'Cause all of the stars

Have faded away

Just try not to worry

You'll see them some day

Take what you need

And be on your way

And stop crying your heart out

Get up (get up)

Come on (come on)

Why you scared? (I'm not scared)

You'll never change

What's been and gone

Porque todas as estrelas

Desapareceram

Apenas tente não se preocupar

Você as verá algum dia

Pegue o que você precisa

E siga seu caminho

E pare de chorar tanto

Levante (levante)

Venha (venha)

Por que você está assustada? (Não estou assustada)

Você nunca mudará

O que aconteceu e o que já foi

Stop Crying Your Heart Out - Oasis


CAPITULO 31 – SONHOS DESPEDAÇADOS

BELLA POV

Apesar de a porta ter fechado, minha mente ainda gritava com a imagem dele saindo da sala. Eu sabia que tinha pegado muito pesado. Eu o seduzi, trapaceei e, o pior de tudo, omiti. Por mais cruel que ele parecesse nesse momento, eu não conseguia ficar com raiva dele. Meu amor por Edward era enorme. E claro que a culpa era minha. Tentei me movimentar. O meio das minhas pernas estava dolorido, mas de uma forma que era perversamente maravilhosa. Eu queria sentir essa dor pelo resto da minha vida. Mas, afinal, o que ele estava pensando?

Desci lentamente. Uma dor forte atravessou meu peito. Seria sempre assim agora? Ele nunca mais olharia em meus olhos? Nunca mais me diria 'eu te amo'? Um soluço saiu da minha boca e eu me abaixei. Não era assim que eu queria. Eu precisava de Edward para mim.

Minha roupa estava uma bagunça, mas não me importei. Precisava ser forte se quisesse conquistar Edward novamente. Tudo o que fiz me levou a isso. Todas as coisas que aceitei e vivi me trouxeram até aqui. E eu tinha que continuar com minha missão. Conquistá-lo mais uma vez.

Levantei meu corpo e ajeitei minha roupa, tentando dar orientação à minha mente, assim como ao meu corpo. Eu precisava reagir, nem que fosse por fora. Lógico que eu estava quebrada. Edward tinha o meu coração. A única coisa que eu precisava recuperar era o seu, já que o corpo, comprovado agora, ainda era meu.

Fechei os olhos enquanto caminhava até a cadeira, jogando meu corpo. Suspirei profundamente, tentando achar coerência nos meus pensamentos. Então era isso, eu tinha que lutar por ele. Nem que fosse de forma injusta. Mesmo que fosse para levá-lo à loucura, como ele mesmo tinha dito.

Uma pequena batida na porta me sobressaltou. Meu coração ameaçou ter esperança que fosse ele novamente, mas eu me detive. Edward era muito orgulhoso para voltar. Tinha que ser minha vida real me chamando de volta.

"Entre, está aberta." Eu disse olhando ao redor, para ver se tinha vestígios da minha insanidade há pouco tempo enquanto prendia meu cabelo em um mal organizado coque, depois da bagunça que ele estava.

"Oi, Bella." Minha amiga Ângela apareceu na porta. "Podemos conversar?"

"Claro, Angie. Entre, por favor".

"Não está ocupada, né?"

"Eu? Não".

"Hum... você está bem? Parece... preocupada".

"Não. Só estou pensando em algumas coisas. Mas, me diga o que houve?"

"Bem, vim lhe dizer que a Sra. Maggie está saindo e que queria conversar com você antes de ir. E também quero convidá-la para o meu aniversário. Quer dizer, para a festa".

"Sério? Quero dizer, nem sabia que era seu aniversário. Que ótimo. Quando será?"

"Amanhã. Na minha casa. Você vai?"

"Eu... bem..." O que eu podia fazer? Não queria encontrá-lo agora. Ou sim? "Edward vai?"

Ela me olhou confusa por uns segundos. "Oh Deus, Bella. Vocês não... quero dizer, não estão..."

"Estamos com problemas." Interrompi sua linha de raciocínio. "Todo casal tem. Não é mesmo?"

"Bom, sim... quero dizer, eu e Ben também tivemos nossas crises, mas... droga, isso não é sobre mim, mas, bem, me desculpe... eu não o convido se quiser, eu..."

"NÃO." Quase gritei. "Por favor, convide-o sim! Eu quero que ele vá." Poderia ser minha chance de conversar com ele.

"Sério? Posso te ajudar com alguma coisa?"

"Por enquanto nada... eu acho. E obrigada por se lembrar de mim... o que você gostaria de ganhar de presente?"

"Ah, Bella, por favor. Só a sua presença já é um grande presente".

"Se você não me falar o que quer, vai me fazer comprar um grande urso de pelúcia de dois metros. E ainda rosa!"

O olhar horrorizado de Ângela me fez sorrir. Lógico que ela, sendo alérgica a pelúcia, acharia a minha idéia absurda.

"Bella. Você sabe que sou alérgica... por favor".

"Estou brincando. Ainda. Mas, me diga então?"

Ângela cerrou os olhos e começou a falar sobre as possibilidades de um presente para a sua casa, já que ela e seu noivo estavam planejando se casar. Eu simplesmente assentia para ela enquanto minha mente vagava para o que eu faria caso Edward fosse realmente à festa.

"Ei, Bella? Ei. Está acordada?" Percebi que ela gesticulava na minha frente.

Sorri sem graça. Ângela cruzou os braços e sorriu. "Não ouviu nada do que eu disse, não é?"

"Desculpe, eu ando muito distraída. Vamos ver a Maggie então?"

"Sim, afinal, você não quer ouvir meu monólogo sobre como agarrar Ben para um casamento".

Sorri ainda mais. Levantei da cadeira e saímos juntas do consultório. Antes de fechar a porta dei uma última olhada para minha mesa e soltei um pequeno suspiro. Minha calcinha encharcada e minha dormência entre as pernas me lembravam o orgasmo incrível, mas com o tratamento frio do meu amor.

"Não olhe para trás, Bella, mas Dr. Edward e Dr. Cullen estão saindo do consultório agora".

Meu corpo retesou somente com a presença. Mesmo que ela não me dissesse, eu senti a força do corpo de Edward no mesmo instante. Um arrepio atravessou minha nuca, fazendo meu estômago se contorcer, o que quase me fez curvar o corpo com o espasmo. O que eu faria, afinal, para reconquistar esse homem de novo?

"Eu vou convidá-los. Tudo bem mesmo pra você?"

"Sim, Angie. Não faça essa desfeita. E... por favor, não fale nada que o deixe constrangido. Não sei o que ele falou para seu pai... e..."

"Bella. Pode deixar. Eu não sei qual foi o problema entre vocês, mas com certeza irão se acertar. Eu, assim como todas as pessoas desse hospital e até dessa cidade, conseguimos ver com clareza que vocês foram feitos um para o outro".

Senti meu peito inflar com sua declaração. Nosso amor era tão óbvio que todos notavam. Abri um sorriso para ela. "Muito obrigada, Angie. Eu vou te esperar aqui no consultório então. Quando você terminar me chame novamente".

Ela foi em direção a eles e mesmo que minha mente gritava para não fazer isso, eu virei meu corpo, incapaz de me controlar. Somente em bater os olhos no homem que roubou meu coração, desejei-o novamente. Deus, ele era perfeito. De longe, Edward era o homem mais bonito que já vi na minha vida. E, mesmo que eu tivesse conhecido seu gêmeo antes, hoje, eu vejo as diferenças que os deixam únicos. E, comprovadamente, meu amor por ele era para sempre. Foram poucos segundos, já que vi uma dor profunda no seu olhar. Não quis ser atingida pelo remorso de atacá-lo. Eu precisava desesperadamente tê-lo na minha vida novamente.

Entrei na minha sala, encostando-me à porta e fechando os olhos. Nada era comparado ao vazio do meu peito. Por mais que Edward tivesse me abandonado, feito sexo comigo sem nem olhar no meu rosto, e tivesse se recusado a me olhar nos olhos, tudo isso valeria se fosse para tê-lo em meus braços novamente. Decidi que, definitivamente, minha amiga Rose estava certa. Eu precisava reconquistar meu príncipe encantado novamente.

Voltei à realidade com uma batida na porta. Assim que abri dei de cara com uma sorridente Ângela, que me puxou em direção ao pronto-socorro, me contando como foi a conversa com os 'doutores mais bonitos' de Forks.

Cheguei ao meu plantão e minha rotina me fez feliz. Mesmo que temporariamente. Nos despedimos da Sra. Maggie, dei entrada em mais alguns pacientes e organizei o plantão da semana. Tudo isso me distraiu até o final. Quando percebi já estava escuro, com a noite gelada do lugar. Eu precisava ir embora, já que amanhã estaria de plantão durante o dia novamente e tinha que descansar para a festa. Eu não tinha visto mais Edward, apesar de ter certeza que ele estaria de plantão. Mesmo com a separação, eu sempre checava seus horários. Hoje ele sairia depois de mim.

Fiquei tentada a perguntar por ele, mas fiquei com vergonha. Muitas pessoas ainda não sabiam do nosso rompimento, ou da bagunça que eu estava fazendo, na verdade. Mas o que eu falaria? Perguntaria o que aconteceu às alcoviteiras de plantão que o comiam com os olhos? Jamais daria esse gostinho a elas.

Enquanto dobrava o corredor remoendo esses pensamentos, dei de cara com Dr. Carlisle, falando ao telefone, de costas pra mim.

"Dê uma olhada nele, Esme. Ele não está nada bem. Eu o vi saindo da sala de Bella completamente arrasado. Estou muito preocupado".

Meu coração deu um salto. O que tinha acontecido, afinal?

"Não, amor. Nada disso. Tenho certeza que Bella não fez nada. Ele disse que era um monstro. Acho que a personalidade forte e determinada dele está fazendo Edward sofrer. Deixe-o dormir e amanhã converse com ele. Sinto que se nosso filho não abrir os olhos, perderá a coisa mais importante da sua vida agora".

Meus olhos encheram de lágrimas com a declaração de Carlisle. Então Edward estava sofrendo? Mas isso, ao mesmo tempo, me fez feliz. Ele estava se sentindo culpado pelo que fez comigo então? No fundo ele tentou me magoar, mas para me afastar.

"Sim, amor. Amanhã vamos na Alice e..."

Afastei-me, com vergonha de escutar a conversa do meu chefe. Fui quase saltitante para meu carro, feliz pela primeira vez. Ele me amava. Ele voltaria pra mim. Enquanto entrava no meu carro, um pensamento me atravessou. E se eu fosse até a casa dele? Será que nós poderíamos conversar sobre tudo, ou eu simplesmente devia atacá-lo com uma das lingeries matadoras que eu ainda estava guardando?

Dirigi até em casa remoendo meu lábio, pensando nessa possibilidade. Parei na minha porta e ainda com a picape ligada, vi que seu carro estava estacionado, todo torto. Um sentimento de ternura se apossou do meu peito. Edward estava precisando de cuidados e eu estava louca para ir consolá-lo. 'Não, Bella... concentre-se'.

Desliguei meu carro e entrei em casa, procurando meu telefone. A melhor pessoa para me aconselhar agora seria minha amiga Rose. No segundo toque, ela atendeu.

"Boa noite, minha super amiga. Quer meu conselho para quê?" Rose disse com um sorriso na voz.

"Boa noite, Rose. Não posso ligar simplesmente para minha amiga e dizer que estou com saudades?" Tentei disfarçar, mas intrigada em como Rose sabia exatamente o que eu pensava.

"Sim, claro que pode, Bellinha. Mas desde o momento que você está sem seu homem, já que não me ligou para contar que voltaram e eu, perversamente, estou te dando conselhos eróticos de como seduzi-lo, então não. Não acredito que está só com saudades." Ela disse irônica.

"Não tem como esconder nada de você, não é?" Meu rosto queimou de vergonha pela confissão.

"Eu te amo, Bella. Como uma irmã. E por isso te conheço tanto, mesmo estando a quilômetros de distância, sei quando você precisa de mim. Foi assim quando consegui te arrastar de Londres, lembra?"

"Com muita chantagem em forma de cartas, e-mails e telefonemas." Sorri com a lembrança da sua insistência. "E graças à sua saudade, eu conheci Edward".

"Viu como sou muito importante na sua vida? Até colocar o gêmeo do bem na sua vida, eu fiz".

"Rose, não foi bem assim." Ri com sua pouca modéstia. "Edward penou um pouco para me conquistar, ouviu? E sem sua ajuda." Somente Rosalie para me fazer sorrir neste momento. Lembrei da época que vivemos na faculdade e meu peito apertou pela lembrança. "Tenho saudades da época que morávamos perto, sabia?"

"Ai, amiga, assim eu vou chorar. E agora eu não posso fazer isso, já que estou maquiada e pronta, pois estarei representando o papel da esposa linda e gostosa do candidato a promotor chefe do estado de Washington." Ela disse irônica, mas o final me surpreendeu.

"Isso é sério, Rose? Que máximo. Isso é maravilhoso. Em deve estar imensamente orgulhoso".

"Na verdade não, Bella. Ele está mais nervoso do que no dia do discurso da faculdade. Eu estou pensando em distraí-lo com um boquete no caminho." Rose contou rindo.

"Rose! Não quero imaginar essa cena, pelo amor de Deus!" Corei novamente pela segunda vez. "O que Emmett vai pensar ouvindo você falando isso?"

"Nada. Ele está muito ocupado tentando despachar a baixinha da minha cunhada pelo telefone no nosso quarto. Ela está dando gritinhos a mais de meia hora só com a notícia. Sem contar que Esme e Carlisle estarão lá amanhã com o pequeno Masen e estão nos forçando a ir pra lá também. Mas, enfim..." Ela suspirou. "Vamos agora falar de você. O que aconteceu agora para você precisar da minha ajuda?"

"Rose. Amanhã tem uma festa. Aniversário de uma enfermeira do hospital e acho que Edward vai. O que eu faço para chamar a atenção dele?" Mordi meu lábio de nervoso.

"Oh, Deus. Isso sim que é maravilhoso. Então, faça o seguinte: Use o vestido azul, que deixa seu corpo divino. Alise seu cabelo. Eles ficam extremamente sexy quando estão maiores. E o mais importante de tudo: Faça-o sentir ciúmes. Não importa com quem seja. Deixe Edward imaginar que você está sendo paquerada por outra pessoa. E outra coisa: tente dançar algo sensual para deixá-lo louco a ponto de agarrá-la na frente de todos".

Fiquei visualizando a cena conforme Rose falava. Eu não me imaginava deixar Edward com ciúme. "Não sei se isso vai dar certo, Rose..."

"Vai por mim, amiga. Essas coisas são como ingredientes de uma receita da vovó. Sempre dá certo, apesar de ninguém dizer o segredo do bolo. Todas as mulheres já fizeram, ou farão isso algum dia para seduzir alguém".

"Rose." Eu disse, rindo da sua analogia. "Só você para me dar conselhos sobre Edward falando de comida e sexo em uma mesma frase e ainda ser engraçada." Ela era mesmo única.

"Bella, comer e gozar estão na lista de prioridades de qualquer ser humano. Vamos falar seriamente agora. Vai seguir meus conselhos?"

"Estranhamente sim. Não tenho outras idéias mesmo." Suspirei. "Muito obrigada, Rose".

"Não precisa agradecer. Depois de amanhã me ligue e me conte se eu estava certa ou não. Agora preciso desligar, pois meu lindo marido está descendo as escadas resmungando. Acho que vou antecipar o boquete aqui na sala mesmo. Boa noite, amiga".

"Boa noite, Rose." Despedi-me rapidamente, com medo de Emmett ouvir essa parte específica da conversa. "Depois te ligo".

Sorri balançando a cabeça para a conversa com Rose. Ela tinha o dom de me divertir, mesmo que eu estivesse em qualquer momento triste da minha vida. Eu a amava intensamente.

Fui em direção ao quarto, ansiosa para achar o vestido que ela falou. Mas antes de chegar à porta, meu telefone tocou novamente. Quem seria agora?

Atendi no segundo toque. "Alô?"

"Senhorita Swan?"

"Sim?" Saiu como uma pergunta. A voz do homem era rouca e desconhecida, mas de alguma forma, me soou familiar.

"Desculpe ligar essa hora, mas sendo enfermeira chefe de um grande hospital, imaginei que a senhorita estivesse acordada. Liguei para o Hospital de Forks e me informaram que já tinha largado o plantão".

"E quem está falando, por favor?" Franzi o cenho para a possibilidade de alguém do hospital dar meu telefone pessoal. Isso era contra as regras. "Eu não estou reconhecendo o senhor".

"Nossa, que indelicadeza a minha. Desculpe a minha falta de educação. Sou o Dr. James, do Hospital de Phoenix. A senhorita lembra de mim?"

"Oi, Dr. James. Claro que me lembro do senhor. Como sabe meu telefone?" Por mais que ficasse um pouco aliviada por reconhecer o homem ao telefone, ainda estava assustada com o fato de ele saber meu número.

"Desculpe novamente por isso, parece que estou invadindo sua privacidade. Eu estava querendo falar com você e tomei a liberdade de pedir ao seu pai quando ele veio aqui ontem".

"Meu pai esteve no hospital novamente?" Não passou despercebido a notícia que ele me deu. Meu peito deu um salto. Será que aconteceu alguma coisa com ele? "E, por favor, me chame de Bella".

"Claro, senhorita Bella. Não aconteceu nada demais com seu pai. Ele só veio fazer exames de rotina." Percebi que só voltei a respirar depois que ele terminou a frase. "Ele é um homem de fortes princípios e te ama muito também." Sorri com a descrição do meu pai, mesmo feita por um homem que mal me conhecia. "Tudo bem em ligar agora?" Sua voz tremeu um pouco.

"Sim, eu acho. Mas, desculpe mesmo em perguntar, como foi que conseguiu meu telefone, não me lembro... quer dizer..." Não lembrava de ter deixado meus dados pessoais no hospital em Phoenix.

"Foi isso que eu quis dizer sobre seu pai ter fortes princípios." Ele riu, deixando-me confusa. "Tive que contar para ele meus planos, já que eu fiz o pedido do seu número a ele. E ele deixou bem claro que se você reclamasse de qualquer coisa a meu respeito, ele mesmo viria aqui no hospital e, segundo suas palavras, 'arrancaria minhas bolas fora'. Tenho que lhe dizer, senhorita Bella, não é uma visão muito boa, imaginar esse tipo de coisa." Ele terminou, dando um pequeno grunhido.

Dei uma pequena gargalhada para a ameaça desproporcional do meu velho pai. "Desculpe, Dr. James, foi grosseiro rir assim..." Continuei a rir. "Mas é meio engraçado ouvir isso de você".

"Bom, fico feliz que tenha se divertido então. Seu sorriso, mesmo que seja por telefone, valeu a pena a ameaça. Conheci a senhorita em um momento bastante tenso e me agrada saber que te faço feliz. E, por favor, me chame somente de James. Não sou tão velho".

Um sinal de alerta soou na minha mente. Ele estava flertando comigo? Isso não era nada bom. "Sinto muito, Dr. James, mas, por que me ligou? Estou um pouco ocupada agora, meu namorado deve chegar a qualquer momento." Por mais que doesse essas palavras agora, eu precisava mostrar pra ele que não estava disponível.

"Novamente, me desculpe, senhora." Percebi que sua voz ficou mais profissional e que ele me chamou de senhora agora. "Eu pertenço ao conselho do hospital e faço parte da área de contratação dos profissionais também. Estamos aumentando o atendimento do Hospital Memorial, pois criamos uma ala exclusiva de pronto socorro infantil, assim como estamos em negociação para ter também um anexo somente para tratamento de câncer infantil..." Ele suspirou, enquanto minha mente dava voltas com a quantidade de informações que ele passava. "E como conheço muitos bons profissionais, mas pouco disponíveis para o trabalho, eu pensei... bem..." Ele gaguejou no final. Dr. James não precisava concluir seu discurso. Ele estava me oferecendo uma proposta de emprego. Tomei um longo suspiro antes de falar.

"E por que o senhor está me contando isso?"

"Sei tudo sobre você, senhora Swan. Seu excelente trabalho na direção do P.S. infantil de Londres rendeu muitas referências na área de enfermagem. Sei do seu trabalho também em Forks. Na verdade, como eu já tinha lhe dito, tem excelentes relações-públicas. E olha que não falo somente do seu pai." Houve uma pausa e um pequeno sorriso na sua voz. "E bom, todo o meu discurso é na verdade uma proposta de emprego. Estamos oferecendo o dobro do seu salário atual, qualquer que seja ele, e a oportunidade de ter uma carga horária um pouco menor do que tem hoje em uma cidade pequena".

Isso não podia ser possível. Ele queria me tirar de Forks? "Desculpe, mas não estou interessada, Dr. James." Eu disse na mesmo hora. "Sou muito feliz onde estou".

"Tudo bem. Eu imaginava mesmo que essa seria sua resposta. Mas não precisa ser assim tão rápida, pode pensar um pouco e-".

"Eu já estou respondendo, Dr. James. Não quero a sua proposta, mesmo que esteja encantada por lembrar-se de mim para o cargo. Obrigada." Eu o cortei rapidamente. Não imaginava minha vida longe de Edward e seu discurso inicial me deixou um pouco tonta. Eu tinha certeza que ele estava flertando comigo.

"Isso é uma pena. E novamente, me desculpe por incomodá-la..." Sua voz tinha um tom decepcionado. Querendo ser simpática, resolvi agradecer.

"Não tem problema, doutor. Estou muito honrada e feliz por ser reconhecida por minha profissão e agradeço imensamente o convite, mas novamente não estou interessada, por enquanto. Estou aqui há pouco tempo e sei que posso contribuir ainda mais para o P.S. daqui".

"Ok, então... boa noite, senhorita Bella." Sua voz saiu quase triste, deixando-me quase com remorso. "Boa noite, Dr. James".

Desliguei o telefone ainda zonza com a conversa. Por pior que minha vida estivesse agora, sem Edward, eu não desistiria tão fácil. Lógico que ser reconhecida por minha profissão e ser chamada para ser chefe de um P.S. infantil era maravilhoso. O fato do hospital de Phoenix abrir um anexo especialmente para crianças com câncer também, o que me fez recordar automaticamente de Edward. E até mesmo de Rob. Mas doía somente a idéia de ficar tão distante. Eu não era forte para isso.

Dei um longo suspiro e o cansaço do dia abateu sobre meu corpo. Foram muitas coisas acontecendo que drenaram minhas forças. Eu precisava dormir.

Arrastei-me pela cama e pensei em Edward novamente. Será que ele estava bem? O que estava passando pela cabeça dele agora? A inconsciência me engoliu no momento que imaginei o que poderia fazer com ele amanhã na festa.

A manhã pareceu mais animada. O clima de Forks parecia estar comemorando com a minha esperança de dias melhores. Eu estava certa que conseguiria provar para ele que o amava e que podia mudar tudo.

Fui cantarolando para o banheiro, me arrumei e fui para o meu carro, não sem antes dar uma olhada para sua casa e ver que o carro de Edward estava do mesmo jeito de ontem. Ou seja, ele nem saiu de casa. Uma pequena emoção correu pelo meu corpo. Ele não estava sendo mais a mesma pessoa de quando estávamos juntos. Meu desejo era que Edward voltasse a ser o homem amoroso que conheci, mas também dinâmico e alegre com todos a sua volta.

Suspirei e segui para o hospital. As coisas estavam tranqüilas, com um número bem reduzido de pacientes. De certa forma o dia até se arrastou, pois tinha poucas coisas para fazer. Durante o almoço, fiquei distraída pensando na roupa que Rose me falou. Será que eu seduziria Edward mesmo?

O início da tarde foi ainda mais tranqüilo, fazendo meu tédio aumentar. De forma inconsciente comecei a passear pelos corredores para passar as horas e, para minha surpresa, dei de cara com a mãe de Edward, com os braços cruzados e um sorriso no rosto em minha direção. Meu coração deu um salto. A última vez que a vi, foi antes do pior dia da minha vida. E definitivamente, não estava preparada para um confronto agora.

"Olá, Bella. Quanto tempo".

"Oi, Dona Esme, realmente. Como a senhora está?"

"Somente Esme, querida." Seu sorriso me deixou tranqüila. "Gostaria de lhe dizer que estou bem, filha. Mas na verdade não estou." Sua mão veio em minha direção. "Por que não tem aparecido lá em casa?"

"Eu... bem..." Gaguejei para ela. Lógico que ela sabia que eu e Edward não estávamos bem. E mesmo que não tivesse certeza, a conversa que ouvi ontem entre ela e meu chefe não deixava dúvidas. "Sinto muito por isso... eu estou muito ocupada." Abaixei meu olhos, envergonhada.

"Não precisa mentir pra mim, criança. Sei que você e meu filho teimoso não estão bem." Um grande calor varreu meu rosto. "Mas me dói muito saber que vocês estão assim... separados... mesmo se amando tanto".

"Eu também..." Sussurrei mais para mim. "Como ele está?"

"Eu queria poder dizer que ele está lindo e perfeito esperando por você lá em casa. Mas estarei mentindo..." Esme suspirou profundamente e passou as mãos pelos cabelos. "Bella, eu não estou aqui para julgar nada, mas também não sou cega. Eu soube através... deles".

Olhei assustada para ela. Será que todos sabiam sobre isso então? Não era somente Alice, ou ela mesma falou algo? "Esme... eu... me..."

Ela levantou a mão e com um sorriso tranqüilizante me pediu para continuar. "Você é uma mulher linda, Bella. Era óbvio que meu filho Robert a veria assim também. Eu me lembro do olhar de cobiça que ele deu a você desde a primeira vez, no jantar." Deus, eu estava morta agora. "Mas conheço muito bem meus filhos, e depois que vi a amizade surgir entre vocês, fiquei um pouco mais feliz. Eu era extremamente triste com a distância do meu filho, Bella." Ela suspirou. "Meu coração estava tranqüilo, até que vi Robert na sua casa. Não vou negar, Bella, eu fiquei preocupada com isso." Eu fiquei muito tensa com o rumo da sua conversa. "Conversei com ele... Rob. E depois que Kristen voltou e todo o sofrimento do meu filho também, vi que você o ajudou. E muito. Você se tornou uma pessoa importante na vida dele. Te agradeço tanto por isso".

Eu não conseguia falar nada, meus olhos estavam vidrados com tudo o que ela falava. "Bella, não se preocupe. Não quero me meter na vida de ninguém, nem da sua e nem dos meus filhos e Rob me explicou o que estava fazendo na sua casa. E por isso quero te pedir uma coisa. Sei que meu filho, Edward, está sofrendo assim por você. E o que é pior, por algo horrível que ele fez a você. Por favor, o perdoe..."

"Não, Esme. Não é ele... sou eu... e..." Deus, como falar com ela sobre isso? Eu ainda estava petrificada. "Ele me odeia..."

"Meu amor." Sua mão veio em direção ao meu rosto. "Edward não odeia você. Meu filho é um menino teimoso e obstinado. Ele está se culpando por alguma coisa relacionada à personalidade dele, Bella. Tenho certeza. Por mais que tenha algo a ver com o que você fez, ele não se perdoa pelo o que ele é. Tenho certeza." Ela me deu um beijo no rosto. "Prometa que vai tentar até o final?"

"Eu... eu... acho q-que..." Deus, o que eu podia dizer? Isso era muito constrangedor.

"Esme, querida?" Olhei em direção à voz. Dr. Carlisle estava se aproximando. Foi como minha salvação. Ele apareceu no meu campo de visão assim que Esme me soltava. "Olá, Bella. Como estão as coisas? Vai à festa hoje?" Seu tom despreocupado era no mínimo... estranho. O que tinha acontecido, afinal?

"Olá Dr. Carlisle. Eu... estou bem. E acho que vou à festa sim." Meu chefe deu um beijo em sua esposa, quase me fazendo chorar pela cena bonita.

"Importa-se se eu seqüestrar minha linda esposa?" Balancei a cabeça, ainda mais vermelha, se isso fosse possível.

"Não se esqueça do que falei a você, querida. Tente." Ela sorriu pra mim enquanto Dr. Carlisle me dava um sorriso tranqüilizador. Somente assenti.

Fiquei observando-os saírem abraçados, igual a um casal de namorados. Era lindo ver um romance desse jeito. Será que eu e Edward ainda estaríamos assim um dia? Eu desejava isso todos os meus dias, mas os meus erros estavam estragando tudo. Será que voltaríamos a ser como antes? Eu não achava isso possível. Não do jeito que as coisas estavam. E o pior de tudo, seus pais me perdoariam tão fácil se soubessem o que eu já tinha feito com seus dois filhos? Gemi com esse pensamento. O melhor era terminar meu plantão e seguir para minha casa.

Ainda estava confusa com a conversa com Esme, mesmo depois de algumas horas. Ela queria que eu tentasse. Mas como fazer mais? Eu sabia que o amava insanamente. Edward era minha alma gêmea. Tudo o que fiz era para reconquistá-lo. Como mostrar para esse homem que eu não conseguia viver sem ele?

Quando percebi já estava na hora de ir embora. Fui para minha casa, levemente entorpecida e ansiosa, sabendo que hoje poderia ser minha grande chance de tê-lo novamente em meus braços. Assim que cheguei recebi um telefone de Ângela, me dizendo que Esme e Carlisle tinham enviado presentes em nome da família e que Edward iria. Quase não me contive em excitação. Eu tinha que saber se todos os truques que minha amiga tinha me dito dariam certo.

A festa estava lotada. Depois de cumprimentar minha amiga, comecei a reconhecer alguns amigos do hospital. O lugar era pequeno diante da quantidade de pessoas que resolveram aparecer. Meu lindo vestido, combinado com meus sapatos, mais a maquiagem e o cabelo alisado, completavam meu visual. Eu pedi uma mimosa, minha bebida preferida. Parecia horas desde que eu tinha chegado à festa e, mesmo assim, não conseguia ver Edward. Quando todos os assuntos estavam se esgotando com as pessoas que eu já conhecia, eu o vi. Perfeito era pouco para a visão dele. Seu olhar estava perdido pela festa e logo que chegou, pegou um copo de uísque.

Eu o avaliei de cima abaixo. Edward parecia mais magro, mas ainda assim deslumbrante. Recordei de como ele foi insistente e persuasivo no início, tentando me conquistar. Sorri com a lembrança. Pareceu muito tempo, já que não recordava como era minha vida antes dele. Edward estava com uma calça jeans um pouco mais larga, uma camisa pólo verde escura, que evidenciava seus olhos verdes profundos, e seus cabelos estavam completamente bagunçados. Suspirei com a lembrança das muitas vezes que puxei o seu maravilhoso cabelo de sexo. Eu o queria tanto.

Fiquei olhando para ele de longe, um pouco escondida, com medo do que fazer. Observei algumas mulheres se aproximarem dele e, antes que minha sede homicida tomasse conta do meu corpo, via que ele as dispensava. Com esse pensamento, lembrei do que Rose me disse. Será que ele sentiria esse ciúme possessivo também?

Fui atrás de Ângela, me desviando o suficiente para que Edward não me visse. Ela estava conversando com Ben, o que achei bem bonitinho.

"Ângela, posso falar com você um minuto?"

"Claro, Bella." Ela olhou para seu amado. "Espere aqui, Ben." Saímos em direção à cozinha. "O que houve?" Seu olhar mostrava preocupação.

Com as mãos trêmulas, resolvi pedir ajuda para o plano maluco de Rose. Eu não sabia como fazer ciúmes em Edward. "Ele já chegou, Angie. Pode me ajudar?" Olhei suplicante para ela.

"O que você precisa, amiga? Pode me dizer".

"Você pode me ajudar a fazer ciúmes em Edward? Eu... não sei bem..." Seu sorriso apareceu.

"Lógico que sim. Posso apresentar alguém que ele não conheça a você, Bella. Vamos ver o homem das cavernas surgir. O que acha?"

Fiquei um pouco preocupada com isso, pois ainda me lembrava do show dele na praia em La Push. Mas eu tinha que arriscar. "Tudo bem, mas quem seria?"

"Meu irmão, Seth. Ele está te olhando desde que chegou mesmo." Ela sorriu conspiradora. "Ei, tenho outra idéia também." Comecei a sorrir. "Se ele te pegar de jeito, eu posso tirar você dele e com certeza ele vai ficar tão louco que vai aparecer na sua casa mais tarde".

"Como assim?" Perguntei confusa. "Não entendi".

Ângela rolou os olhos. "Vamos fazer o seguinte. Se ele ficar louco de ciúmes, o que eu acho que acontecerá, ele vai te arrastar para alguma parede para demarcar território. Tenho certeza disso, é normal de macho. Então quando eu vir que as coisas estão esquentando, eu tiro você com alguma desculpa. Depois disso, vá para casa, querida. E vocês farão as pazes e viverão felizes para sempre".

Fiquei emocionada com minha amiga. Assim que ela sorriu cúmplice, abracei-a agradecida. Isso tinha que dar certo.

"Tudo bem, vamos. Seth está logo ali".

Ângela me apresentou ao seu irmão quase adolescente. Sorri bobamente para o menino, rolando os olhos pela idéia de Rose. Lógico que Edward jamais ficaria com ciúmes de um rapaz como esse.

Apesar de Seth ser engraçado, com suas piadas quase infantis, comecei a ficar preocupada. Eu não estava acreditando que Edward faria alguma coisa. Não queria olhar para trás e dar de cara com ele, afinal, toda a suposta sedução era para ser casual. Seth me disse algo que não entendi direito, mas quando vi, seu braço rodeava minha cintura. Oh Deus, ele estava me chamando pra dançar? Antes que eu dissesse que ele corria risco de vida, com meus saltos suicidas, senti um puxão no meu braço, quase me fazendo cair.

"Ei... quem est-" Meu corpo todo se aqueceu com seu toque. Segurei meus lábios para não sorrir.

"Solte-a, idiota!" Seth tentou defender minha honra. Deus, ele não viu que Edward era quase o dobro dele? Fiquei com medo por ele e resolvi impedir. Nesse momento senti o cheiro forte de uísque.

"Edward! O que você tem? Você bebeu?" Meu olhar varreu pelo corpo dele, já que minha mão estava pousada sobre seu peito, que arfava descontrolado. Eu o desejei desesperadamente.

"Quero falar com você agora, Bella!" Quase sorri novamente. Então deu certo?

"Eu não quero conversar aqui com você." Resolvi me fazer de difícil.

"Então caia fora, idiota!" Eu quase mandei Seth calar a boca. Ele não tinha noção do perigo?

"Você não conhece outras palavras não, imbecil?" Deus do céu, minha umidade varreu minhas coxas com a voz possessiva dele pra cima do menino. Por mais que estivesse preocupada com Seth, quase desejei que Edward batesse nele para me defender.

"Parem os dois agora. Seth, pode deixar que me entendo com ele!" Comecei a arrastar Edward, com medo do meu quase desejo secreto de violência ciumenta. Ângela me mataria se soubesse que deixei seu irmão apanhar. Antes que eu firmasse meus pensamentos, senti o corpo dele se aproximar e sua boca varrer meu ouvido. "Já são íntimos assim?" Meu corpo todo arrepiou com a proximidade enquanto eu o levava pra longe. Em alguma parede de preferência. "Aposto que ele não faz isso com você." Ele me disse rouco.

"Você enlouqueceu, Edward? Aquele era o irmão da Ângela!" Apesar de muito excitada, eu o avisei, ao mesmo tempo em que o jogava em uma parede. Ele respirava profundamente.

"É mesmo? E o que isso tem a ver? Ele estava quase te devorando com os olhos!" Deus, tinha como ele ficar mais tentador?

"E?" Minha sobrancelha se ergueu em desafio. "O que isso é importante para você?" Eu estava adorando sua reação.

"Você quer me provocar, caralho?"

"Eu? Você está louco, ou bêbado." Cruzei meus braços evidenciando meus seios. Edward olhou minimamente enquanto suas mãos voaram para os seus cabelos, em uma tentativa falha de não me agarrar. "Ele é só um menino, Edward. Jamais ficaria com uma criança".

"Mas não pareceu isso enquanto estavam se agarrando!"

"Eu só estava dançando com ele!" Comecei a ficar preocupada com a saúde do irmão da Ângela.

"Desse jeito? Com essa roupa sexy e sapatos eróticos? Você está seduzindo todo mundo assim!"

"É assim que você me vê, Edward? Eu seduzi você?" Não resisti e joguei minha isca. Eu estava adorando sua reação. Varri meu olhar por seu corpo. Eu o queria tanto.

"Oh Deus, Bella. Eu te quero tanto..."

Suas mãos agarraram meus braços, no mesmo instante que nossos lábios se chocavam. Ele estava perfeito, o gosto dos seus lábios misturados com o uísque, me deixaram descontrolada. Minhas mãos puxavam seu cabelo, tentando fazer mais contato. Eu não agüentava de saudades do meu amor.

"Edward... oh..."

Foi tudo tão rápido. Ele desceu suas mãos por minhas nádegas enquanto dobrava o próprio joelho, esfregando seu membro delicioso na minha virilha. Nós dois gememos com o atrito. Eu precisada dele dentro de mim novamente. Minha perna direita começou a levantar, roçando pela sua coxa, encaixando ainda mais dele. Eu praticamente rebolava nele, arrancando gemidos profundos de Edward. Nossas línguas quase brigavam, buscando uma a outra, desesperadas. Em pouco tempo, ambos estávamos em busca de ar.

"Bella... Deus... o que você faz comigo? Eu..."

"Cala a boca e me beija." Eu não queria conversar agora, palavras seriam desnecessárias. Eu queria que ele se rendesse a mim. Ele parecia estar em uma luta interna enquanto eu rebolava incessantemente, trazendo os seus sentidos para o precipício.

Com um som que parecia um grunhido, Edward chegou ao meu ouvido, ainda mais desesperado. "Eu quero você, Bella. Por favor..."

"Aqui? Estamos na casa da Ângela, no meio de uma festa, Edward!" Oh Deus, eu tinha conseguido mesmo?

"Deixa eu te sentir, então?"

Eu não tinha pensando em uma resposta coerente e seus dedos já se arrastavam na minha pele. Como em um passe de mágica, ele os mergulhou na minha boceta depilada para ele. "Mas que caralho, Bella! Cristo!" Eu tinha perdido a noção de espaço. Era somente ele. Edward poderia me rasgar ali, no meio de todos, que eu não me importava. Meus gemidos estavam ficando seriamente mais altos. "Deus... tão molhada..." Ele parecia me destruir. Contorci-me com a eminência do meu orgasmo se aproximando. Por tudo o que é mais sagrado, como ele conseguia me levar ao céu tão rápido?

"Ed... oh..."

"Fala, Bella. Você gosta de me lambuzar com sua excitação, não é? E você, sua provocadora, tinha que tirar tudo, não é? Porra, eu queria cair de boca aqui agora!"

"Não faça isso!" Eu juro que queria brigar, mas Deus, eu enlouquecia somente com suas palavras. Fiquei desesperada. Louca. Eu gemia descontrolada, assim como sentia os movimentos alucinantes dele. Eu não conseguia pensar em mais nada. Meus pensamentos estavam focados somente na maravilha que estava sentindo. Nossos lábios só se tocavam, mas era extremamente erótico. Senti minhas paredes tremerem, me trazendo a libertação. Eu gozaria nos seus dedos.

"Sim... Deus... goza pra mim, Bella".

Perdi a razão. Eu senti todo o meu clímax atravessar meu corpo. O paraíso era aqui.

Ainda estava zonza com o sentimento de prazer que sentia e vi Edward puxar sua mão para seu nariz, cheirando. Eu fiquei ansiosa com isso, mas seu olhar de luxúria era ainda melhor. E quando o vi se deliciar, lambendo todos os dedos, me perdi. Era quase uma questão de vida ou morte senti-lo também.

Sem controle, minha mão buscou sua ereção. Ele ainda estava confuso com minha iniciativa, o que foi ainda melhor. Pareceu que a nossa bolha era como antigamente. Um seduzindo o outro. E isso era melhor do que eu esperava. Não tinha retirado o seu pulsante membro da calça e já lambia os lábios, nervosa. Quando comecei a retirar o seu jeans, mais ansiosa do que qualquer dia da minha vida, senti um puxão no meu braço, me deixando atordoada.

"Bella, me ajude aqui. Preciso de alguém que faça a divisão da comida".

"Mas Ang, eu..." Isso não estava acontecendo. POR FAVOR.

"Por favor, eu não tenho mais..."

E quando vi estávamos entrando na cozinha, com uma Ângela extremamente satisfeita. Ela já estava quase às gargalhadas, o que começou a despertar uma pequena raiva dentro de mim. Ela era louca?

"Ângela." Tentei não brigar com ela. "Você está louca?"

"Oh, Bella... me desculpe." Ela tentou enxugar suas lágrimas, ainda rindo. "Mas eu tinha que fazer isso. Esqueceu do nosso trato? E ainda mais, você acha que faria sexo com Edward no meio da minha sala? Ai, amiga, sua cara de frustração está evidente. Mas eu tive que interromper".

Meu rosto corou de vergonha. Lógico que o meu irracional desejo de tê-lo, não importava o lugar, tinha nublado minha timidez. E agora eu pagava o preço de ser tão ousada. Ser pega quase no ato.

"Desculpe-me, Ângela. Deus, eu sou tão... emotiva".

"Olha, Bella, desculpe novamente o que eu vou dizer. Se eu não amasse Ben tanto quanto eu amo e, além de respeitar os seus sentimentos e adorar meu trabalho, eu juro que deixava o sexo em público acontecer. Já estava virando um cinema com bastante expectadores... e, vou te dizer, bem... er... interessante também".

"Oh, não." Cobri meu rosto, morta de vergonha agora. "Eu sinto muito mesmo,Angie." Onde essa insana vontade de reconquistar Edward tinha me levado? Eu estava me exibindo para todos agora? Era só o que faltava. Ainda estava totalmente sem graça e com o rosto coberto quando senti a mão de Ângela nos meus ombros.

"Puxa, Bella, me desculpe de verdade. Sei que deve ser quase vergonhoso pra você." Sacudi a cabeça concordando com ela, mas ainda com as mãos no rosto. "Mas não fique assim. Você vai reconquistá-lo. Tenho certeza disso".

Tirei as mãos do rosto e olhei fixamente pra ela. Será que era verdade isso? Suspirando, resolvi conversar com ela.

"Ângela, eu o amo tanto." Fechei lentamente os olhos e aspirei bastante ar para tomar coragem. "O que me deixa mais apreensiva é o fato de conquistar somente seu corpo novamente. Eu quero seu coração, Angie. O prazer físico é excepcional... e também quero isso, mas seu amor, dedicação e confiança nos meus sentimentos é o que mais desejo agora, amiga. É isso que está difícil conseguir dele novamente".

"Acredite, Bella, ele a ama." Ela afagou meus ombros, me puxando para um abraço. "Eu tenho certeza que Dr. Edward vai voltar pra você de todas as formas possíveis".

Abri um pequeno sorriso e senti algumas grossas lágrimas descerem pelos meus olhos. Eu tinha dificuldades de acreditar nisso, mesmo amando-o cada vez mais. Edward era uma pessoa difícil e teimosa. Não tivemos tempo de conversar nenhuma vez desde a descoberta do meu segredo com Rob. Isso era algo que me preocupava imensamente. Essa fuga desnecessária dele em encarar os fatos. Se ele perdoou Rob... por que não me perdoar também?

Balancei a cabeça minimamente, afastando esses pensamentos. Não podia exigir dele que perdoasse eu e seu gêmeo da mesma maneira. Éramos amores diferentes. Edward e Rob são irmãos e se conhecem desde... sempre. Eu era somente uma humana normal que tinha entrado na vida dele. Ou melhor, deles. Bella, pare de pensar nisso!

Resolvi que o melhor seria ir pra casa e ver se esse plano quase louco tinha dado certo.

"Angie, vou pra casa." Ela me soltou e sorriu pra mim contemplativa. "Você se importa? Eu... bem... quero ver se ele vai aparecer lá em casa." Novamente corei com minha fala.

"Lógico que não, principalmente depois do que eu fiz com você. Obrigada pela sua presença aqui, amiga. Quer que eu peça alguém pra te acompanhar?"

"Não, imagina. Acho que toda cidade está aqui mesmo, então não vai acontecer nada comigo." Dei um sorriso. "Minha picape está logo ali".

Nos abraçamos novamente e me despedi dela. Não busquei Edward com os olhos pela festa, com medo da minha reação. Eu tinha que correr pra casa logo.

Em poucos minutos cheguei em casa. Comecei a me arrumar para tentar dormir, mas sabia que seria impossível agora. Depois das coisas que fiz e, principalmente, das palavras dele, eu tinha certeza absoluta que Edward já me desejava, tanto ou até mais do que quando nos conhecemos. Vivemos nossa vida, principalmente sexual, no limite. E a admissão dele, me desejando, de que eu o deixava alucinado, era mais do que suficiente. E, claro, se as teorias de Ângela e até mesmo de Rose, estivessem certas, Edward viria aqui em casa e nós conversaríamos. Eu não agüentava mais esse sofrimento.

Passei duas horas em meu debato interno, onde comecei a desistir. Edward não viria. Eu estava com um conjunto de short e blusa, tentando não ser tão sedutora, afinal, eu precisava me focar. Mas a perspectiva dele não aparecer me frustrou. Resolvi trocar de roupa e colocar uma camisola branca e dormir. Por mais que estivesse de folga nas próximas trinta e seis horas, meu corpo estava cansado de tanto trabalho.

Assim que escovei meus cabelos e me preparava para dormir, escutei uma batida na porta. Pareceu meio vacilante, o que não lembrava Edward. Ele tinha a chave da minha casa, mas será que entraria direto? Fui em direção à sala, lentamente, colocando um robe em volta do meu corpo. Antes que eu chegasse à porta, escutei nova batida. Será que era ele mesmo?

Ao abri a porta, dei de cara com o amor da minha vida. Edward estava tão lindo, mas ao mesmo tempo, parecia totalmente perdido. Esse não foi o homem pelo qual me apaixonei, apesar de ainda amá-lo demais. Um desejo imenso de cuidar dele invadiu meu sistema e antes de qualquer coisa, queria saber se ele estava bem.

"Você está bem?"

Ele não falava nada, mas percebi que sua respiração acelerou. Por Deus, será que ele estava bem? O que houve após sua saída para a festa?

"Edward... estou ficando preocupada".

Ele sorriu e passou as mãos pelos cabelos, talvez a milionésima vez na noite.

"Bella... eu... vim pra conversar com você." Ele colocou as mãos no bolso, o que me deixou um pouco tensa. Esse era exatamente o momento que eu desejei a noite toda. "Tudo bem pra você? A hora é... ruim?"

Sua voz rouca mexeu com meus sentidos. Sufoquei um gemido, mas não tive êxito. Para tentar controlar minha pulsação, puxei o robe para me cobrir. Nesse momento, percebi seu olhar varrendo meu corpo, assim como eu estava fazendo. A ereção de Edward gritava em suas calças. Por Deus, parecíamos dois adolescentes agora, de tanta tensão sexual. O poder que esse homem tinha com meu corpo era impossível de descrever. Minha mente ficou um pouco nebulosa, pois me recordei de toda cena da festa. Senti minha umidade descendo pela minha calcinha. Corpo traidor. Eu precisava me controlar.

"Você está bem?" Ele me perguntou agora.

"Eu?"

"Sim. Você está arrepiada e seus mamilos..." Então ele percebeu. Por mais que desejasse acertar as coisas entre nós, Edward, conhecedor do meu corpo como ninguém, viu o efeito que estava causando em mim. Não resisti muito e soltei o gemido que estava preso na minha garganta. Edward avançou lentamente, quase como um felino. Isso era completamente insano, meu Deus.

"Bella? Eu... Deus, isso é insano demais".

"Sim. Eu concordo." Era exatamente a definição da nossa situação agora.

"Eu vim aqui pra conversar com você, mas vê-la assim... não consigo me controlar." Suas mãos estavam um pouco trêmulas, o que me fez recordar novamente a minha preocupação inicial. Será que Edward estava bem? Mas tudo foi por terra no momento em que seus dedos tocaram no meu seio. Eu gemi, quase fechando os olhos pelo prazer. Ele deslizou pelo bico, deixando ainda mais endurecido, se isso fosse possível. Meu corpo foi em sua direção, mesmo contra a minha vontade. Eu precisava dele.

"Bella... eu posso?"

Eu estava tão desesperada. Minha mente tentava me recordar que precisava acertar minha vida com ele, mas eu não conseguia. Suas mãos poderosas passeavam pelo meu corpo e, mesmo a distância, Edward me deixava em chamas. Ele estava tão... carinhoso. Completamente diferente das últimas vezes. Antes era sempre pele e fogo. Agora parecia dolorosamente gentil. Seu corpo veio em minha direção e com um suspiro pequeno, seus lábios se aproximaram do meu rosto, me fazendo abrir a boca em um pedido mudo.

"Por favor... faz amor comigo, Bella?"

Era ele novamente. O meu príncipe encantado estava de volta. Edward pedindo para fazer amor comigo, depois de tantas idas e vindas. Eu abri um sorriso de puro êxtase. Não havia necessidade de conversas e desilusões. Ele me perdoou. Edward me perdoou! Quase dei uma gargalhada de pura felicidade e, mais que de repente, ele me pegou no colo e fechou a porta. Nossos olhos ficaram presos enquanto eu rodeava seu pescoço e beijava seu rosto, mandíbula, orelha. Eu suguei seu lóbulo, fazendo-o gemer.

"Edward... eu preciso de você." Eu queria dizer pra ele que estava pronta para recomeçar. Tudo de novo.

"Sim... eu também".

Depois não houve mais necessidade de conversas. O restante da noite foi como um borrão de felicidade plena. Eu e Edward fizemos amor. Totalmente. Todos os momentos de desespero e tristeza foram varridos para fora de mim. Edward me seduziu, venerou meu corpo e me mostrou o quanto me amava. Ele tinha me perdoado, afinal.

Não me lembrava da última vez que tinha feito sexo com Edward tão lentamente. Em alguns momentos tentava antecipar nosso prazer, buscando fricção no seu corpo, mas ele me disse que queria me degustar. E eu deixei. Tudo por Edward agora.

Nada descrevia a sensação de ser adorada. Eu estava tão maravilhada que meu corpo parecia flutuar. Amava cada coisa que Edward fizesse comigo, mas minha mente, mesmo desconectada do restante do corpo, estava gravando cada momento de prazer e entrega, não conseguia esquecer que Edward tinha voltando de corpo e alma pra mim. Como sempre foi, desde o início.

Quando o meu orgasmo me alcançou, no mesmo instante que pensei sobre tudo que queria fazer novamente com meu amor, meu príncipe encantado, senti Edward gozando para mim. Seu corpo tombou sobre o meu completamente suado e satisfeito.

Quase sorrindo, Edward levantou o rosto e me olhou. Ele passou o dedo por meus lábios, arrancando um gemido meu de pura felicidade. Mas quando olhei em seus olhos, vi que algo mudou. De repente um sentimento estranho varreu meu corpo, no mesmo instante que ele se ajeitava e assumia uma postura quase profissional. Fria. Como de alguém que daria uma notícia pesada, triste. Isso me confundiu totalmente. O que tinha acontecido agora? Não estava tudo resolvido?

"Bella... acho que precisamos conversar".

Meu Deus, o que tinha acontecido? Ele... eu... nada fazia sentido. Por que precisávamos conversar agora? Tínhamos acabado de fazer amor. Sua entrega e seus atos não correspondiam com o que eu via nos seus olhos. A frieza que Edward me olhava praticamente voltou com força total. Eu tinha medo de mexer meu corpo e ver que meus sonhos tinham sido esmagados.

"Você não vai falar nada?"

"Eu estou com medo de falar qualquer coisa, Edward. Da última vez, você não me deu essa alternativa." Essas foram as únicas palavras em que eu conseguia pensar agora. Meu corpo remeteu à dor daquele dia. O dia que ele me acusou de muitas coisas, me interrompendo de qualquer explicação.

"Então você me deixa falar... por favor?"

Eu assenti levemente e, no mesmo instante, sentei e abracei meu próprio corpo. Percebi que Edward suspirou e baixou os olhos, como se fosse criar coragem. Suas mãos remexeram em seus cabelos, se afastando completamente de mim. Por Deus, o que tinha acontecido? Onde estava o amor e a confiança que eu tinha sentido agora pouco? Eu estava certa de que tudo tinha sido resolvido entre nós. Com os olhos ferozes, Edward levantou sua cabeça e começou a falar, mas eu estava muito distraída com medo de uma nova mágoa. Suas palavras saíram sussurradas, assim como um estupor maldito tomava conta do meu corpo. Foquei minha mente para ouvir o que ele me dizia.

"... que ficamos separados só serviu para me mostrar o quanto meu corpo sente a sua falta. Acho que os nossos últimos encontros estão como prova do que estou falando." Edward fechou os olho, cortando o meu elo com ele. Isso não está acontecendo. NÃO. Isso não. A minha arma, o famoso poder de sedução que Rose falou tanto estava aí. Totalmente aceito e conquistado. Mas ele não me queria mais como antes. Edward não me amava como eu o amava. Meus olhos ficaram nublados das lágrimas que forçavam passagem. Um suspiro forte saiu dos seus lábios. Ele terminaria de enfiar o punhal no meu peito agora?

"Eu tenho medo, Bella. Muito. Me dói demais saber que você nunca confiou em mim de verdade e que escondeu seu passado. Fico com receio de jamais confiar em você novamente depois de toda essa confusão." Deus, era pior, muito pior. "Mas, caralho, eu não sei viver sem você, Bella".

Eu sabia. Lágrimas grossas já desciam fortemente pelo meu rosto. Edward não me amava mais. Ele só queria meu corpo. Ele disse todas as coisas horríveis primeiro, para depois me dizer que não sabia viver sem mim? Que em outras palavras significava: o sexo com você é perfeito, mas jamais vou me casar com você?

Suas palavras foram piores do que eu pensava. Nunca imaginei que pudesse escutar isso dele. Rob me abandonou enquanto eu achava que tinha encontrado o homem dos meus sonhos. Mas eu superei. E agora Edward age pior do que seu gêmeo, me afirmando que jamais confiaria em mim? Por Deus, isso era pior do que suas palavras cruéis dizendo que ia embora. Eu não suportaria uma vida pela metade. Isso eu não queria pra mim.

"Edward... eu não posso." Meu choro estava tão forte que minha voz saiu rouca de dor. "Assim eu não quero. Assim eu desisto..."

Ele me olhava mudo. Não falava nada? Por que não se defendia?

"Eu não quero viver uma vida pela metade. Eu o quero por inteiro, Edward, e saber que você não confia em mim é pior do que o que aconteceu com seu irmão..." Saí da cama, querendo distância da minha dor. "Seu irmão era um homem que desejei por dois longos anos, Edward. E ele me abandonou. Mas pelo menos não me prometeu nada. Eu era a inocente e burra que acreditou em tudo... mas você..."

"Bella... não... você não entende".

"CHEGA, Edward... por favor..." Eu sentei no chão, em desespero. Não queria acreditar que algo assim estava acontecendo.

"Você me acusou de várias formas, Edward. Achou que eu me aproximei de você pela aparência. Achou que eu quis Rob ao invés de você. Mas eu sempre estive aqui... sempre. Eu estava acreditando que você me amava. Sem reservas... mas você não confia em mim. Jamais me amou profundamente, Edward. Sempre teve tudo ao seu controle, não é?"

Ele me olhava... mudo. Lágrimas escorriam dos seus olhos agora. Fechei meus olhos para não fraquejar.

"Você acredita nas coisas que fazem parte dos seus conceitos, Edward." Soluços fortes saíam do meu corpo. "E a partir do momento que as coisas saíram do seu controle, você prefere desviar... culpar os outros. A mim." Levantei e coloquei meu robe. De costas resolvi terminar com meu sofrimento. "Eu o amo, Edward. Insanamente. Mas não estou disposta a ser sua servente sexual enquanto você fica remoendo minha culpa. Sinto muito, Edward, mas assim eu não quero." Virei meu corpo e vi que ele continuava na mesma posição, quieto. "Eu o amarei por toda a vida... saiba disso. Mas somente quando você me amar da mesma forma... somente quando você desejar meus defeitos... minhas deficiências... meu coração... somente desse jeito é que eu vou querer. Pois é desse jeito que eu amo você".

"Você está errada... eu..."

"Pare, Edward. Por favor. Ou então me fale: não confia em mim por quê? Por que você fica remoendo dentro de você se eu gostei mais do seu irmão? Ou se eu tenho uma vida passada tão suja que vai descobrir outras coisas? Ou pior, você pensa que eu o amo porque você é meu... 'estepe', já que seu irmão não me quis. É isso, não é?"

Seu olhar abaixou. Eu sabia. "Por favor, Edward. Vá embora".

"Bella... você está me mandando embora? É isso?"

"Não, Edward. Eu estou tentando sair inteira dessa relação destrutiva. Você não me ama incondicionalmente como eu amo você. Existem limites nos seus sentimentos. E isso, definitivamente, não me faz bem".

O que aconteceu depois foi em câmera lenta para mim. Edward me olhou longamente, mas sem proferir uma palavra. Eu via seus olhos com lágrimas grossas, mas ele jamais se defendeu. Enquanto ele colocava a sua roupa, um sentimento de perda se apoderou do meu corpo. Edward estava me deixando de verdade.

Eu fui em direção à sala e sentei no sofá, esperando Edward sair. Seu corpo apareceu em direção à porta enquanto eu controlava os meus soluços e espasmos. Nada mais precisava ser dito agora. Eu precisava me reerguer.

"Essa é sua palavra final, Bella? Depois que eu sair dessa porta, não voltarei." Sua voz saiu profunda e rouca. E com muita dor. Eu via que Edward parecia sofrer de verdade, mas a realidade era mais cruel. Ele estava sentido por ter sido eu e não ele a terminar tudo.

"Já disse... eu quero tudo, Edward. Quero todo o romance e conto de fadas de antes. Você pode me dar isso de novo?"

Seu olhar varreu meu corpo e fixou no meu rosto. Tanto eu quanto ele ficamos presos no olhar e ambos chorando copiosamente. Por que ele não se rendia? Eu o amava demais.

"Sinto muito... Isabella".

Ao dizer meu nome, eu entendi tudo. Ele também estava desistindo de mim. Fechei os olhos e coloquei as mãos no meu rosto para esconder minha dor. Edward não me queria. Ouvir o barulho da porta se fechando foi como ouvir meu coração se rasgando, mas agora a dor era tanta que não conseguia chorar. Estranhamente as lágrimas tinham cessado. Mas a dor ainda estava aqui, forte.

Fiquei me balançando, revivendo como uma viciada todos os momentos que tinha passado com ele. Tudo nos mínimos detalhes. E era cada vez mais doloroso. O que eu faria agora? Não tinha sentido nenhum ficar aqui.

O tempo passou tão rapidamente que levei um susto quando a claridade do dia me alcançou no sofá. Tentei mexer meus músculos, mas estes estavam completamente retesados. Toda a minha dor pela perda dele tinha travado meu físico e o meu emocional. Eu queria sumir.

Passei as mãos pelo rosto para limpar minhas lágrimas invisíveis. Há muito tempo não chorava, na verdade, desde o momento que percebi que ele tinha desistido de verdade de mim. Por que era tão difícil assim me perdoar? Eu podia ter sido horrível em esconder essa verdade sombria da minha vida, que nem mesmo Rosalie soube, mas não achava que merecia tanta dor e desprezo. Ou, como minha mente tentava me convencer, o óbvio estava ali. Edward não me amava.

Com uma estranha determinação, resolvi que mudaria minha vida. De verdade. E a primeira coisa a fazer seria voltar para minha família novamente. Aqui eu estava sozinha e sofrendo sem ajuda. Eu queria muito poder contar com Rosalie, minha amiga e quase irmã, mas sabia qual seria seu discurso. Ela pediria para eu lutar e continuar insistindo nesse amor doentio. Isso eu não queria mais.

Resolvi ligar para meu pai, mas seu celular entrou na caixa postal. Como estava de folga no próximo dia, eu poderia insistir. Ou não? O melhor era tomar coragem agora. Eu queria voltar pra casa para ver se toda essa dor saía do meu corpo e da minha vida. Com isso resolvi deixar uma mensagem para meus pais.

"Oi, pai... sou eu. Desculpe pela mensagem. Eu... bem... posso voltar pra casa?" Minha voz tremeu levemente. "Pelo menos pelos próximos dias?" O que eu explicaria? "Amo você e a mamãe. Beijos".

Comecei a arrumar minha mala. Eu não queria parecer uma fugitiva, mas precisava de um tempo pra mim, em uma tentativa de ajustar minha mente. Edward tinha consumido toda a minha sanidade na noite anterior. Ainda não conseguia entender a sua dificuldade em me perdoar. Eu não podia ser tão insignificante assim? Poderia?

Meu corpo convulsionou em dor novamente e de novo, lágrimas não vieram. Tudo em mim doía, como se eu tivesse levado uma surra. Mas isso era por dentro. Fui em direção ao espelho do meu quarto e o que vi, me deixou perplexa. Não havia vida em meus olhos.

Passei a admirar meu rosto lentamente. Minha cabeça doía, meu corpo tremia, mas por fora, eu parecia a mesma. Mas sem qualquer brilho ou emoção. Edward tinha tirado até minha alegria. O que eu faria nessa cidade? Ao perceber que estava me destruindo aqui, a decisão de ir embora foi ficando ainda mais forte.

O melhor era pedir demissão do meu cargo. Eu não tinha coragem de aparecer naquele hospital nunca mais. Como trabalhar e olhá-lo, todos os dias, sem poder fazer nada? Até minha profissão eu estava pensando em abandonar por causa dele. Deus, isso era tão... ruim.

Fui em direção ao telefone para comprar uma passagem aérea para Phoenix, somente de ida agora. Não queria voltar, pelo menos por enquanto. Confirmei tudo direito e consegui comprar para o horário do almoço. Ainda havia algumas horas, mas era melhor para eu dirigir neste estado deplorável que me encontrava. Minha concentração estava péssima.

Peguei no telefone novamente agora pensando no Dr. Carlisle. Eu não queria ir ao hospital. Será que ele aceitaria meu pedido por telefone? Antes que eu concluísse a ligação, escutei uma batida forte na porta, parecendo um baque. Mas quem seria? Meu coração deu um salto de susto.

Não pode ser ele. Minha mente martelava enquanto ia em direção à porta. Nova batida, agora mais alta. Fiquei assustada com a violência. Quem seria?

Assim que abri a porta, um grande susto me assaltou. Na minha frente, tremendo, estava Kristen e seu filho nos braços, com o corpo convulsionando e sem respirar direito.

"Por favor... eu..."

"Oh, Deus... o que houve?" Não me controlei e peguei o pequeno nos braços. Masen não respondia e estava totalmente branco. Eu checava rapidamente seus sinais vitais e ele estava muito fraco. Um pavor começou a aparecer no meu semblante. O que tinha acontecido?

"EU NÃO SEI! Ajude-me... meu bebê. Isabella, não tem ninguém e eu... eu vou morrer!" Seu desespero era tanto que meu corpo tremeu. Peguei minha bolsa correndo e puxando uma mãe completamente zonza e debulhada em lágrimas, corri até meu carro.

"Fique calma, Kristen. Acho que ele apresenta um quadro de choque anafilático, ou reação alimentar*. Ele comeu algo?"

*Anafilaxia (ou anafilaxis) é uma reação alérgica sistêmica, severa e rápida a uma determinada substância, chamada alergênico, ou alérgeno, caracterizada pela diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios gerais da circulação sanguínea, acompanhada ou não de edema da glote. A reação anafilática pode ser provocada por quantidades minúsculas da substância alergênica. O tipo mais grave de anafilaxia — o choque anafilático — termina geralmente em morte caso não seja tratado. O chamado choque anafilático é uma emergência médica em que há risco de morte, por causa da rápida constrição das vias aéreas, que muitas vezes ocorre em questão de minutos após o início do quadro. Buscar ajuda médica imediata pode salvar preciosos minutos. Os primeiros socorros adequados ao choque anafilático consistem em obter cuidado médico avançado imediatamente. Os sintomas podem incluir estresse respiratório, hipotensão (baixa pressão sanguínea), desmaio, coma, urticária, angioedema (inchaço da face, pescoço e garganta) e coceira. Os sintomas estão relacionados à ação da imunoglobulina e da anafilatoxina, que agem para liberar histamina e outras substâncias mediadoras de degranulação. A histamina induz à vasodilatação e a broncoespasmo (constrição das vias aéreas), entre outros efeitos. MAIORES INFORMAÇÕES: http:/ /pt. wikipedia. org/ wiki/ Anafilaxia (retirar espaços)

Parei em frente ao meu carro e a coloquei na direção. "Você tem condições de dirigir? Seu filho precisa de você. Vamos para o hospital agora!"

Eu não queria gritar, mas o meu lado emocional acabou falando mais alto. Enquanto ela entrava na direção eu corri para o carona com ele nos braços. Parecia tão... sem vida. Masen não estava respirando direito quando chegou e agora dentro do carro, ele simplesmente parou de respirar. Kristen me olhou em desespero enquanto arrancava com o carro. Meu lado profissional assumiu o controle nesse momento.

Masen apresentava taquicardia e conforme minha experiência dizia, sua pressão arterial tinha caído. Eu não tinha como entubá-lo, mas sua falta de respiração me preocupou absurdamente. Ele era uma criança linda que estava sofrendo muito. Comecei uma massagem cardiovascular e a assoprar nos seus lábios. Enquanto Kristen corria pelas ruas desertas de Forks, eu rezava o tempo todo para que desse tempo. Masen abriu os olhos, vidrados, e um grande jorro de vômito voou em minha direção. Não me importei, eu queria salvá-lo.

Seu corpo estava queimando em febre e seu rosto e pescoço apresentava um quadro de angioedema*. Definitivamente era um quadro de choque anafilático. O hospital apareceu na minha frente e antes que eu pudesse pensar direito, saltei com o carro ainda em movimento e comecei a correr para dentro do hospital aos gritos.

*Angioedema: inchaço da face, pescoço e garganta, geralmente causado por reações alérgicas.

"EMERGENCIA GRAVE." Masen começou a convulsionar novamente e vomitou ainda mais em mim. Percebi que agora só vinha sua bile com um forte cheiro de nozes. Ele teve essa reação por causa disso. Será que sua mãe sabia? "CRIANÇA COM CASO DE CHOQUE ANAFILÁTICO. RÁPIDO." Eu tinha que ser rápida. "ÂNGELA, PREPARE UMA DOSE DE EPINEFRINA* E OXIGÊNIO." Ângela já corria na minha frente quando entrei no pronto-socorro. "Eu não sei a causa, Ângela, mas me pareceu reação alérgica grave a nozes". .

*Epinefrina: medicação para tratamento de reações alérgicas graves.

Minha mente estava focada na criança na minha frente. Coloquei Masen no oxigênio ao mesmo tempo em que aplicava a dose de epinefrina. Enquanto fazia os primeiros procedimentos, comecei a pensar na possibilidade de algo mais grave ocorrer, foi quando senti os braços fortes de Edward. Não tinha reparado na gritaria, mas ao virar meu rosto vi que estavam todos no P.S. Edward nervoso cuidando da entubação e gritando com alguns residentes, Carlisle segurando um desesperado Rob e Kristen. Ela me olhava, muda, mas com os olhos tão completamente cobertos de lágrimas que achei ser impossível ela me ver.

"Eu já apliquei a epinefrina, Edward. Acho que foi reação a nozes. Seu vômito estava com um cheiro forte".

Ele só me olhou e assentiu. Meu estado era precário, com o cheiro forte da reação do menino, mas eu não me importava agora. Parecia que todos no hospital estavam dentro do pronto socorro. Apesar de sentir que estava sobrando ali, minha preocupação era tanta que me doía ver uma criança tão linda sofrendo daquele jeito. Edward e Rob seguiram com a criança rumo à sala de cirurgia enquanto Kristen era amparada por Ângela, que tentava impedi-la de entrar. Olhei em volta e dei de cara com Dr. Carlisle, que me olhava agradecido. Ele aproximou-se de mim e, abraçando-me forte, falou em meus cabelos.

"Obrigado, Bella. De verdade, minha família e eu teremos uma dívida eterna com você".

Suas palavras mexeram comigo. Sua família. Eu não fazia parte dessa família. Eu era a intrusa aqui e isso não estava certo. Assenti para ele e comecei a me afastar. Toda a verdade abateu-se sobre mim. Eu não pertencia a esse lugar.

Tudo voltou em câmera lenta. Toda a dor, todas as palavras amargas de Edward. Sua rejeição e até mesmo a minha decisão de partir. Fui me arrastando para o estacionamento enquanto via pessoas correndo na direção contrária. Por mais que me doesse, percebi que o problema de Masen trouxe uma realidade nua e crua. Apesar da dor, do abandono e de tudo que Edward me fez passar na noite passada, eu amava minha profissão. Todo o meu conhecimento profissional era parte da minha vida. Eu precisava seguir em frente e continuar a cuidar de pessoas e resgatá-las, mesmo que minha vida estivesse vazia agora.

Assim que cheguei ao meu carro, pesadas gotas de chuva caíram sobre meu corpo. Levantei o rosto para o céu e pedi ajuda para seguir em frente com meu plano. Eu tinha que sair desse lugar. Antes que chegasse à conclusão do que eu faria, senti uma pequena pressão no meu braço. Ao virar, dei de cara com Kristen, que tremia, mas me olhava com determinação. Não estava entendendo nada.

"Bella... é assim que você prefere, não é?"

Olhei para ela confusa, mas assenti. O que tinha acontecido agora? Será que Masen...

"Ele está bem." Ela respondeu vendo meu olhar preocupado. "Edward e Rob estão com ele lá dentro e, claro, como todos nessa família, não me deixaram entrar." Ela deu um pequeno sorriso.

Sorri em sua direção também. "Vai dar tudo certo. Não se preocupe. Edward é um pediatra excepcional." Falar dele me causou dor, mas eu tinha que acalmá-la. "Acho melhor você entrar Kristen, vai pegar uma forte gripe".

Ela se abraçou e começou a tremer. Seus olhos buscaram o chão enquanto eu percebia que ambas estávamos na chuva, vivendo uma situação que parecia impossível há pouco tempo atrás. O que ela queria comigo, afinal?

"Eu não sabia... juro." Seus olhos levantaram e estavam ansiosos em minha direção. "Eu não sou assim, tão distraída. Não o vi comendo aquilo... eu..."

Resolvi confortá-la. "Não fique assim. Muitas pessoas não sabem sobre suas alergias também. Não é sua culpa. Poderia ter acontecido com qualquer outra pessoa".

"Mas eu não sei fazer nada direito, Bella. Eu... bem... eu estou com medo".

"Não fique. Seu filho é lindo e saudável. Você é uma excelente mãe, vai dar tudo certo." Ela balançava a cabeça tentando aceitar o que eu dizia. Mas a minha mente martelava para minha maior curiosidade no momento. "Mas posso perguntar uma coisa?"

Curiosidade varreu seus olhos e aproveitei a abertura de Kristen. "Hum... bem, por que você foi à minha casa?"

"Eu estava indo me encontrar com Esme e Alice. Acho que elas estavam com algum cliente na parte da manhã e prometi encontrá-las para almoçar... e eu... não deixei Masen comer biscoitos... e ele achou as nozes na geladeira... e eu... oh meu Deus, quando vi já estava na sua porta com meu filho daquele jeito. Desculpe-me..."

"Não, pelo amor de Deus, foi só curiosidade. É que você não me conhece e... bem..." Fiquei morta de vergonha por ela achar que eu não queria cuidar de Masen. "Obrigada por confiar em mim e tudo mais... Oh Deus, que vergonha agora." Coloquei as mãos na minha boca com medo de falar mais alguma besteira para ela.

"Bella. Acho que sei muito sobre você. E estou aqui por isso." Em um único movimento, seu corpo se projetou em minha direção e ela me deu um forte abraço. "Muito obrigada, Bella. Você não faz idéia do quanto eu serei eternamente grata por salvar a vida do meu filho".

"Imagina..." Sua reação vez meu rosto corar ainda mais. "Não fiz mais do que minha obrigação..."

"Não, Bella. Não foi sua obrigação." Ela se afastou e seus olhos estavam fixos no meu rosto. "Eu bati na sua porta com meu filho nos braços, mesmo sabendo que você não me conhece e poderia até estar me odiando depois daquele dia que me viu com Edward." Balancei a cabeça negando suas palavras.

"Não, Kristen. Isso não é verdade!".

"Calma, Bella. Não quis dizer nada demais. Eu só quero dizer o quanto você é maravilhosa, mesmo quando eu não fiz a menor questão de te conhecer. Me perdoa?"

"Não há nada a perdoar, por favor." Meu corpo estava tremendo de vergonha com essa conversa. "Por favor, não fale essas coisas, eu e Edward não estávamos bem naquele dia e eu..."

"Bella. Posso te falar mais uma coisa?" Assenti. "Edward tem muita sorte por amar alguém assim como você, Bella... Linda, humana e profissional. Muito obrigada por tudo".

Fiquei totalmente surpresa com suas palavras. Ela sorriu em minha direção novamente, apertou a minha mão e se afastou. Fiquei muito balançada com sua atitude. Será que Kristen sabia o quão confusa eu estava e como estava a minha situação com Edward? Mas isso que ela disse não seria suficiente. Eu realmente precisava me afastar.

Entrei na minha picape e voltei a pensar na minha vida sem rumo. O que eu poderia fazer agora? Mesmo que eu lutasse contra, já sabia o que poderia me ajudar. Mesmo com uma dor dilacerante no peito, peguei meu celular e busquei o numero do único lugar onde poderia seguir com minha profissão agora. Suspirei pensando no que dizer.

"Hospital de Phoenix. Bom dia."

'Não preciso pensar muito agora'.

Era isso que eu ficava repetindo na minha cabeça depois que liguei para James e falei que aceitava o emprego que ele me ofereceu. A felicidade na sua voz quase me fez sorrir. O único momento tenso da conversa foi quando ele me perguntou sobre quando eu começaria e eu tinha dito que no dia seguinte estava bom. Lógico que ele não aceitou, mas concordou que seria no segundo dia então. E aqui estou. Só fazia três dias desde minha chegada a Phoenix e ao mesmo tempo em que estava totalmente familiarizada com o local, eu me sentia um peixe fora d'água. Tudo foi muito rápido e de certa forma indolor, já que meu corpo ainda estava em estado de estupor pela minha 'fuga' de Forks. Rosalie me ligou ontem, dizendo que estaria aqui amanhã para conversarmos, e neste momento eu estava ligando para o celular do Dr. Carlisle para me explicar.

"Carlisle falando".

"Hum... olá, Dr. Carlisle. Aqui é Bella Swan." Minha voz saiu quase sussurrando.

"Meu Deus, Bella. Eu não acredito que é você. Mas onde você está? Você sumiu e eu não consigo falar mais na sua casa. Soube de você e meu filho e... bem... não precisa vir trabalhar agora e..."

"Dr. Carlisle, me escute e, por favor, me perdoe o que vou dizer. Eu não vou voltar para o Hospital de Forks." Meu peito doeu com essas palavras. "Sei que não é a melhor forma de dizer isso, principalmente depois de tudo o que o senhor fez por mim. Mas eu estou... longe. Não daria para termos essa conversa ao vivo, eu realmente sinto muito. De verdade".

Ele ficou mudo, deixando-me apreensiva. Não queria magoar ninguém, principalmente ele que me ajudou muito na minha adaptação. Escutei passos e uma porta se fechando. "Bella." Sua voz pareceu tão semelhante ao meu pai. "Você está bem, Bella? Precisa de ajuda?"

"Eu estou bem... quero dizer, estou tentando." Minha voz saiu embargada, mas novamente não consegui chorar. "Pode parecer ainda mais horrível o que vou dizer agora, mas eu segui com minha vida, Dr. Carlisle. Já estou me arrumando por aqui".

"Bella, me chame somente de Carlisle, por favor. E realmente sinto muito por estarmos conversando sobre isso. Nem quero entrar no mérito do seu relacionamento com Edward." Sua voz falhou à medida que meu coração deu um salto. "Eu estou mesmo preocupado é com você. Tem certeza que não precisa de nada agora? Como vai viver e tudo mais? Eu trouxe você da Europa e agora não quer mais trabalhar aqui e... eu quero te ajudar, minha filha".

Suas palavras doces inflaram meu peito. Mesmo que eu tenha abandonado meu empregador, ainda sim ele se preocupava comigo. Eu não merecia tanta consideração.

"Carlisle. Obrigada pela preocupação, mas estou bem. Na verdade estou com meus pais agora. Em Phoenix. E bem... me desculpe novamente, mas me ofereceram um excelente emprego e... Oh Deus, como isso é horrível de confessar..." Meu rosto queimava de vergonha por estar assumindo para meu antigo chefe que aceitei uma oferta de trabalho. Senti-me péssima com esses pensamentos. "Eu aceitei o trabalho aqui e por isso estou ligando. Poderia aceitar minha demissão, Carlisle?"

Um longo suspiro e seu telefone mudo foi a resposta imediata. Eu estava tão triste com essa situação que não conseguia falar nada. O que poderia dizer? Seu filho tinha quebrado meu coração e arrancando minha alma, por isso eu não queria mais trabalhar junto a ele? Fechei os olhos esperando por sua sentença.

"Como chefe deste hospital, essa é a pior notícia que recebo, Bella. De verdade. O hospital de Forks está perdendo uma das melhores, isso se não for a melhor que conheci, chefe de enfermagem que já passou por aqui. Mas eu jamais ficaria magoado ou triste com isso. Você tem que seguir com sua vida. Agora, como seu amigo, fico imensamente arrasado por essa sua mudança súbita e avassaladora. E para piorar, sei que não posso fazer nada. Sinto muito por isso, Bella".

Suas palavras foram sinceras e emocionadas. Meu peito batia violentamente, por saber que a dor que sentia pelo afastamento repentino também era sentida por outras pessoas. Dei um longo suspiro para respondê-lo. "Muito obrigada mesmo, Dr. Carlisle".

"Por favor, não me agradeça. As portas do Hospital de Forks sempre estarão abertas para você, minha filha".

"Não faz idéia de como isso me deixa feliz, Carlisle." Suspirei novamente com suas palavras.

"Bom... tenho que atender uma senhora passando mal aqui. E, novamente, obrigado pelo que fez ao meu neto, Bella. Não tenho palavras para descrever tudo o que sinto"

"Não precisa. E até breve, Carlisle".

"Até, Bella".

Assim que desliguei o telefone, escutei chamarem meu nome, mas não era pela comunicação interna do hospital. Quem me gritava assim?

"Isabella!"

Virei meu rosto e dei de cara com Dr. James, que estava quase correndo e sorria em minha direção. Assim que ele me contratou, pedi gentilmente que me chamasse pelo meu nome completo, pois meu apelido me trazia lembranças sofridas, não que tivesse compartilhado essa informação com ele. Ontem, quando me passou todas as rotinas do que faria, ele foi se acostumando a me chamar por meu nome de batismo.

"Que bom, Isabella, te encontrei. Precisamos comemorar".

Cruzei os braços em sua direção e franzi meu cenho. Eu estava no hospital a poucas horas e ele já pensa em diversão? Esse assunto não me pareceu correto.

"Do que o senhor está falando, Dr. James? Qual o motivo para tanta euforia?"

"Nós conseguimos! Nós conseguimos." Comecei a ficar preocupada. Por Deus, do que ele estava falando? Sua alegria era tão intensa que fiquei tensa por não entender qual o seu motivo.

"A verba, Isabella. A verba para a construção da ala infantil para crianças com câncer!"

Dr. James era pediatra como Edward. E ele estava visivelmente nervoso desde ontem sobre essa aprovação. Mesmo que eu não quisesse, minhas memórias foram em direção a ele. Edward. Será que ele teria uma reação assim se conseguisse verbas para fazer uma ala com tratamento de crianças com câncer, unindo o seu trabalho com o do seu gêmeo?

Mesmo que eu não estivesse tão feliz quanto o Dr. James, sorri em sua direção e isso deu a ele a iniciativa para me abraçar forte. Seus braços me suspenderam e ele me rodopiou no ar. Assim que rodei pela segunda vez, minha mente estava me pregando uma peça. Isso não podia ser possível. Quando meus pés bateram no chão e me virei, foi tudo ao mesmo tempo. Dr. James me apertou novamente, eu tentei me virar e minha visão confirmou o que achei que era uma miragem alucinada. No extremo do corredor estava Edward, parado, olhando a contagiante demonstração de felicidade do Dr. James. E seus olhos estavam presos em nós.

O que ele estava fazendo aqui, afinal?


Olá amores... Primeiro e antes de tudo. Gostaria de pedir muitas desculpas pela demora no capítulo. E foi totalmente minha culpa. Eu, Titinha. Algumas coisas aconteceram comigo ao longo das duas últimas semanas, que até mesmo minha super e linda amiga Nenizinha, não conseguia falar comigo.

Mas espero de coração que entendam... mas jamais abandonarei os gêmeos mais lindos do mundo. Eles fazem parte da minha vida, assim como vocês.

Agora quanto ao capítulo:

Sei que vocês podem estar furiosas com a atitude da Bella. E vou entender. Afinal, ela só pode ser louca em negar somente sexo para Edward, né?..rsrsrs

Mas não... nossa mocinha também tem sentimentos e no fundo nosso lindo gêmeo pediatra está tão confuso que nem sabe as coisas que fala ou faz.

Como estamos abordando relações humanas e um pouquinho de drama também, queremos mostrar pra vocês que a vida é feita de escolhas. Edward, neste momento, escolheu não perdoar Bella, e ela escolheu que deseja muito mais dele. Ou seja, quantas vezes fazemos algo que por mais doloroso ou errado, e que você sabe que pode se arrepender depois, fazemos mesmo assim, não mudando de opinião na hora... ou como dizem, no calor das emoções?

Outra coisa importante: Tentamos explicar sobre o problema do Masen. Foi de forma sintetizada e simples. Mas alergia alimentar e choque anafilático são coisas sérias. Desculpe-nos se não nos aprofundamos muito no tema, mas não trabalhamos na área de saúde e só queríamos colocar o problema do Masen aqui para vocês entenderem as relações dos personagens, tanto na questão profissional, quando envolvemos família. Espero que gostem... (por mais que tenha me doido fazer nosso fofo bebezinho ficar dodói).

E o final? Bom... sei que vocês querem nos matar por isso...rsrsrs... mas tudo tem um "por quê" na historia... SEMPRE.

Espero que gostem, ou não, né?

Mas, por favor, deixem seus comentários para duas autoras carentes e sem tempo, que estão meio sumidas, mas que jamais abandonarão esses gêmeos perfeitos.

Beijocas e até o próximo capitulo que...OBAAA... será POV ROB. A continuação do 30...hehehehe

=)