Maybe our relationship
Isn't as crazy as it seems
Maybe that's what happens
When a tornado meets a volcano
All I know is
I love you too much
To walk away though
Come inside
Pick up your bags off the sidewalk
Talvez o nosso relacionamento
Não é tão louco quanto parece
Talvez seja isso que acontece
Quando um furacão encontra um vulcão
Tudo que sei é
Eu te amo demais
Para ir embora
Venha para dentro
Pegue suas malas da calçada
Love The Way You Lie (Feat. Eminem) - Rihanna
CAPÍTULO 30 – QUESTÃO DE PELE
ROBERT POV
Quando a porta da frente se abriu, foi como se o túnel do tempo estivesse diante de mim. Eu não conseguia falar. Seus olhos estavam fixos nos meus, trazendo todas as lembranças amargas de um passado não tão distante. Como essa pequena mulher poderia ter destruído minha vida, me afastado da minha família e me impedido de amar de novo?
Foram poucos segundos, mas minha avaliação tinha sido completa. Kristen era a mesma pessoa, mas ainda assim, parecia diferente. Olhar para seu rosto apreensivo fez uma raiva contida estourar. Ainda não conseguia entender o que tinha feito para merecer tudo que ela me fez.
Fiquei congelado mais um momento, sem saber o que fazer. Mas me recompus e decidi que não sairia daqui sem respostas. Esse pesadelo acabaria hoje. Chega de fugir e fingir que nada aconteceu.
"Posso entrar? Quero conversar." Não podia falar com ela aqui fora.
Ela abriu um pequeno sorriso e se encostou ao batente da porta, cruzando os braços. Por ironia do destino, ou vingança da minha mente, lembrei que ela sempre fazia isso quando estava fora dos seus limites.
"Estou te incomodando, Kristen?" Eu tinha que ser forte. Levantei uma sobrancelha ainda com as mãos nos bolsos.
"Não... é só que..." Ela beliscou os braços com as mãos. Sim, nervosa.
"Sim?"
"Estou sozinha, Rob".
Retirei as mãos dos bolsos, que já suavam. Passei os dedos nos cabelos, que ainda estavam úmidos. Seu olhar estava vidrado como se escondesse algo. Por que ela estava sozinha?
"Onde está meu filho?"
Ela estufou o peito e cerrou os olhos. "MEU filho saiu com meu pai. Por quê?"
"Vamos ter essa conversa aqui fora mesmo, Kristen?" Eu estava a ponto de empurrá-la. Como ela podia falar comigo desse jeito? Minha respiração ficou pesada, mas precisava me controlar.
Ela retesou o corpo e fixou o olhar no meu novamente. Meu corpo tremia de raiva e frustração. Fechei os olhos e segurei a ponta do meu nariz.
"Porra, Kristen... Dá pra gente conversar... ou vai ser do jeito mais difícil?"
Ela me olhava firme, mas nada falou. Seu pequeno corpo saiu da porta me abrindo passagem. Quase suspirei de alívio com medo da minha reação, caso ela não me deixasse entrar. Meus passos fortes ecoaram pela pequena casa. Estar aqui me deixava com uma sensação fodida de déjà vu. Não queria pensar em tudo que aconteceu aqui dentro. Do melhor ao pior.
Parei após passar da porta e não me virei para ela.
"Quer sentar?" Era a sua voz de outras épocas. E caralho... esse tom de voz me fazia arrepiar. Mas eu não sabia descrever o sentimento estranho que estava sentindo agora. Raiva, tensão... excitação?
"Eu só quero saber o que foi tudo aquilo." Eu disse secamente e indo direto ao ponto, esmagando qualquer sensação. Ela soltou um forte suspiro. "Como você pôde sair daqui daquele jeito, levando um filho meu dentro de você?"
"Foi mais complicado que isso. Eu nem sei como explicar..." Mas?
Ela passou por mim e eu automaticamente a puxei, virando seu corpo para minha frente. "Pois você vai começar a explicar agora." Eu olhei dentro de seus olhos azuis. Ela parecia mais surpresa que assustada. Minha mão queimava em seu braço, mas eu não a soltei. "Agora." Exigi novamente.
"Tudo sempre do seu jeito, não é?" Seu sorriso falso fez meu estômago revirar. Onde ela tinha aprendido essa máscara fria?
"Não que você reclamasse muito disso. Ou estou enganado?" Falei sarcasticamente a encarando, demonstrando que não estava brincando. Isso era sério.
"Humpf." Ela bufou e fechou os olhos. "Dá pra me largar?"
"Não. Não vou deixar você fugir novamente antes de terminar com isso".
"Deixa de ser infantil, Rob!" Ela gritou, ainda não olhando para mim.
"Infantil? Você ainda não compreende o que você fez?" Gritei de volta. "Hein, Kristen? Você simplesmente negou ao meu filho um pai. Você sabe o que é isso?"
Isso estava me cansando e me angustiando. "Olha pra mim, porra. Olha na minha cara agora e fala que você sabe o que fez!"
"Você não entende. Eu não queria forçar você a nada." A voz dela saiu abafada e de repente seu rosto subiu e ela me olhou. Porra. Ela parecia uma geleira. Seu olhar frio me congelou.
"Eu quero entender." Confessei. "Eu quero que algo faça sentido." Soltei seu braço, que caiu ao lado do seu corpo. "Eu quero saber o que eu fiz para merecer tudo isso".
"Eu estava com medo!" Ela gritou, com seu rosto dentro de uma expressão de angústia. "Medo de que você não quisesse e me odiasse".
"Mais uma prova de que você não entendia os meus sentimentos por você." Eu disse no mesmo nível dela, nervoso, com uma das mãos quase puxando meu cabelo. Pensei em como eu me sentia a respeito dela. Eu teria feito qualquer coisa...
"Como assim? Você sempre deixou claro que não queria uma criança. O que você queria que eu fizesse? Virasse a mãe solteira mais nova de Forks?"
"Kristen." Rangi entre dentes. "Você nem me deu o direito de escolher ou mesmo decidir, porra." Meus olhos estavam ansiosos. Eu sabia do sentimento que estava sentido e era muito forte. Caralho, essa mulher era a minha ruína, ainda hoje. Mesmo a contragosto, ainda completei mentalmente: Eu amaria qualquer coisa que viesse de você.
Ela piscou algumas vezes, engoliu seco e seus lábios se moveram lentamente. "O quê?"
Eu disse isso alto?
"Você não tinha o direito de fazer o que fez." Desviei o foco da merda que falei. "E ainda me fez sentir culpado por coisas que estavam além do meu controle." Apontei o dedo pra ela e falei magoado pelo que ela tinha dito a respeito de sua mãe.
"Eu sei. Perdoe-me por aquilo. Era a única maneira de você me deixar ir".
"E POR QUE VOCÊ PRECISAVA FUGIR?" Gritei descontrolado. Ela deu um passo para trás e eu mais um para frente. "Você sabia que sempre podia me falar TUDO! Que droga!"
"As justificativas que eu tinha não fazem mais sentido agora".
"Não. Não fazem mesmo. Você não tem justificativas para o que aconteceu." Seu olhar começou a descer novamente e minha mão foi para seu queixo. Senti seu corpo tremer. Levantei seu rosto ao meu. "E agora? Por que agora?"
"Eu não tenho justificativa." Meu peito ardeu novamente. Eu passei tanto tempo tentando esquecê-la e agora ela estava aqui. Parecia que algo dentro de mim, que antes estava escondido, queria sair e doía pra caralho.
Segurei seu queixo mais forte e aproximei-o ainda mais do meu rosto, querendo desvendar a sua mente. "Nenhuma carta, Kristen. Nem a porra de um telefonema você me deu. Eu não valia mesmo nada pra você?"
"Eu não queria estragar a sua vida".
"Ah, sim. Você não a estragou. Você só jogou um monte de merda em cima dela. Espero que esteja feliz com isso." Soltei seu rosto de repente. Nada fazia sentido.
"Tudo sempre girando em torno de você." Ela disse secamente, com um rosto quase impassível. Como ela consegue essa porra? Isso me deixou puto.
"Porra! Para de falar merda. Isso não é o que eu quero dizer".
"Quer saber, Rob?" Ela sorriu de maneira irônica e apontou para a porta. "Essa conversa não vai dar em nada. Pode fazer o favor de ir embora?"
Segurei seu braço novamente e agora com mais força do que antes. Eu não conseguia controlar o homem das cavernas dentro de mim. "Eu não vou sair daqui! Entendeu?"
"Me larga, seu estúpido. Você está me machucando".
"É o que eu espero mesmo, bonequinha." Eu disse baixo, mas quase ameaçador. Ela puxava seu braço e não quebrava o olhar. Sempre me desafiando.
"Vá se foder".
"Olha... Tem coisas que nunca mudam, não é?" Pisquei para ela. "Sua boca suja é uma delas".
Ela gargalhou alto, ainda forçando o braço. "E você adorava essa boca suja." Ela disse trazendo a outra mão e passeando um dos dedos pelos lábios e ainda levantando uma sobrancelha.
Meus olhos correram para sua boca e seu sorriso aumentou ainda mais. Mas fodeu tudo quando ela simplesmente passou a língua nos lábios, quase fechando os olhos. Ela estava me tentando. Filha da puta.
Soltei seu braço e virei as costas. Eu não podia ceder assim. Era só uma língua, porra!
O que eu faria agora? Era tudo confuso pra caralho na minha cabeça e quando vi, tinha saído e batido a porta. O que me despertou foi ouvir o estrondo dentro do meu ouvido. Porra. Eu não estava acreditando que ela estava fazendo isso comigo. Ela estava me desafiando?
Voltei ainda mais puto, se isso fosse possível, e abri a porta novamente. Kristen ainda estava parada no mesmo lugar me olhando, mas agora ela tinha as mãos na cintura. "O que foi? Esqueceu alguma coisa aqui, Rob?"
Mais sarcasmo. Que jogo maldito.
"Eu disse que não vou sair daqui sem a porra da verdade. E eu não vou." Dei dois longos passos até ela e mais uma vez a proximidade me deixou nervoso. Porra. Eu queria tirar essa ironia do seu olhar.
"Hum... Então me diz. Qual parte você quer saber?" Ela disse avaliando as próprias unhas como se nada tivesse acontecido. Ela tinha virado atriz? Ela queria me enlouquecer.
"Mas que porra é essa agora?" Perguntei puto da vida. Dei um passo para frente e ela deu um para trás também. Fui caminhando, bufando, até ela ficar contra a parede, batendo forte. O problema é que a expressão dela não mudava. Ela parecia indiferente, mas quando seu corpo bateu na parede algo mudou e ela me empurrou no peito.
"Quem você pensa que é? Sai de cima de mim." E me deu mais um empurrão no peito com as mãos. Meu sangue esquentou e quando eu vi, já estava pressionando-a na parede, sua respiração batendo em meu rosto.
"Eu ainda não estou em cima de você. E quando eu estiver..." Afastei-me um pouco e sorri para ela. "Acredito que você não estará me pedindo pra sair".
Ela bufou alto e fechou os olhos. Logo em seguida ela os abriu e a máscara estava de volta. "Eu disse para você se afastar. POR. FAVOR." E me empurrou novamente. Eu dei um passo para trás e olhei em seus olhos.
"Eu estou tentando fazer da maneira fácil aqui, Kristen." Minha voz saiu rouca de raiva e eu quase pude jurar que um traço de dor passou por seus olhos ao me ouvir chamar seu nome. Mas eu não estava em condições de perceber muita coisa. Meu peito subia e descia ferozmente e minha pulsação batia no meu ouvido.
"Ah... Então existem mais maneiras de me fazer conversar com você? Olha, Robert, você não tem o mínimo direito de vir aqui e falar assim comigo. Você não-"
Cheguei ao meu limite. "O QUÊ? EU NÃO TENHO O QUÊ? COMO VOCÊ FEZ AQUELA CRIANÇA? COM SEUS DEDOS?"
"VOCÊ... NÃO FALE ASSIM DO MEU FILHO... SEU-"
"NOSSO! Nosso filho! Nosso, porra!" Comecei a empurrá-la na parede de novo. Seu corpo preso e seus olhos quase saltando de raiva. "Nosso. Entendeu? Ele é meu também".
"Você não vai tirar meu filho de mim!" Ela transformou sua fúria em força e me empurrou até a porta, abrindo e me jogando para fora. Tudo tão rápido que eu só me dei conta que estava fora quando o vento frio bateu em meus braços. Mas que porra?
Tentei abrir e vi que o meu demônio na terra tinha trancado. Bati na porta. "Kristen! Abre essa porta agora, caralho!"
"Vá embora, Robert. Eu não quero falar com você agora."
"Ah... que lindo. Agora será só quando você quiser?" Gritei para a porta, totalmente estressado.
"Sim. Estou ocupada, vou tentar fazer mais um filho com os dedos agora. Sozinha".
E ouvi seus passos subindo as escadas. Sua última frase levou toda a minha sanidade. Eu queria esganar essa mulher. Como ela pensava que podia falar assim comigo?
Mas eu a conhecia muito bem. Assim como sua casa...
A árvore em frente à janela do seu quarto sempre foi uma escada para mim no começo do nosso namoro. Seu pai sempre me fazia sair da casa às dez da noite. Eu saía e voltava pela janela. O que eu faria novamente hoje. Não pela mesma razão. Claro.
Subi em um galho e me impulsionei para cima, ficando de frente para a janela do quarto dela. Ela sempre a deixava aberta, o que me poupava um grande trabalho. Olhei para a rua para ter certeza que ninguém estava vendo a minha cena patética e pulei para dentro do seu quarto. Caí como um cometa. O estrondo a fez saltar da cama e gritar. Ela se dirigiu para mim com raiva e surpresa nos olhos.
"O que é isso? Você está maluco? Cristo!"
"Eu disse que essa conversa não acabou".
"Argh!" Ela soltou os braços no ar em frustração. "Você não vai mais me deixar em paz?"
"Não finja que é isso que você quer. Porque eu não acredito." Soltei meu veneno. Se ela pensa que vai brincar comigo sem retorno, isso estava fora de cogitação.
"Dá pra parar com as piadinhas?"
Algo tinha mudado nela. Não agora. Mas nesses quatro anos. Era como se ela fosse outra pessoa, mas ainda meu inferno pessoal.
"Por que você simplesmente não fala o que eu quero ouvir?" Perguntei frustrado e cansado. Eu só queria acabar com tudo isso. Ela não ajudava.
"Eu já te disse. As justificativas que eu tinha já não parecem coerentes agora. Não adianta eu te falar nada." Observei seu corpo enquanto ela caminhava para a cama. Percebi nesse momento que ela estava com uma blusa de botões e uma calça jeans colada no corpo. Ainda continua linda, essa filha da puta.
"E meu filho? Como fica tudo isso agora? Eu não quero ficar longe dele. Eu quero dar o meu nome a ele." Eu avisei.
"Uma coisa de cada vez." Ela disse mais calma. "Nós mal chegamos. Ele ainda está se adaptando às coisas. Eu não quero te negar nada, Robert".
"É Rob." Adverti. "E você não quer me negar ainda mais... Porque você já me negou os primeiros três anos da vida dele. Não é?"
"É difícil conversar com você".
"É a verdade que é difícil, meu bem." Aproximei-me da cama e me sentei ao lado dela. Meu corpo sentiu uma eletricidade, que eu tentava esquecer. Como uma mulher tão pequena podia ser tão difícil? Eu queria conversar, mas essa cama... esse quarto... ela...
"Ou talvez seja a sua vontade repentina de algo que você nunca quis." Novamente seu veneno. Quase gemi de raiva.
"Lá vem você de novo com isso, Kristen. Eu já estou farto dessas insinuações."
"Diz então que você não lembra? Eu sei e me recordo de tudo o que você já me disse, Rob!"
Virei meu rosto para o dela e sua frieza ainda estava intacta. Kristen estava acendendo todo o meu pior neste momento. Nada do que eu falasse, ela aceitava como parte da verdade dolorida. Ela me abandonou!
"Quer saber a única coisa que eu me lembro?" Ela piscou e desviou o olhar. Minha mão saiu do meu lado e puxou seu rosto de forma grosseira, fazendo-a olhar para mim. "Quer saber do que eu me lembro de verdade?"
Sem falar nada ela só tentou sair da minha garra, mas eu não a soltei, chegando mais perto e forçando ainda mais. "Eu me lembro de uma noite sem nenhum sentido. De acusações sem precedentes. E agora eu olho para aquela noite e sabe o que eu penso?"
Nenhuma resposta.
"Eu penso que meu filho escutou cada insulto, cada palavra. Ele estava aí dentro de você. E isso é injusto. Então eu me lembro disso. Injustiça".
"Solte-me".
"É só isso que você sabe falar?" Olhei para ela, tentando decifrar sua postura e suas atitudes. Nada fazia sentido. "É só isso que você sabe fazer? Fugir?"
"Robert." Ela me disse em tom de aviso, o que pareceu um desafio. Apertei minha mão em seu queixo ainda mais, até que ela parou de tentar sair.
"Tenta fugir agora." Minha voz saiu baixa e quase rouca. Meu rosto ficou a centímetros do seu e minha outra mão foi para suas costas, puxando-a para mim. Meus lábios encontraram os dela com uma raiva não tão contida. Ela fez força para se esquivar, colocando suas mãos no meu peito, mas eu a segurei, levando minha mão, que antes estava no seu queixo, para sua nuca, jogando naquele beijo toda a frustração da noite inteira. Ela estava me fazendo perder a cabeça.
Enquanto seus punhos tentavam me empurrar, eu continuava a segurar. Seus lábios acabaram se rendendo e se movendo com os meus. Um beijo feroz.
Minha língua saiu e a lambeu. Porra. Eu não estava preparado para isso. Na verdade, não era isso que eu vim fazer aqui, mas nossos corpos estavam tão próximos que eu não conseguia pensar. Eu tentava puxá-la para mim e ela não se permitia.
Quando minha língua deslizou por sua boca, ela a recebeu, dando uma chupada forte. Meu pau logo deu sinal de vida. Um maldito traidor intrometido. Ele lembrava exatamente de onde queria estar, mas meu cérebro tentava dizer a ele que nada disso aconteceria. Fica quieto, caralho!
De repente eu senti uma dor. Forte. Ela mordeu minha língua. Filha da puta. Empurrei seu corpo e ela caiu de costas na cama. Subi em cima dela com uma fúria violenta. Minha língua latejava e senti gosto de sangue. Seu corpo dava espasmos assim como o meu. Tanto a minha respiração quando a dela estava forte. Profunda.
"Porra. Você ainda sabe como usar a porra da boca, não é?" Lambi meus lábios, contendo o sangue. Seus olhos escureceram e me abaixei novamente nela. Não tão fácil...
Dei uma mordida no seu rosto e desci para seu pescoço. Seus braços começaram a se debater, quase me fazendo sorrir se eu não estivesse tão puto. Kristen esqueceu que eu era mais forte. Prendi suas pernas com as minhas e segurei seus braços no alto da sua cabeça, impedido seus movimentos. Ela, quase descontrolada, ainda gemia e reclamava, tentando, inclusive, me morder no processo. Eu lutei e venci. Quando percebi estava completamente em cima dela e Kristen entendeu a situação no mesmo instante que eu. Isso era muito foda agora!
De repente, um calor monstruoso passou por mim. A proximidade com o seu corpo fez coisas comigo que há muito tempo estavam enterradas. Minha respiração, que antes estava descontrolada, seguia um ritmo forte. Profundo. Isso não podia esta acontecendo, porra. Eu sou mais forte que ela. Mas o que me irritou de verdade foi começar a sentir que ela tinha parado de lutar e seu corpo estava congelado na cama, como se não se importasse, ou que eu não tinha efeito sobre ela. Cretina. Ela queria me provar o que com isso? Ela tinha que reagir da mesma maneira. Eu provaria isso, para ela e para mim.
Minhas mãos passearam por seus seios e a raiva não me deixava parar. Seus mamilos estavam duros e ela começou a ofegar vagarosamente, tentando se controlar. Eu sabia que era errado. Não podia fazer isso com ela, mas não conseguia parar minhas mãos. Deus, eu estava muito fodido.
Belisquei um mamilo com uma mão e envolvi a outra em suas costas, levantando seu corpo em minha direção. Lembrei que muitas vezes, e muito bem, como ela gostava de ser tocada. Forte. Brusco. Ela amoleceu e estremeceu com o meu toque. Eu gemi internamente, o desejo tomando conta de todos os meus sentidos. Meu cérebro gritava por atenção, mas meu pau o mandava se foder. Mas que porra!
Eu não conseguia pensar e sabia onde isso poderia parar, mas o maior problema é que meu pau sempre ganhava minhas batalhas internas e me vi abrindo sua blusa e descendo minha boca até seu mamilo. Hum... delicioso. Ela não falava nada e eu nem queria mais ouvir porra nenhuma. Deus, eu sou um babaca.
Eu mordisquei o bico e ela não segurou o gemido, me fazendo rir em sua pele.
"Você sabe que isso não vai dar em nada..." Ela começou. Minha mão saiu debaixo dela e foi para sua boca. Não quis falar quando eu queria... agora eu a queria calada.
Fui para o outro mamilo e sua mão, que antes estava tensa e presa no alto da sua cabeça e que não sei em que momento a soltei, na verdade, encontrou meu cabelo. Meu corpo estremeceu ao sentir sua mãozinha quente me tocar, me puxando para ela.
Eu sabia que você queria. Eu gritava internamente. Não era uma fraqueza só minha, então.
Desci minhas mãos para sua calça e a abri. Ela não me parou. Empurrei tudo para baixo e comecei a descer meu rosto. Espalhei beijos por sua barriga e umbigo enquanto puxava sua calcinha para fora do caminho. Kristen já arfava descontrolada. "Não... Deus..."
Eu quase ri do seu sussurro. Ela estava deixando cair seus muros também.
O cheiro da pele dela me trazia tantas lembranças que achei melhor nem abrir os olhos. Eu lutei para não buscar na memória a última vez. Tinha sido há tanto tempo. O que tinha mudado nela? O que tinha acontecido durante todo esse tempo? Olhei para baixo e a porra do gemido que eu segurava saiu. Puta merda. Ela era linda demais. Sua mão continuava presa em meus cabelos e eu levantei o rosto, sorrindo para ela. Não podia perder a oportunidade de jogar pra ela a minha vitória.
"Eu não disse que quando eu estivesse em cima de você, você não estaria me pedindo para sair?" Pisquei e a mão dela veio forte em meu rosto. Mas eu a segurei quando ela viria pela segunda vez. "Adoro você nervosa desse jeito. Me deixa louco".
"Rob... pare! Eu não posso!"
O quê? Nada disso. "O que foi? Vai mesmo fazer com os dedos, gatinha?" Eu não estava no meu melhor papel, mas não me contive. Meu corpo neste momento dominava tudo.
"Filho da puta. Quem você pensa que é?"
"Pai do seu filho, porra!"
"Sai de cima de mim!" Eu gargalhei com vontade e voltei a sugar seus seios que me chamavam. Eu não conseguia me controlar. Kristen gemia, mas ainda tentava puxar meu cabelo pra longe. Ou não?
"Você não tem nada a ver com a minha vida, Robert!"
"Ah, querida". Aproximei-me novamente dela e fiquei a centímetros do seu rosto. "Tem certeza disso? Ou esqueceu que tem um filho comigo?"
"Ele é meu filho, Rob! Nunca te pedi nada!"
"Caralho... eu falei alguma coisa, porra?" Minha mão segurava seu seio. Eu não queria conversar agora. Meu pau latejava. "Eu quero resolver essa merda".
"Meu filho não é nenhuma merda!"
"Você tem problemas mentais ou o quê, Kristen? A merda que me refiro é a sua grande atuação..."
Ela me cortou nervosa. "Você não tem nada com isso... eu fazia isso pra... não se meta".
"Do que você está falando, porra?" Minha respiração agora vinha ainda mais pesada, "O que você quer dizer com isso?"
"Por que pergunta? Já disse que você não tem nada a ver com minha vida".
"De que atuação estamos falando? O que você fazia, Kristen?"
Ela tentou me empurrar novamente, mas eu a segurei e me coloquei em cima dela. "Agora não adianta negar. Você quer." Sorri mais uma vez. Não conseguia esquecer as suas últimas palavras, mas nada disso fez parar o meu desejo maldito. Ainda lutando com ela, consegui prender seus braços em minhas pernas também. Sua resistência também diminuía. Desabotoei minha calça e comecei a levantar meu corpo para tirá-la. Os olhos da Kristen me seguiam, mas ela ainda continuava calada, rosto corado e respiração ofegante. Percebi que ela não lutava mais. Estava nervosa?
"Você sabe muito bem como isso vai ser bom, não é?" Me curvei sobre ela, sentindo seu calor. Ela estava tão quente que eu quis me agarrar ao seu corpo. Deslizei pelo seu corpo, sem quebrar o olhar. Seu peito subia e descia ferozmente. Meu pau latejava tanto que minha cabeça parecia que ia explodir. O olhar dela, antes ansioso, agora estava feroz também. Segurei na extensão do meu membro, estimulando. Abri suas pernas, dessa vez lentamente. Kristen agarrou o travesseiro acima da sua cabeça, me fazendo gemer com a cena. Maldita, ela estava me enlouquecendo. Quando meu pau chegou à porta da felicidade eu ouvi um barulho. Ela enrijeceu na hora. Caralho. Isso não estava acontecendo.
Ela me empurrou e eu me virei. "Porra. Se veste. Meu pai. Masen. Porra..."
"Calma." Eu disse mais para mim do que para ela, me sentindo como um adolescente. Levantei e vesti minha calça. Que eu não lembrava quando eu tinha tirado.
"Isso não pode acontecer, Rob. É errado".
Fiquei calado. Não queria mais discutir nada com ela, apesar das suas últimas palavras voltarem com força total na minha cabeça. Nossa conversa ainda não tinha acabado. Eu queria entender o que tínhamos falado para ela ficar tão nervosa, além da sua máscara ter caído. Meu filho estava aqui perto de nós e eu não queria que ele presenciasse nada disso.
Passos apressados subiram as escadas, passei as mãos em meus cabelos para dar um jeito na bagunça que ela devia ter feito neles. Ela ficou rígida na expectativa quando um ser pequenino abriu a porta.
"Mãe!" Masen gritou ao entrar. "Pai!" Ele correu ao meu encontro e envolveu seus bracinhos ao redor das minhas pernas. Eu estava apaixonado. Ajeitei meu pau dolorido, com medo dele perceber. Abaixei meu corpo e o tomei nos braços.
"Oi, baixinho." Beijei seus cabelos rebeldes.
"Oi." Ele sorriu mais ainda. "O vovô me levou em uma lanchonete que tem um sanduíche gigante." Ele anunciou empolgado. Senti o olhar dela em nós, mas não conseguia desviar a atenção do meu filho.
"Nossa. Que legal." Eu respondi na mesma animação. Passos pesados surgiram e logo após Charlie entrou. Caralho, mas que inferno!
"Robert?" Ele levantou uma sobrancelha e olhou para a filha com um olhar indescritível no rosto. O quê?
"Nós estávamos conversando." Ela começou, mas o olhar dele foi para a cama. Lençóis repuxados e bagunçados. Sim, situação fodida, mas evitei seu olhar. "Esse garoto tem uma energia incrível. Acho que vou dormir com compressas nos pés".
"Nem me fale." Kristen sussurrou. Masen encostou a cabeça no meu ombro e bocejou, enquanto eu virava o corpo, com medo de Charlie perceber minha ereção. "Está na hora da soneca." Ela veio até mim e tentou tirá-lo dos meus braços. Eu não queria liberá-lo.
"Ele vai comigo para casa." Me virei para Masen, que estava quase inconsciente em meus braços. "Hoje você vai dormir com o papai, garotão".
"Nada disso. Hoje é o dia do vovô." Charlie me olhou sério. Mas eu não estava disposto a passar mais um dia longe do meu filho.
"Mas você já passou a tarde com ele." Resmunguei. Um pouco chateado por ter que disputar a atenção de Masen. Eu já tinha passado tanto tempo privado de sua presença...
Kristen saiu bufando e batendo os pés no assoalho de madeira, descendo as escadas. Eu e Charlie nos entreolhamos com uma repentina curiosidade. Começamos a descer e acompanhar o barulho vindo da sala. Sua casa era pequena, mas aconchegante. Eu me lembrava com nitidez de tudo por aqui. Ela arrastava os móveis e murmurava palavras desconexas. O que estava acontecendo?
"E então, Rob. Vocês conversaram sobre tudo?"
Voltei minha atenção para Charlie. Durante muito tempo eu tive remorso por não voltar e ajudá-lo a superar a dor de perder sua filha. Edward tinha me contado, mesmo que eu não quisesse saber na época, o quanto ele tinha ficado desesperado com o sumiço da filha. Chegou a achar que eu a tinha seqüestrado, quase colocando policiais atrás de mim. Foi impedido por minha família. Desde então, nunca mais nos encontramos, até o dia que voltei pra essa maldita cidade.
"Ainda não, chefe Stewart".
"Isso é um problema".
Assenti, não querendo me aprofundar no assunto. Eu sabia que ele poderia estar pensando que eu e sua filha estávamos transando no quarto em cima. Não que isso não estaria claramente acontecendo agora se ele não tivesse chegado. Quase bufei com isso.
"Ela é uma pessoa difícil, senhor".
"Como se você fosse um cara tranqüilo".
Segurei um pequeno sorriso, lembrando que eu e Charlie pouco conversávamos mesmo naquela época. Ele sentia muito ciúmes do relacionamento que eu e Kristen tínhamos na época. Sem contar a quantidade de vezes que eu o ouvia me chamar de vadio e mulherengo pelas costas...
Masen se remexeu no meu colo, atraindo a atenção de nós dois. Com um sorriso nos lábios, vi sua mãozinha passear por minha mandíbula. Ele era lindo.
Ela subiu as escadas novamente, atraindo minha atenção para sua movimentação. Olhei para a sala e todos os móveis estavam afastados. Franzi o cenho. O que essa maluca estava fazendo? Olhei em direção à janela e percebi que estava escuro. Há quanto tempo estávamos aqui?
Kristen voltou com muitas cobertas e travesseiros, quase deixando tudo cair. Seu pai foi em direção a ela, tão aturdido quanto eu. "Problema resolvido. Agora os dois podem dormir com o Masen. Espero que vocês estejam preparados para acordar cedo. Meu pequeno não dá folga".
O quê? Ela queria que eu dormisse aqui no chão da sala com o pai dela? Essa mulher estava louca.
"Filha... eu não acho que isso seja uma boa idéia".
"Pai... estou cansada. Muito mesmo. Eu não quero mais brigar." Seu olhar veio em minha direção. "E como ambos estão irredutíveis quanto a isso, nada melhor do que dividirem o sono do meu bebê. Ou vai ser assim, ou Masen vai dormir na cama comigo".
Seu olhar de decisão e seus braços cruzados nos peitos não deixavam dúvidas do que aconteceria. Mas que porra. Além de tudo eu teria que dividir a atenção do meu filho com ele!
"Eu durmo perto da televisão." O pai dela disse, aceitando o arranjo. E eu que não gostava de perder em nada logo deitei Masen no meio da cama improvisada entre nós.
"Por mim tudo bem então." Eu disse e ele arregalou os olhos. "Kristen pode dormir no seu quarto." Eu ia dormir com o meu filho e ninguém ia me impedir.
"Eu tinha que dar um banho nele, mas..."
"NÃO!" Eu e seu pai respondemos num uníssono. Ela estava mesmo insana. Como assim acordar meu filho para tomar banho?
"Ei... ele está todo sujo!"
"Está frio, filha". Seu pai falou.
"E eu não me importo com isso. Deixe-o desse jeito mesmo." Completei, agradecido por Charlie pensar o mesmo que eu.
Ela nos olhou longamente, alternando sua atenção para mim e seu pai. Ainda me incomodava seu olhar frio, mas algo tinha mudado. Ou eu queria enxergar mais coisas do que deveria?
O pai dela deu um longo suspiro e logo saiu para trocar de roupas e voltou. Ela já tinha arrumado toda a cama no chão e estava trocando a roupa do meu filho, mas em nenhum momento me olhando ou falando comigo. Meu filho. Toda vez que eu pensava assim, meu peito se enchia de orgulho. Eu estava tão concentrado no pequeno ser deitado, que nada mais importava agora. O corpinho dele estava curvado e a mãozinha embaixo do rosto. Tão lindo.
Charlie trouxe algumas mudas de roupas pra mim, já que eu ainda estava com a mesma roupa de quando pulei no penhasco. Neste momento percebi que tudo tinha acontecido a menos de 24 horas. Toda a confusão do caralho que me envolvi estava aparecendo no meu corpo. Eu precisava mesmo dormir.
Depois de me trocar, deitei ao lado de Masen enquanto ouvia a movimentação dela no andar de cima. Eu não queria me distrair, mas sabia que ela também estava nervosa. Fiquei encantado e observando-o até que o sono me alcançou. Nem sequer senti quando o seu avô deitou do outro lado da cama e apagou a luz.
Pareceu pouco minutos que a inconsciência tinha me alcançado, quando senti uma grande movimentação ao meu lado. A claridade me impediu de abrir os olhos de primeira. Eu estava com tanto sono que não lembrava onde estava. Lentamente abri os olhos e vi Masen saltando sobre o colchão, quase sobre meu corpo. Sorrindo. "Bom dia!" Ele disse e se jogou em cima de mim, gargalhando.
"Bom dia." Minha voz saiu grogue, devido a noite mal dormida, mas meu peito inchou com um amor recém descoberto. Era incrível como você podia amar alguém tão automaticamente. Eu... amava meu filho. Eu amava Masen.
"Masen." Foi a voz da mãe dele. Não olhei para as escadas, sabendo que ela poderia estar ali observando há algum tempo. Seu rostinho se virou para ela e ele sorriu amplamente. Depois ele se virou para mim novamente, com suas pequenas sobrancelhas juntas. O que ele estava pensando?
"Ué, papai... Por que vocês dormiram separados? Vocês não vão se casar?" Meu corpo se retesou com suas palavras.
"O quê?" Foi a voz de Charlie. Ele acordou assustado. Incrível, uma criança saltando não o acorda, mas a palavra casamento sim. Claro que até as palavras do meu filho tinham me assustado. De onde ele tirou isso? Precisava conversar com ela para saber que tipo de coisa ele anda assistindo na TV.
"Bom dia, vovô." Masen saiu de cima de mim e se jogou no avô, que tinha um olhar frenético rondando sua sala.
"Hum. Bom dia, garoto".
Masen o soltou e correu para as escadas, em cima da mãe, saltando toda sua energia. Segui os movimentos com os olhos e sorri com a cena que se desenrolava. Virei todo o meu corpo em direção a eles enquanto um bocejo saía da minha boca. "Com calma, meu filho." Ela o repreendeu, mas logo depois sorriu quando ele a abraçou e beijou seu pescoço. Era uma cena tão linda. Ele estava muito feliz.
"Eu tenho que sair para trabalhar." Charlie disse, sentando do outro lado da nossa cama improvisada. "Vocês vão ficar bem?" Ele perguntou, olhando para a filha.
"Sim. Eu prometi a Rachel que iria até a aldeia hoje. Em La Push. Já vou me arrumar. É melhor irmos cedo. Masen vai adorar ver o mar".
"Eba!" Meu filho começou a saltar novamente no colchão, nos fazendo rir automaticamente. "Ah. Então fique com meu carro." Charlie disse.
"Não, pai, não precisa." Ela disse sem graça.
"Pode deixar que eu os levo." Eu me meti. "Depois eu posso ir buscar. É só me dizer o horário." Ela me olhou surpresa e depois seu olhar ficou confuso. Quando ela ia responder, seu pai se levantou e anunciou.
"Tudo bem. Divirtam-se. Não deixe esse garoto solto na praia. Tomem cuidado".
Kristen balançou a cabeça e suspirou alto. "Vamos nos arrumar, pequeno".
"E tomar café." Ele a olhou. "Como só a mamãe sabe fazer." Ela sorriu para ele e passou a mão em seu cabelo. Eu estava impressionado sobre como não conseguia tirar os olhos dos dois. Minha cara devia estar como a de um babaca, pois ela o abraçou e me olhou, sorrindo logo em seguida. Foi a primeira vez que ela sorriu pra mim desde que eu a vi. Sem o sarcasmo, claro.
Kristen arrumou Masen e eu os esperei na sala. Eu tinha que ir à minha casa e trocar de roupa, mas me sentia preso aqui como um ímã. Nunca desejei ficar aqui muito tempo, sempre a arrastando para a minha casa naquela época. Caralho. Sem pensamentos sobre passado, Rob!
Depois de um tempo curto, Kristen desceu com uma bolsa grande e meu filho segurando sua mão. Eu não queria, mas acabei analisando sua roupa. Seu corpo estava envolvido em uma blusa justinha e uma calça de malha grossa. E um casaco apertado. Mesmo a contragosto meu olhar varreu suas formas. Isso era mesmo doentio.
Ainda estava sentado no chão da sala, totalmente desorientado. Masen correu para o meu lado e ligou a televisão. "Hora do desenho." Ele anunciou. "A mamãe vai fazer o café." Ele me disse e se virou para a TV. Eu o abracei de lado e sua cabeça ficou em meu peito enquanto ele tranqüilamente assistia o que estava passando, mas sempre trocando de canal. Kristen se movia na cozinha com tranqüilidade, procurei não olhar muito, mas não consegui. Ela sempre foi uma boa cozinheira. Quando eu vinha à sua casa, ela fazia comidas deliciosas. A merda de aceitar toda essa situação era que eu era constantemente confrontado com meu passado. E os sentimentos ficavam muito confusos. Raiva, rancor, e, por que mentir pra mim mesmo? Até saudades eu sentia...
"Venham comer." Ela anunciou me tirando de meus devaneios. Masen correu, como sempre. Sentou-se à mesa e ela sentou logo ao lado do meu menino. O cheiro das panquecas me deu água na boca. Fui ao banheiro primeiro, fazendo minha higiene matinal e retornei, sentando do outro lado dele. Meu estômago roncou, arrancando risadas de Masen e um sorriso dela. Comi umas duas ao lado dele. Ele comeu animado e falando o tempo todo. Kristen estava muito quieta e também procurava não me olhar, mas eu sentia o peso da sua presença e seus olhos em mim de vez em quando. Isso me deixava confuso pra caralho.
Troquei de roupa, colocando a mesma de ontem e saímos. Levei Masen no colo e o coloquei no banco de trás. De repente ela apareceu com um objeto que não identifiquei a princípio. Era uma cadeirinha, e ela o prendeu ali, o que eu particularmente achei que combinava muito com o meu carro. Eu tinha que comprar uma dessas e deixar ali, para ela não precisar sempre ter que montar e preparar o banco para ele.
"Nossa, pai. Seu carro é enorme. Maior que o do tio Ed".
"E corre mais que o dele também." Eu disse sorrindo e convencido. O meu era melhor.
"Mas não precisa provar isso no caminho para La Push. Ok?" Kristen disse séria.
"Claro que não." Eu bufei para ela e dei um último tapinha em Masen antes de fechar a porta de trás. Vi quando ela caminhou lentamente ao outro lado do carro e entrou, meio sem graça e não olhando para mim.
Liguei o som do carro, que estava tocando Lifehouse, então tentei não pensar nela e em suas atitudes confusas. A música calma me acalmou e dirigi tranquilamente, freqüentemente olhando pelo retrovisor e piscando para Masen, que em todo tempo olhava para todos os cantos, encantado com a estrada.
Kristen não dizia uma palavra. Então seríamos assim agora? Dois estranhos pais de uma criança que não conversam? Acabei me remexendo no banco, nervoso com isso. Depois de um tempo, vi que Masen ficou inquieto também e eu resolvi conversar. "Você está gostando de Forks, Masen?"
"Sim. Eu tenho uma família enorme." Achei engraçado seu comentário e ao mesmo tempo fiquei triste. Ele passou anos sem tios, avós e sem um pai. Mas tentei me focar no agora, pois eu queria que ele fosse feliz.
"Sim. Sua família é enorme e barulhenta. Você tem que se acostumar".
Com o canto do olho vi Kristen se mover inquieta no banco e comecei a pensar se ela estava querendo fugir novamente. Não. Ela não podia fazer isso. Eu não permitiria.
Chegamos à aldeia e logo avistamos a residência do meu amigo Jacob. Leah apareceu por trás da Rachel e seus olhos quase saltaram para fora quando me viram sair com meu filho no colo e Kristen ao lado. "Bom dia, Rachel. Bom dia, Leah." Eu disse sorridente e dei um beijo na bochecha de Masen. "Cuidem bem do meu pequeno." Eu avisei. Deixei Masen no colo da Kristen e quase a beijei, mas me segurei. Onde eu estava com a cabeça, porra?
Eu me sentia como Nicolas Cage em "Um Homem de Família"*, quando ele acorda e se vê com filhos e uma mulher. Eu imaginei se o nosso final seria como aquele, mas não tinha jeito de isso acontecer. Diferente da história do filme, a nossa era cheia de mágoas e mentiras. Eu não via um jeito de ficarmos juntos novamente. Nem sequer sabia o que tinha acontecido com ela durante esses anos todos. Imagina se ela soubesse de tudo que eu fiz... Mas isso não importava. Ela me deixou.
*Um Homem de Família (2000): Jack Campbell (Nicolas Cage) é um investidor com boa condição financeira, mas muito entediado com sua vida. Um dia, do nada, ele acorda casado com sua namorada do colégio e pai de dois filhos e morando no subúrbio; é quando ele começa a ver a sua vida sob outra perspectiva, que nunca havia imaginado antes.
"Que horas eu pego vocês aqui?" Perguntei ao me virar para Rachel, que nos olhava com um grande sorriso.
"Pode ser bem depois do almoço. À tardinha, para Masen aproveitar o sol daqui".
"Pode deixar." Beijei mais uma vez o rosto de Masen, que olhava para tudo que era lado. "Até mais Rachel, Leah..." Dei um aceno e me virei, indo em direção ao carro e entrando.
Eu dirigi de volta para a casa dos meus pais. Minha mente não parava de pensar em um milhão de possibilidades. Eu queria o meu filho por perto, mas não sabia o que fazer. Assim que cheguei, vi que não tinha nenhum carro na porta de casa. Automaticamente olhei para a casa de Bella. Deus, eu tinha me esquecido dela. Como será que ela estava? Eu estava tão entretido com a minha vida fodida que tinha esquecido a minha única amiga nestes tempos difíceis. Com certeza ela estaria no hospital. Resolvi que ligaria pra ela mais tarde.
Olhei no relógio e era cedo, mas meus pais já tinham saído. Corri para meu quarto e tomei um banho, decidido a ir a Port Angeles e comprar a cadeirinha de Masen antes de buscá-los novamente. Eu também poderia comprar outras coisas para ele. Eu não sabia exatamente o que, mas queria fazer algo por meu filho.
Voltei para a rua e dirigi rapidamente para Port Angeles, cansado de escutar o mesmo CD, resolvi ficar no silêncio do meu carro. O caminho até a cidade me faria pensar em muita coisa...
Suspirei ao pensar na nossa situação. Kristen continuava a agir de uma maneira estranha. Eu sempre pensei que ela me culpava por tudo isso, mas não tinha cabimento. Eu não tinha feito nada para merecer o que ela fez. E hoje, o que mais me deixava puto por não entender, era sobre o que tinha acontecido a ela. Eu não entendia. O que houve realmente que a deixou tão fria? Ela podia ser tudo, menos fria.
Kristen era decidida, mesmo quieta. Ela nunca foi uma pessoa tímida, mas só expressava sua forte opinião no momento certo. E isso foi uma das coisas que me fez apaixonado por ela. A melhor parte era que eu a tocava, seu corpo respondia da mesma maneira. Ela era fogo puro. Junto comigo. Mas quando eu a toquei pela primeira vez na sala do pai dela, ela ficou na defensiva, como se eu não devesse tocar nela. A verdade é que ela não me amava. Era muito simples. Puta que pariu. Isso não estava ajudando no meu momento de felicidade agora. Eu estava confuso pra caralho e pensar nas atitudes dela só piorava as coisas.
Cheguei ao shopping de Port Angeles e olhei para todos os lados. Fazia tempo que eu não vinha aqui e nem sabia onde poderia encontrar o que queria. Cheguei ao balcão de uma loja e perguntei onde tinha loja de artigos de bebês e assim logo a encontrei.
Fiquei maravilhado com a quantidade de coisas que vi. Era tudo tão lindo. Encontrei uma variedade de cadeiras e comprei uma para o meu carro, para meu irmão e da minha mãe. Eram os carros que eu sabia que ele mais andaria. Comprei uma variedade de brinquedos e algumas roupas. A moça da loja me mostrou tanta coisa que quando eu vi, nem sabia se daria tudo dentro do porta-malas. Ela embrulhou e me ajudou a socar tudo lá dentro. Agradeci e saí de lá satisfeito, com um sorriso do tamanho do mundo.
Pensei em voltar em casa e deixar tudo isso lá, já que todos deveriam estar no trabalho.
Trabalho. Coisa que eu deveria começar a fazer em algum momento. Mas agora eu queria curtir meu filho e estar presente o máximo que eu pudesse. Eu resolveria as coisas ao seu tempo. Nada de atropelar minhas decisões e agir por impulso.
Cheguei à minha casa e corri pelas escadas, carregando tudo para dentro. Olhei para meu quarto e percebi que não fazia sentido deixar as coisas aqui, já que eles não estavam instalados lá. Suspirando fui em direção ao quarto do meu gêmeo e sorri com a quantidade de coisas que minha mãe já tinha feito por aqui. Arrumei o máximo que minha inexperiência com crianças e organização de coisas infantis permitia. Ninguém estava por perto, então decidi almoçar na casa dos meus pais mesmo, afinal já estava bem tarde. Eu queria passar um tempo com Masen na praia.
Terminei rapidamente e me dirigi para a aldeia. Ansioso para vê-lo de novo. Encontrei Leah sentada na varanda da casa.
"Oi, Leah. Cadê a Kristen e o Masen?"
"Eles foram dar uma volta na praia com a minha cunhadinha." Ela disse com uma cara de entediada. "Quem diria hein, Rob..." Ela começou. "Você agora é pai".
"Sim." Eu disse e sorri ao lembrar. "Sou".
"E você e Kristen? Se acertaram?"
"Isso é outra história. Mas como estão as coisas? Onde está Jacob?"
"Trabalhando." Ela se calou e eu segui em direção a praia, com uma emoção enorme no peito, que quase cheguei às lágrimas.
Encontrei Kristen e Rachel sentadas em uma pedra enquanto Masen corria de um lado para o outro com um galho na mão. Quando ele me avistou, gritou em minha direção.
"Pai. Pai! Olha o mar!"
Kristen virou o rosto na minha direção e sua expressão mudou de tranqüila para inquieta. "Oi. Eu nem vi o tempo passar." Ela disse e se virou para sua amiga.
"Não tem problema. Eu vou dar uma volta com Masen pela praia. Você pode ficar o quanto quiser".
Saí na direção de Masen, que largou o galho e correu até mim, saltando no meu colo. "Calma, garotão." Eu ri e o abracei. "Vamos dar uma volta na praia?" Ele sacudiu a cabeça e apontou para um lado da praia e seguimos para lá. Coloquei-o no chão e fomos andando. "Quando chegar o verão eu venho te trazer para tomar banho de mar." Eu disse a ele.
"Mamãe disse que é perigoso." Ele falou em tom de alerta.
"É perigoso sem o papai. Mas com o papai tudo fica seguro." Me surpreendi com minhas palavras. Eu me referia a mim mesmo como 'papai'.
"Então tá." Ele disse. Andamos por um tempo, mostrei a ele algumas conchas e pedras, ele encheu os bolsos com elas. Quando voltamos, os olhares de Kristen e Rachel estavam perdidos em nós dois. Olhei para o meu filho e percebi o que elas observavam. Ele era a minha mini-cópia de verdade. Era incrível como isso era real. Seu rosto, seus olhos e cabelos. Tudo lembrava minhas características.
"Então. Eu vou arrumar as coisas do Masen no carro e te espero lá." Eu disse. "Quer vir comigo?" Perguntei ao Masen e ele acenou que sim.
Fomos ao meu carro e ele logo viu a cadeira ao lado da antiga. "Mais uma cadeira, papai?"
"Essa é a que vai ficar no meu carro." Eu disse. "Para quando você for passear comigo." A nova cadeira tinha molas para seguirem seus movimentos e suporte para copos ou mamadeiras. Ela era cinza e maior. Dando mais espaço para ele se mexer enquanto estivesse nela.
Kristen apareceu logo em seguida. Observei que ela ficou parada um tempo, olhando para a cadeira, mas não falou nada. Nos despedimos das duas mulheres. Masen já estava preso na nova cadeira e estávamos escutando o cd de músicas infantis que comprei na loja. Ele sabia algumas das canções. Era muito engraçado vê-lo cantar.
Seguimos para a casa do pai dela e ajudei-a a retirar as coisas do carro. Masen adormeceu no caminho, então eu o carreguei até o quarto dela e o deitei sobre a cama. Fiquei observando-o até que ela entrou no quarto, meio desconfortável.
"Eu já vou sair." Eu disse.
"Tudo bem." Kristen respondeu e começou a guardar as coisas de Masen no guarda roupas.
"Vocês vão ficar aqui agora?" Perguntei de repente.
"Sim. Durante a semana. No final de semana podemos sempre passar na casa de vocês para Masen ver os avós e os tios".
"Isso não vai funcionar." Bufei. "Eu não quero mais ficar longe dele. Acho que você ainda não entendeu isso." Eu falei baixo, mas em tom definitivo. Não queria acordar meu filho.
"Vamos conversar lá fora." Até que enfim ela resolveu conversar. Já era hora. Levantei da cama depois de dar um beijo na mãozinha de Masen e desci as escadas.
Ela parou no sofá e se sentou, parecendo bem desconfortável. "Você sabe que não tem como eu morar na sua casa".
"Por quê? Minha mãe já até fez um quarto pra vocês." Respondi. "Eu não quero mais me afastar do Masen. Quero estar presente".
"Eu sei, Rob. Eu já entendi isso, mas você pode ser presente vindo visitá-lo aqui na casa do meu pai todos os dias".
"Não. Ele é meu filho. Ele tem que morar onde eu estiver".
"Mas eu não sou sua mulher. Não tem cabimento eu me enfiar na casa dos seus pais. Isso é ridículo".
"Você não é minha mulher, mas é a mãe do meu filho. Eu não vou desistir disso, Kristen."
"Você sempre quer complicar as coisas." Ela bateu a mão no braço do sofá. "Eu já voltei, estou aqui com o Masen, mas nada é suficiente".
"O quê? Agora você é a boazinha por fazer a caridade de me dizer que eu tenho um filho mais de quatro anos depois?"
"Você não imagina..." Ela começou, e pela primeira vez eu a vi parecer fragilizada. "Deixa pra lá..."
"O quê é que eu não imagino? Eu não sou vidente. Se você não me contar o que aconteceu, eu não tenho como saber. O que aconteceu durante esses anos, Kristen? O que você fez durante todo esse tempo que te deixou assim..." Apontei para ela, como se fosse visível. "Fria e durona."
"Você não quer saber, Rob. Acredite em mim. E isso também não interessa. O importante é que Masen teve tudo o que precisava. Eu não deixei faltar nada para ele." Ela disse decidida e com isso meu sangue ferveu.
"Não. Só uma família. E claro, o amor e cuidado e um pai".
"Ele foi muito amado sim".
"Isso não foi o suficiente".
"Pra você".
"Então foi pra você? Você acha certo uma criança crescer sem o pai?"
"Eu cresci e vivi sem uma mãe e não morri." Ela acusou e meu estômago revirou ao me lembrar de Renée.
Levantei, me aproximei do sofá e a encarei. "Não é porque a sua mãe não te quis que eu não iria querer meu filho." Era cruel, mas ela estava me matando também. Eu sabia que poderia me arrepender das minhas palavras, mas foi mais forte que eu.
Ela se levantou, com uma ira no olhar e deu um tapa na minha cara, com o barulho ecoando na sala. "Nunca mais fale da minha mãe".
"Nunca mais diga que eu não queria meu filho. Você nem sequer me falou".
Eu olhei para ela demonstrando toda a mágoa que eu sentia. "O que aconteceu com você?" Perguntei mais uma vez. "Onde você estava? O que fazia?"
Ela abaixou o olhar e fechou os olhos. De repente seu rosto se levantou. Ela me olhou em desafio. "Quer mesmo saber?" Me perguntou, e a máscara estava de volta. Fria e sarcástica. "Eu era dançarina de boate." Ela disse como se fosse algo normal. "Eu fazia danças particulares para homens. Era isso que eu estava fazendo".
"Você não queria saber sobre minha atuação ontem? Hein?" Ela se aproximou ainda mais e ficou com o corpo em minha direção.
Eu não conseguia reagir. Meu estômago revirou. O quê? Por que ela estava me dizendo aquilo? Era verdade? Porra, ela nunca dançou pra mim. Puta que pariu, agora não era hora de pensar nisso.
"Sim, Rob. Eu mostrava o meu corpo por dinheiro." Ela me desafiou novamente, esperando que eu falasse algo para julgar, mas eu não conseguia pensar direito. Eu acordei e de repente eu estava em uma realidade paralela. Só podia ser. "Mas então..."
Foi a vez de eu desviar o olhar. Então... foi desse jeito que Edward encontrou com ela. Meu olhar ficou horrorizado com os meus pensamentos. Eu não sabia o que falar. É por isso que ele não me contou. Como se lesse meus pensamentos, Kristen começou a falar.
"Mas não se preocupe. Eu não era prostituta, só dançarina, mas isso não é importante agora, não estou esperando seus aplausos".
"Eu não estou preocupado com você." Respondi frio. "Mas com meu filho." Ela ainda tinha o poder de me tirar a sanidade, para o bem e para o mal. Eu queria feri-la. Por isso ela me deixou?
"Ele foi bem cuidado."
"Imagino... Com a mãe por aí..."
"Você não sabe de nada." Ela disse e balançou a cabeça.
"Não mesmo. Eu não sei de nada. Eu nem sabia que você sabia dançar".
Ela começou a rir. Muito bom, agora eu tenho cara de palhaço. Isso me deixou puto pra caralho.
"Eu não sabia. Mas a necessidade faz a gente fazer muitas coisas".
"Meu Deus." Eu disse e coloquei a mão na testa. Porra. Sempre que as coisas estão ruins ainda podem piorar.
"Eu sabia que você não entenderia." Ela me acusou.
"Você queria que eu fizesse o que agora?" Perguntei e olhei em seu rosto. Joguei meu corpo no sofá atrás de mim e suspirei alto. "Que eu pedisse para você me mostrar o que fazia? Afinal, você estava dançando para o meu irmão, não era? Foi assim que ele te encontrou não foi?"
Ela me olhou assustada. O quê? Eu não pediria isso. Na verdade, não queria imaginar o que tinha acontecido na sua vida. Meu irmão e outros homens a vendo dançar naquelas roupas e porra... eu não queria pensar nessa merda. Eu acho que cometeria assassinatos. Mas ela não era minha.
Seu rosto ficou corado e eu olhei incisivamente para ela. "Vamos lá. Quanto é uma dança?" Seus olhos se endureceram e mais uma vez ela tentou me bater. Isso já estava virando rotina. Segurei sua mão e a puxei. Ela caiu em cima de mim. "Para de tentar me bater." Avisei. Seu rosto continuava duro. Ela estava com muita raiva de mim. Mas a minha era ainda maior. "Foram eles que te deixaram assim? Foi isso?"
Ela começou a se debater no meu colo. Eu queria conversar, mas estava difícil com ela em cima de mim.
"A vida me deixou assim, Rob".
Seu corpo estava sobre o meu, e no momento que ia falar, escutamos o barulho na porta. Charlie estava de volta. Kristen endureceu o olhar e foi em direção ao seu pai. Mas que caralho. Isso tinha que ser um pesadelo.
"Olá, crianças, tudo bem?"
Não. Nada bem. Minha vida fodida tinha dado mais uma reviravolta. A mulher que eu tinha escolhido para ser minha se exibia para outros homens, até para o meu irmão. Isso tudo depois que ela me deixou. E claro, sem contar que eu quase tinha transado com ela ontem, antes dele interromper. Olhei para seu pai, com o olhar perdido.
"Eu... eu tenho que ir".
"Não vai ficar para jantar, Rob?" Filha da puta. Cerrei os olhos em sua direção, quase faiscando de ódio. Como ela conseguia ser assim tão fria depois de me jogar uma bomba dessas? Eu não deixaria as coisas tão fáceis assim.
"Não, mas eu gostaria de voltar para dormir com meu filho, se não tiver problemas." Se ela acha que pode brincar de ser robô, eu também posso ser insensível.
"Hum... por mim tudo bem, mas eu vou dormir na minha cama hoje, minhas costas estão horríveis." Seu pai quase gemeu falando entre nós.
"Eu durmo na sala com ele." Falei sem olhar em direção a ela.
"Tudo bem, mas não chegue tarde. Daqui a pouco vou colocá-lo pra dormir aqui com você." Ela disse isso e subiu as escadas. Meu coração quase saltava pela boca de nervoso. O que essa mulher fez comigo?
O resto do dia passou como um borrão. Fiquei rodando com o carro, com vários pensamentos conflitantes e sem nenhuma resposta. Mas que caralho de vida é essa? O que fez essa criatura irritante tomar essas decisões? Eu não era o suficiente pra ela? Cristo, as coisas estavam piores do que eu pensava.
Quando a escuridão se formou à minha volta. Resolvi voltar para a sua casa. Eu não daria esse gostinho a ela. Por mais que ela tentasse me derrubar, eu jamais fraquejaria na sua frente.
Estacionei o carro e fui em direção a porta sem bater. Abri sem esforço, sentindo os pêlos da minha nuca eriçarem somente com a presença dela na sala, mesmo fora da minha visão. Eu não iria sucumbir.
"Ele já esta aqui, Rob. Pode deitar direto do seu lado".
Sua voz saiu quase sussurrante, mas preferi me calar. Assim que entrei no cômodo, minha visão se ajustou à luz que vinha da televisão e ao mesmo tempo, percebi seu pequeno corpo no sofá.
Retirei meus sapatos e minha blusa ficando somente com a calça jeans. O ar de repente ficou mais pesado e infelizmente entendi o motivo. Kristen levantou do sofá e a maldita estava com uma camisola branca e curtinha, deixando o contorno dos seus seios para a minha imaginação, assim como suas longas pernas totalmente a mostra. Quase gemi com isso.
"Boa noite, Rob. Durma com os anjos".
"Nesse caso só meu filho".
"Depende... as pessoas se fantasiam também".
Não acredito. Essa filha da puta estava me provocando? Isso não ficaria assim.
"Sim, é verdade. Mas tem coisas que só melhoram com o tempo, sabia? Eu mesmo aprendi cada coisa, gatinha".
Mesmo no escuro, senti seu olhar me varrendo, mas no último minuto ela suspirou e subiu as escadas sem falar mais nada. Eu grunhi de ódio, querendo arrancar a sua cabeça fora, mas, ao mesmo tempo, visualizei seu corpo, com uma fantasia de anjinha, rebolando pra mim. Mas que porra.
'Pare com isso, mente idiota'.
Suspirei de frustração com o rumo dos meus pensamentos. Como a minha vida tinha mudado tanto nas últimas horas? Como um ódio mortal poderia ter se transformando em desejo insano? Isso não podia ser normal. Eu era um louco, só pode. Olhei em direção ao meu filho e senti meu corpo se acalmar. Somente Masen teria o poder de me deixar tranqüilo agora.
Deitei ao seu lado e sua mãozinha agarrou meu braço, me fazendo sorrir. Dei um beijo na sua cabeça e passei as mãos pelos seus cabelos, ainda emocionado com a novidade de ser pai. Mais uma vez minha vida era invadida por Kristen. Antes de apagar completamente, lembrei da primeira vez que senti desejos por ela.
Kristen ainda era uma menina, mas exalava sensualidade. Eu, quase um pedófilo, fiquei tentado a agarrá-la na escada da casa dos meus pais. Mas o pouco de consciência que tinha naquele momento me fez parar, não sem antes deixar claro que estava contando os dias para sua maioridade...
O dia amanheceu, mas não escutei a bagunça do meu filho ao meu lado. Ainda de olhos fechados, escutei alguns sussurros próximos a mim, mas não consegui identificar de quem eram. Eles receberam visitas e me deixaram dormir na sala? Respirei profundamente com isso.
"Boa tarde, filho".
O quê? Minha mãe? Jesus, meus sonhos estavam cada vez mais vívidos agora? Abri os olhos com medo da realidade paralela que tinha caído. Por Deus, eu estava louco mesmo.
"Mãe? Pai?" Eles estavam mesmo na minha frente, sentados no sofá enquanto eu dormia.
"Como você está, filho? Estávamos preocupados, mas Kristen disse que você parecia muito cansado, então ela impediu que Masen te acordasse".
Isso me surpreendeu. Ela estava preocupada comigo?
"Sim... quer dizer, bom dia, mãe. Pai. Eu estava um pouco cansado mesmo. E onde eles estão agora?"
"Ela está dando banho no meu neto." O sorriso do meu pai era contagiante. "Vamos passar a noite com ele na casa da Alice. Ela vai dar uma festinha pra ele, claro".
Sorri com a visão da minha pequena irmã brincando com o sobrinho, totalmente insana. E agora que a consciência tinha me alcançado totalmente, lembrei que minha mãe disse boa tarde.
"Que horas são agora?"
"Quase três da tarde".
"Deus, eu dormi essas horas todas?"
"Sim, como eu disse, Kristen deixou você descansar".
Fiquei imaginando o trabalho que deve ter sido pra ela fazer Masen ficar quieto, ou não me acordar. Minha respiração ficou densa com esse pensamento. Se ela não se importava comigo ou com o que sinto, por que essa preocupação?
Escutei o barulho vindo do banheiro e enquanto estava levantando, comecei a sorrir. Meu filho estava fazendo bagunça na hora do banho. Anotei mentalmente que eu queria fazer isso também. Aliás, queria fazia muitas coisas com meu filho agora. Tudo o que perdi durante todos esses anos. Esse pensamento me fez lembrar as coisas que Kristen fez e me disse. Um sentimento de raiva começou a subir no meu peito, mas antes que eu expressasse qualquer besteira, escutei meu pequeno correndo em minha direção.
"Até que enfim, papai, você tá melhor?"
Sorri em sua direção, no mesmo instante que senti a presença dela na sala também. Suas roupas estavam molhadas e, caralho, deixando seus seios visíveis. Percebendo o meu olhar, Kristen pediu licença e subiu para o quarto.
"Sim, filho. Estou melhor, obrigado por me deixar dormir. Papai estava mesmo cansado".
"Tudo bem, mamãe pediu minha ajuda pra fazer cookies." Ele disse orgulhoso. "Agora só falta a gente dormir todos juntos pra ficar igual na TV".
"Como assim?"
"Eu, você e a mamãe. O papai e a mamãe dormem na sua cama e eu na minha".
Minha mãe olhava pra mim com os olhos arregalados. Meu pai tossia descontrolado enquanto eu abria e fechava a boca, sem saber o que responder. Por Deus, como falar isso com meu filho?
"Quando você vai dormir com a mamãe, papai?"
"Masen. O que eu te falei sobre isso, filho?" Escutei a voz dela das escadas. "Seu pai acabou de acordar. Depois conversamos sobre isso".
"Puxa, por que ninguém nunca conversa comigo sobre minha cama?" Ele disse amuado, fazendo biquinho e cruzando os bracinhos. Porra, meu filho era demais. Ele estava querendo saber sobre sua cama, abordando o assunto mais delicado do mundo.
"Filho. Depois conversamos, está bem? Agora cadê os cookies que você fez?" Distraí meu pequeno com sua farra na cozinha. Ele correu até a mesa e pegou um saquinho com biscoitos, agora mais feliz. "Esses eu pedi a mamãe para guardar pra você, papai".
Olhei em volta e vi que meus pais tinham os olhos marejados. Minha mãe não resistiu e agarrou Masen, suspirando. Eu estava sentado, mas a reação da minha mãe me fez levantar. Eu estava completamente apaixonado pelo meu filho.
"Vocês prometem não demorar?" Pedi quase suspirando.
"Sim. Kristen está quase morrendo para impedir".
Voltei os olhos para ela, vendo que estava encostada no balcão da cozinha, olhando a cena com olhos vidrados. Pra mim ela tinha chorado, mas não podia ter certeza. Meu pai pigarreou, chamando a atenção de todos.
"Vamos, Esme?"
Fui saindo junto com meus pais, mas tive que passar por ela. Um pequeno sorriso dançou em seus lábios, o que me fez confuso. Por que ela estava rindo? Mas quando me aproximei, percebi o motivo, ou teria que falar com ela, pedindo para ela sair, ou teria que roçar meu corpo nela. Filha da puta, na frente dos meus pais era demais.
Eu não pediria licença, não mesmo. Com um olhar de desafio no rosto, passei com o corpo rente ao dela. Senti sua respiração no meu peito, já que ainda estava sem camisa, e sua altura não alcançava meus ombros. Mesmo sem estar endurecido, passei meu membro na sua barriga. Tudo durou poucos segundos, mas o suficiente para ela cerrar os olhos e me fuzilar.
Comecei a rir e coloquei a minha camisa, com o olhar desaprovador do meu pai. Puta merda, será que ele percebeu? O melhor era sair daqui agora.
"Vou em casa." Olhei para a minha mãe, distraída com meu filho. "Vocês já estão indo?"
"Sim, filho." Meu pai me olhou e virou para Kristen. "Tem certeza que vai ficar bem? Seu pai volta a que horas?"
"Ainda não sei os esquemas de plantão do meu pai. Mas tudo bem. Eu acho." Ela disse dando de ombros, mas percebi seu olhar ansioso para Masen, que brincava distraído no colo da minha mãe.
"Qualquer coisa ligue, por favor? Eu vou correndo." Ela soltou desesperada, arrancando um sorriso de ternura da minha mãe.
"Não se preocupe, querida. Eu te ligo. Mas não esqueça que cuidei de quatro desses." Ela disse beijando Masen. "Sem contar que tive uma versão duplicada, se formos colocar Edward e Robert na conta".
"Mãe!"
"Desculpe, Rob!" Disse sorrindo.
Antes que eu ficasse sozinho com ela, resolvi sair. Beijei meu filho, os cabelos da minha mãe e dei um abraço no meu pai. Ao me virar para Kristen, percebi seu olhar maroto em minha direção. Não ia deixar isso barato. Aproximei-me dela e falei no seu ouvido, bem baixinho:
"Ainda não terminamos, gatinha".
Virei meu corpo rapidamente, sem esperar sua reação. A proximidade mexeu comigo mais do que gostaria. Abri a porta e corri para o meu carro.
Com os pensamentos confusos, cheguei em casa novamente. Eu queria entender o que estava acontecendo. Precisava achar uma solução para todos os dilemas que estavam dançando na minha cabeça. Como essa mulher pequena e cheia de defeitos me deixava tão enlouquecido? O que eu fiz pra merecer tudo isso?
De repente, tive consciência do carro do meu irmão na porta e não sabia se estava preparado para conversar com ele ainda. Eu queria falar com alguém, mas não Edward. Minha cabeça ainda tentava assimilar a Kristen da minha época feliz com a mulher fria e irônica, dançarina de boate que estava atormentando minha mente. Entrei lentamente, com medo de encará-lo. O que eu estava fazendo aqui então porra, se não queria confrontá-lo? Nunca fui medroso. Meu estômago me avisou o motivo de estar aqui. Invadi a cozinha da minha mãe, buscando algo. Eu precisava me distrair.
Lembrei do meu gêmeo. Ele devia estar uma bagunça do caralho por causa de Bella também. Fechei os olhos pela lembrança. Parecia meses desde que houve o nosso confronto com a verdade e, mesmo assim, tinha sido há pouco tempo. Foi o quê? Uma semana? Eu tinha perdido a noção de tempo e espaço desde o retorno do meu pesadelo infernal. Kristen representava toda a mudança da minha vida e era dificil pensar em alguém, ou algo, enquanto eu não entendia a nossa situação. Novamente me peguei pensando na sua micro camisola da noite passada. Ela colocou de propósito. Tinha que ser. E seu comentário sobre fantasia quase me enlouqueceu. Eu precisava parar de pensar nisso.
Antes que minha mente confusa piorasse e eu ficasse sem coerência até mesmo para dirigir, resolvi voltar pra rua. Ou melhor, eu poderia conversar com ela agora não e? Ela estava sozinha mesmo...
'Puta que pariu Rob! Pare de pensar nisso'. Xinguei mentalmente. Eu estava parecendo um adolescente hormonal descobrindo o sexo.
Para o meu eterno desgosto, lembrei que a ultima vez que tinha feito sexo. Foi na orgia cega que participei. Deus tinha tanto tempo assim? Eu estava sofrendo agora o trauma das bolas azuis constantemente, porque, puta que pariu primeiro tinha sido Leah que eu evitei. O que não era normal no meu caso, mas ela não me merecia. E Kristen que por pouco não foi. Antes que eu ficasse tenso e pensasse nas possibilidades de uma fantasia de anjinha novamente, resolvi sair. Mas antes que chegasse a porta, ouvi os passos do meu irmão descendo as escadas e me virei para ele.
"Rob? O que houve?"
"Ei, Edward. Tudo bem, cópia?"
"Bom, comigo tudo, e você?" Ele me perguntou, cruzando os braços e subindo a maldita sobrancelha pra mim. Porra. Ele me conhecia bem demais e sabia como eu estava confuso. "E aí, como foi com ela, Rob? Não te vejo desde ontem a tardinha. E onde estão todos?"
Desviei o assunto, mas percebi que meu irmão se confundiu e isso me preocupou bastante. Eu já tinha dormido duas noites fora. O que houve com ele? "Eu estava me perguntando isso agora mesmo, mas acho que papai e mamãe saíram com Masen." Resolvi sair pela tangente sem responder nada. Se ele estava confuso, eu era uma bagunça enorme também. Ou seja, eu não sabia bem o que fazer para ajudá-lo também. Pelo menos nesse momento. "Bom, cópia, tenho que sair. Depois nos falamos." Saí quase correndo em direção à porta, vendo que ele insistiria no assunto.
"Ei... Robert!" Eu o ouvi me chamar pelo meu nome, o que fez minha irritação ser direcionada para ele. Levantei meu dedo médio e não olhei para trás. Não estava preparado para essa conversa.
Entrei no carro e voltei a rodar sem destino. Não sabia o que pensar e nem o que fazer. Todo o meu corpo traidor chamava por ela. Mas eu não podia. Ela precisava me contar o real motivo da sua partida. Essa história dela ter sumido somente por ter ficado grávida não era certo. Isso não era motivo suficiente.
O dia começou a escurecer mais rápido agora. Resolvi encarar meu desejo e voltar para sua casa. Chegava a ser irônico, pois quando namorava com ela eu não ia tanto assim.
Bati na porta e ouvi passos errantes até que ela abriu. Kristen estava com um casaco pequeno moldando seus seios. Meu olhar desceu e me vi lambendo os lábios de novo. Um short curto, cabelos soltos e uma barra de chocolate na mão completavam o visual.
Seu olhar desceu por meu corpo também e subiu. Ela olhou para mim da mesma maneira quando eu vim conversar com ela da primeira vez. Sarcasmo enchendo sua voz. "Veio conversar novamente?"
"De novo com essa porra?" Perguntei já alterado com a maneira dela falar comigo. "Eu vim conversar. De verdade." Eu tentei me convencer, mas sem olhar para ela. Pequena, apertada, de short curto... e o chocolate. Tinha um pouco no canto da sua boca. "Mas antes disso..." Eu a puxei para mim. Calei o sarcasmo dela com a minha boca, lambendo o canto dos seus lábios, fazendo-a se desequilibrar caindo nos meus braços. Soltei sua boca por um instante. "Eu só queria limpar o chocolate." Eu falei e a afastei. Ela levantou a mão para me bater de novo e eu a segurei no ar.
"Sabe que eu adoro você assim. Eu sei que você só faz isso pra me tentar." Ela ficou puta e tentou se afastar, tentando se equilibrar e eu a puxei novamente para mim.
"A conversa que se foda." Eu disse em seus lábios. "Eu ainda não terminei o que queria com você." E a arrastei mais uma vez para o sofá.
"Me solta, porra. Eu não vou fazer nada com você".
"Quem disse que vamos fazer algo?" Segurei seu corpo junto ao meu, enquanto sentava com ela no meu colo. "Eu quero entender a piadinha do anjo".
Kristen soltou uma gargalhada sarcástica, fazendo meu pau subir. Desde quando eu tinha ficado submisso e excitado com toda a sua ironia? Ela estava me fazendo ter pesadelos sexuais somente com suas insinuações. Por Deus, eu preciso mesmo de sexo!
"Um dia, Rob, talvez eu te mostre... talvez. Isso se você merecer".
"Não brinque comigo, gatinha. Já faz anos, você não me conhece".
"E nem você, querido. Eu sou outra pessoa agora".
"Cretina... você vai..." Puxei-a pelos cabelos, arrancando um gemido de ambos. Por mais que ela lutasse, seus braços que antes me empurravam, pareciam que estavam me puxando para mais perto. Quase rolei os olhos de satisfação, por saber que ela se rendia.
Suas pernas, que antes se debatiam, já estavam em volta da minha cintura enquanto lutávamos em um beijo ainda mais feroz. Eu queria entrar no seu corpo, mas a raiva por suas ações ainda me consumia. Eu precisava feri-la do jeito que eu tinha sofrido. Minha mente estava uma bagunça. Eu desejava, mas queria repeli-la. Sabia que isso era errado, mas o que podia fazer?
"Quero ver você dançando pra mim, gatinha".
Ela se retesou, mas subiu em cima de mim, mordendo minha língua novamente. Daqui a pouco ela arrancava essa porra fora. "Pra você é mais caro, meu bem".
"Filha da puta, você me mordeu." Soltei seus cabelos, segurando minha boca. Ela estava virando canibal agora? "O que é isso agora? Quer arrancar minha língua fora? Ou virou dominante nas suas andanças e usa da agressão para se satisfazer?"
"Já disse, Rob. Você não me conhece".
"Vamos ver".
Puxei seu corpo de novo, dessa vez virando totalmente e jogando-a no sofá. Eu estava enfurecido, principalmente com o fato de ela mexer tanto comigo depois de tanta dor. Depois de tanto tempo. Caralho, eu tinha que exorcizá-la do meu corpo e da minha mente. Kristen arfava e gemia, mas seus olhos estavam raivosos. Assim como os meus deveriam estar. Quando eu fui em direção à sua blusa, querendo arrancar tudo que me impedia de chegar ao seu corpo, escutamos o clique da porta.
Puta que pariu um milhão de vezes. De novo chefe Stewart atrapalha minha situação com ela. Isso sim era mais do que perfeito para um reencontro fodido. Eu quase urrei. De verdade. Mas ao virar o rosto em direção a ela vi um sorriso nos seus lábios. Isso não era engraçado. Ela levantou no mesmo momento que ouvimos a voz dele.
"Filha? Está aí?"
"Aqui na sala, pai".
Virei meu corpo em direção à televisão para que ele não visse a minha precária situação ilimitada de pau duro da semana. Porra, isso estava muito foda. Ou melhor, sem foda, já que eu nem me masturbava mais. Corri ambas as mãos pelos cabelos, tentando pensar coerente.
"O que faz aqui, Rob?"
"Estamos conversando, pai". Ela nem me deixou responder.
"Sei, a última vez que vocês conversaram sozinhos, você estava grávida e tinha sumido".
Voltei meu corpo em direção a Charlie. Então agora a culpa era minha? Antes que soltasse uma bomba através das minhas palavras, Kristen resolveu intervir. Ela segurou no meu braço e foi me levando até a porta.
"Ele quer ficar mais tempo com Masen, pai. E está puto porque vou morar aqui e não mais na mansão".
"Mas aqui é sua casa." Ele rebateu e meu corpo paralisou. Eu juro que ia explodir. Ele queria meu filho só pra eles agora? Não está ajudando, Charlie.
"Chefe Stewart..." Eu comecei.
"Rob! Vamos logo, você tem que ir embora. Por favor." Sua súplica no final da frase me quebrou. Há muito tempo não ouvia sua voz melosa me pedindo algo. Eu sempre fazia tudo o que ela queria quando falava assim comigo. Meus olhos estavam vidrados em sua direção e vi que ela colocou sua mão delicada na boca, percebendo o que disse.
Dei uma última olhada para seu pai e saí pela porta, ainda mais destruído do que quando entrei. Eu ainda ouvia vozes abafadas dentro da sua casa, mas a realidade abateu sobre mim. Se eu ficasse ou voltasse, o estrago seria muito pior.
Bati com a cabeça no teto do carro, tentando achar coerência. Eu não sabia o que fazer. Nem o sexo sem compromisso, que tinha consumido minha vida nos últimos anos, estava me animando. Antes quando estava mergulhado em problemas, eu usava o meu corpo e de mulheres desconhecidas para amenizar. Mas agora era diferente. O meu real problema estava aqui, me atormentando e dominando meus sentidos de forma devastadora.
Entrei no carro e rodei por algum tempo. Mas como tinha acontecido ultimamente, nem meu carro me distraía mais. Precisava muito de ajuda e agora a única pessoa que me entenderia seria meu gêmeo. Eu poderia até mesmo conversar com Bella, que tinha sido essencial como minha amiga também, mas o que dizer? Estou sexualmente atraído, da forma mais violenta, pela mulher que destruiu minha vida? Isso não parecia uma conversa legal de amigos.
Fui para a casa dos meus pais e vi o carro do meu irmão na garagem. Subi as escadas e me joguei na cama do meu quarto, ouvindo o som do chuveiro. Pensei um pouco na situação dele. Bella era tão boa pra ele, só ele mesmo não enxergava. O pior é que eu não sabia como fazê-lo perceber seus erros também.
Logo depois ouvi o som do chuveiro sendo desligado e aguardei. Fiquei imaginando que se eu não estivesse aqui, essa hora ele poderia estar feliz e talvez até morando com Bella. Mas eu também não teria encontrado meu filho.
Assim que ele entrou no meu quarto, me assustei um pouco, já que ele não dormia aqui. Ou será que eu estava confuso? Resolvi falar logo, mas sem olhar para seu rosto. Eu estava tão perdido.
"Olá, cópia. Podemos conversar?" Falei quase com medo. "E agora juro que não é para pedir... só quero jogar conversa fora".
"O que houve com você, Rob? Você parece... perdido".
"É assim que pareço? Porra, Ed, você não faz idéia. Mas... ei, você ia sair? Acabou de tomar banho." Avaliei-o pela primeira vez e, porra, ele definitivamente estava muito pior do que eu. "Hum... acho que não sou eu que estou uma confusão do caralho, maninho. O que me diz de sair e tomar um drink, afinal, não é nem nove da noite ainda".
"Acho que preciso mesmo me distrair. Mas sem mulheres, por favor." Nem me fale em mulheres, eu definitivamente estava correndo de qualquer uma no momento.
"Pra quê? Elas só causam dores de cabeça." Ele me olhou confuso, franzindo sua sobrancelha. Deus, eu conhecia esse olhar.
"Você quer falar sobre isso, Rob?" Sua preocupação me atingiu, mas eu não falaria com ele agora. Edward estava muito mais fodido do que eu e pelo que percebi, confundindo os dias e dormindo na minha cama. Lógico que como fuga ele iria se preocupar com os meus problemas primeiro.
"Pode parar irmão super protetor e que soluciona todos os problemas alheios, menos os seus. Hoje é sobre você. Vamos logo e coloque uma roupa decente que vamos sair." Comecei a pensar que se eu conseguisse ajudá-lo, eu também ficaria melhor. Meu irmão sempre estava disponível pra mim. Eu queria estar aqui para ele também.
Eu o joguei dentro do meu carro e fomos para o bar mais perto que encontrei.
"Essa porra de cidade está tão vazia. Sabe o que houve?" Perguntei ao perceber que até o bar não tinha ninguém.
"Sim. Hoje foi aniversário de uma enfermeira muito querida no hospital. Acho que toda a cidade foi pra casa dela. Eu te garanto, estava bem cheia".
Fiquei surpreso ao saber que ele tinha saído e voltado tão cedo. "Você foi à festa? Mas o que estava fazendo em casa, então? O que você aprontou, Edward?"
A garçonete passou e eu pedi uma cerveja. Edward suspirou me deixando preocupado. Não resisti e perguntei o óbvio.
"É sobre Bella, né? Ela está na festa?" Falei já sabendo que era isso.
"Eu fui à festa, Rob, mas voltei cedo... por isso que você me pegou em casa, na verdade. Eu tinha acabado de tomar um banho depois de chegar de lá..."
"Hum... acho que é aí que tem uma história interessante... você quer me contar?"
Ele fechou os olhos, totalmente angustiado e meu coração apertou para sua dor. Edward parecia tão ferido. Não era algo típico do meu gêmeo. Vi algo nele que eu nunca vi antes. "Eu sou um monstro, Rob..." Ele enfiou as mãos nos cabelos e balançou a cabeça. "Eu ainda a amo, tenho certeza, mas não consigo esquecer..."
"O que você fez, Edward? Vejo que você a machucou, ou pelo menos acha isso... Bella te ama, cara. Eu já te disse. Tenho certeza que ela vai te perdoar, sempre".
Ele tomou um gole de seu whisky e continuou calado por um tempo. Isso estava me deixando nervoso.
"Eu a amo, Rob. Muito. E isso fica cada vez mais certo na minha mente todas as vezes que me aproximo dela. Meu corpo reage em função dela, sempre. Mas as coisas que eu fiz... não sei se ela vai me perdoar. Sem contar que eu mesmo não consigo esquecer o que me atormenta..."
"Desabafa, irmão. Eu sempre tive você para me ouvir e me ajudar. Eu quero estar aqui por você também".
Ele me contou tudo. O que tinha acontecido com eles dois durante esse tempo. Eu estava muito penalizado por tudo, principalmente por saber do amor de Bella por meu irmão. E lógico que achava seus argumentos muito pouco perto do amor deles, mas Edward era assim. Totalmente sistemático. Mas algo em nós dois era muito parecido. Mesmo não aceitando, nosso corpo acabava mandando em nossas vidas. Não controlávamos nossos desejos. Mas ele tinha que entender que Bella não o magoaria.
"Eu não sei o que fazer, irmão. Bella é minha vida. Tudo o que sempre desejei em encontrar para amar uma mulher. Ela é minha alma gêmea. Mas não consigo deixar de pensar que ela não confiou em mim, depois de tanta coisa que vivemos e é isso que está me matando por dentro. Não acho que um relacionamento deve ter esse sentimento de desconfiança no meio".
"E agora? Você está me dizendo que está desistindo de tudo, Edward?" Não conseguia acreditar que era esse o resumo do seu discurso final. Eu não podia deixá-lo desistir dela.
"Eu não sei o que fazer, Rob. Juro que não sei".
"Bom... eu sei. Você vai lá agora e vai falar pra ela todas essas coisas. Vai admitir que a ama e que não vive sem ela..." Eu disse fortemente.
"Não, Rob. Eu não posso..."
"E por quê?"
"Vou dizer a ela o que? Eu te amo e não confio em você? Quero dormir ao seu lado, fazer amor todos os dias, mas jamais acreditarei no que me diz? Isso não está certo!"
"Você, por acaso, já conversou de verdade com ela? Nem responde porque eu sei que não. Todo o seu comportamento, desde que você descobriu tudo, é baseado no que você acredita. Você não deu a ela a oportunidade de conversar, Edward. Pelo que percebi, tudo o que está passando é baseado somente no seu sofrimento, sem saber o que ela sente. Por que você não desabafa com ela? Hoje".
Vi surgir em seus olhos uma determinação em fazer o que falei. Ele tinha que resolver essa porra logo e conversar com ela. Edward pediu outra bebida e esperou até ela chegar. Deu um grande gole e me olhou. Não o esperei me dar outra desculpa. Por mais que minha vida ainda não estivesse totalmente estruturada, eu estava mais leve e um pouco feliz, principalmente pelo fruto do meu amor do passado por Kristen. Masen era a melhor coisa na minha vida agora.
"Sei muito bem, irmão, o que é ficar muito tempo com as coisas presas no peito. Eu, Edward, melhor do que ninguém, sei a devastação que é não dividir minha dor. Precisei de quatro anos para resolver a confusão que era minha vida. É isso que você também quer pra você?"
Ele começou a chorar, colocando as mãos no rosto para esconder. "É tudo minha culpa, Rob. Eu falhei..."
"Você não falhou, irmão... você é um cara maravilhoso. Eu sempre quis ser como você. Confiante, decidido e determinado. Em tudo. Agora continue sendo meu exemplo e resolve essa porra de uma vez. Meu irmão não é covarde!"
Ele deu um suspiro e me olhou. "Você pode me levar lá, Rob?"
"Lógico, vamos então." Era o que eu queria. Eu fiquei feliz que consegui convencer esse cabeça dura. Saímos do bar e fomos direto para a casa da tal enfermeira.
Do lado de fora, vi uma moça que tinha estudado conosco na escola e era amiga da Kristen quando ela morava aqui. Lembrei das vezes que elas passavam de uniforme escolar por mim, principalmente quando eu já a desejava. Balancei a cabeça com o rumo dos meus pensamentos. Ela conversava com um rapaz que eu não conhecia. Meu irmão bufou ao vê-lo e me olhou.
"O que houve, Edward?"
"Pare ao lado daquela morena ali".
Eu o olhei confuso, tentando entender sua irritação, mas não disse nada e fiz o que ele pediu.
"Oi, Ângela. Bella está aí?" Ele perguntou a ela. Ângela. Era ela mesma.
"Edward? Nossa, me perdoe, nem te reconheci dentro desse carro. Você quer saber de Bella?"
"Sim... por favor".
"Ela foi embora há algum tempo. Deve estar em casa agora".
"Obrigado." Ele disse e me olhou. Eu entendi na hora. Para a casa de Bella.
"Eu quero saber o que foi aquilo?" Perguntei, já que ele não me disse o que tinha ocorrido para ele ficar tão puto só de ver o cara. Mas no fundo eu imaginava que tinha sido o homem que despertou o lado homicida do meu gêmeo na festa. Eu poderia descarregar minha fúria nele também...
"Não, Rob. Deixa pra lá".
"Mas você não está bem. Tem certeza?" Insisti, de repente ele aceita minha vontade de descontar em alguém também.
"Tenho. Na verdade, aquele ser insignificante era o cara que estava dando em cima de Bella mais cedo, como te falei. Acho que vi vermelho de novo. Mas estou melhor, acredite." Eu sabia que era o próprio.
Eu sorri, imaginando meu irmão socando o pobre do rapaz. "Você também não está bêbado, né?"
Ele também sorriu. "Eu estou bem".
Assim que chegamos em frente a casa da Bella ele olhou para fora e começou. "Eu acho melhor não, Rob... eu...".
"Pode parar a palhaçada agora mesmo. Você vai conversar com ela agora sim." Ele não ia desistir tão fácil. E nem eu.
Parei na porta dela e me estiquei para abrir a porta dele, mostrando que ele teria que descer.
"Eu não tenho escolha, né?"
"Não. E tira logo essa bunda branca do meu carro antes que eu te jogue pra fora".
Edward saiu cambaleando do carro e eu quase ri da cena. Meu irmão raramente bebia, era engraçado de ver. Eu o vi dando passos até a varanda e percebi que ele não desistiria, então saí de lá, deixando meu gêmeo para resolver seus problemas. Estava entrando na garagem de casa quando percebi o quanto estava agindo igual a ele. Eu tinha acabado de dizer para meu irmão resolver e assumir tudo o que sentia, mas isso era tudo o que eu não tinha feito durante todo esse tempo. Mas o que eu sentia afinal? Nem eu mesmo entendia ainda.
Dei a ré e fui em direção a casa dela. Olhei no relógio e vi que passava das onze horas da noite. Tive receio em me aproximar com medo da reação de Charlie. Mas para minha sorte, ou não, o carro do pai dela não estava lá... Eu sabia que às vezes surgia algum problema e ele passava a noite trabalhando. Então resolvi descer e bater na porta.
Eu tinha bebido só duas cervejas, então eu não estava nem um pouco bêbado. Dei duas leves batidas, pensando que ela poderia estar dormindo. Mas claro que com Kristen tudo era possível. Ela abriu a porta e, para me fazer pirar ainda mais, estava de calça de moleton grudada no corpo e uma blusa justinha... e um copo de vinho. Deus do céu, não tinha como ela ficar mais sexy?
"Você está bêbada?"
"Eu? Lógico que não." Sua mãozinha veio em minha direção, passeando pelos meus lábios. "Não resistiu ficar longe de mim muito tempo, não é?"
Isso de novo não. Ela começou novamente com sua provocação do caralho. Empurrei seu corpo para dentro da sua casa, sem pensar em mais nada.
"Agora somos só nós dois, meu bem".
Meu corpo ardia para senti-la. Ela se debateu a princípio, mas dessa vez sem muita resistência. Eu a abracei forte contra mim e ela podia sentir tudo o que estava fazendo ao meu corpo. Meu pau já estava dolorido, pela milionésima vez desde que tudo começou. Comecei a puxá-la mais, até chegarmos ao sofá e ela se sentou em cima de mim. Seus olhos estavam fechados e eu não falei nada. Eu só precisava fazer isso. Ficar com ela. Sem pensar em nada.
Se eu pensasse iria gritar. Se eu pensasse não estaria aqui agora.
Eu queria sair e não deixar tudo isso acontecer. Mas um sentimento estranho me segurava. Caralho, isso era insano demais.
Subi sua blusa e a retirei. Olhei para ela, seu corpo pequeno, lindo e corado. Perfeito. Demorei um tempo analisando tudo. Seus seios estavam maiores por causa de Masen. E isso a deixou mais bonita ainda. Seus braços estavam delineados, como se ela se exercitasse sempre. Como eu ainda não tinha percebido isso?
Ela abriu os olhos devagar e me viu analisando seu corpo. Quando ela tentou se afastar eu a puxei novamente para mim. "Não dessa vez. Você não vai fugir".
Ela gemeu e me abraçou. Ela não resistiu então, assim como eu. Seria efeito do vinho? Eu não queria ser um cara que se aproveitava dessa situação, mas era tudo tão foda. Eu não estava resistindo. Suas mãos foram para a barra da minha camisa e ela a tirou, me tocando por todo canto, deixando um rastro de calor por onde passava. "Porra." Eu falei quando senti suas unhas me arranhando. Tão bom. Beijei novamente seus lábios, mostrando a ela o quanto eu gostava disso. Mas ela sabia. Minha ereção pressionava sua coxa bem abaixo de nós.
Impaciente, abri minha calça e abaixei toda a minha roupa, ainda com ela no colo. Não era certo. Eu sabia. Mas não conseguia pensar em nada mais. Meu membro assumiu o controle do meu corpo e agora o que eu mais desejava era entrar no seu calor. Fazia tanto tempo. Peguei uma mão dela que me abraçava e levei até meu pau, que teve espasmos somente com seu toque. Me arrepiei ao sentir o calor de sua pequena mão me envolver ainda mais. Ela deixou sua cabeça cair em meu ombro e gemeu quando começou a movimentar a mão para cima e para baixo.
"Sim." Eu aprovei. "Perfeito." Deixei sua mão sozinha e com um movimento rápido, levantei seu corpo, já sentindo falta da sua mão em mim. Puxei sua calça com tudo, deixando sua boceta depilada diante da minha visão. Caralho, ela estava... perfeita. Coloquei-a sentada no meu colo novamente e a toquei. Porra. Ela estava muito molhada. Rapidamente a puxei para cima novamente e sentei-a em cima da minha ereção. Ela sentiu a cabeça na entrada e saltou. Eu a segurei, confuso com sua atitude.
"Não." Ela disse. E eu ignorei. Meu desejo era tão grande que eu não conseguia parar. Eu precisava estar dentro dela. E rápido.
"Você não vai fugir." Eu avisei. Posicionei-a novamente em cima de mim e a pressionei. Mas ela estava se segurando e eu não conseguia. Soltei um pouco seu quadril e puxei seu rosto para mim. Beijei sua boca com força e avidez, mordendo seus lábios e chupando sua língua.
Ela trouxe seu rosto ao meu pescoço e me mordeu. "Hum..." Eu murmurei. "Adoro quando você faz isso." Pressionei seu corpo mais uma vez para baixo e entrei um pouco, mas estava tão apertado que era delirante. Meus olhos rolaram para trás de prazer. Eu me segurei para não empurrá-la de uma vez. Seu gemido ecoou na sala e eu puxei seu rosto ao meu. Ela continuava de olhos fechados.
"Kristen." Chamei, mas ela tentou esconder o rosto, afundando mais um pouco em mim, me fazendo gemer. "Porra." Suspirei. Ela se moveu mais e eu perdi o controle, subindo meu quadril de encontro ao dela. Puxei sua boca para a minha e abafei seus gemidos.
Movimentei-me mais até que consegui chegar ao fundo. Era o paraíso. Tão apertada. Ela parecia quase... Virgem?
Não era hora de pensar nisso, mas era impossível. Há quanto tempo ela não... Eu não quero pensar!
Ela começou a balançar lentamente em cima de mim e foi vergonhoso como eu quase virei um adolescente e gozei em 15 segundos. Porra. Ela estava muito apertada e se movia tão devagar. E eu estava sem fazer sexo a mais tempo do que estava acostumado. Tudo isso junto quase levou meu controle.
Concentrei-me, tentando me segurar, mordendo a parte interna da minha boca para não urrar de prazer. Minhas mãos seguravam seus quadris, acompanhando seu ritmo. Ela pressionou sua boca em meu ombro e me lambia e chupava. Sabia que ficaria uma marca, mas estava longe de me importar.
"Eu não vou agüentar." Avisei. Meu controle se desfazendo com a sensação. Ela voltou a me beijar e se movimentava com um pouco mais de avidez. Por Deus, eu não estava resistindo. Seus gemidos começaram a virar pequenos gritinhos enquanto eu mordia meus lábios, tentando controlar o inevitável. Joguei a cabeça para trás, desesperado. Deus, isso era demais pra mim. Quando sua boceta apertou meu pau, eu não agüentei. Gozei forte dentro dela, completamente alucinado. Puxei seu corpo em um forte abraço, agarrado aos seus cabelos. "Porra." Era só o que eu conseguia falar.
De repente congelei. Eu fiz isso sem camisinha. Meu Deus, eu sou um irresponsável.
Ela sentiu minha tensão e afastou. Eu a puxei novamente. "Desculpe-me. Eu nem coloquei a camisinha." Eu disse sem graça.
"Hum." Ela se assustou. "Eu tomo a pílula do dia seguinte. Não se preocupe".
Puxei seu rosto para mim. "Kristen. Olha pra mim, porra." Ela me olhou e seus olhos azuis estavam tão cheios de dúvidas e vergonha que eu não tive como brigar com ela. "Eu não quero dizer que não quero outro filho. Mas é porque isso já está muito confuso do jeito que está".
"Eu sei." Ela tentou sair novamente de cima de mim e eu a segurei. "Mas não precisa se preocupar com isso." Foi só o que ela disse. De repente eu fiquei envergonhado de minhas atitudes. Sempre que eu tentava conversar com ela a gente acabava se batendo ou se agarrando. Meu controle não existia perto dela.
"Eu... bem... não sei o que dizer, Kristen..." Eu precisava pensar, mas sua proximidade estava acabando com meus limites. Ela tinha o poder sobre meu corpo.
"Tudo bem. Não diga nada. Você pode ir embora se quiser." Olhei seu pequeno corpo sair de perto de mim. Senti um vazio tão grande. Puxei seu corpo novamente.
"Como assim? Ainda não terminamos, Kristen". Sorri malicioso pra ela.
"Você está louco?" Suas mãos me empurraram, fazendo meu corpo reagir novamente. Deus, isso era loucura demais.
"Você não imagina o quanto, gatinha." Puxei sua boca, mas ela me mordeu.
"Vamos começar essa porra de novo?" Ela cerrou os olhos, fazendo meu pau tremer.
Definitivamente essa noite seria a mais longa de todas.
Nota da Irene: Meninas, desculpem o super atraso. Eu terminei de escrever esse capítulo só no domingo e mandei para a Titinha. Ele estava com 23 paginas... e ela me devolveu ontem com 36... bom né? Nossa amiga Titinha mora no Rio... e estava tendo super problemas com a segurança e tudo mais. Estava sem conseguir entrar na net pra me mandar o capítulo. Estávamos ansiosas para postar ele e ver a reação de vocês. Espero que gostem. Foi escrito com muita emoção. Ahahahaha
Já dissemos que está difícil postar toda semana. Os capítulos estão cada vez maiores e mais complexos e nosso tempo mais corrido. Espero que ninguém nos abandone.
E ai? O que você achou do capítulo? O próximo é POV Bella. Hohohohoh
