Nos dias seguintes, Nielle e os Cartwright procuraram não pensar muito no dilema em que ela e Hoss se encontravam, embora isso fosse muito difícil.

De vez em quando, Hoss ou Little Joe iam a Virginia City ver se conseguiam descobrir esse alguém já sabia algo sobre o desaparecimento da Condessa de Knightley. Porém parecia que nenhuma notícia sobre ela havia chegado ainda aos ouvidos da população local.

Nielle passava várias horas do dia no quarto, trabalhando em sua pintura. Tivera que recomeçar do zero, mas agora tinha a impressão de que esse seu trabalho estava ainda mais bonito e expressivo. Talvez fossem seus sentimentos por Hoss e os dele por ela; que haviam feito com que sua pintura recebesse aquele toque especial. Estava pensando nele ao pintar, nele e nos Cartwright, que agora seriam a sua nova família... Se tudo desse certo.

Quando não estava pintando, Nielle e Hoss ficavam no celeiro, ensaiando passos para o baile de sábado. Em seu condado, a jovem já participara de vários, porém pelo que ela tinha ouvido nos assuntos do jantar, os Cartwright também. Bailes beneficentes e sociais eram muito comuns em Virginia City.

E Hoss sabia dançar como ninguém! Conhecia muitos dos passos de várias danças e pelo visto, era um verdadeiro gentleman nas pistas, pois pisou em seu pé apenas uma vez.

- Desculpe, Nielle.

- Não se preocupe, Hoss! – ela sorriu enquanto esfregava o pé dolorido – Você é um excelente dançarino! Estará muito bem no baile!

- Bem, é que... Sempre que algum baile acontece em Virginia City, eu costumo praticar sozinho aqui no celeiro... Com uma vassoura! – e começou a rir. Ela também riu: - Devo parabenizá-lo! A vassoura com certeza é uma excelente parceira de dança!

Depois do ensaio, Nielle e Hoss deixaram o celeiro e caminharam até uma planície próxima ao rancho. O sol emitia uma luz suave e agradável quando eles se sentaram e começaram a conversar.

Arrancando um matinho do chão, a moça começou a brincar com ele enquanto divagava entre um pensamento e outro. Hoss a fitava, admirado em ver o quanto ela ficava bonita sob os raios do sol. Seus cabelos pareciam ainda mais vivos e seus olhos ainda mais brilhantes.

- Hoss... Como sua mãe era?

Surpreso com aquela pergunta, ele disse: - Eu não a conheci porque ela morreu quando eu era bebê. Mas meu pai e Adam contam que ela era uma mulher amável, generosa e muito gentil.

- Como o filho dela. – Nielle completou com um sorriso, que Hoss retribuiu.

- Ela era sueca, uma mulher muito bonita. Em meu quarto há uma fotografia dela.

"Então aquela mulher do porta-retrato era mesmo a mãe dele..." Nielle concluiu em pensamento.

- Às vezes me pergunto por que a vida age assim conosco, nos tira pessoas que nos são importantes... Comigo foram a minha mãe e algumas mulheres que amei... Mas quando olho para a frente, vejo que ela me foi generosa, conservando Pa, Adam e Joe.

Pousando a grande mãe sob a dela, ele a fitou com aqueles olhos azuis e brilhantes e completou: - E me permitiu conhecer a senhorita.

Retribuindo àquele olhar, ela concluiu que realmente a vida às vezes era muito injusta, mas que nos brindava com boas coisas, boas pessoas, bons acontecimentos e com bons momentos, como aquele que estava compartilhando.

Os demais dias transcorreram tranquilos, com essa mesma rotina. Até que finalmente o dia do baile chegou e toda a população estava em polvorosa com os preparativos, principalmente a igreja. Esperavam arrecadar muitos donativos com o evento e mais posteriormente, o leilão.

Nielle havia terminado a pintura, que levaria ainda alguns dias para secar bem. Assim que o dia raiou, ela decidiu preparar tudo para o baile daquela noite. Primeiro teve receio por chamar tanta atenção, mas por fim decidiu-se por usar o melhor vestido que tinha guardado e também seus melhores sapatos. Hoss merecia que ela ficasse bem bonita. De joias, iria usar apenas um par de brincos bem pequenos, nada de colares ou aneis. Enquanto remexia na pequena caixinha, encontrou um relicário muito bonito e antigo, que pertencera à sua mãe. A peça e sua corrente eram de ouro puro. Se o vendesse a algum avalista honesto, com certeza obteria muito dinheiro, mas não tivera coragem... Significava muito para ela.

Abriu-o, lá havia espaço para duas fotografias pequenas. Enquanto acariciava o interior da joia com as pontas dos dedos pequenos, teve uma ideia: daria aquele relicário para Hoss como dote! Já que ela não tinha mais nada, isso seria perfeito!... Com certeza ele iria adorar!

Descendo as escadas com rapidez, ela viu que Ben não estava no escritório e voltou. Talvez ele estivesse em seu quarto. Chegando lá, bateu a porta com ansiedade:

- Sr. Cartwright!... O senhor está aí?

Ben abriu a porta com a testa franzida, preocupado: - Nielle... Aconteceu alguma coisa?

- Desculpe incomodá-lo tão cedo, mas preciso lhe falar.

- Está bem, entre.

A moça entrou e mostrando-lhe o relicário, disse:

- Herdei este relicário de minha mãe... É uma das poucas joias de valor que me restaram. Pensei em dá-lo a Hoss como dote. O que acha da ideia?

Surpreso, Ben analisou a peça minuciosamente e concluiu que era mesmo muito valiosa. Mas como pai, conhecia Hoss e sabia que ele não se importava com esses detalhes, o que realmente valia para ele era a pessoa, sem nenhum invólucro, título, vaidade ou situação financeira.

- Nielle... Essa é uma joia muito valiosa e com certeza qualquer pretendente ficaria feliz em recebê-la como dote, mas... Mas não meu filho.

O sorriso que pairava nos lábios dela morreu: - O senhor acha que ele não iria gostar?

- Não, não é isso. Vindo de você, ele iria e muito. Mas é que...

- Ah, eu entendi Sr. Cartwright! O senhor está querendo dizer que não é usual na América as noivas terem algum dote, é isso?

- Bem, realmente isso não é mais tão comum por aqui.

- E ele o aceitaria como um presente, então?

- Pela forma como eu conheço o Hoss, acho que não.

- Mas com o que eu tenho em mente, ele irá aceitar! Pretendo colocar aqui uma foto minha e uma dele... Vim lhe perguntar se o senhor não teria alguma...

Ben pensou e se lembrou que certa vez um fotógrafo havia tirado uma foto individual de cada um deles e depois uma em grupo, com todos os funcionários que trabalhavam em Ponderosa na época. Na entrega das fotografias, haviam algumas pequenas também. Ele disse que iria procurar e assim que encontrasse, a entregaria. Após muito procurar, encontrou as fotografias e lhe entregou uma das menores que tinha de Hoss. Em um dos espaços já havia uma fotografia dela, logo ela recortou a de Hoss e a encaixou lá.

Em Virginia City, Hoss e Little Joe tinham ido ao alfaiate ver se suas roupas já estavam prontas. O pobre homem mal os reconheceu quando entraram, de tanto serviço que tinha para terminar. Para isso, lhes contou que havia passado a noite em claro e estava tão cansado eu não tinha certeza se iria ao baile daquela noite.

Depois de pegarem as roupas embaladas, Hoss decidiu ir até o hotel e Little Joe ao escritório de Roy para saber se alguém procurara por Nielle.

No hotel, Hoss soube do hóspede fino que perguntou por uma jovem de sobrenome Knightley. Mas não conseguiu descobrir de quem se tratava ou se ele iria ao baile beneficente.

Ao sair de lá, Hoss foi ao Silver Dollar e depois na prisão, se encontrar com o irmão.

- Roy... Você não vai sair colando esses cartazes por aí, não é? Logo hoje, que a cidade está envolvida com o baile da igreja.

- Sinto muito, Joe. Mas esses cartazes chegaram hoje e preciso colá-los pela cidade... Esta moça esta sendo procurada e eu soube de algumas pessoas que a viram no Silver Dollar há pouco mais de um mês.

Hoss se aproximou da mas temeroso e havia uma pilha de panfletos com o rosto de Nielle estampado, informando que ela estava desaparecida e havia uma recompensa de... Quinhentas moedas de ouro por ela! Essa não... Era muito dinheiro e se alguém a visse no baile... Precisavam mantê-la escondida até que o Dr. Melvin encontrasse alguma brecha na lei real ou até que Adam retornasse.

- Obrigado, Roy. Precisamos ir.

Sem entender direito, Little Joe o seguiu, indagando: - O eu está fazendo? Precisamos persuadir Roy a não colar os cartazes pela cidade toda!

- Estiveram perguntando por ela no hotel... E algumas das poucas pessoas que estavam no Silver Dollar no dia em que ela chegou já estão comentando que a viram. Que droga, Joe!

- Eu não os culpo. Uma mulher como ela não passa despercebida em um saloon e quando souberem da recompensa que estão oferecendo...

- Roy não deixará de colar os cartazes só por que nós pedimos... É o trabalho dele. Precisamos mantê-la escondida até encontrarmos uma solução para nós.

- Pobre Nielle... Ela queria muito ir ao baile e ao concurso, não é?

- Sim... Mas haverá outros depois que essa tempestade acabar. Assim espero.

Hoss e Little Joe voltaram a Ponderosa com alguns dos cartazes que Roy e Clem já haviam colado pela cidade.

Nielle e Ben estavam na sala conversando, quando ouviram o barulho da pesada porta se abrindo e fechando.

- Hoss, Joseph!... Buscaram os ternos?

- Sim Pa, estão aqui... – Hoss entregou o pacote ao pai em mãos, com um tom de voz tenso.

- O que aconteceu?... Vocês parecem preocupados – Nielle quis saber.

Os irmãos se entreolharam e Little Joe lhe entregou os panfletos: - Aconteceu isso.

- Oh não!... – Ben e Nielle viram a foto dela e os dizeres a respeito da recompensa com apreensão – Bem... Não entendo a minha própria surpresa. Cedo ou tarde isso iria acontecer. Algumas pessoas na cidade já me viram lá em companhia de Hoss... Agora, com esses panfletos espalhados por Virginia City, não poderei ir ao baile...

- Sim, é melhor você não se arriscar a aparecer por lá. E nem no concurso de pinturas, ao menos por enquanto – Ben ponderou e Joe completou: - Eu tentei convencer Roy a deixar para colar tudo depois do baile, mas pensando melhor, teria sido bem pior. Se a visse no baile antes e depois os cartazes espalhados, você seria localizada ainda mais rápido.

- Isso é, se eu já não fui localizada. Acredito que o jovem conde ou seu criado, Sr. Hoyt, já estejam por perto.

- Adam disse no telegrama que no próximo domingo estaria de volta. Ele saberá o que fazer, caso o Dr. Melvin não encontre alguma saída.

Hoss se aproximou dela e segurando sua mão, procurou desviar suas esperanças no irmão mais velho ou no advogado da família.

No fim da tarde anterior, Desmond Hoyt deixou o conforto de seus aposentos no hotel e se dirigiu à estação, para aguardar a próxima diligência que viria.

Desde que chegara em Virginia City, fizeram algumas perguntas aos moradores da região sob o paradeiro da condessa. E descobrira certos fatos que interessariam e muito ao seu senhor.

O distinto criado detestava ficar se expondo às pessoas daquele lugar... Estava habituado ao ar frio da Europa e a América era um país muito sujo, e aquela região, quente.

Por sorte não teve que esperar muito tempo, a uma certa distância já era possível ver a diligência que se aproximava.

No desembarque, apenas uma pessoa surgiu: um homem aparentando ter por volta de vinte e cinco anos, muito distinto, bem apessoado e trajado.

- Conde, seja bem vindo... Fez uma boa viagem?

- E você ainda se atreve a me fazer tal pergunta, Desmond? Péssima, foi a pior viagem que já fiz em minha vida. A diligência não parava de balançar, me sinto muito mais seguro no mar.

Um pouco apreensivo com o humor do conde, Sr. Hoyt fez um gesto indicativo para os funcionários do hotel pegarem a bagagem e seguirem-nos.

Espero que ao menos o hotel seja adequado. Esta é uma região um tanto quanto fétida. Devem ser os índios. Não sei como Nielle teve o desplante de vir se refugiar neste país... Isto é, se for realmente verdade que ela esteja aqui.

- Oh, mas é verdade senhor! Segundo relatos, ela se encontra mesmo nesta cidade. Quando mostrei a foto da condessa de Knightley, me garantiram que se tratava dela.

- Mas você sabe muito bem que pode ser mentira, principalmente pela recompensa que estou oferecendo. Há muitos aproveitadores por aí.

- Eu entreguei os panfletos ao Xerife Coffee pela manhã e ele me garantiu que começariam a colá-los hoje ainda.

Após fazer o registro na recepção, pediu que trouxessem a banheira de cobre e água quente para o banho do Conde. Após alguns minutos que mais pareceram horas, ele se trocou em silêncio e por fim falou:

- Não sabe o quanto me sinto melhor após retirar toda essa poeira de cima de mim... Mas imagino que isso não durará muito, infelizmente. O que tem para me contar a respeito daquela maldita assassina?

- Bem, ficou comprovado que ela agiu em legítima defesa, senhor...

Com um olhar frio, o rapaz se conteve para reprimir sua irritação: - Em legítima defesa ou não, isso não muda o fato de que ela matou o meu pai! Aquela... Aquela mulherzinha faria qualquer coisa para se livrar de um casamento arranjado, até mesmo matar... E foi o que ela fez. Quando eu encontrá-la, irei transformar a vida dela em um verdadeiro inferno! Vou arrastá-la de volta para a Europa, nem que para isso eu tenha que usar a força.

Engolindo em seco, Sr. Hoyt não pôde deixar de sentir pena da bela condessa de Knightley. O jovem conde era mau, assim como o pai dele. Sabia que ele falava a sério e lhe faria muito mal quando a encontrasse. Por ele mesmo, não escolheria agir assim contra alguém que sempre o tratara com gentileza e cordialidade, mas não tinha escolha... Sua família sempre trabalhara para a família do conde, há gerações.

- Bem, senhor... Estive perguntando a algumas pessoas da cidade sobre o paradeiro da condessa no saloon e o barman disse que uma jovem com as características dela esteve lá pedindo emprego há cerca de um mês e pouco...

- Hmmm... E o que mais?

- Uma senhora de nome Peacock, da comissão da igreja, disse que a viu na cidade em companhia de um homem chamado Hoss Cartwright.

- Cartwright?

- Sim, senhor conde... Parece que são donos do maior rancho do estado de Nevada.

- Muito interessante... Realmente não me parece que alguém como Nielle ficaria em companhia de pessoas sem condição. Isso faz muito sentido... Pode ser mesmo que ela esteja aqui. E se estiver... Eu irei encontrá-la.

- E pelo visto não vai ser difícil, senhor. Haverá um baile hoje à noite e daqui a alguns dias, um concurso de pinturas, com um prêmio em dinheiro.

- Ah, sim! Meu pai dizia que ela adora pintar. E imagino que pela distância e as condições da viagem, ela não deva ter muito dinheiro.

- Primeiro iremos ao baile desta noite. Se não a encontrarmos lá, iremos à casa do tal Cartwright.

Sem dizer mais nada, Sr. Hoyt fez um gesto afirmativo com a cabeça e se retirou.

Em Virginia City, no início da noite, tudo era luz e festa. Na igreja, as pessoas celebravam com muita dança, ponche e aperitivos logo no início da noite, os donativos já começaram a ser arrecadados.

Os três Cartwright já se encontravam lá. Ben conversava animadamente com os amigos da Associação dos Criadores de Gado e Little Joe dançava com a Srta. Andrews, seu par. Hoss veio acompanhado da viúva Simpson, que seria acompanhada por Adam. Já que Nielle não iria, Ben, que iria enviar suas desculpas à senhora pela viagem de seu primogênito, achou que seria melhor se Hoss o substituísse.

A jovem senhora, que era muito educada e amável, percebeu que sua companhia se encontrava calada e cabisbaixa. Eles dançaram algumas valsas, mas sem nenhum ânimo ou palavras trocadas.

- Ai... – ela resmungou baixinho quando ele pisou em seu pé.

- Oh, perdão Sra. Simpson! Eu a machuquei?

- Não, Sr. Cartwright... Está tudo bem. Poderia me trazer um pouco de ponche, por gentileza?

- Claro, eu... Eu já volto.

Tentando disfarçar sua frustração, a viúva se refugiou em um lugar próximo a Ben, que ao vê-la, se aproximou cordialmente: - Boa noite, Sra. Simpson! Está se divertindo?

- Oh, olá Sr. Cartwright! Sim, estou me divertindo muito!... Mas ao que me parece, o seu filho Hoss não está...

- Sim, ele está um pouco triste. Mas espero que, com o baile, isso logo passe.

Aproximando-se com um copo na mão, Hoss entregou-lhe o ponche e pediu licença para descansar por um minuto. Não conseguia deixar de sentir aquele gosto amargo em sua boca, não conseguia deixar de pensar em sua noiva... Queria que ela estivesse ali com ele, ao invés de estar trancafiada em casa, como se fosse uma prisioneira.

Sem perceber, tinha caminhado até um trecho mais afastado da igreja. Foi quando viu um desconhecido espreitando algumas pessoas no baile. Sem dúvida, era um homem de posses, pois trajava vestes finas e parecia ter um certo porte. Ele não era de Virginia City... Despreocupadamente, analisou os convidados por mais alguns minutos e depois um outro homem surgiu e se aproximando devagar, balançou a cabeça em um gesto negativo.

- Olhou bem?

- Sim, senhor... Ela não está aqui.

- Como assim, não está? Tem que estar! Recebemos algumas mensagens de pessoas desta cidade dizendo que ela está aqui em Virginia City!

Com a testa franzida, Hoss se esforçava para entender tudo o que diziam. Mas eles tinham um sotaque muito carregado e ele achou difícil.

"Que droga! Quem são eles?"

Alguns segundos depois, um deles foi embora, na direção oposta e o outro voltou para o baile. Com um mau pressentimento, Hoss sentiu um impulso de voltar para casa. Hop Sing nada poderia fazer para impedir que Nielle fosse embora, era necessário que outra pessoa estivesse lá.

Se aproximando de Ben e Little Joe, ele disse: - Vou voltar para Ponderosa, vocês continuem aqui.

- Mas por que, Hoss? Tente se distrair... Nielle está segura lá.

- Não sei, Joe... Estou com um mau pressentimento. Ainda há pouco vi dois sujeitos estranhos, que falavam engraçado e pareciam estar procurando alguém.

- Tudo bem Hoss, mas primeiro leve a Sra. Simpson para casa.

- Mas... Mas Pa! O senhor ou Joe não podem levá-la?

- Não, nada disso. Você a trouxe, você a leva de volta.

Sabendo que não era sábio discutir com o pai, Hoss se conformou a contragosto. E foi procurar a viúva.

Após deixar a Sra. Simpson em casa com um pedido de desculpas, Hoss retornou apressadamente para Ponderosa. Ao entrar, a sala se encontrava escura como breu e logo as reclamações de Hop Sing se fizeram ouvir: - Mas que balulheila é essa? Não vê que Hop Sing quer dolmir em paz?

- Hop Sing, sou eu! Nielle está acordada?

- Acoldada a essa hola? Mas é clalo que não! Ela se lecolheu cedo! – e voltou a subir as escadas reclamando algo em chinês.

Respirando fundo pela 'maratona', Hoss sorriu ao imaginar o cansaço do pobre Chubb com a corrida. Iria até o estábulo para lhe dar água e escovar-lhe o pelo, mas antes... Subiu as escadas sorrateiramente e abriu a porta do quarto de hóspedes com muito cuidado, censurando-se ao mesmo tempo pela ousadia. Ela estava lá, dormindo como um anjo e somente após essa prova, sentiu-se mais tranquilo. Não lhe era habitual cometer aquela invasão de privacidade, mas após ver aqueles forasteiros no baile e se lembrar dos cartazes que começaram ser espalhados pela cidade, bem... Teve medo de que ela fosse embora. Com um sorriso, fechou a porta e desceu as escadas em direção ao estábulo.

Continua...