?"

"Sim. Hoje foi aniversário de uma enfermeira muito querida no hospital. Acho que toda a cidade foi pra casa dela. Eu te garanto, estava bem cheia".

"Você foi à festa? Mas o que estava fazendo em casa, então? O que você aprontou, Edward?"

Eram muitas perguntas com a mesma resposta. Era lógico que eu tinha ido à festa, afinal, eu trabalhava no hospital. Mas todas as coisas na vida atualmente se resumiam a ela. Isabella. Suspirei em direção a Rob. Eu não estava preparado para falar dela com ele ainda. Um garçom nos perguntou sobre o pedido, adiando as respostas. Voltei a pedir uísque enquanto Rob pedia cerveja.

"É sobre Bella, né? Ela está na festa?"

"Eu fui à festa, Rob, mas voltei cedo... por isso que você me pegou em casa, na verdade. Eu tinha acabado de tomar um banho depois de chegar de lá..."

"Hum... acho que é aí que tem uma história interessante... você quer me contar?"

Fechei os olhos enquanto dava um longo gole na minha bebida. Eu queria contar, já que toda a minha história com Bella estava me sufocando, mas também estava com vergonha do meu comportamento.

"Eu sou um monstro, Rob..." Enfiei minhas duas mãos nos meus cabelos, para me estabilizar. "Eu ainda a amo, tenho certeza, mas não consigo esquecer..." Não olhei diretamente para meu gêmeo, pois estava com medo do que ele me diria.

"O que você fez, Edward? Vejo que você a machucou, ou pelo menos acha isso... Bella te ama, cara. Eu já te disse. Tenho certeza que ela vai te perdoar, sempre".

Suspirei e dei outro longo gole no uísque, como se pedisse coragem à bebida para admitir minha derrota. Nunca fui o cara que admitia fracassos, principalmente porque era muito difícil eu errar, ou admitir minhas fragilidades. Mas agora...

Olhei em direção ao meu gêmeo e seu rosto me surpreendeu. Rob estava ali para me ajudar e ele claramente fazia isso por mim. Eu sabia que ele estava bem mais leve agora e estava louco para saber o que ele tinha feito e conversado com Kristen, mas eu estava tão confuso. Depois de tantos anos, agora era a minha vez de pedir ajuda.

"Eu a amo, Rob. Muito. E isso fica cada vez mais certo na minha mente todas as vezes que me aproximo dela. Meu corpo reage em função dela, sempre. Mas as coisas que eu fiz... não sei se ela vai me perdoar. Sem contar que eu mesmo não consigo esquecer o que me atormenta..."

"Desabafa, irmão. Eu sempre tive você pra me ouvir e me ajudar. Eu quero estar aqui por você também".

Isso pra mim foi meu estopim. Eu comecei a contar todas as coisas que aconteceram entre eu e Bella desde que voltei de Seattle. Todo o sentimento e confusão que senti tendo ela em meus braços e meu comportamento horroroso depois de deixá-la, no hospital. Mesmo tentando me conter, lágrimas desciam vertiginosamente por meus olhos. Eu não sabia o que fazer.

Depois do que pareceram horas, contei tudo o que pesava na minha mente. Rob não me interrompeu, o que foi bom, pois era muito difícil admitir tudo. Eu não acreditava no que estava acontecendo na minha vida também.

"Eu não sei o que fazer, irmão. Bella é minha vida. Tudo o que sempre desejei em encontrar para amar uma mulher. Ela é minha alma gêmea. Mas não consigo deixar de pensar que ela não confiou em mim, depois de tanta coisa que vivemos e é isso que está me matando por dentro. Não acho que um relacionamento deve ter esse sentimento de desconfiança no meio".

"E agora? Você está me dizendo que está desistindo de tudo, Edward?"

Olhei em sua direção, sem saber o que responder. "Eu não sei o que fazer, Rob. Juro que não sei".

"Bom... eu sei. Você vai lá agora e falar pra ela todas essas coisas. Vai admitir que a ama e que não vive sem ela..."

"Não, Rob. Eu não posso..."

"E por que?"

"Vou dizer a ela o que? Eu te amo e não confio em você? Quero dormir ao seu lado, fazer amor todos os dias, mas jamais acreditarei no que me diz? Isso não está certo!"

"Você, por acaso, já conversou de verdade com ela? Nem responde porque eu sei que não. Todo o seu comportamento, desde que você descobriu tudo, é baseado no que você acredita. Você não deu a ela a oportunidade de conversar, Edward. Pelo que percebi, tudo o que está passando é baseado somente no seu sofrimento, sem saber o que ela sente. Por que você não desabafa com ela? Hoje".

Pedi outra dose de uísque antes de responder. Eu não queria admitir a princípio, mas Rob estava certo. Por quanto tempo eu adiaria esse confronto, já que era cada vez mais difícil ficar longe dela? Bella era como o ar que eu respirava. A bebida chegou e dei outro grande gole, fazendo o líquido queimar enquanto eu pensava sobre isso. Antes que eu dissesse qualquer coisa, percebi que Rob ia falar comigo novamente.

"Sei muito bem, irmão, o que é ficar muito tempo com as coisas presas no peito. Eu, Edward, melhor do que ninguém sei a devastação que é não dividir minha dor. Precisei de quatro anos para resolver a confusão que era minha vida. É isso que você também quer pra você?"

Novas lágrimas. Eu estava me tornando um fracasso. Todas as vezes que pensava em Bella era assim que me sentia. Era tudo minha culpa. Apoiei os cotovelos na mesa e tapei os olhos, tentando conter meu choro.

"É tudo minha culpa, Rob. Eu falhei..."

"Você não falhou, irmão... você é um cara maravilhoso. Eu sempre quis ser como você. Confiante, decidido e determinado. Em tudo. Agora continue sendo meu exemplo e resolve essa porra de uma vez. Meu irmão não é covarde!"

Senti um tapinha nas minhas costas. Era Rob me incentivando novamente. Ele estava certo. Dei um longo suspiro e terminei de beber meu uísque para criar coragem. Olhei para seu semblante decidido.

"Você pode me levar lá, Rob?"

"Lógico, vamos então".

Saímos do bar e fomos direto para a casa de Ângela. Eu evitava conversar com meu gêmeo, pois minha cabeça dava voltas com o que deveria falar com Bella. Não sabia o que fazer, nem como me comportar diante dela. Eu ainda tinha vívido na minha memória seu gosto e seus gemidos. E era por isso que eu estava determinado a resolver minha vida.

Do lado de fora, vi que Ângela estava conversando com seu irmão, o ser repugnante que eu tinha quase batido mais cedo. Meu corpo se retesou no mesmo instante. Isso era algo que eu não precisava enfrentar agora. Olhei para Rob, que percebeu meu mau humor.

"O que houve, Edward?"

"Pare ao lado daquela morena ali".

Rob me olhou, mas não disse nada. Assim que o carro encostou, abaixei o vidro, dirigindo o olhar para Ângela e evitando olhar para o imbecil que estava com ela.

"Oi Ângela. Bella está aí?"

"Edward? Nossa, me perdoe, nem te reconheci dentro desse carro. Você quer saber de Bella?"

"Sim... por favor".

"Ela foi embora há algum tempo. Deve estar em casa agora".

"Obrigado".

Olhei em direção a Rob, que entendeu para onde eu queria ir. Um silêncio sepulcral apareceu, mas eu ainda estava tentando controlar meu humor. Eu não conseguia imaginar o que faria com o irmão de Ângela se minha Bella não tivesse me segurando. Minha Bella. Quase sorri com esse pensamento.

"Eu quero saber o que foi aquilo?"

"Não, Rob. Deixa pra lá".

"Mas você não está bem. Tem certeza?"

"Tenho. Na verdade, aquele ser insignificante era o cara que estava dando em cima de Bella mais cedo, como te falei. Acho que vi vermelho de novo. Mas estou melhor, acredite".

Rob sorriu. "Você também não está bêbado, né?"

Sorri em vez de responder. Lógico que o álcool estava me dando mais coragem, afinal eu tinha bebido mais uísque nas últimas horas do que todas as doses dos últimos meses. Algumas das minhas reações também eram um pouco mais exageradas devido ao teor alcoólico presente no meu corpo. Mas não. Eu estava consciente de tudo o que eu fazia e pensava.

"Eu estou bem".

Entretanto, toda a minha coragem sumiu no momento que entramos na rua da nossa casa. A caminhonete de Bella estava parada do lado de fora, fazendo meu coração bater descompassado. Apesar de toda a conversa com meu gêmeo, senti medo. Eu ainda não estava pronto.

"Eu acho melhor não, Rob... eu...".

"Pode parar a palhaçada agora mesmo. Você vai conversar com ela agora sim".

Rob parou na porta dela e abriu seu carro. Seu olhar em minha direção me dizia que eu não tinha escolha. Dei uma longa respirada antes de falar com ele.

"Eu não tenho escolha, né?"

"Não. E tira logo essa bunda branca do meu carro antes que eu te jogue pra fora".

Saí cambaleante do carro e sem olhar para trás entrei na pequena varanda. Eu estava com medo. Será que ela queria mesmo me ouvir? Dei uma batida na porta enquanto ouvia Rob sair com seu carro. Minha respiração estava pesada e meu coração parecia que sairia pela boca. Nova batida. Bella poderia estar dormindo. Era melhor vir outra hora.

Antes mesmo que eu virasse meu corpo desistindo, vi a porta abrir. E a visão era de perder o fôlego. Bella estava com os cabelos lisos ainda, trajando uma camisola branca transparente, coberta por um robe que também pouco escondia. Minha reação foi instantânea. Fiquei duro só de vê-la.

"Você está bem?"

Sua voz preocupada aumentou ainda mais meus batimentos cardíacos. Eu amava insanamente essa mulher. Dei um passo me aproximando dela, mas minha garganta estava travada. Nada saía da minha boca.

"Edward... estou ficando preocupada".

Sorri e corri minhas mãos pela milionésima vez hoje nos meus cabelos. Eu precisava conversar com ela.

"Bella... eu... vim pra conversar com você." Coloquei as mãos nos bolsos, com medo de agarrá-la a qualquer momento. "Tudo bem pra você? A hora é... ruim?"

Ela arfou um pouco e puxou o robe para se cobrir. Nesse momento desci os olhos para seus seios e vi que os bicos estavam totalmente duros. Sua pele estava arrepiada e sua respiração estava totalmente descontrolada. Quase gemi antes de falar novamente.

"Você está bem?"

"Eu?"

"Sim. Você está arrepiada e seus mamilos..." Minha voz saiu rouca, mas não consegui completar a frase, com medo da sua reação. Mas o pior foi ela. Bella gemeu totalmente rendida. Meu pau praticamente rasgou minha calça, principalmente por perceber que ela olhava em direção à minha virilha, mordendo os lábios para controlar seus sons que eu conhecia como ninguém. Eu não ia me controlar. O álcool que tinha me dado coragem para falar também tinha tirado minha vergonha. Eu estava quase babando em cima dela.

"Bella? Eu... Deus, isso é insano demais".

"Sim. Eu concordo".

"Eu vim aqui pra conversar com você, mas vê-la assim... não consigo me controlar." Mesmo com medo, minha mão foi em direção ao bico arrepiado do seu seio. Ela estava tão vulnerável quanto eu. Ao deslizar a ponta do meu dedo, senti um choque elétrico que fez meu corpo se arrepiar. Bella gemeu novamente, pendendo o corpo em minha direção. Ambos estávamos presos à nossa própria excitação.

"Bella... eu posso?"

Seu olhar destruiu qualquer barreira que eu tivesse. Ela estava tão desesperada quanto eu. Minhas mãos passearam por seu corpo, ainda a distância. Eu queria fazer isso lento. Eu precisava amá-la. Aproximei meu corpo e sem muita resistência, totalmente desesperado, resolvi pedir. Ela tinha que me autorizar a tocá-la.

"Por favor... faz amor comigo, Bella?"

Seus olhos piscaram algumas vezes até o sorriso mais perfeito aparecer em seu rosto. Eu sabia que era errado, que tínhamos que conversar, mas meu lado egoísta e viciado foi mais forte. Enfrentaríamos as conseqüências depois. Em um só movimento, peguei Bella no colo e com um pé fechei a porta. Meus olhos ficaram presos nos seus enquanto me dirigia para o quarto dela. Nosso quarto, na verdade. Sempre me senti em casa aqui. Suas mãos macias rodearam meu pescoço enquanto seus lábios beijavam minha mandíbula e minha orelha. Bella sugou levemente o lóbulo, me fazendo gemer.

"Edward... eu preciso de você".

"Sim... eu também".

Depois não houve mais necessidade de conversas. Depositei o corpo dela sobre a cama e mesmo que minha necessidade fosse intensa, eu queria devagar. Era a minha redenção agora. Eu já tinha conseguido muito, como o perdão inicial das minhas burradas. Agora seria sobre ela.

Minhas mãos passearam por seus seios e abdômen. Bella gemia e já começava a friccionar as pernas buscando alívio. Se eu não tesivesse tão ansioso quanto ela, teria sorrido. Desamarrei o robe e o abri. Sua respiração era tão profunda que seu peito subia junto. Fui puxando lentamente sua mini camisola, sem perder a oportunidade de alisar sua pele. Eu estava adorando a sensação de venerá-la.

"Por favor... mais rápido".

Sua impaciência agora me fez sorrir. Busquei seu rosto, já que estava concentrado em gravar cada pedacinho de pele que aparecia, assim como todos os pelinhos que arrepiavam. Seu olhar de luxúria praticamente me devorava. Sem perceber, vi que Bella já estava nua se contorcendo na cama, seu corpo chamando por mim.

Mesmo que toda a lentidão tinha sido para ela, o mesmo não se aplicava a mim. Eu comecei a retirar minha roupa freneticamente, quase caindo no processo, arrancando uma pequena gargalhada dela. Há muito tempo eu não ouvia esse som e isso fez fluir uma nova emoção no meu peito, fazendo disparar meu coração. Quando me vi livre das roupas, me arrastei pelo corpo da minha Bella, fazendo ambos gemer. Mas eu não sucumbiria tão facilmente. Fui arrastando meu corpo no sentindo inverso e cheguei aos seus pés.

"Ed? O que está faz-".

"Shiiii... fique calma. Quero degustar você".

Minha língua começou a subir pelo seu calcanhar, ao mesmo tempo que plantava beijinhos por toda a extensão, deixando um rastro de fogo e desejo. Mesmo que eu quisesse isso lento, minha dureza estava a níveis absurdos e por mais que tentasse, meu pau roçava seu corpo. E isso arrepiava a nós dois. Eu não conseguiria me segurar por muito tempo.

Cheguei à sua virilha mais rápido do que gostaria. Comecei rodeando sua coxa, arrancando alguns gemidos mais altos. Bella praticamente rebolava na minha boca e no momento que capturei seu clitóris, ela deu um grito. Praticamente gemi com o gosto que a tanto tento não sentia. Passei a língua pelos lábios depilados, fazendo meu corpo convulsionar de ansiedade. Minha tensão era tanta que comecei a buscar alívio roçando meu pau na sua coxa. Eu precisava estar dentro dela, mas antes eu faria Bella gozar na minha boca. Era quase vital para minha vida agora.

Com movimentos ritmados, mesmo com muito esforço, chupava sua encharcada boceta enquanto abria o caminho com uma das minhas mãos. Os joelhos de Bella forçavam minha cabeça, o que me fazia ainda mais desesperado. Sua mão já puxava meus cabelos, tentando me fazer entrar ainda mais. Eu queria que ela gozasse pra mim. Para levá-la logo ao êxtase, coloquei a outra mão no processo, enfiando lentamente dois dedos. "Edward... porra".

Eu estava frenético. Meus movimentos eram sincronizados, mas agora beirava o desespero. Bella gemia e se contorcia pra mim, me fazendo delirar. De repente, sem aviso, suas paredes apertaram meus dedos e com uma chupada mais forte, senti todo o seu líquido me inundar, junto com um grito maravilhoso de libertação dela. Lambi e chupei tudo o que vinha dela. E era por minha causa agora.

Nada descrevia minha sensação nesse momento, mas eu queria mais. E como louco que sou, subi meu corpo, ansioso, querendo me enterrar nela. Segurei meu pau, maravilhado com o olhar languido e satisfeito de Bella. Agora eu queria senti-la em volta de mim.

Conduzi minha ereção, fascinado. Eu estava há muito tempo sem fazer amor com Bella. O sexo na sua sala do hospital tinha sido fantástico, mas com culpa. Agora eu tinha o poder de levá-la ao clímax, com consentimento de ambos. Mesmo que não tivéssemos nos acertado, eu estava metade completo. E no lugar onde queria estar. Assim que rocei sua entrada, Bella rebolou, forçando a entrada. Eu não resisti e mergulhei dentro dela. "Ahhh... porra... tão apertada. Tão linda".

Tentei controlar meus movimentos, somente adorando a sensação, mas era algo impossível. Meu corpo tinha vontade própria agora. Comecei estocando lentamente, buscando mais contato, rebolando e apertando sua cintura. O ritmo imposto por minha necessidade era incontrolável. Subi meu corpo, apoiando os joelhos na cama, enquanto puxava os quadris de Bella ao meu encontro. Eu fixava o olhar onde nossos corpos se uniam, tentando entender como pude ser tão cego e tão idiota em perder todo esse tempo. Bella era minha vida, minha outra metade.

Meu clímax se aproximava rápido. Tentei me segurar, esperando por ela. Seria horrível eu gozar antes de Bella, mas era tão difícil. Comecei a passear com o polegar por seu clitóris, buscando sua libertação e, como esperava, funcionou. Bella começou a gemer cada vez mais alto, falando palavras incompreensíveis. O atrito era demais para mim também. Como mágica, senti seu orgasmo me alcançando, no mesmo instante que me libertava dentro dela. O prazer de continuar estocando e gozando dentro da minha menina era devastador.

Tombei meu corpo sobre ela, completamente suado e feliz. Nossa respiração estava descompassada, mas depois de muito tempo me senti em paz. Eu precisava enfiar na minha cabeça que mesmo que estivesse confuso e com medo, sabia que Bella me resgataria. Era essa minha meta agora. Eu mostraria para ela toda a verdade. Todo o meu amor e meus medos. E nós lutaríamos juntos.

Quase sorrindo, levantei meu rosto e olhei para sua face corada e satisfeita. Passei a ponta do meu dedo por seus lábios, arrancando um gemido de satisfação da sua boca. Essa era a hora que precisava colocar pra fora todos os meus sentimentos sufocantes. Sentei na cama com dificuldade, trazendo um olhar de dúvida da minha menina. Há muito tempo não a chamava assim e isso me fez lembrar do nosso início de namoro. Nós daríamos certo novamente. Eu tinha fé.

"Bella... acho, que precisamos conversar".

Seu rosto ficou indecifrável. Eu não conseguia entender a mistura de sentimentos que passou por meu corpo para o que ela estivesse pensando. Mas isso não me faria desistir. Eu tinha que colocar pra fora tudo o que me matava por dentro. Rob estava certo em me aconselhar a não ficar preso com meus fantasmas.

"Você não vai falar nada?"

"Eu estou com medo de falar qualquer coisa, Edward. Da última vez, você não me deu essa alternativa".

Meu coração deu uma parada com suas palavras. Lógico que as minhas palavras duras jamais seriam esquecidas. Se eu pudesse voltar a trás...

"Então você deixa eu falar... por favor?"

Bella assentiu no mesmo instante em que ela se abraçava. Seus braços rodeavam suas pernas, como uma forma de proteção invisível. Eu não queria magoá-la mais. Mas doeu ver que ainda podia causar dor a ela. Suspirei pesadamente e remexi nervoso nos meus cabelos, tentando criar coragem.

"Bella. Eu amo você. Muito. Todo esse tempo que ficamos separados só serviu para me mostrar o quanto meu corpo sente a sua falta. Acho que os nossos últimos encontros estão como prova do que estou falando." Fechei os olhos com medo do que assumiria pra ela agora. Será que Bella entenderia o que se passava comigo? A minha ignorância era fruto da minha personalidade difícil e determinada. Eu precisava da sua ajuda agora.

"Eu tenho medo, Bella. Muito. Me dói demais saber que você nunca confiou em mim de verdade e que escondeu seu passado. Fico com receio de jamais confiar em você novamente, depois de toda essa confusão." Gemi. "Mas, caralho, eu não sei viver sem você, Bella".

Esperei que ela se atirasse em meus braços e me dissesse que me amava também. E que juntos encontraríamos uma solução. Eu acreditava que nosso amor era mais forte que os desvios da minha personalidade machista e doente. No final Bella me salvaria.

"Edward... eu não posso." Olhei em sua direção surpreso. Bella estava chorando? "Assim eu não quero. Assim eu desisto..." Sua voz saiu quase sussurrando.

Não era essa reação que eu esperava dela. O que eu faria agora?


Nota da Irene: Meninas... capitulo totalmente escrito pela Titinha... todos os créditos a ela... Todas as 24 páginas. Nos perdoem pela demora... mas está cada vez mais complicada a história e cada vez temos menos tempo para discutirmos os capítulos... Não queremos fazer nada "de qualquer jeito" para vcs.

Bem, então estaremos com um cronograma diferente por enquanto... postaremos de duas em duas semanas... o POV Rob que eu estou escrevendo será postado na quarta feira dia 24 de Novembro.

Obrigado a todas pelas reviews. Nós amamos escrever para vcs. Obrigado a Ju que postou, mesmo sendo em cima da hora.

Amanhã todas nós nos encontraremos no "Encontro Pervas Rio". Estou embarcando de manhã... por isso esse fds estarei off... e não conseguirei escrever muito. Mas eu e Titinha conversaremos ao vivo sobre os detalhes da fic... ahahaahah

Bjus e até a próxima!