Esse capítulo está sendo oferecido a todas as leitoras participantes do SINDILEI (Sindicato das Leitoras de Entre Irmãos) e a todas as meninas participantes do GAPVEI (Grupo de Apoio as Pervas Viciadas em Entre Irmãos). Vcs fazem escrever ser tão gostoso, como é! Amamos vocês.


Tia Steph é dona de quase tudo, porque os gêmeos são nossos baby...

\o/


Come up to meet you, tell you I´m sorry
You don´t know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart

Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let´s go back to the start

Nobody said it was easy
It´s such a shame for us to part

Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard

Oh take me back to the start

Vim te encontrar, te dizer que eu sinto muito
Você não sabe quão adorável você é
Eu tive que encontar você, te dizer que eu preciso de você
E te dizer que eu te deixei de lado
Conte-me os seus segredos e pergunte-me suas dúvidas
Oh, vamos voltar ao começo

Ninguém disse que isso era fácil
É uma vergonha nós nos separarmos
Ninguém disse que isso era fácil
Ninguém nunca disse que seria tão difícil
Oh, leve-me de volta ao começo

The Scientist - Coldplay


CAPÍTULO 33 – DE VOLTA AO COMEÇO (PARTE 2)

EDWARD POV

Levei um susto ao dar de cara com minha irmã Alice, já tinha tanto tempo que eu não a via. Se eu estivesse errado, eu não conversava com a baixinha desde... quando mesmo? Desde o jantar apresentando Bella? Não... desde o final de semana em La Push. Porra, fazia muito tempo. O que Alice queria falar comigo agora?

"Vai ficar me olhando sem falar nada, irmão?"

Cocei meus olhos e passei as mãos nos cabelos, antes de abraçá-la fortemente, levantando seu corpo do chão. Eu estava tão deprimido e me punindo acidamente o tempo todo que tinha esquecido em como era bom ficar próximo da minha família.

"Como você está, pirralha?" Perguntei com meu rosto mergulhado no seu pescoço. "Já sabe que Masen está bem, né?" Falei com ela nos meus braços, agora olhando em seus olhos.

"Sim... na verdade eu já sabia. Você é o melhor de todos por aqui, Edward!"

Sorrindo, apertei mais um pouco o abraço e a coloquei no chão. Eu era muito próximo de Alice, mesmo que não concordássemos com muita coisa. Minha vida era intimamente ligada ao meu gêmeo, mas era com Alie que eu tinha o relacionamento mais próximo de irmãos que se amam e brigam, claro.

"Hum... respondendo sua pergunta, eu acho que estou bem..." Ela disse bem baixinho.

Estávamos andando em direção a lanchonete do hospital, mas o tom de voz de Alice não quis dizer isso, tenho certeza. Mas o que tinha acontecido com ela, afinal? Seria... Jasper?

"Antes que você comece a surtar e partir para a agressão quanto a Jazz, nós estamos bem... é só q-"

"Ele te abandonou grávida? Que filho da puta!" Minha mente já trabalhava com formas de quebrar a cara dele.

"EDWARD!" O grito de repreensão, e talvez até de divertimento, saiu da boca da minha irmã. "Mas que idéia absurda é essa agora?"

Sacudi os ombros colocando as mãos nos bolsos. "Sei lá... a sua cara, não sei".

"Jazz foi fazer uma apresentação em Londres, e como eu e mamãe estávamos envolvidas com o projeto de reformar a escola, não fui".

"Sei... e então, o que quer conversar comigo?"

Ela me olhou e virou seu rosto em direção ao lugar, parecendo procurar algo melhor. Achei estranha sua atitude, mas resolvi não me meter, pois, mais confuso do que eu, tenho certeza que ela não estava.

"Será que podemos nos sentar, Ed?"

Levantei a sobrancelha diante do apelido. Porra, ela sabia que eu odiava isso. Seu pequeno sorriso me desmontou.

"Tudo bem, tampinha... pode ser por aqui então?"

Ela assentiu e sentou em uma cadeira afastada. Assim que sentei ao seu lado, Alice começou a olhar para suas mãos. Deixei que ela conduzisse a conversa.

"Sabe, Edward, estive pensando bastante nos últimos dias. Conversei muito com Jazz..."

Eu amava muito minha irmã, mas não estava pronto para ajudar ninguém agora. Neste momento eu precisava consertar a bagunça da minha vida, antes de ser o cara que resolvia tudo. Eu me remexi desconfortável, afinal, não queria ser grosso, mas eu precisava encontrar minha Bella.

"Sim?"

"Antes, eu queria te perguntar uma coisa. Onde está Bella?"

Olhei assustado em sua direção. Não me recordava, em nenhum momento, da intimidade da minha irmã com minha amada. Isso me incomodou muito, pois tinha acabado de descobrir que minha possessividade e falta de tato tinham não só afastado Bella de sua família, como nunca a tinha aproximado da minha.

"Eu... bem, não sei bem." Respondi num sussurro. "Mas vou à casa dela... assim que sair daqui".

"Quando eu a conheci, naquele jantar a alguns meses, eu a achei linda, sabe? Parecia uma princesa que tinha ganhado vida." Suas palavras me fizeram sorrir um pouco. "Mas algo não encaixava, sei lá. Ou talvez o fato de que Rosalie tivesse uma amiga tão perfeita para você, ao invés de ser eu a te apresentar alguém... você acha isso estúpido?"

Meu sorriso aumentou um pouco mais. Alice era tão... Alice!

"Mas que coisa absurda, irmã. Você não pode ser perfeita sempre, não é? Mas, por que a preocupação? Não foi a mim que você ajudou, mas você teve a amiga perfeita para o Rob. Isso não basta?"

Lembrei, de volta ao passado, de quando minha irmã tinha ficado feliz pelo namoro de Kristen, sua melhor amiga, com meu gêmeo cretino. Tinha sido a fofoca do ano em Forks.

"Sim... é verdade. Mas, voltando, eu fiquei cismada com isso, como uma coisa absurda da minha cabeça. Tentava não pensar, mas..."

Meu corpo ficou tenso com o rumo da conversa. Resolvi deixá-la falar, até eu entender o que ela queria.

"Até o dia de La Push. Fui embora reclamando até Seattle com Jasper sobre o comportamento do Rob com Bella... e você no meio".

PORRA, eu não estava gostando disso. Não mesmo.

"O que isso tem a ver, Alice?"

"Calma... eu vou chegar onde eu quero. Bem, depois de tudo isso, resolvi que queria conversar com você e Rob, mas um dia, chegando em casa, discuti muito feio com nosso irmão, Edward. E fiquei mal com isso".

"Como assim?" Quando aconteceu essa briga? Eu estava tão confuso.

"Não adianta me perguntar sobre isso que não vou falar nada. Se um dia ele quiser te contar, tudo bem. Porque eu, na verdade, tenho vergonha das coisas que falei pra ele... e das coisas que falei de Bella".

Meu corpo começou a tremer. Puta que pariu, o que Alice fez?

"Não adianta fazer essa cara de irmão mais forte, ou muito puto, não é isso que eu quero falar".

"Porra, Alice, o que você quer então? Já estou me remoendo pra caralho aqui, querendo saber que merda você andou dizendo..."

"CALMA, tá legal, eu vou chegar lá".

Eu não queria ouvir mais nada. Eu procuraria Rob na primeira oportunidade e perguntaria que porra Alice tinha falado pra ele. Será que ela desconfiou de alguma coisa? O que tinha acontecido que eu não soube?

"Como eu ia dizendo." Ela me olhou aborrecida pela interrupção. "Eu precisava de ajuda... muita ajuda, na verdade. Desde quando Kristen sumiu, eu fiquei sem chão. Ela era minha melhor amiga. E a primeira coisa que eu quis fazer, assim que a encontrei, foi colocar toda a minha raiva pra fora. Quis culpá-la pela dor da minha família, pelo sumiço do Rob e tudo mais... ou seja, devido à minha impulsividade, eu só quis saber da minha dor, das minha feridas. Eu a culpei por tudo o que tinha acontecido..."

Quando foi isso? Várias coisas acontecendo e eu sem saber de nada. Muitas perguntas martelavam na minha cabeça.

"Foi no dia que conversei com ela no quarto, lembra? Assim que ela chegou com Masen e estava no seu quarto na casa da mamãe".

Fui levando para a lembrança desse dia. Ela e Kristen ficaram bastante tempo conversando. Mas, mesmo assim, não entendia o que isso tinha a ver com Bella.

"E o que isso tem haver com Bella?"

"Nós somos irmãos, Edward, e, assim como eu, você tem os mesmos defeitos de uma criação mimada. E eu sei que você e Bella estão separados. Essa cidade é muito pequena..."

Fechei os olhos diante da palavra separados. Era tão doloroso pensar que eu estava longe dela. Chegava a ser físico minha incapacidade de aceitar isso, ainda mais porque eu queira encontrá-la logo.

"Edward..." Levantei o olhar para Alice, que agora segurava meu queixo e prendia os olhos nos meus. "Não estou aqui para dar nenhum discurso, ou falar algo que vá te machucar porque isso já está claro no seu semblante. Você, meu irmão, é uma pessoa difícil e, muitas vezes, frio com seus próprios sentimentos. Mas está evidente pra mim o quanto ela é importante. E me dói saber que você está sofrendo pela separação..."

"Aliie... eu..." Meus olhos começaram a transbordar lágrimas incontidas. "Preciso tanto dela, Alice... mais do que você imagina".

"Eu sei... e agora, mais do que nunca, enxergo isso. Desde que eu soube da sua separação, uma dor profunda se instalou no meu peito. Eu não queria que você sofresse, principalmente porque sei como você é. Não se vê claramente, principalmente os defeitos. Sabia que ela era pra você o que Jazz é para mim... o que papai é para a mamãe... e até o que Kiki é para o Rob. Somos todos completos, quando estamos com nossos pares... como nosso verdadeiro amor".

"Mas... eu só fiz burrada, irmã. Muitas coisas eu f-" Como ela sabia tanto?

"Shhhh, não quero saber de nada. Todo casal tem problemas, é o rumo natural das coisas. Ninguém é igual a ninguém. Nem você e Rob, que são tão parecidos. Não perca essa mulher, Edward. Você percebeu o quanto ela te modificou? Você era um cara auto-suficiente, mas solitário, e precisava de alguém para cuidar de você. E Bella fez isso, cuidou de você, como ninguém mais. Já imaginou se ela um dia for embora, e você descobrir, tarde demais, que era dela que precisava? O que você faria em um mundo sem Bella, Edward?"

Suas últimas palavras entraram como um punhal direto no meu coração, quase me deixando sem ar. O que eu faria em um mundo sem Bella? Não seria ninguém. Não conseguiria ser feliz, ou melhor, não conseguiria viver novamente, nunca mais.

"E, desde quando você pensa assim... sobre Bella? O que te levou a pensar desse jeito?"

"A minha conversa com Kristen. Ela me mostrou que devemos responder pelas conseqüências dos nossos atos, entretanto, não devemos discutir os problemas dos outros, e sim ajudar no que for preciso. E, principalmente, devemos aceitar as decisões e escolhas de cada um, mesmo que seja contra a nossa vontade." Suas palavras, tão sinceras e maduras, me deixaram de boca aberta e completamente sem ação.

"Eu, por pura pirraça, ou infantilidade minha, tinha pegado uma implicância ridícula com Bella. E isso estava me matando por dentro. Desde que conversei com Kristen, eu quis encontrá-la e ser parte da vida dela também. Eu a quero na nossa família, Edward. Se ela é importante para você e te faz feliz, quem sou eu para não gostar. Eu sou tão idiota, sabe?"

Neste momento, tanto eu quando Alice chorávamos. Afaguei o rosto da minha tampinha, preocupado com suas emoções. Eu tinha mantido Bella afastada de todos. Eu era o idiota aqui.

"Não, maninha, você não é idiota." Dei um pequeno sorriso para animá-la.

"Nada disso, Edward. Eu sempre fui muito mimada e a bonequinha da casa. As coisas que eu pensei, ou que falei, sobre Bella, pesam como chumbo nas minhas costas agora, ainda mais depois de saber que ela salvou nosso bebê... oh Deus... eu sou tão cruel... eu sou horrível... eu queria tanto falar com ela".

"Nada disso, Alice... pare com isso..." Levantei e a peguei nos braços. "Pare de se punir assim..."

"Eu te proíbo, Edward! Eu te proíbo de perder a Bella! Você me perdoa? Por favor, me perdoe!"

Alice chorava, enquanto eu a levava para o escritório do meu pai. Tinha sido uma conversa tão tensa, mas ao mesmo tempo, libertadora. Eu sabia que tinha sido o imbecil que tinha causado tudo isso, afinal, eu e Bella nunca nos dedicamos à família, com exceção do Rob. E agora ver Alice tão perdida me cortava o coração.

Assim que entramos na sala, Alice parou de chorar. Sentamos de frente à mesa do meu pai, abraçados, um tentando acalmar o outro. Depois de algum tempo, e com pequenos soluços, ela me soltou.

"O que você está fazendo aqui ainda?"

"O quê?" Por Deus, minha família era insana!

"Eu falei que te proíbo de perder a Bella. Vá atrás dela, pelo amor de Deus! Eu não quero ter que voltar para Forks para tentar te consolar, ou ter que ajudar Bella a te conquistar. Isso foi da minha época de adolescência, com Kristen. Anda logo".

Levantei assustado, mas sorri com suas palavras. "Você vai ficar legal?"

"Eu estou em um hospital, não? Se eu passar mal, já estou no lugar certo. VAI LOGO!"

Dei um beijo nela e me dirigi para a porta, antes que saísse de vez, escutei sua voz novamente.

"Edward?" Olhei em sua direção. "Espero que você não seja burro o suficiente e deixe que outro a leve de você, ouviu?"

PUTA QUE PARIU, todos agora pensavam a mesma coisa? Saí batendo a porta, correndo em direção ao estacionamento e com um único pensamento. Encontrar Bella Swan.

Pareceram horas, mas ao mesmo tempo poucos minutos e eu já estava em frente à sua casa. Ou melhor, à nossa casa, nos últimos meses. Eu nunca tinha sentido nada tão acolhedor e perfeito, desde a casa dos meus pais. Era assim que eu me sentia quando estava nesta casa. Eu me sentia parte daqui.

Entrei diretamente, sem me importar que ela estivesse ou não. Sabia que poderia soar como prepotente, mas neste momento não era a minha preocupação. Eu precisava estar com Bella.

Olhei em todos os cômodos, procurando algum sinal dela, mas nada encontrei. Claro, seu burro, há quanto tempo vocês estão longe um do outro? Fiquei me perguntando. Bella poderia ter saído por algum tempo e, de repente, depois de tantas horas no hospital, a nossa cama nunca foi tão convidativa. Tantos momentos maravilhosos passados sobre esses lençóis. Sorri com a lembrança. Eu conquistaria tudo de volta. Eu mostraria a Bella que meus comentários na nossa despedida eram estúpidos.

Eu queria dar o conto de fadas...

Acordei sobressaltado, com a escuridão ao meu redor. Não conseguia raciocinar direito, mas lembrei exatamente onde estava. E ela não estava aqui.

Levantei rapidamente e acendi as luzes do quarto, assim como de todos os cômodos. Vazio. Frio. A casa estava como eu me sentia. Até o cheiro dela estava mais fraco. Como um robô, a verdade foi assolando sobre meu corpo. Será que ela tinha ido embora? Fui em direção ao seu armário e a constatação. As coisas de Bella não estavam ali. Suas roupas brancas e sexys, suas coisas pessoais e até as pequenas lembranças que faziam desta casa totalmente sua, não estavam mais aqui.

"PORRA, O QUE FOI QUE EU FIZ?"

Assim que gritei, um torpor se abateu sobre mim. Ela tinha ido embora!

Não. Ela não podia me abandonar. Não agora.

Com as mãos tremendo, resolvi ligar para o telefone dela. Será que Bella me atenderia? Eu podia inventar uma desculpa do hospital, ou de algum paciente. Nada disso, eu falaria que precisava conversar com ela. Chega de mentiras, ou meias verdades.

O telefone caiu direto na caixa postal. "Oi, você ligou para Bella Swan. Agora estou muito ocupada, ou desmaiada de sono, por isso não te atendi. Por favor, deixe seu recado, ou me ligue depois. Beijo".

Eu ainda me lembrava do dia em que ela tinha gravado essa mensagem. Foi tão bonitinho. E sua voz sexy fez um frio subir pela minha espinha. Eu precisava encontrá-la, mas como? Remexi minhas memórias e fiquei imaginando para qual lugar ela iria. Onde? A única coisa que eu sabia era o lugar onde seus pais viviam, Phoenix, Arizona, e onde ela trabalhava antes, Londres. Mas ela não sairia do país, tenho certeza. Será que ela tinha ido para a casa dos seus pais?

Peguei meu celular e cheguei a discar o número do meu pai, para buscar seu endereço, mas o que eu falaria? Que não tinha a menor idéia onde Bella estaria? Isso não parecia correto. Era a minha completa admissão de que eu era um egoísta e sem coração. Não era essa impressão que eu queria passar para os meus pais. E se eu invadisse os arquivos do hospital? Não, era ainda pior. Mas como? Onde eu a encontraria?

Uma pequena idéia surgiu na minha mente, mas que me provocou um leve temor. Teria que pedir ajuda à única pessoa que não gostava totalmente de mim. Eu precisava ligar para sua melhor amiga. Rosalie.

Eu parecia um menino assustado diante desta expectativa e isso não era bom. Conhecia Rose e, mesmo por telefone, ela teria o dom de me derrubar. Pare Edward, o que ela pode fazer? Mesmo eu tentando me animar, não queria sucumbir e escutar as palavras duras dela. Rosalie, sendo quem era, falaria exatamente as coisas que eu não queria ouvir. O melhor era ligar para meu irmão, Emmett. Ele também conhecia Bella e podia me ajudar.

Liguei rapidamente para meu irmão e, à medida que o telefone tocava, meu coração parecia que sairia pela boca. Eu estava perdendo muito tempo.

"Hum... yeah... alô?"

Mas. Que. Porra. Emmett estava gemendo?

"Emm? É você?"

"Oh... sim. Sou eu. Ediie?"

Fechei os olhos pelo estúpido apelido. "Quem mais seria, caralho? O que está acontecendo?"

"Sim... oh, porra. O que você quer? Pode me ligar daqui a pouco?"

Só me faltava essa. Eu ligar na hora da foda do meu irmão mais velho. Segurei meus cabelos para não gritar. "É urgente, Emm. Por favor?"

"Deus... Rose. Espera... digo, Edward".

Trinquei os dentes. Puta que pariu, Rosalie ia me matar. "É rápido. Sabe onde está Bella?"

"Oh... porra... sim... porra. Quem? Bella? Você quer... isso... saber da Bella?"

Essa não estava sendo uma conversa muito animadora. Rosalie-comedora-de-bolas-Cullen estava fazendo sei-lá-o-quê no meu irmão e eu estava participando ativamente como ouvinte. Não era nada bom.

"Emmett? Está me ouvindo?"

Alguns ruídos e um baque surdo saíram do telefone e até me preocupei. O que será que tinha acontecido? A minha perspectiva de encontrar Bella estava reduzindo gradativamente. "Ou, então, eu poderia ir direto para Phoenix e ligar de lá e-"

"Edward! Seu filho da puta e egoísta. O que você pensa que está fazendo atrapalhando a melhor foda do ano ligando a essa hora e perguntando pela minha amiga Bella?"

Eu sabia. Eu não devia ter ligado. Ela acabaria comigo agora.

"Olá, Rosalie. Sei que soa estúpido, mas, me desculpe".

"Espera, Emmett, eu quero foder esse filho da puta do seu irmão." Sua voz de desagradável foi para cruel, isso porque ela parecia falar com seu marido. "Vou melhorar a pergunta, Edward. O quê eu, ou meu lindo marido, que está pronto pra me fazer gozar, temos a ver com o fato de que você é um idiota de merda que não sabe nem onde está a mulher que come sempre?"

Respirei profundamente, para não me aborrecer com ela. "Você está falando de Bella, Rosalie!"

"E daí? Eu disse alguma mentira? Não era com ela que você estava fodendo, ou eu estou enganada? Melhor, além de ser cretino e sem coração, você também trepava com outra?"

"Rose!" Escutei a voz do meu irmão. "Deixe-me falar com ele!" Eu tentava controlar minha respiração para não falar algumas coisas que estavam entaladas também.

"Rosalie Cullen, não precisa ser tão desagradável. Eu só queria..."

"Eu sei o que você quer, Cullen! E, particularmente, não me interessa. Ela está melhor sem você".

Bufei. "Não é melhor que ela fale isso pra mim, ao invés de você me dar o recado?"

"Resolveu ser engraçado, senhor Edward-eu-sou-perfeito-Cullen? Ou a ficha caiu e você descobriu que nenhuma outra mulher vai ser melhor do que Bella?"

Eu ia fazer outro comentário sarcástico, mas a verdade sobre suas últimas palavras atravessaram meu coração. Nenhuma mulher seria melhor do que ela.

"Eu tenho a noite toda, sabe, Edward. Afinal, sua majestade quase não liga pra cá e lógico que tenho que esperar a nossa conversa acabar para pegar no pau do meu marido de novo".

"Eu... sim. Rosalie, você tem razão. Nenhuma outra mulher vai ser igual a Bella".

Dessa vez ela ficou muda e resolvi tentar ultrapassar a barreira dela. "Eu sou realmente um idiota de merda e preciso insanamente dela. Então, por favor, pode me dar o endereço de onde Bella está?"

"Por que eu devo acreditar em você, Cullen? Convença-me".

"Eu quero dar o conto de fadas para ela, Rosalie. Por favor?"

Eu esperava, avidamente, que Bella tivesse contado tudo para sua melhor amiga. E mesmo sendo quem era, Rosalie não seria tão insensível em não me dar o endereço. Ou seria?

"Bom. Quase tive um orgasmo de felicidade agora ao ouvir você pedir alguma coisa e, principalmente, admitir que precisa de alguém." Praticamente sorri com seu comentário. "Mas não é por isso que vou dizer pra você onde ela está".

"Como assim?"

"Eu quero que você vá sim onde ela está e veja com seus próprios olhos que príncipes encantados existem em várias histórias felizes".

Eu fiquei praticamente sem respirar com suas palavras.

"Ela está trabalhando no Hospital Memorial de Phoenix, como enfermeira chefe de lá, e caso você não consiga Bella de volta, pode vir aqui que vou ter prazer em dizer na sua cara: Bem feito, imbecil!"

Com um barulho alto, Rosalie desligou o telefone na minha cara. Ela com certeza tinha falado as palavras mais duras em relação à minha história com Bella. Mas eu provaria que não seria assim, eu iria para Phoenix e mostraria para Bella, e até mesmo Rosalie, que podia ser o que ela quisesse. Que meus comentários egoístas da nossa última noite juntos eram coisas do passado. Eu teria Bella de volta!

Mais rápido do que minha vontade de estar próximo dela, comecei a tirar minha roupa e corri para o banheiro para tomar um banho. Eu precisava estar apresentável para encontrar a mulher da minha vida. Assim que fiquei pronto, corri até em casa e vi que o dia estava amanhecendo. Já não sabia se era dia, ou noite, mas o que era importante agora era chegar ao Aeroporto. Com meus documentos e meu carro, voei em direção à minha felicidade.

Eu estava num frenesi tão gigantesco, que as próximas horas passaram como um borrão. As várias pessoas com as quais falei, nem me lembrava dos rostos. Eu nem sei como cheguei vivo e a salvo no check-in e, conseqüentemente, dentro do avião. Ouvi vozes e músicas, mas nada disso importava. Eu estava quase arrancando meu cabelo de ansiedade para chegar até o meu destino. Phoenix nunca pareceu tão longe.

O avião aterrissou e eu praticamente pulei para fora, devido ao nervosismo. Quase discuti com os comissários e com a vigilância do aeroporto. Depois que tive a brilhante idéia de falar que era médico e que estava em uma emergência, eu fui praticamente conduzido para dentro de um táxi. Respirei aliviado e, pela primeira vez depois de muito tempo, prestei atenção à pessoa que falava comigo. O taxista me olhava sorrindo. Era um senhor muito simpático, inclusive.

"Bom dia, meu jovem. Para onde vai?"

"Por favor, é urgente. Hospital Memorial de Phoenix".

"É prá já".

Ele saiu conduzindo o veículo, mas me pareceu meio lento. "O senhor pode ir mais depressa?"

"O senhor é médico?"

"Sim".

"Mas não é uma emergência médica." Ele disse, me assustando com sua afirmação.

"Como sabe, senhor...?"

"Meu nome é Aro, meu jovem, e eu sei porque os seus olhos estão vermelhos e a ansiedade é evidente em seus gestos".

"Está tão claro assim?" Falei quase sussurrando e, pela milésima vez, passei as mãos pelos cabelos. "Eu devo estar horrível".

"Você me parece um homem desesperado, se me permite falar. Gostaria de desabafar?"

Olhei em direção ao senhor com olhos bondosos e desviei para a cidade que passava pelo carro e, mesmo com meu humor estranho, arrancou um sorriso dos meus lábios. A cidade ensolarada de Phoenix era a terra natal da minha Bella e eu nunca tive a oportunidade de conhecer. Até isso eu precisava reconhecer que havia errado.

"Estou indo atrás da minha felicidade".

"O amor. Essa é a maior cura para todos os males do mundo." Ele me olhou através do retrovisor. "Eu ando por essas ruas dias a fio meu filho, e poucas vezes levei alguém em busca desse sentimento. Ela deve ser especial, hein?"

"Sim. Ela é única".

Ele sorriu. "Eu sei bem o que é isso. Minha senhora, que Deus a tenha, também era assim. E vejo que você é um homem determinado. Tenho certeza que vai conseguir o que deseja, meu filho".

Suas palavras me confortaram e também me deram confiança. Sorri com a certeza do taxista e, claro, minhas decisões me fizeram perceber que tudo estava dentro do que era certo agora. Eu vou conseguir conquistá-la de volta, ou não me chamo Edward Cullen.

Rapidamente, ou devido à distração que o taxista tinha me proporcionado, me vi em frente à grande construção do hospital. Obviamente era muito maior que o hospital de Forks, e fiquei temeroso de não encontrar Bella tão rápido. Será que ela estaria de plantão hoje? Pensei na possibilidade de ligar para Emmett, ou Rosalie, mas a última conversa tinha me abalado. Eu não queria passar pelo constrangimento de interromper outra foda do meu irmão.

"Pronto, chegamos".

"Muito obrigado, Sr. Aro. Quanto foi?"

"Vinte dólares, meu jovem".

Peguei o dinheiro e percebi que minhas mãos tremiam levemente. Porra, eu tinha que ser confiante.

"Vai dar tudo certo. Vejo que você é confiante neste sentimento e, como eu disse: O amor cura tudo".

Assenti emocionado para as palavras do taxista. Fui em direção à recepção, nervoso, mas precisava encontrá-la. O que será que ela diria ao me ver?

"Bom dia." Dei o meu melhor sorriso para a recepcionista. "Poderia me informar se a senhorita Bella Swan está de plantão?"

"Quem, senhor? Bella? Não temos ninguém aqui com esse nome".

Merda. Será que Rosalie mentiu pra mim? Passei as mãos nervosamente pelo cabelo. Não sabia o que fazer.

"Mas..." Olhei em sua direção, percebendo que ela estava mexendo no computador. "Existe a enfermeira Isabella Swan aqui. Seria esta?"

Meu sorriso deve ter sido devastador, pois a mulher que me ajudava chegou a ofegar. Foda-se, eu usaria minha sedução nela, se fosse preciso.

"Oh sim, minha linda. Poderia me dizer se ela está de plantão hoje?"

"Er... sim... acho que sim. Ela deve estar na sua sala, ou cuidando do pronto socorro. Quer que eu leve o senhor até lá?"

Pensei por um instante na possibilidade. Apesar de estar certo de que a recepcionista iria até o inferno por mim, não queria dar a ela nenhuma esperança. Meu coração já tinha dona, assim como Bella poderia entender tudo errado se me encontrasse com uma mulher estranha.

"Não precisa, na verdade. Sou médico também, é só me dizer para onde devo ir".

Seu olhar decepcionado varreu para mim. Eu poderia ser um idiota sem coração nesse momento, mas não queria saber. Eu queria somente Bella.

"É só seguir por esse corredor, a sala dela é a terceira porta, ou o P.S. é no final. Será fácil encontrá-la".

"Obrigado." Dei outro sorriso para ela e fui em direção ao lugar que ela me indicou.

Meu coração quase saía pela boca ao entrar no corredor, será que Bella me ouviria? Como será que ela estaria depois desses dias separados? E, por Deus, como ela conseguiu uma vaga aqui tão rápido?

Assim que foquei minha visão, meu coração parou. Isso não estava acontecendo. Eu via claramente minha Bella sendo rodopiada por um homem. Alguém estava abraçando algo que era meu. E este futuro cadáver sorria, feliz, o que me deixava com os instintos assassinos mais aflorados. Se eu o matasse, poderia alegar legítima defesa?

Vi no exato instante que seu olhar encontrou com o meu. Meu lado homem das cavernas ficou ainda mais agressivo ao perceber que ela ficou desconfortável com o gesto do ser que, obviamente, estava se aproveitando do momento. Isso definitivamente não era uma coisa muito boa para o meu autocontrole.

Avancei alguns passos para ficar próximo deles e, quando o atrevido virou o rosto em minha direção, minha boca se abriu instantaneamente. Puta que pariu, ela estava abraçada a James?

Por que eu tinha que ter uma memória tão boa? Por que, Cristo, eu tinha que me lembrar de todas as palavras do meu pai, do meu gêmeo e da minha irmãzinha neste momento? E por que, de repente, as palavras de Rose fizeram tanto sentido para mim? Meus joelhos fraquejaram neste momento. Eu tinha um concorrente!

Lembro-me perfeitamente bem de James Gigandet. Eu e ele tínhamos nos formado juntos, inclusive na mesma especialidade. Pediatria. Sabia da sua paixão por medicina, tanto quanto a minha. Sabia também que ele era incansável e um médico brilhante, até mais do que eu, afinal, o filho da puta tinha se formado como o primeiro da turma, sendo eu o segundo. E, o mais importante de tudo, o cretino ainda continuava bonito. Caralho, isso tinha que ser tão fodido?

Todas as coisas que as pessoas a minha volta disseram se resumiam a uma frase simples, mas cruel para mim. Alguém poderia chegar e roubá-la de você, Edward. Era o que todos diziam. Mas a minha constante arrogância jamais teria me preparado para isso. Nunca poderia imaginar encontrar alguém melhor do que eu. E, porra, James era melhor do que eu.

Minha mente ainda trabalhava com todas essas possibilidades, mas a minha imobilidade era forte. Eu não conseguia me mexer diante da verdade. Bella estava em companhia de uma pessoa melhor do que eu. Isso era fodidamente difícil de aceitar.

"Edward Cullen? Porra, eu não acredito!"

Preguei meus olhos em sua direção, mas era impossível não ver Bella. Ela estava pálida e olhava na minha direção e na de James. Seus movimentos eram mínimos, provavelmente devido ao choque de ver que eu e seu amiguinho James éramos conhecidos. Eu queria falar com ela, e não com uma sombra do passado que estava tentando tomar o meu lugar. Filho da puta, isso não seria tão fácil.

"Fala, James, tudo bom?"

Antes que ele pudesse responder, ouvi os auto-falantes do hospital berrarem.

"ENFERMEIROS DE PLANTÃO, CHOQUE DE VEÍCULOS NA RUA PRINCIPAL, TRÊS FERIDOS NA ÁREA DO PRONTO SOCORRO".

Vi Bella balançar e voltar seu corpo em direção ao chamado. Uma dor de perda absurda passou por mim. Eu não queria que ela se afastasse, principalmente agora que estava tão perto.

"ISABELLA SWAN, FAVOR DIRIGIR-SE AO P.S., URGENTE".

Ela me olhou pela última vez e abaixou a cabeça, correndo em direção ao tumulto. Ainda acompanhando seus passos, percebi neste instante que James estava parado ao meu lado. Ele não ia fazer atendimento?

"Você não está de plantão?"

"Eu? Não. Trabalho na parte administrativa quase todo o tempo. E já tem médicos e enfermeiras o suficiente por lá".

Assenti, ainda olhando para o espaço vazio em que ela esteve há poucos instantes. Soltei um pequeno suspiro. O que eu devia fazer agora?

"Edward, meu velho. O que você faz perdido por aqui?"

Focando meu antigo colega de faculdade, pensei no que diria. Será que ele sabia sobre Bella e eu? Uma insegurança absurda tomou meu coração, falhando uma batida. Eu não poderia ter perdido Bella tão rápido.

"Não vai falar nada? Isso tudo é a emoção de me ver novamente?" Seu estúpido sorriso de médico-artista-de-programa-de-tv quase me fez socá-lo. Fechei os punhos e respirei profundamente.

"Eu não posso visitar outros hospital, Gigandet? Eu também sou médico, esqueceu?"

"Ei, ei, ei." Ele levantou ambas as mãos em sinal de rendição. "Paz, amigo, eu só fiquei curioso. Achei que você estava aqui devido ao nosso grande projeto".

Franzi o cenho. "Que grande projeto? Não sei d-"

"Eu estou tão feliz. Acabou de ser aprovada a verba para a construção da ala infantil para crianças com câncer aqui no hospital. Já temos grandes especialistas trabalhando aqui, assim como tratamos algumas crianças também. Mas meu grande sonho é transformar esse hospital no maior centro de referencia no país".

Seu discurso emocionado me deixou sem chão. Ele estava feliz devido ao seu trabalho e, obviamente, estava comemorando com Bella naquele instante. Além de tudo, ele estava tornando realidade um antigo sonho nosso. Na época da faculdade tínhamos o desejo de cuidar dessas crianças. Mais uma facada no meu peito, que me deixou sem fôlego. Mais um ponto para ele!

"Isso é maravilhoso, James. Muito bom mesmo." Passei a mão pelos meus cabelos, tentando controlar minha ansiedade. "Fico muito feliz".

"E, claro, estou tentando, de forma descarada mesmo, trazer os melhores para cá. Por favor, sacie uma curiosidade minha. O que vocês fizeram para perder uma grande enfermeira como Isabella?"

Não me fugiu o detalhe de que ele não a chamou de Bella. Toma essa, imbecil! Fiquei imensamente feliz de que ele não tinha liberdade de chamá-la pelo apelido.

"Acho que ela ficou tomada pelo desejo de se tornar parte do grande projeto." Minhas palavras soaram como sarcásticas, mas vi que James não percebeu.

"Eu espero que sim. Não gostaria de perdê-la. Ela é maravilhosa, não é?"

Fechei novamente meus punhos com seus elogios. Não, amigo, você não pode dizer essas coisas pra mim. Eu tinha que arrumar um jeito de me encontrar com ela. Mas como? Eu precisava falar com Bella de algum jeito.

"Sim, James, ela é perfeita".

"Sabe, que bom que está aqui. Sei que trabalha com seu pai naquela minúscula cidade, mas não gostaria de se juntar à equipe? Eu e as crianças daqui ficaríamos honrados".

Pisquei para o seu convite. Ele tinha mesmo me chamado para trabalhar com ele? Por um instante pensei sobre isso. Eu teria coragem de abandonar tudo, minha família, o projeto do Rob que agora estava de volta, meus pacientes e tudo o que construí para estar aqui? Lógico que não seria pela ala hospitalar e meu coração apertou por isso. Mas eu deixaria tudo por Bella?

Fechei os olhos e uma dor absurda varreu meu corpo. Não. Eu tinha que levá-la de volta. James continuou a falar sem se perturbar com meu grande silêncio.

"E com a vontade de trabalhar da sua antiga enfermeira, seria perfeito. Estamos nos dando muito bem. Isabella é dedicada, intensa e atualizada. Ela sempre vem com comentários coerentes e me deixa extremamente satisfeito com seu trabalho. Acho até que ela tem um grande futuro aqui, Cullen".

Olhei para ele sem saber o que fazer. Bella tinha um futuro e não era ao meu lado. Como eu poderia convencê-la a voltar se sua dedicação à profissão era enorme e as oportunidades que tinha aqui, ela não teria em Forks. Por Deus, eu precisava de ajuda. Como conquistar minha Bella de volta com essas novas perspectivas? Eu e Forks não éramos bons o suficiente para ela agora. Lembrei das palavras do meu pai. Bella não tem raízes aqui em Forks, filho.

"Eu não posso aceitar seu convite, James, sinto muito. Mas, quem sabe na próxima?"

"Tudo bem." Seu sorriso sincero estava me matando. "Quer fazer um tour no hospital então? De repente eu te convenço?"

"Não. Eu já resolvi minhas pendências aqui e estou voltando para casa. Só passei para conhecer o lugar mesmo. Muito bom".

James me deu um longo olhar avaliador. Cravei meu olhar em sua direção, para ele não perceber minha mentira. Eu estava muito longe de resolver meu problema. Na verdade, ele era imenso agora.

"Obrigado, Cullen. Vou trabalhar então." Sua mão veio em minha direção e eu a apertei, aborrecido. Eu ainda o via como um enorme concorrente e isso parecia uma disputa aberta de quem era mais forte. E eu, infelizmente, estava em desvantagem agora.

Nos despedimos e eu praticamente fugi do hospital. Não adiantava falar com Bella agora. Ela devia ter planejado tudo antes de vir para cá, assim como foi sua mudança de Londres para Forks. Eu precisava recuar, como um bom jogador. O jogo estava apenas começando, James.

Minhas idéias sempre rodeavam e eu grunhia com os resultados. Definitivamente eu precisava de ajuda, mas as opções eram mínimas. Não, Edward, você só tem uma única saída. Eu sabia que jamais desistiria, mas precisava me preparar para a batalha mais difícil da minha vida. Reconquistar Isabella Swan. Mas, infelizmente, minha ajuda viria de alguém que era essencial e eu preferia ser espetado no inferno a assumir isso. Porra, eu teria que pedir conselhos à pessoa que menos me amava nesse mundo. Rosalie.


Respirei profundamente antes de tocar a campainha da porta do meu irmão. Eu nunca fui uma pessoa temerosa e sempre encarava meus problemas de frente, mas jamais imaginei que passaria por uma situação dessa. Precisar da minha cunhada sarcástica e cruel.

Meu relacionamento com Rose nunca foi bom e eu não fazia o menor movimento para melhorar. Ambos éramos autoritários e dominantes. Não que meu irmão fosse um fraco, mas eu não entendia até hoje o que Emmett tinha visto nela. Eles eram muito parecidos no início de namoro, até eu vê-lo completamente de quatro por ela. Ás vezes eu imaginava que ela tinha duas bocetas.

Hoje em dia eu não desconfiava mais da relação deles. Rosalie fazia meu irmão muito feliz e isso me bastava, mas o nosso relacionamento, digamos, era digno de uma luta no ringue, em uma final de boxe. Bem relaxante.

Antes de chegar até aqui eu tinha ligado para o meu pai e pedido um pequeno afastamento do hospital. Sabia que faria falta, mas precisava resolver meus problemas primeiro. Não entrei em detalhes do que faria, mas sorri com as últimas palavras dele:

Traga Bella de volta, filho.

Ele sabia. Assim como todos à minha volta sabiam que eu seria completo novamente somente ao lado de Bella. Diante dessa verdade incondicional, tomei coragem e bati na porta, ignorando a campainha. Hora de enfrentar minha maior adversária agora.

O barulho dos trincos abrindo forçou a minha mente a trabalhar. Quais argumentos eu tinha para convencer Rosalie Cullen a me ajudar? Meu amor por Bella seria suficiente?

A figura da loira de gelo apareceu na minha frente. Automaticamente coloquei as mãos no bolso para não ter uma reação assassina.

"Ora, ora, ora. Veio escutar pessoalmente minhas felicitações por ser o imbecil do ano?"

Trinquei o maxilar para não falar qualquer besteira. Eu tinha que me controlar.

"Olá, Rosalie. Posso entrar?"

"Mas é claro, cunhadinho, afinal, não é todo dia que tenho o prazer absurdo de humilhar o perfeito Edward-cretino-Cullen".

Suspirei e passei por ela, que mantinha as mãos nos quadris, enquanto dava passagem para mim. Olhei na grande sala e não encontrei Emmett.

"Onde está meu irmão?"

"Já está chegando. Eu vim na frente para fazer o jantar".

"Rosalie... podemos conversar?"

Ela levantou uma sombracelha em minha direção, enquanto fechava a porta. "Por que eu acho que essa conversa não vai ser agradável para mim?"

"Não é sobre você".

"Mas é sobre Bella, certo?"

Abaixei a cabeça indo em direção ao sofá. Assim que sentei, escutei sua curta risada. Olhei em sua direção esperando os ataques.

"Sabe o que é mais engraçado, Cullen. Eu estou fodidamente satisfeita de ver o que está acontecendo com você. Sua prepotência e arrogância de nada servem agora. Minha amiga foi usada por você, por seu gêmeo e ainda assim estava lá, por você e para você. E agora, vendo que foi a Phoenix e viu com seus próprios olhos que ela tinha uma vida fora de Forks e você não sabe o que fazer para tê-la de volta, me mostra que Deus finalmente existe".

"Rosalie, o que eu fiz pra você me odiar tanto?" A raiva consumia meu corpo. "Cristo, eu nunca fiz nada a você!"

"Fez sim, idiota. Toda a minha vida com a sua família me mostrou como eu odiava o jeito que você e seu irmão Robert tratavam as mulheres. Tão cheios de si e brincando com os sentimentos dos outros. E, para piorar meus conceitos sobre você, a única pessoa que tenho um amor incondicional nessa vida, além de Emmett, foi usada, envolvida e jogada em uma brincadeira suja e machista, pelos dois cretinos daquela cidade malditamente preconceituosa. E de um jeito onde quem achava que podia marcar melhor como o fodedor do ano. Você não faz idéia, Cullen, mas eu realmente odeio o que você e seu gêmeo fizeram a minha melhor amiga passar".

Eu estava paralisado com suas palavras. Então era assim que ela me via? Deus, era assustador!

"Rosalie... não foi bem assim..."

"Não? Diga-me então. Existe alguma mulher naquela porra de cidade que você, ou seu irmão, não tenham fodido? Ou que tudo o que falei foi mentira? Você e Robert não fizeram sexo com Bella ao mesmo tempo?"

Eu não sabia o que dizer. "Rose... não quero me justificar, mas deixa eu explicar..."

"Cale a boca que ainda não terminei. Eu aceitei essa coisa, Edward, porque foi algo que ELA quis fazer. Mas não é sobre isso realmente que me deixa possessa, e sim a sua falta de sensibilidade em tentar compreender Bella. Alguma vez nessa sua maldita ignorância você pensou em saber realmente sobre ela? Conheceu seus temores, sua infância, ou sua família? É claro que não. E quando descobriu que ela perdeu a virgindade com seu gêmeo, você virou o machista egocêntrico que só pensa na porra do próprio pau. Você sabe o que ela passou na Europa? Ela ficou sozinha por DOIS anos, Cullen! Sofrendo por causa do cretino do seu irmão".

Nada saía da minha boca agora. Ela estava certa. Nunca parei para pensar no que Bella sofreu com o que meu gêmeo fez, eu definitivamente fui um egoísta.

Rosalie arfava e andava pela sala passando as mãos pelos cabelos. Eu sabia que ela ainda não tinha terminado e eu me descobri masoquista na sua frente, pois queria continuar a receber os golpes vindos dela. Eu merecia isso.

"Eu fiquei muito preocupada com ela, Edward. Bella se trancou em um mundo paralelo, onde somente a dor e a solidão a cercavam. Ela achava que eu não sabia, mas Deus sabe o que passei aqui a vendo sofrer de longe. Emmett não me deixava ir até lá porque, com meus contatos, eu poderia achar rapidamente o fodido do seu irmão e é lógico que eu arrancaria, com o pensamento, as bolas dele. Cristo, isso ficou me matando por muito tempo. Até eu conseguir trazê-la de volta para perto de mim".

Meus olhos estavam cheio de lágrimas com o monólogo de Rose. Jamais imaginei a sua dor e, principalmente, as coisas que Bella passou antes de eu conhecê-la. Agora compreendia que fiz tudo errado desde o princípio. Eu só pensei em mim e nos meus desejos. Na verdade, o que eu precisava agora era conhecer e conquistar a verdadeira Bella Swan, e não a mulher que usei para o meu prazer.

"E agora... você. Ela ficou incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por você. Bella entregou não só o coração a você Edward. A vida dela está em suas mãos. E aí, seu hipócrita que anda sobre o próprio pênis, você faz um estardalhaço do caralho, quando descobre que seu gêmeo do mal tinha tirado a inocência da minha amiga. E ainda consegue ser pior, fode com ela na sua sala e sai dizendo que não tinha mudado nada".

Rosalie estava contando toda a minha história com Bella. E vendo assim, como espectador, estava me matando. Deus, isso não acabaria?

"MAS... você sempre se supera, seu idiota de merda. Tinha que acabar com o amor próprio dela. Faz sexo com ela, diz que quer continuar fodendo com ela, mas que não confia nela. E agora? Eu só quero entender, Edward Cullen. O que exatamente você está fazendo aqui?"

O que eu podia falar agora?

"Rose... você está certa. Em tudo, mas, por favor, me deixa falar... deixa eu me defender..."

Cristo, eu não conseguia formular nenhuma frase coerente. As duras palavras dela martelavam na minha mente. Agora eu entendia o sentimento que ela tinha por mim. Até eu me odiava agora. Como pude ser tão cego?

"Eu tenho todo o tempo do mundo, Cullen".

Quando eu abri a boca para falar, nós escutamos a porta abrir. Meu irmão tinha chegado.

"Amor. Tenho novidades..."

Emmett parou de falar assim que nos viu. E, com certeza, a vista não era das melhores. Rosalie arfava nervosa e com o rosto tenso, segurando os quadris em minha direção. Eu estava com os olhos banhados em lágrimas, rodopiando em volta da sua sala de estar, praticamente arrancando os cabelos do meu couro cabeludo. Ou seja, praticamente a prévia de uma luta.

"Cacete, Edward. Você aqui?"

Ele se aproximou de Rose e a beijou. "Por que eu tenho a sensação que minha casa vai explodir? Vocês brigaram?"

"Não, amor... eu só falei umas coisinhas que estavam entaladas há alguns anos".

"Edward." Meu irmão me abraçou. "Perdoe-me. Deixei você enfrentar a loira furacão sozinho. Foi muito difícil? Rosalie é capaz de fazer um cego enxergar com suas palavras".

"Não, tudo bem. Eu merecia ouvir tudo..." Falei sussurrando. Meu irmão falou exatamente como me sentia. Um cego que tinha acabado de enxergar o mundo.

"Mas, conte-me, irmão. O que faz o médico mais importante da cidade de Forks em minha humilde residência? Acabou a doença do mundo?"

Sorri timidamente para o meu irmão. Eu estava esgotado emocionalmente depois do discurso de Rose, mas ainda tinha uma missão. Isabella Swan.

"Eu... eu preciso de ajuda, Emm." Olhei em direção a Rose, que revirava os olhos. "Eu vim aqui porque... bem, porque perdi Bella." Era tão difícil admitir isso. Mesmo determinado a conquistá-la, eu estava me sentindo sem chão.

"Nossa. Isso sim é uma grande novidade. Acho que uma dose de uísque viria muito a calhar agora, não é mesmo? E vendo sua cara de cachorro chutado para a rua, penso que Rose disse tudo o que pensa a seu respeito. Juro, cara, eu sempre soube que Rose tinha fortes sentimentos por você, mas meu lado possessivo me impedia de deixá-la falar. Acho que acertei, né?"

Os comentários irônicos de Emmett aliviaram um pouco a tensão do momento. Até Rosalie sorriu. Eu poderia ter alguma chance com ele aqui.

"Eu entendi os sentimentos dela, Emm. E no momento que colocaria os meus, você chegou".

"Bom... como sou uma pessoa justa e que trabalha defendendo as leis, acho que posso ser o juiz da situação, certo?" Ele olhou para nós dois. "Mas você está acabado, Edward. Não quer tomar um banho e descansar um pouco?"

Olhei para Rosalie quase pedindo permissão. "Ei, apesar de você ter todas as qualidades que eu disse, não sou tão má assim. Vem que te levo até o quarto de hóspedes e te dou alguma roupa do meu lindo marido".

"Obrigado." Olhei em direção ao meu irmão mais velho. "Desculpe se eu trouxe problemas para você".

"Sem essa, Ediie." Ele sorriu com a minha careta. "Estou chateado que perdi o show. Rose fica sexy como o inferno destilando veneno. Eu poderia ser capaz de fodê-la na sua frente, mano. Acredite, foi melhor eu não estar aqui".

Dei meu melhor sorriso e, com um tapa no seu ombro, subi as escadas seguindo Rose. Assim que chegamos ao quarto, ela me olhou e cruzou os braços.

"Ainda quero ouvir, Cullen".

Suspirei e levantei meu olhar para ela.

"Tudo o que você falou é a mais pura verdade. Mas nada muda o fato de que amo Bella mais do que minha própria vida, Rosalie. E vou reconquistá-la, com sua ajuda ou não. E vou fazer isso pelo resto da minha vida se for preciso".

Ela me olhou por um tempo e em silêncio, pegou uma muda de roupa para mim. Assim que me entregou, sorriu. O que me deixou assustado. Assim que ela estava saindo, virou e falou.

"Bom... acho que depois de tudo o que falei, eu só posso te dizer uma coisa: Boa sorte, imbecil".

Quase sorri com as suas palavras. Pelo menos ela não tinha dito que eu não tinha chance.

Depois de um banho quente, meu corpo pedia mesmo era uma cama. Eu mal tinha dormido os dias que fiquei com Masen, sem contar o esgotamento da minha separação de Bella. E agora, eu tinha atravessado o país duas vezes em menos de 24 horas. Ou seja, a estafa se abateu sobre mim.

A cama do quarto de hóspedes era muito convidativa. E, quando menos percebi, já sucumbia no mundo dos sonhos.

Eu estava com a leve sensação de ser observado, mas o peso dos meus olhos era maior do que a curiosidade. Sabia que precisava acordar, afinal, tinha uma coisa muito importante para resolver... mas o que era mesmo? Passei meus braços pela cama, buscando... Bella. Abri os olhos no mesmo instante. Eu precisava ver Bella.

"Está melhor?"

Virei o rosto em direção à voz do meu irmão. Emmett estava sentado na cadeira próximo a mim, tomando um líquido dourado que julguei ser uísque. Foi com ele que aprendi a apreciar a bebida.

"Não sei... meio vazio seria a palavra correta." Minha voz estava muito rouca.

"Percebi. Você procurou por ela na cama".

"Eu fiz tudo errado Emm... tudo." Eu ainda estava zonzo de sono, mas a percepção da minha nova semi-vida sem Bella apareceu com força. Eu sentia tanta falta dela.

"Isso eu tenho que concordar, Edward".

"Eu sinto tanto a falta dela. Chega a doer quando penso nas besteiras que fiz".

Meu irmão levantou e sentou próximo a mim.

"Eu te conheço, Edward, desde pequeno. Sempre decidido e independente. As meninas caiam aos seus pés e nada te abalava. Por mais que as duras palavras de Rose sejam parte da verdade, sei que está sofrendo. E isso também me comove. Mas a pergunta vital precisa de resposta. O que você quer fazer agora?"

Olhei para o meu irmão buscando coragem. Depois de tudo o que Rose me mostrou, eu precisava ainda mais de ajuda para consertar toda a burrada da minha vida.

"Eu quero voltar a respirar, Emmett. Eu me sinto na escuridão, totalmente perdido sem Bella. Eu a amo mais do que a mim mesmo." Suspirei e fechei os olhos por um momento. "Eu preciso reconquistar Bella." Abri os olhos buscando sua compreensão.

"Uau." Meu irmão sorriu. "Se eu não soubesse como é a intensidade desse sentimento e te conhecesse tão a fundo, acharia que Edward Cullen estava mentindo. E olha que sou muito bom em detectar mentirosos. Já derrubei vários, antes mesmo dos interrogatórios começarem".

Sorri para ele. "Não estamos no tribunal, Emmett!"

Ele gargalhou. "Mas você está entrando em uma batalha árdua, irmão. E assim como nos tribunais, vai precisar recuar e montar a melhor estratégia para vencer".

"Estou me sentido um réu." Sentei na cama e passei as mãos pelos cabelos. "Que horas são?"

"Já são quase 11 horas da manhã do dia seguinte que chegou aqui. Você dormiu um dia inteiro".

"Sério?" Meu corpo estava todo dormente. "Nunca dormi tanto assim." Levantei estalando todos os ossos do corpo. Emmett também se juntou a mim.

"Liguei para mamãe e pro papai. Contei sobre como você chegou e tudo mais. Tirando tudo o que Rosalie falou e o que já sei, existe algo mais que preciso saber, Edward?"

Senti um leve temor ao ouvir meu irmão. "Por que pergunta isso?"

"Porque, meu irmão, eu acredito em você. E a julgar pelo seu espírito e por tudo o que aconteceu, acredite, você vai precisar de mim." Emmett me abraçou e me levou para fora do quarto.

Eu estava muito confuso. "Emm, não estou entendendo nada".

Ele parou e me olhou. "Neste momento, Edward, VOCÊ é o réu, pelo menos para Rosalie. E eu estarei aqui para ajudar na sua defesa. Afinal, a sua visita é para pedir ajuda à minha esposa sobre Bella, certo?"

A perspicácia dele era grande. Abri um enorme sorriso. "Eu sabia que poderia contar com você".

"Calma, amigo, ainda temos uma grande estrada para percorrer. E para não prejudicar o meu lado, não serei seu advogado de defesa. Aqui eu sou o juiz, afinal, se eu aborrecer minha esposa, é bem capaz dela comer minhas bolas no jantar de hoje".

Eu quase gargalhei com as palavras de Emmett. Eu já me sentia bem mais leve depois da conversa com meu irmão e do longo descanso. Descemos as escadas e fomos para a cozinha, dando de cara com Rosalie cantarolando e com um avental amarrado. Se eu não a conhecesse bem, pensaria que ela estava fazendo um comercial familiar de TV.

"Bom dia, Cullen. Dormiu bem?"

Arqueei a sobrancelha para a sua simpatia, enquanto sentava e pegava um suco e torradas. Eu estava em uma realidade paralela? Depois de tudo o que ela me disse, suas boas maneiras eram a última coisa que eu esperava.

Rosalie revirou os olhos, enquanto meu irmão soltava um sorrisinho. "Não é porque não aprecie seus modos soberbos e machistas que não vou ser educada, certo? E sem contar que um sexo selvagem pela manhã faz milagres para mulheres estressadas".

"Rose!" Engasguei com o suco. "Poupe-me dos detalhes".

"Sou sexualmente ativa, querido. E agradeça muito a Emmett que ele tenha herdado somente o lado viril da família, sem a canalhice, então não venha podar meus comentários. Nem falei nada!"

Emmett sorriu e balançou a cabeça. "Agüente firme, mano." Ele sussurrou para mim.

Depois de algumas trocas de farpas e gentilezas no café da manhã e algumas conversas com Emmett enquanto Rosalie esbravejava no telefone com alguns clientes, eu me sentia mais em casa. O dia já tinha passado rapidamente e quando me dei conta já estávamos sentados os três, no grande escritório do meu irmão.

"Então, Edward, vamos conversar realmente agora. Você veio aqui pedir ajuda para Rosalie, certo? Por que?"

Meu irmão estava sereno. Ele lembrava um pouco nosso pai, com suas palavras amenas e justas. Eu poderia contar com ele, assim como o resto da minha família.

"Sim... eu tive um comportamento horrível com Bella. Não, na verdade eu tenho sido uma pessoa egoísta e quase cruel com ela. Mas agora, depois de tudo, vejo que não consigo me ver longe dela. Eu tenho me amaldiçoado todas as horas pelas coisas que a fiz passar".

Rosalie levantou uma sobrancelha em minha direção. "Suponha, e apenas isso, que eu venha a te ajudar, Cullen. O que me garante que você não vai aprontar tudo de novo, que seu ego do tamanho de um poste e sua consciência do tamanho de uma ervilha, não vão converter suas verdades em machismo sexual? Você sempre pensou no que era bom para si mesmo. O que te fez mudar?"

Essa era a hora. Dei um longo suspiro antes de começar.

"Rosalie, deixei você falar porque vi que tinha necessidade de expor o seu lado. E claro, tudo o que você disse era verdade." Um sorriso irônico surgiu em seu rosto. "Mas quero que entenda também minha situação".

Levantei e comecei a andar pelo escritório. "Eu sempre fui uma pessoa bem resolvida mesmo. E sempre tive o controle das coisas ao meu redor. Todas as coisas que queria, eu conseguia, e, como você mesma insinuou, todas as mulheres também. Mas, diferente do que você disse, eu não fodi com todas as mulheres de Forks. Sempre fui mais seletivo do que meu gêmeo." Puxei meu cabelo e fechei os olhos. "Eu sempre acreditei que dominava minha vida e meus sentimentos. Nunca me deixei levar por um romance. Minha família e minha profissão sempre estiveram acima de tudo".

Abri os olhos e vi que tinha a atenção de ambos. Respirei pesadamente.

"Até que a vi. Bella era tão delicada, tão perfeita. Eu me vi perdido... não tinha mais controle das minhas emoções e sentimentos. E me deixei levar. Porra, Rosalie, era o meu céu e inferno particular todos os dias. Foi tão maravilhoso conquistá-la. Nunca me preocupei em fazer programas de casais com nenhuma mulher e um dia me vi assistindo The Goonies e comendo pipoca! Cristo, foi um dos melhores momentos da minha vida." Meus olhos encheram de lágrimas. Sequei meu rosto, já molhado.

"Cada momento, cada sensação... tudo está marcado em minha pele e mente como uma tatuagem. Todas as vezes que vi Bella sorrir, ou chorar. As vezes que ela me pedia colo, ou me chamava no trabalho. E, porra, todas as vezes que gozamos juntos... eu me lembro de cada gemido, cada arranhão que ela me deu. Ela se tornou minha razão de viver, Rose".

Eu já não me controlava mais, as lágrimas já desciam fortemente. "Sei que fiz coisas estúpidas e a magoei, mas, caralho, eu sou humano! Eu errei e muito. Deus, eu sou tão idiota... mas não sei mais o que fazer sem Bella".

Sentei novamente tentando controlar minhas emoções. Nem Rosalie, ou Emmett, falavam nada. Eu tinha que desabafar.

"Eu estava tão feliz, até que meu gêmeo voltou e o carrossel de emoções começou. Sou um ser possessivo sim, mas sou altruísta também. Eram muitos sentimentos envolvidos. A fuga do Rob, a reconstrução da minha família, minha vida com Bella. Eu simplesmente não consegui administrar... e como sabem, me deixei levar".

Deus... como isso é doloroso!

"Emocionalmente perturbado por um paciente, feliz por Rob estar em casa e extasiado por estar com Bella, fizemos tudo aquilo. Eu não me arrependo, assim como Bella ou Rob, acredito. Nunca foi o nosso problema, ou mesmo a minha fraqueza, o que aconteceu. As minhas angústias eram sobre outra coisa, como você mesma percebeu. A falta do controle. Eu não soube lidar com as emoções de não saber de tudo, de Bella nunca ter me contado sobre meu gêmeo. E foi isso que me matou..."

Olhei para ela agora, que estava com os olhos vidrados.

"Sei que é difícil de entender, Rose, mas, pra mim, foi como uma grande estaca no peito. Não conseguia compreender, ou melhor, não queria entender. Eu, o grande e arrogante Edward Cullen, não tinha o controle, não era o dono da verdade e por puro egoísmo meu, magoei, feri e quase destruí a pessoa mais importante da minha vida agora".

Mesmo chocado, essas palavras cortaram meu coração. Tudo o que fiz me levou a esse momento. Eu corria o risco de perder Bella por meus atos. E era isso que precisava corrigir.

"Rosalie... dói tanto. Todas as coisas que fiz para Bella voltam para mim como farpas. Jamais vou me perdoar, mas, por favor... por favor..."

Eu não conseguia mais. Ela tinha que entender!

"Eu amo Isabella Swan, Rosalie. Ela é o ar que respiro. Eu tenho um buraco no meu peito e muitas vezes dói até para respirar. Mesmo quando eu fazia as coisas horríveis que você disse, eu estava me machucando... porra, eu... eu não sei mais o que fazer, mas me ajude... eu juro que vou ser melhor. Eu quero ser melhor".

Fechei os olhos para aplacar minha dor. "Você me perguntou o que me fez mudar. Bella me fez mudar. Eu sou uma pessoa muito melhor com ela. Eu quero ser essa pessoa, mas eu só consigo com ela. Tudo em minha vida se resume a Bella. Não me deixe na escuridão. Eu preciso tanto dela..."

Eu preciso dela. As coisas que falei, podem não ter me ajudado tanto, mas foram libertadoras. Era como uma epifania na minha vida. Bella veio para transformar meu universo limitado, mas agora precisava recuperar minha outra metade. Mesmo que Rose ou Emmett não me ajudassem, eu voltaria a Phoenix e falaria todas essas coisas para ela.

Um barulho estridente me chamou a atenção, mas não me importei. Mesmo com os olhos nublados pelas lágrimas, vi Rosalie levantar e sair do escritório. Emmett veio em minha direção e tocou em meu ombro, me dando apoio. Seu sorriso me comoveu.

"Obrigado".

"Eu não fiz nada, irmão. Mas tenho que dizer uma coisa: Você daria um excelente advogado".

Sorri, um pouco feliz, por ser ele aqui. Olhei para o lado e Rosalie já estava parada me entregando um telefone.

"Acho que isso é seu".

Era o meu celular que tocava estridentemente. Olhei o número desconhecido e franzi o cenho. Quem seria agora?

"Alô?"

"Edward?"

Porra, eu não sabia o que sentir ao ouvir essa voz.


Oiiii amores,

Tem alguém inteiro ainda?

Tenho que confessar que derramei litros quando terminei esse capitulo. O nosso "gêmeo do bem" se superou aqui.
Sei que, polêmicas a parte, Edward está em um momento extremamente complicado. E todas as pessoas que falaram com ele, determinou as coisas que ele fez ou disse no capitulo.
Como sempre disse, eu tento transportar para a fic, sentimentos reais de situação imaginarias... ou nem tanto. Quem não gostaria de ter uma amiga como Rose? Quem nunca enfrentou um concorrente a altura, como James, com medo de perder alguém importante... e quem não gostaria de ter um irmão igual ao Emmett?
o/
Espero sinceramente que amem o capitulo assim como eu e Nenizinha... essa "adrenalina" que nosso Edward teve, foi extremamente vital para os próximos passos dele, afinal ele quer Bella de volta!
Agora, a pergunta que não quer calar *assim como outras...rs: Quem era ao telefone?
E outra, menos importante, mas que ficou no ar: Será que Rose vai ajudá-lo?
Muitas questões... muitas situações... rs

Quero lembrar que a fic está caminhando para o final. E, antes que alguém comente: Somos BEWARD gente... então teremos final feliz sim. Mas queremos fechar todos os ciclos e fazer os personagens amadurecerem antes do happy end. Nosso casal Bella e Edward serão pessoas melhores e mais intensos depois de tanta provação...
Ufaaaaa

E meninas...Muito obrigado mesmo pelas reviews.
Vocês não fazem ideia da nossa felicidade quando lemos as coisas que a nossa fic desperta em cada uma. É assim conosco tb.
Enfim... espero que tenham gostado...
E PREPAREM-SE... TEREMOS SURPRESAS ...hohoho
E clarooooo, o próximo POV SERÁ BELLA !
BEIJOS

Titinha