Em meio à escuridão daquela noite, Ponderosa era o único foco de luz visível. O rancho estava lotado com os convidados animados das Bodas. Toda Virginia City estava presente, dançante e feliz. Afinal, Hoss era o primeiro filho de Ben que se casava!

Os noivos dançavam sem conseguirem tirar os olhos um do outro, cientes da grande festa que acontecia naquele momento, mas ao mesmo tempo, alheios a tudo. Ela estava mais linda do que nunca e definitivamente, o noivo não conseguia tirar os olhos dela.

- Nunca pensei que eu pudesse ser tão feliz.

- Nem eu!... Achei que passaria o resto da minha vida presa a um matrimônio por conveniência... Ainda bem que consegui fugir e vir parar aqui! – ela completou com um sorriso.

Hoss lhe deu um beijo carinhoso na testa e ela fechou os olhos, enquanto dançavam. Mal perceberam quando Ben se aproximou.

- Hoss... Eu sei que é sua esposa, mas pretende ficar com ela a noite toda? Quero o direito de dançar uma valsa com minha nora.

Hoss ficou vermelho como um pimentão e entregando a mão dela a Ben, respondeu: - Desculpe, Pa.

Quando a valsa começou, sussurrou no ouvido dela: - Não me importa como... Mas faça o meu filho feliz. – e sorriu. Ela correspondeu àquele sorriso de volta e naquele instante, sentiu uma profunda admiração pelo sogro. Era um homem que havia vindo de longe e construíra seu império com muito trabalho, além de criar três filhos praticamente sozinho. Fazer Hoss feliz era tudo o que ela mais queria. E então criou coragem para responder: - Sim, Pa... Eu o farei.

Logo depois desta dança, foi a vez dos cunhados, Adam e Little Joe. Os dois eram muito bonitos e galantes... Logo, logo também estariam casados e enchendo aquela casa de crianças!

Havia sentido um pouco de medo de Adam no início, mas logo descobrira que ele só queria a felicidade do irmão do meio; assim como Little Joe, a quem Hoss era muito apegado. Ele era muito jovial e carinhoso. Ao descobrir que era mais jovem do que ela, sentiu que ele também era como se fosse seu irmão mais novo. E ela os admirava, ainda mais agora, depois que Hoss lhe dissera o que eles haviam feito para ajudá-lo a localizá-la, no interior do estado.

No momento dos brindes, o pai do noivo foi o primeiro: - Em primeiro lugar, quero agradecer a todos por terem vindo. É uma alegria enorme para mim recebê-los aqui em minha casa e em uma ocasião tão especial como o casamento de meu filho Hoss.

O patriarca engoliu em seco e seu olhar pareceu distante, como se estivesse buscando por memórias bem profundas.

- Quando eu cheguei aqui, a mãe de Hoss já havia falecido... Éramos apenas Adam, Hoss e eu. Depois, Little Joe nasceu. E fiz o melhor que pude para torná-los homens honrados, trabalhadores e que respeitem a lei. Acredito que eu tenha alcançado meu objetivo e hoje, meus três filhos carregam o nome Cartwright com muito orgulho.

Naquele momento os olhos dos três rapazes brilharam, absorvendo e confirmando cada palavra que o pai havia dito.

- Estou muito feliz em poder dizer que agora, sou um sogro e em breve, com a bênção de Deus, avô! – e levantando a taça enquanto fitava o rubor das faces dos noivos, completou: - Viva os noivos!

"Viva os noivos!", gritaram os convidados em um coro.

Batendo um talher na fina taça com elegância, foi a vez de Adam: - Na qualidade de primogênito, tenho a honra de fazer o brinde agora. – O homem de negro justificou, levantando a taça. E olhando para os noivos, continuou – Como dizia William Shakespeare, 'É um amor pobre aquele que se pode medir'e conhecendo meu irmão como eu conheço, sei que os sentimentos que ele tem por Nielle não podem ser medidos ou calculados... Desejo aos noivos muita paz, sabedoria e claro, felicidades.

Todos aplaudiram calorosamente o brinde de Adam, em especial Hoss e Nielle, que acharam as palavras deles muito bonitas. Em seguida, com um sorriso que não podia conter, Little Joe se levantou.

Levantando a taça e lançando um olhar terno aos noivos, ele começou seu brinde: - Acredito que todos saibam o quanto Hoss e eu somos ligados. Além de meu irmão mais velho, ele é, sobretudo, meu melhor amigo. Já vivemos juntos muitas aventuras e também perigos, vencemos desafios... – emocionado, o jovem Cartwright olhou para o irmão e concluiu – Desejo a ele e Nielle toda a felicidade que é possível a um casal que lutou para realizar seus sonhos. Muitas felicidades aos noivos!

O brinde de Joe também foi ovacionado com entusiasmo. Nielle sentiu que Hoss havia apertado sua mão com mais força e ao olhar para ele, viu que uma lágrima rolou de um dos olhos dele. Naquele momento ela entendeu que ser um Cartwright era muito mais do que ser um próspero proprietário de terras, criadores de gado, produtores de madeira... Era realmente ser uma família, que vivia, enfrentava e lutava juntos contra toda uma sorte de adversidades, como Little Joe havia dito. E ela estava feliz por poder ser uma Cartwright de agora em diante.

Epílogo

Alguns meses depois...

Hoss e Nielle ainda moravam em Ponderosa, enquanto a casa deles (localizada em um terreno que eles ganharam de Ben) ainda não estava pronta.

Era uma noite tempestuosa. Little Joe ainda não havia voltado com o Dr. Martin.

- Droga, Pa!... Joe está demorando muito! Não agüento mais ouvi-la sofrendo.

- Acalme-se, Hoss... Está chovendo muito, eles devem ter ficado retidos em algum lugar por causa dessa tempestade!

Nielle havia entrado em trabalho de parto no início daquela noite. Ela estava gritando bastante por causa da dor e também suava muito.

- Hoss, continue colocando compressas de água fria na testa dela. Eu irei atrás de Little Joe. – disse Adam.

Passado algum tempo, quanto Hoss velava por ela, Nielle disse: - H... Hoss! E... Eu não agüento mais!

- Adam e Joe estão demorando demais! É essa chuva, parece que o céu está caindo! E o nosso bebê escolheu justo essa noite chuvosa para nascer...

Olhando por baixo do vestido dela, viu que a criança já estava coroando. Não dava mais tempo... Ele mesmo deveria fazer o parto.

- Pa!... Peça ao Hop Sing para ferver mais água! Traga também mais toalhas limpas, rápido!

Ben correu para atender ao pedido do filho e Hoss fez uma pequena prece enquanto lavava as mãos. Ele já havia ajudado a muitos animais do rancho a terem suas crias, mas nunca imaginou que um dia teria que fazer o parto do próprio filho. Estava com medo, mas não podia mostrar isso a ela.

- Querida, tudo vai acabar bem... Vou pedir para você fazer força agora.

Ela assentiu entre lágrimas enquanto ele lhe dava uma toalha para morder.

Logo um choro se fez ouvir por toda Ponderosa. Hoss cortou o cordão e enrolou o bebê enquanto o segurava com as mãos firmes. Era pesado e tinha o rosto redondinho como o dele. Depois, o colocou nos braços do pai.

- É um menino, Pa!... Um menino!

Ben segurou a criança, não conseguindo conter a emoção. Mal podia acreditar que era avô.

Em seguida, Hoss o levou aos braços da mãe, que também estava emocionada após todo aquele esforço.

- Olá, papai! – ela provocou Hoss com um sorriso, que ele retribuiu com emoção.

- Hoss!... Hoss! – era a voz de Little Joe – O Dr. Martin está aqui!

Quando Joe, o médico e Adam chegaram ao quarto, viram o bebê nos braços de Nielle, que sorria.

- Adam, Joe... É um menino! – Hoss gritou.

- Eu sou tio, sou tio! – Joe comemorou, enquanto Adam se limitou a sorrir e disse, batendo no ombro do irmão: - Parabéns, Hoss!

- Obrigado, Adam!

Hoss se aproximou da cama, deu um beijo na fronte da esposa e ela disse: - Sabe, estive pensando em um nome para o nosso bebê e pensei em um que você nunca usou: Eric! O que acha?

- Inger queria que esse fosse o primeiro nome de Hoss... Era o nome do pai dela. Eu acho que é perfeito! – Ben respondeu.

- Será Eric, então! – Hoss confirmou.

Enquanto ninava o bebê em seus braços, ele abriu os olhinhos e Nielle viu um lindo tom de azul escuro. Logo ela concluiu que ficariam claros, como os olhos de Hoss.

Uma nova dinastia Cartwright se iniciava ali, naquele momento.

FIM