Chegando a Virginia City, Hoss comprou gelo para conservar os peixes que Nielle e ele haviam pescado. Aproveitaram a ocasião para comprarem também uma tela e moldura de tamanho médio, tinta a óleo, pincéis, recipientes, paninhos e carvão. Nielle comentou que necessitaria de produtos químicos secantes para a tela, mas que no momento não poderia comprá-los e o dono da loja mencionou que ela poderia usar os dele, já que era amiga dos Cartwright. Após agradecer-lhe, se dirigiram para a igreja a fim de realizar a inscrição.
Por acaso, acabaram encontrando a própria Sra. Peacock, que lhes explicou todas as pautas do concurso:
- Poderão participar artistas profissionais e amadores, mas todos terão as mesmas chances de vencerem. O autor da melhor tela receberá 500,00 dólares em dinheiro e as demais telas serão leiloadas após o concurso, mas a vencedora encabeçará o maior lance inicial.
"Quinhentos dólares em dinheiro!" Nielle pensou com alegria. Se vencesse o concurso, esse prêmio a ajudaria por algum tempo. Sua voz denotava entusiasmo quando mencionou isso a Hoss.
Ele ficou sério e perguntou a Sra. Peacock:
- E o que o artista deverá pintar?
- Os artistas terão liberdade para escolherem diversos temas... Natureza morta, paisagens...
- E quanto a pessoas? – Nielle quis saber.
- Bem... – Sra. Peacock fez uma pausa, pensando – Pessoas também, contanto que a tela possa concorrer ao leilão.
Voltando para a carroça, Hoss estava muito inquieto. Ele não poderia posar para Nielle. Quem iria querer comprar um retrato dele? A peça jamais seria selecionada para o leilão de caridade... E o dinheiro seria útil para ela se manter até encontrar uma casa e um emprego estável.
Hoss permaneceu em silêncio durante todo o caminho de volta, pensativo e ela se preocupou com isso. Será que era novamente o assunto que o havia entristecido na lagoa?
Chegando em Ponderosa, o gelo do cesto já estava todo derretido e Hoss foi correndo entregá-lo a Hop Sing. Ben, Adam e Little Joe se encontravam na sala:
- E como foi a pescaria? – o patriarca quis saber.
- Ah, foi bem divertido, Pa. Srta. Arwing ficou com pena das iscas.
Todos começaram a rir e vermelha, a moça contestou:
- Ora, está bem. Eu tive pena das iscas... Mas não adianta caçoarem de mim, porque até que para a primeira vez, eu fui muito bem!
- É, isso é verdade. – Hoss admitiu – Ela jogou um charme para os peixes e todos caíram na rede dela!
- Bobo! – ela riu, dando um tapinha nas costas dele.
- Ei, se importam se eu perguntar para que é tudo isso? – Adam apontou para os pacotes que ela havia posto no chão, assim que chegaram.
- Oh, isso é material para pintura. Me inscrevi para o concurso que a Igreja está realizando! Haverá um vencedor e as melhores telas serão selecionadas para um leilão!
- Isso é ótimo, vejo que está animada. – Joe sorriu – E o que irá pintar?
- Hoss será meu modelo! – ela respondeu com entusiasmo – Sabem, a pintura é uma das minhas atividades prediletas e farei o possível para retratá-lo fielmente! – e olhando para ele com ternura, perguntou – O que acha de começar a posar amanhã?
Retesando o corpo, ele ficou sério e Adam pressentiu que algo o perturbava:
- O que foi, Hoss? Algo errado?
- Bem, é que... É que eu acho isso de me usar como modelo uma grande bobagem!
- Bobagem? Mas como assim, filho?
- É uma bobagem! Eu sou o pior modelo que você poderia ter escolhido Nielle, me desculpe. Quem em Virginia City iria querer um retrato meu? Isso é ridículo.
- Ora Hoss, eu adoraria. – Ben respondeu – Eu faria questão de comprar a pintura.
- Claro, o senhor é meu pai. Mas isso é um leilão de caridade, pelo amor de Deus!
Todos ficaram sérios, raramente Hoss agia daquela maneira. Nielle em especial, havia ficado muito triste. É claro que o dinheiro do prêmio lhe viria a calhar, mas a tela possuía mais um gesto de gratidão para com os Cartwright; em especial Hoss, que havia protegido e oferecido abrigo, sem mesmo a conhecer, sem contar que era muito gentil com ela.
- Bem... – ela começou, arranhando a garganta para sumir com a secura – Se você se sente assim com relação à pintura, por que não foi sincero comigo antes?
- Porque eu não queria magoá-la.
- Então, falando sinceramente, devo dizer que agora é um pouco tarde para isso... Talvez se tivesse me dito isso antes, eu não me sentiria assim tão mal.
Rapidamente ela pegou os pacotes do chão e subiu as escadas o mais depressa que pôde, para que eles não vissem as lágrimas que brotavam de seus olhos. Abriu a primeira porta que conseguiu ver, fechou a porta e jogou os pacotes na cama. Respirando fundo e enxugando as lágrimas com as costas das mãos, ela começou a perceber que não conhecia aquele lugar, havia entrado no quarto errado. Olhando ao redor com mais calma, se aproximou do criado-mudo, onde viu dois porta-retratos com delicados detalhes em bronze, que segurou com cuidado. Aquele era o quarto de Hoss! Uma das fotos era a dele e a outra, de uma mulher muito bonita, com uma expressão serena e meiga.
Segurando ambas as fotos lado a lado, reconheceu uma semelhança entre eles.
"Essa deve ser a mãe dele...".
Continua no próximo capítulo...
